Repositório RCAAP

“Diante da Lei” A “moralidade do costume” entre Nietzsche e Kant

Resumo: A expressão “moralidade do costume” aparece pela primeira vez em Aurora e é significativamente reproduzida em Para a genealogia da moral. Uma pesquisa dos textos nos quais tal expressão é utilizada revela sua centralidade no estudo genealógico nietzschiano, e como ela está ligada a uma decisiva comparação com a filosofia prática de Kant.

Alfred Fouillée, ‘leitor lido’ de Nietzsche

Resumo: Este artigo visa a investigar as críticas que o sociólogo francês Alfred Fouillé faz a Nietzsche acerca de suas concepções morais. Apoiado nos textos de seu enteado, Jean-Marie Guyau, Fouillée contrapõe uma moral do altruísmo ao que entende ser uma moral nietzschiana: individualismo, egoísmo e violência. O texto indica os equívocos da leitura de Fouillée a partir dos próprios comentários de Nietzsche ao sociólogo francês e faz algumas aproximações entre Nietzsche e Guyau.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Fornari,Maria Cristina

Ser “bons Europeus” - sem a Europa

Resumo: Este artigo tem como objetivo mostrar como Nietzsche modela o conceito de “bom Europeu” em estreita referência ao seu conceito de síntese. Para entender o processo de síntese, devemos estudar o funcionamento do corpo como sistema de conflitos e de domínio. Os bons europeus de Nietzsche são homens capazes de uma síntese superior. Supranacionalistas e supraeuropeus são defensores do desenvolvimento da civilização após a libertação completa da moral cristã.

A concepção nietzschiana de ceticismo em Schopenhauer como educador

Resumo: O objetivo do presente ensaio consiste em esclarecer a concepção nietzschiana de ceticismo presente em Schopenhauer como educador - em especial, à luz do §3 da aludida obra. Sem passar ao largo das principais preocupações de Nietzsche em sua filosofia de juventude como um todo, bem como do horizonte hermenêutico pós-kantiano que lhe é contemporâneo, o texto conta enfatizar que, na terceira Consideração extemporânea, Nietzsche está sobretudo preocupado com as consequências corrosivas do ceticismo à filosofia (e aos filósofos), e, potencialmente, à inteira cultura de sua época, razão pela qual estaria empenhado, já, na elaboração de uma sabedoria capaz de neutralizar tal periculosidade, fornecendo uma orientação aos nossos mais profundos e efetivos problemas vitais.

O encontro com o mal. O jovem Nietzsche diante da doença (1844-1862)

Resumo Este artigo examina um período muito breve da juventude de Nietsche, de seu nascimento a 1862. Durante estes anos Nietzsche descobre progressivamente que o mundo encantado ao interno do qual ele nascera, protegido e seguro, não é imune ao mal e às doenças. Neste estudo examina-se todas as doenças que Nietzsche viu entrar em casa, através do pai, dos parentes e dos amigos. Antes mesmo que sua biografia registrasse patologias que ele carregará consigo até o fim (dores de cabeça, nos olhos, no estômago etc.), Nietzsche encontrará as feições do mal nas formas históricas que a sua época registrou (cólera, escarlatina, tifo) deixando marcas indeléveis no seu imaginário.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Zacchini,Simone

Quando a ciência é ídolo: um comentário crítico sobre a psicologia moral nietzschiana de Leiter

Resumo: A finalidade deste artigo é bastante pontual e específica: evidenciar os problemas do tratamento acrítico dado à psicologia por Brian Leiter em seu recente Moral Psychology with Nietzsche (2019). O autor inclui, sem se empenhar em qualquer discussão metodológica, a psicologia no rol do que chama de “ciências bem-sucedidas”, tomadas como i) certificadoras do m-naturalismo nietzschiano; ii) dotadas de primazia sobre a própria filosofia na determinação do que é um “raciocínio filosófico” significativo; iii) fornecedoras de um amplo e inconteste corpo de evidências de que a psicologia moral de Nietzsche “está certa” em relação a teses profundamente complexas. Minha exposição consiste em mapear a construção conceitual desse m-naturalismo, e, posteriormente, evidenciar que não há, na psicologia empírica contemporânea, nada próximo da caracterização pretendida por Leiter.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Backendorf,Jonas

Sob a máscara de Dioniso: a recepção de Nietzsche pela poesia de Augusto dos Anjos

Resumo Este artigo demonstra a recepção do pensamento de Friedrich Nietzsche pela poesia de Augusto dos Anjos (1884 - 1914), poeta brasileiro que, em vida, publica sua única obra intitulada Eu (1912). A tragicidade com que o poeta opera, ironicamente, as máscaras que veste e despe ao longo de sua obra (que organicamente funciona como grande peça trágica); a força apolínea com que desenha as imagens que carregam uma musicalidade tão dilaceratória e incandescente (e , por isso , dionisíaca) são estratégias essenciais da poesia angelina que, certamente dialogam com a filosofia poética de Nietzsche.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Casemiro,Fábio Martinelli

A recepção de Nietzsche na Primeira Escola de Formação Pastoral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Resumo Como rebento de uma família de tradição luterana, Nietzsche não poderia estar ausente do rico material produzido nos quase cem anos da presença da Escola Superior de Teologia (EST). Mesmo que o acervo bibliográfico da dita Escola esteja eminentemente voltado ao atendimento do curso de teologia, há um acervo filosófico digno de nota. Entre os diversos volumes que preenchem as dezenas de estantes da filosofia, se encontram textos escritos por Nietzsche, bem como livros escritos sobre este autor. A maioria destes escritos em língua alemã na Alemanha, mas também inúmeros escritos em alemão, porém no Brasil. Neste artigo pretendemos analisar estes últimos escritos, de maneira a realizar uma leitura de como foi a recepção de Nietzsche na primeira escola de formação de pastores do Brasil.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Feiler,Adilson Felicio

Apontamentos sobre um excerto demasiado lido

Resumo Lida sem atenção, a avaliação do Poema de Parmênides por Nietzsche corre o risco de frustrar, mais do que estimular, os leitores não-iniciados em Filosofia. Pois, nela o filósofo não só ignora a pesquisa sua contemporânea sobre o Eleata, como insere o seu pensamento numa polêmica antiracionalista, recheada de equívocos e intuições infundadas. É nosso objetivo aqui tentar restituir credibilidade a esta avaliação, apontando as linhas que orientam o diálogo do crítico com o seu objeto tanto para o senso-comum, como para o seu próprio pensamento.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Trindade Santos,José Gabriel

Nietzsche e a sífilis: o polêmico diagnóstico do Dr. Möbius

Resumo A intenção do artigo está em reabilitar o diagnóstico de sífilis de Nietzsche proposto pelo neurologista alemão Paul Möbius, autor da obra Nietzsche. Doença e filosofia (Nietzsche. Krankheit und Philosophie). Para tanto, ele traz a relação ambígua que o médico estabelece com a irmã do filósofo - sempre ávida em elucubrar versões para desviar da hipótese do acometimento por sífilis -, traz à luz o comentário de Möbius sobre o “acidente” que teria vitimado o pai de ambos, evidencia a correlação entre paralisia e sífilis, compara as versões de Elisabeth e do próprio Möbius para a anedota do bordel (1865), narrada por Paul Deussen, deslinda as excessivas (e sugestivas) preocupações do filósofo com o nariz, que poderia ser afetado como decorrência da sífilis. E, não por último, se Möbius erra ao excessivamente patologizar suas interpretações de Nietzsche, o texto faz ver o quanto a patologização de elementos do percurso intelectual do filósofo contribuiu para a transmissão despreocupada de sua obra.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Niemeyer,Christian

Pensar em opostos: a crítica cultural de Friedrich Schiller e Friedrich Nietzsche

Resumo O entendimento de Friedrich Nietzsche sobre Friedrich Schiller é bem conhecido e culmina em 1888, na desqualificação que se tem com “Schiller: ou o trompetista moral de Säckingen”. Mas é sabido que suas considerações são contraditórias, mudando com frequência nas diferentes etapas de sua vida produtiva. A monografia de Nicholas Martin (1996) marca um ponto de viragem no que diz respeito a este tema, refutando a disseminada compreensão de que somente o jovem Nietzsche teria experimentado admiração por Schiller, depois vindo a assumir distância cada vez maior. A dívida de Nietzsche para com Schiller, segundo Martin, é constante, e manifesta-se sobretudo em sua recepção das cartas estéticas. O que se pretende fazer ver aqui, seguindo a tradição de Wolfgang Riedel (2011), é que o ensaio Sobre a poesia ingênua e sentimental [Über naive und sentimentalische Dichtung] é tão ou mais importante neste contexto sobretudo quando dirigimos nosso enfoque para o contexto da crítica cultural. Várias declarações de Nietzsche, por exemplo, formulada em 1870, “não estou em condições de empregar essa terminologia esplendorosamente schilleriana para o inteiro e mais amplo domínio de toda a arte” (Nachlass/FP 7 [126] KSA 7.184), confirmam tal suposição, e uma vez que, no mesmo momento de elaboração de O nascimento da tragédia no espírito da música, ele se propõe a “[…] fortalecer o conceito do ingênuo e do sentimental” (Nachlass/FP 7 [172], KSA 7.206), tem-se justificada a intenção de relacionar ambas as obras-chave de ambos os Dichterphilosophen [filósofos poetas] do ponto de vista da crítica cultural.

“Nós, deuses no exílio!”: Heine, Nietzsche e os “erros” do homem sobre si mesmo*

Resumo A partir da concepção de que filosofia, para Nietzsche, é a arte da transfiguração, o texto analisa como Nietzsche incorpora e transfigura Os deuses no exílio, de Heinrich Heine. Nietzsche teria invertido a perspectiva do problema posto por Heine, bem como o seu procedimento expositivo: se o poeta traz o que seria uma humanização e aburguesamento dos antigos deuses como ato de degradação cósmica pelo qual a ascensão do cristianismo seria culpada, Nietzsche analisa a equivocada autodivinização do homem por meio da moral como megalomania trágica, cuja consequência seria a invocação do sofrimento da existência terrena e a esperança numa vida melhor, supraterrena.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Kaufmann,Sebastian

O espírito livre de Nietzsche e o gênio de Schopenhauer: um paralelismo

Resumo Este artigo tem o objetivo de mostrar as semelhanças entre o espírito livre de Nietzsche e o gênio de Schopenhauer. Em primeiro lugar, ambos compartilham de uma abordagem mística do conhecimento: perdem sua individualidade e identificam-se aos objetos do conhecimento com o intuito de obter conhecimento do mundo. Em segundo lugar, ambas as figuras (gênio e espírito livre) encontram-se associadas à loucura. Em terceiro lugar, o espírito livre e o gênio são indivíduos excepcionais que, diferentemente do que se passa com a maior parte dos indivíduos, já não se encontram atrelados a questões mundanas. Conduzem-se na vida pacificamente, pairando sobre os valores em que as pessoas mais acreditam, cientes de sua falsidade.

“Uma perigosa travessia”. Equilibrista e bufão em Assim falava Zaratustra

Resumo Livro para todos e para ninguém, Assim falava Zaratustra ocupa, com efeito, um lugar especial no conjunto da obra de Nietzsche. Já no Prólogo do livro, o filósofo alemão faz intervir concepções únicas e personagens sui generis, tais como, por exemplo, a noção de além-do-homem e as figuras do equilibrista e do bufão. Explorando a rica mediação narrativa e as finas referências textuais que constituem essas duas simbólicas personagens, bem como os possíveis sentidos conferidos à ideia de superação do tipo “homem”, o presente artigo conta lançar uma nova luz sobre um dos núcleos temáticos mais discutidos do legado nietzschiano.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Grätz,Katharina

“Uma lei da representação”: o eterno retorno do mesmo na filosofia de Giorgio Colli

Resumo O presente artigo visa apresentar as peculiaridades da interpretação de Giorgio Colli para o pensamento do eterno retorno, numa interpretação que não lhe imputa traço ético nem estético, e sim metafísico. Para tanto, trata-se de, em primeiro lugar, apresentar Parmênides como precursor do eterno retorno, invocando-se a circularidade do ser e da consciência; num segundo momento, trata-se de tomar o eterno retorno como um contato pré-racional, próprio do tempo que expressa a esfera da imediaticidade; num terceiro momento, evidencia-se a força do eterno retorno em sua carga contraditória e seu caráter agonístico. Ao final tem-se o eterno retorno, para Colli, como uma terceira verdade, com a qual Nietzsche pretendeu contrabalançar a verdade do vir-a-ser (primeira verdade) a suscitar a dor metafísica (segunda verdade).

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2022-12-06T13:20:35Z

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Attolini,Rossella

Nietzsche: Estilística para uma nova linguagem do pensamento

Resumo O artigo procura realizar uma análise do estilo de Nietzsche. O filósofo faz uso da linguagem para fundamentar e lançar suas críticas a todos os campos do saber. Desse modo, ele leva a linguagem, a matéria-prima do artista, a uma crise. Com isso, ele tenta, por meio de uma escrita renovada, a criação de um mundo mais artístico. Ao estabelecer uma relação entre estilo e vida, Nietzsche faz que a corporeidade desempenhe um papel fundamental em seus escritos.

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2022-12-06T13:20:35Z

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García,Carmen Gómez

Nietzsche por suas cartas

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2022-12-06T13:20:35Z

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Costa,Gustavo Bezerra do N.

Máscaras sem rosto: Zaratustra como um mestre “pós-nietzschiano”

Resumo Após uma breve passagem pela noção de máscara em Nietzsche, e sua ligação com a ideia de toda “identidade” possível, vamos analisar o lugar da máscara de Zaratustra como mestre, e os significados de seu “ensinamento”. Mostraremos como o ensino de Zaratustra é uma forma de não-ensinamento e, nesse sentido, indicaremos a forma como esse não-ensinamento se torna visível como tal em alguns problemas do pensamento contemporâneo.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Cragnolini,Mónica B.

A filosofia em cena: crítica e afirmação da teatralidade em Nietzsche

Resumo O propósito deste artigo é mostrar a contribuição de Nietzsche à revolução nas práticas da encenação que ocorreram no Século XX, bem como sua relevância como crítico apaixonado pelo potencial de uma forma de arte que ele sentia que era interpretada em sua época de forma diminuída. A partir de seu estudo do teatro grego na obraO nascimento da tragédia, sublinha a importância da encenação na tragédia antiga, a qual estava para além do texto escrito por seu autor. Oferece com isso uma análise da ideia de teatro como arte, a qual é consubstancial realizar-se em três dimensões: a do ator, a do poeta ou escritor do texto e a do espectador. Nietzsche defende a especificidade desses três papéis para toda realização teatral e o sentido filosófico que tem o teatro como autêntica forma artística. Conclui-se o artigo mostrando a recepção do pensamento teatral de Nietzsche em autores como August Strindberg, George Bernard Shaw e Eugene O'Neill, que buscarão novas formas e novos significados para sua arte.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Sánchez Meca,Diego