RCAAP Repository

Reconstruções mamárias: estudo retrospectivo de 10 anos

INTRODUÇÃO: O câncer de mama é um dos principais problemas de saúde do mundo e sua incidência vem aumentando gradativamente. A mastectomia e as terapias adjuvantes contribuem para o desenvolvimento de complicações físicas e transtornos psicológicos. Na tentativa de reduzir os sentimentos negativos, melhorar a autoestima e suprir a falta da mama, pode-se optar pela reconstrução cirúrgica. O objetivo deste estudo foi analisar os casos de reconstrução mamária pós-mastectomia por câncer de mama, realizados em um período de 10 anos, na clínica privada do autor principal. MÉTODO: Foi realizada revisão dos prontuários de pacientes submetidas a reconstrução mamária, no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2011. RESULTADOS: No período analisado, foram realizadas 428 reconstruções mamárias em pacientes mastectomizadas por câncer de mama. A média de idade das pacientes foi de 52,77 anos. Quanto ao tipo de reconstrução, 134 procedimentos foram realizados com retalho do músculo reto abdominal (TRAM), 105 com técnicas conservadoras, 87 com retalho do músculo grande dorsal (RGD), 76 com próteses e 26 secundárias. Previamente a outubro de 2007, a porcentagem de cirurgias bilaterais, somando-se TRAM e RGD, era de 30%; a partir desse período, a porcentagem passou para 84%. A taxa de complicações foi de 33,41%. CONCLUSÕES: As técnicas de reconstrução mamária são alternativas seguras, com taxas de complicação aceitáveis. A presença de fatores de risco resultou em maior taxa de complicações e evidenciou-se aumento da incidência de cirurgias bilaterais nos últimos anos, fato atribuído ao aumento das mastectomias profiláticas na mama contralateral ao tumor, o que pode reduzir o risco da neoplasia e facilitar a simetrização mamária.

Year

2013

Creators

Cosac,Ognev Meireles Camara Filho,João Pedro Pontes Barros,Ana Paula Galvão de Souza Honorato de Borgatto,Marina de Souza Esteves,Bruno Peixoto Curado,Dhyego Molinari di Castro Pedroso,Diogo Borges Cintra Júnior,Ricardo

Retalho toracodorsal desepitelizado: um novo conceito para a reconstrução autóloga da mama

INTRODUÇÃO: A associação de retalho muscular toracodorsal com uma extensão fasciocutânea resulta em um amplo retalho, que permite recobrir o defeito cutâneo residual da mastectomia. O objetivo deste estudo é compartilhar 11 anos de experiência com um novo conceito em reconstrução autóloga da mama, utilizando um retalho cutâneo toracodorsal desepitelizado pediculado com músculo grande dorsal como vetor. MÉTODO: Foi realizado um estudo retrospectivo com 247 pacientes operadas de 1999 a 2009. Os parâmetros de interesse incluíram idade, índice de massa corporal, história de tabagismo, radioterapia e quimioterapia, tamanho da mama, dimensões do retalho, tempo cirúrgico, expansão do tecido mamário e índice de complicações. O desenho do retalho toracodorsal em formato de elipse se estende da região da linha dorsal média até a linha inframamária média, com largura máxima na linha axilar média. A extensão fasciocutânea desepitelizada é colocada dissecada juntamente com o músculo grande dorsal como seu veículo e pedículo responsável pelo suprimento sanguíneo, que são levados em monobloco até a área de pele da nova neomama previamente dissecada. O formato e a projeção da mama são restaurados gradualmente como uma expansão de tecido. RESULTADOS: Reconstruções imediata e tardia da mama foram realizadas em 14,5% e 85,5% das pacientes, respectivamente. A reconstrução bilateral da mama foi realizada em 8,9% das pacientes. Nenhuma das pacientes submetidas a radioterapia mamária (76,7%) recebeu implantes para reconstrução. O tempo cirúrgico médio foi de 2 horas e 20 minutos. A expansão da pele mamária não irradiada foi realizada em um período de 3 meses, enquanto a expansão da pele irradiada levou um período médio de 5 meses após a reconstrução tardia. A taxa de complicações foi de 11,3%. Não houve perda total do retalho. A taxa de seroma foi de 7% após a remoção dos drenos. O tempo de hospitalização médio foi de 3 dias. Foi realizado remodelamento da mama contralateral em 92% dos casos e enxerto de gordura em 14% das pacientes. Em um período médio de acompanhamento de 4 anos, a taxa de satisfação das pacientes foi elevada. CONCLUSÕES: O retalho toracodorsal é uma opção cirúrgica segura e confiável para a reconstrução autóloga da mama. As principais vantagens são a obtenção de grandes volumes de mama contornando o uso de material protético, evitando-se a aparência de retalho na mama reconstruída, obtendo-se expansão tecidual e, ao mesmo tempo, garantindo morbidade aceitável no sítio doador.

Year

2013

Creators

Abboud,Marwan Saad,Dibo Baroudi,Ricardo

Aperfeiçoando a mensuração do volume mamário na reconstrução imediata com expansores permanentes

INTRODUÇÃO: A determinação precisa do volume mamário pode melhorar o resultado dos procedimentos de reconstrução. O objetivo deste estudo é correlacionar a mensuração pré-operatória do volume mamário utilizando o método de conchas plásticas e a aplicação intraoperatória do princípio de Arquimedes para a avaliação volumétrica das mamas, em pacientes submetidas a reconstrução mamária imediata utilizando expansores permanentes, portadoras de mamas de pequeno volume e grau ptótico leve. MÉTODO: Dez pacientes foram incluídas em um estudo retrospectivo não-randomizado. O volume da mama foi mensurado, no pré-operatório, com conchas plásticas com volumes predeterminados e, no período intraoperatório, com o método de Arquimedes. Expansor apropriado permanente foi selecionado e inserido de maneira retromuscular. A equipe classificou a simetria da mama como pobre, boa ou muito boa. RESULTADOS: As diferenças entre as medidas pré e intraoperatórias foram estatisticamente significantes (P < 0,01, teste t de Student). Os valores pré-operatórios foram subestimados em 70% dos casos e foram 15% menores que os valores intraoperatórios. CONCLUSÕES: A avaliação do volume da mama em procedimentos de reconstrução imediata utilizando expansores permanentes pode ser aperfeiçoada pela combinação de diferentes técnicas de mensuração pré e intraoperatórias, levando a resultados mais previsíveis. O método de conchas plásticas de volume preestabelecido tende a subestimar o volume ressecado da mama quando comparado aos valores obtidos com método de mensuração intraoperatória utilizando o princípio de Arquimedes.

Year

2013

Creators

Webster,Ronaldo Machado,Daniel Pinheiro Milani,Adriana Ely,Pedro Bins

Reconstrução mamária com implante expansor definitivo: experiência pessoal

INTRODUÇÃO: Com o advento da técnica de mastectomia conservadora de pele (skin-sparing mastectomy), em que muitas vezes há impossibilidade de implante de prótese com volume final definitivo, sob risco de deiscência e extrusão posterior da mesma, surge a situação ideal para se optar pela introdução de um implante expansor definitivo. Este artigo demonstra a utilização do implante expansor definitivo, suas indicações, incisão cutânea, segurança, vantagens e complicações. MÉTODO: Trinta implantes expansores definitivos (estilo 150) foram utilizados em 27 mulheres submetidas a mastectomia, no período de março de 1998 a março de 2012. RESULTADOS: Vinte e nove reconstruções foram imediatas pós-mastectomia com economia de pele e apenas uma foi tardia pós-mastectomia tipo Halstead. Os índices de complicação encontrados foram baixos: seromas (20%), deslocamento da válvula (13,3%), dor no local da válvula (10%), contratura capsular pós-radioterapia (3,3%), infecção (3,3%) e extrusão tardia (3,3%). Não houve complicações como hematomas, necroses cutâneas e extrusões precoces, bem como necessidade de cirurgias para reposicionar o expansor. CONCLUSÕES: O baixo índice de complicações e a facilidade de realização da técnica são fatores importantes para a decisão de sua utilização, apesar do custo ainda elevado. A adequada indicação e a incisão cutânea sistematizada, combinadas a uma variedade de formatos e volumes dos expansores definitivos, permitiram resultado estético satisfatório, num único estágio cirúrgico.

Complicações em reconstrução mamária total em pacientes mastectomizadas por câncer de mama: análise comparativa de longo prazo quanto a influência de técnica, tempo de cirurgia, momento da reconstrução e tratamento adjuvante

INTRODUÇÃO: Algumas técnicas de reconstrução total de mama, independentemente de sua complexidade, apresentam complicações específicas, com diferentes graus de morbidade. Com base nessas informações, o objetivo deste estudo foi identificar as complicações mais frequentes apresentadas pelas principais técnicas de reconstrução mamária e compará-las a relevantes variáveis independentes. MÉTODO: Estudo observacional tipo coorte transversal, realizado por meio de revisão de prontuários médicos de pacientes que tiveram suas mamas totalmente reconstruídas após mastectomia por câncer de mama, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, com tempo mínimo de seguimento pós-operatório de 3 anos. Os dados coletados, como momento da intervenção, técnicas de reconstrução, tempo de cirurgia e tratamento adjuvante, foram estatisticamente relacionados à presença de complicações. RESULTADOS: Das 48 reconstruções mamárias totais analisadas, a técnica com expansor seguido pela troca por implante mamário foi a que apresentou menor prevalência de complicação em relação às outras técnicas (16,7%; P < 0,000). Algumas técnicas apresentaram complicações específicas. O tempo cirúrgico do retalho transverso do músculo reto abdominal (TRAM; 363,57 ± 59,91 minutos) foi significativamente maior que das técnicas com materiais aloplásticos (155,71 ± 38,02 minutos; P = 0,01), mas semelhante ao do grande dorsal (309,69 ± 77,66 minutos). O tempo de cirurgia, o momento da intervenção cirúrgica e o tipo de tratamento adjuvante não apresentaram relação com a incidência de complicações. CONCLUSÕES: Cada técnica empregada tem sua indicação, contraindicação e complicação e a aplicação de cada técnica deve ser individualizada, baseando-se em características individuais da paciente, a fim de se obter um melhor resultado, evitando complicações a curto e longo prazos.

Year

2013

Creators

Claro Jr.,Francisco Costa,Daniela Vieira da Pinheiro,Adivânia de Souza Pinto-Neto,Aarão Mendes

Reconstrução mamária de resgate: a importância dos retalhos miocutâneos

INTRODUÇÃO: A reconstrução mamária pode apresentar um resultado estético insatisfatório ou complicações que comprometam o resultado final. Nesses casos, pode-se realizar a reconstrução mamária de resgate, que é definida como uma revisão completa de uma reconstrução prévia, em caso de resultado insatisfatório ou falha da primeira reconstrução. Este trabalho tem como objetivo reportar a experiência dos autores na realização da reconstrução mamária de resgate pós-mastectomia por câncer de mama. MÉTODO: Estudo retrospectivo de prontuários de pacientes submetidas a reconstrução mamária de resgate, no período de março de 2002 a março de 2012. RESULTADOS: Foram identificados 57 casos de reconstrução mamária de resgate. Com relação à cirurgia inicial, 20 foram realizadas com próteses, 16 com retalho miocutâneo do músculo reto abdominal (TRAM), 11 com expansores, 6 cirurgias conservadoras e 4 com retalho miocutâneo do músculo grande dorsal (RGD). A principal causa de falha das reconstruções foi por motivos estéticos, seguida de necrose, contratura capsular e infecção e/ou exposição de implantes. A reconstrução de resgate foi realizada em 27 pacientes com emprego de RGD (P < 0,0001), em 16, com TRAM, e em 14, com material aloplástico. Em 57,9% dos casos, o cirurgião que realizou a reconstrução de resgate não foi o cirurgião da reconstrução inicial. CONCLUSÕES: A maioria das cirurgias que apresentaram resultados insatisfatórios foi realizada com materiais aloplásticos, sendo a principal causa o aspecto estético deficiente. As reconstruções de resgate foram realizadas principalmente com retalhos miocutâneos e por profissionais diferentes da primeira cirurgia. Os retalhos miocutâneos apresentam boa aplicabilidade nas reconstruções de resgate, por fornecerem tecido sadio e bem vascularizado a uma área manipulada previamente.

Year

2013

Creators

Cosac,Ognev Meireles Camara Filho,João Pedro Pontes Cammarota,Marcela Caetano Di Lamartine,Jefferson Daher,José Carlos Borgatto,Marina de Souza Esteves,Bruno Peixoto Curado,Dhyego Molinari di Castro

Impacto da reconstrução mamária na qualidade de vida de pacientes mastectomizadas atendidas no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Walter Cantídio

INTRODUÇÃO: A reconstrução mamária tem por objetivo restabelecer a estética corporal e melhorar a autoimagem da paciente, restaurando o volume perdido e assegurando simetria com a mama contralateral. O objetivo deste trabalho é verificar a qualidade de vida de pacientes mastectomizadas e submetidas a reconstrução mamária imediata ou tardia, abordando os domínios físico, psicológico e social. MÉTODO: Foram estudadas 27 pacientes submetidas a reconstrução mamária no Hospital Universitário Walter Cantídio, entre agosto de 2007 e agosto de 2012. Foi realizado um estudo transversal, com avaliação da qualidade de vida por meio da aplicação do questionário World Health Organization Quality of life (WHOQOL) abreviado. RESULTADOS: As pacientes entrevistadas avaliaram positivamente sua qualidade de vida, com atribuição da nota 4 (boa) por 41% e 5 (muita boa) por 33% das entrevistadas à pergunta "Como você avaliaria sua qualidade de vida?". Dentre as pacientes entrevistadas, 81% foram submetidas a reconstrução imediata e a maioria delas (45%) atribuiu nota 4 (boa) à pergunta "Como você avaliaria sua qualidade de vida?". Por outro lado, 60% das pacientes submetidas a reconstrução tardia atribuíram nota 5 (muito boa) a essa pergunta. CONCLUSÕES: Os resultados demonstram que a reconstrução mamária possibilita à mulher mastectomizada incorporar ao tratamento do câncer de mama conceitos de qualidade de vida, trazendo benefícios físicos, psicológicos e sociais.

Year

2013

Creators

Paredes,Carolina Garzon Pessoa,Salustiano Gomes de Pinho Peixoto,Diego Tomaz Teles Amorim,Dayanne Nogueira de Araújo,Jéssica Silveira Barreto,Paulo Roberto Araujo

Aumento mamário por meio da incisão da abdominoplastia: estudo prospectivo de 100 casos

INTRODUÇÃO: A gravidez e a obesidade causam distensão da parede abdominal e também produzem mudanças na forma e no tamanho das mamas. Assim, não é incomum a necessidade de melhoria estética da área abdominal, coincidindo com o desejo de aumento de mama. A mamoplastia utilizando a mesma incisão da abdominoplastia foi descrita pela primeira vez em 1976. Em decorrência da falta de estudos prospectivos empregando essa abordagem, os autores realizaram uma série de dermolipectomias usando a incisão abdominal para inserir o par de implantes mamários de silicone gel. MÉTODO: Cem pacientes consecutivas foram selecionadas, com média de idade de 33 ± 2 anos. A abdominoplastia clássica foi realizada e, em seguida, confeccionados 2 túneis sobre os hipocôndrios direito e esquerdo. Após colocação dos implantes, foi realizada reconstrução do sulco mamário com pontos simples usando fios absorvíveis, fixando o subcutâneo à aponeurose. RESULTADOS: Não houve nenhuma das seguintes complicações: trombose venosa profunda, complicações cardiorrespiratórias ou anestésicas, necrose de pele, sangramento visível, e hematoma ou infecção detectáveis clinicamente. O volume dos implantes variou de 280 ml a 450 ml (mediana de 350 ml). O tempo médio de operação foi de 116 minutos. Em nenhum caso foi necessária reoperação. O período de acompanhamento mínimo foi de 9 meses e máximo, de 84 meses (média de 36 meses). CONCLUSÕES: A técnica de aumento mamário por meio da incisão da abdominoplastia se mostrou confiável e simples, constituindo uma nova opção para a cirurgia mamária sem cicatriz nas mamas.

Year

2013

Creators

Dini,Gal Moreira Milani,Jean Albuquerque,Luciana Gianini Oliveira,Mario Farinazzo de Santos Filho,Ivan Dunshee de Abranches Oliveira Iurk,Lauren Klas Ferreira,Lydia Masako

Neo-onfaloplastia no decurso das abdominoplastias em âncora em pacientes pós-cirurgia bariátrica

INTRODUÇÃO: As grandes perdas ponderais pós-cirurgia bariátrica resultam, nos ex-obesos mórbidos, em grande flacidez cutânea nas áreas mais volumosas, com maiores depósitos adiposos nos membros, nas diversas regiões do tronco e, particularmente, na parede anterior do abdome. A abdominoplastia em âncora, também chamada tipo T invertido, tem sido o procedimento de eleição pelos especialistas, com ressecção concomitante do umbigo, seguida da neoumbilicoplastia no ato operatório. O objetivo do presente estudo é descrever nossa experiência com a técnica de neo-onfaloplastia no decurso das abdominoplastias em âncora em pacientes pós-cirurgia bariátrica, que consiste, basicamente, na utilização de 2 retalhos cutâneos, bilateralmente posicionados nas bordas da pele incisada, que, suturados à fáscia, determinam a umbilicação de aspecto natural. MÉTODO: Entre março de 2011 e junho de 2012, foram operados, pela Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de Campinas, 50 pacientes submetidos a cirurgia bariátrica prévia, com estabilização do peso corpóreo por, no mínimo, 6 meses. RESULTADOS: Nos 50 pacientes operados, o neoumbigo ficou posicionado no local estabelecido pré-operatoriamente, apresentando características semelhantes às de indivíduos sem histórico de cirurgia abdominal prévia. Não ocorreram deiscência, necrose, estenose, alargamento das linhas de sutura no neoumbigo ou seromas nessa série de casos. CONCLUSÕES: A neo-onfaloplastia com emprego de 2 retalhos cutâneos e padronização de seu posicionamento na parede abdominal, distante 16 cm a 18 cm do apêndice xifoide, permitiu resultado estético compatível com o aspecto natural da cicatriz umbilical. Essa abordagem técnica é de fácil e rápida execução.

Year

2013

Creators

Reno,Brenda Artuzi Mizukami,Aline Calaes,Ivana Leme de Staut,Juliana Gulelmo Claro,Bruno Marino Baroudi,Ricardo Kharmandayan,Paulo Bueno,Marco Antonio de Camargo

Reconstrução anatômica da cicatriz umbilical

INTRODUÇÃO: A ausência da cicatriz umbilical causa alteração importante na forma do abdome, tornando-se, desse modo, imprescindível na anatomia do mesmo. Sua reconstrução deve seguir seus aspectos anatômicos, conferindo aspecto natural ao final do tratamento. A nova cicatriz umbilical deve ter boa forma, bom posicionamento, não apresentar cicatriz estigmatizante, estenose ou alargamentos, e ter aspecto natural. MÉTODO: Foram operados 162 pacientes submetidos previamente a gastroplastia aberta para tratamento de obesidade mórbida e 2 pacientes submetidos a cirurgia videolaparoscópica. Foram utilizados 2 retalhos retangulares paralelos, medindo 2 cm x 1,5 cm, que foram suturados entre si e fixados à aponeurose dos músculos reto abdominais. Os retalhos apresentavam a transição com a pele em forma curvilínea. A fixação dos retalhos foi realizada com 2 pontos paralelos, que atingiam a derme do retalho de um lado, a derme do retalho do lado oposto e a aponeurose. Desse modo, foi obtida a união dos 2 retalhos, comprimindo-se levemente a porção distal dos mesmos. Em seguida, foi realizada aproximação do tecido gorduroso ao redor da nova cicatriz umbilical. RESULTADOS: Com a técnica apresentada, obteve-se a formação de todas as unidades anatômicas (mamelão, sulco e rodete), além de profundidade adequada em todas as cicatrizes umbilicais reconstruídas. Não foi observado nenhum caso de estenose umbilical, cicatriz hipertrófica ou queloide nas novas cicatrizes umbilicais. CONCLUSÕES: A técnica apresentada para reconstrução da cicatriz umbilical, respeitando as unidades anatômicas, proporciona forma bem natural e, com o passar do tempo, ocorre uma sobra de pele em sua porção superior, conferindo graciosidade à mesma.

Laserlipólise com diodo 980 nm: experiência com 400 casos

INTRODUÇÃO: A técnica de lipoaspiração recebeu várias contribuições desde sua primeira descrição, como modificações nas cânulas, variação na concentração da solução de infiltração e uso de aparelhos com tecnologias variadas. A utilização de aparelhos com tecnologia laser vem contribuir com o procedimento por meio da lipólise e com o estímulo de retração cutânea. Neste artigo é apresentada a experiência dos autores com a laserlipólise em 400 pacientes, no intervalo de 5 anos, sendo discutidos aspectos dos princípios da tecnologia e sua ação sobre os tecidos. MÉTODO: Estudo realizado entre julho de 2007 e julho de 2012, que incluiu 400 pacientes submetidos a procedimento de laserlipólise. Os procedimentos foram realizados seguindo protocolo original, com infiltração de soro gelado, passagem da cânula com fibra óptica para a condução da energia laser visando à laserlipólise, retração cutânea e, por último, lipoaspiração convencional. RESULTADOS: O período de internação variou de cirurgia em regime ambulatorial a pernoite. Cerca de 45% (180/400 pacientes) dos pacientes evoluíram com equimoses mínimas, com acometimento de 2% ou mais da superfície corporal comprometida. Os casos de hematoma, seroma e deiscência totalizaram 9% (36/400 pacientes). Em nenhum caso foi constatada queimadura por lesão térmica na pele. CONCLUSÕES: O procedimento de laserlipólise realizado com a técnica descrita demonstrou segurança e reprodutibilidade.

Year

2013

Creators

Dornelles,Rodrigo de Faria Valle Silva,Adriano de Lima e Missel,Juarez Centurión,Patrício

Sindactilia pós-queimadura da mão

INTRODUÇÃO: A sindactilia por queimadura é uma sequela grave e incapacitante, e limita a função preensora da mão. Na maioria dos casos, é decorrente de má orientação cicatricial na fase aguda da queimadura. O objetivo deste artigo é descrever sistematização técnica adotada em nossa instituição, estabelecendo parâmetros de normalidade a serem buscados e técnicas cirúrgicas que auxiliem no tratamento. MÉTODO: No período de janeiro de 2009 a dezembro de 2012, 150 pacientes portadores de sindactilia decorrente de queimadura da mão foram submetidos a cirurgia reparadora. Em todos os pacientes, foram adotadas 4 etapas cirúrgicas: confecção do retalho dorsal; liberação da sindactilia; migração e sutura do retalho dorsal para sua nova posição interdigital; enxertia dos gaps com pele total, preenchendo os espaços remanescentes. RESULTADOS: Em 100% dos casos houve total sobrevivência dos retalhos, com perda parcial de enxerto em 20 pacientes e nenhum caso de infecção local. Em todos os pacientes dessa série foi observada recuperação da função da mão, com capacidade de preensão e de abdução digital restauradas. CONCLUSÕES: A sindactilia pós-queimadura é uma deformidade extremamente limitante ao paciente. O emprego de técnicas básicas de retalhos e enxertos proporcionou sucesso no tratamento, com restauração da função da mão, comprometida pela lesão.

Year

2013

Creators

Ribeiro,Luiz Mário Bonfatti Morais,Vicente Scopel de Fachinelli,Flávio Amoretti

Uso da ferramenta Pressure Ulcer Scale for Healing para avaliar a cicatrização de úlcera crônica de perna

INTRODUÇÃO: O objetivo deste estudo é descrever a evolução da cicatrização de úlcera crônica de perna, utilizando o instrumento Pressure Ulcer Scale for Healing (PUSH). MÉTODO: Os dados foram coletados no período de julho de 2010 a maio de 2011. A inclusão dos pacientes no estudo obedeceu à ordem de chegada. A lesão foi avaliada semanalmente, sendo aplicada a escala PUSH. RESULTADOS: Foram incluídos no estudo 15 (30%) pacientes diabéticos com pé ulcerado e 35 (70%) pacientes com úlcera venosa. No início da coleta dos dados, a média do comprimento e da largura foi de 9,26, caracterizando que a lesão mensurava de 12,1 cm² a 24 cm². Com 9 meses de tratamento, a úlcera apresentou média de comprimento e de largura de 2,04, caracterizando que a lesão mensurava de 0,3 cm² a 0,6 cm². Com relação à quantidade do exsudato, no início da coleta de dados a média foi de 1,71, caracterizando que a lesão apresentava quantidade moderada e, 9 meses após o início do tratamento, houve redução do exsudato, com média de 0,14, significando ausência de exsudato. Aos 9 meses de tratamento, 19 (38%) pacientes apresentavam úlcera fechada; 17 (34%), úlceras com tecido de granulação; e 14 (28%), tecido epitelizado. CONCLUSÕES: O instrumento PUSH possibilitou acompanhar o processo de cicatrização da lesão por meio da avaliação de comprimento versus largura, quantidade do exsudato e tipo de tecido existente na ferida, favorecendo, assim, a escolha da cobertura ideal para cada fase da cicatrização.

Year

2013

Creators

Espírito Santo,Patrícia Ferreira do Almeida,Sérgio Aguinaldo de Silveira,Maiko Moura Salomé,Geraldo Magela Ferreira,Lydia Masako

Avaliação da qualidade de vida em pacientes com diabetes mellitus e pé ulcerado

INTRODUÇÃO: O pé diabético é uma das mais devastadoras complicações crônicas do diabetes mellitus, em função do grande número de casos que evoluem para amputação. O objetivo deste estudo é avaliar a qualidade de vida de pessoas diabéticas com pé ulcerado comparativamente às pessoas diabéticas sem úlceras. MÉTODO: Realizado estudo analítico, transversal, controlado e comparativo, com pacientes atendidos em 2 centros de tratamento de feridas de São Paulo. Foram selecionadas 50 pessoas para compor o grupo controle, com diabetes mellitus sem pé ulcerado, e 50 para o grupo estudo, composto de pacientes diabéticos com pé ulcerado. O instrumento usado para avaliar a qualidade de vida foi o questionário Short Form-36 Health Survey (SF-36). A inclusão dos pacientes no estudo obedeceu à ordem de chegada. RESULTADOS: Na avaliação dos pacientes do grupo controle, o escore médio do SF-36 foi 69,38 ± 21,90 e do grupo estudo, 30,34 ± 14,45 (P < 0,001). A média dos escores em todos os domínios do SF-36 do grupo estudo foi mais baixa em relação ao grupo controle (P < 0,001). CONCLUSÕES: Os pacientes diabéticos com pé ulcerado apresentam alterações na qualidade de vida, repercutindo nos domínios físico, social e psicoemocional.

Year

2013

Creators

Almeida,Sérgio Aguinaldo de Silveira,Maiko Moura Espírito Santo,Patrícia Ferreira do Pereira,Rita de Cássia Salomé,Geraldo Magela

Uso da estereofotogrametria nas deformidades craniofaciais: revisão sistemática

O desenvolvimento de modelos tridimensionais digitais da face foi uma das formas de contornar as limitações dos métodos tradicionais de avaliação de tecidos moles. Para tanto, o método com maior aplicabilidade clínica atualmente é a estereofotogrametria digital. Esta revisão sistemática objetiva abordar o uso dessa técnica em anormalidades craniofaciais, com foco em sua aplicação prática. Foram realizadas buscas sobre o tema nas bases de dados Medline, Cochrane Library, LILACS e SciELO. A partir de critérios de inclusão preestabelecidos, 19 artigos foram selecionados. Extraíram-se dados sobre: sistemas utilizados, ano de publicação, doenças abordadas, pontos de referência usados para cada doença, vantagens e desvantagens da estereofotogrametria por sistema utilizado e qualidade dos artigos. O sistema 3dMD® foi o equipamento empregado em 11 artigos. O ano de publicação mais frequente foi 2010, com 6 trabalhos. Doze estudos abordaram fissuras labiopalatinas e 17 trabalhos utilizaram pontos de referência antropométricos. O caráter não-invasivo, a rápida aquisição de imagens e a acurácia foram as vantagens referidas em 70% dos artigos que aplicaram o sistema 3dMD®. A desvantagem desse mesmo equipamento apontada com maior frequência foi o alto custo. Doze artigos possuíam bom nível de evidência científica. A estereofotogrametria digital é uma tecnologia capaz de aperfeiçoar o modo de avaliação dos tratamentos e quantificação das deformidades craniofaciais. Entretanto, há necessidade de realização de mais estudos com acompanhamento a longo prazo e associação de maior variedade de sistemas.

Year

2013

Creators

Ladeira,Pedro Ribeiro Soares de Bastos,Endrigo Oliveira Vanini,Jaqueline Vaz Alonso,Nivaldo

Megassessões de unidades foliculares e fatores de crescimento plaquetário

Queda de cabelo, seja parcial ou completa, é causa de preocupação significativa para homens e mulheres, que a veem como um sinal inestético e visível de envelhecimento. Avanços e refinamentos das técnicas culminaram na introdução de megassessões de microenxertos e minienxertos. Essa técnica se tornou amplamente aceita como um procedimento simples e seguro, que recria as linhas randômicas naturais do cabelo. Os folículos pilosos foram retirados da área cervical posterior, onde 500 a 1.500 unidades foliculares podem ser obtidas. A área calva foi implantada através de incisões de lâmina nº 11. Após o procedimento, gaze umedecida em solução salina foi aplicada sobre a área implantada por 24 horas. Os pontos foram removidos no 7º dia de pós-operatório. O resultado final foi obtido 8 meses a 12 meses após o procedimento, em homens, e 12 meses a 14 meses, em mulheres. Nos pacientes em que um segundo procedimento foi necessário, este foi realizado 1 ano após o transplante inicial. A qualidade e a força do cabelo transplantado permanecem em alguns pacientes por tempo indeterminado, em decorrência de características particulares, como alta qualidade histológica da área doadora, hereditariedade, hormônios e envelhecimento. A cirurgia de transplante capilar demonstra que o uso de fatores de crescimento plaquetário autólogo pode melhorar a densidade capilar. Esse processo oferece uma nova perspectiva ao transplante capilar, representando uma contribuição importante para a cirurgia de implante com megassessões de unidades foliculares.

Year

2013

Creators

Uebel,Carlos Oscar Martins,Pedro Djacir Escobar Silveira,Jorge Augusto Moojen da Gazzalle,Anajara

Polipose palpebral por hidrocistoma écrino

Os hidrocistomas écrinos são lesões raras, císticas e benignas, que resultam em deformidades nas regiões palpebrais bilateralmente. Vários tratamentos são citados na literatura, porém nenhum deles é considerado padrão de referência. Deve-se somar as impressões obtidas à avaliação clínica e aos recursos disponíveis. Paciente de 73 anos, feminino, apresentando tumorações em regiões palpebrais bilaterais, de crescimento lento, com obstrução parcial do campo de visão e ectrópio. Foi submetida a dois procedimentos cirúrgicos para ressecção, em 2007 e em 2008. Apresentou melhora significativa do contorno palpebral bilateral, com boa simetria entre as regiões. O exame histopatológico concluiu: hidrocistoma écrino. O tratamento cirúrgico para a polipose palpebral bilateral relacionada ao hidrocistoma écrino mostrou-se uma modalidade que pode apresentar bons resultados estéticos e funcionais, sendo reprodutível, e sem causar maiores morbidades pós-operatórias ao paciente.

Year

2013

Creators

Feijó,Mario Jorge Frassy Sant'Ana,Hermes Willer Olinda Dias,Francisco Odílio de Melo e Salgado Filho,Ivo Viera Barros,Alexandre Câmara Alencar

Reconstrução do lábio inferior pela técnica de Karapandzic

Lesões labiais extensas sempre representaram um desafio para a cirurgia plástica. Não existe técnica ideal para reconstrução labial. Neste artigo são relatados os casos de 2 pacientes que apresentavam grandes defeitos no lábio inferior, acometendo 80% e 60% da superfície dessa estrutura, após traumatismo lacerocontuso e ressecção de tumor epidermoide, respectivamente. Esses pacientes foram submetidos a reconstrução labial pela técnica de Karapandzic¹, descrita em 1974. No primeiro caso, o resultado foi considerado desfavorável, em decorrência da presença de deiscência. No segundo caso, foi obtido bom resultado estético e funcional, sem sofrimento dos retalhos ou hematomas. A técnica de Karapandzic constitui uma opção de fácil execução e reprodutível, apresentando bons resultados estéticos e funcionais.

Year

2013

Creators

Azevedo,Daniel Melo de Nagassaki,Elisa Carvalho,Alexandre Sanfurgo de Lafayette,Kepler Alessandro Secco Cação,Eugênio Gonzalez Inforzato,Heraldo Carlos Borges Saldanha,Osvaldo Ribeiro Pinto,Ewaldo Bolívar de Souza

Sarcoma pleomórfico em úlcera de Marjolin

Úlcera de Marjolin é uma transformação maligna em tecido cutâneo cronicamente inflamado ou traumatizado, que ocorre especialmente após queimaduras. O carcinoma de células escamosas é o tipo histológico mais encontrado nas úlceras de Marjolin, seguido de carcinoma basocelular e melanoma maligno. Sarcomas em úlcera de Marjolin são raros, correspondendo a aproximadamente 5% dessas degenerações malignas. Neste artigo é descrito o caso de paciente do sexo feminino, vítima de queimadura há 42 anos, com grande ulceração em dorso. A biópsia dessa ulceração evidenciou sarcoma pleomórfico de alto grau em úlcera de Marjolin. A paciente foi submetida a ressecção da ulceração e enxerto de pele no local, seguidos de radioterapia e quimioterapia adjuvantes. Em 3 anos de seguimento, a paciente não apresentou recidiva da neoplasia. Úlceras de Marjolin são neoplasias malignas de comportamento agressivo, com alto índice de metástases regionais. A importância de seu entendimento está na necessidade de prevenção das mesmas, com o tratamento adequado dos pacientes queimados, evitando-se a cicatrização por segunda intenção. Sarcomas em úlcera de Marjolin são considerados raros, com poucos casos relatados na literatura, o que demonstra a importância deste relato.

Year

2013

Creators

Ritz Filho,Gerson de Mattos Martins,Maria Roberta Cardoso

Reabilitação na paralisia parcial do plexo braquial

Muitas transferências musculares têm sido defendidas para restaurar os movimentos do membro superior após paralisia grave do plexo braquial. A paralisia dos músculos deltoide e supraespinal pode ser tratada por meio de transferência do músculo trapézio. A paralisia dos músculos extensores de punho, mão e dedos, quando o nervo mediano está preservado, pode ser corrigida com emprego dos músculos pronador redondo, flexor ulnar do carpo e palmar longo. Os autores descrevem um caso de reabilitação de paciente portador de lesão parcial antiga do plexo braquial à direita, de predomínio em tronco superior, principalmente da raiz de C6 e de fascículo posterior. Foi evidenciada fraqueza dos músculos deltoide e extensores do punho e dos dedos, sem antecedentes de reparo microcirúrgico do plexo braquial. Foi realizada, inicialmente, cirurgia de transferência tendínea para ganho de extensão de punho, mão e dedos e, após um ano, transferência do músculo trapézio, para estabilização do ombro. O sucesso na transferência para tratamento de paralisia do plexo braquial requereu especialização do cirurgião, motivação do paciente e programa de reabilitação.

Year

2013

Creators

Batista,Kátia Torres Araújo,Hugo José de