Repositório RCAAP

Carvão ativado : riscos e benefícios do uso no tratamento de intoxicações agudas e sobredosagens medicamentosas orais

As intoxicações agudas e as sobredosagens medicamentosas ocorrem diariamente em todo o mundo, maioritariamente de forma voluntária nos adultos e acidental nas crianças. Os agentes tóxicos mais comuns são o paracetamol, o ibuprofeno, as benzodiazepinas, os antipsicóticos e os produtos de limpeza doméstica. Existem várias formulações com carvão ativado (CA) no mercado nacional que são utilizadas para vários fins, nomeadamente no tratamento de intoxicações agudas, alívio do desconforto gastrointestinal, adsorção de odores de feridas, entre outros. Estão presentes estudos na literatura que demonstram a redução da área sob a curva dos agentes tóxicos após administração de carvão ativado, o que corrobora o efeito adsorvente do mesmo e a eficácia no tratamento de intoxicações agudas. O carvão ativado é um adsorvente com capacidade de se ligar a um grande número de substâncias, à exceção de álcoois, metais, compostos inorgânicos, ácidos, bases e cianetos. A adsorção ocorre por meio de ligação dos compostos à superfície do carvão ativado, formando um complexo que é facilmente eliminado. Este fenómeno é essencial no tratamento das intoxicações agudas e nas sobredosagens medicamentosas, uma vez que ao administrar CA nos primeiros 60 minutos após a ingestão do agente tóxico, este contribui significativamente para uma diminuição abrupta da absorção, bem como um decréscimo da gravidade dos sintomas. Existem algumas limitações no que concerne à administração de carvão ativado, nomeadamente a janela de tempo após a ingestão do agente tóxico, o estado do doente (se está consciente ou não), assim como a necessidade ou não de recorrer a uma sonda para proceder à sua administração, dificultando o processo. O uso de carvão ativado tem alguns riscos associados, nomeadamente a pneumonia por aspiração, a perfuração ou a obstrução gastrointestinal. Apesar de constituírem riscos graves, a sua incidência não é muito elevada, pelo que se deve ter sempre em consideração os benefícios do carvão ativado perante cada situação, avaliando a relação benefício-risco. O carvão ativado é um medicamento de fácil acesso e de toma simples, o que auxilia o seu uso por pessoal não especializado em situações urgentes e graves de intoxicação aguda, contribuindo para a resolução do problema.

Ano

2025-10-28T12:27:13Z

Creators

Eustáquio, Raquel Mendes

Terapias celulares: perspetivas atuais e futuras

Os primeiros relatos da utilização das terapias celulares remontam ao século XIX, quando cientistas injetaram material celular animal em pacientes humanos com o intuito de reverter sinais do envelhecimento e curar ou tratar doenças. Apesar destas primeiras experiências não terem sido bem-sucedidas, a investigação continuou. Já no século XX, realizou-se o primeiro transplante de medula óssea, uma das terapias celulares mais relevantes da atualidade. Nos últimos anos, as terapias celulares têm sido alvo de interesse por parte da comunidade científica, em grande medida, devido ao enorme potencial que têm demonstrado no tratamento das mais diversas patologias. Existem diversas terapias celulares já aprovadas e utilizadas na prática clínica, e muitas outras ainda em fase de investigação. As terapias celulares têm-se revelado promissoras em áreas como a medicina regenerativa, terapêutica do cancro e imunoterapia, e apresentam potencial para constituírem uma alternativa terapêutica relevante em doenças cuja terapêutica convencional não é eficaz. No entanto, apesar do benefício que têm demonstrado, este tipo de terapias não pode ser dissociado das questões éticas que lhe são inerentes, da preocupação que despertam quanto à sua segurança, nem do seu custo monetário, por vezes bastante elevado. Na presente monografia, caracterizam-se, numa primeira fase, os diversos tipos de células potencialmente utilizadas em terapia celular, incluindo terapias unicelulares e multicelulares, com células estaminais e diferenciadas. Seguidamente, abordam-se as estratégias de colheita, produção, preservação e administração das terapias com as células anteriormente detalhadas. Numa segunda fase, apresenta-se um enquadramento global dos diversos produtos atualmente aprovados e em ensaios clínicos. Numa etapa seguinte, são debatidas considerações éticas e destacados alguns dos principais desafios que as terapias celulares enfrentam. Por fim, são expostas conclusões e perspetivas atuais e futuras no âmbito das terapias celulares.

Ano

2025-10-28T12:20:48Z

Creators

Correia, Beatriz Santos

O papel dos antidepressivos no doente oncológico

A depressão é das doenças psiquiátricas mais comuns a nível mundial. No entanto, a sua gestão não está bem implementada em todos os países e muitos doentes não têm acesso ao tratamento e acompanhamento necessários. Para além disso, também o diagnóstico da depressão é um desafio: não só pela falta de iniciativa dos doentes em procurar ajuda, mas também pelo baixo nível de alerta dos profissionais de saúde para identificar e reconhecer episódios de depressão, pelo estigma social para com os doentes psiquiátricos e ainda pelo reduzido investimento dos sistemas de saúde na área da saúde mental. A dimensão do problema aumenta quando se trata da associação da depressão com outras doenças, em particular as que têm prognósticos reservados e representam experiências avassaladoras para os doentes, como é o caso do cancro. O facto de o mecanismo fisiopatológico da depressão ainda permanecer incerto é um obstáculo ao seu tratamento e, em consequência, existe uma grande diversidade de classes farmacológicas de antidepressivos, com diferentes alvos terapêuticos. Adicionalmente, a variedade de medicamentos e estratégias terapêuticas com aplicação em oncologia, torna ainda mais desafiante a utilização concomitante dos fármacos com indicação em cada uma destas doenças. Por outro lado, tanto a depressão como o cancro são duas patologias que se relacionam, individualmente com a dor. No doente oncológico, a interface entre a depressão e a dor deve ser bem gerida, em prol da sua qualidade de vida e do sucesso terapêutico. Neste contexto, o farmacêutico tem uma vasta possibilidade de intervenção que vai desde o desenho e desenvolvimento de fármacos para a terapêutica tanto da depressão como do cancro; à dispensa dos medicamentos aos doentes ao nível da farmácia comunitária e hospitalar, ao seu aconselhamento e monitorização e a todas as outras etapas do ciclo de vida do medicamento, onde o farmacêutico é essencial: como a produção, distribuição, armazenamento e regulamentação dos medicamentos.

Ano

2025-10-28T12:08:41Z

Creators

Carvalho, Patrícia Alexandra Nave de

Uso de antidiabéticos no controlo da obesidade

Tanto a diabetes como a obesidade são consideradas epidemias. De acordo com dados de 2021, pelo menos 2.8 milhões de pessoas morrem anualmente por excesso de peso ou obesidade. Na Europa, mais de metade da população com diabetes mellitus tipo 2 (50,9 - 98,6 %) é obesa, assim sendo, a redução de peso é fundamental na prevenção e na terapêutica de gestão da diabetes mellitus tipo 2. A obesidade é uma doença crónica que requer tratamento, uma vez que as alterações do estilo de vida raramente reduzem o peso a longo prazo. A terapêutica atualmente aprovada pela EMA para o controlo da obesidade é reduzida. Apenas 4 fármacos são comercializados: orlistato, bupropiom/naltrexona, liraglutido (Saxenda) e semaglutido (Wegovy). O uso de outros antidiabéticos além do liraglutido e semaglutido, seja da mesma classe ou de uma classe diferente, aumenta o leque de opções terapêuticas para controlo do peso em indivíduos obesos ou com excesso de peso. Estudos atuais mostram que além dos agonistas do recetor GLP-1, também os inibidores do SGLT2 apresentam efeitos limitativos no peso corporal. A tirzepatida, alguns análogos da amilina, como a cagrilintida, a oxintomodulina e os seus análogos são alguns exemplos de fármacos que estão a ser avaliados em ensaios clínicos como possível tratamento da obesidade ou excesso de peso. Alguns antidiabéticos, como a insulina, as sulfonilureias e os derivados da fenilalanina, devem ser evitados em doentes obesos, uma vez que podem induzir aumento de peso.

Ano

2025-10-28T12:15:10Z

Creators

Araújo, Daniela Laneiro

Stem cells in neurobiology : current perspectives

Nas últimas duas décadas, as células estaminais (SCs) têm suscitado um interesse considerável pelo seu valor como fonte de investigação e potencial terapêutico em muitos domínios, nomeadamente, na neurobiologia. De facto, a descoberta da neurogénese adulta, o processo pelo qual são gerados novos neurónios no cérebro adulto, desafiou a visão tradicional de que o cérebro é uma estrutura estática após o desenvolvimento. Tal tem incentivado cada vez mais a investigação nesta área, nomeadamente, pelas recentes descobertas de que a neurogénese adulta pode ser influenciada por vários fatores externos e internos e tem significado funcional na plasticidade cerebral, aprendizagem, memória e na reparação cerebral. Dada a sua importância, esta revisão visa explorar os mecanismos, a regulação e as alterações relacionadas com o avanço da idade na neurogénese adulta. Para se perceber o potencial das SCs em neurobiologia, é também importante compreender a biologia das células estaminais neurais (NSCs), como funcionam e de que forma podem ser utilizadas para aplicações terapêuticas. Devido à sua multipotência e capacidade de autorrenovação, bem como à sua capacidade de libertar fatores de crescimento e imunomoduladores, as NSCs têm sido sugeridas principalmente para 1) transplante de NSCs, 2) testes de neurotoxicidade e 3) descoberta de fármacos - tópicos que serão abordados. Apesar do seu enorme potencial, as estratégias terapêuticas que utilizam as NSCs ainda não são amplamente utilizadas. Os ensaios clínicos de terapia com NSCs para várias doenças neurológicas estão, na sua maioria, nas fases iniciais e ainda não demonstraram uma eficácia ou segurança conclusivas. Assim, a terapia com base nas NSCs ainda não é amplamente utilizada na clínica, sendo ainda necessária mais investigação para estabelecer o seu verdadeiro potencial terapêutico. Os desafios e limitações que impedem a sua utilização generalizada em neurobiologia, bem como algumas direções possíveis que podem ser adotadas para a desenvolver, são também discutidos nesta revisão. Uma vez que a atividade das NSCs adultas, incluindo a sua atividade parácrina, piora com o envelhecimento e o estilo de vida individual, talvez as melhores abordagens possam passar por estratégias farmacológicas que visem a inibição do declínio destas células ao longo da vida.

Ano

2025-10-28T12:10:48Z

Creators

Santos, Matilde Marques dos

As superbactérias e a ameaça global da resistência a antibióticos

Este trabalho começa por explicitar a origem das bactérias, sendo que dá uma noção destas, assim como analisa a sua morfologia, estrutura, reprodução, crescimento e transferência de genes. Como meio de combate às bactérias surgem os antibióticos, pelo que é fundamental que a monografia aborde esta classe de medicamentos. Os antibióticos são substâncias químicas produzidas por organismos vivos e interferem nos processos metabólicos que inibem o crescimento, afetam a multiplicação ou matam micróbios, ajudando a combater as infeções. Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou uma lista de prioridades globais de bactérias resistentes a antibióticos, sendo que as denominou de superbactérias. As bactérias enunciadas nesta lista encontram-se classificadas em três grupos de acordo com a sua prioridade: crítica, alta e média. As espécies que têm necessidade crítica na inovação dos antibióticos são a Acinetobacter baumannii, a Pseudomonas aeruginosa e a Enterobacteriaceae. A Enterococcus faecium, a Helicobacter pylori, a Salmonella species, a Staphylococcus aureus, a Campylobacter species e a Neisseria gonorrhoeae têm alta prioridade na inovação de antibióticos clinicamente eficazes. Finalmente, as espécies que têm prioridade média na lista de preocupações da OMS são a Streptococcus pneumoniae, a Haemophilus influenzae e a Shigella species. Atualmente, estamos perante um elevado e inadequado consumo de antibióticos, o que origina uma adaptação por parte das bactérias. As superbactérias e a sua resistência aos antimicrobianos (RAM) representam um desafio significativo global, incluindo as vertentes da saúde e socioeconómica e a vertente ambiental, sendo que incide mais significativamente nos países em desenvolvimento e nos países em vias de desenvolvimento. A luta contra esta ameaça exige uma abordagem multifacetada, envolvendo governos, profissionais de saúde, indústria farmacêutica e a comunidade em geral. A implementação de medidas de prevenção e de resposta são fundamentais para preservar a eficácia dos antibióticos. Por outro lado, o papel do farmacêutico também é de extrema relevância, já que este é o último a entrar em contacto com os doentes, pelo que deve reforçar a informação previamente transmitida e alertar para os potenciais riscos da automedicação.

Ano

2025-10-28T12:28:46Z

Creators

Sá, Mariana Corrêa Henriques Baptista de

The upcycling life cycle for cosmetic products

Os cosméticos desempenham um papel importante no quotidiano das pessoas, com expressão nos cuidados pessoais e higiene e na satisfação de necessidades estéticas e culturais. Contribuem para o incremento da imagem e autoconfiança, impulsionando a sensação de bem-estar dos consumidores. Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente no desenvolvimento sustentável da indústria cosmética, partilhado por empresas de produção, laboratórios de investigação e desenvolvimento (I&D) e consumidores. Este interesse é alimentado pela crescente consciencialização dos consumidores para a importância de produtos amigos do ambiente, ao procurarem ativamente alternativas sustentáveis que contribuam para um estilo de vida mais saudável. Os desafios da sustentabilidade estão presentes em todas as fases do ciclo de vida de um produto cosmético. Obter uma compreensão abrangente de cada fase é essencial para desenvolver estratégias que promovam ativamente a sustentabilidade no setor. O upcycling tem vindo a ganhar popularidade na indústria cosmética, permitindo reutilizar subprodutos e minimizar o desperdício. Com o aumento da perceção dos consumidores em relação ao impacto ambiental e às origens dos produtos cosméticos, o upcycling emergiu como uma tendência proeminente. Uma das principais preocupações neste processo é garantir o fornecimento sustentável de ingredientes, com foco na gestão de resíduos e subprodutos gerados pelas indústrias agroalimentares. Estes subprodutos contêm frequentemente compostos bioativos valiosos que podem ser utilizados na indústria cosmética. O desenvolvimento de estratégias para valorizar estes compostos é vital para reduzir resíduos e maximizar recursos. Outras abordagens de sustentabilidade são exploradas nas fases subsequentes, incluindo estratégias para otimizar a produção, valorizar os resíduos de plástico, reduzir a pegada de carbono da indústria através de práticas inovadoras, como a captura de dióxido de carbono para a produção de combustível durante a fase de distribuição, e educar os consumidores sobre hábitos de consumo sustentáveis. Esta tese explora o conceito de sustentabilidade, em particular o papel do upcycling, na indústria cosmética no sentido da prossecução e alcance de objetivos ambientais, focando-se nas abordagens implementadas pelas empresas ao longo de todas as fases do ciclo de vida de um produto cosmético, bem como na adoção de novas estratégias que possam contribuir para melhorar o desempenho do setor.

Ano

2025-10-28T12:08:55Z

Creators

Silva, Ana Maria Sobral Gonçalves Tojinha da

A review on biosensors and their applications in therapeutic drug monitoring

Os biossensores são dispositivos com a capacidade de converter um estímulo biológico num sinal que será proporcional ao estímulo inicial. Quando aplicados à prática clínica podem ser utilizados para fins de diagnóstico e monitorização terapêutica por doseamento de moléculas de interesse. Este processo de doseamento é conseguido por um recetor que se liga à molécula de interesse, um transdutor que gera um sinal e uma componente de avaliação do sinal que fornece a leitura. Os biossensores, devido à facilidade de testagem, permitem um acompanhamento próximo do doente ao otimizar o tempo de resposta a alterações patológicas e promovem o estado de saúde do mesmo. Uma das principais metas é estabelecer-se como uma alternativa a procedimentos invasivos, demorados, dolorosos, que exigem profissionais treinados para a sua execução. Adicionalmente procura-se ainda a miniaturização destes dispositivos para que sejam facilmente integrados em dispositivos portáteis a ser utilizados pelo doente. Esta monografia pretende, através de uma revisão narrativa, demonstrar a aplicabilidade dos biossensores na monitorização terapêutica do medicamento e como podem ser integrados na prática clínica diária. A revisão está organizada em 7 capítulos. No primeiro é feita uma introdução aos biossensores. No segundo capítulo, descrevem-se os princípios de funcionamento dos biossensores ao nível da deteção de biomoléculas e produção e descodificação do sinal para obter a concentração do analito. Num terceiro capítulo são abordados os fluidos alternativos ao sangue e urina que, pela sua composição, acessibilidade e correlação com os analitos circulantes, mais se destacam neste tema, nomeadamente, o suor, a lágrima basal e a saliva. Posteriormente será aprofundado o conceito de monitorização da terapêutica de medicamentos e exemplificados casos de sucesso de vários grupos de investigação nesse âmbito com diferentes tipos de biossensores. Em seguida, são apresentados vários equipamentos já com integração de biossensores. Serão explorados os atuais desafios da utilização dos biossensores como a escassez de ensaios multiplex, o “biofouling”, a certificação da validade do método utilizado e a longevidade do biossensor. Em considerações finais verifica-se que é uma área com bastante desenvolvimento e potencial, sendo que futuramente cada vez mais estes dispositivos irão fazer parte dos cuidados de saúde ao doente.

Ano

2025-10-28T12:22:21Z

Creators

Batista, Gustavo Monteiro

Remuneração do estágio curricular do MICF : baseado nos estudos e discussão apresentados em diferentes países

Os estágios constituem uma forma de introdução ao mundo do trabalho e um modelo de aprendizagem que tem vindo a ver o seu crescimento rápido ao longo dos últimos 10 anos e tanto empresas como instituições de ensino tomam este formato como um sucesso e o incluem cada vez mais nos seus processos - as universidades já incluem os estágios no plano curricular dos cursos e os mesmos constituem um passo obrigatório para a conclusão da formação académica. Conforme os estágios se foram estabelecendo em Portugal a sua legislação foi sendo atualizada e ainda existem pontos que carecem de discussão. No caso dos estágios curriculares, não tendo estes uma orientação geral, cada instituição de ensino define o seu regulamento de estágio e as suas condições – quer em duração, ou em plano de objetivos, quer em orientação, ou remuneração, entre outros. O estágio curricular do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Lisboa é um estágio de 6 meses de duração, realizado no último semestre do plano formativo, que permite ao aluno passar pela farmácia comunitária e farmácia hospitalar. Este estágio de longa duração não permite aos alunos receber nenhuma remuneração. A remuneração dos estágios é um fator que não só compensa os estagiários pelo seu trabalho e melhora o seu empenho, mas também influencia outros pontos, como a possibilidade de ficar com uma posição fixa na empresa, no futuro, e a possibilidade de encontrar um emprego a curto prazo. A remuneração dos estagiários pode também constituir uma base para a remuneração salarial dos jovens trabalhadores que se estão a inserir no mundo profissional. Baseado na construção de modelos a partir de inquéritos realizados e na argumentação e discussão de vários investigadores, este documento permite juntar um conjunto de motivos que esclareçam a necessidade para a remuneração de estágios para estudantes em início de carreira, focando-se principalmente nos estágios curriculares. Baseia-se também na evidência de outros países que também identificam essa necessidade ou que começam a implementar esta condição.

Ano

2025-10-28T12:22:34Z

Creators

Antunes, Rita Farinha

Factores psiquiátricos e psicossociais na evolução clínica do doente submetido a transplante hepático : estudo longitudinal, prospectivo, observacional, analítico

A psiquiatria, integrando as equipas de transplantação, tem contribuído para uma criteriosa selecção dos doentes candidatos, num contexto social de indisponibilidade de orgãos e de custos elevadissimos inerentes a todo o processo. O objectivo principal desta tese foi verificar até que ponto os factores psiquiátricos e psicossociais aferidos no período pré-transplante determinam a evolução psiquiátrica e médica, a QV e a adesão no 12º mês pós-transplante, em doentes submetidos a transplante hepático. Como objectivos secundários, o projecto pretendeu: 1) Caracterizar do ponto de vista psiquiátrico e psicossocial e relativamente à QV os doentes submetidos a transplante hepático antes e depois da intervenção cirúrgica. 2) Verificar as diferenças na evolução das variáveis psiquiátricas, psicossociais e da QV entre os doentes submetidos a transplante (grupo de estudo) e aqueles que permanecem a aguardar o transplante (grupo de controlo). 3) Verificar as diferenças na evolução das variáveis psiquiátricas, psicossociais e da QV entre os dois grupos clínicos principais de doentes transplantados: com doença hepática e sem doença hepática (paramiloidose - PAF). 4) Verificar as diferenças na evolução das variáveis psiquiátricas, psicossociais e da QV entre os dois grupos clínicos principais de doentes hepáticos transplantados: com doença hepática alcoólica e sem doença hepática alcoólica (DHA). Foi recolhida uma amostra sequencial de doentes, com indicação para transplante hepático, que recorreram à consulta de hepatologia da Unidade de Transplantação do Hospital de Curry Cabral entre Janeiro de 2006 e Dezembro de 2007. Dos doentes avaliados no período pré-transplante, aqueles que foram transplantados passaram a constituir o grupo de estudo (n=62) enquanto os que permaneceram em espera, por motivos alheios a este estudo, corresponderam ao grupo de controlo (n=40). 18 Relativamente ao objectivo primário concluiu-se que: A ansiedade, a depressão e a QV (12º mês pós-transplante) eram determinadas pelos mecanismos de coping (MC) do período pré-transplante (associação directa para os MC adaptativos e inversa para os não adaptativos). Por outro lado estes MC eram determinados pela personalidade (neuroticismo). Com base nestes factos foi construído um modelo teórico pré-transplante-pós- -transplante da QV e saúde mental. Verificou-se também que os MC do pré-transplante se correlacionavam fortemente com os MC do período pós-transplante, facto que pode explicar a influência destes MC pré-transplante sobre a evolução pós-transplante. No que se refere aos modelos preditivos da evolução clínica pós-transplante, os factores psiquiátricos e psicossociais pré-transplante que co-determinavam a mortalidade eram o neuroticismo e o suporte social e o coping activo (CA) (pré-transplante) era co-determinante dos dias de internamento pós-transplante (a par da presença de insuficiência hepática significativa pré-transplante). Observou-se que o CA pré-transplante estava associado ao CA do período pós-transplante, facto que pode explicar a influência deste MC pré-transplante sobre a evolução clínica pós-transplante. Os únicos determinantes da adesão à medicação no 12º mês pós-transplante eram a adesão pré-transplante e a crença de controlo pessoal da doença pré-transplante. Relativamente aos objectivos secundários concluiu-se que: No momento da avaliação pré-transplante, 58% dos doentes preenchiam critérios de alguma perturbação psiquiátrica. Após 12 meses do transplante apenas 20,97% dos doentes transplantados cumpriam critérios para um diagnóstico psiquiátrico (valor inferior ao verificada para o grupo de controlo). A taxa de recaída de perturbações relacionadas com o uso de álcool foi, no grupo dos doentes com DHA transplantados, de 4,2%. Havia uma evolução favorável (desde o período pré-transplante até aos 12 meses após transplante) da maioria dos MC focados no problema e dos focados na emoção. Os scores de ansiedade e depressão sofriam uma redução significativa ao longo do primeiro ano após transplante hepático. Da mesma 19 forma também os scores das componentes física e mental da QV sofriam uma melhoria significativa. A adesão relativa à toma de medicação aumentou de forma estatisticamente significativa. Quer os scores de ansiedade e de depressão, quer aqueles da componente física e mental da QV não apresentavam diferenças estatisticamente significativas entre o grupo de estudo e o grupo de controlo no período pré-transplante. No 12º mês pós-transplante havia diferenças significativas para todas estas variáveis (padrão mais favorável no grupo de estudo). Quando comparados com um grupo de controlo de doentes não transplantados com PAF, nem a depressão, nem a ansiedade, nem a QV mental apresentavam scores mais favoráveis no grupo de doentes com PAF submetidos a transplante hepático. Ao longo do primeiro ano pós-transplante verificou-se que os doentes com PAF tinham uma evolução menos favorável em vários MC focados no problema (coping activo, desinvestimento comportamental) e focados na emoção (aceitação), quando comparados com os outros doentes transplantados. Havia uma melhoria significativa em todos parâmetros (ansiedade, depressão, componentes física e mental da QV) do grupo de estudo de doentes com DHA em relação ao subgrupo de controlo de doentes com DHA não transplantados. Ao longo do primeiro ano pós-transplante verificou-se que os doentes com DHA tinham uma evolução favorável em todos os principais MC.

Ano

2025-10-28T12:30:03Z

Creators

Correia, António Diogo de Albuquerque Leite Telles, 1976-

Financial scarcity and cognitive functioning: a meta-analysis

Whereas several studies find that financial scarcity has a detrimental impact on cognitive functioning, some studies find no relationship and others even report beneficial effects. To shed light on this issue we conducted a meta-analysis on the relationship between financial scarcity and cognitive functioning. We went beyond testing the direct relationship between these two concepts and looked at potential moderators, namely education, the moment of scarcity, the severity of scarcity, the type of tasks used to assess cognitive functioning, and the type of study. Our findings suggest that scarcity does have a detrimental effect on cognitive functioning. Across 256 effect sizes from 29 datasets involving 111,852 respondents, we found a detrimental total effect of scarcity on cognitive performance of Hedge’s g = -0.43. We then estimated a meta-regression model of the drivers of the effect of scarcity on cognition. Education strongly explained this relationship, reducing the effect size by 60% (partial effect of scarcity on cognitive performance is Hedge’s g = -0.15, when accounting for education), to a small effect size. The moment and the severity of scarcity also contribute to this relationship, by moderating the effect, such that lifetime and adulthood scarcity have a larger effect than childhood scarcity, and more extreme levels of scarcity lead to higher cognitive dysfunction. The type of task used to assess cognitive functioning did not moderate the effect. And when controlling for education, higher effect sizes were found for non-correlational designs. We discuss these findings and their implications in light of existing research and theories.

Ano

2025-10-28T12:12:39Z

Creators

de Almeida, Filipa Scott, Ian J Cassol Soro, Jerónimo Fernandes, Daniel Amaral, André Catarino, Mafalda Arêde, André Ferreira, Mário B.

What's next? Disentangling availability from representativeness using binary decision tasks

People's intuitive predictions under uncertainty may rely on the representativeness or on the availability heuristics (Tversky & Kahneman, 1974). However, the distinction between these two heuristics has never been clear, and both have been proposed to underlie the same judgment tasks. For instance, when judging what outcome is likely to be next in a coin flip after a streak, representativeness leads to predicting an alternation in the outcome, ending the streak (gambler's fallacy), whereas availability leads to predicting the streak's continuation. We propose that availability (direct use of accessibility) is computed earlier than representativeness (comparing to an abstract representation of the expected outcome). In five studies, we pit one heuristic against the other in binary prediction tasks, both in coin flip and athlete's performance contexts. We find that, although the streak outcome is cognitively more available, judgments are usually based on representativeness, leading more often to a prediction of an alternation after a streak. However, under time-pressure conditions, representativeness processes are constrained and participants are more prone to base their predictions on the most salient and cognitively available outcomes.

Ano

2025-10-28T12:12:26Z

Creators

Braga, João Ferreira, Mário B. Sherman, Steven J. Mata, André Jacinto, Sofia Ferreira, Marina

Response: Commentary: Seeing the conflict: An attentional account of reasoning errors

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:22:21Z

Creators

Mata, André Ferreira, Mário B.

Ad hoc categories and false memories: Memory illusions for categories created on-the-spot

Three experiments were designed to test whether experimentally created ad hoc associative networks evoke false memories. We used the DRM (Deese, Roediger, McDermott) paradigm with lists of ad hoc categories composed of exemplars aggregated toward specific goals (e.g., going for a picnic) that do not share any consistent set of features. Experiment 1 revealed considerable levels of false recognitions of critical words from ad hoc categories. False recognitions occurred even when the lists were presented without an organizing theme (i.e., the category’s label). Experiments 1 and 2 tested whether (a) the ease of identifying the categories’ themes, and (b) the lists’ backward associative strength could be driving the effect. List identifiability did not correlate with false recognition, and the effect remained even when backward associative strength was controlled for. Experiment 3 manipulated the distractor items in the recognition task to address the hypothesis that the salience of unrelated items could be facilitating the occurrence of the phenomenon. The effect remained when controlling for this source of facilitation. These results have implications for assumptions made by theories of false memories, namely the preexistence of associations in the activation-monitoring framework and the central role of gist extraction in fuzzy-trace theory, while providing evidence of the occurrence of false memories for more dynamic and context-dependent knowledge structures.

Ano

2025-10-28T12:14:15Z

Creators

Soro, Jerônimo C. Ferreira, Mário B. Semin, G. R. Mata, André Carneiro, Paula

Inferential costs of trait centrality in impression formation: Organization in memory and misremembering

An extension of the DRM paradigm was used to study the impact of central traits (Asch, 1946) in impression formation. Traits corresponding to the four clusters of the implicit theory of personality—intellectual, positive and negative; and social, positive and negative (Rosenberg et al., 1968)—were used to develop lists containing several traits of one cluster and one central trait prototypical of the opposite cluster. Participants engaging in impression formation relative to participants engaging in memorization not only produced higher levels of false memories corresponding to the same cluster of the list traits but, under response time pressure at retrieval, also produced more false memories of the cluster corresponding to the central trait. We argue that the importance of central traits stems from their ability to activate their corresponding semantic space within a specialized associative memory structure underlying the implicit theory of personality.

Ano

2025-10-28T12:25:54Z

Creators

Nunes, Ludmila D. Garcia-Marques, Leonel Ferreira, Mário B. Ramos, Tânia

Measuring teachers attitudes and intentions towards inclusion: Portuguese validation of Attitudes to Inclusion Scale (AIS) and Intention to Teach in Inclusive Classroom Scale (ITICS)

Successful implementation of inclusive practices depends on the extent of which school educators believe in this and are well prepared to implement include all learners. It is therefore relevant to study the variables that influence pedagogical practices of educators to teach in inclusive classrooms, namely attitudes and intentions regarding inclusion. This study was undertaken to test the psychometric validation of Attitudes Towards Inclusion Scale (AIS) and the Intention to Teach in an Inclusive Classroom Scale (ITICS) for Portugal. The sample comprised 171 teachers (86% female) in primary and secondary schools. The results confirmed the two-factor structure of the original versions of the AIS (beliefs and feelings) and ITICS (curriculum changes and consultation). Teachers with inclusion training had more positive attitudes and higher level of intentions than their colleagues without training in this area. We analysed the correlations between attitudes, intentions, and perceived efficacy relative to inclusive practices as an indicator of concurrent validity and found adequate indicators of internal consistency (ω = 0.70 to 0.94) and convergent and discriminant validity. Our analysis suggests that adding new items to ITICS can further enhance the psychometric properties of the scale. We discuss implications of our research for researchers, educators and policy makers.

Ano

2025-10-28T12:09:50Z

Creators

Laranjeira, Márcia Teixeira, Maria Odília Roberto, Magda Sofia Sharma, Umesh

Children's perceptions of teacher feedback: Portuguese validation of a scale

This research aims to validate the Portuguese version of the Teacher Feedback Scale (TFS) in a sample of 628 children from 3rd and 4th grade. Teacher feedback is a crucial factor in child development, with an impact in students' motivation and learning. It provides daily cognitive and emotional information about children’s academic performance and their abilities as learners. The results of exploratory factor analysis (EFA) and subsequent confirmatory factor analysis (CFA) indicated that the TFS consists of five subscales: praise, ability-effort in reading, ability-effort in maths, general negative feedback and specific negative feedback. The measure shows good reliability estimates and factor loadings were invariant across gender. Evidence of predictive validity is presented through gender differences and associations of feedback with children’ competence perceptions. The potential of the measure in educational settings and research is discussed.

Ano

2025-10-28T12:22:21Z

Creators

Laranjeira, Márcia Teixeira, Maria Odília

ISBE & Cochrane Portugal Newsletter nº 283: Rentabilidade da ecografia realizada após TC abdomino-pélvica sem achados agudos

Esta Newsletter (NL) resulta de uma parceria entre o Instituto de Saúde Baseada na Evidência e a Cochrane Portugal, e tem como objectivo disponibilizar informação sobre áreas importantes para a prática clínica, com base na melhor evidência científica disponível. São incluídos estudos relevantes, criticamente avaliados pela sua validade, importância dos resultados e aplicabilidade prática, resumidos numa óptica de suporte à decisão. É dada prioridade a estudos de causalidade incluindo-se ainda, quando justificado, estudos qualitativos e metodológicos, assim como revisões científicas. O conteúdo da NL é da exclusiva responsabilidade do(s) seu(s) autor(es).

Ano

2025-10-28T12:12:39Z

Creators

Lupi Manso, Nuno Carneiro, António Vaz Rachadell, Juan

Cross-cultural Study of the Personality Inventory for the DSM-5 (PID-5) across the Portuguese and the United Arab Emirates (UAE) Community and Clinical Populations

Aims: The present paper focused on compare the PID-5 mean score levels across two matched community and clinical samples of Portugal and the UAE. Background: The generalizability and universality of the Alternative Model of Personality Disorders has been thoroughly studied through the Personality Inventory for DSM-5 (PID-5) across countries and languages. However, studies comparing Western and Middle Eastern countries are still limited, in particular those who assess the PID-5 measurement invariance. Objectives: We examined measurement invariance of the PID-5 scales across matched Emirati and Portuguese clinical and nonclinical groups, as well as compare and contrast the PID-5 mean score levels across both countries and samples. Methods: The Arabic and the Portuguese versions of the PID-5 was administered to Emirati community participants (N = 300, 80% women and 20% men, Mage = 27.95) which were matched with Portuguese community participants (N = 300, 80.3% women and 19.7% men, Mage = 28.96), as well as clinical participants of the UAE (N = 150, 61.3% women and 38.7% men, Mage = 31.29) and Portugal (N = 150, 52% men and 48% women, Mage = 44.97). We examined measurement invariance through an unrestricted Factor Analysis based program, and mean scores levels were compared and analyzed. Results: Our findings supported the PID-5 measurement invariance across the Emirati and Portuguese clinical samples pointing to the universality and generalizability of the Alternative Model of Personality Disorders. The Emirati psychiatric sample exhibited somehow higher results than the Portuguese psychiatric participants, albeit the small effect size for most of the PID-5 scales. Conclusion: Further research is needed to examine the applicability of the PID-5 across non-clinical representative samples of Portugal and the UAE, and other Middle Eastern countries.

Ano

2025-10-28T12:10:18Z

Creators

Coelho, Olga Pires, Rute Ferreira, Ana Sousa Gonçalves, Bruno Alkhoori, Samia A. Sayed, Mohamed ElRasheed, Amany AlJassmi, Maryam Henriques-Calado, Joana Stocker, Joana

In light of the DSM-5 dimensional model of personality: Borderline personality disorder at the crossroads with the bipolar spectrum

Background. State-of-the-art research highlights that borderline personality disorder (PD) and bipolar spectrum disorders have clinical characteristics in common, which imply uncertainty in differential diagnoses. Although there is a growing body of literature on the DSM-5 dimensional model of personality disorder, its discriminative features between these clinical samples are still understudied. In this study, we seek to identify the best set of predictors that differentiate between borderline PD and bipolar spectrum, based on pathological and normative personality traits and symptoms. Methods. A cross-sectional study of three clinical samples: 1) Borderline PD group of 63 participants; 2) Major depressive disorder group of 89 participants; 3) Bipolar disorder group of 65 participants. Self-reported assessment: Personality Inventory for DSM-5; Brief Symptom Inventory; FFM Inventory. A series of one-way ANOVAs and logistic regression analyses were computed. Results. The major set of data emerging as common discriminants of borderline PD across the bipolar spectrum are unusual beliefs & experiences, paranoid ideation, obsession-compulsion and extraversion. Depressivity (OR: 34.95) and impulsivity (OR: 22.35) pathological traits displayed the greatest predictive values in the differential diagnosis. Limitations. The small size of the samples; a lack of data from participants’ previous clinical history. Conclusions. Findings support the DSM-5 pathological traits as differentiating borderline PD through bipolar spectrum, and reinforcing the joint use of symptom-related pathological functioning and normal-range personality traits. Alongside the bipolar spectrum, borderline pathology sheds light upon a hypothetical overlap along the depressive and schizoaffective/schizophrenia spectra, representing a borderland space at a crossroads with the psychopathology of a meta-spectrum.

Ano

2025-10-28T12:11:16Z

Creators

Henriques-Calado, Joana Gonçalves, Bruno Marques, Catarina Paulino, Marco Marques, João Gama Grácio, Jaime Pires, Rute