Repositório RCAAP
As livrarias de Caxias do Sul (RS) e a concorrência das vendas através da internet
Este artigo tem como objetivo investigar se a venda de livros através da internet diminuiu a procura pelo produto nas livrarias de rua em Caxias do Sul (RS). Além disso, investiga em que medida os livreiros estão se adaptando à expansão das vendas no formato digital, como os e-books. Para tanto, inicialmente, realizou-se uma revisão histórica sobre os formatos do livro e sua comercialização ao longo do tempo, tomando como base Escarpit (1976), Chartier (1998), Mello (2002), Moraes (2006) e Darnton (2010). Em seguida, aplicou-se um pequeno questionário a livreiros de dez estabelecimentos localizados no centro da cidade, cujos resultados, após a análise, são trazidas a público neste trabalho.
2018
Armiliato, Tales Giovani Arendt, João Claudio
CONFLITOS IDENTITÁRIOS DO SUJEITO PÓS-MODERNO EM O HOMEM DUPLICADO
RESUMO: No presente estudo, apresentaremos alguns reflexos da pós-modernidade na arte literária portuguesa, destacando a crise identitária do sujeito. Para tal, será aludido como exemplo a narrativa ficcional de José Saramago O homem duplicado (2002), trama esta, em que o autor se debruça sobre a qualidade de vida e a situação do homem contemporâneo: imerso em uma crise de identidade, quando depara-se com outras identidades incompatíveis com a sua. Para a concretização do trabalho, lançaremos mão dos estudos de teóricos que discorrem sobre assuntos presentes na pós-modernidade como: Zygmunt Bauman (2005) e Anthony Giddens (2002). O âmbito crítico da escrita saramaguiana receberá apoio da obra da estudiosa Ana Paula Arnaut (2008), como também de Carlos Reis (2008), que auxiliarão na visão da perspectiva singular dos temas abordados pelo escritor. Desse modo, O homem duplicado, nos levará a uma reflexão crítica no que diz respeito a questão identitária: que o encontro do sujeito na busca de si perpassa pelo encontro com o outro. Palavras-chave: Literatura Portuguesa. José Saramago. O homem duplicado. Crise de identidade.
2018
Cabral, Thaíla Moura Valverde, Tércia Costa
Retratos de mulheres na colonização canadense: The King’s Daughter ([1974] 2011), de Suzanne Martel – uma releitura crítica do passado colonial
A narrativa híbrida, de história e ficção, The King’s Daughter (2011), da canadense Suzanne Martel, aborda, como tema principal, o fato histórico da vinda de algumas órfãs francesas para a Nova França, o atual Canadá, durante o século XVII. Essas mulheres que deixavam a sua terra natal – no contexto histórico – tinham por obrigação casar-se com colonizadores franceses e gerar filhos desses, ou até mesmo criar os que já eram existentes de um primeiro casamento. Na releitura ficcional do passado, a diegese do romance coloca em evidência os discursos da personagem-protagonista, a órfã Jeanne Chatel, e também apresenta figuras secundárias, como a órfã Marie du Voyer e outras, por meio de um narrador heterodiegético. Nessa perspectiva, descreve-se a difícil viagem marítima e os primeiros anos de adaptação das órfãs nas florestas canadenses, junto a seus maridos e filhos. Uma vez que essas personagens, configuradas como as órfãs francesas do século XVII, passavam a residir no novo território em desenvolvimento, do mesmo modo que na história, elas não podiam regressar à Europa e tinham consciência de que ali passariam o resto de suas vidas. Com base nesse contexto histórico e sua releitura ficcional, esse artigo tem o propósito de analisar a configuração dessas personagens femininas retratadas como órfãs francesas, conhecidas, historicamente, como “The King’s Daughters”. Ao efetuarmos tal leitura, objetivamos, também, evidenciar que essa obra se configura, pela forma como relê criticamente o passado, dentro da mais recente modalidade desse gênero híbrido: o romance histórico contemporâneo de mediação. Teóricos como Sharpe (1992), Runyan (2010), Fleck (2007; 2017), Zug (2016), entre outros, servem de subsídios à proposta apresentada.
Aprendizagem da leitura: preditores emergentes na pré-escola
A criança começa a desenvolver habilidades leitoras e de escrita antes do processo de alfabetização promovido pela escola. Compreender essa aprendizagem precedente e a sua evolução possibilita, entre outras coisas, identificar - na pré-escola - que habilidades são capazes de predizer o desempenho futuro. Dessa forma, através do presente ensaio propõe-se apontar algumas estratégias que pais e professores de Pré-Escola podem utilizar a fim de favorecer a aprendizagem inicial da leitura, prestando-se tais estratégias a servir de andaimes para o desempenho proficiente em leitura e escrita posterior. Para tanto se faz uma revisão da literatura pertinente ao tema, sobretudo, em neurociências e a ela se reúne a experiência docente da pesquisadora proponente do tema focalizado.
2019
Landim, Márcia Regina Melchior Flôres, Onici Claro
Variação nós/a gente no sertão alagoano: restrição e avaliação
Tendo em vista que a língua é caracterizada por uma heterogeneidade ordenada e que as formas linguísticas variantes comportam, além de significados referenciais, significados sociais, analisamos a variação nós e a gente na função sintática de sujeito no sertão alagoano, tomando por base os problemas de restrição e avaliação linguísticas. Para tanto, recorremos ao aporte teórico-metodológico da Teoria da Variação Linguística (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 1972) e ao banco de dados do Projeto Lusa. Nossos resultados não só mostram que a gente é a variante preferida, com a variação nós/a gente na função sintática de sujeito sendo condicionada pelas variáveis marca morfêmica, paralelismo formal e escolaridade, como também que não há estigma para o uso da variante inovadora na comunidade em estudo, com a forma a gente apresentando uma avaliação neutra.
2019
Feitosa, Jailma Gonçalves Vitório, Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar
Variações de gradação na reinstanciação da atitude em textos ficcionais traduzidos
O objetivo deste estudo foi investigar variações na gradação dos valores atitudinais (MARTIN; WHITE, 2005) em duas narrativas traduzidas. Adotou-se a perspectiva semântico-discursiva da estrutura genérica dos textos (MARTIN, 1992; MARTIN; ROSE, 2003, 2008) juntamente com a perspectiva de tradução como reinstanciação do texto-fonte (SOUZA, 2010). As narrativas selecionadas para este estudo foram Things Fall Apart (1994[1958]) e Arrow of God (1989[1964]), ambas escritas por Chinua Achebe. Suas reinstanciações em português brasileiro são O mundo se despedaça (2009[1983]) e A flecha de Deus (2011), pela tradutora Vera Queiroz da Costa e Silva. De cada narrativa, foram selecionados três conjuntos de fases discursivas de diferentes estágios discursivos. Para cada conjunto de fases do texto-fonte, selecionou-se o conjunto de fases equivalente nos textos traduzidos. Os procedimentos de análise foram divididos em duas etapas. Na primeira, os recursos que realizam gradação nos textos-fonte e textos traduzidos foram identificados e classificados de acordo com seu tipo e grau de intensificação ou prototipicidade. Na segunda etapa, as análises dos textos-fonte e traduzidos foram contrastadas para identificação de variações no acoplamento e/ou na calibragem da gradação dos valores atitudinais reinstanciados. Os resultados mostram que os textos traduzidos são menos graduados do que os textos-fonte, principalmente em relação aos valores de julgamento. Essa diminuição ocorre tanto pelo não acoplamento de recursos de gradação na reinstanciação de determinados valores quanto pelo menor grau de calibragem da gradação nas escolhas lexicais.
Do ensino de gramática à análise linguístico-visual: uma reflexão acerca de atividades com textos multimodais em livros didáticos do ensino médio
linguística em textos multimodais (que, para adequação ao objeto, propõe-se a nomenclatura análise linguístico-visual). Essa prática, segundo a literatura, deve subsidiar as aulas língua materna e ocorrer em atividades de leitura e/ou escrita de textos, em substituição a um ensino centrado apenas na gramática tradicional. Para o estudo, foram realizadas pesquisas de caráter documental (documentos oficiais de ensino) e bibliográfico (BAKHTIN, 2006; MENDONÇA, 2006; DIONÍSIO 2011, 2014). Em seguida, a partir da literatura, efetivou-se um trabalho analítico-comparativo dos materiais didáticos. Os resultados confirmam que há um privilégio da exploração dos aspectos verbais em detrimento dos não-verbais, embora um dos dois manuais didáticos tenha apresentado importante parcela de textos em que há exploração de ambos os aspectos. Propõe-se, para a categorização do corpus, a formação de quatro categorias de análise: 1) texto como pretexto; 2) texto em que apenas os aspectos verbais são explorados; 3) texto em que os aspectos verbais e apenas alguns/poucos não-verbais são explorados; e 4) texto em que os aspectos verbais e não-verbais são explorados.
2019
Rutiquewiski, Andreia de Fátima Silva, Luciana Pereira Prado, Aneliana da Silva
O sermão expositivo religioso enquanto gênero do discurso: uma abordagem linguístico-dialógico-discursiva
O presente artigo se propõe a delimitar como objeto de estudo o gênero sermão expositivo em sua densidade enunciativa e discursiva adstritas ao discurso religioso. Objetiva compreender como os enunciados estão vinculados à apresentação de uma nova possibilidade de perspectiva autoral, ao observar como esta se concretiza em situações sociocomunicativas orais do uso da língua, como é o caso do gênero exposição oral. A base teórica consiste na perspectiva da abordagem da Análise Dialógica do Discurso, formulada por Bakhtin e o Círculo, assim como seus interlocutores no cenário das pesquisas desenvolvidas no Brasil e que se propaga na produção dos grupos de pesquisadores brasileiros, dentre eles, Francelino, Santana e Fiorin assim como a partir de propostas feitas por Lachler e Silva quanto ao discurso religioso. A metodologia se concentra na proposta da exposição oral do sujeito enquanto autor e responsável pelo seu discurso enunciativo, na constituição das suas enunciações por meio da interação (a partir dos discursos do outro). Assim demonstra-se a importância de se trabalhar com o Sermão enquanto gênero discursivo a partir de um sujeito responsivo ativo, quando este considera e valora os discursos de outrem.
Julio Cortázar: de pontes e duplos. Uma alegoria da tradução
Em quase toda a obra de Julio Cortázar percebe-se uma particularidade: o duplo. Paris x Buenos Aires, o rio de La Plata x o rio Sena, as pontes, um lado e outro das margens dos rios e do oceano que separam lugares de vivência do autor e que se tornam as chamadas “dos orillas”. O duplo, em Cortázar, adota diversas manifestações – espelhos, reflexos, imagens, visões – e o tema do desdobramento deriva de vivências do autor. O duplo, figura central de nossas reflexões, temática presente nos estudos literários e nas abordagens psicanalíticas rankianas, freudianas e lacanianas, pode ser aplicado ao ato tradutório, na medida em que muitos esperam do texto traduzido a construção de uma imagem apenas especular, esquecendo “o duplo” que todo ser (texto) carrega na sua essência mais profunda: um duplo que precede. Outros, no entanto entendem a tradução como ponte entre línguas e linguagens: de um ser para um outro, de uma margem para a outra, de um texto de partida (o ‘original’) para o seu texto duplo, o texto traduzido. A analogia ‛ser-texto’ nos abrirá as portas para esse jogo da amarelinha onde a primeira pedra será jogada a partir do texto de partida, para vivenciar a “angústia” na passagem, mímese, identificação e repulsa diante do outro – o duplo – na tentativa de atingir o Céu: o texto de chegada.
Aspectos da argumentação e da recategorização metafórica no gênero sermão oral
Os estudos da referenciação apresentam uma nova proposta teórica de analisar como um mesmo objeto de discurso (referente) é representado na mente dos interlocutores por meio de um texto. Essa representação é de ordem sociocognitiva e, por isso, requer um conhecimento de mecanismos cognitivos adquiridos e construídos nas relações sociais. Diante disso, esse trabalho objetiva realizar uma análise acerca da argumentação e da recategorização metafórica no gênero Sermão oral, procurando compreender como um mesmo referente, construto fundamental para a produção dos sentidos, evolui durante o texto oral. Por argumentação, compreendem-se as tentativas de convencer e persuadir o outro no plano das emoções; por recategorização, entende-se um contínuo processo cognitivo-discursivo de transformação dos referentes ao longo de um texto oral ou escrito; por Sermão oral, entende-se um discurso religioso, que tem como objetivo persuadir os ouvintes a respeito de uma determinada ideologia. O trabalho apoia-se nos pressupostos da Linguística Textual, numa vertente sociocognitivo-discursiva, que trata o texto como um processo de múltiplas faces. Por isso, embasa-se nos referenciais teóricos de Custódio Filho (2011, 2012, 2017), Cavalcante, Custódio Filho e Brito (2014), Fiorin (2017), Marcuschi (2008), Mondada e Dubois (1995), Koch (2004, 2017), Lima (2007), Silva (2013), entre outros. Para realizar as análises, optou-se por um Sermão oral, a fim de identificar os usos dos argumentos, além de verificar como um mesmo referente é apresentado e recategorizado metaforicamente durante a celebração religiosa cristã. O foco da análise é o domínio religioso cristão, mais precisamente, um Sermão oral, proferido por um informante de uma denominação cristã, localizada no agreste alagoano. As análises puderam evidenciar que um mesmo referente sofreu transformações ao decorrer da argumentação. Além disso, percebeu-se que a recategorização metafórica, enquanto construção dinâmica apresentou-se no plano do discurso de maneira crescente e decrescente para a construção do sentido.
2019
Da Rocha, Max Silva Oliveira Santos, Maria Francisca
A Sociolinguística Educacional na formação do professor: crenças e atitudes linguísticas de acadêmicos de Letras
Os documentos oficiais de ensino, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN/1998), orientam que o ensino de língua portuguesa nas salas de aula deve levar em consideração a abordagem da variação linguística juntamente com o ensino da gramática normativa. Desse modo, é necessário que os professores de Língua Portuguesa (LP) tenham consciência da diversidade da nossa língua e conheçam a realidade linguística dos seus alunos, para não possibilitar a eles apenas o conhecimento da norma padrão. Diante disso, com base em estudos teórico-metodológicos de Bortoni-Ricardo (2004, 2005), Cyranka (2007, 2014, 2015, 2016), Coelho et al (2010, 2015), Faraco (2008, 2015), Lambert e Lambert (1972), Gómez Molina (1987), Santos (1996), entre outros, neste artigo, apresentamos as crenças e atitudes linguísticas de acadêmicos que ingressam nos cursos de Letras sobre a visão do ensino de Língua Portuguesa, sobretudo, no que diz respeito à abordagem da variação linguística nas aulas de LP, com base na pesquisa de doutorado de Pinto (2018), cuja tese defendida é a de que, na formação inicial do docente de Letras, além do conhecimento teórico-científico e metodológico sobre e como lidar com a variação linguística no contexto escolar, é preciso que os professores sejam mediadores na construção da consciência linguística desses futuros docentes.
2019
Ribeiro, Thiago Leonardo Ramos Pinto, Vera Maria
Entre o bas-fond e o high-life: a sexualidade fronteiriça das personagens de João do Rio
Este artigo tem por objetivo uma abordagem acerca da transgressão sexual como tema recorrente em alguns contos de Dentro da noite, de João do Rio. Ambientados no Rio de Janeiro da primeira década do século XX, ocasião em que ocorre a reurbanização da cidade, configurando uma espécie de belle époque de feição tropical, os contos abordados evidenciam o surto de desenvolvimento em meio às contradições referentes ao atraso social e à dependência econômica que situa o país na periferia do capitalismo. Em vista disso, a condição implícita nos temas que aborda diz respeito às transgressões inerentes ao corpo, referendando um dandismo de superfície que serve para aprofundar os conflitos da modernização excludente que não contempla o conjunto da sociedade, sendo responsável pelo abismo social que se se pode observar.
Por uma didática de leitura e produção textual: uma proposta de ensino com o gênero Relato Pessoal
Este artigo discute a importância e a necessidade do trabalho com gêneros textuais na escola. Mais especificamente, traz uma sugestão de ensino que contempla os eixos de leitura e produção textual com o gênero relato pessoal “Banhos de Mar”, de Clarice Lispector, pensada como proposta de intervenção para alunos de 6º ano do ensino fundamental de uma escola estadual pública da cidade de Parnaíba-PI. Como questões norteadoras temos: “Como ensinar os alunos a produzirem um determinado gênero textual?”; “O que significa tomar o gênero textual como objeto de ensino?” O objetivo central deste artigo é apresentar uma sequência didática com o gênero relato pessoal, como material didático pensado para ampliar a competência dos alunos em leitura e produção textual. Objetiva-se, ainda, refletir sobre a natureza processual da escrita e estimular a didatização das práticas de produção textual. Para fundamentar este trabalho e alcançar os objetivos propostos, recorremos, principalmente, a Bakhtin(2011), aos PCN(BRASIL,1998), à BNCC(BRASIL, 2017), a Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), a Lopes-Rossi (2006), a Marcuschi (2008), a Passarelli(2012), entre outros. Com a discussão estabelecida nesse texto, esperamos munir os professores de conhecimentos teóricos e atividades práticas sobre as questões analisadas a fim de que conduzam as atividades de leitura e produção textual de forma didatizada.Palavras-chave: Leitura. Produção Textual. Relato Pessoal. Sequência Didática
2019
Fontenele, Oscarina de Castro Silva Magalhães Neto, Pedro Rodrigues
A fome e outras mazelas vividas no romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo
RESUMO: O presente artigo pretende refletir a severa denúncia de exclusão social vivenciado, principalmente, pelos negros ou afro-brasileiros dos grandes centros. Para tanto, consideramos o romance Ponciá Vicêncio (2003), de Conceição Evaristo, visto que no romance em questão a autora aponta a fome, a depressão e a melancolia como consequências da opressão social.Palavras-chave: Fome; Depressão; Denúncia Social.
“O que é que Tucano tem?” – a memória discursiva no vídeo “Fazenda Kaikai”
A Análise de Discurso Francesa se interessa por compreender a práxis simbólica, a linguagem como prática de sentidos. Sentido é história e é nesta/por esta que o sujeito do discurso se constitui. Assim, este artigo objetiva analisar, baseado na Análise de Discurso filiada a Pêcheux, o papel da memória discursiva enquanto efeito de sentido no discurso do vídeo “Fazenda Kaikai”, do canal “Bora?”, e como os discursos se movimentam para significar a cidade de Tucano. Esta pesquisa faz parte da dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens (UNEB), na linha de pesquisa Linguagens, Discurso e Sociedade. O corpus selecionado é o vídeo “Fazenda Kaikai”, o qual trata da história da cidade de Tucano, publicado na plataforma YouTube. A pesquisa teve como base teórica os textos basilares de Pêcheux e Orlandi, principalmente, e a metodologia utilizada foi de natureza descritivo-interpretativa. Os resultados da análise permitiram observar os efeitos de sentidos constituídos pela memória por meio da paráfrase, polissemia, não-dito, esquecimentos e deslizamentos, além do jogo imaginário no qual se estabelecem as posições dos sujeitos do discurso, uma vez que ao dizer, o sujeito tem a ilusão de que é a origem desse dizer, mas, na verdade, ele é um efeito do simbólico, interpelado pela ideologia, inscrito em uma memória discursiva.Palavras-chave: Análise de Discurso Francesa. Memória Discursiva. Interdiscurso. Intradiscurso. Tucano-BA.
2019
Simões Macedo, Raíne Nazareno Telles Sobral, Gilberto
Ensino de adverbiais modalizadores em perspectiva discursivo-textual
Este artigo visa a colaborar para as reflexões sobre o ensino de adverbiais modalizadores à luz de uma abordagem que envolve a Linguística do Texto (KOCH, 2003, 2014) e o Funcionalismo norte-americano (GIVÓN, 1990; 1995; TRAUGOTT, DASHER, 2005). Analisamos o tratamento dado ao tema em quatro coleções de livros didáticos de Ensino Médio aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático de 2015, observando se os manuais tratam esses elementos como articuladores textuais argumentativos e a partir de seus efeitos de sentido. Percebemos que os adverbiais modalizadores quase não são citados nesses manuais didáticos e geralmente os efeitos de sentido construídos nos gêneros textuais em que aparecem não são trabalhados. Além dessa análise, elaboramos algumas sugestões de abordagem diante das lacunas encontradas nos livros e no confronto com o uso real desses elementos, a partir do trabalho de Castanheira (2017).
O poema lírico: entre rupturas e permanências
O poema, diante da tradição e das vanguardas literárias, extraiu os elementos necessários para manter-se “vivo” até os dias atuais. Esta sobrevivência evidencia que a ação de transformar a poesia não dominou apenas o período moderno assinalado por Hugo Friedrich (1978), mas sim, avançou para a poesia posterior, a contemporânea. Neste cenário, a poetisa baiana Ângela Vilma inclui-se em uma investigação que, em alguma medida, recupera a tensão entre o “velho” e o “novo”. Essa relação diz respeito aos modos de produção e publicação da poesia lírica no mercado editorial, visto que, na contemporaneidade, este circuito foi alterado pela inserção das novas tecnologias como o blog. A fim de desenvolver a discussão proposta faz-se necessário recorrer teorizações anteriores desenvolvidas por alguns pesquisadores como Walter Benjamim (1989), Salete Cara (1989), Karl Erik Schollhammer (2009), Octavio Paz (2012), Marjorie Perloff (2013) entre outros.
2018
de Freitas, Naiana Pereira Vieira, Nancy Rita Ferreira
A implementação de a gente não sujeito no sertão alagoano
No presente estudo, interessamo-nos em estudar a implementação de a gente nas funções de não sujeito na fala de sertanejos alagoanos. Assim, observamos a alternância entre nós e a gente pronomes, levando em consideração as funções de acusativo, dativo, (oblíquo) complemento e (oblíquo) adjunto. Ainda, procuramos saber qual a frequência de uso de cada forma, quais fatores sociais e/ou linguísticos condicionam o uso da variável e, por fim, questionar se estamos diante de uma variação estável ou uma mudança em curso. Baseado nisso, o presente trabalho leva em consideração o que é proposto pela Teoria da Variação e Mudança Linguística (LABOV, 2008), associados aos estudos de Lopes (2002, 2004), Ramos, Bezerra & Rocha (2009), Vianna & Lopes (2012, 2013), Vitório (2017). Os dados analisados foram extraídos a partir do banco de dados do Projeto A Língua Usada no Sertão Alagoano (LUSA) e rodados no programa computacional GoldVarb X. Após a análise dos dados, concluímos que, embora haja a variação pronominal nas funções estudadas, o pronome conservador encontra-se com um maior índice de realização, havendo pouca realização do a gente e que essa variação é condicionada apenas por fatores internos, além de apresentar uma variação estável.
2019
Silva, José Manoel Siqueira da Vitório, Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar
O uso variável dos clíticos acusativos para referenciar o interlocutor
Este trabalho traz uma análise sobre o uso variável das formas clíticas te e lhe como estratégias de referência à segunda pessoa do singular, no Português do Brasil (PB) e, para tal, respaldou-se em dados de fala oral, coletados do município baiano de Feira de Santana, no interior do estado. Dentre os resultados, destacam-se os grupos de fatores faixa etária e escolaridade, sendo os falantes a partir de 65 anos (faixa III) os que mais fazem uso do clítico lhe para referenciarem o interlocutor. A escolaridade dos informantes confirma a hipótese de que os falantes com menor escolaridade fazem maior uso do clítico em sua forma não canônica, referenciando a segunda pessoa. Dessa maneira, este estudo agrega dados sobre a investigação de lhe como objeto direto de segunda pessoa em Feira de Santana, assim como em outras variedades do PB.
O discurso educacional e a propagação de (pre) conceitos
A responsabilidade do professor de educação infantil e das séries iniciais é decisiva para toda a carreira acadêmica da criança e para a formação da sua cidadania, claro que os pais têm maior responsabilidade nesse processo, porém não é possível ignorar a ação dos professores nesse ínterim, mas quanto a isso, seria necessário um outro espaço para essa discussão. Deste modo, o objetivo desta comunicação é promover um debate acerca dos discursos educacionais como formador de conceitos a partir de dois textos literários, a saber “A menina Vitória”, de 1965, escrito pelo angolano Arnaldo Santos, e “A menina do lápis de cor”, de Silvana Martins. Como base teórica, a justificativa se dá pela aplicação das leis 10,639, de 2003, e à 11.645, de 2008, e pelas questões de linguagem trabalhadas por Kabengele Munanga (2005-2006), Maria Antonieta Alba Celani (2005) e Ruth Amossy (2005).