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Sistema ecológico da malária

As alterações das paisagens promovidas pelo homem, em razão das atividades relacionadas ao uso e ocupação do solo, representam um desafio para as atividades de controle da malária na Amazônia brasileira. Desse modo, buscou-se avaliar o sistema ecológico da malária através da construção de três eixos: desmatamento, uso do solo e diversidade de Culicidae. Esses eixos tiveram a paisagem como centro de conexão, modulados por fatores de pressão (hospedeiro humano), de risco (o vetor) e de causa (o agente infeccioso). A transmissão de patógenos, incluindo espécies de Plasmodium, ocorre na intersecção entre os nichos do hospedeiro humano, dos vetores e dos parasitos, em ambiente que permite a interconexão dos mesmos. Nesse sentido, verificou-se que cada quilômetro quadrado de área impactada pelo desmatamento, entre 2009-2015, produziu 27 novos casos de malária (r² = 0,78; F1,10 = 35,81; P <0,001) na Amazônia Legal brasileira, com uma correlação positiva altamente significativa entre o número de áreas de florestas impactadas com menos de 5 km² e a incidência da doença. Em virtude das relações indiretas com o desmatamento, foi possível verificar que o aumento da produção de soja, madeira, gado e óleo de palma no mundo apresentou alta correlação positiva significativa com a incidência de malária em países tropicais. No cenário brasileiro, a abundância de Nyssorhynchus darlingi respondeu positivamente à perda da cobertura florestal de áreas endêmicas de malária. Ao contrário, a diversidade de Culicidae diminuiu, deixando os vetores como espécies dominantes, favorecendo a taxa de picada e a capacidade de transmissão do Plasmodium. Desse modo, foi possível concluir que a incidência da doença, em áreas rurais, está fortemente associada aos padrões de uso e ocupação do solo. A estrutura da paisagem pode ser indicador de risco para a doença, em virtude das dinâmicas ecológicas do Ny. darlingi.

Year

2018

Creators

Leonardo Suveges Moreira Chaves

Estudos de carrapatos e pequenos mamíferos silvestres naturalmente infectados com espiroquetas semelhantes à Borrelia, no município de Itapevi, Estado de São Paulo

Diversos casos humanos de borreliose de Lyme foram encontrados em diferentes regiões brasileiras entre 1990 e 1995. Quatro destes casos foram registrados nos município de Cotia e Itapevi, Estado de São Paulo. A proposta deste estudo, foi contribuir para elucidar os aspectos de transmissão da borreliose, em um condomínio residencial no município de Itapevi, SP, onde foram registrados os primeiros casos humanos com quadro clínico e sorológico compatíveis com a doença de Lyme. Os focos naturais de espiroquetas foram estudados no período entre Janeiro/1995 e Junho/1996. Um total de 134 pequenos mamíferos e 88 carrapatos coletados nestes hospedeiros foram investigados. Os carrapatos adultos foram identificados como Ixodes didelphidis, Ixodes loricatus e Amblyomma cajennense e os estágios imaturos como lxodes sp. Para ambos, hospedeiros e carrapatos, foi calculado o índice de densidade relativa e correlacionado com dados meteorológicos pelos coeficientes de Spearman e Pearson. Para marsupiais e carrapatos estas correlações não foram significantes. Para roedores as correlações foram significantes e diretamente relacionadas às baixas temperaturas e índices pluviométricos (p<0.05). A maior freqüência de carrapatos imaturos ocorreu na estação seca, principalmente em roedores; entretanto, carrapatos adultos predominaram durante a estação chuvosa, ocorrendo somente em marsupiais. Sangue e órgãos dos hospedeiros e carrapatos foram inoculados em meio BSK. Foram observadas espiroquetas semelhantes à Borrelia em culturas de sangue de 13% dos marsupiais da espécie Dídelphís marsupíalís e em 36.4% dos carrapatos coletados neste hospedeiro. Espiroquetas foram também observadas em 9.7% das culturas de sangue e órgãos dos roedores Akodon cursor, Bolomys lasiurus e Oxymycterus hispidus e em 30.3% dos carrapatos coletados nestes hospedeiros. Os mamíferos e carrapatos adultos infectados ocorreram principalmente na estação chuvosa e os carrapatos imaturos infectados somente na estação seca. Há fortes evidências de que estas espiroquetas pertençam ao gênero Borrelia: Foram encontradas em pequenos mamíferos e carrapatos; cresceram em meio inoculado com material proveniente de larvas de Ixodes coletadas em roedores não infectados, sugerindo transmissão transovariana e crescem em meio característico para Borrelia.

Year

1998

Creators

Darci Moraes Barros-Battesti

Soroprevalência e condicionantes para Doença de Chagas (Tripanossomíase americana), região do sopé da Cordilheira Oriental, Estado de Meta, Colômbia, 1998

Objetivo: Determinar a soroprevalência para doença de Chagas, estabelecer a distribuição dos triatomíneos domiciliados nas moradias amostradas e a vulnerabilidade das comunidades em relação à doença de Chagas. Métodos. Estudou-se uma amostra aleatória da população de 5 a 14 anos, residente nos municípios que conformam a região fisiográfica do sopé da cordilheira oriental do estado de Meta; e por conveniência da população de 15 ou mais anos, nos municípios onde foram encontrados triatomíneos. As 582 amostras foram tomadas mediante punção venosa. Seu processamento foi realizado no Laboratório Zonal, Instituto Nacional da Saúde, Colômbia e no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo. As técnicas aplicadas foram ELISA (UMELISA, EPI e TESA) e IFI. Considerou-se caso positivo quando no mínimo duas provas de cada amostra foram positivas. As moradias foram fumegadas com K-Otrine 50 (deltametrhin) e Lambdacyalotrina (Icon). Resultados: Soroprevalência negativa na população de 5 a 14 anos e 7,7% na população de 15 ou mais anos, nos municípios, onde verificou-se a presença de população amostral infectada pelo T. cruzi - área endêmica-, a soroprevalência rural, calculada por 10.000 habitantes, foi de 7,4 em Cumaral e 2,7 em San Juan de Arama. A soroprevalência urbana foi de 4,8 em San Juan de Arama e 0,09 em Vilavicencio, constituindo-se assim em área endêmica. Na região estão presentes condições ecológicas, socioeconômicas - 22% a 30% de ranchos, moradias provisórias, alta migração e pobreza - e político-ideológicas que tornam vulnerável esta região à domiciliação dos triatomíneos. Se acharam 52 exemplares: R. prolixus (67,1%), R. pictipes (27,0%)e T. dimidiata (3,9%). Após 8 meses, não se detectou reinfestação por triatomíneos em 20% das moradias. Os índices de infestação, densidade e dispersão encontrados foram respectivamente 2,1 %, 7,7% e 24,4%. Antecedentes transfusionais, sexo e tipo de moradia (ranchos), zona de procedência, não foram estatisticamente significantes (p<0.05) quando associados aos casos positivos. Conclusões. Baseado na soroprevalência negativa na população de 5 a 14 anos conclui-se que na região do sopé da cordilheira do Estado de Meta não está ocorrendo transmissão vetorial. A população de 15 ou mais anos apresentou soroprevalência de 7,7%, (7/90), sendo que quatro dos casos positivos correspondiam ao grupo etário de 35 a 49 anos, que analisados, foram considerados como autóctones do Estado. A área de risco, onde foram encontrados triatomíneos, ficou constituída pelos municípios de Cumaral, Restrepo, Lejanias, San Juan de Arama, Guamal e Villavicencio. A área endêmica, onde se verificou a presença de casos positivos, abrange os municípios de Villavicencio, Cumaral e San Juan de Arama, sem acrescentar aqueles com casos confirmados por IFI do Laboratório Zonal. Entretanto, todos os municípios oferecem condições ecológicas e socioeconômicas favoráveis à domiciliação dos triatomíneos, dentre delas, o conflito armado afeta predominantemente. Considera-se que estes fatores tomam os municípios extremamente vulneráveis à infestação e/ou reinfestação de vetores.

Year

1998

Creators

Ana Teresa Castro Torres

Impacto da assistência médica sobre a mortalidade: um estudo da variação geográfica da mortalidade evitável nas capitais brasileiras (1979/1992)

Introdução: A distribuição regional e temporal dos óbitos evitáveis, considerados como eventos sentinelas de saúde, têm sido utilizadas como indicador negativo da qualidade dos cuidados de saúde, do nível de saúde da população em geral e do efeito nele provocado por fatores econômicos, políticos e ambientais. Os estudos de análise de tendência temporal, em geral, demonstram que a mortalidade evitável declina mais rapidamente nas últimas décadas que a maioria das outras causas de óbito e sugerem que o declínio está associado à introdução de inovações nos serviços de saúde. Os estudos de variação geográfica demonstram que a mortalidade evitável está associada de modo consistente a fatores socioeconômicos e que a associação com o nível de recursos materiais e humanos de cuidados de saúde é fraca e inconsistente. Nesses estudos, a variação geográfica da mortalidade observada, não parece refletir diferenças de efetividade dos serviços de saúde mas flutuações \"espontâneas\" na incidência ou severidade dessas condições. Objetivos: Tendo como premissa que deve ser inversa a relação entre a efetividade da assistência médica e a incidência de óbitos evitáveis por causas indicadoras de cuidados de saúde (CICS), é proposta uma lista de causas de doenças que possuem prevenção e tratamento reconhecidos e cuja ocorrência do óbito pode ser minimizada. Em seguida, é estimada a variação geográfica dos óbitos e do nível de mortalidade nos periodos de 1979-1982 e 1989-1992 e estimado o impacto da assistência médica no declínio da mortalidade por CICS nas capitais brasileiras em 1992. Metodologia: São construidas vinte e seis bases de dados de área geográfica (25 capitais e o Distrito Federal) contendo todas as causas de óbito classificadas em quatro grupos de análise: Todas as causas (exceto as evitáveis), Todas as causas evitáveis (29 causas básicas), subdividido em (1) Causas indicadoras de políticas sociais e de saúde- CIPSS (6 causas básicas) e Causas indicadoras de cuidados de saúde - CICS (23 causas básicas), codificadas em três dígitos de acordo com a 9a Classificação Internacional de Doenças de 1975, agregadas anualmente para ambos os sexos em sete grupos etários de O a 64 anos de idade abrangendo o periodo de 1979-1992. As populações das capitais são estimadas a partir dos dados dos Censos Nacionais de 1980 e 1991, ajustadas aritmeticamente para 1°. de julho e calculada a taxa geométrica de crescimento intercensitária. A análise da variação regional dos óbitos, visa esclarecer se ocorre mais variação sistemática entre as áreas do que poderia ser explicado por fatores aleatórios (\'X POT. 2\', gl=k-1=25, p=0,002) e pela análise exploratória da distribuição de freqüência da variância existente. A Razão da Mortalidade Padronizada - RMP (Standardised Mortality Ratio - SMR) é calculada pela divisão da taxa diretamente padronizada em cada área pela taxa de mortalidade da área de referência (conjunto das capitais e Distrito Federal). O nível de significância da divergência com padrão de referência (razão entre óbitos observados e esperados com a padronização) é analisado pelo teste \'X POT. 2\' (g1 =1; p=0,002). O impacto da assistência médica sobre o declínio da mortalidade é estimado pela Razão de Mortalidade Evitável (RME). A RME indica a diferença percentual do nível de mortalidade por CICS observada em 1992 em relação ao que provavelmente ocorreria na ausência da assistência médica (\'X POT. 2\'; g1 =1; p=0,002). Esse cenário de previsão é simulado pela aplicação do coeficiente de regressão das taxas padronizadas de mortalidade por CIPSS (1979-1992), obtido pela análise de regressão loglinear, na taxa de mortalidade por CICS estimada para 1979 por regressão loglinear. Resultados: A mortalidade por CICS declina exponencialmente (5,4% aa.) de 1979 a 1992 e sua distribuição toma-se mais homogênea no conjunto das capitais ao final do periodo. A intervenção médica, quando medida pela RME, contribui de forma significativa (p=0,002) e abrangente (85% das capitais) para este declínio (2,5% aa. no conjunto, variando de 11,1% aa. em Fortaleza a 0,3% aa. em Vitória). A intetvenção médica é igualmente efetiva no declínio da mortalidade por CICS na maioria das capitais, seja quando interpretada pela freqüência de resultados significativos alcançados entre capitais de uma mesma macrorregião, exceto para Boa Vista (\'X POT. 2\'=5,27 p=0,02165), onde desempenho é superior ao esperado para as demais capitais da região, seja quando a comparação se faz entre todas as capitais, exceto para Boa Vista (\'X POT. 2\'=9,84 p=0,00171) e Goiânia (\'X POT. 2\'=4,30 p= 0,03815), ou mesmo entre as macrorregiões (\'X POT. 2\'=3,89 p=0,42163). Portanto, se há diferença geográfica de efetividade da intervenção médica, ela não pode ser explicada pela proporção de causas de óbito evitável que têm parte importante de seu declínio devido à influência da assistência médica. A intervenção médica é mais freqüentemente efetiva nas capitais com nível de mortalidade por CICS (RMP) superior ao esperado. Esta comparação é tão válida para o periodo de 1979-1982 (\'X POT. 2\'=19,92 p=0,00001) quanto para 1989-1992 (\'X POT. 2\'=20,52 p=0,00001) e torna evidente a importância da intervenção médica para a maior homogeneidade da mortalidade por CICS entre as capitais (s=23,34 p=0,5576), bem como para declínio do nível de mortalidade: das sete capitais com RMP superior a esperada em 1979-1982, apenas Maceió (RMP=146 p=0,002), João Pessoa (RMP=156 p=0,002) e Aracaju (RMP=153 p=0,002) encontram-se nesta situação em 1989-1992. A intervenção médica não é igualmente efetiva (\'X POT. 2\'=70,42 p=O,OOOO) quando seu impacto sobre a mortalidade é interpretado pela freqüência de resultados significativos alcançados pelas diversas causas de óbito evitável. O componente mais expressivo da influência da intervenção médica sobre a mortalidade por CICS é sua contribuição para tendência exponencial de declínio da mortalidade por doenças infecciosas intestinais: é a segunda maior taxa de mortalidade estimada em 1992 (Y\'=82/\'10 POT. 5\' ), a intetvenção médica é efetiva em 100% das capitais e contribui com 83,8% da taxa de declínio (12,07% aa.) desta causa no conjunto das capitais. Conclusão: As causas de óbito evitável considerando a influência da intervenção médica na sua taxa de declínio e o nível de mortalidade existente, podem ser classificadas em quatro grupos de acordo com sua contribuição para o declínio global das CICS no conjunto das capitais: (1) Causas que mais contribuem: doenças infecciosas intestinais (\'X POT. 2\'=33,16 p=O,OOOOO) e septicemia (\'X POT. 2\'=6,58 p=0,01033); (2) Causas que menos contribuem: tumor maligno de útero não especificado (\'X POT. 2\'=4,63 p=0,03144), tumor maligno de colo de útero (\'X POT. 2\'=4,96 p=0,02591), doença pulmonar obstrutiva crônica (\'X POT. 2\'=3,88 p=0,04899) e nefrite e nefrose (\'X POT. 2\'=5,63 p=0,01765); (3) Causas que contribuem o esperado: tuberculose (\'X POT. 2\'=2,67 p=0,10253), diabetes melito (\'X POT. 2\'=0,5337 p=0,46506), meningite (\'X POT. 2\'=1,49 p=0,22250), hipertensão arterial (\'X POT. 2\'=0,0039 p=0,95027), doença cerebrovascular (\'X POT. 2\'=0, 70 p=0,40267), infecções respiratórias agudas (\'X POT. 2\'=0,2059 p=0,64997), pneumonia e gripe (\'X POT. 2\'=2,36 p=0,12473), complicações da gravidez, parto e puerpério (\'X POT. 2\'=3,58 p=0,05864) e sintomas, sinais e afecções mal definidas (\'X POT. 2\'=0,055 p=0,81453); e (4) Causas que não contribuem: melanoma maligno de pele, doença de Hodgkin, doença reumática crônica do coração, asma, úlcera gástrica, duodenal e jejunal, apendicite, hérnia abdominal, colelitíase e colecistite.

Year

1997

Creators

Paulo Mauricio Campanha Lourenço

Biodiversidade de Culicidae e sua interação com arboviroses e malária na Mata Atlântica

Introdução - Interações complexas estão presentes entre a biodiversidade de mosquitos (Diptera, Culicidae) e as dinâmicas de transmissão de arbovírus e plasmódios que são agentes infecciosos que podem causar moléstias em humanos e outros animais. Objetivos - Aplicar método de distribuição potencial de habitats para mosquitos vetores de arbovírus e de plasmódios no Vale do Ribeira, sudeste do Estado de São Paulo, sub-região Serra do Mar da Mata Atlântica. Em escala local nessa região, relacionar a heterogeneidade espacial com a biodiversidade e esta com a dinâmica de transmissão de malária no Parque Estadual da Ilha do Cardoso. Métodos - Foram elaborados mapas de distribuição espacial dos vetores de arbovírus: Aedes serratus, Aedes scapularis e Psorophora ferox. Os mapas gerados para Anopheles cruzii, Anopheles bellator e Anopheles marajoara foram correlacionados com a distribuição espacial de malária. As correlações entre heterogeneidade espacial e biodiversidade de mosquitos foram estabelecidas com o emprego de modelos estatísticos de regressão. Foi elaborado modelo matemático para explicar o efeito da biodiversidade na transmissão de plasmódios. Resultados - As pessoas estão mais expostas às picadas de Ae. serratus, Ae. scapularis e Ps. ferox em áreas mais quentes e chuvosas. A correlação entre An. marajoara e o padrão espacial da malária foi positiva e significativa, enquanto que An. cruzii e An. bellator não foram importantes. Demonstrou-se que o aumento da heterogeneidade espacial está correlacionado, positivamente, com a biodiversidade de mosquitos. Níveis mais elevados de diversidade de mosquitos e de aves e mamíferos foram associados com risco menor de transmissão de plasmódios. Conclusões - A modelagem de distribuição potencial de habitats é uma ferramenta para a vigilância de vetores de arbovírus. Recomenda-se maior atenção ao An. marajoara que poderia ser vetor secundário de plasmódios em áreas abertas, naturais e desmatadas, da Mata Atlântica. A diversidade de plantas aumenta a heterogeneidade espacial e, esta pode ter efeito positivo à biodiversidade de mosquitos. Maiores diversidades de mosquitos, aves e mamíferos poderiam diminuir o número de picadas infectivas de An. cruzii. Pesquisas futuras sobre a epidemiologia dessas doenças deveriam incluir os seguintes temas: mudanças climáticas e arboviroses, heterogeneidade espacial e mosquitos, e biodiversidade e malária

Year

2012

Creators

Gabriel Zorello Laporta

Avaliação da qualidade da dieta de adolescentes com HIV/Aids e seus fatores associados

INTRODUÇÃO: a introdução de esquemas antirretrovirais altamente potentes, no tratamento da Aids pode estar associada ao aparecimento de alterações metabólicas em pacientes com HIV/Aids. Além da terapia antirretroviral, outros fatores, como a dieta podem contribuir para o aparecimento dessas alterações em adolescentes com HIV/Aids. Assim, faz-se necessária a avaliação da qualidade da dieta de indivíduos dessa população. OBJETIVO: analisar a qualidade da dieta de adolescentes com HIV/Aids. MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal aninhado a uma coorte de pacientes com HIV/Aids atendidos pela Unidade de Infectologia do Instituto da Criança (ICr-São Paulo). Foram avaliados 88 adolescentes (10 a 19 anos). Informações sobre o histórico da doença e uso de medicamentos foram obtidas a partir de prontuários médicos. Os adolescentes responderam a dois recordatórios de 24 horas e um questionário sobre atividade física habitual. Peso, altura e circunferência da cintura foram medidos em duplicata. A qualidade da dieta foi avaliada por meio do Índice de Qualidade da Dieta (IQD-R). O IQD-R é composto de 12 itens e a pontuação final varia de 0 a 100 pontos. Foram calculados os coeficientes de correlação de Pearson entre o IQD-R e as variáveis independentes. Também foram feitas as comparações das médias do IQD-R segundo as variáveis independentes pelo teste t-Student ou Mann-Whitney. RESULTADOS: a média para o IQD-R foi 51,90 pontos (EP=0,90 pontos). Os componentes que apresentaram menores médias foram cereais integrais e sódio. Os componentes que tiveram maiores médias foram cereais totais e óleos. Adolescentes moradores de casas de apoio tiveram média maior para fruta total e menor para carnes e leguminosas, quando comparados aos adolescentes que moravam com a família. Meninas apresentaram média maior para leite e derivados e menor para calorias provenientes de gorduras sólidas, bebidas alcoólicas e açúcares adicionados quando comparadas com meninos. CONCLUSÃO: os adolescentes com HIV/Aids avaliados apresentaram padrão de consumo alimentar semelhante ao de adolescentes da população geral: alto consumo de açúcar, gordura saturada e sódio e consumo insuficiente de cereais integrais e frutas. Atenção especial deve ser dada à dieta de adolescentes com HIV/Aids, pois eles estão em maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares ou outras doenças crônicas.

Year

2012

Creators

Luana Fiengo Tanaka

Revisão do conhecimento sobre os principais aspectos da biologia e ecologia de moluscos planorbídeos do gênero biomphalaria (Preston, 1910), com importância na transmissão da esquistossomose mansoni

Realizou-se revisão da literatura, publicada nos últimos vinte anos, sobre os principais aspectos da biologia e ecologia dos moluscos hospedeiros intermediários de S. mansoni, especialmente quando relacionados com a transmissão do parasita. No tocante à biologia dos planorbídeos, abordam-se aspectos relacionados com a sistemática e origem dos planorbídeos americanos, além de dados relativos aos hábitos, nutrição, bioquímica, reprodução, evolução, crescimento e resistência à anidrobiose apresentados por planorbídeos. Quanto aos aspectos ecológicos, reviu-se a literatura existente a respeito do habitat, dinâmica de populações de caramujos, aspectos ligados à infecção de planorbídeos por S. mansoni e outros trematódeos e sobre competidores e predadores naturais de planorbídeos.

Year

1975

Creators

Pedro Paulo Chieffi

Investigação do papel de vetores secundários da Leishmania (Leishmania) infantum no Município de Mirandópolis - SP, Brasil

Introdução. A leishmaniose visceral (LV) vem se apresentando como grave problema de saúde pública na região noroeste do Estado de São Paulo, desde o final da década de 90 e o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, reconhecido vetor da Leishmania (Leishmania) infantum agente etiológico dessa enfermidade, tem sido encontrado nos diversos municípios com transmissão dessa parasitose. Porém, em estudo realizado em 2004/2005 no município de Mirandópolis, localizado nesta região, este díptero foi encontrado em baixíssima freqüência, e por outro lado, observou-se uma soro-prevalência elevada, para leishmaniose visceral, em cães (60,8%), sugerindo que a maciça infecção na população canina antecedeu ao período deste estudo ou outros mecanismos de transmissão poderiam estar atuando. Dentre os possíveis mecanismos de transmissão, os envolvendo carrapatos e pulgas merecem especial atenção devido à alta freqüência e intimidade com que são observados nos cães. Objetivo. O presente estudo teve como objetivo avaliar a importância de ixodídeos e sifonápteros na transmissão e manutenção da leishmaniose visceral canina (LVC). Método: Dos cães recolhidos ao Centro de Controle de Zoonoses do município de Mirandópolis, no período de agosto/2007 a maio/2008, depois de identificados por sexo, idade e condição clínica (assintomáticos, oligossintomáticos ou sintomáticos) e sacrificados de forma humanitária, coletou-se sangue, fragmento de linfonodo poplíteo e quando presentes, carrapatos e pulgas. Os ectoparasitos foram então separados por grupos taxonômicos e identificados quanto à espécie, sexo e fase de desenvolvimento, no caso dos carrapatos. Foi realizado ensaio de imunoadsorção ligado à enzima (ELISA) e reação da polimerase em cadeia (PGR) nas amostras obtidas dos cães e os ectoparasitas deles colhidos foram submetidos à PGR. Os resultados foram analisados pelos testes estatísticos: lndice de correlação de Pearson e Probit. Resultados: Dos animais amostrados, 64,22% eram sintomáticos, 28,44%, assintomático e 7,34%, oligossintomático. Foram reagentes pelo teste ELISA 78,08% e PGR 82, 19%. A extração de DNA de todas as amostras, como confirmado por PGR, foi obtida com sucesso. Todas as pulgas encontradas foram da espécie Ctenocephalides felis e os carrapatos de Rhipicephalus sanguineus. Os ectoparasitas coletados dos cães com resultado negativo, também foram negativos na PCR. Na investigação da infecção natural nos ectoparasitas não foi observada a presença de flagelados nos artrópodes dissecados. Dos 60 cães positivos para a LVC, detectou-se DNA de L. (L.) infantum em 48 (sensibilidade de 80%). As correlações mais elevadas se deram entre os resultados dos testes empregados (ELISA e PCR) para detectar a presença da leishmaniose nos animais. Houve forte correlação entre a presença L. (L.) infantum nos cães e a presença desta leishmânia nos carrapatos, segundo os gêneros, no entanto foi menor a correlação entre o animal doente e a pulga, de ambos os sexos. As análises estatísticas com o teste Probit demonstraram que aparentemente, a fêmea do carrapato seria o principal fator de contaminação do cão pela L.(L.) infantum e que em pulgas de cães jovens é esperada a ausência deste parasita, efeito que tende a desaparecer em cães mais velhos. Conclusão: Os achados clínicos, o teste ELISA e a PCR confirmaram a presença de L.(L.) infantum em mais de 60% dos animais analisados. A PCR realizada nos ectoparasitas confirma a presença de L. (L.) infantum em carrapatos e pulgas. Na avaliação clínica dos cães, 64,22% eram sintomáticos para LVC. As espécies de ectoparasitas e sua distribuição nos cães do presente estudo são semelhantes aquelas observadas em outros estudos. A análise estatística Probit atribui grande importância para a relação existente entre o cão e o carrapato fêmea e a contaminação por L.(L.) infantum. A presença de flagelados não foi evidenciada nas pulgas e carrapatos dissecados. Assim, embora a técnica de PCR tenha se mostrado sensível e específica na detecção de DNA de Leishmania nesses ectoparasitas, esta detecção não significa necessariamente que estes artrópodes são capazes de manter, multiplicar e transmitir esse protozoário. Portanto, mais estudos são necessários para demonstrar a competência vetorial desses artrópodes na transmissão da L.(L.) infantum aos cães.

Year

2010

Creators

Rosa Maria Ferreira Noguerol Odorizzi

Hábito alimentar de Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus e sua implicação na capacidade reprodutiva

O estudo de hábito alimentar de espécies vetaras de doenças, ou potencialmente vetoras, indica os organismos envolvidos na transmissão e manutenção das doenças. Com a expansão de áreas urbanas e consequente aglomeração humana, como acontece no município de Marília, criou-se ambiente propício para a criação de mosquitos adaptados à essa situação. Esse trabalho teve por objetivo caracterizar o hábito alimentar de culicídeos capturados em área urbana do município de Marília e relacionar com o nível socioeconômico. A técnica utilizada para a identificação do hábito alimentar foi o ELISA (Enzyme Linked lmmunosorbent Assay) considerando quatro hospedeiros (humano, cão, ave e roedor). Entre as espécies coletadas com maior frequência estavam os Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus. Em laboratório foram testados os aspectos da capacidade reprodutiva para fêmeas dessas espécies, alimentadas artificialmente com sangue dos mesmos hospedeiros observados em campo. As espécies coexistem em toda a área mesmo em diferentes níveis socioeconômicos. A não concorrência pode ser explicada por apresentarem perfis hematofágicos distintos. Diferentemente do Ae. aegypti, o Cx. quinquefasciatus é espécie eclética quanto as fontes de hematofagia, no entanto apresentou maior frequência de repastas sanguíneos em roedores. Os Ae. aegypti se mostraram essencialmente antropofílicos.

Year

2011

Creators

Juliana Telles de Deus

Aspectos epidemiológicos da hepatite B e fatores prognósticos da cirrose em pacientes com hepatite B crônica na Amazônia Ocidental

Introdução: Vários fatores têm sido apontados como associados à progressão da hepatite B crônica para cirrose, entre eles o genótipo, mutações do VHB, status do HBeAg, infecção concorrentes com o VHD, HIV, VHC, assim como o uso de álcool, alterações metabólicas e idade em que ocorreu a infecção. No entanto, essa questão ainda não foi estudada na Amazônia Ocidental brasileira, área hiperendêmica de hepatite B. Objetivo: descrever os aspectos clínico-epidemiológicos e investigar fatores associados à progressão da cirrose numa coorte de pacientes com hepatite crônica pelo vírus B residente no estado do Acre, atendidos em serviço especializado entre 2000 e 2009. Métodos: estudo de coorte retrospectiva, abrangendo 672 pacientes com hepatite crônica pelo vírus B matriculados no Serviço de Assistência Especializada, Rio Branco, Acre, na Amazônia Ocidental, selecionados no período de 2000 a 2009 e acompanhados até 2010. Os dados foram obtidos mediante consulta a prontuários, complementados por entrevista, exames físicos e laboratoriais. Os casos de cirrose hepática foram confirmados pela presença de fibrose, formação de nódulos parenquimatosos regenerados ou em regeneração ao exame anatomopatológico (F3 e F4) e/ou pela presença de sinais de descompensação hepática ou de hipertensão portal demonstrada através da ultrassonografia abdominal e endoscopia. Foram excluídos do estudo os pacientes que apresentaram hepatocarcinoma, coinfecção com o HIV no momento da primeira avaliação. As variáveis de interesse foram: sóciodemográficas; características relativas à transmissão, aspectos clínicos e laboratoriais. Inicialmente, descreveram-se as características dos pacientes mediante comparações de proporções e médias aplicando-se para variáveis categóricas o teste do qui quadrado e exato de Fisher; e para as variáveis contínuas o teste de Kruskall-Walis. Para a investigação dos fatores, associados à evolução para cirrose, a variável dependente foi a cirrose hepática e as independentes as exposições de interesse, estimaram-se as odds ratio não ajustadas e ajustadas e os respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%) pela regressão logística condicional. Resultados: O tempo médio de acompanhamento foi de 52,7±12,8 meses; 8,5% (57/672) dos pacientes evoluíram para cirrose, com uma taxa de incidência de 26,8/1000 pessoa ano. Mostraram-se independentemente associados à evolução para cirrose: pertencer ao sexo masculino (OR=2,2; IC95%: 1,1 - 3,7); co-infecção com VHC (OR= 4,6; IC95%: 1,2-17,8); co-infecção pelo VHD na presença de HBeAg (OR = 4,0; IC95%:1,3-11,9); co-infecção pelo VHD na presença de Anti HBe (OR = 7,1; IC95%:1,2-17,8 ), presença de gama GT >2 LSN (OR = 2,7; IC95%:1,3-5,4). Conclusão. O presente estudo apontou o risco elevado de progressão da hepatite B crônica para cirrose, identificou marcadores laboratoriais prognósticos de evolução para cirrose, assim como seus principais preditores na área de estudo, salientando a importância de políticas públicas com foco no controle dessa infecção, assim como de condutas clínicas voltadas ao monitoramento de complicações das formas crônicas relacionadas à co-infecção com VHC e VHD.

Year

2011

Creators

Cirley Maria de Oliveira Lobato

Literatura citada em dissertações e teses no campo da epidemiologia, apresentadas à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, no período de 1979-1982

Foi realizado estudo de natureza descritiva referente a literatura citada em dissertações e teses apresentadas à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de são Paulo, no campo da epidemiologia, no período 1979-1982. Com a finalidade de conhecer as características dessa literatura, foram analisadas 50 teses, sendo 31 mestrados e 19 doutorados, contendo 3.419 citações, considerando-se as variáveis: formação básica dos autores das teses, tipo de estudo em que foram elaboradas as teses, subtemas das teses, tipo de publicações citadas, idioma, idade, assunto, produtividade dos periódicos, distribuição geográfica das citações e capacidade potencial da biblioteca para atender a demanda. Para medir a freqüência das citações de periódicos foi aplicada a Lei de Bradford. A análise dos resultados mostrou que 84,0% dos autores tiveram sua formação básica na área da saúde, com predominância para medicina (34,0%). O tipo de estudo descritivo foi mais utilizado pelos mestres e o analítico pelos doutores, tendo havido apenas duas teses cujo tipo utilizado foi atualização bibliográfica. O assunto predominante das teses foi doenças transmissíveis (40%), mostrando que as pesquisas neste campo continuam a despertar interesse em nosso meio. Em relação às citações bibliográficas, os artigos de periódicos representaram 62,0% das citações, os livros 16,9%, a literatura não-convencional 9, 5% e \"outras publicações\" 11,6%. A literatura publicada no idioma inglês predominou para os periódicos (59,0%); o idioma português prevaleceu para livros, literatura não-convencional e \"outras publicações\". A idade mediana da literatura citada (livros e periódicos) foi de 7 anos, e a idade média para periódicos foi de 11,1 anos e para livros 10,4. A capacidade potencial da biblioteca para atender à demanda das citações foi de 65,7%. Os periódicos mais produtivos constaram de uma lista de 83 títulos (15,8%) responsável por 63,8% das citações (1.353).

Year

1985

Creators

Maria Teresinha Dias de Andrade

Tipo de aleitamento e morbidade

O presente trabalho tem por objetivo verificar a possível associação entre tipo de aleitamento (materno, misto ou artificial) e a ocorrência de queixas, sinais e sintomas relatados pela mãe ou responsável, em crianças de 0-3 meses de idade, matriculadas no Centro de Saúde Geraldo de Paula Souza da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Foram acompanhadas 77 crianças no período. O levantamento dos eventos ocorridos com as crianças foi feito mediante o acompanhamento diário das mesmas, pela mãe ou responsável e os dados familiares foram coletados no prontuário da família no Centro de Saúde. Para a análise dos dados foram definidos três grupos de crianças: com aleitamento materno, com aleitamento misto e com aleitamento artificial. Calculou-se, para cada evento ocorrido com a criança, o número médio e a duração em dias dos episódios e ainda a proporção da duração em dias dos episódios em relação ao total de dias de exposição. Calculou-se também, a proporção de crianças ainda sem episódios segundo tempo de seguimento, utilizando-se para tanto a técnica de tábua de sobrevivência para dados censurados. Foram feitos testes X2 e análise de variância para a comparação dos três grupos. Os resultados dos testes estatísticos mostraram que as diferenças encontradas nos três grupos estudados não são significantes. Conclui-se, portanto, que na população estudada não existe associação entre tipo de aleitamento e ocorrência de queixas, sinais e sintomas, relatadas pela mãe ou responsável.

Year

1988

Creators

Sonia Buongermino de Souza

Estudo histórico-documental da encefalite humana por arbovírus Rocio no litoral sul e Vale do Ribeira do Estado de São Paulo

Introdução - No litoral sul do Estado de São Paulo, no período de 1975 a 1978, ocorreu uma epidemia, a Encefalite pelo arbovírus Rocio. A região foi objeto de estudo de diversos investigadores. Altas taxas de morbidade e mortalidade devido ao processo epidêmico foram observadas e causaram impacto socioeconômico. A maioria dos indivíduos infectados, no início da epidemia, era do sexo masculino e estava em idade produtiva, sendo trabalhadores rurais da região. Diante das limitações hospitalares e inespecificidade do tratamento na época, houve desde uma lenta convalescença, seqüelas até a ocorrência de óbitos, afetando a economia da região, que repercutiu principalmente na queda no turismo. Mediante este fato, justifica-se a importância deste estudo histórico-documental da encefalite por arbovírus Rocio. Objetivo - Objetivou-se relatar acontecimentos sociais e naturais, medidas clínicas, impactos midiáticos e avanços científicos relacionados à doença, verificando, a trajetória do Rocio. Método - Foi feita uma revisão de literatura de trabalhos publicados desde o início da epidemia até os dias atuais. As fontes consultadas foram teses, dissertações, livros, periódicos, bancos de dados de jornais e revistas, bases de dados cooperativas, relatórios de instituições públicas, contato com especialistas e comunicações em eventos. Resultados - Foi possível analisar como a mídia impressa relatou os acontecimentos sociais relacionados à epidemia e como foi a reação popular às notícias veiculadas, além de discutir a possibilidade de o homem voltar a ser acometido pelo Rocio, diante das atuais mudanças climáticas, acelerada urbanização e pressão sobre a cobertura vegetal no litoral sul do Estado, o que altera a ecologia das populações dessa região. Conclusões - Houve o desencontro entre informações veiculadas pela mídia e dados científicos fornecidos por pesquisadores e autoridades sanitárias, o que dificultava a aceitação da epidemia pela população e viabilizava a distorção de informações e criação de barreiras aos métodos de combate ao possível vetor. Ainda não se sabe como o vírus Rocio tornou-se emergente no litoral sul do Estado em 1975 e o porquê do seu silenciamento, entretanto é conhecido que esse arbovírus ainda mantém atividade, possibilitando o retorno da epidemia no país.

Year

2009

Creators

Edlaine Faria de Moura Villela

Realização do exame de Papanicolau em mulheres com 20 anos ou mais: Inquérito de Saúde de base populacional no Município de São Paulo - 2008

Introdução: O câncer do colo do útero é uma das neoplasias malignas mais frequentes, particularmente nos países em desenvolvimento e, sobretudo nos grupos com maior vulnerabilidade social. As estimativas de incidência e mortalidade tendem para a redução, porém em ritmo lento. Vários são os fatores de risco identificados, no entanto, apresenta um dos mais altos potenciais de prevenção e cura. A estratégia utilizada para a detecção precoce é o exame de Papanicolaou. Inquéritos de base populacional representam oportunidades únicas para a obtenção de informações que possibilitam avanço no conhecimento das condições de vida e saúde da população e para a formulação e avaliação de políticas sociais de saúde. Objetivo: Analisar a realização do exame de Papanicolaou segundo variáveis socioeconômicas, demográficas, de estilo de vida, estado de saúde e o uso de serviços de saúde das mulheres com 20 anos ou mais de idade, residentes no município de São Paulo, Brasil. Métodos: Estudo transversal de base populacional, com dados obtidos através do Inquérito de Saúde no Município de São Paulo ISA Capital, 2008, em amostra composta por 1.236 mulheres com 20 anos ou mais. Considerou-se a prevalência do exame realizado nos últimos 3 anos que antecederam à entrevista. Para as análises estatísticas foi utilizado o módulo survey do programa Stata 10.0. O modelo de regressão de Poisson foi aplicado para verificar associações mais precisas da realização do exame com as variáveis estudadas. A confidencialidade foi garantida. Resultados: As associações estatisticamente significantes encontradas foram: idade (20 a 29 anos), ser casada ou ter companheiros, escolaridade (12 anos), tabagismo (exfumantes), mulheres que possuíam exame clínico das mamas e plano de saúde. O Sistema Único de Saúde foi responsável por 39,2 por cento dos exames de Papanicolaou realizados. O motivo referido para a não realização do exame mais frequente foi não era necessário/sou saudável. Discussão: Ao considerar a realização do exame conforme recomendada pelo Ministério da Saúde, seria esperada cobertura de Papanicolaou superior à observada. Em termos de condições socioeconômicas, as associações com renda e atividade remunerada não permaneceram no modelo final, sugerindo equidade social na realização do exame. Entretanto, os serviços de saúde devem criar estratégias que ampliem o acesso às populações mais vulneráveis proporcionando maior conhecimento e envolvimento da população na incorporação das práticas preventivas do câncer do colo do útero, oferecendo um atendimento de maior qualidade a todas as mulheres, sobretudo, as SUS dependentes. Considerações Finais: Para o êxito do programa de rastreamento, deve-se priorizar a capacitação dos profissionais de saúde, a qualidade dos exames, a garantia do seguimento e tratamento dos casos e o estabelecimento de intervenções mais humanizadas e equitativas na utilização dos serviços de saúde do SUS

Year

2011

Creators

Érika Dionizio

Estudo sobre o diagnóstico dos casos notificados de tuberculose pulmonar em quatro Unidades de Saúde do município de São Paulo, São Paulo/SP, 2003

Introdução: Uma das estratégias preconizadas pelo PCT para o controle da tuberculose é a utilização de métodos laboratoriais simples, rápidos, confiáveis e pouco onerosos, como por exemplo, a baciloscopia direta do escarro que continua sendo a medida prioritária para o diagnóstico da tuberculose pulmonar, permitindo identificar e tratar os doentes bacilíferos e assim interromper a cadeia de transmissão da doença. Objetivo: Estudar o diagnóstico dos casos notificados de tuberculose pulmonar em quatro Unidades de Saúde do Município de São Paulo. Metodologia: Utilizou-se dados da ficha de notificação de tuberculose e prontuários dos pacientes, além da aplicação de um questionário para os pacientes que não realizaram a baciloscopia direta do escarro. Resultados e Discussão: Foram notificados nas quatro Unidades de Saúde do estudo, 1006 casos de tuberculose pulmonar, abrangendo 18,3% dos casos identificados no Município de São Paulo, sendo 4,8% o percentual dos que não realizaram a baciloscopia do escarro. Dos 24 pacientes entrevistados, 15 (62,5%) foram orientados para a realização da bacilosocpia do escarro enquanto que 9 (37,5%) não receberam nenhuma orientação. Desses, 13 (54,1%) não tinham escarro enquanto que 10 (41,7%) não receberam solicitação médica para tal procedimento. Entretanto, exames como tomografia computadorizada e cintilografia foram realizados por alguns pacientes, e o RX em 100,0% dos casos, demonstrando que esse procedimento continua sendo muito utilizado em detrimento dos métodos bacteriológicos. Conclusões: Observou-se um despreparo dos profissionais de saúde na orientação do paciente em relação à colheita das amostras de escarro para a realização do exame, além da escassez de pedidos médicos.

Year

2004

Creators

Maria Aparecida Benedita Bortolazzo

Transmissão da tuberculose entre migrantes sul-americanos e populações brasileiras sob maior vulnerabilidade no município de São Paulo: implicações para o controle da TB

Objetivo: i) Estudar os casos de tuberculose (TB) por transmissão recente em brasileiros e migrantes sul-americanos, quantificar a transmissão cruzada recente entre ambas as populações e estudar seus fatores associados; ii) Avaliar, isoladamente, os fatores associados à transmissão recente da TB e o impacto da migração e de outras vulnerabilidades nos casos da doença no município. Métodos: Estudo transversal em indivíduos brasileiros e migrantes de origem sul-americana, residentes de distritos centrais do município de São Paulo (MSP) com grande proporção de populações vulneráveis e elevada presença recente de migrantes. Estudaram-se os casos de TB pulmonar por M. tuberculosis (Mtb) notificados entre 2013 e 2014, confirmados por meio de cultura de escarro. Foram utilizados os dados do Sistema Estadual de Notificação (SINAN-TB), de unidades de saúde e do laboratório central do Instituto Adolfo Lutz. Analizaram-se as variáveis sociodemográficas, clínicas e a presença de clusters simples e mistos, obtidos pelo agrupamento dos isolados de Mtb por RFLP-IS6110. i) Descreveu-se a distribuição dos clusters mistos e outras variáveis em brasileiros e migrantes sul-americanos e, investigou-se os fatores independentemente associados à presença de clusters mistos na amostra por meio de regressão logística simples e múltipla; ii) Investigaram-se os fatores independentemente associados à ocorrência de clusters mediante regressão logística simples e múltipla e estimou-se o impacto da transmissão recente da TB por meio da Fração Atribuível Populacional (PAF). Resultados: Foram amostrados 347 indivíduos, 19 por cento dos casos na área estudada. Desses, 76 por cento eram brasileiros e 24 por cento migrantes sul-americanos. O primeiro estudo mostrou que a proporção de clusters foi de 40,5 por cento , sendo 28 por cento desses compartilhados por brasileiros e migrantes sul-americanos (clusters mistos). Clusters mistos foram mais frequentemente encontrados em migrantes sul-americanos do que em brasileiros (OR=6,05), porém sugeriu-se transmissão cruzada em ambas as direções. A análise de sensibilidade, removendo usuários de drogas, HIV positivos e alcóolicos, teve pouco efeito no número de clusters mistos porém reduziu o de clusters simples em vi brasileiros, sugerindo maior transmissão recente do Mtb entre indivíduos brasileiros e migrantes não pertencentes a esses grupos de risco. O segundo estudo sugeriu que o uso de drogas está independentemente e diretamente associados a clusters sugestivos de transmissão recente (ORaj=3,18) e o alcoolismo (ORaj=0,30) está inversamente associado à transmissão recente. Foi encontrada baixa prevalência de comorbidades e outros fatores de risco entre migrantes sul-americanos, tanto em clusters quanto em perfis únicos. A transmissão recente entre usuários de drogas foi atribuída a cerca de 15 por cento dos casos de TB em brasileiros. Conclusões: Verificou-se que a transmissão recente, tanto entre brasileiros quanto entre migrantes sul-americanos, desempenha um papel importante nas regiões centrais do MSP. No entanto, sugere-se que a migração possa desempenhar um papel menos importante na transmissão/reativação da TB do que o uso de drogas e outras condições de vulnerabilidade. Dessa forma, no contexto dos crescentes movimentos migratórios para grandes cidades de países de média e baixa renda, a migração se soma à vulnerabilidade social, reforçando a necessidade de políticas intersetoriais para controle da TB.

Year

2016

Creators

Júlia Moreira Pescarini

Perda dentária em adultos e idosos no Brasil: a influência de aspectos individuais, contextuais e geográficos

Introdução - As transições demográfica e epidemiológica vêm gerando mudanças no perfil sanitário de vários países. Dentre os vários campos da saúde, a saúde bucal expressa pela perda dentária encontra-se em situação preocupante. Objetivo - Identificar os fatores individuais e contextuais associados à perda dentária de adultos e idosos no Brasil e as características da distribuição espacial desses fatores. Métodos - Foram utilizados dados secundários do Projeto SB Brasil 2003, em que foi realizado um levantamento epidemiológico das condições de saúde bucal da população brasileira. Neste inquérito foi utilizada a técnica de amostragem probabilística por conglomerados, realizada em três estágios, totalizando 13.431 adultos entre 35 e 44 anos e 5.349 idosos entre 65 e 74 anos. A metodologia de análise empregou um modelo multinível de abordagem e a associação foi medida pela Razão de Médias e Razão de Prevalências, brutas e ajustadas. Utilizou-se a técnica de Processo Analítico Hierárquico (Analytical Hierarchy Process - AHP) e testes de dependência espacial para conhecer a distribuição espacial dos fatores associados à perda dentária. Resultados - Entre os adultos, as variáveis contextuais associadas com maior perda dentária foram: baixo número de cirurgiões-dentistas por mil habitantes (nível regional), maior número de exodontias por habitante (nível estadual) e municípios com menor porte populacional (nível municipal). As variáveis individuais associadas à perda dentária foram: maior número de pessoas por cômodo, ter consultado o cirurgião-dentista alguma vez na vida, há três anos ou mais e por motivo de dor, não ter recebido informações sobre prevenção de doenças bucais, ser do sexo feminino e a idade maior. Entre os idosos, duas análises foram feitas. Na primeira análise, as variáveis contextuais associadas ao edentulismo funcional foram as mesmas encontradas nos adultos, exceto o porte populacional. Na segunda análise, as variáveis contextuais associadas à menor necessidade de prótese total foram: maior taxa de primeira consulta odontológica programática (nível regional), da média de anos de estudo (nível estadual) e do porte municipal. Morar na área rural, maior número de pessoas por cômodo, ter tido a última consulta odontológica em serviço público, ser do sexo masculino, nãobranco e idade mais avançada foram associados à necessidade de prótese total. A análise espacial revelou áreas de risco estatisticamente significantes para a perda dentária e para a necessidade de prótese total. Conclusões - O estudo revelou os principais aspectos contextuais e individuais associados com maior perda dentária. A combinação espacial simultânea desses atributos gerou mapas de predisposição para a perda dentária e necessidade de prótese total que podem nortear as ações de Saúde Bucal Coletiva.

Year

2009

Creators

Rafael da Silveira Moreira

Aspectos ecológicos de Anopheles (Nyssorhynchus) marajoara e outros Culicidae na Ilha Comprida, Estado de São Paulo

Anopheles marajoara vem ganhando destaque como vetor potencial de Plasmodium nas regiões onde ocorre. Tal fato está relacionado aos avanços na taxonomia do Complexo Albitarsis e aos estudos direcionados ao conhecimento dos hábitos da espécie. Este trabalho teve como objetivo caracterizar a comunidade Culicidae, destacando An. marajoara, em função da heterogeneidade ambiental da Ilha Comprida. Para tanto, foram utilizados indicadores de diversidade aplicados às comunidades culicídeas imaturas e adultas presentes na ilha. Foi analisada a atividade hematofágica da espécie, considerando-se as interações interespecíficas naquela comunidade. An. marajoara se mostrou uma das espécies dominantes, com acentuada antropofilia. A espécie foi encontrada em criadouros artificiais, o que denota expressiva valência ecológica. Observou-se deslocamento do pico de atividade hematofágica em relação às populações de An. albitarsis s.l. de outros estados e países, provavelmente como estratégia para evitar competição com outras espécies, permitindo sua coexistência. An. marajoara e outros Culicidae têm potencial como vetores de Plasmodium e arbovírus, respectivamente, na Ilha Comprida, dadas as características das espécies e da localidade

Year

2009

Creators

Daniel Garkauskas Ramos

Tendências da incidência e da mortalidade por câncer de cólon em residentes no município de São Paulo

Introdução - Estudos sobre o câncer de cólon mostram que a sua incidência, no mundo, tem aumentado de maneira significativa no último século. Acredita-se que este resultado esteja relacionado, entre outros aspectos, com a industrialização, a urbanização ocorridas neste período e mudanças no estilo de vida. A morbimortalidade associada ao câncer de cólon observada em países desenvolvidos é maior do que em países em desenvolvimento e o que se tem observado é que, embora a tendência da incidência seja crescente para ambos os sexos, a mortalidade permanece estável. Objetivo - Analisar as tendências da incidência e da mortalidade de pacientes com câncer de cólon, registrados no Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) do Município de São Paulo. Métodos - Foram analisadas as tendências temporais da incidência no período de 1997 a 2005 e da mortalidade no período de 1980 a 2007. As análises foram feitas separadamente por sexo e faixa etária e os efeitos da idade, do período e da coorte foram estimados através do modelo de regressão de Poisson. Resultados - Houve aumento na incidência por câncer de cólon no município de São Paulo, em quase todas as faixas etárias estudadas. O aumento da mortalidade foi menor do que o aumento da incidência e parece coincidir com um efeito de coorte presente durante todo o período do estudo. Tanto na incidência quanto na mortalidade, os aumentos foram mais pronunciados entre os homens. O modelo idade-período apresentou o melhor ajuste para os coeficientes de incidência para ambos os sexos, e o modelo completo (idade-período-coorte) se mostrou com melhor ajuste para os coeficientes de mortalidade para ambos os sexos. Não foi identificada interação estatisticamente significativa do sexo para os coeficientes de incidência e de mortalidade. Conclusão: Os resultados encontrados no presente estudo mostraram um aumento da incidência e da mortalidade, em ambos os sexos, em quase todas as faixas etárias. Observamos uma tendência da estabilização nas coortes de nascimento do câncer de cólon para ambos os sexos, sugerindo que as mudanças de estilo de vida podem contribuir para a redução da mortalidade por câncer de cólon, principalmente nas coortes mais jovens.

Year

2009

Creators

Marilande Marcolin