RCAAP Repository

O sentido de aprendizagem escolar para jovens de meios populares

A pesquisa busca reunir contribuições de estudantes de meios populares para as práticas pedagógicas a partir da investigação de suas relações com o saber escolar. O trabalho foi desenvolvido com base no pensamento de Charlot, especialmente suas formulações sobre leitura positiva, fracasso escolar e mobilização para o saber, e teve como principal objetivo investigar quais relações os estudantes do Ensino Fundamental, entre 11 e 15 anos, estabelecem com os saberes escolares. A pesquisa teve como referência metodológica o Grupo Dialogal. Para dar voz aos sujeitos participantes, constituiu-se um Grupo Dialogal com 15 estudantes moradores da favela da Mangueira (RJ), com renda média familiar de um salário-mínimo, com frágeis relações com suas escolas e a sociedade. Foram realizados cinco encontros ao longo de 14 meses. Os campos teóricos foram estruturados em torno dos temas os jovens e o saber, os sentidos do estudar e as práticas pedagógicas. Buscou-se compreender o estudante como sujeito de direito, como parte integrante de um processo e não como alguém que necessita à escola para torna-se alguém. Os conhecimentos escolares foram compreendidos a partir de um diálogo com as ideias de Sousa Santos a respeito de ciência no plural, de Cunha e Cancline sobre o conceito de cultura. Esses conceitos foram entendidos como campo de trocas e relações entre grupos e não como categorias identificadoras de grupos sociais. As práticas pedagógicas foram compreendidas a partir das contribuições de Franco, para quem as condutas educativas marcadas por posturas autoritárias não são pedagógicas, pois estas dependem de uma intencionalidade conduzida exclusivamente pela crítica reflexiva, que é substancialmente democrática. O material reunido na pesquisa foi dividido em três categorias: relações com os professores e a escola; relações consigo mesmo; e relações com os conhecimentos escolares. Os resultados apontaram para a necessidade de revisões conceituais e práticas, pois os estudantes relataram uma experiência com o saber que só pode ser compreendida se posta ao avesso, uma vez que se tornou evidente que participam de processos de ensino-aprendizagem e não aprendem. A vivência de condições discriminatórias dentro das escolas também foi indicada como obstáculo à aprendizagem. Os estudantes afirmam que para aprenderem precisam de relações coordenadas pelo diálogo e respeito a cada um, precisam participar do cotidiano da escola. O investimento na participação de estudantes na vida escolar é fator que impacta a aprendizagem, conclui a pesquisa. Estudantes vivenciam nas escolas condições muito contraditórias e esta pesquisa buscou identificá-las.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Sueli de Lima Moreira

Alfabetização em biologia na educação de jovens e adultos

O presente trabalho é um estudo de caso do CEEJA Dona Clara Mantelli, por possuir uma proposta curricular singular na cidade de São Paulo. A importância da Biologia para a formação do cidadão é parte essencial do trabalho. O objetivo principal dessa investigação foi o de analisar se os estudantes da educação de jovens e adultos dessa proposta metodológica de ensino diferenciada de ensino supletivo podem atingir níveis cognitivos mais complexos de aprendizado dos conteúdos da disciplina Biologia. A sequência metodológica consistiu de três momentos. No primeiro Momento foram entrevistados quarenta e três alunos que cursavam o ensino médio em 2010 e responderam ao primeiro instrumento de pesquisa que atingia questões relativas ao conhecimento da clientela da escola, sua relação com o currículo e a disciplina Biologia. Ainda nesse momento, houve a entrevista com o Dirigente da escola que respondeu sobre a comunidade escolar. O enfoque do segundo momento foi dirigido às professoras e a visão sobre o currículo. O terceiro Momento aconteceu em 2011 e procurou se aproximar dos diferentes níveis cognitivos que quarenta e oito alunos poderiam atingir frente aos vinte conteúdos de Biologia que foram previamente selecionados. As principais conclusões apontaram para o significado da alfabetização em Biologia na vida do aluno jovem e adulto que participou desse programa, entre elas que a concepção desse curso ainda é antropocêntrica, embora os cursos da atualidade estejam preocupados em se dirigir para uma visão mais ecocêntrica da Biologia. O espaço de leitura se mostrou essencial para o desenvolvimento do autodidatismo desse modelo de curso. A disciplina Biologia favorece a inserção do sujeito na vida cidadã e contribui para seus direitos humanos sejam assegurados. As oficinas de Biologia se mostraram eficientes com os três temas selecionados: Botânica, microscopia e Genética, possibilitando aos alunos durante o processo, atingir níveis cognitivos mais complexos de compreensão sobre os assuntos da disciplina.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Marilize Crepaldi

Da Escola Técnica de Curitiba à Escola Técnica Federal do Paraná: projeto de formação de uma aristocracia do trabalho (1942-1963)

Este trabalho tem como objetivo analisar o projeto de criação de uma aristocracia do trabalho a partir do ensino industrial, através do estudo de caso da Escola Técnica de Curitiba, posteriormente Escola Técnica Federal do Paraná, entre os anos de 1942 a 1963. Num primeiro momento, faz-se um breve apanhado da citada instituição quando era Escola de Aprendizes Artífices do Paraná, considerando que a concepção de ensino então desenvolvida era destinada aos desfavorecidos da fortuna, portanto direcionada principalmente para a disciplinarização das chamadas classes perigosas. Mas ao longo da década de 1920 e de 1930, tal concepção foi sendo modificada, até que em 1942, com a Lei Orgânica do Ensino Industrial, consolidou-se a idéia de formação de uma aristocracia do trabalho pela via do ensino industrial. Essa elite ocuparia postos no setor fabril que exigissem uma maior qualificação, acompanhando o processo de desenvolvimento industrial do Brasil, não bastando, porém, um melhor adestramento técnico, mas que fosse bem disciplinada, através de um processo educacional marcado pela presença intensiva de conteúdos de moral e civismo, notadamente durante o Estado Novo (1937-1945), servindo assim de exemplo para a classe trabalhadora como um todo. O pós-guerra foi marcado pela Guerra Fria e pela influência cada vez maior do american way of life na vida brasileira. A presença da Comissão Brasileiro-Americana de Educação Industrial (CBAI), programa de cooperação firmado entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos em 1946, veio caracterizar esse momento no ensino industrial do país, através da adoção de métodos sistemáticos na formação de docentes para esse ramo do ensino, baseados na Racionalização Científica. A fim de dinamizar o treinamento dos professores, a CBAI criou, em 1957, o Centro de Pesquisas e Treinamento de Professores (CPTP), na Escola Técnica de Curitiba, cuja função era preparar docentes para atuarem nas escolas industriais e técnicas de todo o Brasil, de forma a capacitá-los para a tarefa de formação da aristocracia do trabalho. Em 1963 o acordo entre a CBAI e o governo brasileiro não foi renovado, e o Centro encerrou suas atividades no ano seguinte. A Lei nº 3.552/59 estabeleceu uma reforma no ensino industrial, fixando um curso único de 1º Ciclo com finalidade propedêutica para os cursos técnicos de 2º Ciclo. A Lei de Diretrizes e Bases de 1961 promoveu a equivalência entre o ensino técnico e o ensino secundário. Tais modificações, ligadas à nova etapa vivida pela industrialização, inclusive em relação às demandas do mercado de trabalho, aliadas à possibilidade de chegar ao ensino superior ao mesmo tempo em que se obtém uma formação de nível médio em escolas de elevada qualidade de ensino, promoveram alterações no perfil dos alunos que procuravam o ensino industrial, que gradativamente foi sendo ocupado por estudantes originários da classe média, deixando de ter validade a concepção de formação de uma aristocracia do trabalho exclusivamente a partir da classe trabalhadora.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Mario Lopes Amorim

A atividade de ensino de história: processo de formação de professores e alunos

Esta pesquisa tem por objetivo analisar e propor uma metodologia para o ensino de história. Tal metodologia considera duas características específicas das sociedades tecnológicas na inter-relação com as práticas escolares: a cultura midiática que o aluno e o professor carregam em seu interior para o interior da escola, e os processos de formação continuada do professor. Visa-se com tal metodologia colaborar com um ensino de história significativo para alunos e professores, e que a história seja instrumento de compreensão da vida cotidiana e processo contínuo de formação. A pesquisa possibilitou a elaboração de uma proposta teórico-metodológica denominada como atividade de ensino de história. Os referenciais teóricos que sustentam esta proposta são: a teoria da atividade de Aléxis Leontiev que se insere no conjunto da corrente histórico-cultural em psicologia; os pressupostos da pedagogia da comunicação que traz em seu interior o princípio didático do agir comunicacional; as pesquisas que analisam os conceitos de professor reflexivo-investigativo e o professor pesquisador; a historiografia que se identifica com a análise da cultura em diferentes temporalidades. Os referenciais teórico-metodológicos foram utilizados para analisar um conjunto de quatro atividades de ensino de história realizadas entre os anos de 1997-2000 em escolas da rede pública e particular de ensino da cidade de São Paulo. Os dados deste conjunto de aulas foram coletados pelo pesquisador que se serviu dos princípios metodológicos da pesquisa-ação. A análise dos dados à luz da fundamentação teórico-metodológica assumida possibilitou a explicitação de princípios orientadores da construção de atividades de ensino de história. Concluiu-se pela viabilidade de tal proposta e de sua inclusão nos debates sobre ensino de história.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Olavo Pereira Soares

Movimentos sociais em defesa da infância: os fóruns de educação infantil e suas incidências nas políticas públicas no Brasil

O objetivo dessa pesquisa foi conhecer e analisar o papel que os Fóruns de educação infantil têm desempenhado na defesa dos direitos das crianças e na proposição de políticas públicas para a área. Para tanto, buscou-se compreender quem são os sujeitos que compõem os Fóruns, como se organizam, como atuam e estabelecem relação com o Estado e com outros movimentos sociais. Dentre os referenciais teóricos deste trabalho destacam-se as teorias que discorrem sobre as consequências dos movimentos sociais nas políticas públicas (AMENTA, MEYER, SNOW, GIUNI, MELUCCI, SKOCPOL). Nesse estudo, enfoca-se a rede do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil - MIEIB, no âmbito de seus Fóruns estaduais e do movimento nacional. O desenho de pesquisa combinou pesquisa documental, entrevista em profundidade e survey de questionário semiestruturado. Os Fóruns de educação infantil são movimentos sociais híbridos que emergiram após o período de transição do regime autoritário para o democrático. São movimentos autônomos, com diferentes formas organizacionais e interações com o Estado a depender do contexto em que estão inseridos, mas que tem priorizado a inserção em instituições participativas como uma aposta na incidência nas políticas públicas. Sua atuação tem se dado a partir de três frentes: 1. Propositiva: proposição e acompanhamento das políticas públicas; 2. Mobilizadora: articulação de parcerias, criação e fortalecimento de Fóruns; 3. Informativa: divulgação de pesquisas e formação de público. Em âmbito nacional, o MIEIB teve um importante papel no avanço das políticas públicas de educação infantil. O movimento com 19 anos de duração, teve a maior parte de sua trajetória de atuação durante os governos do Presidente Lula da Silva (2003-2011) e da Presidenta Dilma Rousseff (2012 2016), com os quais estabeleceu interações cooperativas, ainda que houvessem momentos pontuais de conflito. O MIEIB obteve um conjunto de pontos de acesso em tais governos e foi por eles legitimado como importante ator social na proposição de políticas da área. Após o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, constatou-se um desencaixe (nos termos de Skocpol) na relação com o Estado e o fortalecimento de alianças do MIEIB com outras entidades e movimentos sociais. Concluiu-se que as possibilidades de incidência dos movimentos sociais nas políticas são marcadas pelas relações socioestatais estabelecidas, que são variáveis a depender da conjunção de combinações entre os objetivos e capacidades de ação tanto do Estado quanto do movimento social. No caso do fechamento ou limitação dos pontos de acesso à participação, os movimentos sociais precisam buscar outras alternativas para amplificar sua incidência.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Janaina Vargas de Moraes Maudonnet

Conhecimento e desejo nas formulações infantis

De que modo a psicanálise pode incidir sobre o debate acerca do que impulsiona o pensamento às novidades epistêmicas? De um lado, vemos estudos de psicologia do desenvolvimento que adotam a psicanálise como teoria da afetividade capaz de integrar-se aos pressupostos psicológicos juntamente com a epistemologia genética. A partir dessa montagem teórica, tomam o enunciado da criança como meio de verificação empírica dos aspectos cognitivos e afetivos do desenvolvimento do sujeito psicológico. Apresentam-se inicialmente, nesta tese, os pressupostos que embasam tais pesquisas, o modo como integram a psicanálise a esses pressupostos e como, a partir dessa montagem teórica, sustentam o objetivo de fazer do pensamento da criança a verificação empírica de um processo evolutivo. De outro lado, considera-se o retorno lacaniano à experiência freudiana como fornecendo as bases conceituais para considerar o enunciado da criança como efeito da dialética intersubjetiva da demanda e do desejo. A psicanálise aí se apresenta como recolhendo o que os estudos antes apresentados deixam de lado: a diferença, a discordância ou o desvio que a formulação infantil preserva face à expectativa teórica. Problematizando a naturalização da criança como sujeito em desenvolvimento, surge a brecha para a noção de causa estrutural articulando a diferença e o impulso à emergência de novidades.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Julia Maria Borges Anacleto

A dimensão educativa da luta de mulheres por moradia no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de São Paulo

Essa pesquisa, de caráter eminentemente qualitativo, trata dos processos de socialização política de mulheres militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em São Paulo e tem por objetivos: (i) apreender de que modo tais mulheres adquiriram, ao longo de suas trajetórias de vida, disposições para o engajamento político e, no mesmo sentido, (ii) compreender como são interiorizadas e transmitidas, na experiência do próprio movimento, novas disposições para a defesa e ação em causas coletivas; (iii) analisar as especificidades das práticas educativas propiciadas pela dinâmica e organização do MTST e, finalmente, (iv) investigar a posição das mulheres militantes na organização desse movimento. A pesquisa volta-se, portanto, para as (pré)disposições resultantes de processos de socialização anteriores à entrada no movimento e que contribuíram para tal engajamento (tais como família, escola, bairro, igreja) de um lado e, de outro, para as novas disposições que se desenvolvem por meio de diferentes processos formativos e de socialização política dessas mulheres no interior do próprio movimento. O MTST embora seja identificado como movimento de luta por moradia, é um movimento social que defende transformações sociais mais profundas, que vão além da reforma urbana e da luta contra a especulação imobiliária. Atualmente, o MTST é constituído por cerca de 40 mil famílias que vivem em algum tipo de ocupação, além das famílias que, mesmo não vivendo em terrenos ou imóveis ocupados, participam das atividades do movimento, tais como manifestações públicas, assembleias e curso de formação política, tendo em vista conquistar também sua casa própria. Praticamente a totalidade dessas famílias apresentam propriedades sociais que, num primeiro momento, poderiam ser consideradas desfavoráveis à participação e ação política dado as precárias condições de vida a que estão submetidas. Porém, tais características não parecem ser definidoras do engajamento haja visto que muitos dos movimentos sociais têm sua origem em parcelas empobrecidas da população. Os procedimentos metodológicos foram constituídos nas seguintes etapas: (i) observação das ocupações, das assembleias, cursos e reuniões, em especial, as atividades desenvolvidas no Casarão (sede do MTST em São Paulo); (ii) escolha dos depoentes para realização de entrevistas em profundidade e (iii) análise dos dados tendo em vista desvendar as especificidades das dimensões educativas envolvidas nos processos de socialização e engajamento político.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Hamilton Harley de Carvalho-Silva

Escola que inclui, cidade que educa: apropriação do Programa Mais Educação em uma escola na periferia de São Paulo

Esta pesquisa tem como objetivo compreender como as práticas escolares de uma escola da periferia da cidade de São Paulo têm se havido com a proposta de integração escola-cidade presente no Programa Mais Educação e suas diretrizes para o combate à exclusão social e escolar, a construção de uma cidade educadora, e a consolidação de uma escola comprometida com valores cidadãos. Para isso, realizamos um trabalho de investigação a partir de uma dupla trajetória. A primeira trajetória parte de uma leitura histórica para problematizar a tendência naturalizante e dualista das interpretações sobre o problema da exclusão social, por meio de uma interpretação da escola e da cidade modernas e sua crise nos dias de hoje, e de uma análise dos programas Mais Educação e Cidade Educadora. A segunda é baseada em um estudo de caso, que contou com o acompanhamento cotidiano de uma escola, dos trabalhos pedagógicos realizados em seu interior, de entrevistas com o diretor, os coordenadores, os professores e estudantes, e das análises dos Trabalhos Colaborativos Autorais (T.C.A.). Como resultado, o processo de pesquisa apontou dimensões contraditórias nas apropriações do Programa na escola que sinalizam para as formas de resistência dos estudantes quando se veem em meio a um processo de elaboração particular acerca dos temas de suas vidas cotidianas na cidade e na escola, tais como: a exclusão social, a violência contra mulher, a violência policial, o tráfico de drogas, a segregação espacial, os problemas ambientais, entre outros.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Marina Braguini Manganotte

A formação docente na contemporaneidade: do sintoma à possibilidade

Esta pesquisa buscou identificar uma experiência no campo da formação de professores que carregasse indicativos de ruptura com o modelo estabelecido de formação por um especialista. Encontrou-se, no projeto desenvolvido por um grupo de professores, indícios de uma ruptura a esse modelo. A pesquisa está fundamentada a partir de estudiosos do campo da formação docente, como Antônio Nóvoa, Maurice Tardif e Philippe Perrenoud. De forma a indagar o ideário predominante de formação docente, buscou-se o aporte teórico na psicanálise, a partir de autores como Sigmund Freud, Jacques Lacan e Rinaldo Voltolini. O desenvolvimento deste estudo pautou-se na metodologia etnográfica. Concluiu-se que o projeto elaborado por esses professores levou ao engajamento desses profissionais com sua formação, de modo a se responsabilizarem como sujeitos de saber para o ato educativo.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Carmen Lucia Rodrigues Alves

A música, linguagem tradutora: a Nota Azul e outros matizes

Esta dissertação expõe uma investigação sobre como a música pode tocar o sujeito humano, sobretudo no Real da teoria lacaniana, em uma experiência denominada, pelo psicanalista francês Alain Didier-Weill, Nota Azul, e perscrutar elementos da música que atingem o sujeito ouvinte no que ele sente e pensa o traduzir e mobilizar identificações da ordem racional e da ordem inconsciente. O trabalho constitui-se de um levantamento teórico sobre o entendimento da música como linguagem, a partir dos olhares da Linguística e da Psicanálise, expondo a forma como a música pode falar sobre os mais diversos afetos humanos aquilo que se sabe dizer sobre o que se sente e também aquilo que escapa à linguagem. Atém-se à teoria da Nota Azul, que vem falar desse lugar inapreensível pelo entendimento. Apresenta a pesquisa qualitativa realizada, composta de entrevista com cinco sujeitos músicos em escuta sobre suas experiências como ouvintes de música e sobre como se sentem tocados por ela. A análise de dados seguiu as diretrizes da análise de conteúdo de Bardin (2016). Os resultados obtidos trouxeram dados significativos sobre como a música é uma importante via da arte que tenta dar conta de questões profundas do sujeito humano.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Fernanda Keli Pereira

A proposta curricular do estado de São Paulo de 2008: discurso, participação e prática dos professores de matemática

A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDBEN) do ano de 1996, iniciou-se a produção de diversos documentos, tanto de orientações como de definições em torno da organização de conteúdos, ou ainda, sobre as ideias geradoras dessas bases. Surgem daí os Parâmetros, Diretrizes e Orientações Curriculares Nacionais que, juntamente com as inovações educacionais, o desenvolvimento científico, econômico e social, ou mesmo influenciados pela opção política, subsidiam os processos das reformas ou mudanças curriculares produzidas nos estados. Esta pesquisa trata de compreendermos e discutirmos como se estabelecem as relações de (in)compreensões dos professores de Matemática que dela participaram e que atuam na rede de ensino da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo: o engajamento dos professores; os elementos facilitadores e dificultadores percebidos por eles nesse processo, e as possibilidades de resistências na prática da sala de aula. Para tanto, produzimos e aplicamos questionários e entrevistas a dois grupos de professores, em três regiões do Estado de São Paulo. Elaboramos, dessa forma, três eixos principais que nortearam nossa pesquisa: o currículo, a competência e a prática docente. Sobre o currículo, pesquisamos suas concepções, as teorias que o influenciam e as pesquisas em Educação e Educação Matemática que fomentam a produção desses documentos. A competência é elemento inovador nos documentos curriculares; ela invade os currículos, porém, produz pluralidade em seu significado. Quanto à formação dos professores, destacamos tanto o conhecimento profissional destes como a resistência elaborada nos seus discursos.

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2022-12-06T14:49:38Z

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João Acácio Busquini

Corpos e culturas invisibilizados na escola: racismo, aulas de educação física e insurgência multicultural

A presente pesquisa examina a presença do racismo em uma escola pública municipal do estado de São Paulo identificando, em sua recorrência, a geração dos dispositivos de invisibilização de certos corpos e culturas nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Tem no cotidiano escolar o seu lócus de atuação e, nas aulas de Educação Física, o seu foco prioritário de observação e análise. Acolhe também os demais ambientes escolares como espaços onde se perpetuam as relações desiguais de poder, produtoras dessa forma de discriminação racial. Analisa criticamente o fenômeno a partir de duas principais perspectivas: a primeira são os Estudos Culturais fundamentados em Hall (1997, 2000, 2006) e Silva (1996, 2000, 2004, 2008, 2010); e a segunda o multiculturalismo crítico a partir das ideias de McLaren (2000). No que tange ao racismo, os escritos de Munanga (2000, 2005, 2008), Telles (2003) e Carone e Bento (2007) compõem o suporte teórico orientador. O estudo tenciona o entendimento de alguns dos mecanismos de exclusão que desautorizam determinados sujeitos e todas as suas representações sócio-histórico-culturais. Identifica a presença de uma identidade-referência fundada no modelo branco, masculino e euro-estadunidense que há décadas permeia a construção das subjetividades de alunas e alunos, levantando a suspeita do desencadeamento do processo aqui conceituado invisibilização. Por ter no ambiente natural a sua fonte direta e mais importante de dados, sendo o pesquisador o instrumento principal e mantendo contato direto e afinado com a situação na qual os fenômenos ocorrem, levando em conta todas as perspectivas dos envolvidos e a imersão na realidade estudada, elegeu-se o estudo de caso como método. Para a análise de dados foi utilizada a hermenêutica crítica, dada a sua possibilidade de efetuar um aprofundamento na interpretação dos textos apreendidos na conjuntura e contexto pesquisados, entremeando os resultados imediatos de uma observação do legível e também o requisitado na intencionalidade dos seus produtores. Como resultados se destacam: 1) o entendimento por parte das(os) docentes e equipe gestora da falta de necessidade de ações equitativas para as(os) alunas(os) negras(os) por serem iguais enquanto seres humanos; 2) o entendimento de que não se deve levantar discussões que digam respeito ao comportamento racista, por conta dessa atitude estimular ainda mais o fenômeno; 3) a falta de interesse e preparo da escola para lidar com as questões raciais; 4) a existência de um processo coletivo de visibilização para a invisibilização das(os) alunas(os) negras(os) e suas culturas (corporais) nas aulas de Educação Física em específico, e nos demais espaços escolares, de uma maneira geral, regulado culturalmente; 5) a convicção de que a superação do racismo depende unicamente da vontade discente; 6) uma incidência mais sofisticada do fenômeno do racismo, fazendo com que docentes e equipe gestora reconheçam sua existência, sem, no entanto, o perceberem. Finalmente, chama a atenção para o multiculturalismo crítico como possibilidade insurgente tanto na desconstrução das hierarquias discentes vigentes na escola, quanto na contemplação das diferenças e dos diferentes.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Antonio Cesar Lins Rodrigues

O princípio de continuidade e a relação entre interesse e esforço em Dewey

O objetivo desta tese é analisar o princípio de continuidade e a relação entre os conceitos interesse e esforço à luz da filosofia deweyana no âmbito da educação. Inicialmente buscamos entender o que são princípio e conceito em filosofia. A partir dessa primeira reflexão, adentramos o pensamento de John Dewey, nosso principal referencial teórico. Além de Dewey, buscamos suporte teórico nos filósofos présocráticos Parmênides e Heráclito, em Platão, além de modernos como Rousseau, Kant e Hegel. Inicialmente fizemos um levantamento bibliográfico, onde buscamos, primeiramente, localizar em quais obras Dewey fazia alusão à palavra continuidade, enquanto princípio ou não. Das obras pesquisadas, poucas não faziam qualquer alusão ao princípio de continuidade. No tocante ao dualismo, ainda prevalece na sociedade essa visão dicotômica que tem na filosofia clássica grega sua fundamentação teórica. Sua extensão para a educação é uma consequência. Houve avanços, mas não mudança efetiva. Embora educadores como Dewey mostrem a necessidade de se fundamentar a pedagogia no principio de continuidade, não é isso que acontece; a pedagogia tradicional que está fundamentada no dualismo ainda prevalece. Isto posto, são necessários estudos que possam corroborar esse princípio cada vez mais para uma mudança conceitual da meta que se quer atingir através do processo de ensino e aprendizagem.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Eliezer Pedroso da Rocha

Educação infantil de 0 a 3 anos: um estudo sobre demanda e qualidade na região de Guaianazes, São Paulo

A pesquisa realizada na região de Guaianazes, periferia da cidade de São Paulo, teve por objetivo compreender como são implementadas as políticas públicas, aqui as de Educação Infantil, particularmente as dirigidas às crianças de 0 a 3 anos de idade. Para tanto, foram realizadas entrevistas com diretores, professoras, coordenadoras pedagógicas e mães de duas creches da região, denominadas centros de educação infantil, além da diretora regional de educação. Foram ainda realizadas doze horas de observação em cada um dos centros. Um estudo documental completou o conjunto de recursos necessário para a investigação. Como resultado foi verificado que a demanda por vagas é a tônica e seu equacionamento, um poderoso pretexto para a expansão da rede conveniada de creches, seguindo a tendência geral do município. Dessa forma, o estudo indicou que aspectos importantes para a caracterização da educação infantil de qualidade, como espaços físicos ou formação profissional são deixados em segundo plano. As entrevistas, principalmente, evidenciaram que a situação de pobreza da região e uma suposta desestruturação familiar, presente solidamente no discurso da dirigente entrevistada e no dos demais produzem ações para crianças carentes, e não competentes como se reconhece na literatura recente. Os vários documentos federais e municipais apresentam uma visão de educação infantil, que concebem uma criança rica, ativa e produtora de cultura, mas são as condições materiais dessas crianças que definem as concepções dos sujeitos envolvidos na área, bem como a forma como essas concepções adentram na política pública para determinar a sua conformação.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Maria Aparecida Antero Correia

Da criança-problema à escola-problema: discursos e relações de poder

Crianças e adolescentes que não aprendem ou têm problema de comportamento na escola possuem algum comprometimento intelectual e/ou biológico. Esse enunciado esteve presente nos discursos (re)produzidos dentro e fora da escola pelas instituições educacionais, médicas, psicológicas, jurídicas e familiares ao longo dos últimos séculos. A partir dos anos de 1930, boa parte dos alunos que eram considerados anormais até a virada do século XIX para o XX, passou a receber o rótulo de criança-problema, deixando de ser considerado como portador de um defeito para ser visto como vítima de um meio desajustado. De condenados ao fracasso a priori, passaram a ser considerados tratáveis, tendo a pedagogia como principal aliada da medicina. Neste trabalho analisamos, sob a perspectiva foucaultiana, discursos educacionais presentes na rede pública paulistana tendo como referência a intervenção dos Núcleos de Apoio e Acompanhamento para Aprendizagem (NAAPA) que, direta e indiretamente, normalizam e controlam as práticas dos educadores frente aos estudantes que não atendem às expectativas de aprendizagem e comportamento da escola e da sociedade. Inicialmente, realizamos um levantamento de dissertações e teses publicadas nas últimas três décadas pelas principais universidades brasileiras que se dedicaram a analisar discursos institucionais/governamentais sobre criança-problema, fracasso escolar, queixa escolar e medicalização. No segundo capítulo apresentamos discursos produzidos pelos homens da ciência e legitimados pelas instituições que, desde o século XIX, vêm se apropriando de ideias racistas, eugenistas e higienistas que, em certa medida, ainda definem os que são ou não aceitos. Apresentamos também dois serviços acessados pelas escolas públicas paulistanas quando se trata de alunos desajustados: os laudados, ou seja, aqueles que foram classificados pelo poder médico como pessoas com deficiência e as crianças ou adolescentes considerados normais pelo saber clínico, mas que apresentam problemas de aprendizagem e comportamento no ambiente escolar. Nesse último caso, campo de atuação do NAAPA, entende-se que a vulnerabilidade social e as práticas escolares sejam os fatores que explicam o descompasso entre o ensino e a aprendizagem. O último capítulo é dedicado à caracterização dos discursos que são produzidos e reproduzidos no âmbito do NAAPA. A análise se detém sobre os quatro volumes dos Cadernos de Debate do NAAPA, nos quais estão reunidos discursos acadêmicos, legais e os produzidos nas experiências das equipes do Núcleo junto às escolas sobre os problemas de comportamento e aprendizado na escola. Por fim, utilizamos os conceitos de dispositivo e confissão, tal como formulados por Michel Foucault, para analisarmos os discursos produzidos pela rede municipal de educação paulistana acerca da criança-problema. Procuramos demonstrar que os discursos e as práticas levadas a efeito pelo NAAPA, deslocam o problema, antes localizado na criança e depois na família, para a escola, haja vista a sua ineficiência pedagógica e a sua incapacidade de confessar a sua culpa. Defendemos que esse último deslocamento produziu um novo objeto do discurso e de intervenção: a escola- problema.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Alexandre Cesar Gilsogamo Gomes de Oliveira

Reflexões e análises do cotidiano de um curso de formação de professores de ciências e/ou biologia

O presente trabalho apresentou nos capítulos teóricos a relação entre conhecimento e ciência, identificando algumas de suas características e de seus significados através dos tempos. O projeto da modernidade foi questionado e tentamos apontar que limites são esses. Além disso, verificamos a relação entre esses limites da ciência moderna e a teoria da complexidade. Definições de ensino e de aprendizagem, segundo alguns autores, foram apresentadas,assim como as relações existentes entre as concepções de conhecimento e o processo de ensino-aprendizagem foram explorados. Destacamos também o papel do professor e do aluno em cada uma das abordagens dando ênfase a esses papéis na pedagogia centrada na relação e na interação. Para falarmos das concepções docentes do conhecimento científico, do ensino e da aprendizagem numa abordagem reflexiva, contextualizamos a formação inicial e/ou continuada de professores. A questão que norteia a tese refere-se à identificação das concepções de ciência, ensino e aprendizagem de onze professores de ciências e/ou biologia da rede particular de ensino do município de São Paulo e suas representações sobre problemas da prática de ensino e de aprendizagem. Para atingir os objetivos a que nos propusemos nesta pesquisa, dois instrumentos foram utilizados, independentes, mas complementares. O primeiro deles foi o oferecimento de um curso de extensão sobre ensino de ciências para professores em serviço, e o segundo foi a aplicação de questionários. Os procedimentos metodológicos utilizados foram: descrever e analisar, sob a perspectiva da abordagem qualitativa, os encontros do curso de extensão e classificar e analisar as concepções de ensino-aprendizagem desses professores, verificando que representações esses têm da sua prática docente, segundo Becker (1993). Algumas de nossas conclusões em relação às características principais do curso de formação continuada de professores foi: que a ciência foi tratada como verdade transitória e dependente de vários contextos, os professores foram respeitados no que concerne a suas necessidades e insatisfações, contemplaram-se os conhecimentos prévios e, houve cuidado em integrar a teoria e a prática docente.Questionamentos foram feitos provocando conflitos que podem permitir a construção gradual e não linear do conhecimento, a partir do diálogo constante entre os envolvidos no curso de formação. Além disso, classificamos a concepção de ensino-aprendizagem dos professores participantes do curso como interacionista quando perguntamos diretamente o que é ensino-aprendizagem e quais os papéis de professores e alunos nesse processo. Parece que a maioria dos professores muda para uma classificação empirista quando a questão é um problema da prática, a ser resolvido. Voltamos a classificar os professores como interacionistas quando pedimos a eles que descrevam uma aula sobre sistema digestório. Encontramos uma possível explicação para tal situação no fato de as questões diretas sobre ensino-aprendizagem e papel do professor e do aluno serem muito semelhantes à natureza da questão do sistema digestório, isto é, perguntas diretas, e diferentes de uma situação problema do cotidiano. A explicação que encontramos para aparente paradoxo foi a utilização de slogans, segundo Scheffler (1974), por parte dos professores em situações em que as perguntas feitas são diretas e não solução para problemas.

Year

2022-12-06T14:49:38Z

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Magda Medhat Pechliye

Bolsas de estudo no ensino fundamental privado, entre a universalidade de direito à educação e o clientelismo na educação: o caso de Nova Iguaçu/RJ

A bolsa de estudo para o ensino fundamental privado, financiada com recursos da educação pública, está prevista na CF/88 e na LDB/96 em caráter excepcional para atender ao direito público subjetivo de acesso ao ensino fundamental. Trata-se de uma excepcionalidade, pois a Lei permite o uso deste instituto sob três condições: quando não houver vaga na escola pública próxima à residência da criança, quando a criança não possuir recursos para financiar o próprio estudo em escola privada, e como conseqüência, o poder público obrigado a investir prioritariamente na solução da falta de vagas na local de moradia do aluno bolsista. Em resumo a bolsa deve ser transitória. A pesquisa tomou o caso de Nova Iguaçu/RJ, centrandose nos anos de 1997 a 2008, no entanto, mostrou que esse Município tem concedido bolsas de estudo de forma recorrente desde, no mínimo 1990, e no mesmo lugar e a crianças não necessariamente carentes, pois a maior parte delas já estava na escola quando receberam bolsa. O que caracteriza a sua ilegalidade, a sua inconstitucionalidade. A pesquisa objetivou entender a natureza da política de concessão de bolsas no âmbito deste Município. A hipótese de que a concessão de bolsas, mais do que uma resposta ao direito público subjetivo, seria uma forma de desviar recursos públicos à escola privada, pautada pelo clientelismo e pela troca de favores foi corroborada pela pesquisa. Para tanto, recorreu-se a uma combinação de métodos de pesquisa, ao paradigma indiciário e ao materialismo histórico. Procedeu-se a consultas a documentos do Município e a entrevistas com gestores da educação pública, da escola privada, políticos, lideranças sindicato dos trabalhadores da educação do Município, conselheiros na área da educação e aos próprios bolsistas. Constatou-se, sobretudo até o final de 2004, devido à forma sub-reptícia e à falta de transparência pública na sua concessão, que, até a sua extinção em 2008 pelo Governo Municipal, a sociedade civil enfrentou imensas dificuldades para exercer o papel de cidadão no controle social sobre esta política pública.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Percival Tavares da Silva

A configuração gráfica do livro didático: um espaço pleno de significados

Desde os primeiros códices até os atuais livros didáticos que são consumidos em quase todo o mundo, não houve grandes mudanças no seu formato: conjunto de folhas amarradas formando uma espécie de livro. Com tão pouca mudança nos códices, é o design que vem influenciando o seu formato e, consequentemente, a forma de interação com o público leitor: capas que despertam a atenção, fotos coloridas, ilustrações, páginas coloridas, inúmeras fontes, materiais diversos etc. Essas mudanças no layout também influenciam a confecção dos livros didáticos e também nas suas formas de uso. Dessa forma, esse projeto verificou como o formato dos atuais livros didáticos de Língua Portuguesa pode influenciar na sua recepção pelos estudantes, tudo isso se baseando em postulados a respeito da semiótica, da leitura e do design gráfico, pois as pesquisas em linguística que envolvem essas áreas são indicativas para a influência da receptividade do usuário. Para isso, foi feito um levantamento das coleções existentes na Biblioteca do Livro Didático (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo). Essa pesquisa, qualitativa e bibliográfica, constatou que há realmente necessidade de se investir na leitura não apenas da parte verbal, mas de toda e qualquer linguagem presente nos livros didáticos. Para isso, é preciso que o professor esteja apto a lidar com esse aspecto de forma a contemplar o que relata os PCN em relação a isso: leitura proficiente ao término dos estudos no Ensino Básico.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Persio Nakamoto

Imagens televisivas e ensino de História: representações sociais e conhecimento histórico

Esta pesquisa teve como meta a compreensão das formas pelas quais o uso das imagens em movimento (fílmicas e televisivas) nas aulas de História pode interferir na construção do conhecimento histórico dos alunos do Ensino Médio por meio de possíveis alterações em seu conjunto de representações sociais. Para tanto, foi utilizada uma metodologia desenvolvida especificamente para essa pesquisa a partir da união de métodos historiográficos, recursos etnográficos, pesquisa participante, conceitos de representações sociais e decupagem, usada para o cinema e para a televisão. A iniciativa procurou contribuir com respostas às dúvidas dos professores de História sobre a validade do uso de filmes e séries de televisão (produtos midiáticos constituídos de imagens em movimento), buscando evidenciar alternativas de trabalho prático, em sala de aula, que possam contribuir para o aprimoramento da Didática da História.

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2022-12-06T14:49:38Z

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André Chaves de Melo Silva

Uma travessia aprendente: trajetórias e desafios que marcam a transformação do trabalho político-pedagógico da Cáritas Brasileira em uma pedagogia da participação popular

A prática político-pedagógica da Cáritas Brasileira, marcada na seu início pela sua natureza assistencialista e em descompassos com a educação popular, esta fortemente associada ao processo de construção dos movimentos sociais populares, passou por um processo de transformações a partir da sua proximidade e envolvimento com comunidades, movimentos e organizações sociais ligadas ao campo da educação popular, que a levou, gradualmente, a se consolidar como um modelo educativo de caráter transformador e emancipatório, afirmando-se, hoje, como uma importante organização de assessoria popular. Esse projeto de pesquisa se propõe a fazer uma travessia sobre os meandros da história do trabalho social da Cáritas e sua relação aprendente com a educação popular, procurando compreender os significados e sentidos da sua prática político-pedagógica em cada uma das diferentes fases do seu trabalho social. Além de me propor a realizar um trabalho de sistematização e análise do percurso histórico da Cáritas no Brasil (1956- 2007) e sua interação com a educação popular, achei importante, também, desenvolver um processo de reflexão em torno de um dos seus programas de ação atual: o Programa de Políticas Públicas (2000-2007), aprofundando as concepções, objetivos e estratégias utilizadas na ação desse programa como expressão da fase atual do trabalho social da Cáritas e como resposta aos desafios e exigências que se colocam nesse período para a construção da participação popular diante do contexto de hegemonia neoliberal e fragmentação e desmobilização das forças sociais populares. Além de me referenciar na rica bibliográfica existentes sobre o debate da educação popular como uma pedagogia da participação popular, realizei uma atividade de pesquisa no interior da Cáritas, a partir do trabalho de seleção e análise documental e entrevistas realizadas com seus agentes das instâncias regionais e nacional e com lideranças e agentes sociais dos movimentos e comunidades apoiados com a ação desse programa analisado, como procedimentos metodológicos para viabilização dos objetivos propostos. O amplo trabalho social desenvolvido pela Cáritas e as trajetórias e desafios que marcam a sua transformação em uma pedagogia da participação popular, apresentados aqui nesse trabalho, são ricas contribuições para o processo de análise da história do trabalho social da Igreja, dos movimentos e organizações sociais e da própria educação popular.

Year

2022-12-06T14:49:38Z

Creators

Edinaldo Costa de Andrade