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MULTIDIMENSIONALIDADE, MULTITERRITORIALIDADE E MULTIESCALARIDADE DA QUESTÃO AGRÁRIA NO SUL GLOBAL/ Multidimensionality, multiterritoriality and multiscalarity, of the agrarian question in the Global South/ Multidimensionalidad, multiterritorialidad y multiescalaridad de la cuestión agraria en el Sur Global
A questão agrária não é recente, a mesma é realidade desde o processo acumulação primitiva descrito por Marx (1970 [1867]). Contudo, no século XXI, devido a processos como a convergência de múltiplas crises, a globalização neoliberal e as mudanças geopolíticas globais, o problema agrário assume novas características. O capital, para garantir sua acumulação interminável, necessita de ajustes espaciais e temporais e neste sentido os espaços agrários do Sul Global têm sido profundamente incorporados pelas dinâmicas expansivas do capital. Este processo é materializado por meio de distintas estratégias, cada vez mais sofisticadas e violentas, ao mesmo tempo em que resulta em diferentes formas de resistências desde abaixo. Neste sentido, a atual questão agrária no Sul Global envolve uma diversidade de territorialidades, dimensões e escalas.
2020
Iza Pereira, Lorena Origuéla, Camila Ferracini Coca, Estevan Leopoldo de Freitas
Compêndio de autores
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Compêndio de edições
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Folha de rosto
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Expediente
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Sumário
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Capa
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EDUCAÇÃO PARA “LAVRAR A LIBERDADE”: TRABALHO, SINDICALISMO RURAL E EDUCAÇÃO POPULAR EM AFUÁ-PA/ Education to “work out freedom”: work, rural unionism and popular education in Afuá-PA (1989-1994)/ Éducation pour «travailler la liberté»: travail, syndicalisme rural et éducation populaire à Afuá-PA (1989-1994)
Este artigo tem por temática a relação entre educação do campo e movimentos sociais. Este tema foi aqui estudado a partir da experiência construída por trabalhadores e trabalhadoras rurais do município de Afuá, estado do Pará, entre 1989 e 1994. Dessa experiência buscamos entender de que formas a educação articulou-se com as lutas políticas do nascente sindicalismo rural afuaense. Nesse sentido, a pesquisa objetivou compreender as conexões entre as práticas pedagógicas utilizadas na formação das escolas comunitárias e as lutas encampadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afuá, com apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Para alcançar tal objetivo, analisamos documentos guardados no Arquivo da CPT Amapá, tais como: cartilhas, materiais didáticos, periódicos, fotografias e outros. Os resultados apontaram para uma intrínseca relação entre o projeto educacional popular fomentado por esta pastoral e as pautas do sindicato local relativas à luta pela terra e ao rompimento com o sistema de exploração dos trabalhadores pelos proprietários rurais, conhecidos como “patrões”. Além disso, percebemos que o projeto educacional aqui estudado transcendeu os limites de suas pretensões mais imediatas, tornando-se elemento fundamental para a quebra de paradigmas da visão de mundo dos ribeirinhos afuaenses. Como citar este artigo: PEREIRA, Higor; LOBATO, Sidney. Educação para “lavrar a liberdade”: trabalho, sindicalismo rural e educação popular em Afuá-PA (1989-1994). Revista NERA, v. 23, n. 55, p. 322-342, set.-dez., 2020.
EVIDÊNCIAS DE UM CRIME: O FECHAMENTO DA ESCOLA MUNICIPAL BOA ESPERANÇA / Evidence of a Crime: The Closing of the Municipal School Boa Esperança / Evidencia de un delito: El cierre de la Escuela Municipal Boa Esperança
O presente artigo é fruto de resultados da dissertação de mestrado intitulada “o processo de fechamento das escolas no campo na mesorregião do leste goiano: que crime é esse que continua?” O objetivo desse estudo foi de analisar os argumentos utilizados pelo Estado para o fechamento da Escola Municipal Boa Esperança no povoado de Boa Esperança que se localiza no município de Damianópolis, estado de Goiás. As escolas no e do campo são importantes para que os camponeses reconheçam sua identidade e fortaleçam suas ações. Com o fechamento da escola no campo percebe que enfraquece o território do campesinato devido a expulsão desses sujeitos e em contrapartida fortalece outros territórios. Essa escola é uma entre centenas que são fechadas todos os anos no Brasil, obrigando esses sujeitos a frequentar a escola da cidade que não se preocupa com a identidade cultural e que inclusive tem apresentado uma postura preconceituosa sobre estes. Ao estudar na escola da cidade, gera cansaço, desmotivação, insegurança, e é submetido a poeira, a lama, e horas na estrada. Foi importante realizar a pesquisa de campo com observação, entrevistas e roda de conversas e a partir dos dados, constatou que existe um descaso do Estado brasileiro em relação as comunidades camponesas. Como citar este artigo:SANTOS, Cássia Betânia Rodrigues. Evidências de um crime: o fechamento da Escola Municipal Boa Esperança. Revista NERA, v. 24, n. 56, p. 93-112, jan.-abr., 2021.
2021
Rodrigues dos Santos, Cássia Betania
AS CONTRADIÇÕES DO PATRIMÔNIO CULTURAL E NATURAL NA LUTA PELO TERRITÓRIO DOS APANHADORES DE FLORES SEMPRE-VIVAS / ontradictions between cultural and natural heritage in the sempre-vivas flower harvesters territorial struggle / Las contradicciones del patrimonio cultural y natural en la lucha por el territorio de los recogedores de flores siemprevivas
Os povos e comunidades dos apanhadores de flores sempre-vivas tiveram em seu território diversos conflitos nas últimas décadas devido à implantação de unidades de conservação de uso restrito que sobrepuseram parte de suas terras. As relações e negociações políticas sempre foram feitas com muita dificuldade, tendo o Estado por muito tempo negado a condição de sujeitos de direito desses povos. Entretanto, o cenário foi alterado após o início de um diálogo e reconhecimento de suas práticas agrícolas a nível internacional. A partir do trabalho de campo com algumas famílias da comunidade da Mata dos Crioulos, Diamantina/MG, temos como objetivo elaborar uma reflexão em diálogo com a concepção marxiana de política para elucidarmos as transformações das relações das comunidades tradicionais e as lutas pela emancipação política e humana. Como citar este artigo:CERQUEIRA, Maria Clara Salim. As contradições do patrimônio cultural e natural na luta pelo território dos apanhadores de flores sempre-vivas. Revista NERA, v. 24, n. 56, p. 72-92, jan.-abr., 2021.
AO MEU IRMÃO, O CAMPONÊS/ À mon frère, le paysan
Texto traduzido por Sergio Aparecido Nabarro a partir da publicação original: RECLUS, Élisée. À mon frère, le paysan. Genève: Imp. Des Eaux-Vives, 1893. Como citar esta tradução:RECLUS, Eliseé. Ao meu irmão, o camponês. Revista NERA, traduzido por Sergio Aparecido Nabarro, v. 23, n. 55, p. 402-408, set.-dez., 2020.
2020
Nabarro, Sergio Aparecido
CAMINHOS E DINÂMICAS CONTEMPORÂNEAS DOS PRODUTORES E PROPRIETÁRIOS RURAIS DE ORIGEM BRASILEIRA NO PARAGUAI/ Paths and Contemporary Dynamics of Producers and Rural Owners of Brazilian Origin in Paraguay/ Caminos y Dinámicas Contemporáneas de los Productores y Propietarios Rurales de Origen Brasileña en Paraguay
O objetivo deste trabalho é analisar os caminhos e as dinâmicas contemporâneas de produtores rurais e proprietários de terras de origem brasileira no Paraguai, procurando perceber as suas lógicas e a situação atual em termos do controle e posse da terra. Para tanto, foi realizada revisão bibliográfica, análise de dados estatísticos e entrevistas semiestruturadas com 56 produtores/proprietários rurais de origem brasileira que estão ou estiveram no Paraguai. Como resultado da pesquisa, foi identificado que atualmente existem, pelo menos, cinco movimentos diferenciados: i) produtores que chegaram na segunda metade do século XX e que permanecem na mesma região no Paraguai; ii) produtores e/ou descendentes que chegaram no país no mesmo período e nos últimos anos avançaram para o seu interior; iii) atores que chegaram no país mais recentemente, investindo na produção agropecuária e/ou aquisição de terras; iv) produtores que optaram por deter terras tanto no Paraguai quanto no Brasil; v) produtores rurais que, por diferentes motivos, retornam para o Brasil. Portanto, há distintos caminhos, movimentos e dinâmicas deste grupo social em relação à terra no Paraguai. Como citar este artigo:WESZ JUNIOR, Valdemar João. Caminhos e Dinâmicas Contemporâneas dos Produtores e Proprietários Rurais de Origem Brasileira no Paraguai. Revista NERA, v. 23, n. 53, p. 90-116, mai.-ago., 2020.
Capa
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Contracapa
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Folha de rosto
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Sumário
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Expediente
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GEOGRAFIAS INDÍGENAS NO/DO MATO GROSSO DO SUL/Indigenous geographies in Mato Grosso do Sul
De 1492-1500 aos dias atuais, as histórias e trajetórias dos Povos Indígenas passaram por profundas transformações socioespaciais em decorrência do contato com o não-índio. Hoje, mais do que nunca, é necessário um olhar atento às existências indígenas, que até a virada do século XV para o XVI eram construídas sem qualquer relação com o mundo ocidental. Cada povo, a seu modo de ser, viver e pensar o mundo, estabelecia um conjunto de interrelações com outras gentes ameríndias, diferenciando-se pelo/no contato.
2020
Mota, Juliana Grasiéli Bueno Goettert, Jones Dari
TEKOHA ÑEROPU’Ã: ALDEIA QUE SE LEVANTA/Tekoha Ñeropu’ã: indian village that gets up
A existência do povo indígena Guarani Kaiowá tem na palavra yvyrasáva (os viajantes da terra; yvy, terra) o meio da realização da grande viagem da existência. Este texto tem como objetivo refletir, a partir do diálogo com os moradores e líderes tradicionais nas retomadas territoriais do entorno da Reserva Te’yikue (Caarapó – Mato Grosso do Sul – Brasil), os elementos fundantes que contribuem para a recomposição do tekoha (aldeia). O texto é parte de uma pesquisa de doutorado que está sendo realizada, desde 2018, no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFGD (PPGG/FCH/UFGD). Procuramos trazer ao debate a visão indígena sobre o mundo e as forças propulsoras da sua mobilidade espacial, ao mesmo tempo em que os seus limites, quando se encontram com outros modos de ser, são atravessados pelas estratégias teórico-políticas a fim de demostrar a resistência Guarani Kaiowá ao modelo homogeneizante do ser. Essa resistência está na persistência em viver no modo de ser tradicional, sentido e vivido pela relação com as divindades através do tekoha. Como citar este artigo:BENITES, Eliel. Tekoha Ñeropu’ã: aldeia que se levanta. Revista NERA, v. 23, n. 52, p. 19- 38, dossiê., 2020.
TERRAS SEM HOMENS DE BEM PARA HOMENS DE BEM SEM TERRA/“Good Citizens without land move to a land without good citizens”
O presente artigo busca refletir sobre a implementação, no oeste brasileiro, de um colonialismo de povoamento com o exame das consequências de sua efetivação. O colonialismo de povoamento é caracterizado pela apropriação violenta do território de povos indígenas. A eliminação do “nativo” ocorre por intermédio da remoção forçada, assassinatos e denegação étnica. Este processo não decorre da raça, ou religião, grau de civilização, mas, simplesmente, como condição para acesso ao território. Para impedir a marcha da civilização, basta aos povos originários permanecerem onde sempre estiveram. Como citar este artigo:ALMEIDA, Marco Antonio Delfino de. Terras sem homens de bem para homens de bem sem terra. Revista NERA, v. 23, n. 52, p. 39-62, dossiê., 2020.