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Avaliação da incidência e de fatores de risco para a colite isquêmica após reparo de aneurisma de aorta abdominal
Este estudo teve como objetivo principal determinar a incidência da colite isquêmica após o reparo de aneurisma de aorta abdominal, bem como identificar fatores de risco para o desenvolvimento da mesma. Foram estudados 11 pacientes submetidos a reparo cirúrgico eletivo de aneurisma de aorta abdominal no Serviço de Cirurgia Cardiovascular do HSL-PUCRS. A incidência de colite isquêmica foi determinada através de retossigmoidoscopia flexível, com biópsia, realizada em todos os pacientes no 7º pós-operatório. A incidência da doença foi comparada com variáveis clínicas como: sexo; idade; presença de comorbidades associadas; choque trans-operatório; fluxo na artéria mesentérica inferior (AMI); complicações pós-operatórias; e o desfecho final. Em nossa amostra, a incidência da colite isquêmica após o reparo de aneurisma de aorta abdominal foi 36%, sendo destes 25% da forma gangrenosa. A ocorrência de isquemia do cólon foi mais freqüente em associação com o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica, e em pacientes que apresentavam fluxo na artéria mesentérica inferior no pré-operatório (p<0,05). Em conclusão, neste grupo de pacientes, a incidência de colite isquêmica foi superior à descrita na literatura. A presença de DPOC e pulso na AMI no pré-operatório foram preditivos de ocorrência de colite isquêmica, após o reparo de aneurisma de aorta abdominal.
2007
Pandolfo,Gilmara Fillmann,Lúcio Sarubbi Fillmann,Henrique Sarubbi Fillmann,Erico Ernesto Pretzel Petracco,João Batista Goldani,Marco Antônio
Esfincterotomia lateral interna associada à hemorroidectomia no tratamento da doença hemorroidária: vantagem ou desvantagem?
RACIONAL: A importância de realizar-se esfincterotomia concomitantemente com hemorroidectomia, para melhor controle de dor pós-operatória, ainda é motivo de grande discussão acadêmica. OBJETIVOS: Estudar as implicações clínicas da esfincterotomia lateral interna associada à hemorroidectomia, no tratamento cirúrgico da doença hemorroidária. Pacientes e MÉTODOS: Foram avaliados 20 pacientes portadores de doença hemorroidária, submetidos à "hemorroidectomia aberta" pela técnica de Miligan-Morgan, distribuídos em dois grupos: Grupo 1: Hemorroidectomia sem esfincterotomia (sem ELI) e Grupo 2: Hemorroidectomia com esfincterotomia (com ELI). Analisou-se a dor e a continência anal pós-operatória utilizando-se parâmetros clínicos e manométricos. A dor, complicações pós-operatórias e a presença de sintomas de incontinência anal foram avaliadas no pós-operatório. Todos os pacientes foram submetidos à eletromanometria anorretal, tanto no pré como no pós-operatório, e os dados coletados foram comparados entre os dois grupos de estudo. RESULTADOS: Não houve diferença, entre os dois grupos, na incidência de complicações pós-operatórias. O uso de narcóticos foi maior no Grupo I nas 1as 24 horas. Entretanto, a dor foi maior no Grupo II no 3º e 7º dia de pós-operatório. O tempo de cicatrização da ferida operatória foi semelhante nos dois grupos. A incidência de sintomas de incontinência anal foi significativamente maior para o grupo tratado com esfincterotomia. CONCLUSÃO: A esfincterotomia lateral interna associada à hemorroidectomia para o tratamento de doença hemorroidária avançada não reduziu a dor pós-operatória, além de ter aumentado o risco de incontinência anal.
2007
Moreira Junior,Hélio Moreira,José Paulo Teixeira Moreira,Hélio Iguma,Cinthia Satomi Almeida,Arminda Caetano Magalhães,Cristiano Nunes de
Pesquisa de sangue oculto nas fezes e correlação com alterações nas colonoscopias
INTRODUÇÃO: Diante do número significativo de casos de câncer colo-retal métodos de rastreamento tornam-se necessários. A pesquisa de sangue oculto (PSO) e tida como apropriada para grandes populações consideradas de baixo risco.. OBJETIVO: Determinar a incidência de lesões neoplásicas ou pré-neoplásicas em pacientes com PSO positivos ou negativos, e correlacionar com os achados da colonoscopia. MÉTODOS: 67 pacientes foram submetidos à colonoscopia e PSO. As indicações para os exames foram: dor abdominal, alteração do hábito intestinal, e história familiar de câncer colo-retal. RESULTADOS: 37 pacientes tinham PSO negativa e 30 PSO positiva. Vinte e duas colonoscopias foram normais. As colonoscopias revelaram : pólipos, retocolite ulcerativa, doença diverticular e um tumor. A sensibilidade foi de 46,7%, especificidade de 59,1%, valor preditivo positivo de 70% e negativo de 35,1%. Considerando apenas as lesões malignas ou com potencial , a sensibilidade foi de 76,5%, a especificidade de 66%, o valor preditivo positivo de 43,3% e o negativo de 89,2%. CONCLUSÕES: Há necessidade de rastreamento a partir dos 40 anos. A pesquisa de sangue oculto nas fezes, pelo seu baixo custo e caráter não invasivo, apesar da baixa sensibilidade e especificidade, é um bom método para rastreamento de populações consideradas de baixo risco.
2007
Altenburg,Francisco Luis Biondo-Simões,Maria de Lourdes Pessole Santiago,Aline
Polipose múltipla familiar: análise de 44 casos tratados no Hospital das Clínicas da FMRP-USP
Os autores apresentam análise retrospectiva de 44 pacientes com Polipose Múltipla Familiar tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,Universidade de São Paulo, entre janeiro de 1991 a julho de 2005. Foram estudados aspectos epidemiológicos (idade, sexo), genéticos, principais sintomas, antecedentes pessoais e aspectos envolvendo tratamento cirúrgico e complicações pós-operatórias, comparando os achados com os da literatura correlata. Dos pacientes, 31 são do sexo masculino e 13 do feminino com idade média de 32 anos (14 - 60 anos). Os sintomas prevalentes foram: sangramento intestinal (62,5 %), alteração do hábito intestinal (60%), e com menor freqüência dor abdominal (45 %) e emagrecimento (30%). Relataram casos de polipose familiar 67,5% dos pacientes e 62,5% referiram parentes com antecedente de neoplasias (intestinal e extra-intestinal). Cerca de 32,5% dos pacientes já apresentavam neoplasia de cólon na época do diagnóstico da polipose,com idade média de 39 anos. O tratamento cirúrgico foi realizado em 95,4% dos pacientes: 35,7% foram submetidos à proctocolectomia total(9 casos com bolsa ileal em J e 6 casos com ileostomia definitiva) e 59,2% a colectomia total com ileorretoanastomose. Atualmente 57% dos pacientes avaliados ainda estão em seguimento com reavaliações periódicas, 7% faleceram e 27% abandonaram o tratamento.
2007
Silva,Andreza Regina de B. M. da Parra,Rogério Serafim Rolo,Jaicer Gonçalves Bueno Filho,Roberto Féres,Omar Rocha,José Joaquim Ribeiro da
Melanoma anorretal: relato de 2 casos e revisão da literatura
Os tumores malignos do canal anal e do anus são muito raros, não ultrapassam 2% de todos os tumores do colo, reto e anus; segundo os principais levantamentos os melanomas não ultrapassam a incidência de 0,1 a 1,2% dos tumores malignos. Os autores descrevem 2 casos de melanoma, discutindo os principais dados da literatura, enfocando os aspectos diagnósticos, tratamento, evolução e prognostico. Os indicies de cura s são baixos e com elevados índices de mortalidade a curto prazo.
2007
Hossne,Rogério Saad Prado,Renê Gamberini Bakonyi Neto,Alexandre Denardi Junior,Euclides Ferrari,André
Tumores de cólon - primeiro achado do adenocarcinoma de pâncreas: relato de caso
OBJETIVO: Relatar um caso raro de adenocarcinoma de pâncreas que se apresentou como tumores colorretais sincrônicos. Paciente masculino, 76 anos, apresentava dor abdominal difusa de forte intensidade, diarréia e vômitos há sete dias. Tratava de gastrite há dois anos e nos últimos quatro meses apresentava hiporexia e perda de peso. Estava emagrecido, desidratado e desnutrido, com distensão abdominal importante, ruídos hidroaéreos ausentes e dor difusa à palpação abdominal. Exames evidenciaram hiperglicemia, distensão importante do intestino delgado ao raio x, ultra-som de abdome com colecistolitíase e endoscopia digestiva alta com pangastrite, bulboduodenite e papila normal. Tomografia abdominal confirmou colecistolitíase. A colonoscopia mostrou três lesões, em reto médio, cólon transverso e na válvula íleocecal. As biópsias revelaram apenas reação inflamatória. Persistiram os sintomas e decidiu-se submetê-lo a colecistectomia onde foram vistas lesões planas em diafragma cujas biópsias evidenciaram adenocarcinoma. No quinto dia de pós-operatório o paciente apresentava quadro obstrutivo e foi submetido à nova laparotomia com colectomia direita, ileostomia terminal dupla e biópsia pancreática. Esta mostrou adenocarcinoma e o estudo imunoistoquímico positivo para tumor primário do pâncreas. O paciente evoluiu para óbito um mês após. CONCLUSÃO: o exame de imagem normal não descarta a hipótese diagnóstica e quando a origem do tumor primário não está definida é essencial o exame imunoistoquímico para firmar o diagnóstico.
2007
Moraes,Sandra Pedroso de Claro Júnior,Francisco Oliveira Filho,Joaquim José de Sevá-Pereira,Gustavo Nascimento,Ricardo Bolzam do Castro,Amilcar de
Cisto dermóide simulando neoplasia retro-retal
Cisto dermóide é uma formação tumoral constituída por um enclausuramento epidérmico contendo folículos pilosos, glândulas sebáceas e localizadas geralmente no pescoço.
2007
Carvalho,Erlon de Ávila Pontinha,Tatiane de Fátima Baco Saraiva Oliveira,Jackeline Ribeiro Braga,Eustáquio de Carvalho Baldim,José Ademar
Carcinoma basocelular perianal: relato de caso e revisão da literatura
O Carcinoma basocelular (CBC) é a mais freqüente das neoplasias epiteliais, localizando-se preferencialmente em áreas expostas ao sol. A ocorrência deste tumor na região perianal é extremamente rara. Neste artigo, relatamos um caso de CBC perianal. Apresentamos também uma revisão da literatura médica sobre o tema, salientando as características clínicas e histopatológicas, bem como o tratamento preconizado para esse tipo de tumor.
2007
Damin,Daniel C. Burttet,Renata M. Rosito,Mario A. Tarta,Cláudio Contu,Paulo C. Santos,Frederico S. Kliemann,Lúcia Prolla,João Carlos
Manifestações extra-intestinais em doença de Crohn e retocolite ulcerativa: prevalência e correlação com o diagnóstico, extensão, atividade, tempo de evolução da doença
INTRODUÇÃO: Existe uma grande prevalência de manifestações extra-intestinais(MEI) em portadores de doença de Crohn(DC) e de retocolite ulcerativa(RCU), variando de 24 a 65%. OBJETIVO: Determinar a prevalência de MEI em RCU e DC, correlacionando com diagnóstico do tipo de doença inflamatória intestinal, extensão, tempo de evolução e atividade da doença. MÉTODOS: Mil pacientes foram avaliados no Hospital das Clínicas da FMUSP no período de 1984 a 2004. Foram estudadas manifestações articulares, dermatológicas, oftalmológicas, urológicas, hepáticas, pulmonares e vasculares. RESULTADOS: Foram estudados 468 pacientes com DC(46,8%) e 532 com RCU(53,2%). Encontrados 627 pacientes (59,2% com RCU e 66,7% com DC) com pelo menos uma forma de MEI. A média de tempo de doença dos pacientes com MEI foi de 10 anos. As MEI foram mais freqüentes após o início dos sintomas intestinais. CONCLUSÕES: Tanto na RCU quanto na DC,quanto maior a extensão da doença no cólon, maior a incidência de MEI. As manifestações urológicas foram mais freqüentes na DC. As manifestações articulares e dermatológicas foram mais prevalentes no sexo feminino nos dois grupos. Manifestações hepáticas foram mais prevalentes na DC. As manifestações articulares, dermatológicas e vasculares tiveram correlação com a atividade da doença intestinal em ambos os grupos.
2007
Mota,Erodilho Sande Kiss,Desidério Roberto Teixeira,Magaly Gêmio Almeida,Maristela Gomes de Sanfront,Fernanda de Azevedo Habr-Gama,Angelita Cecconello,Ivan
Efeito da nifedipina gel 0,2% nas pressões de canal anal e na dor pós-operatória: estudo após hemorroidectomia pela técnica aberta
INTRODUÇÃO: As hemorróidas são muito freqüentes e após o seu tratamento cirúrgico tem se observado que a dor causa muito sofrimento. Várias alternativas tem sido estudadas para melhorar a dor pós-operatória dentre elas a esfincterotomia cirúrgica que pode em alguns casos causar algum grau de incontinência fecal. Por esse motivo vários estudos tem utilizado a esfincterotomia química com nifedipina, diltiazen, trinitrato de glicerina e toxina botulínica. O objetivo dessa pesquisa foi avaliar o efeito da nifedipina tópica nas diminuições das pressões do canal anal e consequente influência na melhora da dor pós-operatória. MATERIAL E MÉTODO: Utilização da nifedipina tópica gel 0,2% (Grupo 1) e lidocaina 2% (Grupo 2) no pós operatório de hemorroidectomia aferindo as pressões no pré, primeiro, quarto e sétimo dias de pós operatório, associado de medida de dor todos os dias do pós-operatório através de tabela analógica. RESULTADOS: Os autores não encontraram diferenças em relação às pressões de canal anal mas em relação à dor referida estas foram em menor intensidade no grupo que recebeu a nifedipina. CONCLUSÕES: a nifedipina gel foi eficiente na analgesia pós-operatória, no entanto não alterou as pressões do canal anal.
2007
Cesar,Maria Auxiliadora Prolungatti Klug,Wilmar Artur Bassi,Deomir Germano Paula,Pedro Roberto de Cesar,Rosana Prolungatti Ortiz,Jorge Alberto Speranzini,Manilio Basilio
Proposta para estadiamento do câncer colorretal baseada em critérios morfofuncionais: correlação com níveis séricos do antígeno carcinoembrionário
A análise de características morfofuncionais pode ser útil na predição evolutiva do câncer colorretal, especialmente se relacionadas aos níveis séricos de antígeno carcinoembrionário. A pesquisa de instabilidades de cromossomos e genes e alterações da expressão tecidual de proteínas por eles codificadas, tornam atraente a possibilidade do emprego de fatores funcionais como variáveis potencialmente válidas na compreensão do prognóstico do carcinoma colorretal.¹ OBJETIVO: Propor estadiamento baseado nas características morfológicas e funcionais do carcinoma colorretal, valorizando o poder prognóstico do antígeno carcinoembrionário. MÉTODO: Acompanhou-se 35 pacientes em estágios diferentes da evolução do adenocarcinoma colorretal no período de 2001 a 2007. A medida sérica do antígeno carcinoembrionário foi executada pela técnica de quimioluminescência. Realizou-se estudo anatomopatológico para determinação do grau histológico e estádio TNM, e análise imunohistoquímica para determinação da polarização tecidual do antígeno carcinoembrionário. A classificação morfofuncional foi determinada pela combinação entre grau histológico e polarização do antígeno. O estadiamento morfofuncional baseou-se na associação entre classificação morfofuncional e estadiamento TNM, por pontuação atribuída a cada uma das classificações. As variáveis estudadas foram: CEA sérico, classificação morfofuncional, estadiamento TNM e morfofuncional. Os resultados foram analisados por análise variância, teste de correlação e análise de sobrevivência (Kaplan-Meier e Modelo de Regressão de Cox), adotando-se p>0,05% para rejeição da hipótese de nulidade. RESULTADOS: A curva de sobrevida no estadiamento morfofuncional apresentou resultados semelhantes aos encontrados no estadiamento TNM. Houve relação entre a nova proposta de estadiamento e o tempo de sobrevida do paciente. Observou-se relação entre o tempo de sobrevida, a classificação morfofuncional e o nível sérico de antígeno carcinoembrionário. CONCLUSÃO: O estadiamento morfofuncional é válido para a avaliação prognóstica dos pacientes com adenocarcinoma colorretal, e relaciona-se com os níveis séricos do CEA.
2007
Priolli,Denise Gonçalves Cardinalli,Izilda Aparecida Piovesan,Helenice Margarido,Nelson Fontana Martinez,Carlos Augusto Real
Estudo histomorfométrico de anastomoses primárias de cólon em coelhos, com e sem preparo intestinal
O preparo intestinal é muito utilizado em cirurgias do cólon. A LIATO (lavagem intestinal anterógrada trans-operatória) promove limpeza do cólon, conferindo incremento de tempo ao ato cirúrgico e maior risco de infecção pela maior manipulação do conteúdo intestinal .Este estudo compara confecção de anastomoses colônicas com e sem preparo intestinal, pela análise histomorfométrica. Foram submetidos à cirurgia 30 coelhos divididos em 2 grupos: grupo 1, controle e grupo 2, que submeteu-se a LIATO, e comparados os seus resultados. A presença de infiltrado inflamatório agudo teve média discretamente maior nas anastomoses do grupo 2. Infiltrado inflamatório crônico obteve média de 1,9 nas anastomoses do grupo 2 e de 2,1 nas sem preparo. Necrose esteve presente em 15,7% dos casos onde se realizou LIATO contra 13,5% no grupo sem preparo. Calcificações foram encontradas em 43% das anastomoses com preparo e em 30% das sem preparo. Observou-se maior quantidade de colágeno nas anastomoses feitas com a lavagem intestinal. O padrão entrelaçado das fibras colágenas foi observado em 86% das anastomoses do grupo 2 e 70% no 1. Estudo estatístico foi realizado com programa Prism® 4 para p<0,05. Neste estudo que a LIATO apresenta melhor padrão de cruzamento e concentração de fibras colágenas, resultando possivelmente em melhor cicatrização.
2007
Torres Neto,Juvenal da Rocha Fakhour,Ricardo Menezes,Marcel Vinícius de Aguiar Santos,Joseane Silva Prudente,Ana Carolina Lisbôa Monteiro,João Tiago Silva Feitosa,Vera Lúcia Corrêa
Avaliação do dano oxidativo ao DNA de células normais e neoplásicas da mucosa cólica de doentes com câncer colorretal
O estresse oxidativo ao DNA de células da mucosa cólica decorrente de radicais livres de oxigênio presentes na luz intestinal, induz mutações de genes relacionados ao controle do ciclo celular, representando um dos fenômenos iniciais da carcinogênese colorretal. A quantificação do dano oxidativo ao DNA em portadores de câncer colorretal foi pouco estudada até o momento. OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi mensurar os níveis de dano oxidativo ao DNA de células isoladas da mucosa cólica de doentes com câncer colorretal comparando o tecido normal e o neoplásico e correlacionando-os a variáveis anatomopatológicas. MÉTODO: Estudou-se 32 enfermos (19 mulheres) com média de idade de 60,6 ± 15,5 anos, portadores de adenocarcinoma colorretal operados consecutivamente, entre 2005 e 2006. A avaliação do dano oxidativo ao DNA foi realizada pela da versão alcalina do ensaio cometa (eletroforese e gel de célula única), a partir de fragmentos de tecido cólico normal e neoplásico obtidos imediatamente após a extirpação do espécime cirúrgico. Avaliou-se a extensão das rupturas das hélices do DNA com método de intensificação de imagem, em 200 células escolhidas aleatoriamente (100 de cada amostra de tecido) com o programa Komet 5.5. A mensuração da cauda obtida de cada célula (Tail Moment) representava, quantitativamente, a extensão do dano oxidativo ao DNA. A análise estatística das variáveis consideradas foi realizada pelos testes t de Student, qui-quadrado e Kruskal-Wallis, adotando-se nível de significância de 5% (p<0,05). RESULTADOS: Verificou-se em todos os doentes que as células obtidas do tecido neoplásico apresentavam maior intensidade de dano oxidativo ao DNA do que as células oriundas do tecido normal. As células isoladas da mucosa cólica neoplásica apresentavam, em média, extensão de ruptura das hélices do DNA (T.M. = 2,532 ± 0,945) significativamente maior quando comparadas às células isoladas do tecido normal (T.M. = 1,056 ± 0,460) (p=0,00001; I.C.95%: -1,7705 -1.1808). Verificou-se que os doentes pertencentes aos estádios mais precoces da classificação de Dukes e TNM apresentavam maiores níveis de dano oxidativo do que os pertencentes a estádios mais avançados (p=0,04 e p=0,001 respectivamente). CONCLUSÕES: As células obtidas do tecido normal de portadores de câncer colorretal apresentam sinais de danos oxidativos ao DNA celular, embora significativamente menores que as células neoplásicas.
2007
Ribeiro,Marcelo Lima Priolli,Denise Gonçalves Miranda,Daniel Duarte da Conceição Paiva,Demétrius Arçari Pedrazzoli Júnior,José Martinez,Carlos Augusto Real
Achados de retossigmoidoscopias no rastreamento de câncer colorretal em pacientes assintomáticos acima de 50 anos
OBJETIVO: Analisar os achados do exame de retossigmoidoscopia no rastreamento de câncer colorretal em pacientes assintomáticos acima de 50 anos. MÉTODOS: Análise prospectiva de 208 pacientes assintomáticos acima de 50 anos e sem história familiar para câncer colorretal, que realizaram retossigmoidoscopia para rastreamento desta neoplasia durante o período de Janeiro de 2005 a Maio de 2006. Dos pacientes analisados, 64,5% eram mulheres e a média de idade era de 60,24 anos (50-91 anos). RESULTADOS: Observamos que 4,8% dos pacientes (n=10) apresentaram pólipos que variavam de 3 a 20mm de tamanho. Todos os pólipos foram retirados e enviados para estudo anatomopatológico. Destes, 3,36% (n=7) foram hiperplásicos e 1,50% (n=3) eram adenomas, sendo dois adenoma tubular com atipias leves e um adenoma com atipias moderadas. Dos dez doentes que tinham pólipos ao exame, nove foram submetidos a videocolonoscopia e um abandonou o acompanhamento. Destes nove, sete pacientes apresentaram ausência de pólipos ao exame colonoscópico, e um apresentou dois pólipos adenomatosos em cólon direito. CONCLUSÕES: A retossigmoidoscopia é um exame acessível na maioria dos serviços que permite identificar pólipos potencialmente neoplásicos em pacientes assintomáticos.
2007
Diogenes,Carolina Vannucci V. Nogueira Marianelli,Raphael Soares,Rodrigo de Pádua Safatle Abud,Regis Mikail Falleiros,Vinicio Vilariño,Tereza de Carvalho Almeida,Maristela Gomes de Baraviera,Antonio Carlos
Comparação entre o diagnóstico endoscópico e histológico de pólipos colorretais
OBJETIVO: Avaliar a capacidade da videocolonoscopia convencional (sem magnificação de imagem) com cromoscopia (índigo carmin) de inferir no provável diagnóstico histológico de pólipos colorretais. MÉTODOS: Estudo observacional e descritivo de 100 pólipos colorretais. Todas as lesões foram classificados do ponto de vista endoscópico quanto ao padrão de criptas e submetidos ao estudo histológico para posterior correlação diagnóstica. RESULTADOS: dezenove por cento dos pólipos foram "subdiagnosticados" como hiperplásicos na videocolonoscopia. Oitenta e um por cento foram diagnosticados corretamente ou "superdignosticados" na videocolonoscopia. Nenhum pólipo maligno foi diagnosticado incorretamente. CONCLUSÃO: A videocolonoscopia convencional com cromoscopia não é método seguro para diferenciação de pólipos colorretais neoplásicos e não-neoplásicos. Pólipos colorretais diagnosticados através de videocolonoscopia convencional devem ser sempre submetidos a estudo histológico.
2007
Ghezzi,Tiago Leal Fillmann,Lucio Sarubbi Fillmann,Érico Ernesto Pretzel Fillmann,Henrique Sarubbi
Colonoscopia em pacientes não pediátricos abaixo de 20 anos de idade traz pouca contribuição nos resultados
INTRODUÇÃO: A utilização da colonoscopia como método de diagnóstico e prevenção das doenças do cólon e reto é cada ano mais freqüente. Esse aumento na indicação também é observado nos extremos de idade, como pacientes não pediátricos abaixo dos 20 anos. MÉTODO: Entre outubro de 1998 a julho de 2006, 4354 pacientes foram submetidos à colonoscopia na clínica privada de um dos autores. Foram analisados retrospectivamente, os prontuários de 66 pacientes com vinte anos ou menos de idade. O estudo histológico foi obtido nos pacientes com exames alterados. RESULTADOS: A idade variou de 11 a 20 anos (média de 17,96 anos). Trinta e nove pacientes pertenciam ao sexo feminino e 27 ao masculino. O exame foi normal em 40, observou-se apenas hiperplasia de tecido linfóide em 10, divertículos em 2, colite inespecífica em 1 e pólipo hiperplásico em 1 paciente, totalizando 54 (81,81%) exames sem alteração específica. Colites foram observadas em 10 e pólipos em 5. Em dois pacientes havia história familiar de doença inflamatória intestinal e em um de câncer de cólon. CONCLUSÃO: A seleção dos pacientes é fundamental para evitar exames colonoscópicos desnecessários em pacientes abaixo de 20 anos de idade.
2007
Brenner,Antonio Sérgio Lima,Vanessa Zeni Valarini,Sandra Beatriz Marion Valarini,Rubens César,Ana Maria Pereira
Resposta completa à terapia neoadjuvante no câncer de reto: apenas sorte ou um resultado previsível?
Os bons resultados obtidos através da associação da quimioterapia à radioterapia levaram à adoção da terapia neoadjuvante no tratamento do câncer de reto com o objetivo de promover uma redução do tamanho do tumor possibilitando melhores condições de ressecabilidade e de preservação esfincteriana. Estudos recentes sugerem um tratamento não operatório em casos de resposta completa à terapia neoadjuvante. Isto nos demonstra a necessidade de uma melhor definição sobre o prognóstico da responsividade tumoral à terapia neoadjuvante afim de estabelecer-se uma estratégia individual de terapêutica do câncer retal. Existem hoje amplas evidências de que a resposta à terapia neoadjuvante varia individualmente de acordo com a composição biomolecular de cada tumor. Diversos estudos tem relatado uma correlação entre os níveis de expressão tumoral de diversas proteínas, como a p53 e a timidilato sintetase, e os respectivos índices de regressão à terapia neoadjuvante, embora seu valor preditivo permaneça insuficiente para influir na conduta terapêutica. Por outro lado, estudos utilizando a técnica de microssequências para analisar a expressão de um conjunto de genes tem apresentando resultados bastante encorajadores, com valores preditivos para a regressão tumoral em níveis próximos a 100%, representando uma consistente perspectiva para uma indicação mais precisa e individualizada da terapia neoadjuvante.
2007
Pinho,Mauro
Interpretação das reações sorológicas para diagnóstico e seguimento pós-terapêutico da sífilis
A sífilis ainda é freqüente, e quando não diagnosticada e tratada corretamente, poderá causar seqüelas irreversíveis. Desta maneira, faz-se necessário saber quais os exames mais adequados para cada forma da infecção, bem como interpretar os seus resultados. Atualmente, a pesquisa da doença é realizada combinando testes específicos e não específicos, e a maioria dos autores utiliza o VDRL ou o RPR e o FTA-ABS ou o ELISA. Muitos laboratórios têm optado pelo VDRL e o ELISA por serem de fácil execução. Essas reações se tornam positivas a partir da segunda semana após o aparecimento do cancro sifilítico. O VDRL é considerado positivo quando seu título for igual ou superior a 1/16. Títulos inferiores são considerados falso-positivos quando os testes treponêmicos forem negativos. Entretanto, algumas condições estão associadas com VDRL reagente e ELISA não reagente, sem história prévia de sífilis. O VDRL é indispensável no seguimento pós-tratamento da sífilis. Recomenda-se o exame a cada seis meses, até o final do segundo ano. O teste pode permanecer positivo em 6,6% nos casos de doença primária e em 8,39% das formas secundárias 30 meses após o tratamento. Nesses casos, é necessário diferenciar entre a persistência do exame reagente e a re-infecção pelo T.pallidum. Nos doentes infectados pelo HIV, recomenda-se o exame a cada três meses. A reversão do VDRL é similar à dos doentes HIV-negativo e não está relacionada à contagem sérica dos linfócitos T CD4. O resultado falso-positivo foi descrito como 10 vezes mais freqüente nessa população. O exame torna-se negativo após 10 semanas, na maioria dos casos.
2007
Nadal,Sidney Roberto Framil,Valéria Maria de Souza
A exenteração pélvica para o câncer de reto: avaliação dos fatores prognósticos de sobrevida em 27 pacientes operados
OBJETIVO: Identificar os fatores prognósticos de sobrevida dos pacientes submetidos à exenteração pélvica no tratamento curativo do câncer de reto (no Estádio T4 e na recidiva pélvica isolada). MÉTODOS: Os dados completos de 27 pacientes submetidos a esse tipo de operação por adenocarcinoma de reto entre Janeiro de 1996 a Junho de 2006 foram avaliados. Foram estudados diversos fatores prognósticos epidemiológicos, cirúrgicos e histológicos por meio de análise multivariada. RESULTADOS: A mortalidade pós-operatória foi de 7 % (n=2) enquanto a morbidade global foi de 55 % (n=15). A média de sobrevida global foi de 38 meses. A sobrevida global foi maior nos tumores T4 do que nas recidivas pélvicas (47 X 26 meses). Somente o comprometimento linfonodal (N+) foi fator prognóstico negativo na análise multivariada. CONCLUSÃO: A exenteração pélvica para o tratamento do câncer de reto apresenta alta morbidade e considerável mortalidade. Deve ser indicada nos tumores T4, principalmente quando não há disseminação linfonodal.
2008
Costa,Sergio Renato Pais Teixeira,Alexandre Chartuni Pereira Lupinacci,Renato Arioni