Repositório RCAAP

Pinturas a duas mãos: cartografias híbridas dos litorais chineses (sécs. XVI-XIX)

É comummente reconhecido que a cartografia portuguesa desempenhou um papel pioneiro na representação da Ásia no início da Idade Moderna. Esta asserção é particularmente válida para os mapas dos espaços marítimos asiáticos, confirmando a circunstância de Portugal ter desempenhado, em simultâneo, um papel pioneiro na exploração sistemática desta parte do mundo e contribuído de forma decisiva para a percepção global da sua complexa geografia. No entanto, uma evidência não menos significativa resulta do facto de alguns dos mapas mais relevantes de matriz portuguesa exibirem uma síntese de modelos europeus e asiáticos de representação. A cartografia dos litorais da China constitui um caso paradigmático desta situação uma vez que podemos identificar uma série contínua de exemplares, do início do séc. XVI ao início do séc. XIX, cobrindo escalas de representação muito diversas – planos urbanos, cartas provinciais e até extensos perfis costeiros. Ilustraremos esta prática visual de claro perfil intercultural apresentando uma amostra de mapas presumivelmente desenhados em Malaca, em Macau e noutras partes da China. Esta apresentação será acompanhada pela referência genérica aos contextos políticos que estiveram na génese destes mapas.

Ano

2025-10-28T12:26:46Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Geografia imaginária

O principal legado geográfico dos Descobrimentos consistirá na cartografia da generalidade das terras emersas, de acordo com um processo que está concluído antes do termo da primeira metade do século XVI. Este mesmo processo resultou na afirmação do espaço real e mensurável, o qual tanto desmentiu pelos factos os limites práticos e teóricos que os Antigos haviam colocado à exploração da realidade terreste, como revogou a forma como a teologia cristã ocidental pensara o mundo. Ainda assim, estamos longe de nos encontrar em presença do triunfo instantâneo da geografia “positiva”. De facto, não apenas o novo saber objectivo e laico conviveu longamente com representações míticas ou imaginárias dos espaços terrestres, como sabemos que um dos principais motores das viagens de exploração e descoberta – e, portanto, do próprio progresso geográfico – assentou no gosto pelo maravilhoso e na busca de objectos ou destinos mais ou menos quiméricos.

Ano

2025-10-28T12:10:48Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Henricus Martellus Germanus

Henricus Martellus trabalhou como cartógrafo em Florença entre 1480 e 1496, tendo sido durante algum tempo colaborador na oficina do miniaturista e gravador Francesco Rosselli (c. 1447-antes 1527). Foi autor de duas edições manuscritas da Geografia de Ptolomeu, de cinco edições do Insularium illustratum de Cristoforo Buondelmonti (1386-c.1430) e, ainda, de um amplo mapa-mundo realizado c. 1491, hoje pertença da Yale University Library.

Ano

2025-10-28T12:14:15Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Paolo dal Pozzo Toscanelli

A redescoberta da Geografia de Ptolomeu, traduzida em latim por Jacobo d’Angelo, em 1410, teve particular impacto em Florença. Entre os anos de 1450 e 1470 encontram-se aí os mais famosos realizadores de códices ptolomaicos com cartas, como Piero del Massaio, Francesco Berlinghieri, Niccolò Germano e o alemão Henricus Martellus. Em sintonia com a prática mais comum nessa atmosfera intelectual, o trabalho geográfico de Toscanelli alia o inquérito sobre a realidade dos territórios com o respeito pelos cânones ptolomaicos, considerados indispensáveis para validar cientificamente a produção cartográfica

Ano

2025-10-28T12:12:39Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Asian eyes in Portuguese Maps: Hybrid Cartographic Representations of China in the Early Modern Age

It is commonly acknowledged that Portuguese cartography played a pioneering role in the depiction of Asia in the Early Modern period. This is particularly true for maps of East Asian maritime spaces, thus confirming the fact that Portugal was a European pioneer in the exploration of this part of the world and made a major contribution to the world’s perception of Asia’s intricate geography. However, equally important visual evidence stems from the fact that some of the most significant of these maps are the result of a synthesis of European and Asian models of representation. This occurred due at least to two different factors: the role played by Portuguese–Asian cartographers and an inventive combination of Eastern cartographic models with typically Western cartographic practices. In this respect, the case of the mapping of China is especially interesting, since it is possible to trace a continuous series of examples from early sixteenth-century maps to late-seventeenth-century maps covering a broad range of scales, from general surveys of the country to provincial charts and urban plans. This study illustrates this cross-cultural visual practice by presenting a selected sample of maps originally drawn in Macao, Malacca and Goa. This is accompanied by an analysis of the specific cultural, geographical and social contexts that gave rise to these unique maps and their contribution toward establishing a contemporary portrait of China.

Ano

2025-10-28T12:17:46Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Aligning cultivated meat with conventional meat consumption practices increases expected tastefulness, naturalness, and familiarity

Cultivated meat could help alleviate ethical and environmental concerns in the current food system, but its success as a viable alternative to conventional meat depends partly on how consumers perceive it. We extend previous studies to determine how different frames used to communicate cultivated meat affect consumers’ attitudes and willingness to try, buy, and replace conventional meat with cultivated meat. A pre-registered study (1094 participants; UK) compared differences between a consumption frame that aligned the product with conventional consumption practices, a production frame that focused on how cultivated meat is produced, and a general alternative food frame that placed it in the backdrop of novel foods. We also tested whether perceived product traits such as naturalness, familiarity, and tastefulness mediated the differences between frames. We found that the consumption frame promoted more favorable attitudes and willingness toward cultivated meat than the production frame. These differences occurred because participants perceived cultivated meat as more natural, familiar, and tasty when presented with the consumption frame. We also found differences between frames (consumption, production, general alternative food) in all perceived product traits. The results corroborate the benefits for consumer appraisal of aligning cultivated meat with conventional consumption practices and the risks of referring only to how it is produced. Perceived taste had the strongest indirect effect across all outcome variables, but perceived naturalness and familiarity were also significant. Overall, the findings reinforce the importance of carefully framing and communicating about cultivated meat with prospective consumers, and considering the perceived naturalness, familiarity, and taste of the product.

Ano

2025-10-28T12:19:40Z

Creators

Fidder, Linn Graça, João

Racismo(s), Educação, e Formação Cultural (Dossiê Temático)

É comgrandesatisfação que apresentamos o Vol. 16, n.29, da Revista POIÉSIS -Revista doPrograma de PósGraduação em Educação da Unisul(Mestrado e Doutorado), dedicado a publicação do Dossiê temático“RACISMO(S), EDUCAÇÃO, E FORMAÇÃO CULTURAL”organizado pelos professores Patrícia Ferraz de Matos (Universidade de Lisboa-UL)eDr Christian Muleka Mwewa (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul-UFMS). O dossiê é composto por artigos de pesquisadores brasileirose argentinosque reconhecem a existência de um racismo estrutural e se dedicam na produção de ferramentasteóricas e práticaspara seu combate.O racismo ainda se fazpresente na atualidadee é um dos muitos desafios a seremenfrentados pelas sociedades contemporâneas em tempos de retrocesosno que tange as desigualdades e discriminações.No entanto, opresentedossiê avança para além da denúnciasde manifestações do racismoe vai emdireção dereflexões que visam o desenvolvimento da consciência respeitadora das diversidades e daformação de uma personalidade humana antirracistatanto no ambiente escolar quanto fora dele.

Ano

2025-10-28T12:21:14Z

Creators

Mwewa, Christian Muleka Matos, Patrícia Ferraz de

Leitores de mapas: dois séculos de história da cartografia em Portugal. Exposição

Organizada no âmbito do IV Simpósio Ibero-Americano de História da Cartografia a exposição apresenta uma ampla retrospectiva sobre os estudos de cartografia antiga realizados em Portugal ao longo dos últimos duzentos anos. É revisitada a obra produzida no domínio da história da cartografia por mais de uma dezena de investigadores portugueses, entre os quais sobressaem os nomes do 2.º visconde de Santarém, Duarte Leite, Abel Fontoura da Costa, Jaime e Armando Cortesão, Luís de Albuquerque e Avelino Teixeira da Mota. Foram seleccionadas cerca de 80 peças pertencentes aos diversos fundos da Biblioteca Nacional de portugal, incluindo livros, artigos, manuscritos autógrafos, fotografias, gravuras, atlas e mapas. A exposição ilustra os progressos de um campo do saber ao qual Portugal esteve associado desde a sua génese, nas primeiras décadas do século XIX. Encontra-se organizada em quatro núcleos, correspondentes a períodos definidos por contextos culturais, científicos e político-diplomáticos específicos.

Ano

2025-10-28T12:19:40Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Φύσις no Tratado de Fílon de Alexandria De Iosepho

Analisam-se as diversas acepções do lema grego fúsis, com proposta de lexicografia para o vocábulo e introdução de uma nova acepção, à luz da sua utilização por Fílon de Alexandria

Ano

2025-10-28T12:28:20Z

Creators

Fernandes, Maria

Ribeiro dos Santos vs. Garção Stockler: os primeiros estudos de história da cartografia em Portugal

É comummente atribuída ao jurista António Ribeiro dos Santos (1745-1818) a autoria dos primeiros estudos publicados em Portugal sobre temas próprios da história da cartografia, o que aconteceu cerca de duas décadas antes do 2.º visconde de Santarém ter definido o próprio projecto desta disciplina emergente. Tal interpretação tem por base um conjunto de ensaios publicados por Ribeiro dos Santos nas Memorias da litteratura portugueza da Academia Real das Ciências de Lisboa, entre 1812 e 1814, assim como no volume V de Historia e Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa, editado em 1817. Nesta comunicação, confrontaremos o conteúdo destes textos com as páginas que o matemático Francisco de Borja Garção Stockler (1759-1829) dedicou a boa parte dos mesmos temas e também fez editar pela Academia das Ciências em 1805. Deste confronto sai uma proposta de revisão sobre as primícias da história da cartografia em Portugal, a qual procuraremos interpretar à luz do contexto político, científico e cultural que tanto foi comum a Ribeiro dos Santos e Garção Stockler, como acabou por ditar as tensões e confrontos que começaram por protagonizar no próprio palco da Academia. Como propomos provisoriamente, a relação umbilical, mas não confessa, que existe entre as páginas que ambos escreveram sobre os mapas antigos deve começar por ser vista à luz da irreversível divergência dos respectivos percursos que aconteceu a partir de 1799.

Ano

2025-10-28T12:12:52Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Caracterização genética da população brasileira imigrante em Lisboa através do estudo de DNA mitocondrial

A migração de indivíduos é um dos principais contribuidores para a introdução de variabilidade genética dentro das populações. Nas últimas duas décadas em Portugal, mais particularmente Lisboa, recebeu um grande número destes migrantes. A comunidade de imigrantes brasileiros é uma das principais comunidades estrangeiras atualmente a residir em Portugal, constituindo, em 2020, cerca de 184 000 indivíduos. As características únicas do DNAmt, ao ser transmitido exclusivamente por via materna e não sofrendo recombinação, fazem deste um marcador muito útil, tendo várias aplicações como o estudo da evolução das populações, a utilização em perícias forenses e a genética médica. Neste estudo foi realizada a sequenciação de DNAmt de 75 imigrantes brasileiros a residir em Lisboa, de modo a determinar o impacto que o pool genético desta população poderá ter no gene pool da população lisboeta. Para isso foi amplificada a região controlo do DNAmt com dois pares de primers L15971 / H016 e L16555 / H639. Os produtos amplificados foram sequenciados com BigDye®Terminator v.3.1 Cycle Sequence (AB) e detetados no SeqStudio™ Genetic Analyzer (AB). Os resultados obtidos foram analisados nos softwares Sequencing Analysis v7. e SeqScape v4. (AB), onde as sequências obtidas foram comparadas com a rCRS obtendo haplótipos que, recorrendo à Phylotree, build 17, podem ser classificados em haplogrupos. Sendo que a maioria dos haplótipos obtidos neste estudo não apresentaram correspondência na base de dados EMPOP. Tratando-se de uma população extremamente heterogénea, com cerca de metade dos haplótipos obtidos pertencendo ao macrohaplogrupo L, característico de populações africanas, um quarto dos haplótipos correspondem a haplótipos sul americanos, sendo o quarto restante pertencente a populações euroasiáticas.

Ano

2025-10-28T12:25:26Z

Creators

Marcelino, Miguel António Faria

O cartólogo no seu labirinto: Jaime Cortesão e o «mito da Ilha-Brasil

O chamado «mito da Ilha-Brasil» correspondeu a uma das ideias centrais do pensamento geopolítico de Jaime Cortesão, desenvolvido quando este historiador português apresentou no Ministério das Relações Exteriores do Brasil, entre 1944 e 1950, uma importante série de cursos sobre a História da Cartografia e as fronteiras brasileiras. No seu entender, uma razão geográfica de Estado oposta ao Tratado de Tordesilhas preside à formação territorial do Brasil, lógica essa que teria as suas primeiras expressões literárias e cartográficas no século XVI, prolongando-se depois no tempo, a ponto de a podermos reencontrar no pensamento de Alexandre de Gusmão e subjacente à estratégia arquitectada por Portugal para a negociação do Tratado de Madrid (1750). Nesse sentido, os mapas antigos funcionariam como um reflexo particularmente tangível da consciência precoce da unidade geográfica, económica e humana desse território inteiro e da vontade política de o dominar.

Ano

2025-10-28T12:15:53Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

A representação da China em Fernão Vaz Dourado

Um dos aspetos mais salientes das representações cartográficas de Fernão Vaz Dourado diz respeito à representação das massas continentais e dos perfis costeiros da Ásia. Estes traçados partem da lição paulatinamente aprendida pela cartografia portuguesa do século XVI, de Pedro Reinel até aos mapas de Diogo Homem, mas adquirem na sua obra uma segurança que decorre de uma experiência mais demorada e precisa de todos os litorais situados entre o Índico e o Mar do Japão.

Ano

2025-10-28T12:19:23Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Dossiê Infâncias, Racismos e Educação Infantil

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:27:00Z

Creators

Matos, Patrícia Ferraz de Mwewa, Christian Muleka

O delta do rio das Pérolas

Num manuscrito datado de 1646, guardado na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, Jorge Pinto de Azevedo propõem ao rei D. João IV de Portugal um projecto de conquista da China. Intercala aí um desenho aguarelado do Guangdong, que representa o litoral compreendido entre Hainão e Lantau, e o território continental entre Macau e Cantão, por onde corre o delta dos rios do Oeste (Xi Jiang) e das Pérolas (Zhu Jiang).

Ano

2025-10-28T12:26:34Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Planta de Macau

O códice Descripçam da fortaleza de Sofala, e das mais da India integra 48 plantas de cidades e fortalezas. Foi elaborado em 1639 pelo cosmógrafo-mor do reino de Portugal António de Mariz Carneiro. Trata-se de uma cópia de uma das vias do célebre Livro das plantas de todas as fortalezas, cidades e povoaçoens do Estado da India Oriental que o cronista António Bocarro assinou em 1635.

Ano

2025-10-28T12:15:10Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Jaime Cortesão, cartólogo no Brasil. Génese e conteúdo dos cursos de História da Cartografia e da Formação Territorial Brasileira leccionados no Itamaraty (1944-1950)

Neste estudo, reconstituímos o complexo processo de estruturação da série de cursos de “geografia superior” que Jaime Cortesão leccionou no Ministério das Relações Exteriores do Brasil entre 1944 e 1950, conferindo a sua matriz inicial, as principais mudanças que foram sendo introduzidas nos conteúdos e os respectivos contextos de realização. Como veremos, se as matérias específicas da cartografia articulam todo o exercício didáctico oferecido por Cortesão aos seus alunos do Itamaraty, a leitura dos mapas e das circunstâncias em que os mesmos foram realizados interessaram‑lhe sobretudo quando incorporadas na narrativa mais ampla sobre a própria história do Brasil e a definição da sua singularidade geográfica.

Ano

2025-10-28T12:13:20Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

Macau, poder e saber: séculos XVI e XVII

Macau: Poder e Saber, de Luís Filipe Barreto, impõe-se-nos como um trabalho de maturidade científica, particularmente interessante por ensaiar a articulação entre o que é do domínio da história política e o que pertence ao campo da história cultural.

Ano

2025-10-28T12:16:34Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

O livro de Francisco Rodrigues: o primeiro atlas do mundo moderno

O Livro de Francisco Rodrigues constituiu um dos mais impressivos testemunhos cartográficos do chamado “tempo épico” de Afonso de Albuquerque (1508-1515). O único exemplar conhecido – manuscrito aparentemente autógrafo – foi descoberto em meados do século XIX na Bibliothèque de la Assemblée nationale, em Paris, pelo 2.º visconde de Santarém.

Ano

2025-10-28T12:08:55Z

Creators

Oliveira, Francisco Roque De

A indispensabilidade da matemática na ciência natural

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:22:21Z

Creators

Castro, Eduardo