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Uma crítica da utilização da análise de conteúdo qualitativa em psicologia
O objetivo deste artigo é analisar os processos inferenciais que estão na base da interpretação de dados qualitativos em Análise de Conteúdo, os quais envolvem o trinômio teoria-fenômeno-dado. Na primeira seção é apresentado um breve histórico desse método e de suas principais modalidades ou técnicas, e a segunda são discutidos os procedimentos-padrão de uma Análise de Conteúdo categorial na perspectiva de Bardin. Discutem-se os processos de codificação e categorização e os respectivos mecanismos lógicos subjacentes: indução e dedução. São introduzidos alguns questionamentos e reflexões epistemológicas referentes à operacionalização desses dois mecanismos no contexto da Análise de Conteúdo, alertando para a impossibilidade de tomar essa técnica um recurso ad hoc. Nas duas seções seguintes são apresentados subsídios para servir de base a uma crítica da Análise de Conteúdo qualitativa: fenômeno, teoria e dados. Argumenta-se a favor do entendimento desse método como um recurso de análise de dados que deve visar mais à teorização do fenômeno psicológico investigado do que à descrição desses dados ou a sua organização (via categorização).
2014
Gondim,Sonia Maria Guedes Bendassolli,Pedro Fernando
O desastre na perspectiva sociológica e psicológica
O presente artigo tem por objetivo revisar e discutir conceitos de desastre na perspectiva de autores da Sociologia e da Psicologia, no sentido de contribuir com as discussões atuais sobre a abrangência do termo. Foi utilizada revisão de literatura incluindo-se os conceitos dos principais teóricos sobre o tema. No âmbito da Sociologia a palavra desastre abrange fenômenos delimitados no tempo e no espaço, capazes de causar danos físicos, perdas, rupturas sociais e mudanças no funcionamento da rotina diária. Características como o contexto social vulnerável em que a demanda exceda a capacidade de resposta são importantes para determinar um desastre. No âmbito da Psicologia, o termo, que faz menção a eventos súbitos e com potencial traumático delimitados no tempo e no espaço, refere-se a fenômenos coletivos que geram alto grau de estresse e provocam consequências/reações psicológicas nos envolvidos. Conclui-se que, embora os conceitos sejam importantes para classificar e delimitar fronteiras, torna-se fundamental compreender o desastre dentro do contexto social, político e econômico onde ele ocorre. Essas variáveis permitem avaliar a dimensão psicossocial das suas consequências, de modo que os desastres situam-se tanto como objeto de interesse científico quanto como problema de relevância social.
2014
Favero,Eveline Sarriera,Jorge Castellá Trindade,Melina Carvalho
O adolescente no contexto da saúde pública brasileira: reflexões sobre o PROSAD
Este estudo constitui-se de uma reflexão sobre o histórico das políticas públicas em saúde voltadas para adolescentes e jovens brasileiros. Discutiu-se, especialmente, sobre o Programa Saúde do Adolescente (PROSAD), com atenção para a população-alvo, o direcionamento das ações para atender os adolescentes, a variabilidade das metas propostas e a equipe disponível para intervir na população. Este estudo apresenta uma revisão narrativa da literatura sobre políticas públicas na saúde para adolescentes e jovens e análise crítica do documento PROSAD. A discussão teórica foi organizada em três eixos temáticos: (1) Os adolescentes e jovens nas políticas públicas de saúde; (2) Programa Saúde do Adolescente (PROSAD); e (3) o PROSAD e o atendimento ao adolescente na prática. Os principais resultados indicam que o programa não tem atendido todos os adolescentes brasileiros. A articulação de ações para contemplar o público-alvo apresentou fragilidades, principalmente quanto ao protagonismo dos adolescentes nas ações em saúde e à pouca variabilidade de metas. O PROSAD reconheceu a importância da capacitação profissional para o atendimento qualificado ao adolescente, porém enfrentou desafios ligados ao reconhecimento do adolescente como ativo e participativo. Estes resultados indicam a necessidade de avaliações com rigor metodológico para subsidiar a correção de rumos e a (re)orientação de estratégias de ação em saúde voltadas ao público adolescente.
2014
Jager,Márcia Elisa Batista,Fernanda Altermann Perrone,Cláudia Maria Santos,Samara Silva dos Dias,Ana Cristina Garcia
Assistência ao usuário de drogas na atenção primária à saúde
Na atualidade é de suma relevância discutir a assistência ao usuário de drogas na Atenção Primária à Saúde, uma vez que o uso de substâncias psicoativas causa aos usuários graves agravos biopsicossociais. Nesse contexto, objetivou-se analisar a assistência a usuários de drogas na Atenção Primária à Saúde a partir dos discursos de profissionais da ESF. Para tanto, optou-se por um estudo com abordagem qualitativa, com a utilização da hermenêutica para análise das informações coletadas a partir de entrevistas em profundidade. A pesquisa foi realizada em unidades de Saúde da Família localizadas no município de Fortaleza, Ceará. Observa-se que a Atenção Primária à Saúde enfrenta grandes desafios que fragilizam o cuidado, entre os quais se destacam a dificuldade de estabelecimento de vínculo e o preconceito contra o usuário de drogas, violando o direito de acesso ao cuidado de qualidade e integralidade preconizado pelo SUS. As principais ações estão voltadas à escuta, ao acolhimento das demandas e ao aconselhamento às famílias. Diante desse cenário, reafirma-se que a assistência é centrada em serviços especializados, fazendo-se necessário fortalecer a rede para um efetivo cuidado ao usuário de drogas.
2014
Paula,Milena Lima de Jorge,Maria Salete Bessa Vasconcelos,Mardênia Gomes Ferreira Albuquerque,Renata Alves
A construção e o reconhecimento das regras familiares: a perspectiva dos adolescentes
Os valores e regras familiares contribuem para a construção da estabilidade necessária ao desenvolvimento saudável da família e de seus membros. Para conhecer como as regras são construídas e exercidas na família realizou-se um grupo focal, durante uma hora e meia, com 15 adolescentes de 15 a 18 anos (oito meninas e sete meninos) numa escola privada do Sul do Brasil. Os dados foram transcritos e organizados por temas a partir da análise de conteúdo. Os resultados apontam que, enquanto algumas regras são prescritas pelos pais, muitas são construídas juntamente com os filhos e são adaptáveis ao contexto. Revelaram-se determinadas estratégias para a manutenção das regras. Os pais utilizam a cobrança, a punição e o controle. Por parte dos filhos, percebe-se o uso da resistência e controle de informações, criando espaço para o desenvolvimento da autonomia, enquanto buscam a manutenção do bom relacionamento parental. A conversa é relatada como a estratégia mais eficaz para manutenção das regras e se discute a importância do exercício parental na construção e manutenção das regras.
2014
Barbosa,Paola Vargas Wagner,Adriana
Envolvimento paterno da gestação ao primeiro ano de vida do bebê
Este estudo longitudinal analisou o envolvimento paterno por meio de um estudo de casos coletivos com seis casais primíparos entrevistados na gestação, aos três e 12 meses do bebê. A análise qualitativa dos dados se baseou no conceito de envolvimento paterno e no enfoque psicodinâmico, revelando serem os modelos familiares de parentalidade aspectos muito influentes no envolvimento dos pais. Por outro lado, a ausência de uma matriz de apoio e as percepções das mães sobre o desempenho do marido como pai não pareceram influenciar diretamente o nível de envolvimento com o bebê. Percebeu-se que os pais continuavam seguindo modelos tradicionais de paternidade quanto à acessibilidade e à responsabilidade, centrando-se no papel de provedor financeiro. O engajamento dos pais foi maior em atividades lúdicas do que nos cuidados do filho, pois para cuidados parecia lhes faltarem modelos efetivos. São discutidas as influências intergeracionais e do discurso sobre o "novo pai" na prática da paternidade.
2014
Castoldi,Luciana Gonçalves,Tonantzin Ribeiro Lopes,Rita de Cássia Sobreira
Inclusão e processos de escolarização: narrativas de surdos sobre estratégias pedagógicas docentes
O que dizem os alunos surdos sobre as estratégias pedagógicas empregadas ao longo de sua escolarização? Quais docentes marcaram sua trajetória escolar? Por quê? Estas foram as indagações que nortearam a presente investigação, metodologicamente organizada no formato de entrevista semiestruturada. Nela foram entrevistados seis alunos do Ensino Médio de uma escola pública do Distrito Federal. Na análise dos relatos foram identificadas as estratégias pedagógicas docentes (positivas e negativas) vivenciadas pelos participantes, bem como as expectativas dos estudantes com relação aos seus processos de escolarização. Reafirma-se, na conclusão da análise, a centralidade da Libras para a aprendizagem dos surdos e o uso de recursos imagéticos como estratégia pedagógica fundamental para o êxito acadêmico desse alunado. Outros desdobramentos interessantes foram o papel de instrutores e professores surdos na escolarização e a urgência de se criarem políticas educacionais que viabilizem uma escola de surdos, para surdos e com surdos.
2014
Silva,Carine Mendes da Silva,Daniele Nunes Henrique e Silva,Renata Carolina da
A maior dor do mundo: o luto materno em uma perspectiva fenomenológica
O presente trabalho busca refletir sobre a vivência do luto materno na sociedade brasileira contemporânea, a partir da perspectiva fenomenológico-existencial. Foi realizada uma pesquisa qualitativa com três mães enlutadas. Utilizou-se o método fenomenológico de entrevistas, com uso de pergunta disparadora. A análise dos dados seguiu os quatro passos metodológicos de Giorgi. O relato das mães evidenciou diferentes temáticas, descritas por meio de dez elementos constituintes da vivência de luto materno, a saber: dor; perda de um modo de existir; espiritualidade; culpa; perda do sentido do mundo-da-vida; vontade de morrer; fragmentação dos laços afetivos; engajamento em projetos relacionados ao filho; perpetuação da memória do filho; estreitamento de laços com pessoas significativas para o morto. Os resultados obtidos na pesquisa indicam que, embora o luto se modifique ao longo do tempo, a perda de um filho jamais é superada, sendo este sofrimento compreendido não mais como uma condição patológica, mas como especificidades a serem compreendidas.
2014
Freitas,Joanneliese Lucas de Michel,Luís Henrique Fuck
Explorando o território dos afetos a partir de Lev Semenovich Vigotski
O território dos afetos, denominação genérica sob a qual abarcamos emoções, paixões e sentimentos em suas diversas nuanças, tem sido abordado sob diferentes enfoques epistemológicos ao longo do tempo. Partindo de uma perspectiva fisiológica, passou depois por enfoques metafísicos, indo até o surgimento de olhares mais atentos ao papel das interações sociais no desenvolvimento humano, que compreendem o campo dos afetos no contexto dos processos semiótico-culturais nos quais se constitui o sujeito. No presente artigo buscaremos resgatar as contribuições da abordagem histórico-cultural esboçada por Lev Semenovich Vigotski para o estudo das emoções, a qual estabeleceu marcos importantes em meio aos debates das correntes vigentes no século XX. Situaremos, em seguida, algumas abordagens contemporâneas de orientação sociocultural que se propõem a dar prosseguimento à proposta do autor russo, analisando avanços trazidos por novas pesquisas sobre o tema. Por fim, discutiremos desafios e implicações de uma perspectiva histórica e sociocultural para o estudo dos afetos que atente para a complexidade e a dinamicidade dos fenômenos psicológicos.
2014
Wortmeyer,Daniela Schmitz Silva,Daniele Nunes Henrique Branco,Angela Uchoa
A infância (re)contada pelo fio da memória de psicoterapeutas septuagenários
Este estudo teve por objetivo investigar os relatos de psicoterapeutas idosos sobre sua infância, buscando identificar, nas experiências de vida narradas, elementos relacionados às vivências familiares. O estudo é de caráter descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa com a utilização do método clínico-qualitativo. Participaram cinco psicoterapeutas septuagenários, escolhidos pelo critério de prestígio desfrutado junto aos pares dentro e fora de instituições psicanalíticas. Foi utilizada entrevista aberta, audiogravada e, posteriormente, transcrita na íntegra. Os relatos foram submetidos à análise de conteúdo temática. Os dados foram interpretados com base no referencial teórico psicanalítico da transmissão psíquica. A análise resultou na construção de três categorias temáticas: (1) A família como rede simbólica que define a posição subjetiva de seus membros; (2) Entre a reverência e a rebeldia: a possibilidade de reinventar a tradição familiar; e (3) Construindo o pertencimento à cadeia geracional. Constatou-se que as narrativas dos psicoterapeutas sobre a infância se estruturaram em torno da vida familiar, pautada em hábitos e papéis familiares bem delimitados, com rígida divisão de funções entre pai, mãe e filhos. A posição ocupada pelo sujeito na fratria e a submissão a um mito fundador da linhagem são elementos que auxiliam na compreensão do engendramento de cada participante na cadeia intergeracional.
2014
Santos,Manoel Antônio dos
Fenomenologia de Michel Henry e a clínica psicológica: sofrimento depressivo e modalização
A fenomenologia da vida de Michel Henry considera a afetividade como central para a constituição da pessoa. Sofrer é provar-se a si mesmo, é sentir-se afetado pela vida, que, em sua autoafecção, constitui-se como vida do corpo nele encarnada. Com sua noção sobre o sofrer e o fruir originários, Michel Henry contribui com a clínica psicológica, de modo que esta possa repensar a questão da modalização do sofrimento como um fazer clínico alinhado ao registro ontológico da vida em sua autoafecção. Diante da relevância do sofrimento para a clínica e da original contribuição da fenomenologia da vida de Michel Henry, esse trabalho tem por objetivo discutir a fenomenalidade da modalização afetiva do sofrimento na clínica psicológica. Para tanto, iremos dar atenção ao sofrimento manifesto na depressão, como fez Michel Henry em seu trabalho Souffrance et Vie, no qual propõe que a compreensão da depressão só é possível dentro do sofrer e do fruir originários, resgatando assim seu valor como vivência afetiva, constitutiva e eminentemente humana.
2014
Ferreira,Maristela Vendramel Antúnez,Andrés Eduardo Aguirre
Vigiar e assistir: reflexões sobre o direito à assistência da "adolescência pobre"
Neste artigo analisamos a categoria "adolescente pobre" como um conjunto populacional a ser assistido pelo Estado brasileiro, a partir da perspectiva genealógica de Michel Foucault. Desse modo, consideramos a adolescência como uma invenção e efeito de certos exercícios de saber e de poder que a coloca como objeto da assistência social. Tratamos de tecer análises acerca das consequências políticas e de assujeitamento advindas dos Códigos de Menores e do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. As análises de tais documentos assinalam como sua produção incide sobre uma população específica, produzindo uma identidade que se dirá pobre, gerenciando e produzindo condutas e modos de viver e apresentando formas apropriadas de felicidade, condicionadas à legalidade. Nesse artigo, buscamos analisar a história do pensamento assistencialista acerca do "adolescente pobre" no contexto brasileiro e de como este grupo passou a ser alvo de um conjunto de práticas de Estado e de políticas públicas.
2014
Muniz Neto,João Silveira Lima,Aluísio Ferreira de Miranda,Luciana Lobo França,Luara da Costa
O sentimento de vergonha em crianças e adolescentes com TDAH
O presente estudo teve como objetivo compreender o julgamento do sentimento de vergonha em situações de violação às regras em crianças e adolescentes com diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). As situações de violação às regras envolviam os pais, o professor e os pares. Participaram do estudo 20 crianças e adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 11 e 14 anos que cursavam entre o 5º e 8º anos do Ensino Fundamental II de uma escola da rede particular de ensino e de uma instituição destinada ao diagnóstico e tratamento de crianças com queixa escolar. Os participantes foram subdivididos em dois grupos: Grupo 1 (G1) constituído por 10 crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH, apresentação predominantemente combinada, e o Grupo 2 (G2), formado por 10 crianças e adolescentes sem queixas comportamentais. O desenvolvimento moral e a compreensão do sentimento de vergonha foram investigados por meio de histórias hipotéticas. Em relação ao nível de desenvolvimento moral, os resultados apontaram que os participantes dos dois grupos encontram-se na autonomia moral ou em transição entre a heteronomia e autonomia, sem diferença entre eles, o que impossibilita a comparação desses dados e os voltados para a avaliação do sentimento de vergonha. Os resultados obtidos evidenciaram também diferenças entre os grupos no que se refere à compreensão do sentimento de vergonha em situações de violação às regras e também em relação aos envolvidos nas histórias (pais, professor e pares).
2014
Fernandes,Ana Paula Amaral Dell'Agli,Betânia Alves Veiga Ciasca,Sylvia Maria
Freud e as neurociências, um diálogo contemporâneo
No summary/description provided
2014
Villela,Wilza Vieira
Reflexiones sobre un malentendido: producción de necesidades infantiles en políticas de protección
Desde hace mucho fueron destacadas las contribuciones de Foucault al campo de estudios de la infancia. Con todo, se propendió a ignorar una discusión potente: el establecimiento, en el centro de las políticas de protección de los derechos de los niños, de la indudabilidad de las necesidades infantiles. Sin embargo la categoría de necesidad no haya sido directamente trabajada por Foucault, su conceptualización de poder constituyendo de modo capilar conjuntos de dominios y rituales de verdad así como resistencia; su definición de prácticas discursivas productoras tanto de sujetos como de retóricas, y su concepción de tecnologías de gobierno, que reúnen formas de conocimiento y el locus familiar como el sitio privilegiado de regulación poblacional, han sido retomadas por Nancy Fraser y Nicholas Rose para problematizar el lugar del discurso de necesidades y el discurso psi en las políticas sociales en el capitalismo tardío. A partir de ello, exploraremos la potencia de dicha retórica y sus modos específicos de articulación con el discurso de los derechos de los niños.
2014
Llobet,Valeria
Acerca de la judicialización de la ciudadanía biológica: biomedicina y políticas de la vida
El proceso de judicialización de la biopolítica encuentra en la Argentina contemporánea una forma singular. Las políticas de la vida, a partir del fin de la última dictadura militar (1976-1983) van a ser doblemente condicionadas por los efectos del terrorismo de Estado: por un lado, la búsqueda de la vida constituye el requisito político inicial para legitimar prácticamente todas las formas de interferencia en la vida colectiva; por otro lado, el nexo biológico entre las generaciones prueba ser el más potente soporte material y simbólico que sostiene la urgencia de nuevos movimientos sociales (MADRES, ABUELAS, FAMILIARES, HIJOS) proporcionando un formato para desenganchar/reenganchar lo biológico en unas demandas políticas específicas. En este formato, nuevos desarrollos biomédicos se acoplan en direcciones estratégicas opuestas que posibilitan o limitan las atribuciones que el Estado tiene de asumir algún aspecto de la existencia biológica de sus ciudadanos. Para posibilitar este análisis, examinamos críticamente los aspectos de la perspectiva teórica engendrada por Michel Foucault, así como los desarrollos posteriores de Nikolas Rose, que contribuyen a la conceptualización necesaria para una analítica de las políticas de la vida efectivamente en curso.
2014
Germain,Marisa
Entre a criação e a obediência: a judicialização invade a escola
O artigo pretende problematizar as relações e as práticas vinculadas à escola, as quais têm sido marcadas por uma lógica judicializante. Para isso traz exemplos de casos recentes, em que nos deparamos com discursos que demandam mais controle, mais vigilância e, nesta lógica, mais punição. Sob o pretexto de defender a educação de qualidade, os códigos de conduta e o respeito ao professor, as situações descritas exemplificam muitas práticas, na sociedade e nas escolas, que contribuem para alimentar a racionalidade que considera o poder judiciário a instância por excelência onde as dificuldades e os conflitos escolares devem ser resolvidos. O texto alerta para a necessidade de não encararmos os problemas escolares como ameaça à existência da própria escola, mas analisarmos os processos instituídos e problematizarmos as práticas que buscam prevenir condutas desviantes através de discursos moralizantes e de métodos punitivos. Neste sentido, defende a construção de alternativas para estes problemas através da participação dos sujeitos que habitam a escola, pois a potencialização de professores, alunos e demais agentes institucionais possibilitará que as escolas se transformem em espaços para a ampliação dos modos de existência.
2014
Amado,Luiz Antonio Saléh
Michel Foucault e as lutas políticas do presente: para além do sujeito identitário de direitos
O texto discute as noções de estética da existência e de subjetivação, de Michel Foucault, buscando empregá-las a fim de esclarecer as novas formas de ação política promovidas pelos coletivos autônomos de inspiração queere anti-identitária, como o coletivo Marcha das Vadias. Argumentamos que este coletivo se distingue dos movimentos de minorias baseados na noção de identidade como suporte do sujeito de direitos, motivo em função do qual ele apresenta uma interessante proximidade com a reflexão foucaultiana, também ela situada num marco pós-jurídico, ainda que sem desprezar a importância do reconhecimento de direitos nas lutas contemporâneas. Para Foucault, como para o coletivo Marcha das Vadias, tão importante quanto a conquista de direitos é a promoção de novas formas de vida e de relação entre os agentes políticos, as quais sejam capazes de criticar as formas hegemônicas da violência e da discriminação contra minorias que não se adequam aos padrões normativos da vida em nossas sociedades contemporâneas.
2014
Duarte,André de Macedo César,Maria Rita de Assis
Vida e resistência: formar professores pode ser produção de subjetividade?
Este artigo discute a formação de professores relacionando-a com as noções de vida e de resistência. Propõe uma análise que faz atravessar estas três noções: formação, vida e resistência. Esta análise acontece por meio dos estudos da produção de subjetividade na perspectiva de Michel Foucault, problematizando o fato de que na fronteira da constituição da existência, na zona de indeterminação que emerge dela, é possível tratar o tema da formação como produção de subjetividade. A noção de experiência-limite de Maurice Blanchot contribui para se poder afirmar que formar professores é produzir subjetividades. Com este agenciamento entre formação, vida e resistência, a ideia é pensar possibilidades de condições de trabalhos para professores que vêm sendo judicializadas e aprisionadas em formações ditas competentes para lidar com o contemporâneo e suas facetas, que cada vez mais investem em uma vida pret-à-porter para que se mantenha a permanência de práticas pedagogizantes. Contrário a esta posição, o artigo propõe agenciamentos para formar e desformar, assumindo os riscos e afirmando modos desindividualizantes e mais coletivos e assim facultando a expressão de uma formação inventiva de professores.
2014
Dias,Rosimeri de Oliveira
Contribuições de Michel Foucault para analisar documentos e arquivos na judicialização/jurisdicionalização
Nesse artigo pretendemos ressaltar a produção histórica encontrada em arquivos e documentos, bem como as práticas de generalização de uma sociedade punitiva no âmbito das relações entre normas e leis, e também do poder, direito e verdade, de acordo com estudos de Michel Foucault a respeito da soberania jurídica, da disciplina, da biopolítica e da segurança como dispositivo político de governo das condutas. Na atualidade o uso dos documentos e de arquivos para criminalizar, encarcerar e segregar os desviantes sociais é uma prática cotidiana, e funciona pelo dispositivo de confissão nas adjacências do Poder Judiciário, operando as noções de risco e perigo, em termos de biopolítica. Já a escrita disciplinar aciona a constituição de casos e dossiês, por meio dos exames, das observações vigilantes e da sanção normalizadora, em uma microeconomia penal. é relevante criticar essas práticas e pensar campos de possibilidade de resistência a essas escritas de uma memória das infâmias na judicialização da vida.
2014
Lemos,Flávia Cristina Silveira Galindo,Dolores Cristina Gomes Costa,Jorge Moraes da