Repositório RCAAP
A relação do burnout e do engagement com a satisfação geral com a vida de bombeiros profissionais portugueses
O presente estudo tem como objetivo analisar a relação entre do Burnout e do Engagement com a Satisfação Geral com a Vida de bombeiros profissionais portugueses. Foram analisadas 545 respostas de uma amostra de conveniência de bombeiros profissionais portugueses, tendo todas as hipóteses de investigação sido confirmadas. Os resultados evidenciam uma relação negativa entre o Burnout e a Satisfação Geral com a Vida, e uma relação positiva entre o Engagement e a Satisfação Geral com a Vida. As variáveis de controlo sexo, idade e tenure não mostraram impacto na Satisfação Geral com a Vida dos bombeiros profissionais portugueses representados na amostra. Os resultados obtidos contribuem para a literatura por permitirem um melhor entendimento do impacto do bem-estar em contexto de trabalho, no bem-estar geral dos indivíduos. São ainda apresentadas no presente estudo algumas implicações práticas e limitações, assim como sugestões para estudos futuros.
O burnout e a satisfação com a vida em militares em missão de paz : o papel moderador do compromisso afetivo
O presente estudo tem como objetivo principal verificar o impacto do burnout na satisfação com a vida, tendo como moderador o compromisso afetivo. Para tal, utilizou-se uma amostra com 327 militares brasileiros em missão de assistência a migrantes e refugiados na fronteira com a Venezuela. Os resultados indicam que o burnout não possui um impacto significativo sobre a satisfação com a vida. Não foram encontradas evidências do papel mediador do compromisso afetivo na relação entre o burnout e a satisfação com a vida, ainda que, o compromisso afetivo tenha uma relação negativa com o burnout. Este estudo contribui para a literatura, na medida em que evidência a forma como o compromisso afetivo pode servir de redutor da tensão e promotor de bem-estar. São apresentadas algumas implicações práticas, assim como limitações e sugestões para estudos futuros.
Competências críticas no século XXI e o potencial dos recém-diplomados em Portugal
Esta dissertação pretende analisar o potencial de uma amostra de recém-diplomados portugueses para manifestar as cinco competências críticas para o séc. XXI. A análise é feita através de dados recolhidos com testes de aptidões e inventários de personalidade profissional. A maioria dos recém-diplomados da amostra analisada neste estudo tem tanto ou mais potencial para as competências Aprendizagem, Colaboração e Inovação como os trabalhadores da amostra normativa. Muitos recém-diplomados têm tanto ou menos potencial para as competências Adaptabilidade e Resiliência do que os trabalhadores mais experientes, sinalizando para os profissionais de Recursos Humanos uma necessidade de formação e especial atenção na seleção. Os recém-diplomados do sexo masculino têm, em média, mais potencial para as competências Resiliência, Aprendizagem e Inovação do que as recém-diplomadas do sexo feminino, e estas têm mais potencial para a competência Colaboração do que os recém-diplomados masculinos. Estes resultados indicam que pode ser vantajoso para as organizações que os novos trabalhadores convivam e colaborem com colegas do sexo oposto para que haja maior complementaridade de competências. Foram encontradas correlações entre as competências Aprendizagem e Inovação, entre as competências Adaptabilidade e Inovação e entre as competências Adaptabilidade e Colaboração.
Intervenção breve no paciente fumador : aplicação prática dos «5 As» e dos «5 Rs»
O médico de família, ao receber na sua consulta um paciente que fume, deve intervir usando a metodologia da Intervenção Breve. Apresenta-se a operacionalização da Intervenção Breve quando o paciente fumador quer deixar de fumar, os “5As” – Abordar, Aconselhar, Avaliar, Ajudar e Acompanhar – ou, quando ainda não está motivado e pronto para o fazer, os “5Rs” – Relevância, Riscos, Recompensas, Resistências e Repetição. A acção do médico de família nesta área tem um impacto bem definido pelo que esta metodologia deve ser divulgada e treinada.
A relação entre o apoio do cônjuge e o compromisso afetivo e engagement no trabalho de militares em missão de ajuda humanitária : o papel mediador do spillover positivo família-trabalho
O presente estudo teve como principal objetivo verificar a influência do apoio do cônjuge em variáveis do contexto laboral, neste caso, o compromisso organizacional afetivo e o engagement com o trabalho, tendo em consideração o papel mediador do spillover positivo família-trabalho. Por forma a cumprir este objetivo, recorreu-se a uma amostra de 164 militares brasileiros em missão de ajuda humanitária na fronteira com a Venezuela. Os resultados suportam a existência de uma influência positiva do apoio do cônjuge no compromisso afetivo e no engagement no trabalho, pese embora não tenha sido verificado o papel mediador do spillover positivo família-trabalho nestas relações. A presente investigação contribui, assim, para o corpo de literatura sobre o lado positivo da interface família-trabalho, e sobre a direção de influência da família para o trabalho, em particular, no contexto militar. São discutidas implicações práticas quanto à gestão e planeamento de destacamentos de manutenção de paz e não-combate.
Diferenças entre géneros na avaliação baseada em competências comportamentais
Alguns estudos apontam para diferenças na forma como pessoas do género masculino e do género feminino se descrevem em questionários de autorrelato no que respeita a características relacionadas com sensibilidade interpessoal e planeamento e organização. O objetivo do presente estudo é verificar se estes resultados também são encontrados quando a avaliação é feita por observadores treinados em assessment centers. Foram analisadas as classificações de 689 participantes de nacionalidade portuguesa em exercícios de simulação (exercícios de apresentação e de role play). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os participantes dos dois géneros, com exceção para a competência “Relacionar-se e Trabalhar em Rede”.
A segmentação como caminho para a flourishing em confinamento : o papel mediador do equilíbrio trabalho-família
Perante as graves consequências que a pandemia da COVID-19 tem revelado na relação entre o trabalho e a família, nomeadamente pela dificuldade de estabelecimento de limites de fronteira, o presente estudo teve como principal objetivo analisar o papel mediador do equilíbrio trabalho-família (ETF) na relação entre o comportamento de segmentação e o flourishing. Os dados foram obtidos mediante a resposta a um questionário por parte de 108 sujeitos em teletrabalho devido ao confinamento. Os resultados, analisados através da ferramenta Process, possibilitaram observar que o ETF é uma variável que permite explicar a relação entre o comportamento de segmentação e o flourishing dos teletrabalhadores. Estes resultados contribuem para a literatura ao apresentar a estratégia de segmentação como um recurso que ajudará os trabalhadores a reequilibrar o trabalho e a família e, por sua vez, a alcançar o flourishing.
Relações entre bem-estar, intenção de turnover e responsabilidade social corporativa
Este estudo tem como objetivo perceber a correlação entre a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) com o Bem-Estar Afetivo (BEA) no trabalho e o efeito deste na Intenção de Turnover (IT). Para cumprir este objetivo analisou-se 29 trabalhadores, usando um questionário com 32 questões que incidiram sobre o bem-estar no trabalho, sobre a perceção de Responsabilidade Corporativa Social e sobre as suas Intenções de Turnover; usando o Inventário de Bem-Estar Afetivo no Trabalho (Warr, 1990) traduzido por Ernesto e Chambel (2011), a Escala de Responsabilidade Social Corporativa (Turker, 2009) e o Inventário de Intenção de Turnover (Huang, Lawler e Lei, 2007). O estudo mostrou uma correlação negativa entre o Bem-Estar no trabalho e a Intenção de Turnover, sendo que a Intenção de Turnover, ou seja, o desejo de sair da empresa aumentou com a diminuição do bem-estar no trabalho. A limitação mais pertinente deste estudo foi o pequeno tamanho da amostra, impedindo uma generalização destes resultados para o resto da população de trabalhadores.
2021
Silvestre, Rafael Magalhães Martins de Moura
O efeito indireto condicional do trabalho de equipa no bem estar através do clima social : o papel moderador da satisfação com os colegas
Introdução: O trabalho de equipa traz às organizações um valor potencial que lhes permite serem mais eficazes e competitivas no mercado, através do incremento de colaboração, cooperação, interações positivas, autonomia, criatividade, e do compromisso com as tarefas e objetivos. No que diz respeito à investigação sobre as equipas, observa-se um número discrepante de estudos entre processos de eficácia, quando comparada com bem-estar individual nas mesmas (Alcover, 2014). Objetivos: Esta investigação pretende estudar o papel que o trabalho de equipa tem no bem-estar do trabalhador através do clima social, moderada pela satisfação com os colegas. Metodologia: Para a recolha de dados, recorreu- se aos seguintes instrumentos de medidas quantitativas: (1) ESCO – Escala de Cli ma e Satisfação Organizacional (Chambel & Curral, 2000 ), (2) e o GHQ-12 – Questionário de Saúde Geral (Goldberg & Hillier, 1979), ambas aplicadas online ou presencial. A amostra consiste em 2232 funcionários das 24 direções da Câmara Municipal de Lisboa. Na análise de dados utilizou-se o programa SPSS para aplicar método bootstrap e apurar o efeito moderador da satisfação com os colegas no efeito indiretodo trabalho em equipa no bem- estar, por meio do clima social. Resultados: Os resultados obtidos deram sup orte ao efeito postitivo do trabalho de equipa no bem-estar dos trabalhadores, e à mediação parcial do clima social nessa relação. Adicionalmente, os resultados demonstraram que, contrariamente ao esperado, o efeito direto entre clima social e bem-estar é mais forte para valores mais baixos de satisfação com os colegas. Conclusão: Os resultados reforçam a importância do trabalho de equipa, e que este serve como compensação quando não existe proximidade e/ou satisfação com os colegas, permitindo focar-se nas tarefas e objetivos a alcançar.
Suporte do chefe à relação trabalho-família, controlo das fronteiras e satisfação com a vida : papel moderador da cultura
A presente investigação tem como principal objetivo averiguar o papel mediador do controlo das fronteiras na relação entre o suporte do chefe à relação trabalho-família e a satisfação com a vida, bem como o papel moderador das culturas portuguesa e paquistanesa na relação entre o suporte do chefe à relação trabalho-família e o controlo das fronteiras. No total foram analisadas 226 respostas de indivíduos portugueses e paquistaneses em regime de teletrabalho, devido ao confinamento resultante da pandemia. Os resultados evidenciam o controlo das fronteiras como variável mediadora na relação entre o suporte do chefe à relação trabalho-família e a satisfação com a vida, embora apenas para os trabalhadores paquistaneses. Para além disso, contrariamente ao esperado, verificou-se que a relação entre o suporte do chefe à relação trabalho-família e o controlo das fronteiras foi mais forte para a cultura paquistanesa, não sendo significativo para os trabalhadores portugueses. Os resultados obtidos permitem uma melhor compreensão do papel do controlo das fronteiras no contexto organizacional, particularmente em regime de teletrabalho, e da sua relação com variáveis como o suporte do chefe à relação trabalho-família, satisfação com a vida e cultura, compreendendo o suporte do chefe e o controlo das fronteiras como recursos fundamentais para os teletrabalhadores. São apresentadas algumas implicações práticas, assim como limitações e sugestões para estudos futuros.
Autorregulação e ajustamento emocional e comportamental em crianças de idade pré-escolar
O período pré-escolar é considerado um dos mais importantes para o desenvolvimento e promoção de competências cognitivas, emocionais e comportamentais das crianças. Devido ao intenso desenvolvimento da autorregulação nestas idades, este estudo pretendeu caracterizar a autorregulação e as suas associações com o ajustamento emocional e comportamental em crianças em idade pré-escolar. Participaram neste estudo crianças portuguesas entre os 3 e os 6 anos de idade e seus pais. A tarefa comportamental Cabeça-Pés-Joelhos-Ombros (HTKS) foi utilizada para avaliar as capacidades de autorregulação. Para a avaliação dos problemas de ajustamento, foi utilizada uma medida de heterorrelato parental, o Preschool Pediatric Symptom Checklist (PPSC). Os resultados indicam diferenças estatisticamente significativas entre crianças de diferentes níveis etários, no sentido em que crianças mais velhas revelam uma maior capacidade de autorregulação. Por outro lado, não se observaram diferenças entre rapazes e raparigas em relação à autorregulação. A maioria dos pais não identificou problemas de ajustamento nos seus filhos. Por fim, não foram verificadas associações estatisticamente significativas entre a autorregulação e o ajustamento emocional e comportamental das crianças. Os resultados deste estudo enfatizam a importância do desenvolvimento da autorregulação na idade pré-escolar. No final, discutem-se as limitações e contribuições deste estudo, bem como as implicações para a prática e direções para investigação futura.
Zoltan Gross's theory of personality (ZGTP) and theory of structural dissociation of the personality (TSDP) : building bridges
Personality may be hard for clinicians to address, and different approaches describe different ways of doing so (Kramer, 2019). We present two theories that consider parts of the personality that are structurally different from each other(s): TSDP, which considers dissociated parts of the personality (Nijenhuis, 2015); and ZGTP, which considers character structure and self-presentations (Gross, 2020). Since case formulation may help to connect research and clinical practice (Kramer, 2020), we tried to experimentally manipulate the likelihood of mental health clinicians conceptualizing a case according to a parts of the personality’ lens in general, and TSDP and ZGTP in particular. We presented a short video of a client expressing her main complaint in a session, and afterwards participants were randomly assigned to one of two conditions: manipulation and controls. In the manipulation condition, we presented a small lecture and a short video of a therapist intervening that aimed to influence participants to formulate the case through a parts’ lens. We did not present this to controls. Afterwards, we asked all participants to rate how much four formulation options (that were based on: A – ZGTP; B – TSDP; C – AEDP; D – EFT) fitted their own formulation perspectives, and then we asked them which formulation they would be more likely to choose to promote characterological change, and emotional change. We hypothesized that participants in manipulation would give higher ratings (H1), and then choose more times (H2) formulations A and B in both conditions. There was a significant manipulation effect for formulation B (r=-0,31), but not for formulation A, partially supporting H1. H2 was not supported. These and other findings are discussed in the light of previous literature and research. Directions for future studies are suggested.
Manifestações de intolerância e abuso por parte de clientes de psicoterapia : estudo exploratório qualitativo sobre a (im)possibilidade de intervir clinicamente
Por vezes, o psicoterapeuta é confrontado com atitudes ou comportamentos do cliente que coloquem em causa as suas crenças ou valores, ou depara-se com clientes que podem demonstrar prejudicar com frequência os outros ou o mundo natural. Pretendemos explorar como poderá o psicoterapeuta intervir, mesmo não fazendo parte da queixa do cliente, e como poderá fazê-lo, indo de encontro ao código ético e deontológico inerente à profissão. São exploradas as intervenções utilizadas, assim como o impacto que existe no terapeuta face à experiência em lidar com esse cliente, e no cliente, relativamente ao impacto da intervenção. Esta investigação tem como objetivo fazer um levantamento qualitativo da existência de disponibilidade do psicólogo para intervir relativamente às atitudes ou comportamentos demonstradas ou relatadas que sejam abusivos, intolerantes, prepotentes ou desrespeitadores dos direitos e liberdades de várias pessoas, ou sobre o mundo natural, mesmo que não constituam o pedido de ajuda do cliente. Esta investigação qualitativa baseou-se num processo de análise temática, suportada pela integridade metodológica enquadrada no campo da psicologia crítica. Os resultados sugerem que existe a tendência para a integração de intervenções e abordagens, sendo que a maioria dos participantes afirma realizar uma abordagem integrativa. Os participantes relatam experiências em que sentiram por vezes desconforto ou ambivalência perante um cliente que relate prejudicar regulamente os outros ou o mundo natural. O relato dos participantes face ao impacto no cliente sugere que os impactos positivos serão superiores casos onde não foram notadas mudanças. É explorado também o papel do psicólogo enquanto agente pró-social. Esta investigação sugere que existe abertura e vontade dos psicólogos em intervir face a atitudes ou comportamentos dos clientes que prejudiquem os outros ou o mundo natural, sem colidir com os objetivos do cliente, mesmo não existindo um pedido de ajuda especificamente nesse sentido.
O médico de família e a dependência tabágica : uma oportunidade de ouro para intervir na qualidade de vida do paciente
Hoje em dia três quartos das patologias são justificadas, directa ou indirectamente, pelos comportamentos humanos. Os profissionais de saúde, por dever de ofício, são responsáveis por intervir na história natural das doenças. Contudo, ao contrário do que pensam, o seu contributo para o resultado final é minoritário. Embora muito importante, não deixa de ser minoritário. Alguns dados parecem certos – é crescente a exigência dos pacientes quanto à qualidade da prestação de cuidados de saúde, cada vez mais o cidadão paga para não estar doente e é notória a sua maior autonomia para tratarem de si próprios, exigindo mesmo dar parecer quanto ao seu plano de cuidados médicos. O médico de família continua a ter bastante poder junto dos seus pacientes – é mesmo possível que sejam os profissionais com um maior potencial de influência. É neste contexto que se realça o possível papel do médico de família na área da prevenção e tratamento da dependência tabágica. O tabagismo, em paralelo com a sida, é actualmente o mais grave problema de saúde pública com que a nossa sociedade se confronta. O médico de família é no actual contexto organizacional o elemento chave para controlar a epidemia do tabaco em Portugal. Se for adequadamente formado e com um ambiente de trabalho facilitador pode multiplicar por oito a taxa de 3% que é a taxa de cessação tabágica habitual entre os fumadores que não procuram apoio. Trabalhar o comportamento em relação ao tabaco nos pacientes fumadores e nos não fumadores é hoje um imperativo ético e profissional. Ajudá-los a adoptarem um estilo de vida saudável, valorizando os factores protectores da saúde individual e colectiva é todo um novo paradigma para a Medicina. Apresenta-se a situação europeia e portuguesa quanto ao consumo de tabaco e às características e atitudes dos fumadores. São propostos três níveis de intervenção do médico na prevenção e controlo do tabagismo. A intervenção breve em MGF aplicando o método dos “5As” é discutida. Discutem-se os papéis do centro de saúde e do hospital no controlo do tabagismo e por fim fazem- -se algumas recomendações sobre o tabaco e a saúde.
Riscos psicossociais e satisfação com os papéis de vida profissional, familiar e de lazer : estudo com uma amostra de trabalhadores da área das tecnologias de informação
Nos últimos anos, tem-se verificado uma preocupação crescente com a prevenção dos riscos psicossociais, devido às consequências negativas que estes podem ter na saúde e na segurança dos trabalhadores. Apesar de o mundo do trabalho ser cada vez mais competitivo e exigente face a novos e constantes desafios e obstáculos, o papel de trabalhador continua a ser central na vida dos indivíduos. Relacionando-se os riscos psicossociais com a ausência de fronteiras entre o trabalho e o lazer, bem como com dificuldades no equilíbrio entre a vida pessoal, familiar e profissional, há que contemplar a importância da satisfação com outros papéis de vida que não apenas o de trabalhador. A presente investigação tem como objetivo identificar os fatores de riscos psicossociais e os níveis de satisfação com os papéis de vida (profissional, familiar e de lazer), e estudar a relação entre as duas variáveis. Para a recolha da amostra em estudo, 42 trabalhadores de uma empresa da área das tecnologias de informação, utilizaram-se o COPSOQ II (versão média) e a Escala de Satisfação com os Papéis de Vida. Os resultados identificaram os riscos psicossociais com maior e menor impacto na saúde dos trabalhadores, bem como os que mais se salientaram (exigências quantitativas, transparência do papel laboral, autoeficácia, burnout, stresse e sintomas depressivos) comparativamente com os valores de referência nacionais. Verificou-se um nível de satisfação elevado, e que os trabalhadores se sentem mais satisfeitos com os papéis familiar e de lazer do que com o papel profissional. Confirmou-se, ainda, a relação, quer direta quer inversa, entre alguns dos riscos psicossociais acima identificados e a satisfação com os papéis de vida, e com a vida em geral. No final, é feita referência às principais limitações e contributos do presente estudo, e sugerem-se propostas para futuras investigações.
A evolução do clima organizacional numa organização do setor da saúde - Estudo de caso
O clima organizacional é um dos conceitos mais importantes para um gestor porque é através do clima organizacional que o gestor obtém indicadores de que aspetos tem que melhorar. O clima organizacional é visto como um conjunto de propriedades mensuráveis do ambiente de trabalho que podem ser percebidas direta ou indiretamente pelos indivíduos que trabalham numa empresa. Assim, a organização que foi escolhida para realizar este estudo de caso realiza anualmente um estudo do clima organizacional e faz uma comparação dos dados de ano para ano. Este estudo de caso foi realizado com os dados obtidos em 2019 e 2020. Chegou-se a conclusão de que o índice de satisfação global da organização foi maior em 2020, o que é algo bastante positivo. Julga-se que a explicação deste resultado seja fruto do apoio que a organização prestou durante o ano 2020 porque apesar de estarmos desde 2020 em contextos pandémicos, a organização fez um esforço para que ninguém perdesse o emprego e para que não houvesse uma redução nos salários dos colaboradores.
Desafios percebidos e estratégias de coping durante a pandemia covid-19 - A voz de jovens adultos
A pandemia Covid-19 surgiu em Portugal em março de 2020 e foi algo que afetou vários países em todo o mundo, trazendo consigo uma nova e inesperada realidade caracterizada pela necessidade de adaptação a várias restrições de combate à pandemia e pelo confronto com diversos desafios desde lidar com sentimentos de medo e incerteza à necessidade de isolamento social. Embora tenha sido uma realidade que incidiu em toda a população, este estudo procura perceber de que forma o primeiro período de confinamento foi vivido pelos jovens adultos. Sendo esta faixa etária caracterizada por mudanças significativas a nível do desenvolvimento, considerou-se importante perceber como é que a nova realidade imposta pela pandemia Covid-19 poderá ter sido experienciada pelos jovens e poderá ter impactado os vários aspetos da sua fase de desenvolvimento. Procurou-se compreender de que forma os jovens adultos se adaptaram e que fatores contribuíram para facilitar ou inibir esta adaptação, que desafios foram percebidos pelos jovens e que estratégias é que desenvolveram para lidar com os desafios que identificaram. O presente estudo utiliza uma abordagem qualitativa, através do uso de cartas nas quais jovens adultos entre os 18 e os 30 anos contaram a sua experiência durante este período, permitindo aceder à sua vivência através das suas perspetivas. Os dados foram recolhidos e analisados através de uma análise temática a partir da qual foram identificados os principais resultados. Segundo a análise realizada, os principais fatores facilitadores da adaptação estão relacionados com o estilo de vida, os relacionamentos positivos durante o confinamento e a utilização de recursos tecnológicos, enquanto os principais fatores inibidores parecem consistir na dificuldade em estabelecer rotinas, nas consequências negativas da vivência do confinamento com outras pessoas, no medo de transmissão do vírus, nas várias perceções do confinamento e na necessidade de deslocação, no caso dos alunos deslocados. Os desafios mais identificados pelos participantes foram o isolamento social, os sintomas de ansiedade e depressão, a falta de produtividade, a incerteza sobre o futuro, as aulas online/teletrabalho e a dificuldade percebida em manter práticas de autocuidado. As estratégias de coping mais utilizadas estão relacionadas com práticas de autocuidado, com a gestão da informação recebida e com os planos para o futuro. Através da análise de dados, foi possível identificar reflexões dos jovens sobre as potencialidades do confinamento, as quais parecem ter incidido principalmente no crescimento pessoal, num maior foco nas pessoas e nas relações e num melhor aproveitamento do tempo.
Adaptive processes and marital satisfaction during the transition to parenthood : the moderating role of supportive coparenting
The birth of the first child is a critical step in a couple's life. The literature has shown that during the transition to parenthood, there are significant changes in marital relationship quality and satisfaction with a substantial decrease in both. Theoretical models of marital changes during the stressful times emphasized the importance of the adaptive processes as one of the key elements influencing the marital satisfaction. There is a lack of research studying the link of more positive aspects of adaptive processes in the marital satisfaction during the transition to parenthood. Moreover, researchers have shown the importance of supportive coparenting in parents’ well-being. However, there are no studies focusing on coparenting during the transition to parenthood. Thus, the primary aim of the current research was to test whether coparenting moderates the relation between adaptive processes and marital satisfaction. A sample of 534 parents (95,7% mothers) recruited in social media, aged between 20 to 40 years old filled out self-report questionnaires tapping their perceptions on marital satisfaction, adaptive processes and coparenting. Results indicated adaptive processes were associated to marital satisfaction in the context of the transition to parenthood. Results also indicated that coparenting moderated the associations between adaptive processes and marital satisfaction, functioning as a protective factor. These findings underline the needs for intervention programs to focus on promoting positive adaptive processes and coparenting in firs-time expectant couples.
Caracterização de momentos críticos e de estratégias de resiliência para os ultrapassar, em músicos profissionais ou a realizar profissionalização
Ser músico implica superar desafios específicos e gerais que podem ser desencadeados por fatores internos, ambientais e/ou sociais. Quando o músico se sente assoberbado com tais desafios, entra em rutura com o seu percurso originando um momento crítico que pode ser superado através de estratégias. O presente estudo tem como objetivo caracterizar os momentos críticos, as estratégias de resiliência e a funcionalidade das mesmas. Totalizaram-se 12 entrevistas a músicos profissionais ou a realizar a profissionalização, em entrevistas semiestruturadas conduzidas através da plataforma zoom. Os dados foram sujeitos a análise temática para a qual foi utilizado o programa Nvivo 12pro. Através da análise foram identificadas três categorias para os momentos críticos (o principal motivo, os fatores desencadeadores e de manutenção e as consequências) e três outras para as estratégias de resiliência (os recursos, o tipo de estratégias e a funcionalidade das estratégias). Os resultados sugerem que os momentos críticos são resultantes de uma acumulação de situações perturbadoras que resultam em consequências a nível geral, cognitivo, comportamental, emocional e fisiológico. Para ultrapassar estes momentos foram identificados recursos (ferramentas que os sujeitos já tinham e que ajudaram a superar o momento) e seis tipos de estratégias: ajuda, interação, inspiração e partilha; eventos não-induzidos pelos participantes; mudanças de hábitos e comportamentos; mudanças na forma de pensar e de ver o mundo; redefinição de objetivos; e transmissão de conhecimento. Quanto à funcionalidade, foram atribuídas seis categorias: agravou a situação; depende; estratégias principais; estratégias secundárias; funcionou SOS; e não funcionou. Ainda, foi possível concluir que esta resulta de um conjunto de fatores, particularmente: as estratégias em si; as características da pessoa; as características do momento crítico e o momento em que estão a ser utilizadas.
Efeito da flexibilização do trabalho no bem-estar dos colaboradores : o papel mediador do work engagement
O presente estudo tem como principal objetivo analisar o efeito da flexibilização do trabalho no bem-estar dos colaboradores. Para tal, estudou-se a relação entre as práticas de flexibilidade e a satisfação geral com a vida, assim como o papel mediador do work engagement nesta relação. No total foram analisadas 119 respostas de colaboradores de uma consultora de IT em Portugal. Os resultados indicam que a implementação de prá-ticas de flexibilidade nas organizações não é capaz de promover work engagement e satisfação geral com a vida. Os resultados demonstram ainda, que existe relação posi-tiva entre work engagement e satisfação geral com a vida, sendo o work engagement fator fundamental para o bem-estar dos colaboradores. Não foram encontradas evidên-cias que apoiassem o papel mediador do work engagement na relação entre as práticas de flexibilidade e a satisfação geral com a vida. Os resultados obtidos contribuem para a literatura ao permitem perceber a importância de se ter nas organizações, em paralelo à implementação das práticas de flexibilidade, uma cultura de suporte que apoie a uti-lização destas práticas, assim como, a importância de se investir no work engagement, de modo a melhorar o bem-estar dos colaboradores. São apresentadas algumas impli-cações práticas, assim como limitações e sugestões para estudos futuros.