Repositório RCAAP

Towards an improved representation of the urban climate: An Application of Artificial Intelligence

Cities are considered local “hotspots” of climate change. Urban areas concentrate a large fraction of global population, wealth, and emissions, exposing their inhabitants to climate change impacts. Therefore, the improvement of urban present climate description and future projections are paramount for designing adaptation and mitigation strategies. The Global Climate Models (GCMs) are state-of-theart tools for projecting future climate. However, most of the simulations have coarse resolutions and do not have physical urban parametrisations to adequately represent the physical properties and processes at the urban scale. The advantage of applying a machine learning approach (XGBoost) is explored for better describing Madrid’s urban climate. Namely, the ability to reproduce present and future climates: 2-m air temperature; surface temperature; urban heat island and surface urban heat island effects. The XGBoost is evaluated at monthly and daily scales for local ground temperatures and, also at hourly scale, to represent the spatial structure of land surface temperature w.r.t. remote sensing data. Firstly, for present climate, XGBoost is trained with a set of ERA5 predictors (0.25º), ground stations, and Land Surface Temperature (LST) observations. Secondly, a number of sensitivity cases are performed to assess the results dependency to predictors and their resolution. Thirdly, the learned relationships between the set of predictors and predictands, is applied to ESGCM predictors, providing historical and future climate projections for the 21st century under four emission scenarios. Overall, XGBoost results reveal a good performance and significant added value against ERA5 and the ESGCM. XGBoost greatly improves the reproduction of the present climate Tmax, Tmin, LST, and more importantly, the UHI (-0.5ºC and +3ºC for Tmax and Tmin), and the SUHI (+1ºC and +2ºC for Tmax and Tmin). For future climate, the XGBoost significantly corrects the ESGCM UHI misrepresentation but seems to underestimate the expected Madrid’s local warming (3.5ºC anomaly).

Ano

2023

Creators

Bushenkova, Angelina Vladimirovna

Alterações hematológicas das doenças autoimunes

As doenças autoimunes são caracterizadas pela resposta do sistema imunológico contra o próprio organismo, em que há destruição de células saudáveis, podendo resultar em algumas doenças como a anemia hemolítica autoimune o lúpus eritematoso disseminado, a artrite reumatoide, e a síndrome antifosfolípídica, entre outras. Estas patologias devem ser identificadas, diagnosticadas e tratadas de acordo com a orientação do médico. O diagnóstico das doenças autoimunes é normalmente feito pela observação dos sinais e sintomas apresentados pelo doente, que variam de acordo com a doença, e por meio de exames imunológicos, moleculares e de imagem. Nas doenças autoimunes sistémicas há envolvimento de múltiplos órgãos e produção de autoanticorpos. Estas doenças estão, frequentemente, associadas a manifestações hematológicas tais como discrasias sanguíneas e citopenias que, por vezes, constituem o primeiro sinal de apresentação da doença. A anemia hemolítica autoimune ocorre quando os autoanticorpos levam à lise das hemácias do sangue. É mais comum em adultos jovens e ainda não se sabe exatamente a causa. Acredita-se que a desregulação do sistema imune possa ocorrer por infeção, por uso de alguns fármacos ou por presença de doença autoimune que possa favorecer o surgimento desta anemia. Os sintomas estão relacionados com a diminuição da quantidade de hemoglobina e, consequentemente, do oxigénio circulante no sangue, podendo ocorrer fraqueza, palidez, perda de apetite, dor de cabeça, unhas fracas, falha da memória, pele seca e indisposição. Apesar de nem sempre ser possível identificar a causa da anemia, é importante que sejam feitos exames tais como o hemograma, a contagem de reticulócitos, o doseamento da bilirrubina e testes imunológicos, como o teste de Coombs direto, para verificar se há doenças ou fatores desencadeantes. O tratamento indicado envolve o uso de medicamentos para regular a atividade do sistema imune, como corticoides e imunossupressores. Em alguns casos pode ser preconizada a esplenectomia, já que é no baço que as hemácias são destruídas. No lúpus eritematoso sistémico, as células de defesa do organismo atacam as células saudáveis, resultando em inflamação nas articulações, olhos, rins e pele, entre outras manifestações. Ocorre devido a mutações genéticas que surgem durante o desenvolvimento fetal e, por isso, os sinais e sintomas ocorrem em pessoas jovens. Os sintomas surgem sob a forma de surtos, sendo estes desencadeados por fatores que interferem no sistema imunológico ou que favoreçam o aparecimento das manifestações clínicas, tais como o uso de alguns fármacos ou a exposição prolongada ao sol. Frequentemente, aparece uma mancha vermelha no rosto em forma de borboleta, dores nas articulações, cansaço excessivo e feridas na boca e no nariz. Nestes casos, o médico deve prescrever exames de urina e de sangue, podendo ocorrer proteinúria, alterações no hemograma e presença de autoanticorpos. O tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas, já que a doença não tem cura e comporta anti-inflamatórios, corticoides e imunossupressores. A artrite reumatoide é caracterizada pela inflamação e inchaço das articulações. A causa não é muito bem conhecida, mas acredita-se que infeções virais ou bacterianas possam favorecer o desenvolvimento da doença. Os sintomas, tal como acontece no lúpus, podem aparecer e desaparecer sem qualquer explicação, sendo os principais a vermelhidão, o inchaço, as dores e rigidez nas articulações, febre, cansaço e mal-estar. O tratamento indicado é o uso de medicamentos anti-inflamatórios, para diminuir a inflamação e aliviar os sintomas e a fisioterapia, para evitar a limitação da amplitude do movimento da articulação. A síndrome do anticorpo antifosfolipídico, ou síndrome de Hughes, é uma situação clínica rara em que o organismo produz anticorpos antifosfolipidicos, que atacam os fosfolipídos das células adiposas, fazendo com que o sangue tenha maior facilidade para coagular e formar trombos, interferindo na coagulação sanguínea, podendo mesmo resultar em dor de cabeça, dificuldade em respirar e ataque cardíaco. Pode ser classificada em três tipos principais: Primária, em que não há causa específica; Secundária, que acontece como consequência de outra doença (p.e. lúpus eritematoso sistémico, a esclerodermia e a artrite reumatoide); Catastrófica, que é o tipo mais grave, no qual há formação de trombos em pelo menos 3 locais diferentes em menos de 1 semana. É mais frequente em mulheres entre os 20 e 50 anos. O tratamento deve prevenir a formação de trombos e evitar complicações, principalmente quando a mulher está grávida. Os principais sinais e sintomas (dor no peito, dificuldade para respirar, dor de cabeça, náuseas, inchaço dos membros, abortos espontâneos sucessivos ou alterações na placenta) estão relacionados com alterações no processo de coagulação e ocorrência de trombo. O diagnóstico síndrome do anticorpo antifosfolipídico, é definido pela presença de pelo menos um critério clínico (trombose arterial ou venosa, ocorrência de aborto, parto prematuro, doenças autoimunes e presença de fatores de riscos para trombose) e outro laboratorial, ou seja, pela presença de um sintoma da doença e pela deteção de pelo menos um autoanticorpo no sangue (p.e. anticoagulante lúpico, anticardiolipina; anti beta2-glicoproteína 1). Estes anticorpos devem ser avaliados em dois momentos diferentes, com um intervalo de pelo menos 2 meses. De um modo geral, sob o ponto de vista laboratorial, podemos observar linfocitose com neutrofilia e reticulocitose na anemia hemolítica autoimune, citopenia no lúpus, neutropenia na artrite reumatoide e trombocitopenia na síndrome do anticorpo antifosfolipídico. O diagnóstico diferencial perante um hemograma com estas alterações, deve sempre incluir a possibilidade de uma doença autoimune, e ser seguido da pesquisa dos autoanticorpos específicos, segundo os critérios de classificação definidos e tendo em conta as queixas e história clínica do doente. O tratamento destas patologias, na maioria das vezes, deve ser avaliado caso a caso e o desenvolvimento novos agentes biológicos pode ser promissor embora, frequentemente, causem citopenias. São necessários mais estudos para identificar novos alvos moleculares e definir novas estratégias terapêuticas eficazes.

Ano

2021

Creators

Correia, Rita Estevão

In-situ production of co-amorphous drug-based entities for solubility enhancement

Nos últimos anos, a baixa solubilidade de fármacos durante o desenvolvimento de novos medicamentos tem vindo a ser um dos maiores desafios, uma vez que a baixa solubilidade tem um impacto direto na biodisponibilidade do fármaco no organismo e, em consequência pode comprometer a eficácia da terapêutica em questão. De forma a aumentar a solubilidade de sólidos em água têm sido implementadas diferentes técnicas tais como a quebra da rede cristalina de fármacos com estabilização do conteúdo amorfo através de polímeros ou compostos de baixo peso molecular, formando sistemas co-amorfos. No entanto, a elevada quantidade de polímero usualmente necessário para estabilizar os fármacos na forma amorfa leva à produção de produtos farmacêuticos com grande massa, diminuindo a adesão dos pacientes. Neste sentido, os sistemas co-amorfos podem ser particularmente úteis na indústria farmacêutica, uma vez que quantidades mais elevadas de fármaco podem ser aplicadas em formulações sem comprometer a estabilidade deste no estado amorfo. Neste projeto, a olanzapina, fármaco pertencente à classe II do sistema de classificação biofarmacêutica, foi utilizada como fármaco modelo. É uma substância antipsicótica atípica normalmente administrada no tratamento de esquizofrenia, depressão ou transtorno bipolar. Este fármaco tem vindo a mostrar um aumento da solubilidade e taxa de dissolução através da co-amorfização com a sacarina. Desta forma, estes fatores podem prever uma biodisponibilidade melhorada do fármaco na forma amorfa, em comparação com sua contraparte cristalina. As técnicas tradicionais mais usadas para preparar amorfos e sistemas co-amorfos em escala industrial incluem secagem por pulverização, liofilização ou extrusão por fusão a quente. Porém, durante estas operações, normalmente são aplicadas condições de stress, como por exemplo, pressão ou temperatura, que podem condicionar a estabilidade, levando à recristalização do conteúdo amorfo com um impacto negativo na biodisponibilidade das formas farmacêuticas (ex. comprimido). Tendo isto em conta, novas estratégias para induzir a conversão da forma cristalina na forma amorfa de fármacos diretamente durante a produção de medicamentos ou, imediatamente antes da administração pelo paciente (amorfização in-situ), são vantajosas para minimizar o potencial problema com a estabilidade do conteúdo amorfo. Além dos problemas de estabilidade, as técnicas de amorfização in-situ oferecem a possibilidade de descartar a produção de amorfos antes da produção de medicamentos orais, resultando em menos passos de processamento na produção e, consequentemente, menores custos para as indústrias. A co-amorfização in-situ durante a produção de pellets ou, diretamente na superfície de pellets inertes, pode ser uma abordagem útil para aumentar a solubilidade e a taxa de dissolução do fármaco modelo, descartando a preparação do co-amorfo antes do processo de produção e, consequentemente, diminuindo a probabilidade de recristalização de conteúdo amorfo, encurtando tempos de produção. Desta forma, a produção de pellets contendo olanzapina e sacarina na estrutura interna e no revestimento de pellets inertes foram estudados como técnicas inovadoras e vantajosas para promover a co-amorfização de compostos. Com o intuito de conseguir uma comparação adequada, pellets contendo olanzapina cristalina, seja na estrutura interna ou na superfície dos pellets, foram produzidos e caracterizados. Para isto foram criadas três formulações diferentes, contendo olanzapina cristalina (formulação A), olanzapina e sacarina (proporção molar de 1:1, formulação B) tanto com estas substâncias na forma cristalina (matéria-prima) ou na forma de co-amorfo previamente produzido através de evaporação de solvente e uma formulação controlo contendo apenas os excipientes (celulose microcristalina, polivinilpirrolidona e fosfato de cálcio bibásico anidro, formulação P). Os componentes de cada formulação foram misturados, e, posteriormente, foram adicionados e misturados 30% de água desmineralizada ou de diclorometano. Os grânulos foram extrudidos e, em seguida, procedeu-se à extrusão e secagem durante 24 h a 40°C. Os pellets inertes (formulação P) foram revestidos com uma solução de olanzapina na presença e na ausência de sacarina em diclorometano ou com uma suspensão destes componentes em água desmineralizada. A produção de extrudidos não foi bem-sucedida quando a granulação foi realizada com diclorometano, possivelmente devido à evaporação do solvente durante o armazenamento ou, simplesmente à falta de lubrificação da massa para extrusão. Por outro lado, os revestimentos com as suspensões em água desmineralizada entupiram o bico de pulverização, culminando em pellets com menor conteúdo de olanzapina do que o esperado. A granulação com água desmineralizada e o revestimento com soluções de diclorometano resultaram em pellets com a dose de olanzapina pretendida (5%), tendo sido demonstrada a uniformidade de conteúdo de acordo com a farmacopeia. Os pellets produzidos com olanzapina cristalina ou amorfa, no interior ou na superfície dos pellets, foram caracterizados por calorimetria diferencial de varrimento, difração de raio-X, espectroscopia de infravermelhos médios, microscopia eletrónica de varrimento, ensaios de dissolução e estudos de estabilidade. Primeiramente, os difratogramas e espectros obtidos sugeriram que a adição de água desmineralizada a misturas que continham olanzapina e sacarina (formulação B) induziram a co-amorfização das substâncias, ao contrário das misturas físicas sem a sacarina (formulação A). Analogamente, os pellets inertes revestidos com uma solução composta por olanzapina e sacarina resultaram na formação de um sistema co-amorfo. Para além disto, o trabalho desenvolvido salientou, através de difração de raio x, a estabilidade do sistema co-amorfo olanzapina:sacarina ao longo da produção dos pellets e durante 9 meses de armazenamento em condições ambiente, uma vez que não foram identificados sinais de recristalização do fármaco. Consequentemente, a produção de pellets contendo OLZ na forma amorfa muito solúvel foi demonstrada neste trabalho. Através da análise de dados obtidos a partir de FTIR e XRPD, foi possível prever que a olanzapina é responsável por promover a co-amorfização com a sacarina na presença de água desmineralizada (30%). O difratograma da olanzapina após a hidratação com água desmineralizada mostrou grande similaridade com os difratogramas correspondentes ao di-hidrato B desta substância. Assim, é de notar um rearranjo na estrutura da olanzapina que leva à quebra das ligações intermoleculares da olanzapina na forma polimórfica anidra I, promovendo a formação do sal juntamente com a sacarina. Esta co-amorfização da olanzapina com a sacarina resultou no aumento de solubilidade (cerca de 145 vezes comparativamente à olanzapina cristalina). Tendo em conta os ensaios de dissolução e comparando quando o sistema co-amorfo olanzapina:sacarina está presente na estrutura interna ou na superfície dos pellets, verificou-se uma liberação mais lenta do fármaco no primeiro caso (t75>102 min), sendo que este valor decresce cerca de 7 vezes (t75<14 min) no segundo caso. Por outro lado, quando a olanzapina está presente no interior ou na superfície dos pellets e, na ausência de sacarina, as taxas de dissolução aumentam significativamente (t75=253 e 59 min, respetivamente). Desta forma, a co-amorfização in-situ através da granulação com 30% de água desmineralizada e o revestimento de pellets inertes, usando uma solução de olanzapina e sacarina em diclorometano, constituem técnicas de co-amorfização vantajosas e inovadoras, permitindo aumentar a solubilidade e a taxa de dissolução do fármaco. Em comparação com os métodos convencionais de produção de pellets, a co-amorfização da olanzapina diretamente na superfície dos pellets reduz o risco de recristalização e evita a pré-produção de sistemas co-amorfos antes da produção de formas farmacêuticas. Consequentemente, a co-amorfização in-situ de fármacos pouco solúveis em água pode ser uma abordagem interessante para reduzir o tempo de produção e os custos associados. Em suma, a viabilidade do revestimento como uma nova técnica de preparação para gerar sistemas co-amorfos foi comprovada neste trabalho e deve ser investigada no futuro para outras formas de dosagem como por exemplo comprimidos ou grânulos.

Ano

2022

Creators

Azevedo, Raquel Filipa da Silva

Complexidade fonológica e aprendizagem da escrita no 1º Ciclo do Ensino Básico : os ataques ramificados na base de dados EFFE-On

Os constituintes silábicos têm sido objeto de vários estudos sobre a aquisição de língua materna e não materna em português europeu (PE). Todavia, a investigação sobre a aprendizagem da escrita neste sistema linguístico é mais escassa do que aquela relativa à aquisição da componente fonológica da gramática (Lourenço-Gomes, Rodrigues e Alves, 2016:38). O Ataque Ramificado (CCV) tem sido referido como uma estrutura marcada e de aquisição tardia, por apresentar maior grau de complexidade (e.g., Freitas, 1997, 2017; Ramalho 2017), sendo também o último constituinte a ramificar no processo de desenvolvimento fonológico em PE. Por este motivo, é um constituinte silábico que pode não estar ainda estabilizado à entrada na escola (Santos, 2013; Ramalho, 2017). Com foco no Ataque Ramificado (AR), a presente dissertação visa refletir sobre o processo de aprendizagem da escrita enquanto codificação da língua oral em formas escritas, um processo que exige reflexão e exteriorização do conhecimento da língua materna (Horta e Martins, 2004). A partir de dados transversais do corpus online EFFE-On, este estudo centra-se na análise do desempenho escrito das crianças, incidindo sobre a forma como estas lidam com Ataques Ramificados na representação escrita. O estudo debruça-se sobre as produções escritas de alunos dos 2.º e 4.º anos de escolaridade de três localidades da área dialetal centro-meridional, contribuindo para a descrição da correlação entre o conhecimento fonológico e o ortográfico nos primeiros anos do Ensino Básico. Assumindo o quadro teórico da fonologia não-linear, os resultados são discutidos à luz de variáveis segmentais e prosódicas amplamente estudadas nos padrões de aquisição do PE. Os resultados obtidos permitiram confirmar: (i) que a escolaridade tem impacto na escrita de ARs; (ii) que as crianças apresentam bons desempenhos ortográficos no fim do 1.º Ciclo, apesar da complexidade silábica da estrutura alvo; (iii) que a origem geográfica destas crianças não tem um impacto diferenciador na escrita de ARs, registando-se um desempenho homogéneo entre os grupos; (iv) que nem todas as variáveis fonológicas testadas (nomeadamente modo de articulação (de C1 e C2); posição na palavra; acento de palavra; extensão de palavra; rima complexa na sílaba com AR) têm impacto na escrita de ARs. A ausência de impacto de algumas destas variáveis pode dever-se ao reduzido número de formas escritas não convencionais (FNCs) observadas na presente investigação, o que parece indicar um bom domínio escrito desta estrutura silábica complexa. Contudo, é de referir a observação de diferenças entre as líquidas em C2 do AR aquando do processamento da escrita, o que permite estabelecer uma relação com o que é descrito na literatura durante o processo de aquisição fonológica. A par disto, verificou-se, ainda, que as crianças recorrem ao mesmo tipo de FNCs nos dois anos de escolaridade (ainda que não com a mesma frequência), indo, uma vez mais, ao encontro das estratégias de aquisição fonológica recrutadas para lidar com os ARs.

Ano

2024

Creators

Lamarosa, Ana Mafalda Duarte

How Does Mothering Look Like: A Multidimensional Approach to Maternal Cognitive Representations

From a cognitive information processing perspective, parents’ cognitive schemas strongly influence the way they perceive and act toward their children. In order to explore how maternal cognitive representations about parenting are organized in a multidimensional space, mothers referred to child protection services and mothers with no such reference completed a free description task of maternal attributes and a sorting task of those attributes according to their probability of co-occurrence in the same mother. Overall, the results suggest that maladaptive parenting seems to be associated with less positive parental schemata, higher schemata rigidity, and higher external attributions regarding parenting. Using multidimensional scaling to represent the structure and content of maternal schemata constitutes an innovative contribution to the parenting domain with potential applications. These conceptual maps representing maternal schemata that shape parental responses in child-rearing situations can be used as theoretical frameworks to develop empirically based guidelines for intervention work with maltreating parents.

Ano

2019

Creators

Camilo, Cláudia Garrido, M. V. Ferreira, Mário B. Calheros, M. M.

As flores na nossa mesa

No summary/description provided

Ano

2011

Creators

Sabino, Isabel, 1955

Trait transference from brands to individuals: The impact of brand-behavior congruency

Consumers' strategic use of brands as a way of influencing the impressions others have about them is buttressed by research showing that brand personality traits may carry over and affect perceptions about their users or endorsers. However more often than not brand users engage in all sorts of trait-implying behaviors that may sometimes be in conflict with the brand personality. In two studies we explored how perceivers integrate these two sources of information when creating first impressions of brand users. Results indicated that when traits associated with brands and the users' trait-implying behaviors were in conflict, brand trait transferences were inhibited, whereas traits inferred from the behaviors were enhanced. These findings concerning brand trait transference inhibition and trait inference enhancement may provide new insights on how brand personality influences perceptions about their users, with distinctive consequences for marketing strategy.

Ano

2018

Creators

JERÓNIMO, Rita Ramos, Tania Ferreira, Mário B.

Impact of superoxide dismutase mimics in nonsmall cell lung cancer cells in vitro

O cancro do pulmão continua a ser a principal causa de mortes relacionadas com cancro em ambos os sexos, sendo o cancro do pulmão de células não pequenas (NSCLC) o subtipo mais comum. Este subtipo de cancro é normalmente diagnosticado nos estádios mais avançados tendo, consequentemente, uma baixa taxa de sobrevida. Neste tipo de cancro o tratamento mais comum consiste na quimioterapia baseada em fármacos de cisplatina. No entanto, apesar do seu uso generalizado, a cisplatina possui diversos efeitos adversos (AE), entre os quais, a nefrotoxicidade. Para além disso, a resistência que as células malignas tendem a desenvolver a este tipo de fármaco é uma das suas principais limitações no seu sucesso clínico. O stress oxidativo está presente em diversas patologias, incluindo no cancro. As células cancerosas muitas vezes possuem níveis mais elevados de espécies reativas de oxigénio (ROS) do que as células saudáveis. Além disso, as células malignas possuem, de um modo geral, níveis mais baixos de enzimas responsáveis por destoxificar as ROS quando comparadas com células saudáveis, sendo que, em alguns casos estes sistemas podem mesmo encontrar-se inativados. Estas evidências incentivaram o uso de compostos miméticos das superóxido dismutases (SODm), no contexto da terapia do cancro. Estes são compostos sintéticos capazes de mimetizar as propriedades da SOD nativa, dismutando o radical anião superóxido em peróxido de hidrogénio (H2O2) e oxigénio. Esta sua capacidade leva a que esteja envolvido em diversas vias de sinalização, afetando a proliferação, diferenciação e morte celular. O modo de ação dos SODm determina um aumento adicional de H2O2 intracelular que, consequentemente, poderá ser incrementado até valores superiores ao limite a partir da qual a toxicidade se torna evidente, induzindo assim uma redução da proliferação celular e um aumento da eficácia da quimio/radioterapia. Além disso, estes compostos são capazes de proteger as células saudáveis dos AE da quimio/radioterapia. Existem diversas classes de SODm, sendo as porfirinas de manganês(III) (MnPs) as mais estudadas. Nos últimos anos, as MnPs MnTnHex e MnBuOE, consideradas muito promissoras, têm sido particularmente estudadas devido à sua eficácia, biodisponibilidade e farmacocinética. O composto MnTnHex já foi estudado em diversos tipos de cancro, entre eles, cancro renal, cancro da mama e glioblastoma, onde foi demonstrado que é capaz de reduzir a viabilidade e migração das células cancerosas. Para além disso, o MnTnHex também já demonstrou ter um efeito protetor em células saudáveis, não mostrando também, de acordo com trabalhos anteriores do nosso grupo, citotoxicidade em linhas celulares não-malignas (células V79 e Vero). MnBuOE é um composto derivado do MnTnHex, sendo considerada como a mais recente e bem sucedida MnP. Semelhante ao MnTnHex, o MnBuOE consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica, tendo sido, até à data, bastante utilizado em diversos estudos relacionados com o cérebro. Estes estudos demonstraram que o MnBuOE é capaz de melhorar a memória e manter o comprimento dendrítico de ratinhos expostos a quimioterapia. No cancro da cabeça e pescoço, o MnBuOE foi capaz de aumentar a janela terapêutica da radioterapia. Atualmente, este composto encontra-se em diversos ensaios clínicos em fase I e II, devido ao seu papel como radioprotetor, estando a ser testado em metástases no cérebro, cancro da cabeça e pescoço e cancro anal. Neste contexto, o principal objetivo deste projeto inovador foi aferir o efeito destas duas MnPs, tanto isoladamente como combinadas com cisplatina em duas linhas celulares de NSCLC (A549 e H1975). Foram realizados diversos ensaios celulares, entre os quais, ensaios de viabilidade, migração, distribuição do ciclo celular, invasão e análise do exometaboloma. Estas duas linhas celulares foram também caracterizadas relativamente aos seus níveis basais de catalase, glutationa peroxidase 1 (GPX1) e peroxirredoxinas 1 (PRDX1) e 2 (PRDX2). Em primeiro lugar, ambas as linhas celulares demonstraram níveis baixos de expressão, particularmente da catalase, mas também da GPX1 e PRDX2. A PRDX1 revelou ter a maior expressão de RNAm, sendo duas vezes mais elevada nas células A549 do que nas células H1975. Contudo, esta diferença não foi significativa. O perfil citotóxico de ambas MnPs foi determinado através do ensaio de cristal violeta (CV) e MTS. As células foram expostas durante 72 h a MnTnHex (0,5-25 μM ). O MnTnHex demonstrou ser bastante citotóxico para as células, possuindo valores de IC50 muito baixos, variando entre 0,7 e 2,1 μM. O perfil citotóxico do MnBuOE também foi determinado através do CV e MTS (0,5-200 μM). Este composto demonstrou ser bastante menos citotóxico que o MnTnHex, diminuindo a viabilidade celular destas células para cerca 50% apenas para concentrações superiores 100 μM. É também importante referir que as células H1975 mostraram ser mais sensíveis a ambos os compostos que as células A549. Para determinar se estes compostos poderiam potenciar o efeito da quimioterapia baseada em fármacos de platina, procedeu-se ao co-tratamento das MnPs com cisplatina durante 72 h, seguido da avaliação da citotoxicidade através do ensaio do CV. No caso do MnTnHex utilizou-se duas concentrações, i.e. 0,5 e 1 μM, representativas de níveis diferentes de citotoxicidade. Estas concentrações foram iguais para ambas as linhas celulares. Para a cisplatina utilizou-se a concentração de 1 μM, em ambas as linhas, e 2 e 5 μM nas células A549 e H1975, respetivamente. O MnTnHex potenciou o efeito da cisplatina em todas as condições testadas, observando-se um maior efeito nas células H1975. Relativamente ao MnBuOE, foram testadas também duas concentrações (10 e 20 μM), sendo que as concentrações de cisplatina foram as mesmas. Neste caso, o MnBuOE potenciou significativamente o efeito da cisplatina nas células H1975. Contudo, nas células A549, observou-se apenas uma redução marginal da viabilidade sem significado estatístico. De modo a analisar o efeito destas MnPs, isoladamente ou combinadas com cisplatina, em endpoints associados à metastização, foram realizados ensaios de migração coletiva. Primeiramente, escolheram-se concentrações não citotóxicas, tanto das MnPs como da cisplatina, usando o ensaio do MTS. Foram selecionadas as concentrações de 5 μM de MnTnHex e 0,5 μM de cisplatina para as células A549 e as concentrações de 0,5 μM e 1 μM de MnTnHex e cisplatina para as células H1975, respetivamente. No caso do MnBuOE selecionou-se as concentrações de 5 e 10 μM para as células A549 e a concentração de 5 μM para as células H1975. Após a seleção das concentrações não citotóxicas procedeu-se à realização do ensaio de migração coletiva (32 h). Neste ensaio, o MnBuOE (per se ou combinado com a cisplatina) demonstrou possuir uma maior redução da migração coletiva em comparação com o MnTnHex. Adicionalmente foi também avaliado o impacto do MnTnHex sozinho ou combinado com cisplatina a nível da distribuição do ciclo celular. Utilizando as mesmas concentrações que nos ensaios combinatórios, observou-se um aumento da percentagem da população sub-G1 de ambas as células quando expostas ao MnTnHex (1 μM). Este aumento foi acentuado quando o MnTnHex foi combinado com a cisplatina. É de realçar que nas células A549 houve ainda um aumento da fase G2/M acompanhado por uma redução na fase G0/G1 quando o MnTnHex e a cisplatina foram adicionados simultaneamente. Ao analisar o exometaboloma das células cancerosas expostas ao MnTnHex sozinho ou combinado com cisplatina, detetou-se um aumento dos níveis de alguns compostos carbonílicos voláteis (VCCs), especificamente isobutanal, benzaldeido e 3- metilpentanal, os quais estão associados a stress oxidativo. Apesar destes VCCs só terem sido detetados, com significado estatístico, nas células H1975 quando expostas à concentração mais elevada de MnTnHex (per se ou combinado com cisplatina), foi possível observar um aumento dos níveis de isobutanal e benzaldeido nas células A549, ainda que sem significado estatístico. Por fim, analisou-se o efeito do MnBuOE na migração individual e na invasão realizando-se ensaios de quimiotaxia transwell e quimioinvasão transwell, respetivamente, utilizando as mesmas concentrações que nos ensaios da migração coletiva. O MnBuOE isoladamente reduziu significativamente a migração individual em ambas as células. No entanto, quando esta MnP foi combinada com a cisplatina levou a uma redução da migração individual das células A549 em mais de 50%, observando-se um valor semelhante nas células H1975. Na invasão, a combinação mais eficiente nas células H1975 foi observada no tratamento com MnBuOE per se, pois induziu uma redução na invasão de 34% (p<0,001). Contudo, quando combinado com cisplatina foi também possível observar uma redução de 18% (p<0,05). Em conclusão, os resultados obtidos no âmbito deste trabalho sugerem que ambas as MnPs são compostos promissores para serem considerados no tratamento do NSCLC, tanto em monoterapia como em combinação com a cisplatina, uma vez que poderão permitir o uso de doses mais baixas deste fármaco citotóxico, de modo a aumentar a sua eficácia e reduzir os AE associados. No entanto, é ainda necessário realizar estudos adicionais para melhor compreender, a nível molecular, o modo de ação destes compostos.

Ano

2022

Creators

Soares, Rita Barbosa Pacheco

Comparative analysis of oral epithelial cells from Human and Mouse using single-cell RNA sequencing data

Different tissues respond differently to damage, such as scar formation, pain level, and healing time. Oral mucosa is a tissue with a high potential to heal faster and scarlessly than other tissues, such as the skin. Differences in the healing process result from a combination of factors, such as structure, microenvironment, subpopulations of fibroblasts and dynamics of keratinocyte proliferation. However, the heterogeneity of tissues in the oral mucosa and their cellular and molecular diversity have not yet been thoroughly studied. Next-generation sequencing technologies, such as single-cell RNA sequencing (scRNA-seq), allow the study of tissue heterogeneity of tissues, allowing the detection of new cell types and subpopulations. In this study, we compared epithelial cells in oral tissues from two species, Homo sapiens and Mus musculus, using bioinformatics tools to disclose the gene markers related to scarless and fast healing processes in this tissue. We used machine learning algorithms to analyse the scRNA-seq data from pre-processing until the results. We expanded our analysis using RNA velocity analysis, a crucial tool in our study for characterising the developmental trajectory of differentiating cells. This dissertation identified similar gene signatures and behaviours between tissues and from the two species. Our research displayed subpopulations found in other studies and tissues, and identified different behaviours in their stem cells subpopulation. Overlapping the data from the two species highlighted more similarities between the tissues of human buccal and mouse hard palate tissues than between buccal tissues from both species. Other in silico and in vitro approaches should be followed to validate the results. Testing this finding could be game-changing in the study of the wound healing process, with possible patient benefits. Also, integrating the Oral and Craniofacial Human Cell Atlas is a future aim for others to be able to use the data obtained.

Ano

2023

Creators

Fernandes, Alexandre José Ferreira

New stimuli-responsive diazaborines

Cancro é um problema de saúde global, representando a segunda principal causa de morte no mundo. A forma mais eficaz de tratamento resulta da combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. No entanto, a baixa selectividade e consequentes efeitos secundários de fármacos anticancerígenos ainda é uma das principais dificuldades da terapia para o cancro. Para lidar com esta situação, uma estratégia que tem sido utilizada consiste em direcionar os fármacos para o microambiente tumoral com base nas diferenças existentes entre células saudáveis e células cancerígenas. Uma das diferenças características é o aumento do nível de espécies reativas de oxigénio (ROS) em células cancerígenas devido ao aumento da atividade metabólica. Neste contexto, pretende-se desenvolver um sistema de libertação de fármacos responsivo a ROS, de modo a aumentar a seletividade do fármaco selecionado. Sabe se que os ácidos borónicos podem oxidar ao álcool correspondente na presença de ROS. Por outro lado, cianamidas têm a capacidade de reagir com grupos tióis, formando uma isotioureia. No entanto, para aplicações terapêuticas ambos os grupos funcionais beneficiariam de um aumento de estabilidade. Diazaborinas são heterociclos de B-N geralmente obtidos através de uma reação entre hidrazinas e aril aldeídos ou cetonas com um ácido borónico na posição ortho. Estes compostos têm sido utilizados como uma estratégia para estabilizar os ácidos borónicos, mantendo a sua reatividade com as espécies reativas de oxigénio mas evitando a sua oxidação antecipada antes de chegarem até às células cancerígenas. Neste trabalho, estudou-se uma nova abordagem para a obtenção destes heterociclos, através da reação entre um reagente contendo um tiol e uma aril cianamida com um ácido borónico na posição ortho. Pretende-se que a reação entre o tiol e a cianamida permita a estabilização do ácido borónico e da ligação isotioureia através da formação do heterociclo, resultante da ligação B-N. Deste modo, ambiciona-se uma oxidação controlada da diazaborina como resposta a um estímulo (elevado nível de ROS), limitando a libertação do fármaco a células cancerígenas. Foram explorados dois reagentes com tiol: aminoácido cisteína e tiofenol. Ambas as estratégias incluem o desenvolvimento de um espaçador clivável por estímulo, baseado em fenol ou em tiofenol, respetivamente. No caso da reação com a cisteína, pretende-se uma reação de bioconjugação de modo a obter um bioconjugado com um péptido que permita aumentar o direcionamento para células cancerígenas. Em ambas as estratégias, pretende-se que o grupo hidroxil fenólico resultante da oxidação da diazaborina desencadeie um processo espontâneo de 1,6-eliminação, permitindo a libertação de determinado fármaco. Em primeiro lugar, foi necessário sintetizar a aril cianamida com o ácido borónico em posição ortho, o que foi conseguido através de um único passo com uma substituição nucleofílica. Verificou-se, por LC-MS, a presença de duas bandas no cromatograma, ambas correspondentes à massa do produto, sugerindo que esta molécula existe em duas formas diferentes. Ambos os reagentes (cisteína e tiofenol) permitiram a formação do heterociclo, o que foi confirmado por espetrometria de massa de baixa e alta resolução. Cálculos prévios de DFT indicam que o grupo amina da cisteína é importante na desprotonação do grupo tiol, o que sugere que pode existir seletividade para cisteína N-terminal. Esta seletividade foi confimada, pela estudante de doutoramento Rita Padanha, utilizando os péptidos CysGlyGlyGlyCysGlyGly-Bombesin e GV-1001 como modelos de péptido com e sem cisteína N-terminal, respetivamente. No entanto, ao contrário do que se verifica para a reação com cisteína, a formação da diazaborina ocorreu com todos os tiofenóis utilizados com diferentes substituintes, mesmo na ausência de um grupo amina adjacente. Estes resultados indicam que, como esperado, o tiol do tiofenol é mais acídico do que na cisteína e, por isso, não requer a presença de um grupo amina adjacente para favorecer a sua desprotonação. Ambas as diazaborinas foram isoladas por HPLC semipreparativo, com um rendimento de 10 % no caso da diazaborina resultante da reação com cisteína. Durante o isolamento das diazaborinas, verificou-se que a reação não foi completa devido à presença de material de partida. Para além disso, foi possível verificar que no caso da reação com a cisteína houve a formação de um produto secundário (tiazolidina) e que a degradação da diazaborina tanto pode dever-se à hidrólise da tioureia como à β-eliminação do tiolato. No caso da reação com o tiofenol, existe a possibilidade de formação precoce do produto de oxidação. Realizaram-se estudos de cinética, por HPLC, para a formação da diazaborina na presença de tiofenol. No ensaios iniciais os reagentes encontravam-se de um para um em acetato de amónio 20 mM a pH 7.4. Durante estes estudos não houve o aparecimento de nenhuma nova banda no cromatograma que indicasse a formação de um produto. No entanto, a concentração dos materiais de partida diminuiu na mesma proporção, à mesma velocidade (0.007 min-1), indicando que se trata de uma reação de segunda ordem. Para além disso, verificou-se a formação de um precipitado, o que sugere que a reação estava a ocorrer embora o produto o não fosse solúvel nos solventes utilizados. Para estudar a influência do pH, também foram realizados ensaios em acetato de amónio 20 mM a pH 9. Porém, não foi possível obter um gráfico de concentração em função do tempo para calcular a constante de velocidade observada dado que o desaparecimento dos materiais de partidas foi demasiado rápido. Assim, embora este resultado seja um indício de que a reação é mais rápida a um pH mais básico, é necessário repetir estes ensaios a concentrações mais baixas. De seguida, realizaram se ensaios em condições de pseudo-primeira ordem, com excesso de tiofenol, que sugerem, tal como esperado, que uma concentração mais baixa diminui a velocidade da reação. Todavia, para confirmar o resultado obtido e calcular a constante de velocidade de segunda ordem ainda é necessário realizar estes estudos com diferentes concentrações. Com base na observação de precipitado, experimentou-se isolar a diazaborina derivada do tiofenol por precipitação variando a concentração, o pH e o número de equivalentes. Análise por HPLC, RMN e massa de alta resolução confirmaram a presença de produto no precipitado e ausência dos materiais de partida. No entanto, os espetros de RMN indicam que este não se encontrava completamente puro. Sendo, por isso, ainda necessário otimizar o seu isolamento. Para as diazaborinas isoladas, foram realizados estudos de oxidação preliminares numa solução de acetato de amónio 20 mM (pH 7.4) com peróxido de hidrogénio e, para ambas, os espetros obtidos por espetrometria de massa de baixa resolução não mostram a formação do produto direto da oxidação da diazaborina. No entanto, indicam a formação de um produto resultante de uma ciclização intramolecular promovida pelo grupo hidroxilo do produto oxidado, que parece resultar na libertação do reagente de tiol. A síntese do espaçador para a reação com cisteína foi iniciada. A sequência sintética total envolve oito passos, sendo que desses foram realizados os primeiros quatro passos que incluem redução com LiAlH4, proteção de grupo amina com terc butiloxicarbonil, triflação do grupo fenólico e borilação. O desenvolvimento destas estratégias ainda se encontra numa fase inicial, sendo que os próximos passos incluem estudos de estabilidade hidrolítica e na presença de outros tióis. E, para além disso, terminar a síntese dos espaçadores para estudar a libertação de um fármaco tanto na presença de peróxido de hidrogénio como em linhas celulares. No entanto, de um modo geral, este trabalho, através da prova de conceito, realça o potencial de as cianamidas poderem ser usadas para libertação de fármacos através da reação com grupos tióis para obter um heterociclo diazaborina responsivo a espécies reativas de oxigénio.

Ano

2022

Creators

Cavadas, Rafaela Alexandra Nunes

Aquisição dos complementos dos verbos percetivos em português europeu por crianças bilingues português-italiano

O presente estudo debruça-se sobre a aquisição dos complementos de verbos percetivos em português europeu (PE) por parte de crianças bilingues italiano-PE, falando estas crianças italiano com ambos os pais, ou PE com um progenitor e italiano com o outro. Com o objetivo de averiguar os padrões de aquisição destes falantes, foi realizado um teste experimental de produção provocada, e os respetivos resultados foram comparados com a produção de crianças monolingues portuguesas. Esta comparação permitiu, por um lado, testar algumas hipóteses gerais sobre a aquisição da sintaxe que foram, até agora, testadas apenas em crianças monolingues; por outro lado, evidenciou a presença de influência interlinguística (crosslinguistic influence) na produção das crianças bilingues. Este estudo constitui, tendo em conta o nosso conhecimento, a primeira investigação sobre a aquisição da sintaxe por parte de crianças bilingues italiano-PE. O número reduzido da amostra deve-se ao facto de a recolha de dados ter decorrido durante a pandemia de COVID-19. Trata-se, portanto, de um estudo de caráter exploratório. O italiano e o PE são duas línguas que oferecem um grande leque de possibilidades no que diz respeito aos complementos dos verbos percetivos. Em PE, temos i) a completiva finita, ii) a completiva de infinitivo flexionado, iii) a construção de infinitivo preposicionado (PIC, do inglês Prepositional Infinitival Construction), iv) a completiva com elevação de sujeito para objeto (RtO, do inglês Raising-to-Object), e v) a completiva de fazer-Inf (FI). Em italiano, temos i) a completiva finita, ii) a pseudorrelativa, iii) a completiva de RtO e iv) a completiva de FI. As duas línguas têm, portanto, algumas completivas em comum (completiva finita, RtO e FI), e outras completivas não partilhadas (PIC e completiva de infinitivo flexionado são exclusivas do PE, a pseudorrelativa é exclusiva do italiano). Esta sobreposição parcial das estruturas aceitáveis como complementos de verbos percetivos permitiu investigar os efeitos da influência interlinguística, definida em termos de priming interlinguístico (Serratrice 2013, 2016): esperamos, portanto, que as crianças bilingues produzam mais completivas finitas (e, eventualmente, de RtO e FI), em contraste com menor produção de completivas de infinitivo flexionado e/ou PIC, por comparação com as crianças monolingues. Sendo que o efeito do priming interlinguístico será tanto mais forte quanto mais recente e frequentemente é usada a língua que determina tal efeito (no nosso caso, o italiano) (Santos e Flores, 2016), esperamos diferenças nas produções das crianças que falam italiano em casa com ambos os pais por comparação com as crianças que, em casa, falam italiano com um progenitor e PE com o outro. Além disto, foi testada a Complete Functional Complement Hypothesis (CFCH), proposta por Santos, Gonçalves e Hyams (2016), segundo a qual as crianças preferem Complementos Funcionalmente Completos (CFC, Complete Functional Complement). As autoras, neste mesmo estudo, observaram também que o grupo de crianças de 4 e 5 anos preferia produzir completivas finitas com predicados télicos e PIC com predicados atélicos. Com o intento de testar os efeitos do priming interlinguístico, a CFCH e a sensibilidade à telicidade do predicado encaixado, foi realizado um teste de produção provocada constituído por 32 itens: 16 itens de teste e 16 distratores. Dos 16 itens de teste, 8 continham, na oração encaixada, predicados télicos e 8 predicados atélicos. Foram testadas 14 crianças bilingues entre os 4;11 e os 10 anos. Destas 14 crianças, 4 falam italiano com ambos os pais (sendo ambos os pais italianos) e 10 falam italiano com um progenitor e PE com o outro (sendo um progenitor italiano e o outro português). Como grupo de controlo, foram testadas 24 crianças entre os 5 e os 10 anos. Os resultados confirmam a CFCH: todas as crianças produziram quase exclusivamente completivas finitas e PIC. Não se confirma, de modo geral, a preferência das crianças por completivas finitas com predicados télicos e por PIC com predicados atélicos. Apenas o grupo de crianças bilingues que falam italiano com ambos os pais apresentaram alguma associação dos predicados télicos com a completiva finita, existindo, porém, uma grande variação individual. O fator idade também parece ter algum papel neste quadro: o grupo de crianças bilingues mais novas é mais sensível à telicidade do predicado do que as crianças bilingues mais velhas, ou mesmo do que as crianças monolingues da mesma idade. As produções das crianças bilingues confirmam ainda a presença de influência interlinguística: esta foi mais evidente no grupo de crianças bilingues que falam italiano com ambos os pais do que no grupo de crianças que falam italiano com um progenitor e PE com o outro. Estes resultados são compatíveis com uma análise da influência interlinguística como consequência de priming interlinguístico: as crianças que têm mais exposição ao italiano tiveram efeitos de priming mais evidentes do que as crianças que têm menos exposição ao italiano.

Ano

2024

Creators

Aliverti-Piuri, Costanza

O atraso no acesso a medicamentos inovadores em Portugal: aspetos éticos e regulamentares : perspetivas futuras

O acesso a medicamentos inovadores é uma prioridade dos doentes e dos profissionais de saúde quando não existem alternativas terapêuticas. No contexto europeu, a equidade de acesso a estes medicamentos tem vindo a ser explorada devido à disparidade entre países. Este trabalho tem como objetivo discernir as razões pelas quais Portugal apresenta um atraso na introdução de medicamentos inovadores, relativamente aos restantes Estados-membros da União Europeia. Para tal, focar-se-á nas diferentes etapas que levam ao acesso a medicamentos inovadores, nomeadamente após a Autorização de Introdução no Mercado através do procedimento centralizado pela Agência Europeia do Medicamento. Os constrangimentos económicos e a necessidade de assegurar a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde explicam, em parte, este atraso. Por vezes surgem terapêuticas que alteram drasticamente o curso da história natural da doença, com um grande impacto de Saúde Pública, obrigando a sua disponibilização, ou seja, a sua comparticipação. Esta missão decorre da aplicação dos princípios éticos igualitário e utilitarista. Desta forma, o segundo objetivo é descrever e analisar os mecanismos de diferentes países para controlar as despesas em saúde ao mesmo tempo que disponibilizam terapêuticas inovadoras aos seus cidadãos, como os Managed Entry Agreements. Metodologicamente, é feito um enquadramento legal europeu e nacional e uma revisão da literatura utilizando a base de dados PubMed, os relatórios redigidos pela OCDE, EFPIA, Apifarma e Observatório Português dos Sistemas de Saúde. Os resultados apresentam-se sob a forma de recomendações para o processo de avaliação de tecnologias de saúde português, das quais se sublinham a necessidade de atualizar e publicar normas de orientação clínica, a criação de uma lista de prioridades em saúde, a adaptação da referenciação externa de preços, o alinhamento europeu dos critérios de ATS e a introdução célere de fármacos “me-too”.

Ano

2023

Creators

Mourão, Francisco de Matos Águas

Recém-nascidos de muito baixo peso : evolução ao longo dos anos 2013-2020

Introdução A prematuridade é definida como o nascimento antes de 37 semanas completas de gestação. Pode ser classificada consoante a idade gestacional. Metodologia Foram analisados os dados do Registo Nacional do Recém-nascido com Muito Baixo Peso, do HSM e nacionais, no período de 2013 a 2020. Utilizou-se como critérios de inclusão os utilizados no Glossário da Base de Dados de 2011. Resultados e discussão No HSM verificou-se uma maior percentagem de RN com menor idade gestacional e menor peso à nascença. O valor obtido nas escalas de gravidade (CRIB e SNAPPE II) é igual. Localmente registou-se uma maior percentagem de gravidezes fruto de concepção assistida, de gestação gemelar e de administração de corticoterapia pré-natal, no entanto, verificou-se uma menor percentagem de transporte in-utero. Em 2020, verificou-se que a vigilância da gravidez diminuiu no HSM. Oxigénio e CPAP têm uma evolução estável ao longo dos anos. No HSM, entre 2018 e 2020, observou-se um menor recurso à ventilação de alta frequência e uma maior utilização de ventilação convencional. No HSM o uso de surfactante é predominantemente na sala de partos. O tempo de internamento e a percentagem de diagnósticos de síndrome de dificuldade respiratória, persistência de ductos arteriosus, enterocolite necrotizante e retinopatia da prematuridade grave é maior no HSM possivelmente por uma maior percentagem de RN com idades gestacionais menores. As percentagens de diagnósticos de perfuração gastrointestinal focal e leucomalácia periventricular quística são semelhantes às nacionais. Conclusão Registos como este são importantes porque permitem avaliar a evolução ao longo dos anos da morbilidade e mortalidade associadas à grande prematuridade, melhorando as práticas clínicas. No entanto, o principal objetivo deve ser a prevenção da prematuridade e dos custos clínicos e sociais a que se associa.

Ano

2023

Creators

Mendes, Francisco Miguel Ribeiro

Safety and effectiveness of ultrasound guided percutaneous microwave ablation and conventional surgery for benign thyroid nodules : a systematic review

Introdução: Decorrente de um aprimoramento de técnicas diagnósticas de imagem, tem-se verificado um incremento na incidência de patologia nodular benigna da tiroide. Não obstante a benignidade desta condição, a repercussão na qualidade de vida (QoL), pelo impacto cosmético e sintomas associados, leva grande parte destes doentes a pretenderem tratamento. Nas últimas décadas, técnicas minimamente invasivas percutâneas ecoguiadas, de que a ablação por microondas (MWA) é exemplo, têm-se afirmado como alternativas eficazes e seguras à intervenção cirúrgica. O objetivo da presente revisão sistemática passa por comparar a eficácia terapêutica e clínica, bem como a ocorrência de complicações, da MWA com a cirurgia convencional. Métodos: Com recurso às bases de dados Pubmed e Cochrane, foi efetuada pesquisa dos artigos publicados até 31 de dezembro de 2022. Foram selecionados 21 artigos que avaliavam o tratamento de nódulos benignos da tiroide com recurso a MWA ou intervenção cirúrgica. Foram reportados os sintomas, o impacto cosmético e na qualidade de vida, a evolução dos volumes nodulares, bem como a ocorrência de complicações. Resultados: Vinte e um estudos foram incluídos, o que perfaz 2491 doentes com 2661 nódulos benignos da tiroide, 2369 nódulos submetidos a MWA e 292 a intervenção cirúrgica. Quinze dos 16 estudos que reportaram taxas de redução do volume nodular (VRR) um ano após MWA, evidenciaram VRRs médios ≥ 65.3%. Uma redução marcada da sintomatologia e do impacto cosmético, bem como melhoria da QoL foram reportadas após tratamento. Nos estudos que compararam diretamente ambas as intervenções, o grupo de doentes submetidos a MWA teve melhores outcomes cosméticos e de QoL. As complicações descritas decorrentes do tratamento apresentaram resolução durante o período de follow-up. Conclusão: A intervenção cirúrgica e ablação percutânea ecoguiada por microondas demonstraram ser terapêuticas seguras e eficazes no tratamento de nódulos benignos da tiroide. Embora não seja curativa, a MWA revelou uma redução significativa do volume nodular associada a melhores resultados em termos cosméticos e de qualidade de vida.

Ano

2023

Creators

Ribeiro, Francisco José Silva

Contributory factors to caregiver burden in Parkinson’s disease : data of the PRISM study

Contextualização: Na gestão da Doença de Parkinson (DP), os benefícios do cuidador informal são evidentes. A sobrecarga associada a esta tarefa é um problema cada vez mais reconhecido, carecendo ainda de resposta adequada. Objectivo: Identificar os melhores fatores preditores de sobrecarga nos cuidadores de pessoas com DP. Métodos: Analisamos a base de dados do estudo The Parkinson's Real-world Impact AsseSMent (PRISM) – um estudo europeu observacional transversal – concretizado através da aplicação de um questionário online dirigido às pessoas com DP e respetivos cuidadores. O inquérito permitiu recolher informação sobre aspetos clínicos de pessoas com DP, utilização de cuidados de saúde e cuidados complementares, burden da doença, modificações no relacionamento e sobrecarga do cuidador. A sobrecarga do cuidador foi avaliada pela Escala de Zarit (ZBI). Na análise de dados, recorremos a estatística descritiva; e, para determinar a correlação entre as variáveis associadas à pessoa com PD e ao cuidador com o index ordinal da ZBI, recorremos a regressão ordinal simples e a regressão múltipla stepwise. Resultados: Numa amostra de 245 díades, os cuidadores reportaram sobrecarga ligeira a moderada. O modelo de regressão múltipla apresentou como seus principais fatores preditores: a perceção do cuidador acerca do impacto da DP na relação; o burden financeiro; quantidade de horas dedicadas à prestação de cuidados; idade do doente; hipersexualidade e qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS). Em conjunto, estas variáveis explicaram 66.8% da variabilidade do index ordinal da ZBI. Conclusões: Cuidar de uma pessoa com DP acarreta sobrecarga substancial, decorrente sobretudo de alterações na dinâmica relacional, maior investimento temporal nos cuidados, existência de burden financeiro; idade mais avançada do doente, pior QVRS e comportamentos sexuais compulsivos deste.

Ano

2023

Creators

Soares, Gabriela Moreira

Effect of tableting-related parameters on the manufacture of oral solid dosage forms containing biologicals

Nos últimos séculos, os comprimidos têm sido a forma de dosagem mais popular no mercado farmacêutico, devido à fácil produção e adesão dos pacientes. O interesse em administração oral de produtos biológicos, particularmente enzimas como a catalase, tem crescido recentemente. O estudo desta enzima tem se demonstrado de elevado interesse devido ao seu fácil isolamento dos tecidos e devido às diversas áreas de aplicação. Durante a produção de comprimidos de produtos biológicos, proteínas são expostas a diferentes stresses (mecânicos e termais) que podem ter um impacto crítico na sua função biológica e atividade catalítica, devido ao efeito dos mesmos na estrutura da proteína (formação de agregados e alteração da estrutura secundária). Portanto, durante a produção de comprimidos contendo produtos biológicos, processos como a secagem (p.e., secagem por atomização) ou a compressão poderão afetar negativamente o produto biológico, levando a uma perda da sua eficácia. Desta forma, os sacarídeos têm sido utilizados em formulações como excipientes de forma a proteger a proteína destes efeitos adversos. Existem várias teorias que podem explicar a estabilização de proteínas com uso de sacarídeos, assim como a teoria da vitrificação e a teoria de substituição de moléculas de água. O dextrano, o manitol e a trealose são exemplos de sacarídeos estabilizadores utilizados em formulações, descritos na literatura. Assim, este trabalho teve como principal hipótese a demonstração do efeito de compressão na atividade de produtos biológicos e tem como objetivos o estudo da estabilidade em processo de produtos biológicos para administração oral, particularmente o entendimento da estabilidade enzimática durante a compressão, a identificação de excipientes estabilizadores, neste caso sacarídeos, que permitam a produção de produtos biológicos e a identificação dos limites em que a atividade enzimática é afetada devido a forças de compressão. Para este fim, catalase de fígado de bovino foi selecionada como proteína modelo e o dextrano 40, D-manitol e a trealose di-hidratada foram escolhidos como potenciais excipientes estabilizadores. Para esta investigação, comprimidos com diferentes rácios de catalase e sacarídeos (10/90, 30/70 e 50/50) e com diferentes forças de compressão (0,5, 1 e 2 T) foram produzidos, em que alguns comprimidos foram produzidos apenas com uma mistura física e em outros casos a mistura de catalase e do sacarídeo foi seca por atomização deforma a formar uma co-partícula. As propriedades críticas da proteína (em mistura e em comprimido) foram analisadas, em que a atividade biológica, o aumento do número de partículas e a estrutura secundária foram estudados através do ensaio enzimático da catalase, imagem de microfluxo e espectroscopia de reflexão total atenuada no infravermelho com transformada de Fourier, respetivamente. Estas propriedades foram avaliadas antes e após a compressão das misturas incluindo ou não secagem por atomização. Adicionalmente, de forma a estudar as X alterações estruturais das misturas após a secagem por atomização, foi realizada microscopia eletrónica de varredura e dispersão de raios-X de pequeno e amplo ângulo. Para complementar este estudo, foi feita uma Análise do Componente Principal (com as variáveis quantitativas – atividade biológica e número de partículas no intervalo de 25≤x≤50 μm), com o objetivo de observar a possível existência de uma relação entre a forca de compressão e as alterações na atividade biológica, número de partículas e sacarídeos utilizados. Por fim, a análise estatística de Bonferroni foi também utilizada para observar as diferenças entre as diferentes atividades biológicas e número de partículas entre as diferentes misturas com o mesmo rácio. Após a análise das propriedades referidas foi observada uma diminuição da atividade biológica em todas as misturas após a compressão. Nas misturas e comprimidos apenas com catalase verificou-se o efeito da compressão com a diminuição da atividade e o aumento de número de partículas, onde não foram observadas alterações na intensidade dos picos característicos da Amida II. Nas misturas físicas (em que não foi realizada a secagem por atomização) com dextrano, observou-se estabilidade entre as diferentes forças usadas para o rácio 30/70, mostrando-se o rácio mais estável entre todas as misturas consideradas. Geralmente, nas restantes misturas (manitol e trealose), ocorreu uma diminuição gradual da atividade biológica com o aumento gradual da força utilizada, sugerindo uma relação inversamente proporcional entre a força utilizada e a atividade da catalase. Complementando esta diminuição de atividade, o número de partículas aumentou após a compressão (provavelmente devido à agregação) e alterações na estrutura secundária da proteína foram observadas. A Análise do Componente Principal, confirmou a relação entre a força de compressão e a diminuição da atividade e o aumento do número de partículas, mostrando forte correlação na matriz de correlação e, por último, demonstrou que não existe relação entre o sacarídeo utilizado e estas propriedades. Pela mesma anállise foi demonstrado que no caso de número de partículas o intervalo mais significante foi o de 25≤x≤50μm (em todas as misturas), em que foi encontrada uma correlação mais forte com atividade e força de compressão, em comparação com os outros intervalos. No caso da estrutura secundária, as alterações são mais visíveis na zona da Amida II (onde existem diferentes intensidades de acordo com a mistura e força usada) e na zona característica das ligações O-H, o que poderá significar possíveis alterações de ligações entre a catalase e o sacarídeo. No caso das misturas em que foi utilizada a secagem por atomização, foi novamente observada a diminuição da atividade biológica, aumento do número de partículas e alterações de estrutura após o processo. Para estas misturas, o dextrano mostrou-se desestabilizador da proteína, sendo que a atividade biológica foi inferior em relação a da mistura física. No caso do manitol a atividade foi ligeiramente inferior e, no caso da trealose a atividade foi igual XI à da mistura física. Assim, apenas existiu estabilização com o sacarídeo trealose durante a secagem por atomização. Adicionalmente, o número de partículas aumentou consideravelmente em relação ao número de partículas dos comprimidos com misturas sem secagem por atomização e existiram visíveis alterações na estrutura das misturas. Além das alterações na estrutura secundaria da proteína (semelhantes às referidas anteriormente), ocorreu uma alteração da estrutura cristalina do manitol para uma mistura de estruturas cristalina e amorfa e no caso da trealose ocorreu uma transição de estrutura cristalina para amorfa. Todas as partículas possuem uma superfície com aspeto irregular, contendo covas. Estas alterações de estrutura poderão ter relação direta com a estabilização da proteína. A Análise do Componente Principal foi semelhante à da com as misturas que não foram secas por atomização, observando-se disposição semelhante das amostras nos gráficos e pequenas alterações na matriz de correlação. Desta forma, foi confirmado que a secagem por atomização tem efeito reduzido nas propriedades da proteína, particularmente na atividade biológica. Concluindo, foi observada uma relação entre a força de compressão, atividade biológica e número de partículas, sugerindo que a força de compressão afeta negativamente as propriedades mencionadas. Especificamente, a força de compressão, provoca mudanças estruturais que podem levar a agregação e por sua vez a uma perda de atividade biológica nas misturas físicas e nas mistura secas por atomização. A utilização de sacarídeos com o objetivo de estabilizar a catalase não se mostrou eficaz durante a compressão das misturas. Esta conclusão contraria a literatura que comprovam poder estabilizador destes sacarídeos durante a aplicação de stresses que afetam a estabilidade da proteína. A teoria hipotetizada foi desta forma confirmada com a observação do efeito negativo da força de compressão na estabilidade da proteína modelo.

Ano

2022

Creators

Fraga, Rúben Martins

Review of Dreams That Matter: Egyptian Landscapes of the Imagination

No summary/description provided

Ano

2012

Creators

Blanes, Ruy Llera

Is Observing Behaviour the Best Way to Understand Behaviour?

Doliński (2018, this issue) argues that Social Psychology may hardly be considered a science of behaviour anymore, given the rarity of published studies in which the dependent measures involve behaviours other than the completion of surveys, pressing of keys on a computer keyboard, or clicking a mouse. In the present, we comment on this void of empirical studies in which “real” human behaviours are examined to put forward the following points: i) Key-pressing can be a human behaviour as meaningful as any other more complex behaviour (i.e., behavioural complexity is not a good criterion for meaningfulness), ii) Lessons learned from past research in social psychology have shown us that studying “real” behaviour introduces a number of well-known complications, iii) Improvement in the comprehension of human behaviour depends more on a strong theoretical lens constrained by results obtained via rigorous experimentation than on the complexity of people’s observed actions.

Ano

2018

Creators

Garcia-Marques, Leonel Ferreira, Mário B.

Cálculo Fracionário Discreto e Equações com Derivadas Fracionárias

The fractional calculus is the theory of integrals and derivatives of arbitrary order. It was born when, in 1695, L’Hˆopital inquired Leibniz about what meaning could be ascribed to dnf(x)/dxnif n were a fraction. The discrete calculus together with the study of difference equations is a well establishedtheory that is used in the modelling of economical and biological phenomena. The merge of these two theories into the discrete fractional calculus and the study of fractional difference equations is a matter of the XXI century and is currently a subject of intensive research. In this thesis we aim studying some of the qualitative properties of the solutions of linear fractional difference equations.

Ano

2022

Creators

Rocha, César Duarte Alves da

Patient-derived organoids as a tool to assess drug response in pancreatic cancer

O cancro do pâncreas é uma doença agressiva com uma taxa de sobrevivência de 5 anos de apenas 10%. O adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC) é o tipo de cancro pancreático mais comum. Os regimes de combinação FOLFIRINOX e gemcitabina com nab-paclitaxel são os padrões para terapia sistémica em PDAC, porém estão associados a uma baixa taxa de resposta, existindo uma necessidade urgente de desenvolver novas terapias. A única terapia de precisão disponível é o inibidor de PARP olaparib, aprovado para o tratamento de doentes com mutações BRCA germinais. Porém, poucos doentes beneficiam deste tratamento devido à baixa prevalência destas mutações. Recentemente, foi demonstrado que a inibição de CDK12/CDK13 com SR-4835 sensibiliza células de cancro da mama triplo negativo sem mutações BRCA a inibidores de PARP. Perante estes resultados, colocámos a hipótese de que a inibição de CDK12/CDK13 com SR-4835 sensibiliza organoides derivados de doentes com PDAC ao olaparib, independentemente da presença de mutações BRCA. Organoides são estruturas tridimensionais derivadas de tecidos primários, utilizados como modelo de estudo devido à sua capacidade de preservar as características do tecido original e ao seu potencial de prever a resposta a tratamento em PDAC. Neste projeto, múltiplas linhas de organoides foram estabelecidas com sucesso a partir de amostras de PDAC e do ducto pancreático, obtidas através de ressecção cirúrgica e biópsia por agulha fina. Os organoides foram caracterizados por imunofluorescência. Foi verificada uma correlação entre a resposta de organoides e do paciente a terapias convencionais. Os organoides apresentaram diferentes sensibilidades à carboplatina e ao olaparib mas responderam ao tratamento com SR- 4835. Não foram encontradas mutações BRCA numa amostra de tumor cujos organoides correspondentes responderam ao olaparib. A combinação de olaparib com SR-4835 sensibilizou todos os organoides à inibição de PARP e um efeito sinérgico entre os dois componentes verificou-se em todos os casos. Os dados obtidos pelos ensaios de sequenciação a decorrer irão permitir o estudo do impacto da inibição de CDK12/CDK13 em células de PDAC e do mecanismo responsável pelo efeito sinérgico observado entre SR-4835 e olaparib. Os resultados deste projeto podem contribuir para melhorar o prognóstico desfavorável de PDAC por permitirem tratamento com olaparib numa gama de pacientes mais vasta, independentemente da presença de mutações BRCA.

Ano

2022

Creators

Gonçalves, Carolina Lopes