RCAAP Repository
A matemática nas ciências sociais: o caso da economia
O uso de técnicas matemáticas está crescendo na maioria das disciplinas das ciências sociais, principalmente na Economia, e os defensores da matematização geralmente tentam legitimar este processo a partir da suposta neutralidade axiológica da matemática, argumentando, sob influência positivista, que a linguagem matemática deve ser a própria linguagem da ciência. Este trabalho se opõe a tal concepção, rejeitando a possibilidade de neutralidade da matemática e demonstrando que a matemática pode contribuir apenas de maneira muito limitada para a compreensão de processos históricos. Argumentamos que modelos matemáticos são incapazes de descrever a origem, o desenvolvimento ou declínio de relações sociais, sendo útil apenas como descrição de padrões quantitativos entre eventos quando as relações sociais estão estáveis. Daí resulta que, em teorias sociais matematicamente formuladas, tenha-se por objetivo desenvolver uma coleção de modelos, um para cada circunstância. As transformações sociais, mesmo as menores, ficam fora do foco das teorias assim desenvolvidas. Por último, argumentamos que o crescimento da utilização da matemática está diretamente associado à rejeição da ontologia que ocorre no positivismo, de modo que a explicação da matematização, ao menos em linhas gerais, é a mesma para a difusão das idéias positivistas
2022-12-06T14:49:38Z
Maracajaro Mansor Silveira
Comércio internacional e desenvolvimento econômico na obra de Prebisch
O presente trabalho analisa algumas obras de Prebisch, escritas entre o final da década de 40 e início da década de 60, do ponto de vista do comércio internacional e do desenvolvimento econômico da América Latina. Procura-se identificar em suas obras um componente crítico sobre essas questões, tendo em vista a conjuntura internacional no início do século XX, que deixa evidente a situação periférica latino-americana na divisão internacional do trabalho. Essa se expressa e ao mesmo tempo tem suas raízes em uma estrutura interna desigual e subdesenvolvida. Além disso, essa posição crítica do autor é vista como resultado de uma busca pela explicação para os problemas latino-americanos, cujas respostas não podiam ser encontradas no arcabouço teórico da corrente de pesquisa tradicional sobre comércio internacional. Ao tratar os países como tendo estruturas homogêneas, a teoria neoclássica faz simplificações que, na visão de Prebisch, deixa de lado uma questão essencial: as assimetrias no plano internacional. Para o autor a incorporação dessa questão na análise é importante devido ao impacto exercido sobre o desenvolvimento latino-americano, e pela forma como condiciona as perspectivas futuras da América Latina. E, mostra-se como essa forma de pensar e estruturar suas idéias levou a defesa de políticas a serem adotadas pela América Latina, que diferem das defendidas pela teoria neoclássica. Mas, analisam-se as obras de Prebisch, levando em consideração o próprio desenvolvimento intelectual do autor, através do qual há uma ampliação de sua análise e a formação de idéias integradas sobre a situação periférica. Neste trabalho é mostrado como o pensamento de Prebisch implica na incorporação de variáveis sociais e políticas para construir uma abordagem econômica que priorize a conciliação teórica com as circunstâncias históricas e com a realidade latino-americana. Conclui-se, através da análise dessas questões, que a observação sobre a especificidade latino-americana, e a ausência desta inclusão na teoria tradicional, levou Prebisch a formar uma nova abordagem para as questões sobre comércio internacional e desenvolvimento econômico, no qual o objetivo deveria ser sempre a busca por uma maior homogeneidade internacional.
2022-12-06T14:49:38Z
Julia Swart
Pobreza e tomada de decisão: evidências de uma pesquisa em assentamentos no estado do Tocantins
O objetivo desta tese é avaliar empiricamente como as famílias pobres tomam decisões em relação à poupança. Mais especificamente, busca-se estudar a vida econômica das famílias pobres de assentamentos rurais, no norte do estado do Tocantins. Para atingir esse propósito, quatro objetivos específicos da pesquisa foram concebidos como eixos de investigação. O primeiro considera a abordagem do desenvolvimento como liberdade e expansão das capacitações dos indivíduos como aspecto fundamental para análise e estudo da pobreza. O segundo objetivo aborda o estudo da vida econômica dos pobres em várias dimensões. O terceiro objetivo considera os principais estudos na área da economia comportamental acerca das influências das barreiras cognitivas, em especial o viés do presente, sobre a tomada de decisão financeira. Por fim, o quarto objetivo analisa o desenvolvimento histórico e o contexto socioeconômico da região onde se realizou a pesquisa de campo. No que tange à estratégia de coleta de dados, foi realizada uma pesquisa de campo por meio de entrevistas semiestruturadas com responsáveis e corresponsáveis pela unidade familiar. As principais evidências da tese são: (a) não predomina nesses assentamentos a figura do agricultor tradicional; (b) as famílias adotam estratégias para obter diferentes fontes de renda; (c) a privação de liberdade dos assentados entrevistados vincula-se, entre outras coisas, ao não acesso aos serviços públicos essenciais; (d) a conversão de terras públicas em ativos financeiros negociáveis no mercado é uma prática comum entre as famílias; (e) emergências de saúde e necessidades financeiras somam-se aos eventos decorrentes dos conflitos agrários da região; (f) a maioria dos atos financeiros das famílias se processa em mercados imperfeitos com elevados custos de transação; (g) como forma de sobrevivência, as famílias adotam estratégias baseadas nas relações de confiança e reciprocidade para consolidação dos ativos sociais; (h) grande parte das famílias é excluída do sistema financeiro formal e depende de credores informais e de poupança não monetária para atender as necessidades de curto prazo. Conclui-se que a baixa capacidade a aspirar e o viés do presente, potencializados pela condição de pobreza, comprometem severamente a capacidade de poupança e tomada de decisão em relação ao futuro dessas famílias. As escolhas que fazem perpetuam sua condição de pobreza. Desse modo, algumas lições e sugestões são extraídas do estudo para o aprofundamento de pesquisas futuras e aprimoramento do desenho de políticas.
2022-12-06T14:49:38Z
Fernando Sergio de Toledo Fonseca
Modelos DSGE como um novo consenso em economia: uma abordagem bibliométrica
A presente tese estuda a difusão da abordagem DSGE nos periódicos científicos, em várias dimensões e aspectos, no período que vai de sua origem nos anos 1990 até 2016. Para isso, emprega diferentes técnicas bibliométricas, as quais ajudam a extrair informações relevantes da grande massa de publicações científicas produzida por um não desprezível número de pesquisadores. A tese inicia com uma breve história da abordagem DSGE e apresenta, na sequência, um apanhado do que foi escrito recentemente sobre o emprego da bibliometria no estudo de história do pensamento econômico. As análises, levadas a cabo, são tanto descritivas como de rede de citações (acoplamento bibliográfico e cocitação). Os resultados das análises descritivas respondem perguntas como: qual a variação da quantidade de artigos publicados sobre a abordagem DSGE ao longo do tempo? Quais são os artigos mais citados que versam sobre ela? Quais são os periódicos que mais publicaram artigos sobre DSGE? Quem são os autores que mais publicam sobre esse tema? Em que país se encontram tais autores? A que instituição eles estão filiados? Já os resultados das análises de rede de citações, além de evidenciarem o impacto da crise de 2008 nessa abordagem, desvelam os principais ramos de pesquisa da abordagem DSGE.
2022-12-06T14:49:38Z
Bruno Roberto Dammski
Assistência farmacêutica aos portadores de diabetes mellitus: impacto do farmácia popular e do acesso via judicalização da saúde
O amplo acesso a medicamentos no tratamento do Diabetes Mellitus (DM) é essencial para a redução de complicações e comorbidades, melhorando o estado de saúde e a expectativa de vida do paciente. Na presente tese analisamos duas formas de acesso aos medicamentos, no Brasil, por portadores dessa doença crônica: o Programa Federal Farmácia Popular (PFP) e a Judicialização da Saúde. Na primeira parte avaliamos o impacto do PFP sobre taxas municipais de internação e mortalidade do DM, comorbidades e complicações associadas a esta enfermidade crônica de prevalência elevada e crescente em todo o mundo, em particular, em países em desenvolvimento como o Brasil. Para tanto, utilizando duas bases de dados originais estruturadas com base em dados recebidos, via Lei de Acesso à Informação (LAI), do Ministério da Saúde e Fiocruz, implementamos um modelo de efeito fixo com controles. A especificação foi implementada com o intuito de expurgar dos resultados o efeito de outras políticas públicas de saúde relacionadas à atenção primária (na qual está incluída o DM), fatores demográficos, epidemiológicos, econômicos e sociais. Nossos resultados indicam impacto do programa nas taxas de internação, na população acima de 45 anos, no sinal esperado (redução), do Diabetes Mellitus (-0.056), Doenças Hipertensivas (-0.074) e Insuficiência Cardíaca (-0.111); e nas taxas de mortalidade aumento de Doenças Hipertensivas (-0.012) e Doenças Cerebrovasculares (-0.018). Identificamos, ainda, efeitos heterogêneos por gênero (maior impacto nas mulheres), idade (diferenciado acima de 65 anos), região e perfil de desenvolvimento do município (medido pelo IDHM). Nossos resultados revelam, ainda, menor impacto em municípios com menor desenvolvimento (IDHM < 0,5) e, em particular, na Região Norte, o que pode estar relacionado à maior concentração do PFP em determinadas regiões pela expansão, por livre demanda dos estabelecimentos privados, da modalidade credenciada (\"Aqui Tem Farmácia Popular\"). Na segunda parte realizamos uma detalhada análise do acesso à medicação por meio da judicialização da saúde por portadores de DM, com base em dados disponibilizados pelo Sistema da Coordenação das Demandas Estratégicas do SUS no Estado de São Paulo (S-Codes). Segundo nossas estimativas, essas demandas cresceram, entre 2011 e 2017, a uma taxa anual de 26% aa e representaram, em 2017, 25% do total gasto com atendimentos de determinações judiciais no Estado, sendo 52% dessas concentradas em 10 municípios do Estado. Na comparação dos custos total e custo médio por paciente verificamos, também, que a via judicial, em 2017, a judicialização, atendeu a uma proporção equivalente a 0, 1% do total de pacientes do PFP, mas consumiu valor equivalente a 12% do total gasto pelo programa Federal. O perfil dos demandantes, segundo análise de georreferenciamento elaborada com base nos dados do CEP da residência do autor da ação (paciente) e dados do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), revela que apenas 15% possuem maior vulnerabilidade (11% média, 0.02% alta rural, 2.7% alta urbano e 0.9% muito alta urbano). A judicialização é motivada principalmente pela requisição da insulina análoga, em média, 770% mais caro que o substituto disponível no SUS e PFP, incluindo, ainda, por conveniência do paciente, itens disponibilizados gratuitamente pela política pública. Na maior parte das ações o local de tratamento é um hospital privado/médico privado (63%) e o patrono um advogado público (80%), quando analisados conjuntamento temos que: (i) 53% das ações são de médico e advogado privados; (ii) 10% são de médico particular e advogado público; (iii) 9% são de médico e advogado públicos; e (iv) 19% por médico público e advogado privado. Ademais, utilizando base de dados originais estruturada com dados S-Codes (via LAI) e controles (Datasus, Rais, IBGE), elaboramos duas análises empíricas com base em modelos de regressão não lineares de escolha dicotômica Probit. Na primeira, avaliamos as variáveis associadas à probabilidade de judicialização de pacientes portadores de DM no nível municipal e verificamos que, implementado os testes de robustez, há efeito significativo das variáveis de acesso ao SUS (negativo), despesa com saúde (negativo) e oferta de médicos (positivo). Por outro lado, não encontramos efeito da variável proxy de acesso a justiça, calculado pelo total de advogados privados e públicos per capita, PIB per capita e do Programa Farmácia Popular. Na segunda análise, avaliamos as principais características associadas aos demandantes que buscam acesso aos medicamentos para o tratamento do DM por meio do expediente da justiça gratuita (patronos públicos). Segundo nossos resultados, a demanda judicial conduzida por advogado público, embora represente uma pequena parcela do total da judicialização, é positivamente associada a demandantes de maior vulnerabilidade e local de tratamento em um hospital público ou UBS (receita médico SUS).
2022-12-06T14:49:38Z
Vanessa Boarati
O uso da água e a interdependência das economias regionais: o caso das bacias hidrográficas brasileiras
O Brasil é conhecido por sua disponibilidade hídrica satisfatória. Entretanto, existe uma distribuição espacial desigual desse recurso no país. Tais características, associadas à forte concentração econômica, têm feito com que algumas regiões enfrentem restrições na disponibilidade de água doce. Neste trabalho, a fim de identificar os principais responsáveis pela utilização da água no Brasil, calcularam-se os coeficientes técnicos diretos de captação, consumo e retorno de água, as vazões e os volumes de uso desse recurso, os fluxos inter-regionais de Água Virtual e as Pegadas Hídricas das atividades econômicas de cada uma das Bacias Hidrográficas do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). Com base nessas informações, verificaram-se os impactos do atual padrão de uso da água sobre os Balanços Hídricos locais e, em seguida, sugeriram-se algumas aplicações dos resultados encontrados. A fim de atender os objetivos propostos, estimou-se um sistema inter-regional de insumo-produto com 50 setores e 56 regiões para o ano de 2009. Entre os principais resultados, destaca-se que a Bacia Hidrográfica Litoral AL PE PB foi a principal responsável pela captação de água no país, ao mesmo tempo em que apresentou o pior Balanço Hídrico no período. Além disso, verificou-se que a Bacia Tietê foi a principal região do ponto de vista da demanda de água. No que refere aos fluxos inter-regionais entre as Bacias, constataram-se que a interdependência hídrica foi maior que a interdependência econômica e que 66% do volume de Água Virtual exportado entre as regiões foram provenientes de Bacias onde o Balanço Hídrico era no mínimo preocupante. A partir dessas informações, verificaram-se que as referidas exportações ameaçaram a disponibilidade hídrica da maioria das Bacias com Balanços Hídricos acima do nível sustentável. Com relação às aplicações sugeridas, constataram-se que as mudanças climáticas podem fazer com que Bacias adicionais passem a apresentar um Índice de Exploração da Água maior que o nível sustentável e podem piorar o Balanço Hídrico de algumas Bacias localizadas no Nordeste. Diante disso, o emprego de tecnologias de produção mais eficientes no uso dos recursos hídricos, em relação àquelas verificadas pela presente pesquisa, pode se configurar em uma importante medida de mitigação, pois tem o potencial de melhorar significativamente os Balanços Hídricos das Bacias brasileiras. Nesse sentido, destacam-se como demais alternativas: (i) a mudança na composição de algumas economias locais em direção às atividades menos intensivas em água; (ii) importação de bens e serviços intensivos em recursos hídricos, os quais devem ser provenientes de regiões abundantes em água; (iii) políticas regulatórias que impeçam a extração desse recurso acima do limite sustentável; e (iv) o reúso e a transposição de água. Assim, concluem-se que em algumas Bacias Hidrográficas as exportações de Água Virtual contrapõem-se ao esperado do ponto de vista da segurança hídrica. Desse modo, demandam-se políticas públicas que promovam a utilização dos recursos hídricos escassos de maneira menos intensiva nessas regiões.
2022-12-06T14:49:38Z
Jaqueline Coelho Visentin
Externalidades da aglomeração: microfundamentação e evidências empíricas
Este trabalho realiza uma revisão da literatura pertinente à aglomeração urbana e sua explicação pela teoria econômica. Nele resgatamos os resultados teóricos que estabelecem a limitação dos pressupostos neoclássicos em entender o fenômeno econômico no espaço, concluindo pela viabilidade da inclusão de imperfeições de mercado para dar conta desses problemas. Um modelo de economia com dois setores é proposto com base nos modelos da New Economic Geography. A diferença desse modelo para o ora aqui desenvolvido está na modelagem de um setor com retornos crescentes à escala e outro setor com retornos decrescentes à escala. Uma determinada combinação desses setores pode ser responsável pelo resultado empírico de retornos constantes para o agregado da economia. Os coeficientes de escala dos setores estariam na base das forças de aglomeração de desaglomeração urbanas. Para verificar a validade desse modelo, testes empíricos são realizados, valendo-se de dados do Censo Demográfico para os municípios paulistas dos anos de 1980, 1991 e 2000 e onze setores que agregam as atividades econômicas. Testes para os dados médios também são incluídos. Dada a natureza dos dados utilizados, controles espaciais são realizados. Para isso, construímos modelos de regressão espacial para dados de painel com efeito fixo. Nossos resultados sugerem que os setores da indústria, construção civil, outras indústrias, transporte e comunicação, serviços técnicos e auxiliares da atividade econômica, social e outras atividades apresentam retornos crescentes à escala, sendo responsáveis pela força de aglomeração urbana, enquanto que os setores da agropecuária, prestação de serviços e administração pública são responsáveis pela força de desaglomeração urbana, pois apresentam deseconomias de escala. O setor do comércio apresentou retornos constantes à escala. No agregado, verificou-se um predomínio das forças de desaglomeração. Concluímos que o modelo proposto é corroborado pelas evidências aqui levantadas e sugerimos, ao final, possibilidades de estudos futuros.
2022-12-06T14:49:38Z
André Luis Squarize Chagas
A indústria brasileira no limiar do século XXI: uma análise da sua evolução estrutural, comercial e tecnológica
A indústria de transformação, que havia liderado o crescimento econômico do Brasil nas cinco décadas precedentes a 1981 na fase de industrialização, perdeu dinamismo desde início dos anos oitenta. Desde 1981, o produto manufatureiro brasileiro cresceu pouco e abaixo da modesta taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Com isso, o setor manufatureiro tem contribuído cada vez menos para a formação do PIB brasileiro e encolhido bastante relativo a indústria global, desde 1981 até 2017. Esta pesquisa realiza uma avaliação da estrutura produtiva e tecnológica bem desagregada setorialmente da indústria de transformação brasileira, desse modo, ela oferece um diagnóstico mais detalhado da perda de dinamismo industrial. Esta pesquisa procurou responder as seguintes perguntas: i) os setores manufatureiros diminuíram participação no PIB de maneira uniforme ou foi concentrado setorialmente? ii) os setores intensivos em conhecimento e tecnologia seguem uma trajetória de desindustrialização normal ou prematura? (iii) o tecido industrial do país está mais oco ou rarefeito nos anos 2000? (iv) o país é um montador que faz pouca transformação industrial em algum segmento manufatureiro? (v) os segmentos industriais que mais importaram insumos e componentes são também aqueles que mais exportaram? Ou seja, o Brasil tem uma inserção ativa nas cadeias globais de valor (CGV)? (vi) os setores de serviços são relevantes na realização de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no país de modo que a desindustrialização é irrelevante da perspectiva tecnológica? Para responder essas perguntas foram criadas sérias inéditas de longo prazo da participação dos setores manufatureiros no PIB. Também foi obtida uma tabulação especial do IBGE com informações para 258 subsetores industriais que permitiu avaliar o grau de adensamento produtivo deles. E por fim foram utilizados dados das Contas Nacionais do Brasil, das matrizes de insumo-produto e de investimento setor por setor para fazer um retrato setorial da produção e uso de P&D, através de técnicas de insumo-produto. Os resultados encontrados permitem concluir que o desenvolvimento industrial brasileiro está estagnado desde 1981 e a manufatura apresenta uma retração de longo prazo do produto manufatureiro real per capita. Esta pesquisa também apresentou uma abordagem setorial da desindustrialização pelo PIB de forma inédita, revelando que parte da desindustrialização brasileira é normal (ou esperada) e parte é prematura (e indesejada), dado o nível de desenvolvimento do Brasil. A desindustrialização prematura ocorreu nos setores intensivos em tecnologia, que também possuem baixo grau de adensamento produtivo ao importar parcela substantiva dos insumos e componentes intensivos em P&D. Também foi constatado que o Brasil se insere de forma passiva nas CGV, pois as classes industriais que mais importaram insumos e componentes não exportaram. Por fim, os setores de serviços - que ganharam bastante peso no PIB nas últimas décadas - conduzem no Brasil poucos investimentos em P&D e em menor magnitude que os setores manufatureiros. Portanto, da perspectiva tecnológica, a prematura mudança estrutural rumo aos serviços tem implicações relevantes quanto ao progresso tecnológico futuro do Brasil.
2022-12-06T14:49:38Z
Paulo César Morceiro
Crédito rural e produto agropecuário municipal: uma análise de causalidade
O objetivo deste trabalho é estudar a relação de causalidade entre crédito rural e produto agropecuário. Utilizando dados municipais do período 1999-2004, aplicou-se a metodologia de Granger e Huang (1997), que permite identificar o sentido da causalidade entre duas variáveis em um contexto de painel. Contrariamente à grande parte da literatura que estudou as relações de causalidade entre sistema financeiro e crescimento econômico, este trabalho não identificou a causalidade partindo da variável financeira para o produto. Em geral, os resultados apontaram causalidade unidirecional, partindo do Produto Interno Bruto da agropecuária para o crédito rural.
2022-12-06T14:49:38Z
Isabel Machado Cavalcanti
Ensaios sobre a redução da pobreza no Brasil: mensuração e determinantes
Este trabalho analisa a pobreza no Brasil a partir dos micro-dados dos censos demográficos do IBGE dos períodos de 1991 e 2000. Na primeira parte, investiga a construção de uma Linha Híbrida de Pobreza para o Brasil, partindo da estimação empírica da elasticidade-renda da linha de pobreza. A criação desta linha permite contemplar os diferentes aspectos das linhas de pobreza absoluta e relativa, através de uma ponderação entre elas, onde os pesos relativos de cada uma dependem da elasticidade-renda estimada. Com as linhas absoluta e híbrida de pobreza, este trabalho verifica a alteração da incidência da pobreza no período analisado e, em seguida, a mudança dos determinantes desta incidência através de um modelo probit que considera os atributos determinantes da probabilidade de um indivíduo ser pobre. Na segunda parte, este trabalho examina de forma empírica a relação entre crescimento econômico, alteração na distribuição de renda e redução da incidência da pobreza. Além disto, assumindo a hipótese de log-normalidade da distribuição de renda no Brasil, calcula as elasticidades da incidência da pobreza com relação à renda e desigualdade. Por fim, estuda o efeito de variações na renda sobre a pobreza mensurada a partir de uma linha híbrida. Entre os principais resultados, constata-se que a elasticidade-renda da linha de pobreza é próxima de 0,60 e 0,70 para os anos 1991 e 2000, respectivamente. Verifica-se que o quadro de pobreza no Brasil apresenta uma redução tanto com a linha absoluta quanto com a híbrida. Contudo, com esta última, a redução da pobreza é menor. Destaca-se também o fato de que a diminuição da desigualdade de renda contribui para a redução da pobreza, assim como o crescimento da renda familiar per capita. Observa-se que municípios com baixo nível inicial de desenvolvimento e elevada desigualdade inicial de renda apresentam uma maior dificuldade para reduzir a pobreza. Há indícios de que a hipótese de distribuição log-normal da renda não é significante para o Brasil. Por fim, considerando a linha híbrida de pobreza, podemos constatar que um aumento na renda tem seu efeito sobre a mudança da pobreza reduzido pela metade, uma vez que também provoca um aumento desta linha.
2022-12-06T14:49:38Z
Henrique Eduardo Ferreira Vinhais
O impacto de requerimentos de capital na oferta de crédito bancário no Brasil
O presente trabalho se inicia com a apresentação de evidências que indicam que, nos últimos dez anos, o sistema bancário brasileiro tem se mostrado estável, sob o ponto de vista da resistência a choques, e ineficiente, sob a ótica da concessão de crédito. Essa situação de estabilidade e ineficiência motivou a análise da relação entre um importante instrumento de regulação bancária que visa à higidez do sistema, o requerimento de capital, e a oferta de crédito bancário no Brasil. Se, por um lado, a literatura teórica demonstra que o requerimento de capital pode ser um instrumento apropriado ao objetivo a que se propõe, de adequar o risco das operações ativas dos bancos à capacidade de absorção de perdas decorrentes desses mesmos riscos, estudos empíricos, por outro, indicam que a sistemática internacional adotada para essa regulação, definida no Acordo de Basiléia, pode ter tido como efeito colateral a redução das operações de crédito ao setor privado. Considerando-se tais fatores, foi elaborado um modelo cuja hipótese principal é a incidência, em operações de crédito, de custos de regulação", que seriam negativamente relacionados aos níveis de capital de um banco. Sendo válida essa hipótese, espera-se encontrar, ceteris paribus, uma relação positiva entre o índice de Basiléia e a oferta de crédito de bancos, sendo essa relação acentuada em bancos com índice de Basiléia inferior ao limite mínimo requerido. A hipótese foi testada pela estimação do modelo com a aplicação do método dos momentos generalizado, utilizando-se dados desagregados de bancos brasileiros. Os resultados obtidos evidenciaram a importância da regulamentação de capital na decisão de oferta de crédito dos bancos, no sentido previsto pelo modelo.
2022-12-06T14:49:38Z
Denis Blum Ratis e Silva
Cooperação intermunicipal no âmbito do SUS.
Realizou-se um estudo das interações entre vários agentes que poderiam estar envolvidos com a estruturação de uma cooperação intermunicipal voltada à política pública de saúde. Pudemos observar que as estruturas formatadas ocorrem como uma combinação linear de plenamente espontânea, quando, então, há a interação dos personagens a nível municipal, a totalmente induzida, quando, então, a capacidade de coerção exercida pela União é suficiente para induzir os Municípios a adotarem uma postura de compartilhamento dos recursos a nível regional. De qualquer forma, o estudo verificou que interferem na formatação de uma estrutura de cooperação algumas variáveis tais como as externalidades, a motivação e incentivos, as instituições e suas alterações, a capacidade de coordenação e de solubilidade da assimetria informacional, entre outras. Assim sendo, desenhamos um arcabouço teórico apoiado nas teorias tradicional de finanças públicas, de escolha coletiva, de contratos e na institucional, a fim de esmiuçarmos dois exemplos diametralmente polarizados: a estruturação da cooperação na forma de uma coalizão por meio de um consórcio intermunicipal e a estruturação da cooperação na forma de convênios por meio da institucionalização de normas operacionais editadas pelo SUS.
2022-12-06T14:49:38Z
Antonio Alves Rodrigues
Finanças comportamentais no Brasil.
Finanças Comportamentais são um programa de pesquisa que vem ganhando crescente reconhecimento no mundo acadêmico e fora dele. Seu traço distintivo é a incorporação de conceitos de outras áreas (como Psicologia e Sociologia) à Economia para explicar as decisões financeiras dos indivíduos. Este trabalho pretende analisar os avanços recentes deste novo campo de estudos e verificar em que medida esta linha de pesquisa pode trazer contribuições para um melhor entendimento do comportamento do mercado de ações brasileiro, uma vez que ainda é escassa a literatura nacional sobre esse tema. A primeira etapa consiste em caracterizar os principais conceitos das Finanças Comportamentais, mostrando em que aspectos aqueles diferem da hipótese de mercados eficientes. Em seguida, mostra-se que as evidências encontradas em outros países também são verificadas no mercado financeiro brasileiro. Para tanto, é realizado um estudo empírico com dados do mercado acionário local, mediante técnicas que já foram utilizadas para testar essas anomalias" no mercado de capitais de outros paises. Por fim, pretende-se derivar dos avanços recentes na teoria de Finanças Comportamentais possíveis implicações sobre políticas econômicas, considerando como esses estudos podem ser relevantes para um melhor sistema de regulação e supervisão do mercado nacional de ações.
2022-12-06T14:49:38Z
Daniel Yabe Milanez
Avaliação dos ganhos de eficiência e produtividade na indústria farmacêutica brasileira: 1996-2003
O presente estudo buscou avaliar, a partir de informações da Pesquisa Anual Industrial do IBGE, a evolução da Produtividade Total dos Fatores (PTF) para a indústria farmacêutica nacional, objetivando contribuir com o debate acerca dos reajustes de preços do setor no âmbito da resolução Nº 1, de 27 de Fevereiro de 2004 da CMED. Para tanto, foram estimadas as fronteiras de produção estocásticas segundo o modelo implementado em Battese e Coelli (1995) com o emprego da Forma Flexível de Fourrier. A partir da metodologia citada acima, calculou-se os índices PTF de Malmquist para o período compreendido entre 1996 e 2003. Foram construídos seis índices distintos de produtividade para avaliar o setor. Tal construção se deveu à necessidade de se atribuir exogenamente as taxas de depreciação para o cálculo do estoque de capital. Desta forma, três hipóteses distintas (8%, 9% e 10%, seguindo valores dentro do intervalo utilizado pela literatura de ciclos reais no Brasil) foram atribuídas com o objetivo de checar a robustez dos índices. A partir deste conjunto de três séries, foram calculados índices de média geométrica (seguindo a metodologia mais popular entre os autores da literatura de índices de Malmquist) e de média ponderada (cujo peso atribuído foi a participação do Valor da Transformação Industrial de cada empresa em relação ao total do mercado). Dentre os resultados obtidos, vale destacar que, no período investigado, o setor não apresentou variações tecnológicas significativas. Os coeficientes são, numericamente próximos a zero e os índices de variação técnica variam positivamente até 1999 e, posteriormente, apresentam variações negativas que compensam o efeito positivo do período anterior. O mesmo não pode ser dito ineficiência técnica. De acordo com as equações estimadas, a ineficiência não apenas está presente, como predomina a variância do erro idiossincrático. Sua variação não apresenta um padrão decrescente nítido como a tecnologia. Entretanto, quando avaliada de maneira acumulada, os resultados mostram que, em todos os índices elaborados, houve uma perda de eficiência. Os resultados finais dos índices, obtidos a partir da variação da eficiência técnica e da variação técnica, apontam para uma perda de produtividade acumulada nos dois grupos de índices, isto é, tomando como base o ano de 1996. Desta forma, o ano de 2003 apresentou uma perda média de 8% para a média ponderada e de aproximadamente 7% na média geométrica.
2022-12-06T14:49:38Z
Igor Viveiros Souza
Teorias do imperialismo e da dependência: a atualização necessária ante a financeirização do capitalismo
Três eixos de discussão são propostos neste trabalho. O primeiro é o de que, especialmente a partir dos anos 1970-1980, dado o ganho de hegemonia da estratégia neoliberal de desenvolvimento, o capitalismo teria ingressado numa nova fase. Entre todas as teorias desenvolvidas a fim de defender esta proposta, destacam-se aquelas que dão especial atenção ao aspecto financeiro das transformações recentes na dinâmica capitalista, enfatizando a importância histórica assumida pela valorização fictícia do capital neste período. Daí emerge o segundo eixo, com a compreensão de que tal desenvolvimento do sistema capitalista - no sentido de processualidade e não de avanço - leva a uma redefinição/ampliação daqueles que seriam os traços essenciais do imperialismo contemporâneo, constituindo-se, por isso, uma nova fase do imperialismo. Neste sentido, estaríamos ainda sob as bases de um imperialismo capitalista, embora o \"imperialismo contemporâneo\" deva ser entendido como uma complexificação do \"imperialismo clássico\". Dito isto, insurge o terceiro eixo de discussão: entendendo a teoria da dependência como um complemento necessário às teses do imperialismo, se temos uma nova fase do capitalismo e uma nova fase do imperialismo, temos também, necessariamente, uma nova fase da dependência. A presente proposta de pesquisa tem como objeto, portanto, uma tentativa de perceber como a dependência, assumida na perspectiva da teoria marxista da dependência, se estabelece nos marcos dessa nova fase ou no interior da lógica de valorização capitalista atual.
2022-12-06T14:49:38Z
Marisa Silva Amaral
Ensaios em história do pensamento econômico
A presente tese de doutoramento é composta de três ensaios independentes (ainda que complementares) sobre a História do Pensamento Econômico, mais especificamente, da Macroeconomia. O primeiro ensaio - \"Uma Breve História sobre a Abordagem de Desequilíbrio na Macroeconomia\" - é uma versão revista e ampliada do artigo apresentado no XXXVIII Encontro Nacional de Economia da ANPEC em 2010 (Uma Breve História sobre a Abordagem de Desequilíbrio na Economia). Nossa argumentação vai de encontro às interpretações de Romer (1989) e Mankiw (2005) sobre a compreensão histórica daquele episódio, como também a hipótese levantada por Backhouse & Boianovsky (2005) sobre o fracasso da Macroeconomia do Desequilíbrio. O segundo ensaio se chama \"Uma Análise Histórica (e Retórica) do Discurso Doutrinário de Robert E. Lucas Jr.\". Se no primeiro ensaio argumentamos que parte do \"fracasso\" da Abordagem de Desequilíbrio deveu-se ao surgimento de um método entendido como superior pela maior parte dos economistas (o método de Lucas), neste investigamos o conteúdo daqueles artigos em que Lucas busca convencer os leitores da superioridade do seu método não a partir da comparação dos resultados obtidos por seu modelo em comparação a uma estrutura alternativa, mas sim com uma retórica polemista, fazendo uso de uma série de estratagemas retóricos. Nossa intenção é checar a validade de algumas de suas teses históricas e teóricas, bem como fazer um escrutínio dos expedientes retóricos utilizados pelo autor. O terceiro ensaio - \"Tese da Ancestralidade, Reinvenção da Tradição ou Superação Positiva? Uma Investigação sobre a \"Macroeconomia\" anterior a Keynes e as Causas do Sucesso da Teoria Geral\" - é derivada do segundo ensaio. Partimos da contraposição de hipóteses históricas de dois grandes autores da Macroeconomia sobre o estado da teoria \"macroeconômica\" anterior a Keynes, e as causas do sucesso da Teoria Geral. De um lado, Robert Lucas trata a Macroeconomia fundada por Keynes como um desvio na tradição equilibrista das análises de flutuação, cujo sucesso foi um \'feliz acidente histórico\', provocado principalmente por fatores alheios as vontades e até as simpatias de Keynes. De outro, Olivier Blanchard argumenta que o que havia antes de Keynes era uma grande diversidade de métodos e ausência de um aparato hegemônico, e o sucesso de Keynes deveu-se exclusivamente aos avanços teóricos e metodológicos apresentados naquela obra.
2022-12-06T14:49:38Z
Alexandre Flávio Silva Andrada
Experiments in the armchair: a history of microeconometrics and program evaluation at Princeton
This thesis joins the recent efforts of econometricians and historians to tell the history of microeconometrics. Because economists mostly do not have any control over the collection of the data they use in their applied analyses, econometrics became a tool of passive observations a concept that epitomizes the accountability of econometrics for nonexperimental data. In the thesis I add to that literature by connecting the rise of program evaluation in the US government with Princeton University. To do so, I discuss how, since the 1950s, economists knew that they cannot intervene in the data they analyze and have to be prepared to deal with any inherent problem of such data. Using biobliometric methods and secondary sources, I argue that microeconometrics emerged from a change in the understanding of passive observations as simultaneity to passive observations as omitted variables. Although this change may seem purely internal to econometrics, I argue that a micro history of US governmental institutions for program evaluation and Princetons Industrial Relations Section is necessary in the history of microeconometrics. I show how, in the 1970s, poverty was on the rise in the United States and economists and econometricians were more concerned with it than with the theoretical and philosophical aspect of passive observations. Within the government, program evaluation went from a qualitative topic in social sciences to a quantitative problem inside economics. In order to analyze this change, the thesis uses natural language processing methodologies, archives from the US government and oral histories of the members of the Office of Economic Opportunity. I then show how program evaluation traveled from the government to Princetons Industrial Relations Section. Looking at the grassroots of the department, I contrast the solutions of two Princeton young scholars to the problem of omitted variables, James Heckmans selection model and Orley Ashenfelters difference-in-differences estimator, to demonstrate that the clash between randomistas and structural modelers is an artifact created after those two solutions to the same problem. Evidence from bibliometrics (using the innovative methodology of related networks), primary and secondary sources demonstrates that the solutions were not concurrent in the early days of omitted variables, and that the present-day clash resulted from a change in the contexts of the two main authors. Finally, using nine interviews conducted with actors in the Industrial Relations Section of the 1970s and 1980s, the thesis analyzes how natural experiments developed gradually inside the department, without revolutions, turns or shifts. The thesis concludes showing how the ordinary business of the academic lives of Ashenfelter and his students ended up transforming economics at large.
2022-12-06T14:49:38Z
Arthur Brackmann Netto
Padrão de especialização produtiva e crescimento econômico sob restrição externa: uma análise empírica
Esta dissertação procura contribuir para literatura empírica sobre crescimento econômico restrito pelo balanço de pagamentos através da investigação de como a mudança estrutural, identificada como alterações na composição setorial das exportações e importações, afeta a intensidade da restrição externa. Para tanto, são realizados dois exercícios empíricos. O primeiro fornece evidências para a validade da Lei de Thirlwall Multissetorial para um conjunto de 90 países no período 1965-1999, baseando-se na análise do erro de previsão e do desvio médio absoluto, assim como na aplicação de um teste de regressão. No segundo, apresentam-se evidências de que o crescimento econômico brasileiro no período 1962-2006 foi compatível tanto com a Lei de Thirlwall quanto com a Lei de Thirlwall Multissetorial. As implicações da Lei de Thirlwall Multissetorial foram utilizadas, então, para explorar a relação entre estrutura produtiva, mudança estrutural e restrição externa por meio da análise da evolução das elasticidades-renda ponderadas das exportações e importações. Dadas a natureza setorial deste exercício empírico e sua possível conexão com a literatura historiográfica sobre o II Plano Nacional de Desenvolvimento (1974-1979), os resultados do trabalho foram utilizados para avaliar a contribuição dos setores para a evolução das elasticidades-renda ponderadas das exportações e importações, subsidiando, assim, o debate existente acerca do ajustamento externo promovido entre 1974 e 1984. Os resultados sugerem que a interpretação de Castro (1985), mesmo quando avaliada sob uma métrica diferente daquela utilizada pelo autor, possui fundamento empírico. Porém, faz-se necessário ressaltar a qualificação de Fishlow (1986) de que a melhoria verificada na balança comercial nos anos 1983-1984 decorre em maior medida do comportamento das exportações do que das importações.
2022-12-06T14:49:38Z
Raphael Rocha Gouvêa
Aplicações da expansão de Edgeworth à precificação de derivativos financeiros
O Objetivo deste trabalho é usar uma ferramenta matemática conhecida como expansão de Edgeworth em conjunto com a moderna teoria de análise de derivativos financeiros que utilizam o método de precificação neutra ao risco. Tal expansão permite obter uma função densidade de probabilidade com assimetria e curtose arbitrárias a partir de uma densidade normal. Desta forma, podemos usar esta nova distribuição como a state price density do ativo-objeto procurando corrigir o sorriso da volatilidade através da definição de funções de probabilidade com assimetrias positivas ou negativas e curtose maior de que três. Além disso esperamos também chegar a uma nova maneira de realizar o delta hedge de uma carteira de replicação de modo mais eficiente do que a de Black-Scholes.
2022-12-06T14:49:38Z
Ruy Gabriel Balieiro Filho
Comunicação em política monetária: uma abordagem ampliada e evidências para o Brasil
Nos últimos anos, a literatura vem destacando de forma crescente a interação entre bancos centrais (BCs) e mercados financeiros, o que é explicado principalmente pelo papel destes últimos como canal de transmissão da política monetária. Uma vez que o BC não tem controle direto sobre as variáveis financeiras que são relevantes para as decisões de consumo e de investimento do setor privado, os gestores de política têm de influenciar tais variáveis, em direção e magnitude compatíveis para que determinados objetivos sejam alcançados. Ao mesmo tempo, o BC necessita obter informações e compartilhar idéias com o setor privado. É sob esse contexto que a questão da comunicação em política monetária emerge como tema de relevância crescente. A comunicação, contudo, é um fenômeno humano e, como tal, está sujeita a limitações e à ocorrência de falhas, o que, para os propósitos da política monetária, pode gerar redução de efetividade. Esta dissertação tem como objetivo incorporar elementos da área de Comunicação, de modo que se possa avançar no entendimento dos fatores condicionantes do processo comunicacional entre BCs e mercados. Ao se avançar nessa área, os conceitos tradicionalmente utilizados para definir transparência de BCs devem ser ampliados. Um fator crucial para os resultados da comunicação é a percepção que cada parte envolvida tem em relação à outra parte e em relação à informação compartilhada. Mesmo um BC adepto das práticas comunicacionais mais modernas existentes está sujeito a resultados indesejados, caso as percepções privadas sejam distorcidas. Este estudo inova ao propor uma pesquisa de campo sob formato de questionário, cujo objetivo é captar, junto ao mercado financeiro brasileiro, sua percepção em relação à comunicação do Banco Central do Brasil (BCB). De um modo geral, não existe a percepção de que a comunicação do BCB apresenta grandes problemas. Entretanto, o questionário capta algumas informações relevantes que podem constituir sugestões de aperfeiçoamento da comunicação em política monetária no Brasil.
2022-12-06T14:49:38Z
Robson Rodrigues Pereira