Repositório RCAAP
Relatório de estágio na Eurologos-Lisboa : questões de tradução no discurso jurídico, técnico e especializado
O presente relatório tem como objetivo descrever e analisar o estágio curricular efetuado na Eurologos-Lisboa / Certas Palavras, Lda., no âmbito do Mestrado em Tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A nível temático, o relatório centra-se na reflexão de questões de tradução jurídica, tradução técnica e tradução especializada. O primeiro capítulo consiste na apresentação da entidade de acolhimento, debruçando-se também sobre a caracterização das várias etapas do fluxo de trabalho de uma empresa de tradução e na descrição das tarefas realizadas em estágio. Adicionalmente, é efetuada uma categorização dos subdomínios dos documentos traduzidos e revistos em estágio. O segundo capítulo parte de um enquadramento teórico, com enfoque na posição da tradução técnica nos estudos de tradução e no perfil de um tradutor técnico. Ademais, aborda várias questões gerais relacionadas com a tradução jurídica e tradução na área de engenharia civil e mecânica, das finanças, da saúde e da informática, seguidas da análise de casos práticos trabalhados em estágio. A nível da tradução jurídica, são discutidos vários temas como a caracterização dos subdomínios do Direito Civil e do Direito Consuetudinário, a classificação dos diferentes tipos de texto jurídico, observações sobre questões de natureza terminológica e gramatical e considerações sobre a ausência da figura do tradutor ajuramentado em Portugal. O terceiro capítulo apresenta uma breve reflexão acerca do papel das ferramentas de tradução assistida por computador, recorrendo a exemplos práticos trabalhados durante o estágio.
2025-10-28T12:10:18Z
Morgado, Mariana Luísa Poeira
The diffusion of authoritarian models in the era of fascism: an introduction
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Anemia em idosos:
A anemia é uma condição hematológica que pode ocorrer em qualquer fase da vida de um indivíduo. No entanto, com o crescente aumento da esperança média de vida, os idosos passaram a constituir um grupo de risco, pois associado ao envelhecimento e ao aparecimento de anemia, está previsto um impacto no seu desempenho físico, cognitivo e na saúde pública. Alguns dos sintomas mais comuns incluem cansaço, fadiga, cefaleias e perda de memória. A anemia mostra-se altamente prevalente para indivíduos com ≥ 65 anos e a sua percentagem varia, dependendo das condições de vida, nomeadamente se vivem na comunidade (12%), se são doentes hospitalizados (40%) ou se são residentes em lares (47%). Revelou-se ainda uma maior evidência deste problema com o avançar da idade, isto é, em indivíduos com > 80 anos o número de casos aumentou. Além disso, em idosos com determinadas patologias ou fatores de risco como, desnutrição, hemorragias gastrointestinais, insuficiências renal e cardíaca e neoplasias, a incidência também aumentou. O desenvolvimento de anemia pode ter diversas causas, sendo que, nos idosos, devido ao maior número de complicações, torna-se mais difícil determinar a sua etiologia. Apesar disso, na maioria dos casos, a anemia pode ser subdividida em 3 tipos: anemia por deficiência nutricional de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, anemia associada a doenças crónicas ou anemia de causas inexplicáveis. Cerca de um terço dos casos são anemias carenciais, devidas à nutrição inadequada, ou surgem devido a perdas sanguíneas do trato gastrointestinal, sendo a anemia mais recorrente a por deficiência de ferro. Por outro lado, estados inflamatórios, doenças cardiovasculares ou insuficiência renal crónica estão frequentemente associados a anemia, contribuindo para a segunda maior causa nos idosos. E, por último, deficiências endócrinas renais, alterações androgénicas ou síndromes mielodisplásicas contribuem para uma anemia de causa inexplicável. O tratamento incide em suplementação oral ou intravenosa, transfusões sanguíneas ou outros agentes estimulantes. Assim, é essencial compreender a fisiopatologia da anemia em idosos e, desenvolver abordagens que atuem na sua prevenção e correção, pois isso permitirá reduzir o seu impacto na saúde, no número de hospitalizações e mortalidade neste grupo etário.
2025-10-28T12:21:27Z
Mendes, Margarida Maria Melo
A terapia fágica como tratamento alternativo da infeção bacteriana:
A resistência aos antibióticos é um problema crescente de saúde pública. São cada vez mais comuns os relatos de casos ou surtos de infeções causadas por bactérias multirresistentes, muitas vezes associadas a locais de prestação de cuidados de saúde e, frequentemente, envolvendo elevada mortalidade. Isto acontece porque, devido a uma utilização incorreta e abusiva da terapia antibiótica durante décadas, as bactérias causadoras de infeções foram sofrendo mutações e adquirindo elementos genéticos que lhes conferem resistência a estas moléculas. Este problema tem sido acentuado pelo desinvestimento progressivo da indústria farmacêutica no desenvolvimento de antibióticos contra novos alvos terapêuticos, pairando a ameaça de podermos atingir uma era pós-antibióticos em que estes agentes deixam de ser eficazes no tratamento de infeções comuns. Como consequência, tem aumentado o interesse em estratégias antibacterianas alternativas aos antibióticos, não só porque estes são cada vez menos eficazes devido às resistências, mas também porque se devem utilizar estas moléculas apenas quando estritamente necessário, para que estas mantenham a sua eficácia. Uma terapia antimicrobiana alternativa que recentemente tem sido reconsiderada nos países ocidentais envolve a utilização de vírus que infetam e destroem as bactérias, os chamados bacteriófagos, ou simplesmente fagos, sendo por isso designada terapia fágica. Neste trabalho pretende-se apresentar uma visão geral da terapia fágica, da sua aplicação clínica atual e dos desafios que a sua implementação enfrenta. Apesar de só nos últimos tempos o interesse nos bacteriófagos enquanto agentes terapêuticos ter ressuscitado no ocidente, estes já são utilizados nos países de leste para tratar infeções há várias décadas, antes da introdução dos antibióticos na prática clínica. A terapia fágica foi e continua a ser especialmente utilizada na Geórgia, Polónia, Rússia e noutros países da ex-União Soviética. Inúmeros estudos e alguns ensaios clínicos realizados nestes países sugerem que esta terapêutica pode ser segura e eficaz. No entanto, durante décadas, a terapia fágica não foi sequer considerada para tratamento de infeções no mundo ocidental devido à crescente popularidade dos antibióticos. Casos recentes de sucesso no uso compassivo de bacteriófagos no tratamento de infeções graves e refratárias aos antibióticos voltaram a captar a atenção das comunidades científica e médica ocidentais para as potencialidades da terapia fágica. Assim, esta tem vindo a ser cada vez mais investigada e utilizada para tratar vários tipos de infeções, nomeadamente pulmonares, gastrointestinais, urinárias, cardíacas, osteoarticulares, da pele e tecidos moles, associadas a próteses e outros dispositivos médicos implantados e, em casos mais críticos, septicémias. Apesar do crescente interesse, a terapia fágica ainda enfrenta atualmente vários desafios que vão desde a sua situação regulamentar aos aspetos clínicos da sua utilização. O futuro da terapia fágica depende da superação destes desafios para que os bacteriófagos possam, então, ser considerados uma alternativa terapêutica viável, segura e eficaz.
2025-10-28T12:11:44Z
Silva, Matilde Maria Martinho Oliveira Lopes da
A doença de Wilson em pediatria
O cobre é um micronutriente essencial para o ser humano, nomeadamente como cofator de diversas enzimas envolvidas em processos fisiológicos importantes. No intestino a absorção do cobre é realizada por uma enzima, a ATP7A, localizada na membrana dos enterócitos, enquanto nos hepatócitos, a proteína ATP7B é responsável por incorporar o metal na ceruloplasmina, a fim de poder ser excretado na bílis; quando há uma inativação desta enzima, ocorre uma disrupção séria do metabolismo do cobre, que se manifesta clinicamente como Doença de Wilson. Esta doença é um distúrbio autossómico recessivo do metabolismo do cobre causado por uma mutação no cromossoma 13 que codifica para uma proteína ATP7B anormal. A perda da função desta ATPase é responsável por uma excreção biliar ineficaz de cobre que leva à acumulação patológica de cobre e lesão de órgãos secundários, bem como à incorporação defeituosa de cobre na ceruloplasmina, que é um marcador fenotípico na maioria dos indivíduos que sofrem desta doença. Existe uma ampla heterogeneidade de sintomas, mas as manifestações clínicas pediátricas predominantes são hepáticas e neurológicas. Uma das características mais comuns é o anel de Kayser-Fleischer, presente na maioria das crianças com sintomas neurológicos. O diagnóstico desta patologia requer uma combinação de testes laboratoriais e características clínicas ou a deteção de duas mutações específicas da ATP7B através da análise genética. Antes do desenvolvimento de terapêuticas farmacológicas, a doença de Wilson era inevitavelmente uma doença fatal, contudo, atualmente o prognóstico dos doentes pediátricos é bastante favorável. O tratamento farmacológico da Doença de Wilson fundamenta-se na indução de um balanço corporal negativo de cobre através do bloqueio da absorção ou do aumento da excreção; o tratamento inicial deve ser com uma terapia quelante de cobre: D-penicilamina ou trientina; a terapia de manutenção ou o tratamento de crianças assintomáticas deve ser preferencialmente sais de zinco, que são mais toleráveis do que os agentes quelantes. Inúmeros avanços estão a ser feitos no sentido de desenvolver novos compostos e terapêuticas inovadoras, sendo a terapia génica a que representa um futuro mais promissor.
2025-10-28T12:28:59Z
Carneiro, Tiago da Silva Brito
Medicamentos e envelhecimento:
Nas últimas décadas, tem-se verificado um envelhecimento crescente da população mundial, à medida que a taxa de fecundidade diminui e a longevidade aumenta. Prevê-se que até 2080, o número de idosos alcance os 3 milhões, em Portugal. O envelhecimento envolve inúmeras alterações fisiológicas características da idade e, consequentemente, a presença de comorbilidades e de alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas. Estas particularidades, juntamente com a instituição de regimes farmacoterapêuticos complexos, fazem com que a população geriátrica seja a mais suscetível a problemas relacionados com medicamentos (PRMs). Sendo o farmacêutico comunitário o profissional de saúde mais acessível à população e o mais qualificado em farmacoterapia, a instituição de serviços farmacêuticos cognitivos (CPSs- Cognitive pharmaceutical services) e programas de cuidados farmacêuticos ao nível de todas as farmácias comunitárias é, desta forma, essencial para se otimizar a terapêutica dos doentes idosos, prevenir e detetar PRMs, característicos da polifarmácia instituída na população geriátrica. Assim, recorrendo a programas de cuidados farmacêuticos, programas de adesão à terapêutica, revisões e reconciliações da terapêutica, será possível detetar, precocemente, uma incorreta utilização da medicação, uma má adesão à mesma, a prescrição de medicamentos potencialmente inadequados, a prescrição de medicamentos desnecessários para as comorbilidades em causa ou ainda, a necessidade de uma terapêutica que não se encontra instituída. Ao nível dos programas de adesão à terapêutica, além de ser possível a deteção de uma não-adesão à terapêutica, o farmacêutico poderá ajudar a ultrapassar as barreiras responsáveis pela não-adesão, através de intervenções comportamentais e educacionais. Apesar do papel do farmacêutico ter vindo a evoluir nas últimas décadas, continua a existir alguma resistência à implementação de CPSs, a nível comunitário. A falta de tempo para a prestação destes serviços, a falta de remuneração dos mesmos e a falta de acesso a dados clínicos e farmacoterapêuticos completos dos utentes, têm sido associados a essa dificuldade de implementação dos CPSs. Para que estas e outras barreiras sejam ultrapassadas e de forma a ser alcançado um envelhecimento saudável, com a implementação de um sistema integrado de cuidados de saúde de longa duração, centrado no idoso, deverá ser desenvolvido um sistema eletrónico que facilite a implementação de alguns CPSs e que permita a troca direta de informação clínica entre o farmacêutico e outros profissionais de saúde. Além disso, os serviços farmacêuticos deverão passar a ser comparticipados pelo Estado. Com o objetivo de ampliar o interesse dos futuros farmacêuticos na implementação de serviços centralizados no idoso, desenvolver a sua capacidade de comunicação com esta população, assim como ganhar conhecimentos mais aprofundados sobre geriatria, deverão ser realizados ajustes no programa educacional do curso universitário de Ciências Farmacêuticas, tanto a nível teórico como prático.
As crianças e a internet em Portugal: perfis de uso
Baseado num inquérito por questionário a crianças portuguesas, este artigo pretende caracterizar a posse e utilização da internet. Tendo-se verificado que as crianças se agrupam em quatro perfis distintos de utilizadores — os “internautas convictos”, os “estudantes aplicados”, os “jogadores inveterados” e os “utilizadores incipientes” — demonstra-se que estes perfis são fortemente condicionados por variáveis como o sexo e a idade da criança, o nível de escolaridade e a categoria socioprofissional dos pais. A estes perfis correspondem também diferentes formas de mediação parental e distintas representações sobre a internet.
2025-10-28T12:24:33Z
Delicado, Ana Almeida, Ana Nunes de Alves, Nuno de Almeida
Relatório de tendências socioculturais 2023 : narrativas alternativas
O presente projeto tem como ponto de partida a macro tendência Identidades Protagonistas, identificada pelo Laboratório de Gestão de Tendências e da Cultura (2020, 2022), com foco especial em sua micro tendência Corpos Políticos. Através de uma abordagem de trendwatching (Gomes, Cohen & Flores, 2018; Higham, 2009; Mason et al, 2015), pretende-se observar sinais que indiquem mudanças em seu DNA, novas direções, narrativas ou até mesmo o surgimento de outras tendências. Por fim, será criado um relatório de tendências (Gomes & Cantú, 2022) abordando cada uma das fases do processo de pesquisa realizado, assim como as articulações entre os resultados de cada metodologia aplicada e a narrativa da tendência identificada.
Local Context of Climate Change Adaptation in the South-Western Coastal Region of Bangladesh
This study was conducted in 12 unions of the Shyamnagar upazila in the Shatkira District, located in the south-western coastal region of Bangladesh (SWCRB). The inhabitants of the SWCRB are affected by different climate-influenced events such as high-intensity cyclones, saltwater intrusion, sea-level rise, and weather pattern-affected agriculture. This study focused on how the local inhabitants are coping with climate change using multilevel adaptation. A mixed approach of data collection, including quantitative and qualitative data, was followed for both primary and secondary sources. Individual-level data collection, key informant interviews, close-ended questions, focus groups, life history of SWCRB residents, and workshops were used to understand vulnerability and social perceptions at the local level. The findings indicated that multiple adaptation practices are employed by people in the SWCRB, such as rainwater harvesting, plantation of different rice varieties, gardening of indigenous vegetables, and pond sand filtering. However, the construction of multipurpose cyclone shelters along with coastal afforestation contributes to building resilience in the SWRCB from the socio-economic and environmental perspectives. Therefore, this study will help to find the most adequate strategy for climate change adaptation and sustainability.
Ritmos biológicos e patologia cardiovascular
A relação entre os ritmos circadianos e o desenvolvimento de determinadas patologias é uma preocupação científica atual. O principal objetivo desta monografia é compreender alguns dos fatores que conduzem a disrupções do relógio circadiano e de que modo estes aumentam o risco cardiovascular e conduzem ao desenvolvimento das patologias cardiovasculares. Pretende-se ainda reconhecer o contributo da cronoterapia na otimização da farmacoterapia cardiovascular. Os ritmos biológicos são uma caraterística universal dos seres vivos. No ser humano, a maioria das respostas fisiológicas é determinada pelos ritmos circadianos, gerados por um relógio biológico central sincronizado pelo ciclo luz/escuridão. O relógio central recebe as oscilações primárias e conduz a ritmicidade circadiana aos tecidos periféricos. A nível molecular, os genes relógio são responsáveis por gerar os ritmos circadianos nas diferentes células do organismo. No sistema cardiovascular, reconhece-se que as células vasculares e cardíacas apresentam relógios biológicos responsáveis pelo controlo dos ritmos circadianos da pressão arterial, frequência e contratilidade cardíacas e hemostase. Estudos observacionais demonstraram que fatores associados aos hábitos da vida moderna são responsáveis pela disrupção dos relógios biológicos. Além dos fatores ambientais, vários estudos experimentais salientam o papel da disfunção dos genes relógio no aumento do risco cardiovascular e no desenvolvimento de patologias cardiovasculares. A maior parte dos eventos cardiovasculares agudos apresenta um padrão de ritmicidade circadiana, com um pico nas primeiras horas da manhã, o qual se relaciona com alterações fisiopatológicas que ocorrem no mesmo período. A hipertensão arterial é considerada o principal fator de risco para as patologias cardiovasculares e sabe-se que o seu desenvolvimento está relacionado com a disfunção de alguns genes relógio. Os processos que conduzem à aterosclerose, principal causa de doença cardíaca isquémica, também são regulados por relógios circadianos. Recentemente surgiram alguns estudos que salientam o papel dos genes relógio na insuficiência cardíaca. A cronoterapia, ao atuar na prevenção e no tratamento da doença baseando-se nos princípios da cronobiologia, constitui uma abordagem terapêutica promissora no âmbito das patologias cardiovasculares.
2025-10-28T12:23:40Z
Teixeira, Ana Carolina Ventura Soares
Sistemas poliméricos avançados para veiculação de fármacos:
Os biofilmes são comunidades complexas de microrganismos que residem dentro de uma matriz de substâncias poliméricas extracelulares, produzida pelos próprios, e aderem a superfícies bióticas ou abióticas. Os biofilmes são altamente tolerantes a agentes antimicrobianos e são uma das principais causas de infeções persistentes e recorrentes por agentes patogénicos clinicamente importantes, por exemplo, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Recentemente, a nanotecnologia surgiu como um método promissor para erradicar infeções bacterianas associadas a biofilmes. Existem diferentes tipos de nanopartículas e nesta revisão são abordadas as nanopartículas poliméricas que têm sido amplamente estudadas como sistemas de entrega de agentes antimicrobianos e mostraram várias vantagens, incluindo elevada biocompatibilidade, libertação sustentada, targeting, elevada concentração de fármaco no local da infeção, veiculação de fármacos tanto lipofílicos como hidrofílicos e melhoria da biodisponibilidade do fármaco. A presente monografia tem como objetivo efetuar uma revisão da literatura sobre a utilização de nanopartículas poliméricas como sistemas de veiculação de fármacos para o tratamento de biofilmes. Primeiramente, é apresentada a definição de biofilme, a sua composição e o processo de formação de biofilmes bacterianos. De seguida, são referidos exemplos de infeções humanas associadas a biofilmes nomeadamente periodontite, fibrose quística e infeções por biofilme associadas a cateteres urinários. É discutido o interesse terapêutico da nanotecnologia nesta área e são abordados diferentes tipos de nanopartículas poliméricas, métodos de preparação e tipos de polímeros utilizados. Posteriormente são discutidos vários estudos in vitro e in vivo que revelam o interesse deste tipo de nanopartículas, incluindo parâmetros importantes para o tratamento de biofilmes, como a eficiência de encapsulação, capacidade de carga, controlo da libertação de fármacos, influência do tamanho das partículas e a sua mobilidade em biofilmes. Por fim são descritos alguns exemplos de nanopartículas poliméricas contendo antibiótico para tratamento de biofilmes associados a Fibrose Quística.
2025-10-28T12:29:54Z
Marques, Catarina Sofia Ramos
O Impacto da pandemia no doente diabético em Portugal
A COVID-19 (doença de coronavirus), caracterizada por infeções respiratórias agudas causadas pelo Coronavírus 2 (SARS-CoV-2), trouxe consigo uma inesperada pandemia, e com ela uma mudança brusca nas nossas vidas. Especialmente notório durante os confinamentos ocorridos em todo o mundo, houve um impacto generalizado na sociedade, do qual na área da saúde não foi exceção. Os serviços de saúde tiveram de se adaptar e focar os seus recursos na luta contra esta pandemia, que se evidenciou como a prioridade número 1 ao longo de 2020 e 2021. Este foco, retirou inevitavelmente recursos alocados ao diagnóstico e tratamento de outras doenças. À data de 2018, em Portugal, a Diabetes assumia uma elevada prevalência com cerca de -13,6% da população diagnosticada com diabetes mellitus (DM). No passado mais recente, em 2020, com o Sistema Nacional de Saúde (SNS) largamente focado no combate à COVID-19, e a consequente deslocalização de recursos humanos, financeiros e materiais, os restantes programas de saúde foram parcial ou totalmente interrompidos. Esta decisão poderá ter tido consequências que começamos hoje a avaliar, nomeadamente na limitação no acesso a cuidados de saúde por parte dos doentes. Apesar do aparentemente óbvio impacto, avaliações oficiais do impacto da COVID-19 são ainda raras no panorama nacional. Os relatórios anuais como o “Diabetes – Factos e Números” deixaram de ser publicados. Devido à alarmante falta de informação oficial nesta matéria, o impacto da COVID-19 em doentes da com DM em Portugal é ainda desconhecido. Até à data de publicação da presente dissertação, e nas bases de dados que foram utilizadas, existe um único estudo publicado de domínio público. Este estudo consistiu numa análise preliminar do panorama nacional no que toca a doentes da diabetes DM em 2020 versus 2019. Neste contexto, o objetivo desta dissertação foi descrever e interpretar o impacto da COVID-19 na gestão da diabetes nos hospitais do SNS em Portugal recorrendo ao estudo referido e no período de tempo compreendido entre 2019 e 2020. Os resultados desta pesquisa demostram um aumento dos recursos e do peso relativo da diabetes na atividade hospitalar, apesar da diminuída “produção” do SNS em tempos de pandemia. Este aumento é principalmente devido ao escalar de complexidade e gravidade do doente diabético hospitalizado médio. Em última análise, este aumento observado durante a pandemia, poderá ter conduzido a um eventual aumento das taxas de mortalidade e de letalidade em meio hospitalar para o doente diabético em Portugal.
2025-10-28T12:20:21Z
Sousa, Afonso Rodrigues Medina de
Bacteriófagos e a microbiota intestinal
O corpo humano constitui um habitat para uma multitude de microrganismos, nomeadamente bactérias, vírus e fungos, entre outros, no seu conjunto designado por microbiota humana. Os bacteriófagos, vírus que infetam bactérias, representam a maior porção da microbiota humana e são particularmente importantes no intestino onde, em conjunto com bactérias, desempenham variados papéis, alguns benéficos para o hospedeiro humano. No intestino humano encontram-se principalmente bacteriófagos pertencentes à ordem Caudovirales, composta pelas famílias Myoviridae, Siphoviridae e Podoviridae. Também no intestino, os filos bacterianos predominantes incluem Firmicutes e Bacteroidetes, que englobam os géneros Lactobacillus, Bacillus, Clostridioides, Enterococcus, Ruminococcus, Bacteroides e Prevotella. Um desequilíbrio destas entidades, quer em relação uma a outra quer fora dos seus parâmetros normais (por exemplo, diminuição da população bacteriana devido a uma terapia antibiótica prolongada e descontrolada), resulta em disbiose. A disbiose intestinal prolongada pode estar envolvida em condições patológicas, das quais as mais relevantes são: (i) diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2; (ii) Doença Inflamatória Intestinal; (iii) Doença de Crohn; (iv) Colite Ulcerosa; (v) Infeção por Clostridioides difficile; e (vi) cancro colorretal. Nos últimos anos, os microrganismos intestinais ganharam grande relevância devido à sua capacidade de regular o sistema nervoso central, numa via denominada Eixo Intestino-Microbiota-Cérebro. Através de mecanismos diretos e indiretos, bacteriófagos e bactérias intestinais podem modelar positivamente funções cerebrais e até alterar o curso de algumas patologias neurodegenerativas, nomeadamente doença de Alzheimer, doença de Parkinson e perturbações do espectro do autismo. O aumento da investigação neste campo tem reforçado a teoria de que, para além de estarem envolvidos no desenvolvimento de doenças, os bacteriófagos também podem atuar como instrumentos para melhorar a saúde humana. Embora nos últimos anos o conhecimento sobre bacteriófagos, especialmente os bacteriófagos intestinais, tenha vindo a aumentar, ainda há muito a saber sobre o seu papel exato na saúde humana e ainda é necessária investigação que permita apoiar a sua validade como estratégias terapêuticas.
2025-10-28T12:29:27Z
Leandro, Luis Miguel Peralta
Infeções associadas ao tecido ósseo:
O osso é um tecido com uma elevada dinâmica e equilíbrio especialmente entre os osteoblastos e osteoclastos, principais células responsáveis pela sua remodelação. No entanto, o contacto do osso com microrganismos de origem bacteriana ou fúngica constitui o primeiro passo para o estabelecimento de infeção e desenvolvimento do processo inflamatório – a osteomielite – culminando no desequilíbrio da dinâmica celular e principalmente na destruição e perda óssea. O aumento da esperança média de vida associada a doentes com mais comorbilidades, contribui para o surgimento de vários fatores de risco para o desenvolvimento desta patologia. Estes, associados à crescente realização de cirurgias ortopédicas, uma das causas de desenvolvimento de osteomielite, contribuem para a sua crescente prevalência. Apesar disto, a osteomielite não é exclusiva de adultos com comorbilidades, no entanto, estes serão os casos com maior prevalência na população e por isso os que são tidos em conta nesta monografia. Atualmente, existem diversas abordagens terapêuticas para o tratamento da osteomielite, associada ou não a implantes ortopédicos que têm em conta os microrganismos prevalentes – Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis no caso de osteomielite bacteriana ou Candida albicans na osteomielite fúngica – e as resistências associadas a estes. As abordagens terapêuticas atuais apresentam várias limitações, nomeadamente resistência aos antimicrobianos e estratégias de sobrevivência dos próprios microrganismos, contribuindo para a difícil resolução da infeção graças à ineficácia das terapêuticas e do sistema imunitário. Neste contexto, surgiu a necessidade de estudar novos agentes terapêuticos como alternativas aos fármacos utilizados, assim como, desenvolver novas estratégias de incorporação e administração de fármacos de modo a aumentar a sua eficácia e, ao mesmo tempo, promover ou facilitar a regeneração óssea. Desta forma, este trabalho, para além de abordar as principais causas e agentes envolvidos na osteomielite, os esquemas terapêuticos utilizados e as complicações associadas aos mesmos, teve também como objetivo discutir algumas das alternativas que se encontram atualmente em desenvolvimento. Assim, através da pesquisa de alguns estudos desenvolvidos como possíveis alternativas, foi analisada a aplicabilidade destes no futuro da osteomielite.
2025-10-28T12:29:40Z
Camacho, Catarina Isabel Palma
Terapia direcionada e características distintivas do cancro:
O cancro, uma doença genética de origem multifatorial, tornou-se, no século XXI, uma patologia com ampla relevância e, portanto, é da maior importância conhecer a sua etiologia e os mecanismos fisiológicos que culminam na ocorrência de mutações do ADN e igualmente conhecer os aspetos que contribuem para o seu desenvolvimento e malignidade. Este conhecimento pode ser obtido através do estudo das características distintivas do cancro – alterações fisiológicas nas células que de forma coletiva vão ditar o processo de carcinogénese – bem como dos próprios fatores que contribuem para a ocorrência de tais alterações no organismo humano. Para além disto, através do estudo das características distintivas do cancro, tanto das já bem estabelecidas como das emergentes, vai ser possível, por um lado, refinar as terapêuticas já existentes e, por outro, desenvolver terapias mais específicas. Assim, é expectável que no futuro, através do conhecimento cada vez mais amplo sobre as alterações fisiológicas que determinam o aparecimento de neoplasia, exista um crescente número de agentes terapêuticos altamente personalizados e direcionados a alvos específicos, contribuindo como barreira eficaz à iniciação e progressão tumoral. A presente monografia vai incidir de forma mais extensa nos mecanismos de aparecimento e desenvolvimento das características distintivas do cancro. De forma semelhante, irão ser abordados aspetos sobre as diferentes terapêuticas existentes para o tratamento do cancro bem como do aparecimento de novos agentes terapêuticos que vão atuar de forma mais específica em certos alvos moleculares. Todos os aspetos discutidos ao longo da presente monografia vão culminar numa questão: terapia direcionada e características distintivas do cancro: uma simbiose? Em torno desta questão será explorada a hipótese de, nos próximos anos, o conhecimento crescente sobre estas alterações ser efetivamente um auxiliar no desenvolvimento de terapêuticas que irão, de forma eficaz, parar a progressão tumoral e assim, diminuir a incidência de cancro.
Um modelo europeu para avaliação de tecnologias de saúde :
A Avaliação de Tecnologias de Saúde constitui um elemento fundamental para a adequada aplicação e utilização das tecnologias da saúde - medicamentos, dispositivos médicos, equipamento médico para diagnóstico e tratamento, e métodos de prevenção - com vista à obtenção dos melhores resultados em saúde para os doentes e para a sociedade em geral, promovendo um sistema de saúde equitativo, eficiente e de elevada qualidade. Este processo, ao compreender dois tipos de análises, iniciando com uma avaliação de âmbito farmacoterapêutico e, posteriormente, de âmbito farmacoeconómico, permite às autoridades competentes a determinação da eficácia relativa das tecnologias da saúde novas ou já existentes, centrando-se essencialmente no valor acrescentado que uma tecnologia de saúde oferece, em comparação com outras alternativas existentes. É com base nesta informação que os decisores políticos de cada país, determinam quais as tecnologias de saúde a ser alvo de financiamento/reembolso. Face ao aumento do volume tecnologias emergentes, e consequente ineficiência na condução dos processos de avaliação, surge a necessidade do desenvolvimento de redes de partilha de metodologias e informações, com vista à harmonização de processos entre os diferentes Estados Membros da União Europeia. Estes constituíram os primeiros passos para a implementação de uma rede de cooperação em matéria de Avaliação de Tecnologias de Saúde. É neste contexto, que a presente monografia vem abordar evolução e o desenvolvimento do modelo de cooperação europeia nesta matéria, num momento tão crucial, em que se observa a transição do modelo de cooperação voluntária - através das suas primeiras iniciativas em 1994, com o projeto EUR-ASSESS, passando pelos, mais de quinze anos, de EUnetHTA - para a implementação do novo Regulamento (EU) 2021/2282 do Parlamento Europeu e do Conselho. Através desta análise pretende-se aferir se estão estabelecidos os pilares para uma plena harmonização europeia, em prol da construção de modelo europeu para a Avaliação de Tecnologias de Saúde.
Keap1-Nrf2-ARE:
A Diabetes é um conjunto de patologias metabólicas de etiologia multifatorial onde a principal alteração fisiológica se pauta pela presença de um fenótipo comum – hiperglicemia. Os elevados níveis séricos de glicose, resultam de uma interação complexa de fatores genéticos e ambientais que provocam uma insuficiente produção de insulina e/ou resistência celular à ação da hormona, por parte das células que dela dependem para o transporte intracelular de glicose. O stress oxidativo contribui significativamente para o desenvolvimento fisiopatológico da Diabetes Mellitus tipo 2, ao exacerbar o estado disfuncional que as células beta pancreáticas apresentam sobre condições de hiperglicemia crónica. Este resulta principalmente da formação de espécies reativas de oxigénio (ROS), resultando num desequilíbrio do estado redox celular. A principal resposta fisiológica ao desequilíbrio redox é a ativação da via de sinalização celular Keap1-Nrf2-ARE (Kelch-like ECH associated protein 1 - nuclear factor (erythroid-derived 2) -like 2 – elemento de resposta antioxidante), na qual o fator de transcrição Nrf2 atua como um importante regulador da expressão de genes que codificam proteínas com ação antioxidante. Em resposta ao stress oxidativo, o Nrf2 tem ação sobre o processo de transcrição de diversas enzimas incluídas nos processos de biotransformação de fase I, II e III e mecanismos antioxidantes. A ativação desta via de sinalização permite contrariar os efeitos nefastos dos agentes oxidantes e outros eletrófilos, tendo-se tornado um alvo atrativo para a prevenção e tratamento de doenças relacionadas com o stress oxidativo. Ao longo dos últimos anos têm sido estudados os diversos componentes integrantes desta via e que, em teoria, poderão ter um papel determinante no desenvolvimento da Diabetes Mellitus do tipo 2 e de complicações relacionadas com a doença, sendo por isso, possíveis alvos terapêuticos. A presente monografia pretende analisar a forma como interagem os componentes da via de sinalização celular em estudo e apresentar uma revisão sobre as moléculas moduladoras do Nrf2 que se encontram atualmente em estudo por apresentar potencial terapêutico no tratamento da Diabetes Mellitus do tipo 2.
2025-10-28T12:24:46Z
Silva, Raquel Correia Bentes dos Santos
The diversity of nutritional status in cancer : new insights
Objective. Nutritional status in cancer has been mostly biased toward undernutrition, an issue now in dispute. We aimed to characterize nutrition status, to analyze associations between nutritional and clinical/cancer-related variables, and to quantify the relative weights of nutritional and cancer- elated features. Methods. The cross-sectional study included 450 nonselected cancer patients (ages 18 –95 years) at referral for radiotherapy. Nutritional status assessment included recent weight changes, body mass index (BMI) categorized by World Health Organization's age/sex criteria, and Patient-Generated Subjective Global Assessment (PG-SGA; validated/specific for oncology). Results. BMI identified 63% as >25 kg/m2 (43% overweight, 20% obese) and 4% as undernourished. PG-SGA identified 29% as undernourished and 71% as well nourished. Crossing both methods, among the 319 (71%) well- nourished patients according to PG-SGA, 75% were overweight/obese and only 25% were well nourished according to BMI. Concordance between BMI and PG-SGA was evaluated and consistency was confirmed. More aggressive/ advanced stage cancers were more prevalent in deficient and excessive nutritional status: in 83% (n = 235/ 282) of overweight/obese patients byBMIand in 85% (n = 111/131) of undernourished patients by PG-SGA. Results required adjustment for diagnoses: greater histological aggressiveness was found in overweight/obese prostate and breast cancer; undernutrition was associated with aggressive lung, colorectal, head-neck, stomach, and esophageal cancers (p < .005). Estimates of effect size revealed that overweight/obesity was associated with advanced stage (24%), aggressive breast (10%), and prostate (9%) cancers, whereas undernutrition was associated with more aggressive lung (6%), colorectal (6%), and head-neck (6%) cancers; in both instances, age and longer disease duration were of significance. Conclusion. Undernutrition and overweight/obesity have distinct implications and bear a negative prognosis in cancer. This study provides novel data on the prevalence of overweight/obesity and undernutrition in cancer patients and their potential role in cancer histological behavior.
2025-10-28T12:25:40Z
Chaves, Mariana Ramos Boléo-Tomé, Carolina Monteiro-Grillo, Isabel Camilo, Maria Ravasco, Paula
Nitritos e nitratos nos alimentos e possíveis riscos para a saúde
No nosso quotidiano estamos continuamente expostos, natural ou artificialmente, a diversos compostos químico. Enquanto uns podem ser benéficos outros podem acarretar riscos para a saúde, constituindo os nitratos e os nitritos inorgânicos presentes nos alimentos um exemplo. Podem ser encontrados na Natureza desempenhando funções cruciais para a sobrevivência de todos os seres vivos não só, através da sua participação no ciclo do azoto, como também por serem um fator fulcral para o crescimento e desenvolvimento viável de produtos hortícolas, nomeadamente vegetais verdes, através da fertilização. Contudo, a utilização desmesurada pelo Homem de fertilizantes, contribui para o desequilíbrio dos ecossistemas bem como para a sua própria saúde através da contaminação de águas e solos. Estes dois iões, particularmente o nitrito, podem adicionalmente desempenhar funções de aditivo e conservante, nomeadamente na carne curada, conferindo-lhe cor vermelha e sabor, para além de proteger contra o crescimento do microrganismo Clostridium botulinum, responsável pela intoxicação alimentar chamada botulismo. No ser humano, os nitratos e nitritos consumidos através dos alimentos são em grande parte excretados como nitratos rapidamente. Porém cerca de 25% do nitrato é recirculado através das glândulas salivares e 5% é convertido por bactérias da boca em nitrito. Para além disso, pode-se obter nitrato endogenamente através da conversão enzimática de arginina em monóxido de azoto. O nitrito em excesso, pode ter efeitos nefastos, como a oxidação da hemoglobina em metahemoglobina, reduzindo a capacidade de os eritrócitos transportarem oxigénio aos tecidos. O nitrito, quer esteja já presente nos alimentos, quer seja endogenamente formado, pode também ter a capacidade de mediar a formação de compostos N-nitrosos, como nitrosaminas e nitrosamidas, alguns com ação carcinogénica. Outros efeitos potencialmente provocados por ação dos nitratos e seus metabolitos compreendem alterações a nível da tiroide, bem como stress nitrosativo. De forma a proteger os consumidores dos potenciais riscos relacionados com os nitratos e nitritos na alimentação existe vasta legislação, que define os teores máximos admitidos, a par do estabelecimento de valores de ingestão diária aceitável para estes dois iões.
2025-10-28T12:28:20Z
Serôdio, Gonçalo Alexandre Setúbal
Benefício/risco do consumo de suplementos alimentares
O consumo dos SA tem vindo a aumentar nas últimas décadas devido à constante procura por estilos de vida mais saudáveis, bem como, maior consciencialização sobre um envelhecimento saudável. Os benefícios dos SA encontram-se evidenciados na literatura. Contudo, existem alguns SA comercializados com ingredientes sem eficácia comprovada. Além dos benefícios, numerosos riscos encontram-se associados ao consumo de SA, principalmente aqueles que contém plantas e extratos botânicos ou aqueles usados na perda de peso ou no aumento do desempenho físico. A regulamentação dos SA é interpretada e aplicada de forma diferente em cada Estado-Membro Europeu, pelo que existem produtos com o mesmo composto, mas comercializados com uma classificação diferente. Por isso, a harmonização da regulamentação sobre os SA é uma necessidade urgente para assegurar a proteção da saúde pública. O conhecimento mais aprofundado sobre as vitaminas e minerais e outros ingredientes dos SA irá permitir a identificação de deficiências de micronutrientes, efeitos, doses diárias recomendadas, principais interações e toxicidades associadas. Os profissionais de saúde devem informar os consumidores sobre os potenciais benefícios e riscos do consumo de cada SA, contribuindo para uma decisão informada, baseada em evidência científica de elevada qualidade.