RCAAP Repository
Adornos corporais em Carajás: a produção de contas líticas em uma perspectiva regional
Resumo O sítio arqueológico MMA-02, encontrado na Serra dos Carajás, Pará, e associado à variante amazônica da tradição Tupiguarani era um local especializado na produção de adornos corporais em uma matéria prima lítica, a caulinita silicificada. Principalmente, contas discoides estariam sendo produzidas, o que está evidente na predominância de suas pré-formas e restos brutos de debitagem. Para o presente artigo, foi feita a análise tecnológica de uma amostra do material, centrada no estudo da cadeia operatória das contas, com o objetivo de acessar as escolhas feitas por aqueles que frequentaram o sítio: quais as técnicas utilizadas e como se encadeavam em sucessivas operações no trabalho do material. Ao mesmo tempo, procuramos entender o sítio, tanto dentro do padrão observado para as ocupações Tupiguarani no sudeste amazônico, quanto no contexto mais amplo da região amazônica durante a Nossa Era, na qual a referência à circulação de adornos corporais é uma constante.
2016
Falci,Catarina Guzzo Rodet,Maria Jacqueline
Belém e o mundo natural: olhares de viajantes sobre plantas e animais na urbe amazônica (1840-1860)
Resumo Conhecida por diversos viajantes durante a primeira metade do século XIX, a cidade de Belém não representou somente um lugar de estadia ou ‘porta de entrada’ para a realização de pesquisas e observações no mundo natural amazônico. Muitos estudiosos, seduzidos pela fauna e pela flora existentes no ambiente interno e nas cercanias da capital do Grão-Pará, também se preocuparam em descrever aspectos da natureza presentes no respectivo núcleo urbano ou em suas proximidades. A partir desses pressupostos e por acreditar que os espaços social e urbano não podem ser dissociados do natural, desenvolve-se neste artigo uma reflexão sobre as experiências de alguns estrangeiros, envolvidos na descrição de plantas e de animais na cidade do Pará.
2016
Lima,Luciano Demetrius Barbosa
Memória social e patrimônio cultural: a transmissão de práticas científicas em um herbário brasileiro
Resumo O artigo explora o papel do Herbário ICN, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na transmissão de práticas científicas próprias à área da botânica, tomando por orientação os conceitos de memória social e patrimônio cultural. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar, pautada por observação participante e entrevistas, resultando em como se dá o fazer ciência e a divisão do trabalho por meio do Herbário, bem como o seu papel como laboratório e espaço de consulta e referência. Como conclusão, sugere-se que Herbário ICN é o nódulo de um sistema de objetos e práticas que garante a continuidade de modos de fazer e saberes científicos nas ciências da vida. Seu valor de patrimônio científico não se restringe, portanto, aos aspectos materiais de sua coleção.
2016
Piccinini,Sonia Maria Graeff,Lucas Mangan,Patrícia Kayser Vargas
Acabou o tempo dos mitos? Uma historiografia caxinauá moderna
No summary/description provided
2016
Reiter,Sabine
Segregação racial na orla de Belém: os portos públicos da Estrada Nova e o Ver-o-Peso
Resumo Em Belém, intervenções urbanísticas na orla da cidade, conduzidas pela prefeitura com recursos do Banco Mundial, projetam a requalificação dos espaços públicos no sentido de transformá-los em ambientes de consumo. Gentrificação é o caso, e significa retirar pessoas e com elas sociabilidades que dão identidade aos lugares. Os portos da Palha e do Açaí e o Ver-o-Peso são espaços públicos de grande relevância para a cidade e, principalmente, para a população de pretos e pardos, os negros e os indígenas mestiços que transitam e fazem transitar mercadorias entre as ilhas e o continente. Milhares de pessoas cruzam rotineiramente entre esses lugares no continente e as várias ilhas do outro lado do rio. Contudo, quem promove as intervenções urbanísticas quer remover a vida popular dos seus lugares. Como se costuma dizer, a pobreza tem cor. Eles resistem à remoção, mas a questão racial não está posta nesses lugares. Reconhece-se a segregação social, entretanto ela não é vista também como racial. A gramática racial não está presente na resistência contra os projetos excludentes. Somadas aos interesses de classe, a dimensão cultural e a luta pelo reconhecimento racial acrescentariam um conteúdo significativo na capacidade de resistência e insurgência dessas populações. O presente artigo levanta essa questão.
2016
Peixoto,Rodrigo Corrêa Diniz Silva,Jakson Silva da
Pedra do Peixe: redes sociais na circulação do pescado do Ver-o-Peso para a cidade de Belém do Pará
Resumo Este artigo tem por objetivo apresentar uma etnografia sobre a rede social envolvida no processo de circulação do pescado que chega diariamente ao mercado do Ver-o-Peso, principal entreposto pesqueiro da região amazônica, e é distribuído por toda a cidade de Belém do Pará. Diariamente, o pescado in natura, capturado e trazido em embarcações pesqueiras, entra na área urbana pela Pedra do Peixe, marco espacial e simbólico do mercado do Ver-o-Peso,no qual é vendido e distribuído na cidade e para outras praças do estado e do país, para chegar aos consumidores finais, que o encontram nas feiras, mercados, supermercados e outros pontos de venda, assim como nos restaurantes diversificados, em forma de pratos regionais preparados para os muitos apreciadores do produto. Essa extensa rede de comercialização do pescado apresenta aspectos econômicos, sociais, culturais, regras, informalidades e conflitos, que fazem com que a circulação do pescado em Belém permaneça, até a atualidade, com muito vigor, tendo a Pedra do Ver-o-Peso como centralidade do seu fluxo cotidiano, através das redes de relações e das práticas socioculturais incorporadas por trabalhadores e fregueses que circulam diariamente por esse espaço central da cidade.
2016
Silva,Luiz de Jesus Dias da Rodrigues,Carmem Izabel
Mulher e mercado: participação e conhecimentos femininos na inserção de novas espécies de pescado no mercado e na dieta alimentar dos pescadores da RESEX Mãe Grande em Curuçá (PA)
Resumo O artigo descreve como o conhecimento tradicional da mulher marisqueira e pescadora de rio e mar, da localidade de Caratateua, RESEX Marinha Mãe Grande de Curuçá (PA), contribui na inserção e comercialização de novas espécies de pescado. O trabalho utiliza metodologia quali-quantitativa e produz dados que apontam para um quadro de escassez dos pescados mais apreciados no mercado local. Apresenta o conhecimento tradicional feminino sobre as espécies-chave que compõem a dieta dos pescadores, sendo esse uma forma de inserção das mulheres no mercado. A coleta dos dados ocorreu no período de março a agosto de 2012. As técnicas metodológicas utilizadas priorizaram um fazer etnográfico, privilegiando o uso de entrevistas semiestruturadas, realizadas com pescadoras/marisqueiras da comunidade, sendo aplicados, ainda, dez questionários às mesmas e nove questionários no mercado do município de Curuçá, junto aos vendedores de pescado. Nas entrevistas, foi possível observar as mudanças ocorridas ao longo dos anos, evidenciando a escassez das espécies tradicionais, tanto na mesa do pescador quanto no mercado consumidor. Os resultados apontam, especialmente, para o papel da mulher na inserção de novas espécies em ambos os espaços, privado e do mercado, já que o conhecimento feminino evidencia uma maior percepção acerca dos recursos naturais disponíveis para consumo.
2016
Palheta,Marllen Karine da Silva Cañete,Voyner Ravena Cardoso,Denise Machado
De Senhora de Nazaré a ‘Nazinha’: singularidades na expressão do afeto à padroeira do Pará
Resumo Este estudo parte do pressuposto de que existe um modo particular de relação devocional do povo paraense com a figura mítica de Maria de Nazaré, mãe de Jesus. ‘Naza’, ‘Nazica’, ‘Nazinha’ são diminutivos do nome original que comunicam o afeto à Santa, contribuindo para o fortalecimento de laços de identidade e pertencimento evidenciados nas festividades em homenagem à padroeira do Estado do Pará, no Norte do Brasil. Essas manifestações marcadas pela informalidade são continuamente mobilizadas por meio de conexões entre linguagem, religiosidade, cultura e mídia. O percurso teórico toma por referência as concepções de Muniz Sodré (2006), que, ao sinalizar para a urgência de novos mecanismos de interpretação para o campo da comunicação, defende a necessidade de se atentar para “a diversidade da natureza das trocas” e seus “poderosos dispositivos do afeto”. Depoimentos coletados em sites, blogues e redes sociais, além de duas letras de músicas e um videoclipe, compõem o conjunto de objetos analisados pelas autoras.
2016
Veloso,Maria do Socorro Furtado Pavan,Maria Angela
Quintais urbanos: funções e papéis na casa brasileira e amazônica
Resumo Desde os tempos coloniais os quintais estão presentes como elemento tradicional nas casas urbanas amazônicas e brasileiras. Entretanto, atualmente, grande parte das novas moradias construídas, nas grandes cidades da região e do país, prescinde dos espaços contíguos às residências chamados de quintais. O propósito do estudo é analisar, historicamente, a importância e as funções dos quintais nas moradias brasileiras, e amazônicas em particular. O trabalho está dividido em três seções. Na primeira, discute os conceitos de quintais urbanos e de casa; na segunda analisa as transformações nas tipologias de moradias, destacando as permanências e as mudanças na importância e nas funções dos quintais. Por fim, conclui mostrando que, com o crescimento urbano e o desenvolvimento do capitalismo, a emergência de padrões modernos e pós-modernos de morar vem provocando o crescente esvaziamento das funções tradicionais de produção alimentar, de prática de atividades domésticas e de local privilegiado de lazer e convivência familiar. Como consequência, os quintais urbanos tem visto seu conceito e suas funções alterados ou, simplesmente, vêm sendo suprimidos das moradias. Por fim, alerta para as consequências desse processo para a qualidade de vida urbana, especialmente nas cidades amazônicas.
2016
Tourinho,Helena Lucia Zagury Silva,Maria Goreti Costa Arapiraca da
Aspectos etnoecológicos de la agricultura entre los Pumé
Resumen En este artículo se presenta una descripción de las formas de manejo agrícola entre los Pumé desde una perspectiva etnoecológica. Los Pumé son un pueblo indígena que habita en la ecorregión de los Llanos (Venezuela). Aunque han sido identificados por algunos etnógrafos como un grupo de cazadores-recolectores, desde hace tiempo se ha señalado que poseen economías mixtas. Basados o no en las descripciones etnográficas, los agentes del Estado también han hecho representaciones de los Pumé como un grupo que carece de conocimientos agrícolas. En este sentido, el enfoque etnoecológico constituye la posibilidad de considerar aspectos cognitivos, perceptuales, cosmológicos y prácticos de la agricultura de este pueblo indígena. A partir de un estudio etnográfico, se describen siete formas de manejo agrícola que difieren en características como nivel de manejo, extensión, organización social del trabajo y propiedad de la cosecha. Por último, se profundiza en la descripción de los aspectos etnoecológicos de la agricultura de tala y quema de este grupo.
2016
Saturno,Silvana Zent,Stanford
Conservação ex situ e on farm de recursos genéticos: desafios para promover sinergias e complementaridades
Resumo Historicamente, o Brasil priorizou o modelo da conservação ex situ, realizada em câmaras frias, em meio de cultura in vitro e em coleções vivas no campo. Esse tipo de conservação capta o momento evolutivo em que a coleta foi realizada, mas as plantas assim conservadas não continuam a evoluir. Tal característica revela parte das limitações desse tipo de conservação para oferecer respostas mais rápidas em um momento de crise relacionado a mudanças ambientais, por exemplo. Atualmente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reconhece que a diversidade genética deve ser mantida não só nos bancos de germoplasma, como também nos sistemas agrícolas locais, onde a participação dos agricultores é fundamental. O Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura (TIRFAA), instrumento vinculante assinado pelo Brasil em 2001, torna obrigatória essa linha de ação e de pesquisa para o país. Mas com implementá-la? Neste artigo, apresentaremos uma reflexão sobre as complementaridades entre os modelos de conservação ex situ e on farm, tomando a proposta de gestão compartilhada das coleções ex situ como exemplo do incipiente processo de construção, no campo científico e institucional, de caminhos que possibilitem novas maneiras de interação entre os agricultores tradicionais e as instituições de pesquisa agrícola, com o objetivo de conservar não apenas o germoplasma, mas também processos que geram a agrobiodiversidade.
2016
Santonieri,Laura Bustamante,Patricia Goulart
Caçar, preparar e comer o ‘bicho do mato’: práticas alimentares entre os quilombolas na Reserva Extrativista Ipaú-Anilzinho (Pará)
Resumo A caça de animais silvestres tem desempenhado um papel importante para a reprodução física e simbólica de famílias rurais que vivem em diferentes regiões tropicais do planeta. Com efeito, muitas dimensões do uso de recursos cinegéticos como fonte de alimentação ainda não foram suficientemente estudadas, sobretudo dos pontos de vista da Antropologia e da Etnoecologia. Tais dimensões, com frequência, são ignoradas nas intervenções de conservação da biodiversidade. Este artigo tem por objetivo analisar o uso da fauna silvestre em práticas alimentares por famílias da comunidade quilombola de Joana Peres, localizada na Reserva Extrativista Ipaú-Anilzinho, uma unidade de conservação situada no município de Baião, Pará, Amazônia brasileira. Conduzimos o estudo a partir dos pressupostos da Etnoecologia. Destacamos os elementos de ordem social e cultural que norteiam os processos de obtenção, preparo e consumo de alimentos a partir da atividade cinegética. Empregamos os métodos da observação participante e entrevistas abertas e semiestruturadas. Interpretamos os dados tanto de modo qualitativo como quantitativo. Particularmente, para cada uma das espécies citadas procuramos calcular o índice de Valor de Uso (VU), que possibilita demonstrar o grau de importância relativa das espécies conhecidas localmente. O estudo evidenciou que a atividade cinegética envolve tanto aspectos nutricionais como socioculturais, uma vez que os recursos faunísticos fornecem proteína e as práticas alimentares são permeadas por diferentes processos que incluem costumes, imaginários, sociabilidades, tabus e modos de preparo.
2016
Figueiredo,Rodrigo Augusto Alves de Barros,Flávio Bezerra
Kiju Sakai: o antropólogo japonês que dedicou sua vida a estudar o Brasil na primeira metade do século XX
Resumo Kiju Sakai foi um antropólogo e arqueólogo japonês que veio ao Brasil em 1934. Ao longo de sua vida, ele escavou diversos sítios e formou uma importante coleção arqueológica. Até recentemente, essa coleção não estava institucionalizada e a biografia de Sakai era desconhecida. O estudo apresenta a história de constituição desta coleção, a partir da vida do antropólogo, e trazer dados sobre a curadoria do material, seus desdobramentos e contribuições para a história da Arqueologia brasileira no início do século XX e o papel dos ‘amadores’ e de instituições como a Sociedade Archaeológica Brasileira de Amadores (SABA) e o Instituto Kurihara nas pesquisas desenvolvidas no estado de São Paulo. A “Coleção Arqueológica Kiju Sakai” se encontra hoje no Museu Histórico e Arqueológico de Lins, no estado de São Paulo, e conta com os mais distintos tipos de material arqueológico, dentre os quais se destacam: cerâmicas Tupi e Jê; remanescentes humanos, provenientes de sambaquis e de montículos funerários Kaingang; artefatos líticos, lascados e polidos, de sambaquis; pontas feitas de ferro; e medalhas do Serviço Nacional de Proteção ao Índio. Além do material arqueológico, também se encontra no acervo a documentação primária que Sakai produziu, incluindo mapas de dispersão linguística na América do Sul escrito em japonês, diários de campo e aquarelas representando os motivos presentes em cerâmica Tupi.
2016
Hattori,Marcia Lika Strauss,André
Arqueobotânica de um sambaqui sul-brasileiro: integrando indícios sobre o paleoambiente e o uso de recursos florestais
Resumo Madeiras in natura são testemunhos raros em sítios arqueológicos de tipologia sambaqui. A partir da evidência de estacas encharcadas de madeira na base do sítio, objetivou-se conhecer as espécies vegetais e a sua funcionalidade no contexto arqueológico do sambaqui Cubatão I, localizado na região norte de Joinville, Santa Catarina, e com base datada de 3480 ± 60 AP. A caracterização da madeira foi realizada por meio de preparações histológicas e seguiu a terminologia proposta pela International Association of Wood Anatomists (IAWA). A determinação dos táxons deu-se mediante comparação em coleção de referência. Foram reconhecidas diferentes espécies madeiráveis de ocorrência natural nos ambientes de manguezal, floresta de terras baixas e restinga. Destacaram-se os seguintes táxons: Andira sp. (Fabaceae), Avicennia schaueriana (Acanthaceae), Bauhinia sp. (Fabaceae), Buchenavia sp. (Combretaceae), Handroanthus sp. (Bignoniaceae), Laguncularia racemosa (Combretaceae), Ocotea sp. (Lauraceae), Rhizophora mangle (Rhizophoraceae), Schinus sp. (Anacardiaceae) e Xylopia (Annonaceae). Entre as propriedades físicas que conferem qualidade às madeiras identificadas, destaca-se a densidade básica, com valores médios a altos em sua maioria, indicando seu uso potencial em elementos com função estrutural. Dentre as possíveis interpretações, os resultados evidenciam o uso de madeiras para a construção de uma plataforma projetada para dar sustentação ao sítio, possivelmente em função das características plásticas dos solos de manguezal.
2016
Melo Júnior,João Carlos Ferreira de Silveira,Eloiza Regina da Bandeira,Dione da Rocha
‘Culturas de Chimpanzés’: uma revisão contemporânea das definições em uso
Resumo As ‘culturas de chimpanzés’ correspondem a uma ideia especialmente importante porque chimpanzés são os animais mais próximos aos humanos em termos genéticos e de complexidade de comportamento. Uma avaliação crítica desses fenômenos irá certamente redefinir as fronteiras entre humanos e não humanos. Além disso, criará novas formas de representação da humanidade e sua alteridade. Consequentemente, é também urgente discutir as definições de cultura porque as concepções de ‘culturas de chimpanzés’ adotadas pelos primatólogos são profundamente distintas das concepções de cultura adotadas pelos antropólogos socioculturais. Há um consenso crescente entre os antropólogos socioculturais de que cultura envolve necessariamente a produção de sentidos e a manipulação de símbolos. O que os primatólogos frequentemente apresentam está muito distante disso. Para os antropólogos, cultura é a expressão plena de representações, mitos, arte, rituais e ciência. Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa bibliográfica feita sobre 24 periódicos representativos da área, de 1999 a 2011. Do material encontrado, 63 artigos que apresentam explícitas ou implícitas definições de ‘culturas de chimpanzés’ foram identificados e analisados. Um dos resultados mais importantes é que a grande maioria dos conceitos apresentados não se sustenta sobre concepções de cultura que envolvam a produção de significados e a manipulação de símbolos.
2016
Rapchan,Eliane Sebeika Neves,Walter Alves
A agricultura moderna no Planalto Central: a experiência da Colônia Blasiana (1881-1895), na atual Luziânia, Goiás, Brasil
Resumo A Colônia Blasiana foi uma instituição de ensino criada para acolher crianças negras órfãs, beneficiadas pela lei do Ventre Livre. Funcionava também como escola agrícola. Seu modelo era o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Foi investigada a hipótese de ela ter sido um referencial na modernização da agropecuária goiana e de ela ser, possivelmente, um espaço de produção científica no Planalto Central. De fato, sua contribuição foi importante, pois instituiu práticas modernizantes no trato das coisas do campo, tais como irrigação, plantação em linha, introdução de novas espécies, aclimatação de espécies vegetais e de animais exóticos ao cerrado, criação de gado em estábulos, cura de moléstias, dentre outras, apoiadas nos conhecimentos científicos de seu diretor, Joseph de Mello Álvares, um autodidata versado sobre os mais diversos assuntos. Não foi possível avaliar o impacto da instituição na agricultura goiana como um todo. Quanto ao fato de ser uma instituição de produção de conhecimentos científicos, a hipótese não se confirmou. Faltavam-lhe pesquisadores capacitados e um guia curricular, com programas claramente definidos para a escola, embora houvesse uma boa biblioteca, com o mais atualizado acervo da produção científica nacional sobre o tema. Também não foi possível apurar se os experimentos com aclimatação eram cientificamente controlados.
2016
Ferraro,Mário Roberto
The first list of Malayalam words at the end of 15th century by a Portuguese seaman
Abstract MS-804 from the Municipal Library of Porto, Portugal, is a unique copy of the journal of the first voyage to India under Vasco da Gama’s (ca. 1460–1524) command. It describes the voyage subsequent to the departure from the Tagus River, Portugal, on 8 July 1497 until the return up the shallows of the Grande River de Buba, Guinea, on 25 April 1499. The author of the original of this account is probably Álvaro Velho (fl. 1497/1507), born in Barreiro, but the arguments are still weak, being only achieved by deduction. The copyist is also probably John Theotonius, CRSA. The great merit of this document is the fact that the author was a direct eyewitness of all events. In the last appendix, at folio 45, it has a list of 122 useful daily words and expressions in Portuguese and their translation into Malayalam, a provincial Dravidian language spoken in Kerala State, India. It is a relevant testimony of a variety of Malayalam at the end of the 15th century, despite certain transcription mistakes and the scribe’s censorship of some vulgarisms. In this new semi-diplomatic edition, I applied rigorous transcription criteria and corrected earlier editions, adding English translations and Malayalam equivalences.
2016
Fernandes,Gonçalo
Arqueologia de marinheiros-caçadores do século XIX: ensaio sobre o tempo e a Antártica
Resumo O tempo é dimensão intrínseca da vivência humana e da nossa experiência de mundo. Evitando considerá-lo simplesmente como invólucro ou como um suporte de eventos, abre-se lugar para pensar sobre o tempo imanente, que nos é interno à consciência. Esse é o tempo tal como é percebido, que privilegia, por exemplo, a duração percebida de algum evento ao invés da duração absoluta, mensurada em minutos, dias ou anos. Essas questões se fazem relevantes quando se considera a presença dos marinheiros-caçadores na Antártica do século XIX. Isso porque a imagem recorrente do continente gelado é a de um espaço inerte e estático, sem ação e sem tempo. Contudo, pensando na possibilidade de outras formas de compreendê-la, esse artigo explora os elementos que podem determinar ou influenciar a percepção do tempo transcorrido, sua velocidade e compasso, para o contexto desses marinheiros-caçadores. Para isso, serão relacionados elementos como o ritmo intenso de trabalho de caça, os momentos de lazer, de atribulações e obstáculos, os marcadores absolutos e não absolutos de tempo, a proveniência dos objetos utilizados (metrópole x Antártica) e a durabilidade dos objetos trazidos na viagem.
2017
Hissa,Sarah Barros Viana
Tempo e Espaço Guarani: um estudo acerca da ocupação, cronologia e dinâmica de movimentação pré-colonial na Bacia do Rio Taquari/Antas, Rio Grande do Sul, Brasil
Resumo Neste artigo foram analisadas as relações espaciais e temporais da ocupação Guarani pré-colonial na Bacia do Rio Taquari/Antas a partir da delimitação do perímetro da ocupação e seu estabelecimento na paisagem, da cronologia intrasítio e regional e de discussões referentes às movimentações espaciais. A partir dos resultados foram mapeados 121 sítios Guarani na porção centro-sul da Bacia, em um perímetro de várzeas que circundou as terras altas do Planalto das Araucárias, demonstrando tratar-se de uma ocupação regional longa, entre os séculos XIV e XVIII. O estabelecimento teria ocorrido a partir da conexão entre o Rio Jacuí e o Rio Taquari/Antas, em uma expansão compulsória do sul para o norte, observando-se assentamentos contemporâneos em todo o perímetro e sítios com fatores de alta permanência. Tal dinâmica justificar-se-ia a partir de um controle consciente do ambiente, permitindo, por um lado, a manutenção das aldeias, e, por outro, o crescimento demográfico e novas expansões. Além da motivação demográfica, inferiu-se a possibilidade de que os limites da ocupação Guarani na região tenham sido estabelecidos de forma igualmente consciente a partir de um pulso de expansão inicial e posterior estabilidade, configurando-se a ocupação compulsória como uma estratégia de manutenção política do território.
2017
Schneider,Fernanda Wolf,Sidnei Kreutz,Marcos Rogério Machado,Neli Teresinha Galarce
Novas perspectivas para a cartografia arqueológica Jê no Brasil meridional
Resumo Os grupos Jê do Sul foram por muito tempo percebidos através da ótica do ‘modelo padrão’, que os considerava demograficamente reduzidos, isolados e nômades. Entretanto, os recentes avanços da arqueologia no Sul do Brasil tornaram possível questionar tal modelo. Neste artigo, nosso objetivo principal é demonstrar, através do mapeamento dos sítios arqueológicos e de suas datações, que podem ser identificadas áreas de alta densidade populacional com ocupações permanentes. Além disso, discutimos outras hipóteses com base na distribuição dos sítios: 1) sobre o povoamento do Sul do Brasil pelos grupos Jê; 2) sobre os processos de interação com outras populações (principalmente da família linguística Tupi-Guarani); e 3) sobre sua situação territorial no início do século XVI.
2017
Noelli,Francisco Silva Souza,Jonas Gregorio de