RCAAP Repository
Validação no Brasil de protocolos de auto-avaliação do impacto de uma disfonia
TEMA: a auto-avaliação de um indivíduo sobre seu problema de voz e a análise do resultado de um tratamento são meios utilizados para verificar a efetividade de uma intervenção e desenvolver procedimentos diretivos para a prática clínica na área da saúde. Instrumentos psicométricos são as ferramentas mais comuns para essa tarefa. A validação de instrumentos de auto-avaliação pode ser realizada de diversas formas, com critérios claros e estruturados. OBJETIVO: apresentar o processo de validação para o Português Brasileiro de três protocolos de auto-avaliação para voz: Voice-Related Quality of Life - V-RQOL, Voice Handicap Index - VHI e Voice Activity and Participation Profile - VAPP, que receberam os seguintes nomes respectivamente: Qualidade de Vida em Voz - QVV, Índice de Desvantagem Vocal - IDV e Perfil de Participação e Atividades Vocais - PPAV, ressaltando as particularidades desses intrumentos e as adaptações necessárias para seu uso no Brasil. MÉTODOS: os três protocolos foram validados de acordo com os atributos sugeridos pelo Scientific Advisory Committee of Medical Outcomes Trust - SAC. RESULTADOS: os três protocolos tiveram as medidas psicométricas de validade, confiabilidade, reprodutibilidade e sensibilidade estatisticamente demonstradas, apresentando particularidades inerentes ao foco do instrumento. CONCLUSÃO: as versões brasileiras dos protocolos QVV, IDV e PPAV mostraram ser instrumentos específicos para avaliar pacientes que apresentam problemas de voz, com validade, confiabilidade e sensibilidade comprovadas. Tais instrumentos podem ser propostos para avaliação da qualidade de vida relacionada à voz, bem como para análise de resultado de tratamentos.
2009
Behlau,Mara Oliveira,Gisele Santos,Luciana de Moraes Alves dos Ricarte,Adriana
Mascaramento clínico: aplicabilidade dos métodos platô e otimizado na pesquisa dos limiares auditivos
TEMA: na audiometria tonal liminar (ATL) algumas situações dificultam a obtenção dos limiares auditivos para cada orelha separadamente, havendo a necessidade do mascaramento. O método Platô, é o mais utilizado há mais de quatro décadas. Em 2004, foi sugerido um protocolo de mascaramento em que o método Otimizado substituiria o Platô, em casos específicos. OBJETIVO: analisar a aplicabilidade dos métodos Platô e Otimizado, na pesquisa dos limiares auditivos. MÉTODO: participaram deste estudo 40 indivíduos, de 15 a 65 anos, com perda auditiva unilateral ou bilateral. Foi realizada a ATL por via aérea (VA) e via óssea (VO), para ambas as orelhas, sem e com a utilização do mascaramento, segundo os padrões unilateral, bilateral, simétrico e somente-ósseo. RESULTADOS: não houve diferença estatisticamente significante entre os dois métodos para a obtenção dos limiares por VA, para os padrões avaliados. Contudo, houve um maior percentual de diferença para o padrão simétrico, durante reteste de VA. Houve diferença estatisticamente significante entre os métodos Platô e Otimizado, para a obtenção dos limiares por VO, para os padrões: simétrico e somente-ósseo. CONCLUSÃO: o Método Platô pode ser utilizado para todos os padrões e o Otimizado é mais eficaz para os padrões unilateral e bilateral. Desta forma, é necessário que o audiologista saiba diferenciar os melhores casos para a aplicação de um dos dois métodos e assim, obter resultados fidedignos.
2009
Fernandes,Kelly Cristina de Souza Russo,Iêda Chaves Pacheco
Análise da diversidade de verbos enunciados na fala espontânea de pré-escolares brasileiros
TEMA: aquisição de verbos. OBJETIVOS: verificar a diversidade quantitativa e qualitativa dos verbos enunciados por pré-escolares falantes do Português Brasileiro, bem como sua evolução dos 2 aos 4 anos de idade. MÉTODO: participaram do estudo sessenta pré-escolares divididos em três grupos pareados quanto ao gênero e de acordo com a faixa etária, a saber, GI (2 anos), GII (3 anos) e GIII (4 anos). Foram coletadas amostras de fala, obtidas em contexto educacional por meio de interação lúdica, a partir das quais foi empreendido um levantamento dos verbos empregados. RESULTADOS: foram enunciados 168 verbos distintos, dos quais a análise da quantidade indicou diferenças estatísticas significantes entre os grupos (p-valor <0,001), com um aumento gradual no uso de verbos dos dois aos quatro anos, com diferenças entre todos os grupos. Todavia, não há diferença significante (p - valor 0,956) entre os gêneros. CONCLUSÃO: os pré-escolares estudados aprimoraram o uso de verbos ao longo desta fase inicial de aquisição da linguagem, independente do gênero a que pertencem.
2010
Befi-Lopes,Debora Maria Cáceres,Ana Manhani
O Teste Gap in Noise em crianças de 11 e 12 anos
TEMA: a detecção de gap em crianças de 11 e 12 anos. OBJETIVO: verificar o comportamento da resolução temporal, através do teste gap in noise, em crianças de onze e doze anos, a fim de subsidiar o estabelecimento de critérios de referência de normalidade. MÉTODO: participaram 92 crianças, com idades de 11 e 12 anos, matriculadas no ensino fundamental, sem evidências de doenças otológicas e/ou neurológicas e/ou cognitivas, assim como dificuldades de aprendizagem e histórico de repetência escolar. Ainda, apresentavam limiares audiométricos dentro da normalidade e reconhecimento verbal no teste dicótico de dígitos igual ou superior a 95 % de acertos. Todos foram submetidos ao teste gap in noise. A análise estatística foi realizada por meio de testes não paramétricos com nível de significância de 0,05. RESULTADOS: a média dos limiares de gap foi de 5,05ms e a média da porcentagem de acertos foi de 71,70%. Não houve diferença estatisticamente significante entre as respostas por faixa etária (onze e doze anos), por orelha (direita e esquerda) e por gênero (masculino e feminino). No entanto, ao se comparar as faixas-testes, observa-se que a primeira faixa-teste apresentou porcentagem maior de identificações de gap, estatisticamente significante em relação à segunda faixa-teste. CONCLUSÃO: em 78,27% da população deste estudo, os limiares de gap obtidos foram de até 5ms, resposta recomendada como referência de normalidade para a faixa etária pesquisada.
2010
Perez,Ana Paula Pereira,Liliane Desgualdo
Variação da fluência da fala em idosos
TEMA: tem sido descrito na literatura a existência de mudanças na fala decorrentes do envelhecimento, entretanto, nesses estudos, as variações da fluência têm recebido pouca atenção. OBJETIVO: verificar o perfil da fluência da fala em idosos em diferentes parâmetros. Método: os participantes foram 128 indivíduos com idade acima de 60 anos, de ambos os gêneros. Foram obtidas amostras de fala de todos os participantes e analisadas segundo as variáveis de: tipos de rupturas; velocidade de fala e frequência de rupturas. A análise computou 200 sílabas fluentes da amostra. RESULTADOS: a análise estatística mostrou diferenças estatisticamente significantes entre as décadas somente para a variável de sílabas por minuto. No grupo acima de 80 anos houve significância estatística indicando aumento das rupturas de fala e decréscimo da velocidade. CONCLUSÃO: o efeito da idade parece ser mais expressivo depois dos oitenta anos em relação aos parâmetros de fluência da fala analisados nesse estudo.
2010
Andrade,Claudia Regina Furquim de Martins,Vanessa de Oliveira
Avaliação da função auditiva receptiva, expressiva e visual em crianças prematuras
TEMA: prematuridade como fator de risco para atraso no desenvolvimento da linguagem. OBJETIVO: verificar o desempenho de crianças prematuras quanto às áreas auditiva receptiva, expressiva e visual. MÉTODO: participaram da amostra 40 crianças de idade cronológica entre 12 e 24 meses. O grupo experimental (G1) foi composto por 20 crianças que apresentaram em seu histórico de vida os fatores de risco prematuridade e baixo peso ou muito baixo peso. A idade gestacional das crianças variou de 22 a 34, semanas todas com peso abaixo de 2500g; este grupo foi dividido em função do peso, ou seja, crianças de baixo peso e de muito baixo peso. O grupo controle (G2) foi composto por 20 crianças nascidas a termo com peso superior a 2500g, sem histórico para atraso do desenvolvimento. Os procedimentos constaram de entrevista com os pais e aplicação da Escala Early Language Milestone Scale (ELM). RESULTADOS: na comparação entre grupos, os resultados mostraram ser estatisticamente significativos. As crianças do G1 apresentaram prejuízo na área auditiva expressiva, auditiva receptiva e visual, embora algumas crianças tivessem apresentado resultados esperados para sua faixa etária, em alguma das funções avaliadas. A área mais prejudicada foi a área expressiva. CONCLUSÃO: as crianças do G1 apresentaram alteração nas áreas auditiva receptiva, auditiva expressiva e visual. As crianças prematuras com muito baixo peso apresentaram maiores prejuízos nas áreas avaliadas.
2010
Lamônica,Dionísia Aparecida Cusin Carlino,Fabiana Cristina Alvarenga,Kátia de Freitas
Habilidades auditivas em crianças com dislexia e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade
TEMA: processamento auditivo e comorbidades. OBJETIVOS: investigar o desempenho de crianças com dislexia e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em testes comportamentais de processamento auditivo, comparando-os com grupo controle. MÉTODO: foram avaliadas 30 crianças com idades entre 7 a 12 anos, sendo 10 pertencentes ao grupo controle, 10 pertencentes ao grupo com dislexia e 10 pertencentes ao grupo com TDAH. Os testes de processamento auditivo aplicados foram: fala com ruído, dicótico de dígitos e padrão de frequência. RESULTADOS: em relação ao teste fala com ruído, houve efeito de grupo entre TDAH e grupo controle (p < 0,001), sendo que o grupo com TDAH apresentou pior resultado; em relação ao teste dicótico de dígitos, houve efeito de grupo entre os três grupos avaliados (p < 0,001), com pior desempenho do grupo com TDAH, seguido do grupo com dislexia e grupo controle. Em relação ao Teste Padrão de Frequência, houve efeito de grupo considerado "marginal" (p = 0,056), com pior desempenho do grupo com TDAH, seguido do grupo com dislexia e grupo controle. CONCLUSÃO: grupo com TDAH apresentou pior desempenho em todos os testes aplicados, se comparado com os outros dois grupos, sugerindo uma estreita relação entre as habilidades de atenção e as habilidades de processamento auditivo avaliadas.
2010
Abdo,Anila Gabriela Rotger Murphy,Cristina Ferraz Borges Schochat,Eliane
Estudo dos potenciais evocados auditivos em autismo
TEMA: avaliação eletrofisiológica da audição em indivíduos com autismo. OBJETIVO: caracterizar os achados das avaliações eletrofisiológicas da audição em indivíduos com autismo, bem como comparar seus resultados aos obtidos em indivíduos com desenvolvimento típico da mesma faixa etária. MÉTODO: foram realizadas anamnese, audiometria tonal, logoaudiometria, medidas de imitância acústica, potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATE) e de média latência (PEAML), e potencial cognitivo (P300), em 16 indivíduos com autismo (grupo pesquisa) e 25 normais (grupo controle), com idades entre oito e 20 anos. RESULTADOS: o grupo pesquisa apresentou resultados alterados em todos os potenciais evocados auditivos, havendo diferença estatisticamente significante quando comparado ao grupo controle. Foi observada uma maior ocorrência de alteração do tipo tronco encefálico baixo no PEATE, do tipo Ambas no PEAML, e ausência de resposta no P300, para o grupo pesquisa. Na análise dos dados quantitativos, verificou-se que apenas para o PEATE ocorreu diferença estatisticamente significante entre os grupos, com relação às latências das ondas III e V e interpicos I-III e I-V. CONCLUSÃO: indivíduos com autismo apresentam alterações no PEATE e P300, sugerindo comprometimento da via auditiva em tronco encefálico, áreas subcorticais e corticais.
2010
Magliaro,Fernanda Cristina Leite Scheuer,Claudia Inês Assumpção Júnior,Francisco Baptista Matas,Carla Gentile
Potenciais evocados auditivos de estado estável em crianças com perdas auditivas cocleares
TEMA: os potenciais evocados auditivos de estado estável (PEAEE) têm sido apontados como uma técnica promissora na avaliação audiológica infantil. OBJETIVO: investigar o nível de concordância entre os resultados do PEAEE e a audiometria de reforço visual (VRA) em um grupo de crianças, averiguando assim a aplicabilidade clínica desta técnica na avaliação audiológica infantil. MÉTODO: foram avaliadas 14 crianças com idade entre 4 e 36 meses (média 16 meses) com diagnóstico de perda auditiva coclear. Os PEAEE foram registrados nas frequências de 0,5; 1; 2 e 4kHz pela estimulação múltipla simultânea, e os resultados obtidos foram comparados com os resultados da VRA. RESULTADOS: os coeficientes de correlação intraclasse entre as respostas dos PEAEE e da VRA foram de 0,90; 0,93; 0,93 e 0,89 para as frequências de 0,5; 1; 2 e 4kHz, respectivamente, indicando forte concordância entre as técnicas. CONCLUSÃO: os PEAEE podem fornecer informações precisas para que se possa dar início à seleção e adaptação dos AASI em crianças nas quais ainda não é possível a realização da VRA.
2010
Rodrigues,Gabriela Ribeiro Ivo Lewis,Dóris Ruthy
Desempenho sócio-cognitivo e adaptação sócio-comunicativa em diferentes grupos incluídos no espectro autístico
TEMA: as pesquisas quanto à inter-relação entre os aspectos de linguagem, cognição e socialização, vêm evoluindo desde a década de 70. Na perspectiva pragmática a linguagem é mediadora do desenvolvimento da socialização, permitindo ao indivíduo participar das relações sociais que expressam trocas comunicativas simétricas. OBJETIVO: verificar a efetividade da aplicação do protocolo de adaptação sócio-comunicativa em dois grupos de crianças e adolescentes com diagnósticos inseridos no espectro autístico, em atendimento fonoaudiológico especializado, em diferentes instituições, e verificar a relação entre os dados coletados no protocolo de adaptação sócio-comunicativa e o desempenho sócio-cognitivo. MÉTODO: participaram desta pesquisa 16 crianças e adolescentes na faixa etária de 8,0 a 16,0 anos, de ambos os gêneros, diagnosticados por médicos neurologistas e/ou psiquiatras como portadores de distúrbios incluídos no espectro autístico segundo os critérios específicos1-2. Todas as crianças estavam em atendimento fonoaudiológico semanal especializado por um período mínimo de seis meses. Foram aplicados os protocolos de analise dos Aspectos Sócio-Cognitivos³ e para a coleta de dados da Adaptação Sócio-comunicativa foram utilizados o protocolo e o questionário específico propostos por Sousa4. RESULTADOS: na análise dos resultados obtidos foi possível verificar que não houve diferenças estatisticamente significativas quanto ao desempenho sócio-cognitivo dos dois grupos, sendo a adaptação sócio-comunicativa dessas crianças extremamente variável. CONCLUSÃO: sendo assim, fica claro que, com o grupo de crianças do espectro autistico participantes deste estudo, é possível verificar que o desenvolvimento lingüístico, social e cognitivo não acontece de forma simétrica e linear.
2010
Cardoso,Carla Sousa-Morato,Priscilla Faria Andrade,Suraia Fernandes,Fernanda Dreux Miranda
Treinamento auditivo em escolares com distúrbio de aprendizagem
TEMA: programa de treinamento auditivo em escolares com distúrbio de aprendizagem. OBJETIVOS: verificar a eficácia de um programa de treinamento auditivo em escolares com distúrbio de aprendizagem e comparar os achados dos procedimentos de avaliação utilizados nas pré e pós-testagem em escolares com distúrbio de aprendizagem e sem dificuldades de aprendizagem, submetidos e não submetidos ao programa de treinamento auditivo. MÉTODO: participaram deste estudo 40 escolares, sendo que esses foram divididos em: GI, subdividido em: GIe (10 escolares com distúrbio de aprendizagem submetidos ao programa de treinamento auditivo), GIc (10 escolares com distúrbio de aprendizagem não submetidos ao programa de treinamento auditivo) e GII, subdividido em: GIIe (10 escolares sem dificuldades de aprendizagem submetidos ao programa de treinamento auditivo) e GIIc (10 escolares sem dificuldades de aprendizagem não submetidos ao programa de treinamento auditivo). Foi realizado o programa de Treinamento Auditivo Audio Training®. RESULTADOS: os resultados mostraram que o GI apresentou desempenho inferior ao de GII em atividades relacionadas com as habilidades auditivas e de consciência fonológica. O GIe e o GIIe apresentaram melhor desempenho em habilidades auditivas e de consciência fonológica depois da aplicação do programa de treinamento auditivo, quando comparados os achados de pré e pós-testagem. CONCLUSÃO: o desempenho de escolares com distúrbio de aprendizagem nas tarefas auditivas e fonológicas apresenta-se inferior no que concerne ao de escolares sem distúrbio de aprendizagem. A utilização do programa de treinamento auditivo mostrou-se eficaz e possibilitou aos escolares o desenvolvimento dessas habilidades.
2010
Pinheiro,Fábio Henrique Capellini,Simone Aparecida
Transtornos de linguagem oral em crianças pré-escolares com epilepsia: screening fonoaudiológico
TEMA: transtornos de linguagem oral e epilepsia em pré-escolares. OBJETIVO: verificar a ocorrência de alterações de linguagem oral em pré-escolares com epilepsia atendidos no Setor de Neurologia Infantil de um hospital universitário. MÉTODO: estudo prospectivo realizado com 30 crianças com epilepsia, submetidas à avaliação fonoaudiológica de linguagem oral. Critérios de inclusão: diagnóstico inequívoco de epilepsia segundo a definição da ILAE (2005)12; idade de 3 aos 6 anos; padrão neurológico e desenvolvimento neuropsicomotor normais. Exclusão: diagnóstico de epilepsia duvidoso; padrão neurológico e desenvolvimento neuropsicomotor alterados; crianças com patologias pediátricas associadas. Variáveis analisadas: sexo, idade da primeira crise epiléptica, tipo de crise epiléptica e regime de tratamento. Determinou-se OR (razão de chances), adotando-se < 0,05. RESULTADOS: 18 (60%) crianças com epilepsia apresentaram alterações de linguagem oral e, 12 (40%), linguagem oral dentro dos padrões de normalidade. Em relação às alterações, 12 (67%) apresentaram transtorno de linguagem e 6 (33%) apresentaram desvio fonológico. Crianças do sexo masculino (OR = 2,03) e as com crise epiléptica do tipo parcial (OR = 2,41) mostraram maior chance de apresentar alterações de linguagem oral. CONCLUSÃO: o estudo mostrou em pré-escolares com epilepsia: predomínio de atraso no desenvolvimento da linguagem oral, e o sexo masculino e a crise epiléptica do tipo parcial como fatores de risco para essa faixa etária.
2010
Melo,Patrícia Danielle Falcão Melo,Áurea Nogueira de Maia,Eulália Maria Chaves
Alongamento vocálico e apagamento em coda medial nos desvios fonológicos
TEMA: desvios fonológicos. OBJETIVO: verificar a ocorrência do alongamento vocálico, pela análise acústica, num grupo de 16 crianças (8 meninos e 8 meninas) com desvios fonológicos evolutivos (DFE), que não apresentam na fala as codas /R/ e /S/ mediais, além de levantar as porcentagens de ocorrência das estratégias de alongamento e apagamento nos dois tipos de coda. MÉTODO: gravação de 16 crianças mediante a apresentação de um álbum de figuras que representam 18 pares de palavras que contrastam as estruturas silábicas (C)VC e CV. Após a transcrição, os pares de palavras foram submetidos à análise acústica pelo PRAAT, versão 4.4.16, para medir a duração das vogais nos dois tipos silábicos. Posteriormente, realizou-se a análise estatística dos dados e o teste de significância (qui-quadrado) foi aplicado, considerando-se p < 0,05. RESULTADOS: embora nenhum alongamento tenha sido detectado perceptualmente, eles ocorreram em 93,75% da amostra. A aplicação do teste qui-quadrado revelou que tal ocorrência é altamente significativa. Para a coda /R/, registraram-se 95,52% de alongamentos e 4,48% de apagamentos, enquanto que para a coda /S/, registraram-se 12,5% de alongamentos e 87,5% de apagamentos. Não houve diferenças significativas entre os gêneros. CONCLUSÃO: detectou-se, pela análise acústica, tanto o alongamento vocálico quanto o apagamento; o alongamento vocálico foi mais frequente na coda /R/ do que na /S/, o apagamento foi mais frequente na coda /S/ do que na coda /R/; a criança que apresenta o alongamento pode revelar conhecimento da estrutura (C)VC e, portanto, estaria mais próxima da realização dos fonemas-alvo.
2010
Maldonade,Irani Rodrigues Mota,Helena Bolli
Validade da prova calórica monotermal em comparação à estimulação bitermal
TEMA: a estimulação calórica monotermal tem sido considerada como alternativa à prova calórica bitermal para triagem das assimetrias vestibulares. OBJETIVO: avaliar a confiabilidade da estimulação monotermal em relação à bitermal para o diagnóstico das assimetrias labirínticas. MÉTODO: avaliaram-se 389 resultados de vectoelectronistagmografia realizados entre 1998 e 2007. A estimulação monotermal de 30ºC e 44ºC com pontos de corte de predomínio labiríntico (PL) em 20% e em 25% foi comparada à bitermal com ponto de corte em 25% (padrão ouro). Na análise, interessou encontrar qual foi à prova monotemal (30°C ou 44°C) e com qual ponto de corte (20% ou 25%) que apresentou os valores mais elevados de sensibilidade e especificidade quando comparada à prova bitermal. RESULTADOS: a sensibilidade e especificidade da prova monotermal foram respectivamente de: 84% e 80%, a 30°C com PL em 20%; 78% e 90%, a 30°C com PL em 25%; 81% e 78%, a 44°C com PL em 20%; 76% e 85%, a 44°C com PL em 25%. CONCLUSÃO: a prova monotermal com estimulo a 30°C apresentou valores mais elevados de sensibilidade e especificidade quando comparada a bitermal. Contudo, não se observou diferença significativa em relação aos valores observados com estímulo a 44°C. Em todas as análises, a prova monotermal apresentou a limitação da baixa sensibilidade, de modo que testes alterados pela bitermal podem passar como normais pela prova monoternal. Ao se decidir pela realização da prova monotermal como triagem, deve-se realizá-la em indivíduos com menor probabilidade de estar com doença vestibular, a partir da história clínica.
2010
Cunha,Luciana Cristina Matos Felipe,Lilian Carvalho,Sarah Araújo Labanca,Ludimila Tavares,Maurício Campelo Gonçalves,Denise Utsch
Eletromiografia e diadococinesia: estudo com crianças fluentes e com gagueira
TEMA: eletromiografia e diadococinesia. OBJETIVO: analisar a velocidade dos movimentos orais de crianças com gagueira desenvolvimental persistente e crianças fluentes durante a repetição de segmentos articulatórios (diadococinesia - DDK). MÉTODO: participaram do estudo 50 crianças sem distinção de raça e sexo, matriculados na rede pública de ensino de pré-escola e ciclo básico, residentes no município de São Paulo e Grande São Paulo, cujas famílias concordaram, através de assinatura do termo de consentimento, na realização dos procedimentos propostos para realização da pesquisa. O grupo de pesquisa (GI) foi composto por 19 crianças com diagnóstico de gagueira. O grupo controle (GII) foi composto por 31 crianças fluentes. RESULTADOS: os resultados do estudo indicam que houve uma grande similaridade no desempenho das tarefas de DDK para ambos os grupos, com graus de desvio padrão elevados também para ambos os grupos. CONCLUSÃO: houve diferença estatisticamente significante para a capacidade de movimentação seqüencial, ou seja, no tratamento por ANOVA, o grupo de crianças fluentes apresenta maior habilidade para mover rapidamente a posição dos articuladores em segmentos seqüenciais(pa/ta/ka).
2010
Andrade,Claudia Regina Furquim de Queiróz,Danilo Pacheco de Sassi,Fernanda Chiarion
Desempenho de crianças normais em testes temporais auditivos em campo livre
TEMA: processamento temporal auditivo. OBJETIVO: determinar o perfil de desempenho de crianças com audição normal nas tarefas de detecção e identificação da ordem e seqüência temporal em campo livre. MÉTODO: avaliou-se 43 crianças com idade entre 7 anos e 11 anos e 5 meses em dois testes comportamentais -Teste de Padrões de Freqüência (TPF) e Teste de Padrões de Duração (TPD) - versão infantil da Auditec. Os testes foram aplicados em campo livre a 60 dBNA. Foram solicitados dois tipos de respostas: não verbal (NV) sendo o murmúrio para o TPF e manual para o TPD, e verbal (V), nomeação pra TPF e TPD. Para ambos os testes (TPF e TPD) foram apresentadas 10 repetições dos 6 padrões seqüenciais, totalizando 60 estímulos para cada criança. RESULTADOS: o desempenho no TPF com resposta NV foi significativamente superior à resposta V para todos os sujeitos. Constatou-se melhora significativa do desempenho com a idade para o TPFV, TPDNV e TPDV. O desempenho no TPF foi superior ao TPD. Os resultados deste estudo demonstraram semelhante desempenho nas tarefas de detecção e identificação da ordem e seqüência temporal quando comparados com outros estudos realizados na população brasileira, nos quais estas tarefas foram aplicadas com fones supra-aurais. CONCLUSÃO: os valores obtidos para o TPF e TPD podem ser considerados como referência de normalidade para a versão infantil da Auditec em campo livre em crianças de 7 anos a 11 anos e 5 meses.
2010
Frederigue-Lopes,Natália Barreto Bevilacqua,Maria Cecilia Sameshima,Koishi Costa,Orozimbo Alves
Fonoaudiólogos doutores no Brasil: perfil da formação no período de 1976 a 2008
TEMA: manter atualizado o levantamento de doutores fonoaudiólogos brasileiros permite recuperar a memória do que foi desenvolvido na área, além de explicitar um indicador importante do amadurecimento da Fonoaudiologia no país. OBJETIVO: analisar a formação dos doutores fonoaudiólogos brasileiros, no período correspondente a 1976 - 2008. MÉTODO: as teses defendidas por fonoaudiólogos brasileiros, no período compreendido entre 1976 (primeira defesa) até final de 2008, foram selecionadas, por meio de contato com as secretarias de programas de pós-graduação e consulta à Plataforma Lattes. Para cada achado foram registradas as variáveis: sexo do autor; ano de defesa; instituição de ensino e programa de pós-graduação em que a tese foi desenvolvida, além da temática escolhida. A análise estatística compreendeu descrição dos parâmetros, análise de regressão para evidenciar o crescimento referente ao ano de defesa, área e temática escolhida e teste de qui-quadrado para verificar associação. RESULTADOS: as 504 teses localizadas, 97,0% foram defendidas por mulheres; em maior número foram escolhidas as instituições estaduais (47,62%) e os programas inseridos na área de Ciências da Vida (57,54%); quanto à temática desenvolvida na tese, maior número correspondeu à Linguagem (34,52%) e Audição e equilíbrio (32,34%). A análise de regressão evidenciou o crescimento do número de teses segundo o ano, sendo que tal tendência foi também evidenciada na escolha do Programa e para as áreas de Linguagem e Motricidade e Funções Orofaciais (p < 0,001). O incremento se dá principalmente devido ao aumento das teses defendidas em instituições públicas, mais particularmente, as estaduais (p < 0,001). CONCLUSÃO: houve um crescimento significativo dos fonoaudiólogos doutores, fato que possibilita maior inserção do fonoaudiólogo em atividades de pesquisa e produção científica qualificada.
2010
Ferreira,Léslie Piccolotto Russo,Iêda Chaves Pacheco Adami,Fernando
Memória de trabalho em crianças avaliada pela tarefa de Brown-Peterson
TEMA: a memória de trabalho é uma habilidade cognitiva que contribui para o adequado desenvolvimento da linguagem e aquisição das habilidades de leitura e escrita. Uma avaliação consistente de memória de trabalho em crianças pré-escolares e escolares faz-se importante para identificação precoce das possíveis dificuldades de aprendizagem. OBJETIVO: o presente estudo teve como objetivo avaliar o desenvolvimento da memória de trabalho ao longo das séries iniciais do ensino fundamental e verificar a adequação da Tarefa de Brown Peterson na avaliação desta função em crianças. MÉTODO: participaram do estudo 103 crianças, com a idade média de 9,75 anos, da primeira à sexta série do ensino fundamental. Entre os participantes, 63 eram do sexo masculino. As crianças foram avaliadas segundo a Tarefa de Brown Peterson, Dígitos Ordem Direta e Dígitos Ordem Inversa. O desempenho foi comparado em função das variáveis: sexo; idade e série escolar. RESULTADOS: o desempenho na Tarefa de Brown Peterson apresentou função crescente ao longo das séries e faixas etárias. O aumento no tempo de interferência produziu diminuição linear na pontuação em todas as séries. Correlações positivas foram encontradas entre o desempenho na Tarefa de Brown Peterson e Dígitos, sendo que Tarefa de Brown Peterson se mostrou mais sensível para diferenciar as séries. CONCLUSÃO: o estudo confirmou que a maturação da memória de trabalho continua ao longo do ensino fundamental, indicando maturação tardia das áreas cerebrais relacionadas. A Tarefa de Brown Peterson se mostrou um instrumento adequado para a avaliação de memória de trabalho em crianças.
2010
Vaz,Ivanilde Aparecida Cordeiro,Priscila Maria Macedo,Elizeu Coutinho de Lukasova,Katerina
Treinamento auditivo: avaliação do benefício em idosos usuários de próteses auditivas
TEMA: a deficiência auditiva acarreta dificuldades na comunicação, as quais podem ser minimizadas por meio da adaptação de próteses auditivas e do treinamento auditivo. OBJETIVO: o objetivo geral deste estudo foi verificar a efetividade do treinamento auditivo em idosos novos usuários de próteses auditivas, quanto ao benefício no processo de adaptação. MÉTODO: foram selecionados 42 indivíduos, portadores de deficiência auditiva neurossensorial de grau leve a moderado, com idades entre 60 e 90 anos, novos usuários de próteses auditivas bilaterais, distribuídos em dois grupos: Grupo Experimental (GE) e Grupo Sham (GS). O GE foi submetido a um programa de treinamento auditivo em cabina acústica durante seis sessões. Ambos os grupos foram avaliados com os testes de Fala com Ruído, Escuta com Dígitos, e questionário de auto-avaliação Abbreviated Profile of Hearing Aid Benefit (APHAB), em três momentos: sem próteses (primeira avaliação), quatro semanas (segunda avaliação), e oito semanas (terceira avaliação), após a adaptação das próteses. RESULTADOS: houve diferença estatisticamente significante para os dois testes aplicados, e para o questionário Aphab (quanto ao benefício) na segunda e na terceira avaliações, nas subescalas: Facilidade de Comunicação, Reverberação e Ruído Ambiental. CONCLUSÃO: o programa de treinamento auditivo em cabina acústica foi efetivo com relação ao benefício durante o processo de adaptação das próteses auditivas.
2010
Megale,Renata Luciane Iório,Maria Cecília Martinelli Schochat,Eliane
Manifestações eletrofisiológicas em adultos com HIV/AIDS submetidos e não-submetidos à terapia anti-retroviral
TEMA: os potenciais evocados auditivos (PEA) avaliam a atividade neuroelétrica na via auditiva, desde o nervo auditivo até o córtex cerebral, em resposta a um estímulo ou evento acústico. Estudos demonstram anormalidades eletrofisiológicas em indivíduos com HIV/AIDS. OBJETIVO: caracterizar as manifestações eletrofisiológicas da audição em adultos com HIV/AIDS, comparando os resultados obtidos no grupo exposto a tratamento anti-retroviral com os obtidos no grupo não exposto a tratamento. MÉTODO: realizada avaliação eletrofisiológica da audição (PEATE, PEAML e P300) em 56 indivíduos portadores do HIV/AIDS, sendo 24 do Grupo I (não expostos ao tratamento anti-retroviral) e 32 do Grupo II (expostos ao tratamento). RESULTADOS: foram encontradas alterações em todos os PEA nos indivíduos com HIV/AIDS, principalmente no PEATE; sendo que neste, o grupo exposto ao tratamento antiretroviral apresentou mais alterações. CONCLUSÃO: indivíduos com HIV/AIDS podem apresentar alterações no sistema nervoso auditivo periférico e central, sendo que o grupo exposto a tratamento anti-retroviral apresenta mais alterações na via auditiva em tronco encefálico.
2010
Matas,Carla Gentile Silva,Sara Manami Marcon,Bruna de Almeida Gonçalves,Isabela Crivellaro