RCAAP Repository
Uso da CIF em fisioterapia: uma ferramenta para a obtenção de dados sobre funcionalidade
Introdução. A linguagem comum e padronizada oferecida pela Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) permite a categorização dos estados de saúde relacionados à funcionalidade e incapacidade facilitando a construção de sistemas de informação. Ainda hoje, o uso da CIF é limitado pela sua complexidade. Alguns instrumentos para facilitar sua aplicação foram criados sem, no entanto, suprir todas as necessidades para seu uso em algumas áreas. O objetivo deste trabalho é construir facilitadores para que a CIF possa ser aplicada na área de Fisioterapia. Métodos. Foram desenvolvidos três estudos: dois consensos com especialistas e uma análise do uso da CIF em um inquérito de saúde, apresentados no formato de artigos científicos. Os dois primeiros estudos estruturam ferramentas de coleta de dados por meio adaptado da técnica Delphi e o terceiro estudo explora o uso da CIF como ferramenta classificatória de resultados de um inquérito de saúde aplicado em pessoas com incapacidades. Resultados. Um conjunto de categorias relevantes da CIF para Fisioterapia Geral e para cada especialidade da área reconhecida pela Classificação Brasileira de Ocupações foi definido (primeiro artigo). Foi estruturada uma proposta de ferramenta classificatória para uso em Fisioterapia do Trabalho (segundo artigo). O terceiro artigo apresenta benefícios do uso da CIF em inquéritos de saúde como meio de geração de dados sobre a incapacidade. Conclusões. Os estudos indicam que a operacionalização da CIF será mais adequada se houver um menor número de categorias em uso. Em princípio, sugere-se três simplificações: redução do número de categorias, escolha de categorias de baixo nível de complexidade (segundo estrutura da classificação) e uso do qualificador \"não especificado\"
2012
Eduardo Santana de Araujo
Técnicas para definir prioridades em saúde: análise da mortalidade por causas evitáveis em Fortaleza em 1981-83
Foram emitidas consideraçoes sobre os indicadores de saúde e a mortalidade por causas evitáveis como instrumentos para a avaliação das condições de saúde da população e ainda analisados os critérios de prioridades e a importância de estabelecer prioridades em saúde em função da limitação dos recursos para o Setor Saúde. O objetivo geral do trabalho foi o de determinar, analisar e comparar as prioridades em saúde de Fortaleza, segundo técnicas de hierarquização, para a mortalidade por grupos de de causas evitáveis 1981-83. O material básico foi Constituído das declarações de óbitos de residentes em Fortaleza referentes ao período 1981-83, obtidas junto à Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. As declarações de óbitos, após a seleção da causa básica de morte, foram codificadas e apuradas por causas, ao nível de categorias, segundo sexo e grupo etário, e, em seguida, distribuídas em grupos de causas evitáveis, conforme a classificação proposta por Taucher. Posteriormente, foram redistribuídas nos diversos grupos de causas evitáveis as declarações referentes às causas mal definidas, proporcionalmente à participação por sexo e faixa etária. Para estabelecer as escalas de prioridades dos grupos de causas evitáveis foram utilizadas doze técnicas: ganhos em esperança de vida ao nascer (e0.) e ganhos em esperança de vida ativa (e a.), mediante tábuas de vida de múltiplo decremento; anos de vida ativa potencial -(ea)X - e de um trabalhador-e ax - perdidos, a partir das tábuas de vida ativa; anos potenciais de vida perdidos, com três variantes, limite em 65 anos (APVP 65), limite em 70 anos (APVP 70) e esperança de vida à idade especificada (APVP ex); técnica CENDES/OPS, consoante três modelos diferentes de transcendência (TCl, TC2 e TC3); e perdas econômicas correntes e futuras (PEC e PEF), baseadas nas medianas de renda por sexo e idade. Essas técnicas foram operadas considerando a eliminação total das causas evitáveis e a eliminação parcial, conforme a vulnerabilidade arbitrada a cada grupo de causas evitáveis. A comparação das escalas decrescentes de prioridades foi efetuada por intermédio da correlação por postos de Spearman. Os resultados do trabalho revelaram que 57,55 por cento e 42,46 por cento dos óbitos em homens e mulheres foram por causas evitáveis correspondendo a taxas de 483,77 por 100,000 homens e 295,30 por 100.000 mulheres, respectivamente, e que a mortalidade por causas evitáveis tem um elevado impacto em anos potenciais de vida perdidos e em perdas econômicas. A hierarquização das prioridades segundo as várias têcnicas apontou os Grupo F - mortes produzidas por violências - e C - evitáveis por medidas de saneamento ambiental - como as duas primeiras prioridades saúde em Fortaleza. A comparação entre conjuntos de técnicas demonstrou que a redução e/ou simplificação do número de técnicas adotadas para definir prioridades em saúde podem ser aplicadas sem sacrifício da precisão oferecida pelo modelo completo, que contempla as doze técnicas. Por fim, foi salientada a contribuição dessas técnicas para orientar o processo político que envolve a decisão de eleger as prioridades em saúde.
1990
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Mortalidade infantil e desigualdade social em São Paulo
A questão da mortalidade Infantil continua sendo um dos mais graves problemas sociais. A demonstração do Interesse por esse tipo de estudo não se limita ao âmbito do debate acadêmico, está presente no cotidiano daqueles que atuam no Interior das intituições governamentais voltadas para o planejamento e para a avaliação de prioridades no conjunto das políticas públicas. Embora os progressos na área de stlúde tenham contribuído pera uma redução importante nos riscos de morte de crianças menores de um ano em São Paulo, sua incidência ainda continua elevada em relação aos países que alcançaram níveis mais favoráveis. Além disso, o processo desigual da redução da mortalidade, que determina um avanço mais rápido em alguns setores da sociedade e um maior atraso em outros, reproduz a existência de importantes diferenciais sócio-econômicos da mortalidade infantil. A inclusão de uma histórla de nascimentos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1984 propiciou a análise das probabilidades de morte infantil definidas no tempo e detalhadas por idade, segundo um conjunto de variáveis sócio-econômicas e demográficas. Este trabalho tem por base empírica este conjunto de informações e representa um esforço no sentido de analisar e discutir aspectos significativos dos padrões e diferenciais de mortalidade infantil, estimados diretamente a partir da história de nascimentos. Com isto, avençamos na compreensão da influência de fatores sócio-econômicos e demográficos nos níveis e tendências da mortalidade Infantil no Estado de São Paulo. A análise foi dividida em três capítulos principais: a influência de fatores sócio-econômicos sobre a mortalidade infantil, a influência de fatores demográficos e os efeitos da queda da fecundidade sobre a mortalidade infanlil em São Paulo. Primeiramente, são analisados os efeitos da instrução materna e da renda familiar. Em seguida, são abordados os efeitos do saneamento básico através da análise do tipo de abastecimento de água, com ou sem cananalização interna e do tipo de esgotamento sanitário controlando-se o uso da instalação sanitária. A partir daí, desenvolve-se uma análise da innuência simultânea da instrução, renda e saneamento. A variável cor materna é analisada individualmente e em conjunto com as demais variáveis sócio-econômicas. Por último, exploram-se as informações sobre aleitamento materno, procurando-se analisar as mudanças de frequência e a influência sobre a mortalidade infantil. O tema seguinte aborda a influência das variáveis demográficas: idade materna, ordem de nascimento, intervalo intergenésico e sexo. As variáveis são analisadas isoladamente e, em seguida, reunidas em um modelo multivariado para a análise simultânea dos efeitos. Finalmente, são analisados os efeitos recentes da queda da fecundidade sobre a mortalidade infantil, discutindo-se as tendências temporais da estrutura dos nascimentos segundo a ordem de nascimento, idade da mãe e intervalo intergenésico e suas influências sobre a mortalidade infantil. Os resultados obtidos salientam os efeitos diferenciados de algumas destas variáveis sobre o fenômeno estudado.
1990
Carlos Eugenio de Carvalho Ferreira
Vítimas de causas externas atendidas em serviço de urgência e emergência: subsídios ao desenvolvimento de sistema de informações
Objetivo. Causas externas de morbidade e mortalidade são relevantes problemas de saúde pública no Brasil. Entretanto, suas características são pouco conhecidas. Muita informação é perdida por não se colher dados em serviços de urgência/emergência. São objetivos deste estudo: elaborar e avaliar ficha de notificação destes agravos nesses serviços, testar seu fluxo e apresentar e discutir as informações coletadas. Materiais e métodos. Elaborou-se ficha de notificação de causas externas que passou a ser testada. Primeiro através da avaliação por especialistas. em seguida num estudo piloto com 25 pacientes em pronto-atendimento municipal de Pouso Alegre, MG. Numa etapa seguinte foi preenchida para 380 pacientes entre fevereiro e junho de 2003, procedendo-se a coleta definitiva dos dados e estabelecendo-se seu fluxo. Efetuou-se reentrevista no domicílio de 73 destas vítimas além de 44 outros que foram atendidos por outros problemas. Resultados. A ficha de notificação foi facilmente preenchida num período normalmente de cinco minutos, com grande aderência pelos profissionais responsáveis. A proporção bruta de concordâncias ficha/reentrevista oscilou entre 86% e 100%. Utilizando-se o índice KAPPA, indicadores como agressões e alta tiveram um desempenho de pior qualidade (κ= 0,37 e 0,34). Os demais mantiveram concordância entre 0,68 e 1,00. Ajustando-se este índice para viéses e pela prevalência passou-se a uma variação entre 0,73 e 1,00 para todas as variáveis. O fluxo da ficha não apresentou problemas. Os agravos mais atendidos foram outras causas externas (72,9%), acidentes de transportes (13,7%). A incidência em homens foi maior que em mulheres (2,4 : 1,0), a maioria das vítimas era menor de 40 anos (77,6%), o local de maior ocorrência foram residências (40,3%), nos fins de semana (47,9%), de 12:00 e 17:59 h (52.1%). Ferimentos (em 72,6% dos indivíduos) foram as lesões mais comuns e a localização: membros superiores (40,0%). Conclusões. Os resultados apontam para a importância da estruturação de um sistema de informações de violências e acidentes e da viabilidade, após aperfeiçoamento, de se trabalhar a ficha de notificação. Os eventos notificados sugerem a existência de uma realidade pouco conhecida em causas externas.
Perfil dos laboratórios de microbiologia de hospitais brasileiros com pelo menos dez leitos de UTI
Analisaram-se os serviços laboratoriais com o objetivo de caracterizar o perfil dos laboratórios de microbiologia que realizam exames para hospitais com dez ou mais leitos de UTI e hospitais da rede sentinela, com ênfase na funcionalidade, recursos humanos e métodos de trabalho.. Estudo transversal analisou dados secundários de um levantamento realizado em 464 laboratórios de microbiologia de todos os hospitais com pelo menos dez leitos de UTI de quinze unidades federadas selecionadas. Os dados foram coletados entre abril de 2002 a dezembro de 2005. A análise descritiva foi realizada por distribuição de freqüências. As variáveis selecionadas compuseram um conjunto para descrever três dimensões dos laboratórios: organização geral (administrativa, informação e comunicação, qualidade e gestão de risco), estrutura (formação e atualização profissionais; condições físicas gerais; equipamentos, materiais de consumo e de referência) e métodos de trabalho em todas as fases do processo analítico (pré, inter e pós). Os resultados encontrados indicaram principalmente que: uma minoria dos laboratórios possui administração profissionalizada e conhece os custos dos exames; pequena adesão aos aspectos do sistema da qualidade e de biossegurança; pequeno grau de institucionalização dos laboratórios com a atualização dos seus profissionais e apenas um terço de um subconjunto dos laboratórios possuía pós-graduação na área de bacteriologia; existência de quadro potencial para ocorrência de erros na fase préanalítica do processo; há laboratórios dos hospitais com pelo menos dez leitos de UTI e os da rede sentinela que não isolam microorganismos de importância clínica e cometem erros graves no antibiograma por não seguirem recomendações técnicas atualizadas; a participação na comissão de controle de infecção hospitalar é inadequada
2009
Consuelo Gonçalves Ferreira
Mortalidade por múltiplas causas como instrumento de vigilância epidemiológica da tuberculose após o advento da AIDS
No município de São Paulo, a mortalidade por tuberculose apresentava um acentuado declínio desde 1946 até 1984, porém a partir de 1985 houve uma inversão nessa tendência, a exemplo de outras grandes cidades semelhantes. Considerando que a AIDS poderia estar interferindo no aumento da mortalidade da tuberculose, e também que os indicadores de mortalidade pudessem ter continuidade no uso da Vigilância dessa endemia, decidiu-se por realizar este trabalho, que permitisse verificar se a epidemia por AIDS poderia estar influenciando na magnitude da endemia por tuberculose nesse município. Para tanto, estudou-se a mortalidade POR tuberculose, COM tuberculose por AIDS e demais causas básicas, COM tuberculose por outras causas básicas exceto AIDS, COM tuberculose apenas AIDS ou tuberculose como causa básica, e por AIDS como causa básica e demais causas assoociadas, inclusive a tuberculose. Os resultados mostraram um crescimento na mortalidade por tuberculose, cujo coeficiente 3,67 em 1984, passou para 4,14 em 1985, e em 1994 atingiu o valor de 6,45 óbitos por 100 000 habitantes. A velocidade do incremento verificado nesse período foi de 0,21 óbitos por 100 000 habitantes; a mortalidade com tuberculose por AIDS e demais causas básicas apresentou em 1985 um coeficiente de 5,54, passando o mesmo para 14,47 óbitos por 100 000 habitantes, em 1994, e a velocidade de crescimento dessa mortalidade foi superior ao da mortalidade por tuberculose em cerca de cinco vezes mais; a razão de chance entre a mortalidade com tuberculose e AIDS no período estudado, foi 18,30, sugerindo que as pessoas aidéticas tem uma taxa de mortalidade mais alta do que os não aidéticos. A mortalidade com tuberculose e todas outras causas básicas exceto AIDS não se alterou ano a ano. A mortalidade com tuberculose apenas AIDS como causa básica cresceu numa velocidade anual de 1,0 óbito por 100 000 habitantes, atingindo em 1994 o coeficiente de 12,75 óbitos por 100 000 habitantes, sendo o comportamento dessa mortalidade muito semelhante ao da mortalidade com tuberculose e todas outras causas básicas. O crescimento da mortalidade por AIDS como causa básica aconteceu de maneira transcendente: em 1985 seu coeficiente foi 1,54, passando em 1994 para 30,43 óbitos por 100 000 habitantes, sendo plausível, portanto, a hipótese de que a AIDS esteja contribuindo para o recrudescimento da endemia tuberculosa. Conclui-se que a mortalidade por tuberculose retomou tendência de crescimento a partir de 1985; o aumento dos óbitos com tuberculose foi maior do que o aumento dos óbitos por tuberculose; os óbitos por AIDS apresentaram maior chance de ter tuberculose associada do que os óbitos por outras causas básicas; a maior contribuição da AIDS no obituário com tuberculose se deu na faixa de 20 a 49 anos; a mortalidade com tuberculose poderá ser um valioso instrumento na monitorização da endemia.
Avaliação do efeito das perdas de seguimento nas análises feitas pelo estimador produto - limite de Kaplan - Meier e pelo modelo de riscos proporcionais de Cox
Introdução: As técnicas mais comumente empregadas em análise de sobrevida que utilizam dados censurados são o estimador produto limite de Kaplan-Meier (KM) e o modelo de riscos proporcionais de Cox. Estas técnicas têm como suposição que a causa da perda de seguimento seja independente do tempo de sobrevida. Objetivo: O presente estudo visa a analisar o efeito das perdas de seguimento nestas duas técnicas. Material e Métodos: O estudo foi realizado utilizando-se o banco de dados dos pacientes cadastrados no Registro Hospitalar do Hospital do Câncer de São Paulo em 1994. Foram elaborados 28 bancos de dados simulando perdas informativas e não informativas. A perda informativa foi simulada transformando os óbitos em vivos, na proporção de 5 a 50%. A perda não informativa foi simulada através do sorteio de 5 a 50% do total do banco. O estimador de Kaplan-Meier (KM) foi utilizado para estimar a sobrevida acumulada no primeiro, terceiro e quinto ano de seguimento, e o modelo de riscos proporcionais de Cox para estimar as hazard ratio (HR). Todas as estimativas obtidas no KM e as HR's foram comparadas com os resultados do banco de dados original. Resultados: Houve maior proporção de perda nos pacientes com maior escolaridade, admitidos por convênio e particular e os menos graves (estádio I ou II). Quanto maior a proporção de perda informativa, maior a diferença alcançada nas estimativas realizadas pelo KM, verificando-se que a perda de seguimento superior a 15% acarretou diferenças superiores a 20% nas estimativas da probabilidade de sobrevida. As HR's foram menos afetadas, e proporções superiores a 20% de perda de seguimento acarretaram variações de cerca de 10% nas estimativas. Quando as perdas foram não informativas não houve diferenças significativas nas estimativas pelo KM e nas HR's em relação ao banco original. Conclusões: É importante avaliar se as perdas ocorridas em estudos de coorte são informativas ou não, pois se forem podem acarretar distorções principalmente nas estimativas feitas pelo método de KM.
Doença diarréica aguda: aspectos epidemiológicos e vigilância no município de Avaré, interior do Estado de São Paulo
INTRODUÇÃO: A doença diarréica aguda é ainda importante causa de morbidade no mundo. Sua elevada incidência e a aceitação de sua ocorrência como fato "normal" impõem desafios para seu registro e implantação de seus sistemas de vigilância. OBJETIVOS: Conhecer as características epidemiológicas da diarréia aguda e avaliar a capacidade de detecção de surtos pelo Programa de Monitorização da Doença Diarréica Aguda, no município de Avaré. MÉTODOS: De 27 de fevereiro a 16 de julho 2005, realizou-se estudo prospectivo da diarréia em unidade sentinela do programa. Os surtos identificados foram investigados por estudos descritivos e analíticos. Amostras de fezes foram coletadas para os casos envolvidos nos surtos. A avaliação dos propósitos do programa embasou-se em indicadores de utilidade, sensibilidade e oportunidade. RESULTADOS: Foram identificados 408 casos (Coeficiente de Incidência = 4,7/1000 habitantes); idade mediana de 7 anos (variação de 1 mês a 89 anos) e 54% do sexo masculino. Dos quatro surtos de diarréia confirmados, dois ocorreram em uma creche e em um orfanato, devido à Giárdia lamblia e Cryptosporidum spp.; um intradomiciliar de origem alimentar, sem identificação do agente, e uma epidemia na comunidade associada ao rotavírus. Dos casos atendidos, 63 (15,5%) pertenciam a surtos, identificando-se mais 56 casos, em um total de 119 casos (Coeficiente de Incidência de Surtos=1,4/1000 habitantes). CONCLUSÕES: O estudo mostrou que o programa responde ao seu principal propósito, respeitando-se as condições de regularidade na informação, análises dos padrões da diarréia e investigação criteriosa. Intensificar treinamentos para aumentar a habilidade das equipes locais nas avaliações e investigações é uma das principais recomendações deste estudo.
2006
Maria Lucia Vieira da Silva Cesar
Mortalidade por câncer no estado de São Paulo: perfil atual, distribuição geográfica e tendências temporais
A mortalidade por câncer no Estado de São Paulo vem crescendo em importância à medida em que se processam as transições demográfica e epidemiológica. Atualmente, cerca de 13 por cento das mortes no Estado se devem ao câncer, prevendo-se aumento futuro nessa proporção. As neoplasias malignas mais frequentes como causa de morte foram, em 1993, as de pulmão, estômago, próstata, leucemias e linfomas e de boca e faringe, nos homens, enquanto, nas mulheres, foram as de mama, colo do útero e útero não especificado, estômago, cólon-reto e leucemias e linfomas. Houve diferenças regionais na mortalidade por câncer dentro do Estado de São Paulo, destacando-se a região administrativa de Santos, cujas taxas padronizadas foram as maiores, em ambos os sexos. Houve decréscimo das taxas padronizadas de mortalidade pelo conjunto dos cânceres entre 1972 e 1992, maior nas mulheres (-7,1 por cento), que nos homens (-3,7 por cento). As tendências temporais idade-específicas para o conjunto dos cânceres foram examinadas por análise de regressão que utiliza a distribuição de Poisson, com resultados significativos indicando quedas da mortalidade nas idades até 69 anos, nos dois sexos, estabilidade nas mulheres acima de 70 anos e aumento nos homens dessa idade. A maior redução de taxas, tanto padronizadas quanto idade-específicas, ocorreu para o câncer de estômago, em ambos os sexos, com resultados significativos em todas as idades. Ao contrário do câncer gástrico, as neoplasias malignas do pulmão, mama feminina e próstata apresentaram aumento das taxas padronizadas, entre 1970 e 1992; no entanto, para algumas faixas etárias mais jovens, o câncer de pulmão registrou quedas significativas de taxas em ambos os sexos. Enquanto isso, o câncer do colo do útero e as leucemias permaneceram estáveis, mas nestas últimas notou-se queda de mortalidade nas crianças até 9 anos. Tratando-se de doenças distintas, cuja etiologia é complexa. e geralmente não conhecida, exceto por alguns fatores de risco e mesmo estes, apenas para algumas delas, as tendências declinantes observadas nos mais jovens não têm uma explicação única, mas, ao contrário, devem-se, com maior probabilidade, a uma combinação peculiar de fatores específicos para cada câncer, não se podendo desprezar a contribuição advinda dos progressos materiais, sociais e tecnológicos ocorridos nas últimas décadas.
1996
Luiz Augusto Marcondes Fonseca
Sobrevida de pacientes com HIV e AIDS nas eras pré e pós terapia antirretroviral de alta potência
Introdução: A Aids é uma pandemia que representa um grave problema de saúde pública e o efeito das terapias antirretrovirais tem sido objeto de estudos. Objetivos: Estimar a mediana do tempo livre de Aids (MTLA) e o tempo mediano de sobrevida (TMS) entre pacientes HIV positivos sem e com Aids, respectivamente, e investigar os preditores de Aids e óbito, em duas coortes selecionadas entre 1988 a 2003. Método: Estudo de coorte retrospectivo de pacientes adultos de um Centro de Referência de Aids em São Paulo. As variáveis estudadas foram: características sociodemográficas, categorias de transmissão, ano do diagnóstico, níveis de linfócitos T CD4+ e esquemas terapêuticos. Utilizou-se o estimador produto limite de Kaplan-Meier, o modelo de riscos proporcionais de Cox e as estimativas das razões de hazard (HR), com respectivos intervalos de confiança de 95 por cento (IC=95 por cento). Resultados: A incidência média de Aids foi de 11,6 e de 7,1/1000 pessoas-ano, para os períodos de 1988 a 1996 e de 1997 a 2003. A MTLA sem uso de tratamento antirretroviral (TARV) foi de 53,7 meses, com TARV sem HAART foi de 90,0 meses e com HAART mais de 50 por cento dos pacientes permaneceram livres de Aids até 108 meses. Mostraram-se associados à evolução para Aids independente das demais exposições: receber TARV sem HAART (HR= 2,1, IC 95 por cento 1,6 2,8); não ser tratado (HR= 3,0; IC 95 por cento 2,5 3,6); pertencer ao grupo etário de 30 a 49 anos (HR= 1,2 ; IC 95 por cento 1,1 1,3); possuir 50 anos ou mais (HR= 2,9; IC 95 por cento 2,3 5,2); pertencer à raça/etnia negra e parda (HR= 1,4; IC 95 por cento 1,1 1,7); pertencer à categoria de exposição HSH (HR= 1,4; IC 95 por cento 1,1 1,6); e UDI (HR= 1,7; IC 95 por cento 1,3 2,2); ter até oito anos de estudo (HR=1,3; IC 95 por cento 1,1 1,5); não ter nenhuma escolaridade (HR=2,0; IC 95 por cento 1,4 5,6); ter CD4+ entre 350 e 500 cel/mm³ (HR=1,6; IC 95 por cento 1,3 1,9). As taxas médias de mortalidade foram de 17,6/1000 pessoas-ano, 23,2 e 7,8, respectivamente, entre 1988 e 1993, de 1994 a 1996 e de 1997 a 2003. O TMS foi de 13,4 meses entre 1988 e 1993, 22,3 meses entre 1994 e 1996 e, de 1997 a 2003 mais de 50 por cento dos pacientes sobreviveram até 108 meses. Mostraram-se associados ao óbito por Aids independente das demais exposições: diagnóstico de Aids entre 1994 e 1996 (HR= 2,0; IC 95 por cento 1,8 2,2); diagnóstico de Aids entre 1988 e 1993 (HR= 3,2; IC 95 por cento 2,8 3,5); pertencer ao grupo etário de 30 a 49 anos (HR= 1,4 ; IC 95 por cento 1,2 1,5); possuir 50 anos ou mais (HR= 2,0; IC 95 por cento 1,7 2,3); pertencer à categoria de exposição HSH (HR= 1,1; IC 95 por cento 1,1 1,2); e UDI (HR= 1,5; IC 95 por cento 1,3 1,6); ter até 8 anos de estudo (HR= 1,4; IC 95 por cento 1,3 1,5); não ter estudado(HR= 2,1; IC 95 por cento 1,6 2,8); ter CD4+ entre 350 a 500 cel/mm³ (HR=1,2; IC 95 por cento 1,1 1,2); e abaixo de 350 cel/mm³(HR=1,3; IC 95 por cento 1,2 1,3). Conclusões: Nas Coortes São Paulo de HIV e Aids, a mediana do tempo livre de Aids e a sobrevida com Aids foram ampliados com a introdução de diferentes esquemas terapêuticos antirretrovirais e observou-se queda nas taxas de incidência e de mortalidade
Validação da avaliação subjetiva de fragilidade em idosos no município de São Paulo: Estudo SABE (Saúde, Bem estar e Envelhecimento)
Introdução: A avaliação de fragilidade requer medidas mensuráveis de alguns critérios. Em nosso meio, sabe-se que a utilização destas medidas, em larga escala, não será facilmente operacionalizada por dificuldades logísticas. Diante disso, estuda-se a possibilidade de identificação da síndrome de fragilidade por meio de questões subjetivas. Objetivo: Validar componentes subjetivos para avaliação de fragilidade. Método: Este estudo é parte do Estudo SABE - Saúde, Bem-estar e Envelhecimento, realizado no município de São Paulo, Brasil. Trata-se de um corte transversal, com 433 idosos (idade 75 anos), em 2009. Foi adotado o Fenótipo de fragilidade proposto por Fried e colaboradores como padrão-ouro (avaliando objetivamente 5 critérios: perda de peso não intencional, fadiga relatada, redução da força de preensão, redução da velocidade de caminhada e baixa atividade física). Neste modelo, o idoso com um ou dois componentes foi considerado frágil, e com três ou mais era frágil. A avaliação subjetiva foi realizada por meio de questões dicotômicas referentes a cada componente. Calculou-se confiabilidade, sensibilidade, especificidade e valores preditivos positivo e negativo, para análise psicométrica da avaliação subjetiva. Resultados: A avaliação subjetiva é confiável e válida. Para os idosos classificados como pré-frágeis a sensibilidade foi de 89,7 por cento e especificidade de 24,3 por cento ; enquanto para os frágeis, a sensibilidade foi de 63,2 por cento e especificidade de 71,6 por cento . Ao analisar o processo de fragilização (pré-frágil+frágil) quase 90 por cento dos idosos frágeis foram detectados na avaliação subjetiva, 85,2 por cento foram preditos positivamente e 32,7 por cento foram preditos negativamente. Conclusão: A avaliação subjetiva de fragilidade é uma boa ferramenta para identificar processo de fragilidade em idosos
Avaliação das perdas auditivas em crianças e adolescentes com HIV/Aids
Introdução As crianças e adolescentes com HIV/Aids podem apresentar diferentes alterações auditivas as quais são mais frequentes e, muitas vezes, mais graves quando comparadas às outras crianças. Objetivos Estimar a prevalência de perda auditiva nas crianças e adolescentes tratados no Instituto da Criança ICr e verificar os fatores associados à ocorrência da mesma, utilizando duas classificações propostas na literatura. Métodos Foram analisados 106 pacientes com HIV/Aids (idade 5 19 anos) que estão em acompanhamento no ambulatório do ICr. Os indivíduos e/ou seus responsáveis responderam a diversos questionários e foram submetidos a uma anamnese para verificar qualquer sintoma ou queixa auditiva e foi feita a inspeção visual do meato acústico externo para verificar a presença de qualquer ocorrência que pudesse impedir a realização dos exames audiológicos. A avaliação audiológica foi composta pela pesquisa dos limiares auditivos testes de fala, timpanometria e pesquisa dos reflexos acústicos. A caracterização da amostra foi realizada por meio da estatística descritiva e a análise da concordância no diagnóstico da perda auditiva para as duas classificações, por meio da estatística Kappa. Para a comparação de médias de idade e tempo de uso de medicamentos antirretrovirais foi utilizado o teste t-Student. A análise dos fatores associados à presença de perda auditiva foi realizada por meio do teste associação pelo qui-quadrado e modelos de regressão logística univariados e múltiplos. Resultados Os resultados mostraram prevalência de perda auditiva de 35,8por cento utilizando a classificação proposta pelo Bureau Internacional d´Audio Phonologie (BIAP) e 59,4por cento de acordo com a classificação proposta pela American Speech-Language-Hearing Association (ASHA). A concordância no diagnóstico de perda auditiva pelas duas classificações foi boa (k=0,55). O único fator de risco para perda auditiva pelas duas classificações foi a ocorrência de otite média supurada. Pela classificação BIAP, também foi fator de risco o uso do antirretroviral lamivudina (3TC). Pela classificação ASHA, a ocorrência de doenças graves, em especial, a encefalopatia pelo HIV apresentou-se de risco para a perda de audição. Conclusões Este estudo evidenciou que a ocorrência de otite média supurada, o histórico de doenças de caráter grave, em especial a encefalopatia pelo HIV, e o uso de lamivudina contribuem efetivamente para a perda de audição nas crianças e adolescentes com HIV/Aids. O monitoramento auditivo é fundamental, visto que possibilita a detecção precoce das perdas auditivas, além de identificar a progressão da sequela. Recomenda-se que sejam feitas avaliações audiológicas periódicas
2011
Aline Medeiros da Silva
Fatores de risco para óbito por influenza (AH1N1)pdm09, Estado de São Paulo, 2009
Introdução- Em abril de 2009, novo subtipo viral foi identificado, Influenza A(H1N1)pdm09. Em 11 de junho de 2009, a Organização Mundial da Saude anunciou o início de uma pandemia de influenza. Objetivo- Investigar os fatores de risco para óbito por Influenza A(H1N1)pdm09 em pacientes e em gestantes hospitalizados com Doença Respiratória Aguda Grave-DRAG. Nas gestantes, foram analisados também os desfechos gestacionais e neonatais. Metodologia- Foram realizados dois estudos caso-controles, em pacientes e em gestantes hospitalizados com Influenza A(H1N1)pdm09 confirmada laboratorialmente e DRAG. Os casos evoluíram para óbito e os controles para cura. Os casos e controles foram selecionados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação-SINANInfluenza- web, sendo sorteados dois controles no estudo dos pacientes, e quatro no das gestantes, pareados por semana epidemiológica da data de internação do caso. O primeiro estudo foi realizado nas regiões Metropolitanas de São Paulo e de Campinas, de 28 de junho a 29 de agosto de 2009. Nas gestantes, o estudo incluiu o Estado de São Paulo, de 09 de junho a 01 de dezembro de 2009. Foram realizadas avaliações dos prontuários hospitalares e entrevistas domiciliares, a partir de formulários padronizados. Foram empregados testes de Mann-Whitney-U ou quiquadrado para comparação das variáveis, e cálculos dos odds ratio brutos-ORb e seus intervalos de confiança-IC95 por cento , para avaliação dos fatores de risco. No primeiro estudo foi definido modelo de regressão logística múltipla para análise dos fatores associados ao óbito. Resultados- No primeiro estudo, foram investigados 193 casos e 386 controles, 73,6 por cento dos casos e 38,1 por cento dos controles tinham alguma condição de risco para complicações relacionadas à influenza. No modelo final, as seguintes variáveis foram fatores de risco para óbito: idade entre 18 a 59 anos, Odds Ratio Ajustado-ORa de 2,31, 95 por cento IC 1,31-4,10, (referência pacientes < 18 anos), presença de pelo menos uma condição de risco (ORa=1,99, 95 por cento IC 1,11-3,57), mais de uma condição de risco (ORa=6,05 95 por cento IC 2,76-13,28), obesidade (ORa=2,73, 95 por cento IC 1,28- 5,83), imunossupressão (ORa=3,43 95 por cento IC 1,28-9,19) e ter tido atendimento prévio à internação (ORa=3,35, 95 por cento IC 1,75-6,40). O tratamento antiviral, quando administrado nas primeiras 48 horas do início dos sintomas foi fator de proteção para óbito, (ORa=0,17, 95 por cento IC 0,08-0,37). Houve benefício também da administração do antiviral entre 48 a 72 horas, (ORa=0,30, 95 por cento IC 0,11-0,81). Em gestantes, foram investigados 48 casos e 185 controles. Foram fatores de risco para óbito: ter tido atendimento prévio à internação, (ORb de 8,03, 95 por cento IC 2,38-27,09) e terceiro trimestre de gestação, (ORb=4,45, 95 por cento IC 1,15-29,25). Tratamento antiviral foi fator de proteção, quando administrado até 48 horas do início dos sintomas (ORb=0,14, 95 por cento IC 0,05-0,37), e de 48 a 72 horas, (ORb=0,13, 95 por cento IC 0,02-0,68). Em relação aos desfechos gestacionais, houve maior proporção de perdas fetais e partos prematuros entre os casos, p=0,001. As gestantes que evoluíram para óbitos tiveram recém nascidos vivos com mais baixo peso e índices inferiores no Apgar do primeiro minuto, p=0,016, quando comparado aos controles que tiveram parto durante a internação, p<0,001. Conclusão: A identificação dos pacientes de maior risco e o tratamento precoce são fatores importantes para a redução da morbimortalidade por influenza.
Avaliação da competência vetorial da Lutzomyia intermedia, s.lat. (Lutz & Neiva, 1912) para Leishmania (Viannia) braziliensis, Vianna, 1911 e suas implicações epidemiológicas
A leishmaniose tegumentar americana no Estado de São Paulo recrudesce após duas décadas de baixa incidência anteriores a 1970, mesmo em áreas sem cobertura de vegetação primária. Na região do Vale do Ribeira (SP), essa doença não guarda relação com o desflorestamento mas com habitações humanas. Estudos ecológicos têm demonstrado a possível participação de Lutzomyia intermedia, s. lat., como vetora da parasitose nesta área geográfica. Entretanto, um número maior de informações relativas à competência natural e experimental é necessário para melhor definir seu papel vetorial. Este estudo teve por objetivo pesquisar infecção natural em Lutzomyia intermedia, testar a suscetibilidade dessa espécie frente a duas estirpes de Leishmania (V.) braziliensis procedentes da região amazônica \"M2903\" e Vale do Ribeira \"7312\". Subseqüentemente, tentar transmití-las à hamsters não infectados mediante picada de exemplares colonizados infectados e, macerados de exemplares silvestres infectados. Além disso, estabelecer uma colônia dessa espécie de flebotomíneo para suprir os experimentos com exemplares colonizados. Como resultados, não detectamos flagelados nos exemplares pesquisados (n= 5.448). Nos experimentos de suscetibilidade 64 (76%) exemplares silvestres se infectaram com a estirpe \"M2903\" e 59 (72%) com a estirpe \"7312\". Para os colonizados, 53 (67%) e 62 (73%) exemplares se infectaram com essas estirpes, respectivamente . Nos experimentos de transmissão via picada, 39 exemplares supostamente infectados com a estirpe \"M2903\" foram expostos à realimentação em hamsters não infectados. De 03 exemplares que se realimentaram, 02 estavam infectados. Para a estirpe \"7312\", dos 43 exemplares que foram expostos à realimentação, 02 exemplares realimentaram, sendo encontrado 01 infectado. Em ambos experimentos, entretanto, não foram encontrados hamsters positivos para Leishmania após picada desses insetos. Nos experimentos de transmissão via macerados, 20(57,1%) hamsters desenvolveram lesões com a estipe \"M2903\" e 22 (68,7%) também o fizeram em relação à estirpe \"7312\". As dissecações de Lutzomyia intermedia realizadas no 7º dia após o repasto sangüíneo infectivo, evidenciaram formas evolutivas de Leishmania (V.) braziliensis colonizando o piloro e o estômago anterior (cárdia e proventrículo), realçando o modelo \"Peripilária\" de desenvolvimento dos parasitos do complexo braziliensis frente a essa espécie de flebotomíneo. Com relação à colonização de Lutzomyia intermedia, o ciclo completo de desenvolvimento deu-se, em média, em 39,6 dias. O rendimento das colônias para adultos alados de primeira geração foi de 24,3% a partir de ovos, 41,6% a partir de larvas e, 92,4% a partir de pupas. Os maiores percentuais de mortalidade de elementos ocorreram na oviposição com 35,3%, não eclosão de ovos com 41,6% e morte de larvas no primeiro estádio com 33,6%. Diante do exposto, concluímos que as avaliações de caráter experimental, mostraram que a espécie Lutzomyia intermedia, foi suscetível a diferentes estirpes de Leishmania (V.) braziliensis, propiciando a multiplicação e/ou desenvolvimento desse agente infeccioso no seu trato digestivo. Quanto a inexistência da comprovação de infecções naturais para Lutzomyia intermedia, permaneceria ainda inconclusivo o seu papel vetorial. Entretanto, a associação entre avaliações epidemiológicas e experimentais nos permite indicar essa espécie como a que reuniria o maior número de atributos necessários para transmitir o agente infeccioso ao homem. Além disso, reitera-se a viabilidade da colonização dessa espécie de flebotomíneo com propósito de estudos experimentais.
1998
Antônio Carlos da Silva
A adesão ao Programa de Controle da tuberculose no distrito sanitário do Butantã, São Paulo
A ressurgência mundial da tuberculose em decorrência da sua associação com a AIDS, da progressiva multirresistência às drogas utilizadas, da crescente deterioração das condições de vida e de acesso à saúde de certos segmentos sociais, bem como as baixas taxas de adesão ao tratamento vêm colocando em pauta o desafio de revisitar os princípios técnicos, éticos e legais das medidas de controle tradicionalmente utilizadas. Em vista disso, esta investigação tem como objetivo analisar a questão da adesão ao Programa de Controle da Tuberculose (PCT) em São Paulo (SP), especificamente quanto ao tratamento medicamentoso, através da identificação das representações dos doentes sobre o processo saúde-doença, a assistência prestada e o tratamento, verificando quais os processos que levam os doentes a concluí-lo. Foram estudados 18 depoimentos de egressos do PCT, de unidades de saúde do Distrito Sanitário do Butantã-SP, de abril de 1995 a abril de 1996. A análise do material empírico foi feita à luz de duas vertentes teóricas, a Teoria das Necessidades e a Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-doença, operacionalizadas através de técnica que põe em evidência os sentidos e os significados das ações contidas nos discursos, buscando-se a apreensão da lógica subjacente. Os resultados evidenciam que a inserção no processo de produção, parece influenciar o modo como os sujeitos vivenciam a doença e a adesão ao PCT. O imaginário em relação à doença, bem como o comportamento do doente parecem estar ligados à forma como a sociedade impõe atitudes e normas com respeito à tuberculose. Como produto da relação das pessoas com o trabalho e a vida, os doentes lidam com a enfermidade estabelecendo projetos de vida, nos quais a superação da doença é um objetivo a ser alcançado e a razão pela qual se concretiza a adesão ao tratamento. A adesão também está associada à forma como se processa a assistência à saúde, dependendo da organização dos processos de trabalho nas unidades de saúde. O atendimento às necessidades das pessoas, transcendendo a dimensão biológica, possibilitando um espaço de interlocução entre o trabalhador de saúde e o doente, constitui o alicerce que vai determinar o engajamento no tratamento. O respaldo que o sujeito enfermo pode dispor nos âmbitos da família, do trabalho e na assistência também coloca-se como suporte para a adesão, pois constitui-se como espaço para a compartilha e o enfrentamento do processo saúde-doença. Os resultados apontam para a necessidade de que o PCT seja revisto, no que se refere ao estabelecimento de políticas públicas que coloquem em evidência a reorientação da produção da saúde, contemplando as necessidades de saúde do doente e da coletividade.
Estatísticas de mortalidade no Município de Florianópolis: análise da qualidade das causas de morte
O trabalho tem como objetivo, analisar a qualidade das estatísticas de mortalidade no município de Florianópolis. Procurando dados em prontuários hospitalares, entrevistas com médicos que assistiram ao doente em vida ou que realizaram a necrópsia; entrevistas com familiares do falecido, levantou a doença básica ou circunstância que ocasionou o óbito. A causa básica encontrada pela pesquisa foi comparada com a informada pelo médico no Atestado de Óbito, e com a causa de morte selecionada pelo Departamento Estadual de Estatística, Órgão estatal encarregado de elaborar as estatísticas de mortalidade no Estado de Santa Catarina. O Departamento Estadual do Estatístico não utilizava diretamente o Atestado de Óbito na produção de suas estatísticas de causas de morte. Esta comparação permitiu determinar discrepâncias importantes, que são analisadas com o intuito de serem apresentadas recomendaçÕes pors suas soluções. A pesquisa também avalia o grau de preenchimento correto do formulário utilizado para atestar Óbitos, quanto a existência de sequência lógica entre as causas, e, se todos os itens são preenchidos.
1976
Osvaldo Vitorino Oliveira
Aspectos epidemiológicos da toxoplasmose
Realizou-se revisão da literatura publicada nos últimos dezesseis anos, referente aos principais aspectos da biologia do Toxoplasma gondii, bem como do diagnóstico e da epidemiologia da toxoplasmose. Quanto aos aspectos da biologia desse protozoário, reuniram-se as considerações e conclusões atinentes à nomenclatura de suas diferentes formas infectantes, de seu ciclo vital e da resistência desse parasita em condições naturais e experimentais. No tocante ao diagnóstico da toxoplasmose revisaram-se os principais trabalhos publicados sobre os métodos laboratoriais utilizados, dando-se destaque à interpretação das provas imunosorológicas rotineiramente executadas. No estudo epidemiológico de tal zoonose, realçou-se a sua prevalência entre os animais e o papel desempenhado por estes na transmissão da infecção ao homem. Ainda, neste estudo, teceram-se considerações sobre as vias de transmissão e ciclo epidemiológico do agente dessa antropozoonose, do real significado desta em termos de Saúde Pública, salientando-se, também, as medidas de prevenção até agora propostas.
O \"Complexo Culex pipiens\" e sua importância na região neotropical
Na monografia apresentada, o autor procura ressaltar a importância do \"Complexo Culex pipiens\" dentro da Região Neotropical, descrevendo-a, segundo Lane e Forattini. Tomando por base os principais trabalhos encontrados na revisão bibliográfica efetuada, conceitua o \"Complexo pipiens\" como espécie politípica, citando os seus componentes e o modo pelo qual se separou, comentando a sua situação na região em estudo. Como importância médica e sanitária na região, o autor apresenta a filariose e o perigo potencial da disseminação dessa doença e algumas arboviroses, dependentes quase que exclusivamente de uma oportunidade, tendo em vista o crescente aumento das populações desse culicídeo. A sensibilidade dos mosquitos aos agentes etiológicos das doenças mencionadas, o controle e as perspectivas que se apresentadas, são abordados neste trabalho. O autor cita noventa e duas referencias bibliográficas, concluindo pela inexistencia de estudos taxionomicos e populacionais na Região Neotropical, como também, os insucessos da luta antivetorial, decorrentes da resistencia aos inseticidas e dificuldades inerentes a todas as regiões em vias de desenvolvimento. Assim, continuam os estudos ecológicos, sistemáticos e taxionomicos, carentes de coordenação e sobretudo, de pessoal suficiente e habilitado para esse mister.
Comparação entre três métodos de amostragem que visam a estimação da cobertura vacinal
É apresentado um estudo comparativo entre três métodos de amostragem que visam à estimação da cobertura vacinal. O primeiro método, de R.H. Henderson e T. Sundaresan, utilizado pelo Programa Ampliado de Imunizações (PAI) da. Organização Mundial de Saúde, é comparado com dois outros métodos alternativos brasileiros: o método de C.L. Szwarcwald c J.G. Valente, da Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro e o método eqüiprobabilístico de E.P. de C. Silva, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo. Foram constituídas quatro populações hipotéticas através de simulação em computador. Todas as possíveis amostras de cada população foram selecionadas utilizando-se os três procedimentos de amostragem com o objetivo de compará-los quanto· à precisão, ao vício e ao erro quadrático médio. Os três métodos não apresentaram diferenças significativas e, embora o método de Henderson e Sundaresan não seja eqüiprobabilístico em condições normais, é o mais simples e o menos dispendioso e, portanto, é recomendado para levantamentos de cobertura vacinal.
1990
Maria Regina Alves Cardoso
Observações preliminares sobre a paridade de Anopheles (kerteszia) cruzii
Este trabalho consistiu em observações de campo e de laboratório, sendo que a primeira foi desenvolvida na localidade da Fazenda Folha Larga, município de Cananéia, Estado de São Paulo. As capturas foram feitas nos ambientes extra e peridomiciliares com isca humana em horário de pico máximo de atividade hematófaga de Anopheles (Kerteszia) cruzii. Resultados preliminares obtidos em campo objetivaram determinar a paridade, enquanto que sob condições laboratoriais procurou-se conhecer a duração do ciclo gonotrófico, ambos considerados parâmetros implicados na determinação da capacidade vetora de An. cruzii. Assim pois, das 631 fêmeas dissecadas, 90,49 por cento revelaram-se nulíparas e somente 9,50 por cento uníparas, mostrando que a maior parte da população era constituída de indivíduos jovens e sem haver diferença significativa quanto a proporção de fêmeas uníparas nos diversos ambientes. No laboratório trabalhou-se com 1.158 larvas dessa espécie, oriundas de aproximadamente 600 bromélias. O período de desenvolvimento larvário foi de aproximadamente 40 dias. Desse material, 283 fêmeas foram alimentadas com sangue humano, sendo que 50 por cento conseguiu o seu desenvolvimento folicular completo com um único repasto sangüíneo. Outras 25 fêmeas, não receberam alimentação sangüínea e, quando dissecadas, todas apresentaram o seu primeiro folículo no estágio II de Christophers e Mer, provavelmente pela falta de estímulo sangüíneo. Além do mais, determinou-se que o tempo médio entre a alimentação sangüínea e a oviposição foi de 6 a 7 dias. Em vista disso, as observações preliminares, possibilitam considerar esta espécie com razoável capacidade vetora, apesar da baixa longevidade, pois esta é provavelmente, compensada pela alta densidade.