Repositório RCAAP
O DISTANCIAMENTO E O GESTUS SOCIAL EM “A VIDA DE GALILEU”: ELEMENTOS DESPERTADORES DA CONSCIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA
presente trabalho tem por objetivo verificar como o efeito de distanciamentoe, por extensão, o gestus social, conceitos teóricos estes próprios do teatro épico de Brecht, cumprem, no texto dramático brechtiniano, a função de conscientizar o interlocutor sobre a problemática das contradições de classe para que, posteriormente, esse mesmo interlocutor seja o agente capaz de transformaressa situação na realidade em que vive.
TEATRO ITINERANTE: ESPAÇO DA MEMÓRIA E DA CULTURA POPULARES — O TEATRO DE LONA SERELEPE
O presente trabalho constitui um estudo introdutório a respeito do teatro itinerante, seu desenvolvimento na civilização ocidental, dando-se ênfase a sua presença na cultura brasileira, em especial gaúcha, considerando-se, para tal, a história do Teatro Serelepe. Teatro cuja história inicia-se no interior paulista, em 1929, e acompanha as transformações vividas pela nossa sociedade, incluindo o período ditatorial, posterior a 1964 e que foi marcado pelo cerceamento da liberdade. Procura-se estabelecer relações entre o teatro itinerante e a conservação e a transmissão da memória popular do país para, ao final, salientar-se a importância daqueles saltimbancos que percorrem o nosso território e levam alegria à população mais humilde.
“UM SÁBADO EM 30”: MEMÓRIA E FICÇÃO
Neste ensaio, estudamos a peça Um sábado em 30, de Luiz Marinho, tendo como eixo a relação entre memória e ficção. A partir desse pressuposto, apontamos alguns elementos do processo criativo de Marinho e desvelamos significações várias da obra (de uma sociedade de “coronéis e arlequins” a uma “comédia do patriarcalismo”), mostrando seus procedimentos estéticos e sua ideologia.
A VIRADA CULTURAL E A CRISE DOS ESTUDOS LITERÁRIOS
Analisa-se a centralidade do conceito de cultura na sociedade pósmoderna e suas conseqüências para os estudos literários. Aponta-se o conflito entre estudos culturais e estudos literários e vindica-se um lócus singular à teoria literária, partindo da hipótese de que a categoria do estético é antes um espaço ambíguo capaz de suscitar contestações aos discursos hegemônicos do que uma manifestação do elitismo cultural.
ESTRUTURA PÓS-COLONIAL DE “QUARUP”, DE CALLADO
Este trabalho analisa Quarup (1967) de Antonio Callado. Consideradoum romance de êxodo reverso, segundo o modelo narrativo explorado por Euclides da Cunha, cujos viajantes partem da metrópole para averiguar os modos de existência do Brasil profundo, nos sertões ou nas reservas indígenas, Quarup é classificado como um romance de tese. Correlacionando várias correntes de pensamento, em ondas dialéticas de tese e antítese (getulismo, comunismo, indigenismo, folclorismo, sertanismo, europeísmo, cubanismo, etc.), Callado desenvolve uma narrativa apta a mostrar as tendências ideológicas que guiavam as comunidades nos conturbados anos do início da ditadura militar. Pretendemos mostrar que esse tipo de romance de tese, cujo entrelaçamento de correntes de pensamento diferenciados surge espelhando os impasses causados pela adoção de ideologias importadas, com caracteres colonialistas, muitas vezes, constitui o embrião do romance pós-colonial que politiza o estético no Brasil.
A MEDIAÇÃO LÍQUIDA DA NARRATIVA
O texto apresenta uma análise do livro As cidades invisíveis, de Italo Calvino, a partir do conceito de modernidade líquida, de Zygmunt Bauman, enfocando a questão da mediação da narrativa.
AUTOBIOGRAPHY: A VOICE TO THE SUBALTERN
Devido aos processos diaspóricos e as freqüentes mudanças em nosso mundo contemporâneo influenciadas pela globalização, sabemos que o sujeito antes tido como estável tornou-se extremamente fragmentado. Ao viver no mundo do “colonizador” esse sujeito tem que aprender a negociar entre seus costumes e origens e o novo mundo no qual está inserido. Embora o objetivo do colonizador seja apagar a identidade do colonizado impondo os seus costumes e silenciando-o, Stuart Hall e James Clifford afirmam que após o contato entre colonizadore colonizado sempre há modificações em ambas as partes quer queiram, quer não. Este trabalho defende a escrita autobiográfica como uma forma de dar voz ao colonizado e mostrar histórias que seriam ignoradas ou, caso mostradas pelo ponto de vista do colonizador, alteradas.
“O OUTRO PÉ DA SEREIA”: IDENTIDADE E ALTERIDADE NO ENCONTRO ENTRE CULTURAS
Analisar a identidade e o encontro entre culturas na obra de Mia Couto, em O outro pé da sereia, é o objetivo desse artigo. As culturas são divididas em duas expressões: uma que obedece a uma lógica mítica, primordial; e a outra que é estrangeira e letrada. São as diferenças culturais que sobressaem no romance que inicia com o enterro de uma estrela em um descampado de um lugarejo na África chamado Antigamente. Em países novos, recém-saídos de longos e violentos processos de emancipação, a literatura não poderia deixar de ser um dos locais privilegiados para essa discussão e para a representação das tensões entre a cultura do colonizador e dos povos colonizados.
REPRESENTAÇÃO DE UMA CULTURA MARGINAL EM “SOMBRAS”, DE SÉRGIO SANT’ANNA
Este artigo investiga a representação de uma cultura marginal em “Sombras”, de Sérgio Sant’Anna, enfatizando o fracasso ético, o eto discursivo e os modos e aspectos narrativos.
CHARLES SIMIC’S “THE WORLD DOESN’T END”: PROSE POEMS
Charles Simic saiu da Iugoslávia para os Estados Unidos aos dezesseis anos de idade. Desde os 21 é um autor e tradutor conceituado. Em 1990, ganhou o Pulitzer Prize for Poetry, pelo livro The World Doesn’t End. Este ano foi aclamado com o título de Poeta Laureado dos Estados Unidos. O objetivo deste artigo é analisar alguns dos poemas em prosa de Simic, no intuito de verificar de que maneira ele justapõe eventos históricos, imagens surreais, mitos e folclore para descrever sua experiência na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial.
“LAVOURA ARCAICA”, NIETZSCHE E O MITO DE DIONÍSIO
Este ensaio tenta estabelecer um diálogo entre o romance Lavoura arcaica,de Raduan Nassar, e o texto O nascimento da tragédia, de Friedrich Nietzsche,onde o filósofo se detém sobre e o mito de Dionísio. Damos prioridade às passagens do romance que são “regadas a vinho”, narradas por André, protagonista do romance e portador de uma sensibilidade dionisíaca, e às danças de Anna, que encarnam a essência báquica. André expressa sua sensibilidade em passagens verborrágicas e aparentemente caóticas e na subversão das idéias expressas nos sermões paternos. Ana, na segunda dança, atinge o ápice do dionisíaco, pelas vestes e adereços; pela sensualidade, pelas expressões e pelos movimentosaudaciosos, pela embriaguez. O dionisíaco é paradoxalmente eliminado, no final da narrativa, pela ira paterna, sentimento semelhante ao de Agave, ao assassinar seu filho Penteu, no mito de Dionísio.
2017
Reichmann, Brunilda T. Pellissari, Paulo Roberto
A EXPERIÊNCIA DO EXÍLIO EM MIGUEL TORGA
O tópico da emigração atravessa a literatura portuguesa desde o seunascedouro e chega à contemporaneidade pelas múltiplas vozes dos escritoreslusófonos disseminados pelo mundo. Miguel Torga, poeta, ficcionista e teatrólogoportuguês, filia-se a essa tradição, realizando uma obra que tematiza a terra,a saudade e a simplicidade do homem do campo. A condição de exilado, experiência vivida pelo próprio autor, surge na obra de Torga em imagens representativas da vocação telúrica do lusitano.
QUEDA E ASCENSÃO DE AUGUSTO MATRAGA
Este ensaio analisa o conto “A hora e vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa, sob a perspectiva da trajetória existencial do protagonista. Busca-se o sentido etimológico da palavra Matraga, o qual é relacionado com a conduta e o caráter da personagem, no contexto regional de que emerge. O estudo apóia-se em dados históricos sobre o coronelismo e o cangaço brasileiro.
THE CONCEPTION OF TIME IN SHAKESPEARE’S SONNETS
Time is the main theme in twenty-two of William Shakespeare’s 126 sonnets dedicated to the Fair Youth, although its presence can be felt throughout the entire sequence. This article will investigate how the bard’s concern with Time may have been influenced by the thought of his age, and will analyse some of these twenty-two sonnets in which Time is a main issue.
Editorial
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ENTRE EL CANON DE LA LITERATURA OCCIDENTAL Y LAS TRADICIONES NARRATIVAS SUBALTERNAS: TENSIONES Y SOLU-CIONES EN LA RECEPCIÓN DE LA NOVELA DEL CARIBE COLOMBIANO
A propósito de quatro romances de três escritores do Caribe colom-biano – Manuel Zapata Olivella, Gabriel García Márquez y Germán Espino-sa –, o presente artigo busca colocar em xeque uma teoria sobre a relação entre literatura e oralidade. Pretende-se mostrar que esta teoria, como toda teoria, pode, não obstante suas vantagens, contribuir para perpetuar frontei-ras e hieraquias canônicas que historicamente têm vivido em harmonia com as ideologias hegemônicas da ciudade letrada.
NARRADOR SILENCIOSO? UMA LEITURA DE PEPETELA SOB A ÓPTICA DO DISCURSO DE MICHEL FOUCAULT
objetivo deste artigo é discutir o silenciamento e o silêncio da voz narrativa em A gloriosa família, do escritor angolano Pepetela – pseudônimo de Arthur Carlos Maurício Pestana dos Santos – (1999). Inspirado em Fou-cault, proponho-me a tratar alguns enunciados da obra, a partir do seu pen-samento sobre a noção de discurso e poder, buscando a multiplicidade de acontecimentos que operam nos jogos entre o real e o ficcional; entre o fato histórico e a suas versões imersas nas práticas sociais. A idéia é articular o foco narrativo em seu duplo movimento: ora silenciado, ora em afasia, den-tro de um contexto cujas relações de poder buscam ecos na escrita do filóso-fo francês.
REPRESENTATION OF DEATH IN EDGAR ALLAN POE AND EMILY DICKINSON
Este artigo reflete sobre a representação do tema da morte nas obras de dois escritores norte americano; o Edgar Allan Poe e Emily Dickinson. Como instrumento de pesquisa e apoio teórico buscamos a teoria com-parada e estudo temático. Para ser justo na nossa comparação com Emily Dickinson, que nunca entro no mundo de ficção e ficou escrevendo só po-emas, tentamos não entrar no mundo de ficção de Edgar Allan Poe e limitar a discussão só para os poemas dele. O argumento principal neste trabalho se constrói ao redor a idéia que apesar de ambos os poetas ser obcecados com a morte, como a constante presença da morte nos trabalhos deles prova. Percebemos que a maneira no qual eles apresenta a morte é bem diferente.
A REPRESENTAÇÃO DA MODERNIDADE NA POESIA DE CHARLES BAUDELAIRE
O presente artigo aborda a poesia de Charles Baudelaire, a partir da maneira como o poeta representa o tema da Modernidade, em As flores do mal. Baudelaire retrata esse tema principalmente através da imagem da cida-de, bem como de objetos urbanos. O artigo divide-se em duas partes. Inici-almente, discute-se a maneira como a crítica literária tem compreendido a vinculação da poesia baudelairiana com o tema da Modernidade. Nessa se-ção, são apresentados os principais conceitos a partir dos quais é possível compreender como Baudelaire concebia as transformações sociais e históri-cas de sua época, especialmente o spleen, o erotismo e o satanismo. Na se-gunda parte, esses problemas passam a ser abordados a partir dos Quadros parisienses, em As flores do mal, analisando-se, em profundidade, o poema Paysage.
WOYZECK E O BRASIL: TRILHANDO SUA RECEPÇÃO
Este trabalho apresenta um estudo introdutório sobre a recepção brasileira à obra teatral inacabada Woyzeck do dramaturgo alemão Georg Bü-chner, almejando obter um painel histórico das diferentes leituras desta peça no Brasil, a partir de algumas de suas encenações e dos ensaios produzidos por críticos e germanistas.