Repositório RCAAP
Relação entre o padrão e o volume das refeições na composição corporal, índice de massa corporal e sintomatologia nos doentes com DPOC
Introdução: A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) representa um desafio importante na saúde pública global com uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade. A fisiopatologia implica uma inflamação sistémica que leva ao aparecimento de alterações pulmonares e extrapulmonares e que podem ser perturbadas por variações no ritmo circadiano. A nutrição parece ser uma das variáveis que pode interferir no ciclo circadiano na qual se definiu como crononutrição. O padrão das refeições é um dos mecanismos da crononutrição que pode ser usado como uma estratégia dietética. Objetivo: Determinar se o padrão das refeições, o volume e o peso total dos alimentos se relacionam com os parâmetros antropométricos e sintomatologia respiratória em doentes com DPOC. Métodos: O estudo foi transversal analítico. Foram recolhidos dados sociodemográficos e clínicos. Foram realizadas correlações no padrão da ingestão alimentar com os parâmetros antropométricos e a sintomatologia respiratória. Resultados: Foram recrutados no total 18 participantes (16 do sexo masculino, 68,7 ±7,2 anos, 41,6 ±20,9 FEV1% previsto). A maioria dos participantes referiu que o número de refeições foi entre 3-4 por dia (n=14, 77,8%) e o intervalo de tempo entre cada refeição foi entre 3-4h (n=15, 83,3%). Metade dos participantes apresentou um índice de massa corporal dentro do intervalo da normalidade (25,4kg/m2 ±4,7) e a massa gorda (29,2% ±8,3) e o perímetro abdominal (94,7cm ±20,0) estavam acima dos valores de referência. O volume das porções alimentares teve uma correlação moderada positiva com a sintomatologia respiratória (Dispneia: rho=0,501; Fadiga: rho=0,499; CAT: rho=0,471; p<0,05). Não foram observadas outras correlações significativas (p>0,05). Conclusão: Os doentes com DPOC que consomem uma maior quantidade de alimentos com alto volume apresentam uma maior perceção de sintomas respiratórios. São necessários mais estudos para confirmar esta relação entre o padrão da ingestão alimentar nos parâmetros antropométricos e na sintomatologia respiratória em doentes com DPOC.
Impacto da Diabetes Mellitus tipo 2 na função cognitiva
Introdução: A Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença metabólica, com elevada prevalência, tendo sido relacionada com um maior risco de desenvolvimento Défice Cognitivo Ligeiro. A aplicação de testes de rastreio cognitivo permite a deteção precoce desta condição clínica. Objetivo: Comparar o desempenho de pessoas com e sem diabetes tipo 2, através do rastreio cognitivo. Materiais e métodos: Foram estudados 105 utentes acompanhados na consulta externa do Serviço de Endocrinologia de um hospital público central, dos quais, 60 (57,1%) com diabetes tipo 2 e 45 (42,9%) sem diabetes. Foram recolhidos dados sociodemográficos, antropométricos, clínicos e bioquímicos. Como instrumentos de rastreio cognitivo foram aplicados o Montreal Cognitive Assessment, o Mini Mental State Examination, uma escala de atividades instrumentais da vida diária (Lawton e Brody) e um questionário de frequência de consumo alimentar. Resultados: Os grupos eram homogéneos nas variáveis sociodemográficas e clínicas, exceto por uma prevalência mais elevada de dislipidemia no grupo com diabetes. O grupo com Diabetes apresentou scores inferiores em ambos os rastreios cognitivos (p=0,002 no Montreal Cognitive Assessment e p=0,001 no Mini Mental State Examination). Contudo, apenas no Mini Mental State Examination se verificou uma percentagem de pessoas com DCL significativamente mais elevada no grupo com diabetes (28,6% vs 0,0%, p=0,03). Não se verificaram diferenças nas atividades instrumentais da vida diária, nos parâmetros antropométricos ou bioquímicos. O consumo de café e chá preto correlacionou-se com um melhor desempenho cognitivo (r=0,401 e r=0,304 respetivamente). Discussão: Verificou-se um desempenho cognitivo inferior nas pessoas com diabetes em ambos os rastreios. Além disso, através da aplicação do MMSE, encontrou-se uma maior percentagem de DCL neste grupo. O facto de o estudo ter decorrido em plena pandemia de COVID-19, poderá ter contribuído para a elevada prevalência de DCL nas pessoas com diabetes, as quais apresentam um risco acrescido para o desenvolvimento de formas mais graves da doença. Os resultados sugerem ainda um eventual efeito benéfico do consumo de café e chá na população com diabetes. Salienta-se a importância da sensibilização dos profissionais de saúde para o rastreio precoce do DCL e a adequação da respetiva intervenção.
Nutrient sensing in Plasmodium : the role of sirtuins
A malária é uma doença infeciosa causada por parasitas do género Plasmodium, sendo uma das doenças infeciosas mais prevalentes em todo o mundo. O ciclo de vida do parasita divide-se entre um hospedeiro invertebrado (mosquito) e um vertebrado (humano). No Homem, o parasita começa por se estabelecer no fígado (hepatócitos) e, posteriormente, no sangue (eritrócitos). Quando os parasitas invadem os glóbulos vermelhos, podem dar origem a gametócitos (após alguns ciclos) ou iniciam um processo de replicação assexuada que culmina numa nova geração de merozoítos que infetam novas eritrócitos. Isto conduz a um aumento da parasitémia que está associada à gravidade da doença. Os eritrócitos infetados com P. falciparum têm a capacidade de sequestrar dentro dos pequenos e médios vasos, impedindo a eliminação dos parasitas através do baço, isto leva ao aparecimento de lesões celulares e obstrução microvascular. Esta sequestração está associada à progressão para malária cerebral, uma das formas graves desta doença. Este fenótipo está dependente de uma família de proteínas (P. falciparum erythrocyte membrane protein 1 (PfEMP1)), sendo a sua atividade dependente da transcrição dos genes var. O parasita tem a capacidade de mudar entre aproximadamente 60 genes var, usando um mecanismo epigenético, dependente das sirtuínas, que garante que apenas uma PfEMP1 é expressa de cada vez, permitindo que o parasita escape ao sistema imune do hospedeiro. A biomassa do parasita é outro fator que influencia a gravidade da doença e está associado à quantidade de parasitas presentes no sangue periférico. Ambos os fatores contribuem para o agravamento da doença, devendo assim ser o foco de futuros estudos no que diz respeito ao desenvolvimento de drogas anti-maláricas. Atualmente, existem 14 medicamentos aprovados para tratar a malária, como é o caso da artemisinina e os seus derivados. O principal problema destes tratamentos está relacionado com é o rápido desenvolvimento de resistências que impede a erradicação da malária. Apesar de, em outubro de 2021, a vacina RTS,S/AS01 ter sido aprovada pela Organização Mundial de Saúde para uso em crianças, esta apresenta uma eficácia moderada em termos de extensão e duração da imunidade que diminui rapidamente em zonas em que a taxa de transmissão é elevada. Assim sendo, os esforços devem ser direcionados para o desenvolvimento de uma vacina eficaz que permita a erradicação da malária em todo o mundo ou novos tratamentos. A restrição calórica consiste numa redução da ingestão calórica total sem desnutrição. Associam-se à restrição calórica alguns benefícios que estão relacionados com um mecanismo subjacente que os organismos utilizam para se adaptarem eficientemente à falta de nutrientes e que estão comumente associados a uma melhoria no estado de saúde. Sendo o caso de certas patologias associadas ao envelhecimento, mas também a infeções causadas por microrganismos. A diminuição de nutrientes é uma condição que exerce pressão sobre o organismo para selecionar mecanismos eficientes de deteção de nutrientes. Um dos exemplos mais descritos na literatura é a interação AMPK-SIRT1. Está descrito que a diminuição dos níveis de glicose causa uma ativação da AMPK, acompanhada por um aumento da síntese de NAD+ e subsequente diminuição dos níveis de nicotinamida, ambos os processos associados à atividade das sirtuínas. Existem também alguns compostos que podem ativar diretamente as vias envolvidas na resposta à restrição calórica e imitar os benefícios associados sem que haja uma diminuição da ingestão de nutrientes. Estes compostos são conhecidos como miméticos de restrição calórica, e alguns exemplos são o SRT2104, um ativador altamente específica para SIRT1 em mamíferos, e o ácido salicílico um ativador da AMPK. Demonstrou-se que a utilização destes compostos está associada ao aumento da atividade destas proteínas, recriando os benefícios da restrição calórica. Plasmodium spp. também possui mecanismos de deteção de nutrientes que permitem sentir mudanças nutricionais do hospedeiro, alterando a sua taxa de crescimento. Num trabalho recente do nosso grupo foi identificado que durante a fase sanguínea da infeção os parasitas podem sentir as alterações nutricionais do hospedeiro, levando a alterações na replicação. Esta atividade é mediada por uma cinase relacionada com AMPK, KIN. No entanto, continua a não ser claro como é que esta proteína interage com outras e como é que a resposta é construída para culminar num menor crescimento de parasitas em ambientes de restrição calórica. De acordo com o estado de arte atual, as sirtuínas são descritas como sensores de energia em leveduras e mamíferos. Apesar do parasita da malária ter duas sirtuínas (SIR2A e SIR2B), até ao momento nenhuma foi descrita como um mecanismo de deteção de nutrientes. PfSir2a está associada à patogénese e persistência da malária devido à regulação epigenética de genes de virulência são vitais para o P. falciparum (genes var e rifin). Além disso, foi demonstrado que o PfSir2a tem um papel importante na síntese do RNA ribossomal eucariótico, que determina o crescimento e a proliferação celular. A sobre expressão de PfSir2a diminui os níveis de rRNA, levando consequentemente a uma diminuição dos níveis de merozoítos durante a fase sanguínea da infeção. Também está descrito que parasitas que não apresentam o gene que codifica esta proteína produzem um número mais elevado de merozoítos, sugerindo o envolvimento desta proteína na regulação de síntese de ADN. A atividade das sirtuínas parece estar dependente do estado metabólico, visto que é regulada pelos níveis de NAD+. Seguindo esta linha, a PfSir2a pode potencialmente atuar como um sensor metabólico, ao regular a proliferação do parasita em resposta à restrição calórica. Para validar esta hipótese, usámos métodos genéticos e químicos para compreender o papel das sirtuínas na resposta do parasita à restrição calórica e como a interação KIN-SIR2A molda esta resposta. Assim, neste estudo, investigámos o papel das sirtuínas na resposta do Plasmodium spp à restrição calórica. Para esse efeito, acompanhámos in vivo, por citometria de fluxo e microscopia, a progressão da fase sanguínea da infeção de parasitas WT e SIR2a KO em ratos BALB/c sujeitos ou não a restrição calórica. Adicionalmente a análise foi também feita in vitro, verificando por microscopia o desenvolvimento dos parasitas (WT e SIR2a KO), por um ciclo, quando expostos a condições de restrição calórica e a miméticos de restrição calórica. Após a verificarmos que a resposta à restrição calórica no P. berghei é dependente da SIR2A, ensaios in vitro foram também replicados em culturas de P. falciparum , no entanto por se tratar de um parasita que infeta humanos não foi possível recriar um ambiente de restrição calórica usando soro de ratazana, optamos então por apenas usar os miméticos de restrição calórica para estudar o comportamento deste parasita quando as vias são ativadas. Observámos que ambos os parasitas (WT e SIR2A KO) apresentam uma diminuição do crescimento quando expostos a estes compostos, o que pode sugerir um efeito off-target das drogas ou mecanismos diferentes de resposta à restrição calórica nas duas espécies do estudo, o que levanta novas questões para estudos futuros. Os nossos resultados mostram que a ativação de uma das sirtuínas, SIR2A, em Plasmodium spp. desempenha um papel fundamental na resposta à restrição calórica, diminuindo o número de merozoítos por esquizonte. Estes resultados são apoiados pelo facto dos parasitas mutantes, in vitro, apresentarem o mesmo número de merozoítos por esquizonte em condições ad-libitum e em restrição calórica. Paralelamente, também estabelecemos pela primeira vez que, à semelhança de outras espécies, existe uma via envolvida na resposta à restrição calórica que é dependente da interação KIN-SIR2A. Este trabalho dá-nos o primeiro vislumbre de um mecanismo altamente conservado noutros organismos que também está presente no Plasmodium spp., abrindo uma nova porta de investigação envolvendo o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento.
A missionação franciscana no estado do Grão-Pará e Maranhão (1622-1750) : agentes, estruturas e dinâmicas
Esta Tese pretende analisar, partindo do conhecimento da sua estrutura interna, o modo como a Ordem Franciscana se implantou no antigo Estado do Grão-Pará e Maranhão, e aí exerceu o seu munus durante três séculos. Sistematiza-se, à luz de abundante documentação inédita, a orgânica desta Ordem Mendicante, os seus principais agentes, com destaque para Frei Cristóvão de Lisboa, e o seu percurso histórico na Amazónia colonial portuguesa. Explicam-se os mecanismos e dinâmicas de que os Menores, sobretudo os da Província de Santo António, responsável primeira desse processo, se serviram no decurso do seu apostolado, relacionando-a com outras instituições e agentes, tanto no terreno, desde os moradores, índios ou brancos, aos membros de governação local e às outras ordens regulares e clero secular, como no Reino, desde a Coroa às instâncias que regulavam a vida eclesiástica e a missionação. Parte-se, assim, do entendimento do sentido de Missão da Ordem Franciscana nas suas bases arcanas, e a orgânica das estrutura daí decorrentes, tomando como pressuposto que, se não houvesse essa matriz fundadora – o desiderato de evangelizar, propagar a fé cristã, divulgar a mensagem, pregar o Evangelho –, a própria existência desta organização no antigo Estado colonial do Norte brasileiro estaria comprometida. Seguindo a exportação de práticas evangelizadoras e de modelos pedagógicos, a acção dos Franciscanos antoninos no espaço amazónico nos séculos XVII e XVIII foi uma história marcada por duas vertentes distintas e complementares: a fidelidade a valores de identidade e a um lugar de pertença, ou seja, uma instituição com Regra, estatutos e jurisdição próprios, e a aplicação desta, tantas vezes de forma contraditória e conflitual. Tal explica o papel identitário dos antoninos, e também os conflitos com as estruturas da governação colonial, os vários grupos laicos e religiosos e, até, os que existiram no seio da família franciscana entre os três ramos, com a chegada de frades da Piedade (1693) e a cisão com os da Conceição (1706). Tem que se entender o historial desta instituição, não só a partir da actuação no espaço colonial onde estavam integrados, mas também dentro da dinâmica da Ordem Seráfica, que foi sempre um factor determinante, fazendo valer privilégios, prerrogativas e jurisdições em qualquer lugar do antigo Império português. Importa perceber de que modo os Franciscanos actuaram, quais os processos que utilizaram, e o que tinham de diverso em relação a outras instituições afins; que marca 14 identitária lhes permitiu distinguirem-se dos outros agentes no terreno. Que diferença? Há diferença? E se a História precisa de interpretar os vestígios memoriais subjacentes, o presente estudo vem demonstrar que os Franciscanos não escreveram a sua História na areia, e que é possível reavaliar este capítulo da historiografia luso-brasileira. É deste legado histórico, cultural, ideológico, e patrimonial, edificado pelos Franciscanos desde a formação do Estado pará-maranhense, a partir de 1621, que trata a presente dissertação.This thesis intends to find out the role of the Franciscan Order, starting from the knowledge of its internal structure, in order to examine the way of its deep fixing in the State of Grão-Pará and Maranhão, bearing there its munus for three centuries.
Caracterização dos hábitos de ingestão nutricional e da composição corporal de atletas de dança desportiva em Portugal
Introdução: A Dança Desportiva (DD) é um tipo de dança, sendo atualmente considerado como um desporto dado a sua vertente competitiva. Uma nutrição equilibrada e ajustada e não apenas uma ingestão energética adequada, parece ser relevante para atingir o desempenho ideal na dança. Objetivos: Caracterizar a ingestão alimentar e o estado nutricional de atletas portugueses de DD e avaliar a sua composição corporal. Metodologia: Avaliação antropométrica de 27 dançarinos através de uma balança de bioimpedância, fita métrica e adipómetro; aplicação de um diário alimentar 24h para avaliar a sua ingestão alimentar e aplicação de um questionário - International Physical Activity Questionaire (IPAQ) - para avaliar o nível de atividade física dos dançarinos. Resultados: A maioria dos dançarinos demostrou ser normoponderal (74,1%). A massa gorda oscilou entre os 9% e os 39,9%, a massa muscular variou entre 27,6 % e 47% e a gordura visceral oscilou entre os níveis 2 e 9. Nos dias de semana/fim-de-semana os dançarinos ingeriram cerca de 1676,1 kcal por dia. A proteína representou cerca de 26,6% do valor energético total (VET), os hidratos de carbono representaram 46,3% e os lípidos 27,2%. Em dias de competição, os dançarinos ingeriram cerca de 1428,8 kcal por dia. A proteína representou cerca de 21,1% do VET, os hidratos de carbono representaram 49,3% e os lípidos 29,7%. Dezanove (70,4%) participantes foram classificados como “Muito ativo” e oito (29,6%) como “Moderadamente ativo”. Nenhum atleta foi classificado como sedentário. Discussão/Conclusão: Comparando com as recomendações nutricionais publicadas no contexto da dança desportiva, seria recomendado um reforço na alimentação dos atletas no que diz respeito aos hidratos de carbono e proteínas em dias de competição. Os atletas têm poucos cuidados com a alimentação no seu dia-a-dia e em especial em dias de competição, influenciando eventualmente a sua composição corporal e rendimento. Embora as recomendações nutricionais para outros desportos possam ser adaptadas para dançarinos, a necessidade de desenvolver diretrizes específicas para a dança desportiva é urgente.
2025-10-28T12:08:55Z
Pedro, Bárbara Mancebo Vieira
Composição corporal na cirurgia colorretal eletiva do programa Enhanced Recovery After Surgery®
Introdução: O cancro colorretal (CCR) é o mais comum em Portugal. A cirurgia, considerada o tratamento primário da doença não metastizada, desencadeia uma resposta ao stress, onde o programa Enhanced Recovery After Surgery® (ERAS®) foca-se na otimização dos resultados cirúrgicos. A sarcopénia, mioesteatose e obesidade visceral, definidos por Tomografia Computorizada (TC), têm sido associadas a maior morbilidade e mortalidade, em doentes cirúrgicos e oncológicos, mas são poucos os estudos em doentes ERAS® com CCR. Objetivo: Estudar a associação de perfis de composição corporal (sarcopénia, mioesteatose e obesidade visceral) com as complicações pós-operatórias dos doentes ERAS® submetidos a cirurgia colorretal. Metodologia: Estudo retrospetivo, com inclusão de 232 doentes ERAS® de cirurgia colorretal. Na análise das imagens TC pré-operatória, por intervalos de Hounsfield Units, obteve-se dados de diferentes tecidos e classificou-se os doentes com sarcopénia, mioesteatose e obesidade visceral. A análise estatística permitiu investigar a influência destes perfis e de outros parâmetros na taxa de complicações pós-operatórias. Resultados: O estudo mostrou uma prevalência de 39% de sarcopénia, 61% de mioesteatose e 70% de obesidade visceral e, 23% dos três perfis, no pré-operatório. Mioesteatose, tecido adiposo intramuscular (TAIM) elevado, risco anestésico (American Society of Anesthesiology) elevado, compliance baixa e cirurgia aberta estavam associados a maior risco de complicações pós-operatórias (p<0.05). Não foram encontradas associações com sarcopénia (p=0.322) ou obesidade visceral (p=0.068). Na análise multivariada, TAIM mostrou ser fator preditivo independente de complicações pós-operatórias (OR, 1.059; IC 95%, 1.031-1.092; p<0.001) e, compliance (OR, 0.902; IC 95%, 0.858-0.946; p<0.001) e laparoscopia (OR, 0.455; IC 95%, 0.246-0.837; p=0.016) fatores protetores independentes. Conclusão: Existe uma grande prevalência destes perfis de composição corporal, associados a um pior desfecho pós-operatório, em doentes ERAS® submetidos a cirurgia colorretal, na população estudada. A identificação de mioesteatose deve ser considerada no pré-operatório, pois pode representar um fator de risco modificável.
2025-10-28T12:13:47Z
Correia, Filipa Alexandra Lucas
Caracterização da avaliação do estado nutricional e metabólico pré e pós mini bypass gástrico OAGB-MGB
Introdução: A obesidade associa-se a um risco acrescido de desenvolver múltiplas patologias. OAGB é um procedimento misto, pois envolve um componente restritivo e um componente mal absortivo. As técnicas cirúrgicas com componente mal absortivo estão associadas a um aumento do risco de carências nutricionais. Objetivos: Avaliar o estado nutricional e metabólico de pacientes submetidos a OAGB, comparando os momentos pré e pós cirurgia; avaliar a remissão de comorbilidades associadas à obesidade e analisar, os efeitos do procedimento nos défices nutricionais e na perda de peso. Metodologia: Foi realizado um estudo coorte retrospetivo n=43, constituído por ambos os géneros, com idades superiores a 18 anos, que recorreram às consultas de um centro multidisciplinar da doença metabólica, na região de Lisboa e Vale do Tejo entre setembro de 2018 a setembro de 2019, e foram submetidos a OAGB. Tendo sido analisado os parâmetros antropométricos, bioquímicos, metabólicos e a redução da morbilidade associada à obesidade, em 4 momentos de avaliação distintos pré e pós-operatório, aos 3, 6 e 12 meses. Resultados: A amostra foi constituída por 81,4% mulheres e 18,6% homens, com IMC inicial de 41,43 e final de 27,16, e massa gorda inicial 41,10% e final 32,20%. Observou-se uma diminuição na prevalência das comorbilidades associadas à obesidade, HTA, hipercolesterolemia e HDL. Relativamente à prevalência de DM, pré DM2 e TG observou-se uma redução. Os défices de micronutrientes como ácido fólico, ferro e vitamina D apresentaram uma redução ao longo do primeiro ano, contrariamente o défice de cálcio aumentou. 93,3% da amostra teve sucesso cirúrgico. Discussão/Conclusão: O OAGB induz uma perda de peso significativa, originando uma melhoria da morbilidade associada à obesidade. Após cirurgia bariátrica os indivíduos apresentaram uma diminuição na prevalência da maioria dos défices nutricionais à exceção do cálcio. Os pacientes bariátricos devem manter acompanhamento por equipa multidisciplinar especializada a longo prazo de forma a prevenir complicações.
2025-10-28T12:09:36Z
Rodrigues, Sara de Figueiredo
Tinea capitis : análise em hospital universitário terciário da área de Lisboa (Agosto de 2018 a Maio de 2020)
A tinea capitis é uma infeção dermatofítica do couro cabeludo, que acomete principalmente crianças entre três e oito anos e tem impacto social relevante. A lesão primária pode evoluir para alopecia cicatricial como sequela. A presente tese teve com objetivo relatar as espécies de tinea capitis prevalentes na região de Lisboa, identificar a faixa etária mais atingida, comparar estatisticamente os resultados entre os principais meios de diagnóstico (exame direto e cultivo micológico), otimizar o diagnóstico definitivo com a associação de exames de reação em cadeia da polimerase (PCR) e sequenciação de amostras obtidas de colónias de fungos dermatófitos. Foram estudadas 248 amostras clínicas com diagnóstico presuntivo de tinea capitis de doentes atendidos no serviço de Dermatologia do Hospital de Santa Maria (um hospital universitário terciário), Lisboa, no período entre agosto de 2018 e maio de 2020. Das amostras analisadas, 111 foram positivas, somando-se os resultados dos exames direto e de cultura. Foram identificados dermatófitos no cultivo micológico em 102 amostras: 48 casos de Microsporum audouinii (47,06%), 37 de Trichophyton soudanense (36,28%), 9 de Trichophyton tonsurans (8,82%), 2 de Trichophyton mentagrophytes (1,96%), 1 de Microsporum canis (0,98%), 3 em que não foi possível diferenciar Microsporum audouinii de Microsporum canis (2,94%) e 2 em que não foi possível a diferenciação entre Trichophyton soudanense e Trichophyton violaceum (1,96%). Dos exames positivos, 33% dos doentes eram declarados como pertencentes ao fototipo V ou VI. A identificação de dermatófitos por PCR-sequenciação esteve em concordância significativa com a identificação microscópica das colônias cultivadas.
2025-10-28T12:26:34Z
Gutierrez, Rita de Cassia Anaya
Potencialidades da gamificação para a motivação e aprendizagem de alunos do 10º ano de escolaridade, no domínio da geologia
Este trabalho, proposto no âmbito da prática profissional supervisionada do Mestrado em Ensino de Biologia e Geologia, teve como objetivo avaliar as potencialidades da gamificação para a motivação e aprendizagem de alunos do 10.º ano de escolaridade, no domínio da Geologia. A gamificação, aplicada enquanto estratégia de ensino-aprendizagem, consiste no uso nas aulas das dinâmicas e do design característicos dos jogos, como forma de motivar os alunos a aprender e para promover as suas aprendizagens aos níveis cognitivo, procedimental e atitudinal. O elemento-chave que esteve na base desta estratégia foi a utilização de um sistema de pontuação nas aulas, que foram planificadas como um todo contínuo, de forma a assemelhar-se a um jogo, ou concurso, com várias etapas, dependentes entre si. Os pontos foram atribuídos individualmente a cada aluno, mediante a sua participação nas diversas atividades desenvolvidas durante as aulas. As categorias a serem pontuadas incluíram a resposta a questões e questões-desafio, a participação espontânea dos alunos, a realização de atividades em aula, o comportamento, o trabalho em equipa e os desafios de grupo. Uma vez que a maioria das aulas decorreu em regime online, a distância, foi criada uma categoria para pontuar as tarefas realizadas em horário assíncrono e uma categoria para o cumprimento de prazos. A utilização de um sistema de pontuação pretendeu estimular a participação e o envolvimento dos alunos nas várias atividades. As categorias das questões, desafios e das atividades realizadas em aula e em horário assíncrono, tinham como objetivo promover as aprendizagens dos alunos, essencialmente ao nível cognitivo e procedimental. Já as categorias da participação, comportamento, trabalho em equipa e cumprimento de prazos, foram criadas com o intuito de promover as aprendizagens ao nível atitudinal. Esta investigação considera-se ser de tipo estudo de caso, recorrendo a uma abordagem interpretativa e qualitativa, dado que os resultados obtidos serão uma interpretação do impacto da estratégia escolhida na motivação e aprendizagem dos alunos e serão tratados a partir de análise de conteúdo, em vez da sua quantificação. Os participantes envolvidos neste estudo foram 27 alunos, 11 rapazes e 16 raparigas, do 10º. ano de escolaridade, de uma escola localizada na periferia da cidade de Lisboa e a intervenção decorreu ao longo de 7 aulas, tendo 5 delas decorrido na modalidade a distância, devido à pandemia de Covid-19. Os instrumentos de recolha de dados utilizados foram a observação livre, a aplicação de questionários e o feedback dado pelos alunos e pela Professora Cooperante. Era esperado, pelo que está descrito na literatura, que os alunos aderissem a esta estratégia e participassem com empenho nas atividades propostas, em especial pela componente competitiva presente nos jogos e intrínseca à estratégia da gamificação. Os resultados revelaram um entusiasmo e expectativa positiva por parte dos alunos em relação a esta modalidade de aulas, que se concretizou no aumento do interesse e da participação dos alunos na realização das várias atividades propostas. Os alunos preferiram atividades que envolvessem a cooperação ou trabalho em equipa e que consistissem em jogos, pelos que serão estas as atividades com maior potencial motivacional para os alunos. Os alunos revelaram também ter adquirido competências, capacidades e atitudes ao nível dos conhecimentos na área da geologia, na participação oral, na elaboração de um poster, na organização de tarefas e na solidariedade para com os colegas da turma. A pontuação foi um dos elementos que apresentou disparidade entre os alunos, tendo uma parte da turma gostado de ter aulas em que as tarefas fossem valorizadas com pontos e outros alunos preferido que este elemento não fosse utilizado. Já o facto de a participação oral e a intervenção nas aulas serem estimulada, com frequência, e de os grupos de trabalho terem sido formados pela Professora, foram outros fatores que criaram constrangimento aos alunos. Os alunos mais introvertidos sentiram dificuldade em intervir nas aulas, tendo obtido baixas pontuações nesse domínio, enquanto outros alunos se sentiram prejudicados dentro do grupo de trabalho que lhes foi atribuído. Em estudos futuros, estas dificuldades podem ser atenuadas com uma melhor interpretação da turma e ajuste às suas características individuais.
The role of oxytocin on human salience attribution : a pharmaco-electroencephalography study
A cognição social permite a um determinado indivíduo interagir com outro indivíduo da mesma espécie, englobando processos cognitivos associadas à perceção, atenção e memória. Num mundo em que as interações socias afetam todos os aspetos da nossa vida de forma diária, a cognição social torna-se extremamente importante para a integração e bem-estar do indivíduo, assim como para a sobrevivência da espécie. A cognição social envolve uma complexa interação entre vários fatores (genéticos e ambientais), mas mesmo assim, apresenta-se conservada em relação aos seus mecanismos moleculares, sendo que os alguns neuropéptidos se revelaram essenciais neste papel. A oxitocina (OT) é um desses neuropéptidos, sendo sintetizada nos núcleos supraótico e paraventricular do hipotálamo, e exercendo as suas conhecidas funções periféricas na contração do músculo uterino durante o parto, e libertação de leite durante a amamentação. No entanto, a OT também desempenha funções centrais enquanto neuromodulador, em regiões associadas à cognição social, processamento de emoções e recompensa (como por exemplo, a amígdala, hipocampo e núcleo accumbens), direcionando a investigação em OT para qual o seu o papel no comportamento e cognição social. Dada a evidência inicial sobre os efeitos da OT, a primeira teoria que surgiu foi a teoria pró-social, afirmando que a OT aumenta a atenção especificamente para emoções positivas (como a felicidade), diminuindo stress e aumentando o comportamento afiliativo (como a empatia e confiar nos outros). No entanto, evidência de que a OT também induz efeitos que não são pró sociais (como a agressão e a facilitação de stress) começou a surgir, questionando o efeito exclusivamente pró-social da OT. Numa tentativa de reconciliar estes dois efeitos opostos, surgiu a teoria da saliência social, afirmando que a OT aumenta a saliência de estímulos sociais, independentemente da sua valência (isto é, de serem positivos ou negativos). O conceito de saliência em neurociências diz respeito a um estímulo ser mais notável do que os estímulos à sua volta (isto pode ser devido às suas características físicas, emocionais, motivacionais ou relevância associada a uma tarefa experimental), tendo a capacidade de capturar automaticamente a atenção e influenciar a cognição e o comportamento. Assim, de acordo com o contexto, a OT pode dar saliência a estímulos positivos ou negativos, e provocar comportamentos pró-sociais, mas também comportamentos que não são pró-sociais. A conexão entre a OT e cognição social está bem estabelecida, mas mais recentemente, esta especificidade para estímulos sociais também está a ser questionada com o surgimento de evidência que o efeito da OT também é influenciado por contextos não-sociais. Assim, uma outra teoria emergiu, a aproximação-afastamento geral, que afirma que a OT aumenta a saliência de estímulos que são pessoalmente relevantes e emocionalmente evocativos. Estes estímulos são com mais frequência, mas não exclusivamente, estímulos sociais, abrangendo os efeitos da OT a estímulos e contextos não-sociais. A cognição social permite a um determinado indivíduo interagir com outro indivíduo da mesma espécie, englobando processos cognitivos associadas à perceção, atenção e memória. Num mundo em que as interações socias afetam todos os aspetos da nossa vida de forma diária, a cognição social torna-se extremamente importante para a integração e bem-estar do indivíduo, assim como para a sobrevivência da espécie. A cognição social envolve uma complexa interação entre vários fatores (genéticos e ambientais), mas mesmo assim, apresenta-se conservada em relação aos seus mecanismos moleculares, sendo que os alguns neuropéptidos se revelaram essenciais neste papel. A oxitocina (OT) é um desses neuropéptidos, sendo sintetizada nos núcleos supraótico e paraventricular do hipotálamo, e exercendo as suas conhecidas funções periféricas na contração do músculo uterino durante o parto, e libertação de leite durante a amamentação. No entanto, a OT também desempenha funções centrais enquanto neuromodulador, em regiões associadas à cognição social, processamento de emoções e recompensa (como por exemplo, a amígdala, hipocampo e núcleo accumbens), direcionando a investigação em OT para qual o seu o papel no comportamento e cognição social. Dada a evidência inicial sobre os efeitos da OT, a primeira teoria que surgiu foi a teoria pró-social, afirmando que a OT aumenta a atenção especificamente para emoções positivas (como a felicidade), diminuindo stress e aumentando o comportamento afiliativo (como a empatia e confiar nos outros). No entanto, evidência de que a OT também induz efeitos que não são pró sociais (como a agressão e a facilitação de stress) começou a surgir, questionando o efeito exclusivamente pró-social da OT. Numa tentativa de reconciliar estes dois efeitos opostos, surgiu a teoria da saliência social, afirmando que a OT aumenta a saliência de estímulos sociais, independentemente da sua valência (isto é, de serem positivos ou negativos). O conceito de saliência em neurociências diz respeito a um estímulo ser mais notável do que os estímulos à sua volta (isto pode ser devido às suas características físicas, emocionais, motivacionais ou relevância associada a uma tarefa experimental), tendo a capacidade de capturar automaticamente a atenção e influenciar a cognição e o comportamento. Assim, de acordo com o contexto, a OT pode dar saliência a estímulos positivos ou negativos, e provocar comportamentos pró-sociais, mas também comportamentos que não são pró-sociais. A conexão entre a OT e cognição social está bem estabelecida, mas mais recentemente, esta especificidade para estímulos sociais também está a ser questionada com o surgimento de evidência que o efeito da OT também é influenciado por contextos não-sociais. Assim, uma outra teoria emergiu, a aproximação-afastamento geral, que afirma que a OT aumenta a saliência de estímulos que são pessoalmente relevantes e emocionalmente evocativos. Estes estímulos são com mais frequência, mas não exclusivamente, estímulos sociais, abrangendo os efeitos da OT a estímulos e contextos não-sociais. Os resultados dos dados de ERPs revelaram uma interação entre fármaco, socialidade e relevância na latência do N170, sendo que as diferenças nas latências foram apenas significativas quando os estímulos socias eram também relevantes, e por outro lado, as diferenças nas latências só foram significativas quando os estímulos relevantes eram também sociais. Revelaram ainda um efeito principal de relevância na amplitude do P3b, apresentando aumento de amplitudes para estímulos relevantes em relação a estímulos irrelevantes. Não houve diferenças significativas para a amplitude do P1. Os resultados comportamentais revelam efeitos principais de relevância tanto para o RT como para os scores SRP, sendo que os participantes apresentam tempos de reação mais curtos para estímulos relevantes, e classificam os estímulos relevantes como sendo mais recompensadores, em relação a estímulos irrelevantes. Estes resultados sugerem que a OT aumenta a saliência de estímulos sociais apenas se estes também forem relevantes, numa fase inicial de perceção (170ms), apoiando parcialmente a hipótese da saliência social, e apoiando parcialmente a hipótese de aproximação-afastamento geral para os efeitos da OT. Em fases mais tardias do processamento (>380ms), os participantes alocaram mais recursos neuronais para estímulos relevantes em relação a irrelevantes, refletindo se nos dados comportamentais, apresentando RT mais curtos e scores SRP mais altos para estímulos relevantes em relação a estímulos irrelevantes. Em conclusão, este estudo demonstrou que ao examinar os efeitos da OT é essencial controlar os estímulos em relação à sua relevância, e demonstrou ainda que isto pode ser conseguido através da introdução de um fator de recompensa. Demonstrou também que o efeito da OT na atribuição de saliência depende tanto da socialidade, como da relevância do estímulo.
2025-10-28T12:29:54Z
Santiago, Andreia Filipa Vicino Almeida Martins
Atmospheric deposition and precipitation are important predictors of inorganic nitrogen export to streams from forest and grassland watersheds: a large-scale data synthesis
Previous studies have evaluated how changes in atmospheric nitrogen (N) inputs and climate affect stream N concentrations and fluxes, but none have synthesized data from sites around the globe. We identified variables controlling stream inorganic N concentrations and fluxes, and how they have changed, by synthesizing 20 time series ranging from 5 to 51 years of data collected from forest and grassland dominated watersheds across Europe, North America, and East Asia and across four climate types (tropical, temperate, Mediterranean, and boreal) using the International Long-Term Ecological Research Network. We hypothesized that sites with greater atmospheric N deposition have greater stream N export rates, but that climate has taken a stronger role as atmospheric deposition declines in many regions of the globe. We found declining trends in bulk ammonium and nitrate deposition, especially in the longest time-series, with ammonium contributing relatively more to atmospheric N deposition over time. Among sites, there were statistically significant positive relationships between (1) annual rates of precipitation and stream ammonium and nitrate fluxes and (2) annual rates of atmospheric N inputs and stream nitrate concentrations and fluxes. There were no significant relationships between air temperature and stream N export. Our long-term data shows that although N deposition is declining over time, atmospheric N inputs and precipitation remain important predictors for inorganic N exported from forested and grassland watersheds. Overall, we also demonstrate that long-term monitoring provides understanding of ecosystems and biogeochemical cycling that would not be possible with short-term studies alone.
2025-10-28T12:20:34Z
Templer, P. H. Harrison, J. L. Pilotto, F. Flores-Díaz, A. Haase, P. McDowell, W. H. Sharif, R. Shibata, H. Blankman, D. Avila, A. Baatar, U. Bogena, H. R. Bourgeois, I. Campbell, J. Dirnböck, T. Dodds, W. K. Hauken, M. Kokorite, I. Lajtha, K. Lai, I.-L. Laudon, H. Lin, T. C. Lins, S. R. M. Meesenburg, H. Pinho, Pedro Robison, A. Rogora, M. Scheler, B. Schleppi, P. Sommaruga, R. Staszewski, T. Taka, M.
Caraterização das estirpes de Streptococcus pneumoniae responsáveis por infeção não invasiva no adulto entre 2016 e 2018
Streptococcus pneumoniae é um microrganismo comensal da nasofaringe humana. Apesar da relação de colonização, este agente pode apresentar-se como patogénico e causar infeções invasivas e não invasivas, com maior incidência nas crianças e nos idosos. Em Portugal, as vacinas pneumocócicas conjugadas (PCVs) estão disponíveis desde 2001. A vacina PCV13 foi introduzida no Plano Nacional de Vacinação (PNV) em 2015. Este trabalho pretendeu caraterizar as estirpes isoladas de pneumonia pneumocócica não invasiva em adultos, depois da introdução da PCV13 no PNV infantil. Assim, foi realizada uma caraterização fenotípica – serotipagem e determinação de suscetibilidade antimicrobiana – e genotípica – determinação de perfis alélicos de “multilocus sequence type” (MLST) – de estirpes pneumocócicas responsáveis por provocar pneumonia pneumocócica não invasiva (PPNI) na população adulta, entre 2016 a 2018, em Portugal. Os resultados obtidos foram comparados com estudos anteriores, de modo a avaliar o efeito da vacinação na distribuição de serotipos, resistência antimicrobiana e linhagens genéticas. Foram encontrados 52 serotipos diferentes, sendo o serotipo 3 (14.6%) a principal causa de PPNI. Os serotipos PCV13 foram responsáveis por 29.6% dos casos, enquanto os serotipos não vacinais representaram 38.6%. Os serotipos adicionais pertencentes à PPV23 expressaram 31.8% dos casos de PPNI. A não suscetibilidade à penicilina e eritromicina foi observada em 18.4% e 21.1% dos casos, enquanto a não suscetibilidade às duas classes antimicrobianas foi observada em 11.9% dos casos. A análise por MLST identificou 110 sequence types (STs) agrupados em 45 complexos clonais (CCs). Os CCs mais frequentes foram o CC180, o CC179, o CC439, o CC97 e o CC66, responsáveis por 41.2% dos casos de PPNI. Apesar da diminuição dos serotipos vacinais, é importante continuar a monitorização e os estudos epidemiológicos no futuro para avaliar a evolução da população pneumocócica com a distribuição de serotipos, resistência antimicrobiana e identificar possíveis evoluções genéticas e trocas capsulares.
Unveiling the modulation of SAMHD1 in the differentiation of follicular helper T cells and the impact of HIV infection
O vírus da imunodeficiência humana (VIH) pode ser dividido no tipo 1 (VIH-1) e tipo 2 (VIH-2), ambos podendo provocar síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA). Apesar da introdução da terapia antirretroviral, o tratamento não é suficiente para erradicar a infeção por VIH devido ao estabelecimento de latência viral nas células alvo, particularmente em célu las T CD4+. A subpopulação de células T CD4+ foliculares (Tfh) foram identificadas como importantes reservatórios de VIH-1 e VIH-2, revelando níveis elevados de DNA viral em com paração com células CD4+ não-Tfh, mesmo em fases mais precoces do desenvolvimento (pre cursoras de Tfh, pre-Tfh). Assim, a biologia das Tfh pode ajudar a compreender a suscetibili dade à replicação viral. Tfh apresentam um papel único nos centros germinativos (GC) dos órgãos linfoides secundários onde interagem com células B promovendo a sua maturação e a produção de anti corpos. Tfh são fenotipicamente caracterizadas pela expressão de CXCR5, PD-1, ICOS, CXCR4 bem como Bcl-6. Bcl-6 é o fator de transcrição responsável pela diferenciação de cé lulas Tfh, um processo multifatorial que se inicia com a ativação das células T CD4+ naïves pelas células dendríticas (DCs). Esta ativação ocorre através da interação com o recetor de cé lulas T (TCR) e pelo complexo principal de histocompatibilidade classe II (MHCII), com esti mulação adicional de moléculas co-estimuladoras, como CD28, ICOS e OX40, e citoquinas, como IL-6 e IL-12. Em conjunto com IL-1β e TGF- β, estas moléculas fornecem sinais às cé lulas para diferenciarem-se em células Tfh promovendo a expressão de Bcl-6. Com a expressão de Bcl-6 ocorre a indução dos marcadores PD-1 e CXCR5, e diminuição da expressão de CCR7, que promove a migração das células pre-Tfh para a fronteira T-B. Na zona T-B ocorre a inte ração das Tfh com as células B que vai levar à maturação das células B e das células Tfh. Por sua vez, as células Tfh aumentam os níveis de expressão dos marcadores CXCR5, PD-1 e Bcl 6, e começam a expressar IL-21, possibilitando a migração das mesmas para os folículos das células B e assim para o desenvolvimento do GC. As células Tfh no GC são fenotipicamente caracterizadas por níveis elevados de CXCR5, ICOS, PD-1, BCl-6, e CXCR4 e podem expres sar CD57. Durante este processo, as células Tfh podem sair do GC e transitar para os folículos próximos ou sair do compartimento para o sangue periférico. Diversos fatores foram evidenciados para explicar a elevada suscetibilidade das células Tfh à infeção por VIH: os níveis elevados de expressão de CXCR4, o coreceptor do VIH; o seu estado de ativação e estado de proliferação de acordo com a expressão de ki67; a sua proximi dade às DCs foliculares que podem ser a principal fonte de virões VIH nos GC; a sua localiza ção nos órgãos linfoides secundários que poderá estar associada com a reduzida eficácia da terapia antirretroviral, bem como a reduzida frequência de células T CD8 citotóxicas. Para além disso, o fator de transcrição Bcl-6, essencial para a diferenciação de Tfh, demonstrou ter um impacto na suscetibilidade das Tfh à infeção, quer relacionado com a transcrição viral, quer com a supressão da expressão de genes estimulados por interferão (ISG), que levam à modula ção da expressão de fatores de restrição de VIH. Um destes fatores de restrição é SAMHD1 (do inglês Sterile alpha motif and histidine aspartic acid domain-containing protein-1) que reduz os níveis de desoxinucleótidos trifosfato (dNTPs) afetando a transcrição reversa, e dessa forma limita a infeção por VIH-1. SAMHD1 pode ser identificado na maioria dos tecidos, apesar de haver variação dos níveis de expressão de acordo com o tipo de células. Células não-replicativas como macrófagos, células mieloides, DCs ou células T CD4+ quiescentes possuem níveis elevados de SAMHD1, tornando-as menos permissivas à infeção por VIH-1. Já as células T CD4+ ativadas demonstram níveis reduzidos de SAMHD1, sendo mais suscetíveis à replicação do VIH-1. Contrariamente ao VIH-1, o vírus VIH-2 é capaz de modular diretamente SAMHD1 através da sua proteína acessória Vpx que promove a degradação proteossomal de SAMHD1. Embora tenha sido reportado que as Tfh expressam níveis reduzidos de SAMHD1 nos centros germinativos, não existe evidência relativamente aos níveis de SAMHD1 durante a di ferenciação de Tfh, e sobre a sua possível contribuição da elevada capacidade das células pré Tfh suportarem a infeção viral. Deste modo, o presente estudo visou estudar a relação entre SAMHD1 e a diferenciação de Tfh bem como o impacto da infeção por VIH. De modo a avaliar a expressão proteica de SAMHD1 em diferentes estádios de matura ção de Tfh, células mononucleadas isoladas de amígdalas (TMNCs, do inglês tonsillar mono nuclear cells) foram caracterizadas através de citometria de fluxo. Utilizando análises supervisionadas e não-supervisionadas observou-se heterogeneidade a nível da expressão de SAMHD1 ex vivo entre células Tfh (CXCR5+Foxp3- ) de amígdalas. Foi possível identificar diferentes populações de Tfh SAMHD1low e SAMHD1hi em diferentes estágios de diferencia ção, possuindo níveis distintos de expressão de marcadores associados a células Tfh como CXCR5, PD-1, ICOS, CXCR4, Bcl-6, OX40, e CD57. Estes resultados sugerem que as diversas populações de Tfh que podem apresentar diferentes suscetibilidades à infeção viral, em paralelo com possíveis diferentes funções no centro germinativo. Para compreender se a modulação de SAMHD1 impacta a diferenciação das células Tfh, otimizámos um modelo in vitro de diferenciação de Tfh baseado em estudos previamente publicados. Uma vez que a proteína viral Vpx de VIH-2 promove a degradação de SAMHD1, o VIH-2 foi utilizado para avaliar o impacto da expressão de SAMHD1 na diferenciação celu lar. Para tal, células T CD4+ naïve foram isoladas por separação magnética a partir de amostras de sangue de dadores saudáveis e estimuladas com DynaBeads CD3/CD28, e posteriormente infetadas com isolados primários de VIH-1 e VIH-2. Após 4 horas de infeção, o meio foi subs tituído e as células foram novamente estimuladas com D-CD3i/D-CD28s, e cultivadas durante três dias com uma mistura de citoquinas humanas recombinantes (Mix) para promover a dife renciação de Tfh: IL-12, IL-1E, IL-6 e TGF-E. Como controlo, células estimuladas e não esti muladas foram mantidas em cultura apenas com IL-2. Ao dia 5 do ensaio, a estimulação foi removida e um novo meio com as respetivas citoquinas foi adicionado às células. O fenótipo foi analisado por citometria de fluxo aos dias 1, 2, 5 e 7. Confirmámos que células estimuladas, tanto na presença de IL-2 ou da Mix, revelaram aumento da expressão dos marcadores de ati vação CD69 e CD25, bem como de marcadores de diferenciação como CXCR3 e CD45RO. Como esperado, o nosso ensaio revelou uma perda do marcador associado a células naïve (CD45RA) acompanhado com o número de divisões celulares avaliadas por CTV (CellTrace Violet). Relativamente aos marcadores CXCR5 e PD-1, a expressão revelou ser maior nas cé lulas mantidas em cultura com a Mix. Estes dados sugerem que o nosso sistema foi capaz de gerar células Tfh. A expressão de SAMHD1 ao longo da diferenciação in vitro foi avaliada por citometria de fluxo tendo sido aplicadas análises supervisionadas e não-supervisionadas usando UMAP (do inglês, Uniform Manifold Approximation and Projection). Confirmámos a expressão ele vada de SAMHD1 nas células naïves purificadas que foram estimuladas com DynaBeads CD3/CD28. Ao dia 5 após estimulação do TCR, o UMAP demonstrou a transição de células naïve para CD45RO+, com aumento da expressão dos marcadores CD25, ICOS e OX40, sendo ao dia 7 claro o aumento dos marcadores de diferenciação (CXCR3, CXCR5, PD-1) e diminu ição de SAMHD1. Os nossos resultados revelaram um trajeto de diferenciação, muito seme lhante entre diferentes dadores e na presença das diferentes condições testadas, nomeadamente no que respeita à adição de citoquinas e infeção. Além disso, identificámos uma população Tfh definida pela expressão de CD45RO, CXCR5, PD-1, e Bcl-6 e é SAMHD1low. Estes dados revelam que o nosso ensaio promoveu a diferenciação celular e diferenciação de Tfh. No contexto da infeção, verificou-se que tanto VIH-1 como VIH-2 foram capazes de infetar no nosso sistema in vitro. O número de cópias de DNA viral foi semelhante para os dois vírus ao dia 5, havendo um aumento mais marcado do dia 5 para o dia 7 na infeção VIH-1 do que na infeção VIH-2. Este aumento pode dever-se a uma menor taxa de replicação do VIH-2 quando comparado com VIH-1. Ao analisarmos o impacto da infeção nos níveis de SAMHD1, os nossos dados demonstraram uma diminuição da expressão de SAMHD1 na infeção por VIH 2, sendo mais pronunciado em células com menos divisões. Ao avaliar o impacto da infeção na diferenciação de células T CD4+, observámos uma expansão de células CXCR5+ na condição VIH-2 quando comparado com VIH-1, apesar deste aumento não ser significativo. Além disso estes mesmos dados foram observados em células SAMHD1low. Estes dados sugerem que SAMHD1 pode ter impacto na diferenciação de Tfh. Em conclusão, o nosso estudo suporta um impacto das interações vírus-hospedeiro ao longo da diferenciação de Tfh com possíveis implicações na patogénese do VIH.
Estado nutricional e robustez óssea em crianças e adolescentes portadores de Fibrose Quística
Introdução: A FQ é uma doença hereditária, com carácter autossómico recessivo, caracterizada por inflamação multisistémica permanente. De entre a ampla diversidade de manifestações clínicas que apresenta, a desnutrição é uma das mais comuns, resultante principalmente da má absorção, diminuição da ingestão energética e do aumento das necessidades. Adicionalmente, também o metabolismo ósseo nestes doentes pode vir a ser comprometido, observando-se uma baixa RO com consequente aumento do risco fratura. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo caracterizar o estado nutricional e avaliar a RO de crianças e adolescentes portadores de FQ. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo observacional, analítico, transversal. O estado nutricional compreendeu a recolha da história clínica (tipo de mutação, terapêutica farmacológica e nutricional, FEV1 e parâmetros séricos) e de dados antropométricos (peso, altura e IMC). A RO foi avaliada através da avaliação da velocidade do som no rádio e na tíbia, com recurso ao aparelho de ultrassonografia óssea. Foi aplicado o questionário IPAC (versão curta) de modo a avaliar a prática de atividade física e foi considerado um tempo de exposição solar suficiente quando este foi igual ou superior a 30 minutos por dia. Foi estabelecido um nível de confiança de 95%. Resultados: Segundo o z-score IMC/I, 88% dos doentes apresentou um estado nutricional adequado, no entanto 2 crianças apresentaram comprometimento do peso e 1 criança de altura, quando avaliadas pelos z-score de peso e estatura para a idade, respetivamente. Apesar da maioria dos doentes apresentar RO adequada à idade e sexo, verificaram-se 35,3% e 16,7% casos de osteopenia, quando avaliados no rádio e na tíbia respetivamente. Não se verificaram correlações significativas entre a RO e o estado nutricional, no entanto quando comparado por grupos verificou-se que os valores de FEV1 foram significativamente menores no grupo de RO comprometida. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas de acordo com a RO e a prática de atividade física e o tempo de exposição solar. Conclusão: Embora os dados reflitam uma população que na sua maioria apresentava um adequado estado nutricional segundo IMC, alguns casos de osteopenia foram já verificados na população pediátrica. Torna-se assim imprescindível um acompanhamento em consultas especializadas de FQ que preste cuidados preventivos não só a nível do estado nutricional como também na promoção da saúde óssea desde a infância, promovendo o aumento da sobrevida e da qualidade de vida destes doentes.
2025-10-28T12:13:06Z
Castanheira, Sofia Maria Soares
Body fat and poor diet in breast cancer women
Background: Breast cancer is the most common cancer in women worldwide. Differences in breast cancer incidence suggest a significant role of environmental factors in the aetiology: obesity, central adiposity, excess body fat and some dietary factors have been suggested as risk factors. This pilot study aimed to analyse the pattern of nutritional status, body fat, and the usual dietary intake among women diagnosed with breast cancer, consecutively referred to the Radiotherapy Department of the University Hospital Santa Maria. Patients and methods: Throughout 2006, 71 consecutive women with breast cancer were included. Evaluations: weight (kg) & height (m), determined with a SECA® floor scale + stadiometer to calculate body mass index (BMI), waist circumference, percentage body fat with bipolar hand-held bio-impedance analysis (BF-306®), Food Frequency Questionnaire validated for the Portuguese population to assess the usual dietary intake. Frequency analysis and Mann-Whitney U test were used to evaluate prevalence and associations. Results: Mean age was 60 ± 12 (36-90) years. Invasive ductal carcinoma was the most frequent histology (68%), p < 0.05. Most patients were in stage I (30%) or stage IIA (25%) of disease vs IIB (10%), IIIB (4%), IV (4%) or others (21%), p < 0.05. Regarding nutritional status, 82% were overweight/obese; 89% of patients had a %body fat mass above the maximum limit of 30% vs only 8 (11%) with %body fat within normal range (p < 0.002); 62% pts had a waist circumference > 88 cm (prevalence analysis: p < 0.04), and 61% of pts had gained weight after diagnosis. Univariate analysis did not show any association between histology, BMI, %body fat and waist circumference; by multivariate analysis there was an association between higher BMI, %body fat & aggressive histologies (p < 0.005). Food frequency analysis showed a low intake of vegetables and wholegrain cereals rich in complex carbohydrates (sources of fibre and phytochemicals), of fatty fish & nuts, primary sources of n-3 PUFA’s and a high intake of saturated fat; more aggressive histologies were correlated with low intake of green leafy vegetables (p = 0.05) and n-3 fatty acids food sources (p = 0.01). Conclusions: Our findings show a vast prevalence & homogeneous pattern of overweight/obesity, excessive body and abdominal fat, as well as weight gain after diagnosis, combined with diets deficient in protective nutrients. Further investigation is warranted as cancer rates in Portugal continue to increase.
2025-10-28T12:27:41Z
Amaral, P. Miguel, R. Mehdad, A. Cruz, C. Grillo, I. Monteiro Camilo, Maria Ravasco, P.
Retrospective comparison between growth and retinopathy of prematurity model versus WINROP model
Objective: To compare the weight and insulin-like growth factor-1 in neonatal retinopathy (WINROP) to the growth and retinopathy of prematurity (G-ROP) model in a Portuguese cohort. Design: Retrospective case series. Methods: Clinical records of consecutive infants who underwent retinopathy of prematurity (ROP) screening from April 2012 to May 2019 were retrospectively reviewed. Both WINROP and G-ROP models were accessed for sensitivity and specificity for type 1 ROP. A separate analysis of both algorithms was performed in infants with gestational age (GA) <30 weeks. Results: Of the 375 infants included in the study, 313 were eligible for G-ROP analysis and 311 for WINROP. In the G-ROP group, 22 infants developed type 1 ROP (sensitivity 90.91%, 95% confidence interval [CI] 70.84%-98.98%). In the WINROP group, 23 infants needed treatment (sensitivity of 86.96%, 95% CI 66.41%-97.22%). Both models reached 100% sensitivity for type 1 ROP if restricted to GA <30 weeks. Conclusions: Both models were easy to use and had similar sensitivities. If restricted to GA <30 weeks, both models detected all type 1 ROP.
2025-10-28T12:18:28Z
Almeida, Ana C Sandinha, Teresa Azevedo, Rita Brízido, Margarida Figueiredo, Melissa Coelho, Constança Teixeira, Susana
DIGIROP efficacy for detecting treatment-requiring retinopathy of prematurity in a Portuguese cohort
Background/objectives: To determine the efficacy of the DIGIROP model in detecting treatment-requiring retinopathy of prematurity (TR-ROP) in a Portuguese cohort. Subjects/methods: Multicentre, retrospective cohort study of all consecutive preterm infants who underwent ROP screening from April 2012 to May 2019 in two neonatal units. Gestational age (GA), birth weight (BW) and sex were inserted in the DIGIROP platform. The optimal cut-off point to achieve 100% sensitivity was calculated. Area under the receiver operating characteristic curve (AUC) was calculated. Results: Of the 431 infants who underwent ROP screening, 257 were eligible for DIGIROP analysis and 174 infants were excluded for having a GA outside the range 24-30 weeks imposed by the DIGIROP algorithm. Median GA was 29 weeks (range 24-30) and BW was 1060 g (range 408-2080). Twenty-tree infants (8.9%) developed TR-ROP. The highest risk obtained for TR-ROP was 0.5404 (95% CI 0.4343-0.6616) with a median achieved risk of 0.0938 (range 0.0016-0.5404). The optimal cut-off point to achieve 100% sensitivity on TR-ROP was 0.0016. The number of infants receiving ROP examinations would have been reduced from 257 to 187 infants (-27.2%) if the model was applied. Conclusions: In our cohort, of 257 infants, the optimal cut-off point to achieve 100% sensitivity for TR-ROP was 0.0016 with moderate accuracy in the AUC (0.70). The number of infants requiring screening would have decreased 27.2% if the model was applied. It is essential that algorithms continue to be tested in different populations, especially in cohorts that include both younger and older GA infants.
2025-10-28T12:23:40Z
Almeida, Ana C. Borrego, Luís Miguel Brízido, Margarida de Figueiredo, Melissa Brigham Jorge Teixeira, Filipa Coelho, Constança Teixeira, Susana
Identifying cardiovascular risk profiles clusters among mediterranean adolescents across seven countries
Cardiovascular diseases (CVDs) are the number one cause of death globally and are partially due to the inability to control modifiable lifestyle risk factors. The aim of this study was to analyze the profiles of adolescents from seven Mediterranean countries (Greece, Israel, Italy, Macedonia, Malta, Portugal, Spain) according to their modifiable lifestyle risk factors for CVD (overweight/obesity, physical activity, smoking, alcohol consumption). The sample consisted of 26,110 adolescents (52.3% girls) aged 11, 13, and 15 years who participated in the Health Behavior in School-aged Children (HBSC) survey in 2018 across the seven countries. Sociodemographic characteristics (sex, age, country of residence, socioeconomic status) and CVD modifiable lifestyle risk factors (overweight/obesity, physical activity, smoking, alcohol consumption) were recorded. A two-step cluster analysis, one-way analysis of variance, and chi-square test were performed. Four different cluster groups were identified: two low-risk groups (64.46%), with risk among those with low physical activity levels; moderate-risk group (14.83%), with two risk factors (unhealthy weight and low physical activity level); and a high-risk group (20.7%), which presented risk in all modifiable lifestyle risk factors. Older adolescents reported a higher likelihood of being in the high-risk group. Given that the adolescence period constitutes an important time for interventions aimed at CVD prevention, identifying profiles of moderate- and high-risk adolescents is crucial.
2025-10-28T12:18:28Z
Tesler, Riki Barak, Sharon Reges, Orna Moreno-Maldonado, Concepción Maor, Rotem Gaspar, Tania Ercan, Oya Sela, Yael Green, Gizell Zigdon, Avi Marques, Adilson Ng, Kwok Harel-Fisch, Yossi
Pressure ulcer risk profiles of hospitalized patients based on the Braden scale: a cluster analysis
Aim: The aim of this work is to identify the pressure ulcer risk profiles of hospitalized patients with reference to Braden Scale subscales. Methods: A total of 2996 hospitalized Portuguese participants were screened using the Braden Scale. A hierarchical and nonhierarchical cluster analysis was conducted, with ethical approval. Results: Five risk profiles (clusters) based on the first risk assessments were identified. Regarding the Braden Scale total score, two profiles with high risk and three profiles with low risk of pressure ulcer development were identified. All clusters were statistically significantly different in terms of sociodemographic and clinical variables. When the first and the last risk assessments were compared, all the clusters improved the Braden Scale total score on the last risk assessment, except Cluster 4 (low-risk category). Clusters 3, 4 and 5, which were classified as low risk, decreased in several Braden subscales at the last risk assessment. Conclusions: The classification of low risk may misguide the early identification of patients with individual risk factors. Increasing the awareness of health care professionals for the importance of risk assessment of each Braden subscale is necessary for pressure ulcer prevention. We recommend the implementation of strategies for early identification of patients at risk at local and national levels.
2025-10-28T12:17:46Z
Gaspar, Susana Peralta, Miguel Budri, Aglécia Ferreira, Carlos Matos, Margarida Gaspar de
Effects of exercise during pregnancy on postpartum depression: a systematic review of meta-analyses
Postpartum depression (PPD) is a public health issue. Exercise is a nonpharmacologic alternative to deal with PPD. This study conducted a systematic review of previous meta-analyses and an exploratory pooled analysis regarding the effects of exercise on depressive symptoms among women during the postpartum period. We searched for previous meta-analyses of randomised controlled trials on PubMed, Web of Science and Scopus, date of inception to 31 May 2021. The methodological quality was assessed using the Assessment of Multiple Systematic Reviews 2 (AMSTAR2) instrument. We pooled the standardised mean differences from the selected studies. Of the 52 records screened, five were included. The results revealed a significant moderate effect of exercise on depressive symptoms among women during the postpartum period (SMD = -0.53; 95% CI: -0.80 to -0.27, p < 0.001). The pooled effect of the five meta-analyses established that exercise had a significant, small effect on depressive symptoms (SMD = -0.41; 95% CI: -0.50 to -0.32, p < 0.001). Our study indicates that exercise is effective in reducing PPD symptoms. Compared with traditional control approaches (psychosocial and psychological interventions), exercise seems have a superior effect on PPD symptoms. The implications of the present synthesis of past meta-analytical findings to guide health policies and research are discussed.
2025-10-28T12:11:02Z
Marconcin, Priscila Peralta, Miguel Gouveia, Elvio Ferrari, Gerson Carraça, Eliana Ihle, Andreas Marques, Adilson