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A prática da leitura na escola e as relações de gênero e sexualidade: subsídios para reflexão sobre formação inicial e contínua de professores(as)
Esta Dissertação de Mestrado tem por base investigação sobre como a prática da leitura docente em sala de aula e na Sala de Leitura colabora ou não com o processo de introdução de questões da ordem do gênero, da sexualidade e da diversidade sexual junto às crianças, uma vez que tais assuntos estão presentes em alguns, dos muitos, títulos de literatura infantil publicados atualmente no Brasil. A pesquisa foi realizada em uma EMEF situada na zona sul da cidade de São Paulo e contou com a participação das docentes dos anos iniciais e da Sala de Leitura da escola. Para a investigação empírica foram utilizadas observações em campo, realização de entrevistas semiestruturadas e aplicação de questionários. No exame do material obtido, foram fundamentais as reflexões teóricas pautadas em: Nelly Novaes Coelho, Marisa Lajolo e Regina Zilberman sobre literatura infantil; documentos oficiais (guias e orientações) publicados pela RMESP (DOT) acerca da prática da leitura; Jeffrey Weeks e Judith Butler a respeito de sexo e sexualidade e Joan Scott sobre o conceito de gênero. Constatou-se que apesar da existência de orientações enfatizando a importância da prática diária da leitura docente às crianças, há um distanciamento entre o que é proposto pela SME em seus guias e o que é realizado pelas professoras em sala de aula. Também, verificou-se que boa parte das professoras investigadas não receberam uma formação sistematizada acerca do gênero e da sexualidade durante o curso de graduação ou em formação continuada, ainda, constatou-se baixa oferta de títulos de literatura infantil envolvendo tais questões na Sala de Leitura da EMEF. Por fim, foi possível ratificar a importância de ações diversas que apoiem e norteiem a prática docente, para que possam se sentir seguros(as) no exercício de suas profissões e consigam realizar um trabalho sem que necessariamente ele esteja vinculado a uma demanda específica dos(as) alunos(as).
2022-12-06T14:49:38Z
Karina Valdestilhas Leme de Souza
Pequenos publicitários: a persuasão na escrita de crianças
Esta pesquisa toma como objeto de estudo o modo como crianças, nos quatro primeiros anos de escolarização, escrevem seus textos, quando atendem à solicitação de produzir uma tarefa escolar na qual está pressuposto o objetivo de influenciar os leitores. Seu ob-jetivo geral é investigar a possibilidade de encontrar nos escritos de crianças indícios de que houve, por parte de quem escreveu, uma preocupação em produzir enunciados que poderiam gerar a ressonância de suas posições junto aos leitores. A partir de um interesse em investigar como uma criança pode vir a se tornar um escritor proficiente, questiona: De que modo crianças entre sete e dez anos de idade mobilizam estratégias persuasivas que podem, ao menos potencialmente, fazer suas palavras ressoarem nos leitores? Para construir uma resposta a esse questionamento, o trabalho analisou um corpus composto por 103 manuscritos, produzidos por nove crianças que à data da primeira coleta estavam concluindo a primeira série (corresponde atualmente ao segundo ano) e quando os últimos textos foram escritos estavam no último ano do ensino fundamental (atualmente, o quinto ano). Todos os textos foram escritos em contexto escolar, como parte das atividades de rotina das crianças. As tarefas propostas tiveram em comum o pressuposto de argumentar e/ ou persuadir o interlocutor estabelecido na proposta. A investigação partiu da hipótese de que crianças com a idade dos participantes desta pesquisa estão aprendendo como fun-ciona a vida em sociedade. Baseando-se na lógica freudiana, é possível dizer que as cri-anças acessam mais facilmente seu pensamento inconsciente (FREUD, 1901-1905/ 1990) porque, quase ninguém, em tenra idade, passou pelos processos culturais cujo resultado será o recalcamento (FREUD, 1901-1905/ 1990). Consequentemente, suas produções ten-dem a ser mais criativas e, até mesmo, ousadas. A partir da análise dos dados, verificou-se que essa ousadia resultou em estratégias persuasivas pautadas, ao menos potencial-mente, em tentativas de tocar o interlocutor, em fazer suas palavras ressoarem (LACAN, 1975-1976/ 2007). Chamou a atenção, também, o fato de que algumas das estratégias utilizadas pelas crianças serem similares às de peças publicitárias. Após o acompanha-mento longitudinal, conclui-se que as crianças foram capazes de elaborar estratégias ar-gumentativas e persuasivas com eficiência e criatividade, utilizando, inclusive, estratégias comuns a peças publicitárias. Foi observado, também, um refinamento paulatino das es-tratégias, indicando um aperfeiçoamento na escrita das crianças. Assim, vê-se que, já nos anos iniciais da escolarização, é possível realizar um trabalho envolvendo a escrita de textos argumentativos.
2022-12-06T14:49:38Z
Renata de Oliveira Costa
Saberes profissionais docentes: o que narram os professores de história da rede estadual de ensino básico da cidade de Teresina, Piauí
Esta investigação atenta para os saberes profissionais mobilizados e construídos por professores de história, atuantes na rede estadual de educação básica da cidade de Teresina, no Piauí, mediados pelas trajetórias formativas e prática docente. Busca-se identificar os significados e influências atribuídos pelos docentes à sua opção pelo magistério e as itinerâncias vivenciadas no percurso profissional. Objetiva-se também refletir sobre as concepções de saberes específicos e pedagógicos reveladas pelos professores de história, através das narrativas de formação; compreender como os saberes experienciais são mobilizados e construídos pelos professores, através das memórias docentes, na reconstrução do seu fazer pedagógico. As narrativas dos próprios professores acerca de seus saberes profissionais são consideradas aqui um processo de formação continuada e autoformação, com potencialidades para contribuir com o desenvolvimento profissional e para (re) configuração do fazer docente dos professores de história da educação básica da rede estadual de Teresina, Piauí sujeitos dessa investigação. Sua fundamentação teórica está embasada nos estudos de: Tardif (2014), Nóvoa (1991, 1992), Schön (1997, 2000), Gauthier et al (1998), Zeichner (1993, 1998), Cunha (2010, 2013), Freire (1997), Geraldi; Fiorentini; Pereira (1998), Fonseca (1995, 2003), Monteiro (2007), dentre outros. Caracteriza-se como investigação de cunho qualitativo, utilizando a entrevista narrativa como princípio epistemológico e metodológico, a partir da ancoragem nas memórias docentes e no dispositivo da história oral como mediadora na construção e análise das narrações. (SOUZA, 2006). São interlocutores quatro docentes de história da rede estadual de Teresina/Piauí que, segundo Huberman (2000), se encontravam no estágio de desenvolvimento profissional de diversificação. Adota como forma de análise das narrativas os pressupostos da análise compreensiva-interpretativa (SOUZA, 2004, 2006), que tem a hermenêutica como fundamento teórico-filosófico. Na análise do corpus opta-se pela organização das narrativas em unidades temáticas, como forma de romper a categorização dos temas em foco. O estudo vislumbra, pelas narrativas, o perfil de um (a) professor (a) de história, agente social implicado nas demandas de seu ofício e nos dilemas de seu tempo, dotado de protagonismo profissional, crítico-reflexivo, mobilizador e construtor de saberes e fazeres profissionais, cotidianamente (re) configurados.
2022-12-06T14:49:38Z
Vilmar Aires dos Santos
Perspectivas didáticas da escrita literária para o Ensino Médio
Esta pesquisa está centrada nas práticas de escrita literária na escola, mais precisamente no Ensino Médio, e vincula-se ao Grupo de Pesquisa Linguagens na Educação (FEUSP). Constam como objetivos: a) compreender qual escrita literária é possível no âmbito escolar; b) como se dão as práticas de escrita literária dos estudantes no Ensino Médio, no que diz respeito às suas reações, comportamentos e atitudes, suas limitações e relações com o texto literário pessoal e do outro; e c) refletir sobre os caminhos possíveis para que as práticas de escrita literária no Ensino Médio aconteçam. Nossos estudos apontam para teorias da didática da literatura (Rouxel, 2013; Langlade, 2013; Jouve, 2012, 2013; Rezende, 2009, 2013, 2018) e da didática da escrita (Calkins, 1986; Le Goff, 2003, 2005, 2018; Christine Barré-De Miniac, 1998, 2002, 2015; Tauveron, 2007, 2013, 2014; Reuter, 2002; Bucheton, 2014), além de utilizar referencial histórico-cultural (Vigotski, 1926, 1930, 1934), estudos sobre o texto literário (Barthes, 1973, 1977, 1984) e questões que perpassam o trabalho com o texto na sala de aula (Geraldi, 1991, 1997). Foram realizadas observações em duas turmas de primeiro ano de Ensino Médio de uma escola estadual do Rio de Janeiro, o que confere à pesquisa a característica de uma etnografia educacional (André, 2005; Sarmento, 2011; Rockwell, Ezpeleta, 1983). Juntamente com a coleta realizada na pesquisa de campo, os estudos sobre a escrita, em geral, e a escrita literária, em particular, contribuíram para formular possibilidades de prática efetiva de escrita literária na escola, levando em conta a complexidade desse exercício. Constatamos que, embora os textos dos estudantes ficassem, quase sempre, no limiar do relato, o processo de suas escritas foi se ampliando à medida que a professora adotava novos métodos. Assim, repensar o tempo destinado às atividades e o valor atribuído aos textos, bem como o diálogo estabelecido com os grupos sobre suas percepções e emoções, foram fatores preponderantes para o desenvolvimento de uma prática voltada ao processo de escrita literária. O desenvolvimento da escrita dos estudantes está inscrito em sua história familiar, social e escolar. Por isso, quando eles escrevem, direcionam-se a si mesmos, aos seus pares, às suas famílias, aos seus professores. As formas expressivas dos jovens lançam a urgência da inserção, na escola, de assuntos caros à realidade sociocultural. Constituir a escrita literária como objeto de ensino e de aprendizagem nos permite formular dispositivos próprios dessa prática para que uma perspectiva didática da escrita literária também se consolide.
2022-12-06T14:49:38Z
Sarah Vervloet Soares
A educação sob a lógica do discurso capitalista e seus efeitos na produção da subjetividade neoliberal
O propósito desse trabalho é consolidar uma pesquisa a partir de uma experiência profissional que consistiu em implementar um sistema de ensino privado em escolas públicas do ensino fundamental. A problematização será tecida utilizando o conceito psicanalítico de discurso capitalista. Para tal, apresentaremos o teor da experiência profissional procurando destacar os elementos tanto de ordem prática (a experiência propriamente dita) quanto de ordem lógica (discurso). A partir disso, poderemos operar o aparelho conceitual do discurso tal como proposto por Lacan, para fazer falar esse paradoxal laço do discurso capitalista que, entendemos, operou na referida experiência. Ao fazer falar esse aparelho na sua articulação com a referida experiência, sustentaremos que sua lógica no contexto escolar dilacera a possiblidade de uma experiência comum, necessária para que o laço educativo produza seus efeitos civilizatórios, bem como afeta a capacidade de filiação desse laço, o que resulta numa subjetividade desprovida de marcas. Proporemos também uma analogia entre o discurso capitalista e o neoliberalismo (que aqui não é meramente um modelo econômico, mas um sistema de produção de subjetividades), sustentando a face totalitária entrevista na forma como se desenrolava a interface da empresa em questão com as escolas. Assim, o sistema de ensino tal como se configura nessa pesquisa contribui pela insidiosa entrada da lógica de mercado no contexto da educação fundamental e pública, sendo que seus insumos (do sistema de ensino) assumem o estatuto de um objeto técnico-cientificista, que por um lado autonomiza o ato educativo e, por outro, emudece seu portador. Por fim, propomos fazer da presente pesquisa uma formalização que permite afirmar, com a segurança que o trabalho científico nos reserva, que a educação pública, republicana e democrática é inviabilizada quando impera em seu contexto a lógica do discurso capitalista.
2022-12-06T14:49:38Z
Rejinaldo José Chiaradia
A travessia que mancha o corpo: imagens da imigração e a educação transitória.
Este texto é resultado da pesquisa de campo realizada com imigrantes bolivianos em São Paulo. Relata também a experiência como imigrante do próprio autor, assim como analisa os registros imagéticos da imigração africana na Europa. Tem por objetivo reunir argumentos para defender a tese de que a educação é movimento, travessia. Semelhante transitoriedade fundamental da educação quando é tolhida, no sedentarismo torna árida, senão impossível a experiência pedagógica, pois a nega em sua dimensão dinâmica e movente. Nesse sentido, pretendo demonstrar, através de uma descrição densa, que a substância e o caráter da atividade pedagógica assenta-se mais na vacuidade, no eterno, na atopia e na utopia, como assinala Gaston Bachelard.
2022-12-06T14:49:38Z
Mesac Roberto Silveira Junior
Gurilândia (1948 - 1956). A formação de crianças e professores na página do Estado de Minas
Esta dissertação teve por objetivo investigar o suplemento infantil do jornal Estado de Minas, intitulado Gurilândia, no período de 1948 a 1956. Criado em um momento de expansão do mercado consumidor destinado às crianças e valendo-se de condições favoráveis de produção e circulação, explicadas por seu vínculo com o jornal Estado de Minas, o Gurilândia alcançou uma popularidade entre o público mineiro testemunhada por sua longevidade, visto que ainda hoje é produzido. O recorte temporal, necessário para viabilizar a pesquisa, privilegiou os primeiros anos de circulação do suplemento, momento no qual foi dirigido por Celso Brant. Confluiu para essa escolha a representatividade de Brant no cenário cultural e político mineiro, bem como a especificidade do projeto editorial da publicação no período que esteve sob sua responsabilidade. Assim sendo, foi definido, como corpus de análise, os números do suplemento infantil que circularam sob a direção de Celso Brant, ou seja, de 25 de janeiro de 1948 a 18 de março de 1956. Quantitativamente, isso representou 341 números da publicação. O diálogo com a área da História dos Livros, dos Impressos, da Leitura e da Infância subsidiou a tentativa de entendimento dos aspectos da produção, circulação e uso do suplemento infantil. A análise do conteúdo do Gurilândia permitiu concluir que o constante caminhar sobre uma linha educativa foi a marca constitutiva dessa publicação. Para dar corpo a essa proposta, o suplemento lançou mão do estreitamento dos laços com as instituições escolares mineiras, além de veicular uma grande parte de conteúdo com interesses escolares. Esse projeto educativo ficou ainda mais explícito quando se percebeu que pessoas ligadas à Revista do Ensino e à Escola de Aperfeiçoamento, provavelmente as principais responsáveis pela formação de professores mineiros na primeira metade do século XX, contribuíram regularmente no Gurilândia. Embora destinado prioritariamente ao público infantil, o suplemento também incluiu seções direcionadas aos professores, de um teor marcadamente escolanovista. Constatou-se, por fim, que a produção da imprensa escrita infantil desse período foi marcada por duas tendências principais: publicações com predominância de intenções recreativas e publicações com predominância de intenções educativas e até escolares. A análise do Gurilândia permite, seguramente, que o suplemento infantil do Estado de Minas seja encaixado nesse segundo grupo.
2022-12-06T14:49:38Z
Andre Carazza dos Santos
A importância do conceito no pensamento deweyano: relação entre pragmatismo e educação.
Dewey desenvolve a teoria instrumental e operacional dos conceitos para explicar a forma inteligente do homem de conduzir sua experiência natural, social, cultural e democrática. O pragmatismo de Dewey compreende os conceitos como instrumentos que o pensamento reflexivo utiliza no processo da investigação para transformar uma situação problemática, inicialmente confusa e não dirigida em uma situação resolvida, harmoniosa como forma de garantir a permanente necessidade de adaptação do indivíduo ao meio, garantindo assim a sua sobrevivência. Os conceitos como instrumentos de significação ou instrumentos para estabelecer relações de continuidade entre meios e fins na e para a experiência têm a função de guiar a ação inteligente do ser humano. A solução experimental que resolve uma situação problemática é chamada de asserção garantida. Aquilo que é verdadeiro somente pode ser compreendido a partir das conseqüências práticas de um conceito cujos significados foram elaborados no processo investigativo. O estudo dos métodos para resolver problemas, Dewey chamou de lógica, ou teoria da investigação. Esta é histórica e evolutiva. Os conceitos são instrumentos sociais de comunicação dos significados da experiência através da linguagem e instrumentos que corroboram no processo investigativo. A aquisição destes instrumentos deve ser estimulada pela educação. A escola é o ambiente organizado e simplificado para a formação do hábito de pensar que ganham força no âmbito de uma sociedade democrática. A fé na vida democrática fundamenta-se na fé nas capacidades da natureza humana com necessidade inata de associação, cooperação e uso da inteligência humana na solução dos conflitos sobre bens sociais. A vida democrática é a que oferece as melhores oportunidades para o crescimento, uma vez que desperta naturalmente o interesse pela solução dos conflitos numa comunidade de comunicação. Constituindo-se, assim, a vida democrática é a única forma de vida digna dos seres humanos.
2022-12-06T14:49:38Z
Darcisio Natal Muraro
Entre as coisas do mundo e o mundo dos livros: prefácios cívicos e impressos escolares no Brasil republicano.
Denominam-se prefácios todos os discursos liminares produzidos a propósito de determinado texto. Os vínculos sistemáticos, históricos e contextuais com o impresso converteram os prefácios em preciosas fontes de pesquisa da história do livro nos mais variados gêneros da cultura escrita. Neste trabalho, analisamos a história dos prefácios nos impressos escolares produzidos em três momentos da história brasileira: República Velha, Era Vargas e Ditadura Militar. Neste caminho, prefácios, prólogos, apresentações, introduções e posfácios, além de outros suportes do impresso, revelaram-se como objetos imprescindíveis na tarefa de entender as diversas formas de conceber o civismo e escrever sobre a formação dos cidadãos. Pelos prefácios, foi possível identificar e analisar representações de ideais e valores de democracia, sonhos e desilusões republicanas, bem como, projetos e programas políticos. Como discurso que prepara a leitura, os prefácios analisados possibilitaram percorrer, por um lado, os elementos históricos externos ao livro e que recobriram objetivos sociais e políticos mais amplos da ação autoral. Por outro, permitiu entender que as opções do autor projetavam-se no tipo de linguagem e estratégia discursiva configuradas na estrutura interna do livro. Permitiram entender também a plasticidade do princípio que enuncia a formação do cidadão. Pelos prefácios fluíram ideais republicanos, disputas regionais, elementos da democracia autoritária, positivismo, cristianismo, marxismos e várias outras formas de representar a prática política. Tais representações reivindicaram para si a primazia na escolarização de temas como pátria, nação e cidadania tornando-os pré-requisitos da ação política. Enfim, Analisando traduções de manuais estrangeiros, livros didáticos, cartilhas, enciclopédias e demais gêneros de impressos escolares foi possível concluir que os prefácios cívicos significaram pontos de ligação entre as coisas do mundo e o mundo dos livros. Palavras-
2022-12-06T14:49:38Z
Cleber Santos Vieira
Bioética e valores: um estudo sobre a formação de professores de ciências e biologia.
O presente trabalho é a uma pesquisa empírica, de caráter qualitativo que tem como objeto de estudo a formação inicial de licenciandos de Ciências e Biologia. O objetivo central da investigação foi analisar se ela tem contribuído adequadamente para a tematização e construção de valores humanos e verificar sob a ótica dos licenciandos seu papel na formação ético-moral dos futuros estudantes e seu nível de preocupação sobre a dimensão ética dos saberes científicos e tecnológicos. O percurso metodológico consistiu em duas fases. Na primeira, licenciandos de Ciências e Biologia de três Instituições de Ensino Superior distintas responderam a um questionário referente à importância da formação ético-moral do estudante de ensino fundamental e médio e, para tanto, sua qualificação como docente. A segunda fase caracterizou-se pela aplicação de outro questionário com quatro casos com conteúdos dilemáticos e conflitos éticos nos quais os licenciandos identificaram ou opinaram sobre como os tratariam em sala de aula. Com base nas referências teóricas fornecidas pelo estudo na literatura voltada especificamente à educação ético-moral na perspectiva filosófica e psicológica, como também da Bioética de proteção, constatou-se que os licenciandos admitem que o aspecto ético-moral é fundamental para a formação do estudante, crêem que a escola, bem como outros ambientes sociais são co-participantes no desenvolvimento moral. Reconhecem a contribuição da disciplina de Ciências e Biologia como espaço de promoção de valores ético-morais e identificam assuntos que suscitam discussões éticas. Alguns obstáculos foram identificados que, direta e indiretamente, contribuem para o despreparo do professor em tratar dessas questões polêmicas, entre outros: a dificuldade de estimular e conduzir uma discussão, a insegurança quanto à perda do controle da classe, a não aceitação da divergência. Essas dificuldades podem ser atribuídas à sua trajetória de formação. Os resultados indicam a necessidade de implementação de novas estruturações para os cursos de formação destas disciplinas. A educação em Bioética favorece a inclusão da educação em valores no ensino de Ciências e Biologia, desde que os professores reconheçam que não podem se eximir de auxiliar seus futuros alunos a desenvolver habilidades necessárias para a reflexão sobre um problema e suas dimensões sociais, políticas e éticas requeridas na tomada de posição de todo o cidadão.
2022-12-06T14:49:38Z
Paulo Fraga da Silva
Descendência japonesa e o bom desempenho em matemática: uma reflexão sobre as causas.
O bom desempenho dos descendentes de japoneses em matemática não é novidade para a maioria das pessoas. As interpretações sobre as causas desse resultado podem, no entanto, ser divergentes. Com a intenção de desmistificar algumas concepções sobre tal tema iniciamos esta pesquisa. Para fundamentar tal intenção, buscamos inicialmente um levantamento de dados estatísticos que caracterizassem nosso ponto de partida, recorrendo aos bancos de dados de instituições responsáveis pelos vestibulares de duas das maiores universidades públicas do país a USP e a UNESP (respectivamente, a FUVEST e a VUNESP). Tal levantamento confirmou amplamente a sensação inicial, no que se refere ao desempenho diferenciado dos descendentes de japoneses. A partir daí, partimos em busca dos motivos que poderiam justificar os fatos observados. Nossa hipótese foi a de que os fatores culturais envolvidos seriam decisivos na interpretação de tal desempenho. Mesmo tendo tal perspectiva como ponto de partida, transitamos por variados territórios, em que a discussão sobre características genéticas ou inatas se fazia presente, amealhando argumentos que justificassem a hipótese inicial. Em tal busca, Keith Devlin e seu livro O Gene da Matemática desempenharam um papel fundamental. Tendo por base os fatos apresentados nesse livro, perceberemos também que não se trata de desconsiderar as capacidades biológicas inatas, e sim de entender que, no caso da aprendizagem de matemática, tais capacidades são partilhadas por todos os seres humanos, de modo análogo ao que ocorre com a competência para aprender a língua materna. Voltando-nos então para a discussão sobre a influência da cultura sobre o processo cognitivo, buscamos entender o modo como os elementos culturais influenciam a valorização da educação, favorecendo especificamente a relação entre os estudantes e a matemática. Em sua vida escolar no Japão, ou transcendendo fronteiras, como no caso dos descendentes de japoneses que vivem no Brasil os alunos educados segundo tais princípios desenvolvem sentimentos e relações afetivas favoráveis com a escola, revelando uma grande influência da cultura na formação pessoal. Na história do Japão, buscamos o modo como certos fatores, como a fragilidade geográfica e os parcos recursos naturais, foram importantes elementos que contribuíram para a valorização da educação. No caso específico dos descendentes nipo-brasileiros, podemos perceber que alguns elementos culturais originais, como o respeito à hierarquia, a ética do débito, a religiosidade, que aparecem fortemente na constituição do ser japonês, apesar de transformados pela assimilação de traços característicos da cultura brasileira, ainda apresentam resíduos importantes em seus descendentes. Complementarmente, um novo fator aparece fortemente como motivador dos alunos descendentes de japoneses, no Brasil: a busca da ascensão econômica, e conseqüentemente profissional, por meio da educação faz com que esses alunos atuem com bastante empenho em prol desse projeto de vida. Tais sentimentos impulsionam os alunos no sentido de valorizar o esforço, a vontade, a dedicação ao enfrentarem as naturais dificuldades encontradas em seu percurso escolar. Concluímos nosso percurso com a expectativa de haver evidenciado o peso decisivo dos elementos culturais na interpretação dos resultados diferenciados obtidos entre nós pelos descendentes de japoneses.
2022-12-06T14:49:38Z
Cristina Canto
Tessitura da escrita acadêmica: aprender a e ao escrever.
O presente trabalho toma como objeto o processo de escrita do texto acadêmico. Analisa os efeitos do trabalho de escrita conceito elaborado por Riolfi (2003) que ocorrem quando aquele que redige um texto se permite um processo de mão dupla: a) por um lado, permite que tanto a linguagem quanto os saberes já inscritos na cultura ressoem em seu corpo e; b) por outro, consegue distanciar-se o suficiente deste lugar de caixa de ressonância de modo a poder circunscrever um lugar enunciativo desde onde buscar respostas para questões que lhe sejam caras. Mobilizando o conceito de pulsão (FREUD, 1915, 1920; LACAN, 1964), uma vez que desejei vincular o ato de escrever com as maneiras por meio das quais preferencialmente cada pessoa obtém suas satisfações ao longo de sua existência, selecionei duas informantes com trajetória muito similar e economia pulsional bastante diversa. Como resultado da análise dos dois dossiês, que reúnem todos os rascunhos das dissertações das duas mestrandas, foi possível pontuar duas facetas pedagógicas diferentes envolvidas no percurso de construção do texto acadêmico: aprender a escrever e aprender ao escrever. Aprender a escrever foi a expressão utilizada para recobrir as operações necessárias para incluir o outro na escrita, considerando os efeitos de sentido potencialmente suscitados pelo texto. Trata-se, portanto, de uma mudança na economia da pulsão oral. Aprender ao escrever, por sua vez, consiste na possibilidade de utilizar a escrita como dispositivo de ensino para aprender uma teoria até o ponto de oferecê-la subjetivada ao leitor. Trata-se, portanto, de uma mudança na economia da pulsão anal. No processo de tessitura da dissertação das duas informantes, também analisei as intervenções realizadas pelo orientador, as quais permitiram a ocorrência de deslocamentos da relação do aluno com o saber no percurso de formação. Sendo assim, o estudo mostrou que a escrita é um poderoso dispositivo de ensino e sublimação. Quem decide enfrentar este processo jamais sairá ileso das ações que a linguagem exercerá no seu corpo. Concluí, portanto, que a condição necessária, por parte de um pesquisador, para escrever e ser formado é pautar suas ações na responsabilização (HANS JONAS, 2006).
2022-12-06T14:49:38Z
Emari Andrade
Imagem-identidade indígena: construção e transmissão em escolas não-indígenas
Esta tese aborda como são construídas e transmitidas as imagens dos indígenas brasileiros nas escolas não-indígenas de Ensino Fundamental, tanto nos conteúdos programáticos como nas vivências cotidianas, em referências que se apresentem ou eventos que sejam propostos. Compreender como operam os professores no cotidiano, como constroem e/ou divulgam a imagem dos indígenas foi o objetivo de pesquisa. A base comparativa foi dada pela expectativa de que a escola não-indígena está minimamente informada sobre as conquistas dos indígenas que estão presentes na legislação brasileira a partir da Constituição de 1988 e, mais diretamente, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. 9394/96 substrato comum a todos os brasileiros e que é do domínio da escola e dos educadores não-indígenas. Contemplou um estudo de caso, a saber, a cidade de São José dos Campos no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, cidade que começou como aldeia indígena e atualmente não tem contato direto com indígenas, embora disponha dessa possibilidade com comunidades relativamente próximas. Fez-se necessário, então, conhecer a legislação no que diz respeito à escolarização indígena e não-indígena; o município; conceitos de pluralidade cultural, tolerância, imagem e identidade em especial na sua relação com os instrumentos legais e normativos disponíveis atualmente no Brasil particularmente nos Parâmetros Curriculares Nacionais e no Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas, bem como em instrumentos legais e normativos existentes em nível estadual e municipal. Baseia-se também em Silva, Grupioni, Goffman, Fischmann, entre outros para compor a base teórica. Como resultado da investigação apurou-se que as escolas ainda apresentam conteúdos e imagens estereotipadas dos indígenas brasileiros.
2022-12-06T14:49:38Z
Leila Gasperazzo Ignatius Grassi
À sombra do assembleísmo pedagógico: fazeres escolares democráticos e tecnologias do eu
A presente dissertação tem como objeto de problematização as práticas das assembléias escolares (de classe) e os discursos teórico-acadêmicos que lhes dão sustentação. Por meio de um enfrentamento teórico de inspiração foucaultiana, as práticas escolares entendidas como democrático-participativas são aqui analisadas como mecanismos constituintes de jogos de verdade bastante presentes nos fazeres escolares contemporâneos. Trata-se de tomar as assembléias de classe como fomentadoras de determinadas tecnologias do eu. Consoante à teorização foucaultiana, a noção de eu é aqui reputada como uma construção histórica e social, e as atuais práticas de subjetivação, tendo como lócus a escola e como foco as assembléias de classe, são entendidas como formas de exercício do poder por meio de tecnologias de cunho pastoral. A partir de um deslocamento nas formas de exercer a condução das condutas do poder disciplinar ao biopoder ou psicopoder , tais tecnologias intentam forjar novas subjetividades, denominadas autônomas, críticas e reflexivas. Daí o objetivo principal da pesquisa levada a cabo: colocar em pauta o governo contemporâneo das almas escolares, assim como propor uma reflexão acerca, por um lado, das vicissitudes de uma escola dita democrática, e, por outro, dos limites daquilo que vem sendo denominado democracia escolar. Para tanto, realizou-se um dupla entrada investigativa: de um lado, a observação empírica das assembléias de classe realizadas em uma instituição de ensino da rede pública da cidade de São Paulo e, de outro, a problematização de alguns discursos teórico-acadêmicos sobre a temática das assembléias escolares. Nesse encontro, os acontecimentos empiricamente observados foram organizados de acordo com sete atos analíticos, por meios dos quais tornou-se possível tecer uma analítica das formas de exercício do poder aí em curso. As produtividades escolares contemporâneas e as relações de força que se estabelecem entre os exercícios do poder e da liberdade são retomadas, ao final, como núcleo de nossa argumentação central para questionarmos como atuam as novas modalidades de governo escolar sobre a subjetividade do alunado.
2022-12-06T14:49:38Z
Marta Serra Young Picchioni
A percepção de Ciência e Tecnologia dos estudantes de ensino médio e a divulgação científica
O presente trabalho trata da percepção da Ciência e da Tecnologia dos estudantes de Ensino Médio de uma Escola Pública da cidade de São Paulo/Brasil e das relações destas percepções com a divulgação da Ciência. Como suporte teórico principal para esta pesquisa utilizou-se a Teoria Sociocultural de Vigotski e os estudos de Bakhtin sobre análise do discurso. A intenção principal deste trabalho foi discutir os aspectos que envolvem a Educação Formal e a Mídia, considerando que o indivíduo convive em um contexto sociocultural e, por meio de interações constantes construí significados. As significações atribuídas pelos indivíduos acontecerão tanto ao nível das percepções quanto ao nível da formação dos conceitos e, neste sentido, esta pesquisa traz não apenas algumas percepções de Ciência e Tecnologia que os estudantes apresentam, mas também contribui no sentido de entender como estes estudantes interagem com tais percepções e com as publicações em jornais e revistas que divulgam a Ciência e a Tecnologia. A metodologia de pesquisa utilizada baseou-se no paradigma interpretativo, o qual pressupõe que o mundo real vivido é uma construção dos atores sociais na busca de significados. A partir deste paradigma construímos uma fonte de dados por meio de duas abordagens de pesquisa: a abordagem quantitativa e a abordagem qualitativa. Para coleta dos dados utilizaram-se as técnicas de entrevistas estruturadas, entrevistas semiestruturadas, questionário sociocultural e registro das atividades em sala de aula. Esta ampla coleta resultou em uma vasta fonte de dados que, após analisadas, nos levaram a traçar alguns indicativos para pensar numa intervenção na sala de aula considerando as percepções de Ciência e Tecnologia dos estudantes e a influência destas nos processos de significação. Além disso, os resultados nos levam a concluir que existe uma necessidade real de uma leitura crítica da divulgação científica por parte dos estudantes e esta leitura pode e deve ser realizada por meio de interações com textos de divulgação científica nas aulas de Ciências.
2022-12-06T14:49:38Z
Marcia Borin da Cunha
Elaboração e análise de uma metodologia de ensino voltada para as questões sócio-ambientais na formação de professores de química
A importância das questões sócio-ambientais vem crescendo rapidamente, sobretudo na elaboração de currículos de ciências, com conseqüências para a formação de professores. No entanto, atuar nessa perspectiva vai além da disponibilidade de materiais didáticos comprometidos com essa proposta, faz-se necessário formar professores capazes de utilizálos, dotados de visão multidisciplinar do corpo teórico específico de sua área de atuação e com condições de adotarem um modelo de ensino diferente do vivenciado por eles durante toda a sua vida escolar. As metas de uma formação comprometida com as questões sócioambientais envolvem não somente a apropriação do conhecimento científico tanto teórico quanto experimental, mas também o reconhecimento dos impactos ambientais envolvidos no ciclo de vida de produtos de consumo duráveis e não duráveis, e até mesmo o planejamento do ensino experimental contemplando formas de minimização dos impactos ambientais. Nossa pesquisa procurou tornar viável a avaliação da formação de professores de Química na perspectiva de um comprometimento com as questões sócio-ambientais. Para tanto acompanhamos a elaboração e aplicação de uma metodologia de ensino apoiada nos princípios da Química Verde e voltada para tais questões pela docente, e também pesquisadora da própria prática, de disciplinas da licenciatura em Química em uma Instituição de Ensino Superior particular no interior de São Paulo no período de 2005-2008. Tal acompanhamento nos permitiu estabelecer indicadores de comprometimento sócio-ambiental durante a evolução da elaboração dessa metodologia. Esses indicadores foram analisados sobre a perspectiva do amadurecimento do aparelho psíquico proposto por Melanie Klein e generalizados para propiciar a análise dos projetos de ensino, elaborados pelos licenciandos da turma de 2008, com ênfase para as questões sócio-ambientais na perspectiva CTS. Essa análise nos permitiu concluir sobre o nível de comprometimento dos licenciandos com essas questões. Analisamos também os efeitos da pesquisa sobre a própria prática, resultando em uma reflexão que permitiu tanto uma mudança do discurso da docente, como também uma evolução na relação professor/aluno, através da superação parcial tanto das limitações institucionais como pessoais. Essa evolução foi percebida através de análise de projetos de ensino, das participações dos alunos, dos artigos elaborados pela docente, da orientação de projetos de iniciação científica, desde 2005 até 2008.
2022-12-06T14:49:38Z
Marlene Rios Melo
Inovações no ensino de ciências e na educação em saúde: um estudo a partir do Projeto Finlay
O presente estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada a partir da análise de um projeto de ensino de ciências desenvolvido pelo Laboratório de Ensino de Ciências e Tecnologia (LECT) da Escola do Futuro da USP, denominado projeto Finlay, que tem como objetivo divulgar informações e engajar ativamente alunos de educação básica na problemática da dengue. Neste estudo realizou-se uma análise do projeto Finlay e da atuação de 15 escolas publicas e particulares junto a ele, durante os anos de 1999 a 2002. Para isso, foi necessário realizar uma análise documental do projeto, bem como entrevistas presenciais e virtuais com os professores, coordenadores e diretores das escolas participantes. Os resultados obtidos revelaram que os alunos participantes do projeto Finlay, durante o período de estudo, coletaram 705 larvas de insetos em 21 municípios e 109 bairros diferentes. Estes dados mostram que o ensino de ciências que se apresenta hoje nas escolas, centrado quase que exclusivamente no livro didático, pode sofrer melhorias quando se propõe atividades onde os alunos investigam os problemas reais que a comunidade enfrenta. Neste sentido, o estudo sugere inovações no ensino de ciências voltadas ao modelo de aprendizagem participativa, através de investigações científicas autênticas e no uso de novas tecnologias de informação e comunicação. No que se refere às inovações na educação em saúde, este estudo considera que os projetos devem, além de informar, engajar ativamente os cidadãos na problemática enfrentada e que quando os projetos são sediados nas escolas há maior possibilidade de êxito e expansão.
2022-12-06T14:49:38Z
Ana Maria Pereira dos Santos
Ouvidos abertos: a oralidade, a escrita e a canção
Observar as múltiplas relações entre a oralidade, a escrita e a canção popular brasileira são o objetivo deste trabalho. O que na canção seria atributo da cultura escrita? O que seria reverberação da tradição oral? Os estudos sobre a oralidade, a história da escrita e da leitura articulam-se à análise de fonogramas diversos, de diferentes momentos da história da canção brasileira. Oralidade, escrita, música e poesia compreendidos como campos distintos que, no corpo da canção, interpenetram-se, indiferentes a quaisquer hierarquias. A canção popular é, concomitantemente, compreendida como fenômeno musical, poético e cultural. Tratamos de pensar a canção como gênero e, de alguma forma, pensar seu lugar social (suas origens e transformações, suas relações com os mass media, sua capacidade de adaptar-se às mudanças de paradigmas de produção e recepção e o caráter dadivoso de sua economia). A voz, a palavra cantada, os corpos de quem canta e de quem ouve, os meios materiais de produção, difusão e fruição, constituem um sistema de trocas simbólicas, determinante para a conformação de um gênero específico (híbrido, poético-musical, que é a canção) que se configurou como principal vetor de representação de múltiplas sociabilidades e, não raro, promotor de uma aproximação reflexiva sobre as mesmas. Propomos, portanto, um exercício teórico que conjugue, de alguma maneira, o estudo da forma pela qual as canções se dizem ao que dizem sobre nós as canções.
2022-12-06T14:49:38Z
Evandro Rodrigues da Silva
Educação em jardins botânicos na perspectiva da alfabetização científica: análise de uma exposição e público
Na discussão atual sobre a Alfabetização Científica, há um consenso que esse processo ocorre ao longo da vida e em diferentes espaços educativos. A fim de colaborar com essa discussão, o presente estudo investigou se as exposições em jardins botânicos contribuem para a Alfabetização Científica de seus visitantes. A revisão da literatura referente à Alfabetização Científica e à educação em museus permitiu desenvolver uma Ferramenta de Análise para avaliar a presença de indicadores de Alfabetização Científica. A pesquisa foi realizada em uma exposição no Jardim Botânico de São Paulo e teve duas unidades de coleta de dados: exposição e público. Em ambas foi empregada a Ferramenta de Análise, sendo que, para o público, a análise dos diálogos identificou ainda a presença de habilidades investigativas. Os resultados revelam que a exposição, apesar de não ter sido elaborada na perspectiva da Alfabetização Científica, contempla todos os indicadores propostos científicos, institucionais, sociais e estéticos/afetivos e carrega 10 dos 19 atributos estabelecidos pela Ferramenta de Análise, sendo o Indicador Científico o mais presente na exposição. Quanto à análise dos diálogos das famílias, o Indicador Científico também foi o mais presente, mostrando que as afinidades pessoais e as vivências com o meio natural despertam a atenção dos visitantes para os assuntos relacionados à ciência. As habilidades investigativas mais evidenciadas são: observação, questionamento e explicação. Concluímos que a exposição estudada incita a compreensão e a discussão de temas científicos relacionados às questões ambientais atuais discutidas pela sociedade. Como produto final de nossas análises, traçamos recomendações para a Alfabetização Científica em jardins botânicos.
2022-12-06T14:49:38Z
Tania Maria Cerati
Educação para a cidadania na escola: representações de professores de ensino médio
A presente pesquisa tem como objetivo analisar as representações que professores de ensino médio constroem e desenvolvem sobre a educação para a cidadania no contexto escolar. Parto da premissa de que a educação, nas últimas décadas, coloca uma especial ênfase na formação de cidadãos ativos e comprometidos, mediante sua participação nas responsabilidades coletivas. Na atualidade, a educação para a cidadania se concebe desde as formas em que se trabalham os saberes escolares e se constroem os conhecimentos na sala de aula, até a participação na escola e fora dela, envolvendo a comunidade com experiências que favoreçam seu exercício. Assim, a escola é um local privilegiado de educação para a cidadania, porque é um espaço que estimula o aluno a desenvolver novas formas de participação, e que providencia oportunidades de desempenho de papéis, tanto formais como informais, e de construção de relações na sua própria dinâmica. Nesse sentido, é conveniente e fundamental analisar o papel do professor cuja prática resulta de uma interação de sua experiência profissional com o contexto escolar no qual está inserido. Utilizo como referência a teoria das representações de Lefebvre, pelo potencial em fornecer subsídios para o estudo do cotidiano escolar, proporcionando novas formas de olhar, compreender e interpretar o sentido das concepções sobre educação para a cidadania que determinam sua prática pedagógica. Esta pesquisa, de cunho qualitativo, envolve coleta de dados através de entrevistas a oito professores de ensino médio de diferentes áreas, de uma escola estadual e uma escola municipal da Grande São Paulo. Utilizo a metodologia denominada por Bardim de análise de conteúdo, para organizar, codificar e categorizar os discursos dos professores em três níveis ou categorias denominadas: cidadania, função da escola e prática docente, através das quais foi possível apreender diferentes representações, de modo a entender como elas não se definem apenas pelo conhecimento, mas sim pela relação destas com a vivência que ocorre no desvendar da própria prática profissional. Considero, ao final deste estudo, que nas representações dos professores, as categorias anteriormente mencionadas se mobilizam em um processo dialético que compreende conflitos e contradições nas práticas reiterativas; e mudanças de postura nas práticas criadoras, entre aquilo que professores concebem como explicação dos fatos e o que eles experimentam na vivência dos mesmos.
2022-12-06T14:49:38Z
Angela María Figueroa Iberico