RCAAP Repository
No ritmo do capital: indústria fonográfica e subsunção do trabalho criativo antes e depois do MP3
O objetivo deste trabalho é analisar criticamente as transformações pelas quais o sistema capi-talista vem passando nas relações de produção com a emergência das novas tecnologias de informação e comunicação. A apresentação leva em consideração o fato de que hoje o capital subordina a produção com uma intensidade nova e de um modo novíssimo ligado à emergên-cia do conhecimento-capital. Apoiado na tese da desmedida do valor de Prado (2005), este trabalho retoma as formas de subsunção do trabalho ao capital (formal, material e real) deriva-das d\'O Capital de Karl Marx, procurando delinear uma sequência lógica e histórica para a gênese de uma nova forma, qual seja, a subsunção intelectual do trabalho ao capital, que seria típica de um período de produção pós-grande industrial. Para explicitar mais esses processos de mudança, toma como objeto de estudo a indústria fonográfica. Esta, por depender em última instância do trabalho criativo (uma vez que é intensiva em conhecimento e inovações), vem sofrendo os efeitos da emergência das novas tecnologias de uma forma bastante negativa do ponto de vista do capital e de uma forma, talvez, muito positiva no que tange à produção e à distribuição de mercadorias de forma autônoma e independente do capital. Através de estu-dos de caso e evidências empíricas, procura demonstrar como as descontinuidades que estão presentes na indústria fonográfica, principalmente as que emergiram no século XXI, mudaram de uma vez por todas os modelos de negócios tradicionais desta indústria. Ao final demostra que, apesar de hoje em dia existir cada vez mais a possibilidade da criação de música de forma autônoma e independente, a produção de música ainda é realizada por trabalhadores que, no limite, estão subsumidos intelectualmente à relação de capital.
2022-12-06T14:49:38Z
José Paulo Guedes Pinto
The cotton trade and Brazilian foreign commerce during the industrial revolution
This dissertation provides a new interpretation for the rise and subsequent decline of Brazil as a cotton supplier to the British textile sector during the Industrial Revolution. Between 1791 and 1801, northeast Brazilachieved a market share of 40 percent in Liverpool. Contrary to what scholars previously argued,the chief cause for the rise of Brazil as a major cotton exporterwas its superior cotton fiber for the new calico and muslin textiles produced in Britain. Notwithstanding the initial success, Brazilian cotton exports stagnated after 1819. Previous interpretations argued that the decline of Brazilian cotton plantations was a result of labor shortagesand high inland transport costs. This dissertation instead provides evidence showing that cotton regions in Brazil had in fact a high density of slaves. Likewise, transport costs represented a small fraction of cotton market prices. For cotton planters, the largest economic burden was the fiscal policy implemented by the central government after 1808. The need to increase revenues led the central government to tax the most important commodities at the time. Export taxes represented the largest cost for cotton production in Brazil until the 1840s. As regional governments could not tax imports, they were left with little resources to invest in infrastructure projects that could offset the increasing costs of taxation. In the end, higher production costs reduced Brazil\'s ability to face the challenge of new competitors in the international cotton market during the nineteenth century.
2022-12-06T14:49:38Z
Thales Augusto Zamberlan Pereira
Fatores determinantes do investimento e o papel das mudanças institucionais na acumulação de capital e no crescimento do Brasil
Esta tese analisa os fatores determinantes do investimento e seus efeitos sobre o crescimento econômico das nações, em geral, e do Brasil, em particular. O foco da discussão na acumulação de capital decorre do fato de que 2/3 do crescimento econômico brasileiro foi devido a esse processo. Para avaliar a questão, a tese combina três abordagens complementares: a visão teórica, a avaliação histórica e a análise econométrica. O trabalho está dividido em duas partes: a primeira trata dos determinantes teóricos do investimento e faz a análise econométrica com dados internacionais. A segunda traz a análise do crédito e do investimento no Brasil, reunindo as abordagens histórica e econométrica. A visão teórica fundamenta a análise e define as variáveis-chave que afetam o investimento: juros, crédito de longo prazo, retorno do capital e preço dos ativos. Parte-se da visão de que as mudanças institucionais afetam o investimento porque buscam preservar o retorno dos investidores e dos bancos. A análise econométrica avalia o comportamento dos investimentos em três níveis: macroeconômico internacional, macroeconômico brasileiro e setorial brasileiro. A análise internacional considera um painel com dados de 39 economias entre 1995 e 2011. São utilizadas as técnicas de cointegração em painel conforme as metodologias de Kao (1999) e Pedroni (1999, 2004). A avaliação econométrica do agregado da economia brasileira é feita com dados anuais entre 1953 e 2013 e utiliza as técnicas de cointegração de Johansen (1995) e de Gregory e Hansen (1996), para avaliar a possibilidade de quebras estruturais. A análise desagregada é feita com base em dados de 31 setores de atividade econômica entre 1995 e 2009 e nas técnicas de cointegração em painel. Os resultados das avaliações econométricas de painel (internacional e setorial) mostram relações estáveis e positivas entre investimento, crédito e retorno do capital, e relações negativas entre investimento, taxa de juros de longo prazo e taxa real de câmbio, corroborando os princípios teóricos. Os resultados para o agregado da economia brasileira (séries de tempo) confirmam haver relações estáveis e positivas entre investimento, crédito e retorno do capital, mesmo na presença de quebra estrutural. A abordagem histórica analisa a constituição dos mecanismos de financiamento ao investimento no Brasil e suas principais alterações ao longo da história. São avaliados os papéis do crédito hipotecário, do mercado acionário, da implantação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e do Banco Nacional da Habitação (BNH) e das reformas institucionais dos anos 1960. Também são descritas as principais mudanças institucionais ocorridas nas décadas de 1990, 2000 e 2010. A interpretação histórica do contexto institucional brasileiro e os resultados das análises econométricas sugerem que as mudanças institucionais ocorridas ao longo da história econômica do país foram fundamentais para a retomada do crédito de longo prazo na economia. Elas também contribuíram para amenizar a queda do retorno do capital.
2022-12-06T14:49:38Z
Ana Lelia Magnabosco
Empresas multinacionais na indústria brasileira de alimentos
O trabalho investiga o aumento da participação de investimentos estrangeiros diretos (IED) na indústria brasileira de alimentos. Além de conferir ao Brasil importante papel em atrair IED para o Mercosul, esse fluxo de investimento tem causado importantes modificações no arranjo industrial brasileiro. Aumento da concorrência, novas estratégias, mudanças no número de pessoal ocupado na indústria são alguns dos resultados mais marcantes. Investigar as razões de entrada, encontradas principalmente nas características do mercado brasileiro, os impactos na indústria local e sinalizar os efeitos de longo prazo dessas mudanças recentes são o objetivo principal deste trabalho.
2022-12-06T14:49:38Z
Claudia Assunção dos Santos Viegas
Sobre as cinzas do cativeiro: educação, trabalho e terra entre ex-escravos e descendentes após a abolição no oeste paulista
No início do século XX, a economia cafeeira no Oeste paulista ainda vivia um momento de prosperidade, mantendo elevada demanda por mão de obra. A combinação da conjuntura econômica com o arrefecimento do ritmo da imigração europeia, em relação aos patamares observados na década de 1890, criou um cenário de relativa escassez de trabalho. A posição de barganha mais favorável dos trabalhadores, levou a uma melhoria contratual e melhores oportunidades no mercado de trabalho, inclusive para ex-escravos e descendentes. Dessa forma, beneficiando-se do bom momento da economia, a população negra foi capaz de matricular seus filhos em escolas primárias, alçar melhores posições no mercado de trabalho e ter acesso à propriedade de terra. Mostra-se que, 20 anos após a Abolição, os indicadores socioeconômicos da população negra não divergiam significativamente dos indicadores observados para imigrantes de primeira geração. Argumenta-se, no entanto, que havia diferenças relevantes entre as duas populações, particularmente demográficas e educacionais. Famílias imigrantes eram maiores que as famílias negras brasileiras e a mulher imigrante tinha uma maior taxa de fertilidade. Essas diferenças demográficas deram maiores possibilidade de acumulação de capital no âmbito familiar entre imigrantes, mesmo na ausência de diferenças na produtividade do trabalho e renda per capita entre imigrantes e negros. Por outro lado, embora houvesse pouca diferença nas taxas de matrícula em educação primária, havia diferenças relevantes no estoque de educação, em favor de famílias imigrantes. Em uma economia essencialmente rural, a vantagem educacional de imigrantes pode ter produzido efeito econômico limitado, dada a baixa complementaridade entre capital humano e trabalho agrícola. Posteriormente, a combinação de urbanização e industrialização pode ter mudado o perfil da demanda por mão de obra, beneficiando desproporcionalmente populações mais educadas. Dessa forma, ao lado de fatores já destacados pela literatura como racismo e violência, diferenças na demografia e no estoque de educação ajudariam a explicar as desigualdades observadas entre descendentes de imigrantes e descendentes de escravizados. Ao indicar a condição de relativa igualdade material entre negros e imigrantes no início do século XX, argumenta-se que as causas para desigualdades entre afrodescendentes e descendentes de imigrantes devem ser encontradas em período posterior a 1900.
2022-12-06T14:49:38Z
Lucas Cavalcanti Rodrigues
Origens e evolução da indústria de máquinas e equipamentos em São Paulo 1870-1960
Esta tese trata das origens e evolução da indústria de máquinas e equipamentos em São Paulo entre 1870 e 1960. As motivações para a pesquisa foram as lacunas na historiografia da industrialização brasileira sobre as origens e evolução da indústria de bens de capital produtora de máquinas e equipamentos. As questões geralmente investigadas pela literatura foram a dependência da importação de máquinas e equipamentos pelo Brasil, baixa participação da indústria de máquinas e equipamentos na indústria de transformação brasileira e a necessidade de implantação de uma indústria de bens de capital pesada com adaptação de tecnologia avançada devido ao seu desenvolvimento tardio. Argumentamos nesta tese que apesar dessas questões serem importantes, seu foco de análise contribuiu para limitar o entendimento da nascente indústria de máquinas e equipamentos nacional, com participação de imigrantes e fazendeiros no final do século XIX. Ao longo do trabalho demonstramos que os efeitos da Primeira Guerra Mundial contribuíram para a redução na importação de máquinas e o aparecimento de várias pequenas empresas, geralmente pequenas oficinas e fundições para reparar as máquinas importadas. Os efeitos mais expressivos sobre o número de empresas fundadas foram de curto prazo, pois muitas das empresas permaneceram ativas por pouco tempo, mas mostramos casos de empresas que surgiram nesse período, cresceram e se desenvolveram, algumas operando até 1960. Os efeitos da Primeira Guerra Mundial foram favoráveis às empresas maiores, principalmente às sociedades anônimas, com a diminuição da concorrência em segmentos mais especializados devido às menores importações de máquinas do exterior. Também mostramos que os efeitos da crise de 1929 afetaram negativamente a indústria de máquinas e equipamentos paulista, mas apresentamos evidências que a diversificação da produção de máquinas para a indústria acelerou-se na década de 1920 e não foi resultado da crise. A recuperação da indústria de máquinas e equipamentos foi rápida e no final da década de 1930 a indústria se modernizou, iniciando a produção regular de máquinasferramenta. Apresentamos dois estudos de caso que ilustram que a indústria de máquinas e equipamentos teve sua origem no final do século XIX, passou por transformações nas décadas de 1920 e 1930 e se fortaleceu na década de 1940. Assim, nossos resultados divergem da periodização mais aceita da industrialização brasileira, que reconhece a importância da indústria de máquinas e equipamentos e de bens de capital somente após a década de 1950.
2022-12-06T14:49:38Z
Michel Deliberali Marson
Ensaios sobre política fiscal: perspectivas histórica, teórica e empírica
Esta tese tem como foco a política fiscal no longo prazo e é composta por quatro ensaios. O objetivo do primeiro ensaio é compreender o papel da política fiscal em trajetória histórica, de 1970 aos anos recentes, conhecer os fatores que a influenciam e dar base para a análise empírica do segundo ensaio. Assim, os ensaios I e II estão diretamente conectados e compõem a primeira parte da pesquisa. O objetivo do ensaio II é investigar, utilizando a metodologia de componentes não observáveis e a análise de cointegração de Johansen (1988), o padrão da política fiscal discricionária brasileira em relação aos termos de troca e ao nível de atividade, entre 1991 e 2014. O objetivo do ensaio III é analisar, através de um modelo que utiliza Lewis (1954) e que considera um ambiente de economia dual, o impacto da política fiscal no desenvolvimento econômico. O objetivo do quarto ensaio é investigar para grupos de países, através de técnicas de GMM (Generalized Method of Moments) duas possíveis não linearidades: entre política fiscal e crescimento econômico e entre padrão de política fiscal e termos de troca. Os principais resultados são: há uma relação de longo prazo entre as variáveis saldo fiscal estrutural, produção industrial (proxy para o PIB) e os termos de troca; a política fiscal brasileira é pró-cíclica em relação ao nível de atividade econômica, mas contracíclica em relação aos termos de troca; há uma armadilha de desenvolvimento-fiscal; o impacto da política fiscal no crescimento econômico é não linear; há uma relação na forma de U invertido entre gastos públicos em investimento e crescimento econômico, para os países de renda baixa (LIC) e entre o padrão da política fiscal e os termos de troca, para os países de renda alta (HIC). Finalmente, os resultados para o padrão da política fiscal convergem para o consenso de que os países em desenvolvimento adotam políticas pró-cíclicas e os desenvolvidos contracíclicas.
2022-12-06T14:49:38Z
Carlândia Brito Santos Fernandes
Dominância fiscal e a regra de reação fiscal: uma análise empírica para o Brasil
Este trabalho tem como objetivo testar a hipótese de dominância fiscal, bem como estimar uma regra de reação fiscal para o Brasil, e é desenvolvido em duas partes. Na primeira parte investiga-se a existência de dominância fiscal no Brasil a partir de 1999 ? ano em que se inicia a fixação de metas de superávit primário pelo governo ? através de função resposta ao impulso. O resultado obtido indica que não ocorre o fenômeno da dominância fiscal no período analisado. Na segunda parte analisa-se se o comportamento da autoridade fiscal do Brasil pauta-se em alguma regra de reação fiscal. Pretende-se aferir se o governo reage a variações no nível da dívida ajustando o resultado primário, de modo a garantir a sustentabilidade da razão dívida/PIB e permitir que a política monetária seja eficaz. Para o período anterior à fixação de metas de superávit primário (1995-1998) não é possível definir uma regra de reação fiscal, pois o superávit primário não responde a mudanças na dívida pública. Para o período posterior (1999-2006), entretanto, conclui-se que o governo segue uma regra de reação fiscal, denotando preocupação em evitar a dominância fiscal, embora a especificação da regra seja distinta para os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula.
2022-12-06T14:49:38Z
Marianne Thamm de Aguiar
Incentivos e risco moral nos planos de saúde no Brasil.
A presente dissertação analisa como a ausência de incentivos adequados no seguro saúde ocasiona o surgimento do fenômeno conhecido como risco moral e suas conseqüências na determinação da demanda de serviços médicos. O trabalho envolve a revisão da literatura e a estimação de um modelo econométrico que avalia a efetividade dos mecanismos de regulação no controle do risco moral por parte do paciente. A principal conclusão é que o risco moral por parte do paciente é importante para os serviços ambulatoriais, mas não ocorre nos serviços hospitalares.
2022-12-06T14:49:38Z
Anderson Eduardo Stancioli
Efeitos do Programa Bolsa Verde sobre o desmatamento: uma análise sobre os assentamentos da Amazônia Legal
O aumento da quantidade de assentamentos na Amazônia Legal é uma questão central para as políticas de combate ao desmatamento. A distribuição de terras e a promoção da agricultura familiar têm estimulado a produção e a densidade populacional local, o que tem sido apontado como uma causa da queda da cobertura florestal da região. Diante deste cenário, este trabalho tem o objetivo de analisar os efeitos do Programa Bolsa Verde no combate ao desmatamento, especificamente, para os assentamentos na Amazônia Legal. A análise, entre os anos de 2002 e 2017, mostra que o programa não obteve grande êxito na proposta ambiental e, pelo contrário, gerou um ligeiro aumento no valor médio do incremento do desmatamento municipal de 14 km2 para os todos os municípios do bioma Amazônia e 22 km2 para o Pará. Apenas com a exclusão do estado do Pará das estimações , o desmatamento é evitado em 49 km2. A criação de assentamentos não revelou-se como um grande problema para desmatamento a região, apenas com impacto significativo quando considerado os territórios dos municípios paraenses.
2022-12-06T14:49:38Z
Renata Muniz do Nascimento
O papel da inovação, diversificação e vizinhança setorial no desenvolvimento industrial recente do Brasil
A indústria de transformação é formada por um conjunto de setores com grande potencial para estimular o crescimento econômico, sobretudo de países em desenvolvimento, como o Brasil. Vários fatores definem as condições produtivas e tecnológicas do país, como a inovação tecnológica, a diversificação produtiva e a proximidade setorial (cognitiva e tecnológica), os quais também podem se diferenciar de acordo com os setores de atividade. Para compreender as características recentes da indústria de transformação brasileira esta tese procura responder algumas questões: i) as empresas que realizaram cooperação para inovar no Brasil apresentaram perfil distinto daquelas que inovaram sem cooperar? ii) o esforço inovativo realizado por empresas nacionais e estrangeiras é similar? iii) os subsetores da manufatura brasileira são diversificados e possuem desempenho econômico superior em relação aos não diversificados? iv) há um padrão de diversificação entre os subsetores? v) existe uma relação de proximidade produtiva e tecnológica entre os setores industriais que pode ser confirmada a partir das habilidades dos trabalhadores? Essas perguntas ajudarão a entender melhor algumas questões ainda não exploradas pela literatura brasileira com o grau de detalhamento explorado nesta tese. Para tanto, foram obtidas algumas tabulações especiais da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) e da Pesquisa Industrial Anual Empresa (PIA-Empresa) para anos recentes. Também criou-se um índice para captar habilidades produtivas e tecnológicas relacionadas às ocupações dos trabalhadores, que foi utilizado em uma nova aplicação de modelos econométricos espaciais para medir a proximidade cognitiva e tecnológica. O detalhamento dos dados solicitados resultou em informações inéditas que permitem fazer algumas avaliações conclusivas sobre o desempenho recente da manufatura brasileira nos temas abordados. Primeiro, empresas que cooperaram para inovar apresentaram um esforço inovativo muito superior às que não cooperaram, independente da origem do capital e da categoria tecnológica, sendo que o fato de cooperar foi mais decisivo para diferenciá-las que a origem do capital. Segundo, os subsetores com plantas produtivas industriais diversificadas possuem desempenho produtivo superior frente àqueles não diversificados. Há um padrão de diversificação da produção em que subsetores tendem a diversificar mais intensamente para dentro do mesmo grupo setorial, enquanto apenas os subsetores mais tecnológicos diversificam para grupos setoriais mais distantes. Terceiro, foi encontrado um padrão em que setores que possuem trabalhadores com habilidades produtivas e tecnológicas tendem a ter em sua vizinhança setores com as mesmas características, e isso permite que efeitos econômicos transbordem para sua vizinhança. Assim, os resultados apontaram que algumas características da indústria de transformação brasileira quanto à inovação, diversificação e proximidade setorial podem ser reforçadas a fim de obter melhor desempenho econômico. Esforços inovativos podem ser ampliados ao estimular empresas inovadoras a realizarem cooperação para inovar. O desempenho dos subsetores pode ser aperfeiçoado ao ampliar a diversificação das plantas produtivas. E ainda, pode-se produzir efeitos positivos sobre a economia de forma mais ampla ao focalizar ações para setores que possuam uma rede de vizinhança mais densa e que demandam habilidades produtivas e tecnológicas
2022-12-06T14:49:38Z
Milene Simone Tessarin
Liberalização comercial e diferenciais de salários entre grupos de ocupações em São Paulo e Recife
O objetivo desta dissertação é retomar a controvérsia em torno dos efeitos da liberalização comercial sobre o mercado de trabalho brasileiro, em especial os diferenciais de salários entre trabalhadores qualificados e não qualificados na indústria de transformação em 1995 e 1999. Após uma adaptação da decomposição de Oaxaca-Blinder (OB), encontramos evidências, para o Brasil como um todo e para a região metropolitana de São Paulo, de que o diferencial de salário aumentou, em benefício dos trabalhadores qualificados. Considerando a hipótese de que o Brasil é um país com abundância de trabalho não qualificado e intensivo neste fator, este resultado é oposto à premissa teórica do modelo Heckscher-Ohlin e Stolper-Samuelson (HOS) e suas variantes, de que a abertura de um país em desenvolvimento, ou intensivo em trabalho não qualificado, tende a diminuir a desigualdade. Do outro lado, encontramos evidências para a região metropolitana de Recife, de que o diferencial salarial entre trabalhadores qualificados e não qualificados diminuiu após a liberalização comercial, corroborando com a premissa teórica do modelo HOS e suas variantes. Entretanto, este resultado não deve, evidentemente, ser estendido para o Brasil, ilustrando assim diferenças regionais e estruturais não negligenciáveis do mercado de trabalho por região da Federação.
2022-12-06T14:49:38Z
Valente José Matlaba
Crimes nos municípios paulistas: um estudo acerca dos condicionantes sócio-econômicos e demográficos que contribuem para maior criminalidade e quais os efeitos das diferentes políticas municipais de segurança para o combate à criminalidade
A criminalidade é fonte geradora de externalidades negativas para economia e geradora de perda de bem estar social sob vários aspectos. Estudos no Brasil tem abordado com maior freqüência os custos diretos da criminalidade em termos de perdas patrimoniais e de capital humano com crimes. Este trabalho traz uma contribuição adicional com a análise da efetividade de quatro políticas públicas distintas implementadas em municípios paulistas a partir da segunda metade da década de noventa. Além da melhora de aspectos sócio-econômicos, os municípios paulistas perceberam que podem implementar políticas de segurança complementares ao trabalho estadual e federal para contenção da violência. Disque Denúnica, Lei Seca, Guardas Municipais e Secretaria de Segurança Pública Municipal são exemplos de políticas de segurança implementadas nos municípios paulistas e que se mostraram, em alguns casos, efetivas para o controle dos diferentes tipos de crimes. São utilizadas estimações em cross section e em forma de painel com variáveis de intervenção (dummies) para cada política de segurança e são avaliados os efeitos sobre o grupo de municípios tratado vis-á-vis o grupo de municípios de controle para avaliar o efeito de cada uma das políticas e sob quais crimes agem de forma mais efetiva.
2022-12-06T14:49:38Z
Estevão Augusto Oller Scripilliti
Coordenação do sistema agroindustrial da carne bovina: determinantes dos arranjos contratuais entre produtores e processadores no Uruguai
Quais os determinantes da escolha do arranjo contratual nas transações entre produtores e processadores de carne bovina no Uruguai? A pergunta problema se insere no estudo dos mecanismos de coordenação associados ao problema do controle da produção para dar respostas às novas preocupações e demandas dos consumidores. A coordenação do sistema agroindustrial (SAG) da carne bovina uruguaia adquire maior relevância, não apenas para dar garantias de produtos seguros e com atributos específicos de qualidade aos consumidores, mas também para reagir rapidamente frente a mudanças e para explorar as oportunidades que o acesso a mercados de alto valor oferece (exporta-se 75% da produção). Coexistem diversos arranjos contratuais, dentre os quais o arranjo direto e via intermediário são os dominantes. Abordagem teórica: Economia dos Custos de Transação que focaliza a compreensão dos motivos que explicam a emergência e adaptação de arranjos contratuais em resposta aos desafios de ganhos de eficiência ?economizando? nos custos de realização das transações entre os agentes econômicos. Método: Foram analisadas as mudanças no ambiente institucional e organizacional nos mercados finais e no Uruguai; as novas oportunidades e estratégias no SAG da carne bovina; e o SAG uruguaio desde o consumo à produção. De modo particular, analisou-se a transação produtor-processador no que se refere aos arranjos contratuais existentes e às dimensões da transação (especificidade dos ativos físicos e humanos envolvidos na produção e processamento, locacional, freqüência e incerteza). Foram identificados os determinantes da escolha dos arranjos contratuais dominantes (direto e via intermediário). Por último realizou-se um teste estatístico das relações causais identificadas com painel de dados do total das transações realizadas no Uruguai (77.000 transações, 2004/2005). Resultados: Encontrou-se relação estatisticamente significativa entre a escolha do arranjo contratual na transação produtor-processador e os determinantes identificados. Uma transação tem maior probabilidade de se alinhar com o arranjo contratual direto (mais coordenado) quanto maior o grau de especificidade dos ativos envolvidos na produção e processamento do produto transacionado (ex.: novilhos precoces), quanto menor a distância entre o produtor e o processador, e quanto maior a freqüência das transações entre as partes envolvidas. O arranjo contratual direto facilita a coordenação das transações que envolvem produtos com atributos de maior qualidade. Os intermediários apresentam vantagens em transações de produtos genéricos (menor grau de ativos específicos) e com baixa freqüência de transação entre o produtor e processador envolvido. A busca por qualidade envolve investimentos específicos na produção e processamento e, em conseqüência, maior dependência bilateral entre os agentes dessas atividades. A dinâmica do SAG e o negócio da carne bovina dependem de dois conjuntos de produtos -baixa e alta qualidade- ligados a mercados diferentes. O subsistema que orienta as estratégias na busca de produtos de maior qualidade envolve arranjos mais coordenados. Do presente trabalho decorrem implicações para os atores do SAG e para as políticas públicas setoriais em torno a uma ?estratégia país? com foco em produtos cárnicos de alta qualidade e valor.
2022-12-06T14:49:38Z
Mario Pablo Mondelli Delgado
A redução do trabalho infantil e o aumento da freqüência escolar na década de 90 no Brasil
Os anos noventa no Brasil foram marcados pela simultânea queda do trabalho infantil e aumento da freqüência escolar. Este estudo se propôs a investigar as causas desses fenômenos. Mais especificamente, buscou-se testar a importância relativa de três hipóteses para a explicação conjunta dos movimentos, quais sejam: mudanças no background familiar, em particular, o aumento generalizado da escolaridade dos pais das crianças e adolescentes; a deterioração do mercado de trabalho infantil e mudanças em variáveis educacionais. Para tanto, foram utilizados dados oriundos da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que se caracterizam por apresentar a estrutura de um painel rotativo. O desenho da pesquisa é tal que uma mesma família é entrevistada em dois anos consecutivos. Para modelar o problema de decisão das famílias no tocante à alocação do tempo das crianças entre a escola, o trabalho (ou ambos) e o lazer (não trabalho e não escola), foi utilizado o modelo Logit Multinomial. Através da aplicação de uma modificação da técnica de Oaxaca-Blinder, verificou-se que as mudanças na probabilidade de uma criança (ou adolescente) trabalhar ou freqüentar a escola (ou ainda não estudar e não trabalhar) estão mais associadas a mudanças nas variáveis explicativas (características observáveis) do que nos coeficientes estimados (características não observáveis). Além disso, o fenômeno parece estar mais associado a mudanças em variáveis educacionais, como o aumento da escolaridade dos professores do ensino público, e mudanças no background familiar. Ainda mais importantes, no entanto, parecem ser as mudanças na distribuição da alocação do tempo da criança na 1ª entrevista (primeiro ano). Argumentou-se que, ao se estar controlando pelo estado de aprovação/reprovação e distorção idade/série, o resultado poderia estar associado a políticas educacionais de combate à reprovação e evasão escolar (assumindo que a queda nas taxas de reprovação foi resultado de tais políticas).
2022-12-06T14:49:38Z
Fernanda Cabral Santos
Dívida pública e risco-país: um estudo acerca dos componentes não observados dessa relação
A relação entre Risco País e Dívida Pública pode ser expressa pelo próprio conceito atribuído ao termo Risco País, qual seja, a probabilidade de inadimplência de uma economia. Em outras palavras, esse busca refletir o grau de confiança dos agentes quanto à situação econômica de um país, fator esse importante para a propensão ao default. Dentro desse contexto, seria natural esperar que aumentos na relação Dívida/PIB elevassem a percepção de risco de uma economia, dado que sinalizam a diminuição da sua capacidade de pagamento. No entanto, principalmente entre os países emergentes, o comportamento acima nem sempre é verdadeiro, sendo o caso brasileiro um exemplo recente de que a relação observada nem sempre é direta. A maior parte dos trabalhos sobre esse assunto se concentra em tentar explicar o comportamento de longo prazo da trajetória de endividamento fiscal ou se restringem a abordar a Dívida Pública como uma variável explicativa chave do termo de Risco. Logo, existe uma lacuna a ser explorada nessa literatura dado que é possível argumentar a favor da presença de fatores não observáveis diretamente e que atuam na dinâmica dessas duas variáveis. Assim, nesse estudo defende-se a hipótese da existência de fatores não observáveis e externos aos fundamentos da economia capazes de alterar a percepção de risco dos agentes, e o próprio contexto de promoção de políticas fiscais. O grau de otimismo que influência as ações dos agentes econômicos é um desses fatores não observáveis. Diante do exposto, o objetivo dessa dissertação consiste em analisar a presença desses componentes na dinâmica do Risco-País e da Dívida Pública para a economia brasileira por meio da aplicação de modelos na Forma de Espaço de Estado (State Space Model) e estimação dos componentes via os estimadores recursivos de Filtro de Kalman e de Suavização. Tanto no estudo da relação Dívida/PIB como do Risco-País, os resultados apontam a presença de fatores não explicados integralmente pelas variáveis explicativas e que alteram o comportamento das séries, principalmente em momentos de maior turbulência, como no episódio do ataque de 11 de setembro em 2001 ou na eleição presidencial do Brasil em 2002. A análise desses componentes oferece um indício interessante sobre quando a economia brasileira está mais vulnerável ou não aos impactos de fatores externos ao controle governamental.
2022-12-06T14:49:38Z
Keiti da Rocha Gomes
Restrição ao crédito para empresas com ações negociadas em bolsa no Brasil
O intento do trabalho é verificar se empresas com ações negociadas na Bovespa enfrentam restrição ao crédito. A análise de painel com base em dados de balanço patrimonial para o período de 2001 a 2005 revelou que, diferentemente do que se esperava, empresas de grande porte apresentam maior dependência dos fluxos de caixa para efetivar seus investimentos. Todavia, há argumentos teóricos na literatura que fundamentam esses resultados, bem como outras evidências empíricas semelhantes.
2022-12-06T14:49:38Z
Rafael Nascimento Bisinha
Análise econômica de sistemas educativos : uma resenha crítica da literatura e uma avaliação empírica da iniqüidade do sistema educativo brasileiro.
Esta dissertação de mestrado consiste de uma resenha crítica da teoria econômica da educação no que se refere à análise de sistemas educativos, e de um estudo empírico do desempenho do sistema educativo brasileiro, com ênfase em indicadores de iniqüidade. Procura-se apresentar a evolução e o estado atual do debate relacionados aos seguintes assuntos: demanda por educação, oferta de educação (insumos monetários e não-monetários), arranjo institucional do sistema educativo, arranjo institucional sócio-econômico (em que se insere o sistema educativo), e os produtos do sistema educativo. Por fim, por meio da análise estatística de uma base de dados internacional (PISA 2000), apresenta-se um estudo empírico que visa a avaliar o desempenho do sistema educativo brasileiro, especialmente seu grau de iniqüidade.
2022-12-06T14:49:38Z
Fabio Domingues Waltenberg
Modelos de duração aplicados à sobrevivência das empresas paulistas entre 2003 e 2007
Este trabalho apresenta as principais causas para a mortalidade das empresas paulistas criadas entre 2003 e 2007 a partir de base de dados cedida pelo SEBRAE-SP para o desenvolvimento dessa pesquisa. A amostra final, construída a partir de dados disponibilizados pela primeira vez para estudos desta natureza, contou com 662 empresas e 33 variáveis coletadas por meio de questionário aplicado diretamente às próprias empresas. A análise consistiu no teste de modelos econométricos, baseados na literatura dos modelos de duração, de forma a traduzir quais fatores são mais críticos para a sobrevivência das empresas a ponto de distingui-las em dois grupos: o das empresas vencedoras, cuja longevidade está pautada em ações que promovem ganhos de produtividade e eficiência, e aquelas desprovidas dessas ações e que muito provavelmente deixarão o mercado. Os três tipos de modelos abordados neste trabalho - não paramétrico, semi-paramétrico (riscos proporcionais) e paramétrico - apresentaram resultados similares, sendo que na abordagem de riscos proporcionais os resultados foram segmentados por tamanho e setor de atuação das empresas. Para as micro empresas, a idade do empreendedor e a iniciativa em investir na qualificação da mão de obra dos funcionários mostraram-se importantes mitigadores do risco de falha desse grupo de empresa, enquanto que para as pequenas empresas, a inovação em processos e a elaboração de um plano de negócios se destacaram dentre o conjunto de variáveis. Entre empresas dos setores de comércio e serviços, as empresas do primeiro grupo que faziam o acompanhamento das finanças (fluxo de caixa) apresentaram menor risco de falhar. Para aquelas do setor de serviços, a idade do empreendedor, o investimento em qualificação dos funcionários e o tamanho da empresa ao nascer foram importantes para reduzir o risco de falha no tempo. Outro resultado encontrado, por meio do modelo paramétrico utilizando distribuição Weibull, foi que o risco de a empresa deixar o mercado mostrou-se crescente, pelo menos nos cinco primeiros anos de existência da empresa. Entretanto, esse resultado não deve ser generalizado para períodos de tempo maiores que cinco anos.
2022-12-06T14:49:38Z
André Luis Pavão
Dimensões regionais da mortalidade infantil no Brasil
O desenvolvimento pode ser estudado sob diversas perspectivas. Dentre estas, destaca-se a de Amartya Sen, na qual o objetivo maior de uma política de desenvolvimento é o de expandir a liberdade de escolha dos indivíduos. Partindo da ideia de ampliação das capabilities, define-se uma das dimensões consideradas como essenciais, a saúde, mais especificamente a mortalidade infantil, como objeto de estudo. Um dos papéis do Estado deve ser o de garantir a provisão de serviços de saúde para todos os indivíduos, já que ela pode ser classificada como um bem meritório. Em busca dos determinantes do padrão regional recente da mortalidade infantil no Brasil, utiliza-se o modelo de determinantes proximais proposto por Mosley e Chen (1984), no qual os fatores socioeconômicos influenciam indiretamente o resultado observado da variável de interesse. No Brasil, houve uma redução expressiva dos níveis de mortalidade infantil nas últimas décadas, mas ainda assim persiste uma intensa desigualdade regional. Com o objetivo de comparar os resultados alcançados localmente no país, é necessário incluir a dimensão espacial em um modelo econométrico para que os problemas decorrentes da dependência espacial possam ser evitados. Após utilizar o filtro espacial para tanto, estimando cross-sections para 1980, 1991 e 2000, o trabalho conclui que a infraestrutura de saúde, enquanto medida pelo número de leitos e de estabelecimentos perdeu importância na explicação do padrão da mortalidade infantil ao longo do tempo. Em contrapartida, as variáveis socioeconômicas tornaram-se mais relevantes e significativas. A implicação mais direta disso é que futuras políticas devem buscar melhorar o acesso das famílias aos serviços públicos de saneamento, reduzir a pobreza e a desigualdade e aumentar o nível educacional da população. Ou seja, o estímulo à prevenção familiar contra problemas que possam ocasionar a morte prematura torna-se cada vez mais essencial.
2022-12-06T14:49:38Z
Ana Maria Bonomi Barufi