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Notícias de Segunda Mão: os jornais locais e a cobertura política
Esta tese de doutorado, que se insere no âmbito das pesquisas de comunicação e política, tem como objeto a imprensa regional ou local, a partir de uma questão crucial: teriam os jornais locais deixado de exercer o papel de controle e fiscalização do poder e, portanto, deixado de cumprir a missão de bem informar os cidadãos, acomodando-se a seguir a pauta e o enfoque dos veículos aos quais tomam de empréstimo o noticiário? Por meio de uma investigação da história do jornalismo local, conjugada com estudos empíricos acerca do discurso midiático, o presente trabalho conclui, baseado em estudos de caso e análises quantitativas e qualitativas de uma amostragem significativa de jornais locais e regionais, que a resposta a essa pergunta é \"sim\". O Brasil não conta uma imprensa local forte, o que acarreta implicações negativas para a democracia. O corpus da pesquisa foi recortado de seis veículos locais ou regionais: Comércio do Jahu-SP, Correio do Povo-RS, Diário do Rio Doce-MG, Folha do Estado da Bahia-BA, Jornal do Povo-MS e O Liberal-PA. Foram estudadas edições de cada um desses títulos, publicadas durante as crises políticas de 2015 a 2017. Além disso, profissionais responsáveis por esses conteúdos e representantes de associações de diários dos interiores e agências de notícias foram longamente entrevistados. Os resultados evidenciam o uso excessivo de notícias de segunda mão, isto é, não produzidas por equipes próprias. A análise do discurso aqui empreendida demonstrou que, no caso do impeachment de Dilma Rousseff, os seis jornais reproduziram, com ângulos praticamente idênticos e sem contextualização municipal ou regional, o discurso de Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Já sob o governo de Michel Temer, esses jornais procuraram se afastar da narrativa das três grandes publicações, denotando estar a serviço de interesses políticos de suas regiões.
2018
Eduardo Yoshio Nunomura
Biopolítica, comunicação e o poder pastoral
Este trabalho explora novas maneiras de se pensar os Meios de Comunicação de Massa, suas relações de poder e sua relevância social. Através da filosofia de Michel Foucault, Gilles Deleuze e muitos outros pensadores que seguiram suas reflexões, adotando conceitos como Biopoder, Biopolíticas, Poder Pastoral, Sociedade Disciplinar e Sociedade de Controle, podemos obter novas perspectivas de como eles, os Meios de Comunicação, se inserem nas relações sociais, como operam, e como estão relacionados com a formação de um novo tipo de sujeito: o sujeito mediático. Estes estudos são um passo importante para se constituir uma abordagem pósestruturalista das ciências da comunicação, mas não se destinam a aproximar as teorias da comunicação da analítica pós-estrutural; o objetivo presente é de oferecer caminhos e ferramentas alternativas para se entender e/ou lidar com as relações produzidas através dos Meios de Comunicação. Infelizmente, todo o conhecimento das Ciências da Comunicação foi produzido sob o prisma estruturalista, e portanto, estabelecer uma nova abordagem neste campo é uma tarefa delicada já que todas as referências disponíveis não são adequadas a esta outra epistemologia. Neste contexto, a presente pesquisa se resume a um estudo introdutório sobre como abordar a comunicação mediática de forma pós-estrutural.
2009
Guilherme Ranoya Seixas Lins
A experiência brasileira na conservação de acervos audiovisuais: um estudo de caso
A dissertação concentra-se no estudo do desenvolvimento do Sistema de Conservação do acervo audiovisual da Cinemateca Brasileira. Através da linha histórica, e a partir do olhar do técnico que participa diretamente das atividades de conservação, descreve cada etapa da evolução dos procedimentos dessas atividades e de alguns procedimentos de catalogação. Compreendendo o período de 1946 a 2001, a pesquisa acompanha o amadurecimento técnico institucional, desde os primeiros passos no conhecimento do objeto audiovisual e das técnicas de conservação, passa pelo desenvolvimento de um banco de dados para o controle de informações técnicas e de conteúdo, que finaliza com a implantação das áreas climatizadas para a guarda de longa permanência do acervo.
2009
Maria Fernanda Curado Coelho
Quem diz \'Eu, um negro\'? Vozes e foco narrativo no filme de Jean Rouch
Esta dissertação tem como objetivo discutir a questão da subversão das fronteiras entre documentário e ficção a partir do estudo de um filme pioneiro a esse respeito: Eu, um negro (1958), do cineasta e etnógrafo francês Jean Rouch. Essa dualidade é incorporada à própria estrutura do trabalho e as reflexões em torno do filme são divididas em duas partes, uma mais próxima do campo de estudos do documentário, a outra mais afinada com os estudos acerca do cinema de ficção. No primeiro caso, foca-se nas estratégias de abordagem empregadas por Rouch na transposição do mundo histórico para o cinema, destacando-se a heterogeneidade de registros de imagem e som empregados neste processo. No segundo, é feita uma análise imanente do filme, com destaque para a questão das vozes e do foco narrativo. E a partir dessas leituras é feita uma reflexão sobre os aspectos clássicos e modernos de Eu, um negro, seja como uma ficção, seja como um documentário.
Educação audiovisual popular no Brasil - panorama, 1990-2009
Esta tese apresenta um mapeamento da experiência de oficinas e cursos livres audiovisuais gratuitos no Brasil, entre 1990 e 2009, a partir dos desafios, práticas e trajetórias pedagógicas compartilhadas pelas entidades que os promovem. Buscou-se estabelecer as principais intencionalidades, sistematizar meios comuns e apresentar meios extraordinários utilizados para promovê-las, bem como refletir sobre os principais resultados obtidos, na tentativa de identificar como e quando encontram o melhor de seu potencial. Para tanto realizamos e aplicamos 198 questionários e entrevistas, com profissionais oriundos de 70 entidades de todo o país, cujos resultados serviram de ponto de partida para as análises subsequentes. Os dados coletados e análises realizadas indicaram que os profissionais de tais entidades revisitam e em alguma medida recriam princípios filosóficos, teorias e práticas de campos correlatos da educação, especialmente do subcampo que identificamos como o das educações alternativas e democráticas. As entidades vêm alcançando excelentes resultados sob parâmetros diversos, o que sugere que tais princípios filosóficos, teorias e práticas integradas à promoção de aprendizados como o audiovisual têm potencial para promover a superação de desafios crônicos do âmbito das escolas formais e inspirar o desenvolvimento de políticas públicas.
2010
Moira Toledo Dias Guerra Cirello
Diferença e identidade - sentidos em construção
A atualidade do tema da diferença em comunicação e de sua relação com o de identidade é aqui tomado com objeto de estudo. Buscando referenciais conceituais e teóricos de diferentes áreas do conhecimento, bem como se servindo de exemplos e práticas empíricas ligadas ao tema, o trabalho destaca as condições de interligação entre diferença e identidade apontando sobretudo a dimensão de autonomia que os envolve. Propõe que a atualidade da temática reflete um contexto sócio-histórico onde a diferença e a identidade assumem significações renovadas também no campo da comunicação social.
2006
José Ronaldo Alonso Mathias
Discursos de intervenção: o cinema de propaganda ideológica para o CPC e o ipês às vésperas do golpe de 1964
Esta dissertação tem o objetivo de investigar o cinema de propaganda política produzido por duas associações de caráter ideológico, entre os anos 1961 e 1964: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipês), dirigido principalmente por ricos empresários liberais e anticomunistas; e o Centro Popular de Cultura (CPC da UNE), constituído por jovens artistas influenciados pelas idéias marxistas. Para tanto, busquei articular informações provenientes da análise intrínseca de seus filmes com as do contexto histórico em que foram feitos e exibidos e, em especial, as extraídas da documentação a que tive acesso, com o intuito, então, de compreender os modelos cinematográficos aos quais essas obras se alinharam. Ao estudar como ipesianos e cepecistas foram adversários em meio às instabilidades de um Brasil próximo ao Golpe de 1964, foi possível constatar como os dois grupos financiaram a atividade cinematográfica com a expectativa de intervir nos rumos socioeconômicos e culturais do país a partir de projetos conflitantes que, por um lado, pretendiam fortalecer o poder da elite com um capitalismo de base liberal e, por outro, romper com as estruturas de poder capitalistas. Nesse sentido, mesmo com essas divergências, a pesquisa demonstra como ambos utilizaram um discurso próximo em suas filmografias, repleto de similaridades, que se manifesta no uso de técnicas e linguagens idênticas, como é o caso das experiências estéticas didáticas e das representações do povo com a finalidade de concretizar um programa ideológico para a nação. Assim, esse mestrado procura defender a hipótese de que, mesmo politicamente opositores, Ipês e CPC manusearam um referencial cinematográfico com diversas semelhanças.
2008
Reinaldo Cardenuto Filho
Meios de comunicação, publicidade e infância: explorando os paradigmas do proibir e do ensinar
Há algumas décadas, estudos vêm sendo desenvolvidos com o intuito de analisar o impacto da mídia, e da publicidade, no desenvolvimento infantil. Entre os alertas sobre o desaparecimento da infância e a euforia provocada pelas possibilidades das novas tecnologias, os Estudos Culturais propõem a discussão do tema sob a ótica de questões como cultura, identidade e poder. Nesse sentido, este trabalho pretende colaborar com o debate ao revisar a bibliografia e observar empiricamente a relação criança, escola e mídia segundo métodos pedagógicos específicos (pedagogia Waldorf, mídia-educação e uso das TICs - Tecnologias da Informação e Comunicação - em sala de aula). Os resultados desta investigação refutaram a hipótese inicial de que uma pedagogia que evite ao máximo o contato com os meios eletrônicos pudesse resultar em crianças com um menor consumo de mídia.
2012
Deborah Fernandes Carvalho
As representações da USP nos seus públicos visitantes e na imprensa
Esta pesquisa teve como objetivo analisar as relações comunicacionais da Universidade de São Paulo (USP) com seus públicos visitantes, por meio do estudo de seus perfis socioeconômicos e de suas representações sobre a instituição a partir de uma metodologia comparativa desenvolvida para responder às questões formuladas. Para tanto, o estudo se baseou nas idéias e nos conceitos de representações sociais de Serge Moscovici. A partir de questionários e outros instrumentos, o estudo detectou diferentes representações entre os públicos visitantes da USP (físicos e virtuais, incluindo os leitores-visitantes) a partir das formas como se relacionam com a instituição por meio do Centro de Visitantes ou do Portal da Universidade na Internet , assim como as representações da instituição que foram publicadas pela imprensa durante a greve de 2007.
2008
Leandra Rajczuk Martins
O perfil da TV universitária e uma proposta de programação interativa
Esta tese traz reflexões sobre a construção do campo público da televisão brasileira tomando por base os sistemas adotados em países como Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Venezuela e Brasil; localizando em cada experiência informações sobre a estrutura, os modelos de gestão e de financiamento, os instrumentos de participação popular e o perfil da programação. Especificamente no Brasil, apresentamos o percurso histórico das TVs públicas, pontuando dois momentos fundamentais: o primeiro, em 1995, quando as operadoras de TV a Cabo, em cumprimento da Lei da Cabodifusão, passaram a disponibilizar os canais básicos de utilização gratuita, garantindo a oferta de sinal para as TVs legislativas, comunitárias e universitárias e do Poder Judiciário, a partir de 2002. Estas, juntamente com as emissoras educativo-culturais que já exibem em sinal aberto, passaram a integrar o que se convencionou chamar de campo público da televisão. O segundo momento, em 2006, é marcado pelo Decreto que dispõe sobre a implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. O documento prevê a destinação de canais para a exploração direta da União Federal e uma faixa entre os canais 60 e 69 para as emissoras públicas espaço esse ainda cobrado pelo segmento, que exibe majoritariamente no cabo. Nesse contexto, são apresentadas as especificidades da TV universitária enquanto mídia especializada do ensino superior, com foco nos objetivos de comunicação o ensino, a pesquisa e a extensão. Essas informações servem de base para cumprir nosso objetivo: compreender como o segmento vem construindo sua identidade, a partir do levantamento do perfil dessas TVs quanto à sua institucionalização, formas de gestão e financiamento, participação acadêmica na produção de conteúdo, programação e alternativas de veiculação. Para isso, realizamos uma pesquisa de campo e, em um universo de 1.662 instituições de ensino superior das cinco regiões brasileiras, localizamos 151 TVs. Embora, à primeira vista, essa presença pareça tímida, os resultados revelam um crescimento de 755%, tomando como referência o ano de 1995, quando as experiências de produção televisiva em ambiente universitário não passavam de 20 em todo o país. Os resultados desse levantamento apontam para uma realidade sobre a qual o segmento universitário ainda não vem dando a devida atenção: cresce o número de TVs operando no cabo, é intensa a luta por um espaço no espectro da TV digital aberta, mas as poucas experiências na web se limitam a postar os programas nos portais das instituições ou das próprias TVs. Ou seja, a web está relegada a um suporte secundário para a distribuição de conteúdo, na contramão da crescente migração dos telespectadores para a rede mundial de computadores. Assim, apresentamos uma proposta de WebTV universitária que vá além do processo de produção, mensagem e recepção, privilegiando o fluxo dialógico proporcionado por canais reais de interatividade, no qual o receptor pode também ser um produtor de informação.
2010
Alzimar Rodrigues Ramalho
A velhice conectada e suas representações na publicidade em vídeo brasileira
Esta dissertação traz um panorama das representações dos idosos em peças publicitárias em vídeo, com foco em imagens que retratam indivíduos desta faixa etária usando Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). O objetivo da pesquisa empírica foi identificar quais são os estereótipos associados à velhice mais recorrentes nas propagandas brasileiras e como o idoso é abordado: como público-alvo relevante ou apenas como personagem. O corpus da análise foi composto por 42 anúncios publicitários, veiculados entre 2011 e 2017, que mostram idosos em interação com as TICs. A metodologia escolhida foi a Análise de Conteúdo (AC), especificamente a adaptação de Rose (2003), que contempla narrativas audiovisuais. Os indicadores observados foram elencados seguindo as mediações constituintes do mapa das mediações comunicativas da cultura, de Martín-Barbero (2015). Foi identificado que o segmento de mercado que mais utiliza personagens idosos em contato com as TICs é o de tecnologia em si, com 43% do total dos anúncios da amostra. Em seguida, surgem os bancos, com 24% da amostra. O estereótipo mais recorrente, presente em 37% das peças, foi chamado pela autora de \"avós digitais\" e reforça uma percepção de que o idoso é ligado à família, transmite amabilidade e gentileza e usa a tecnologia com desenvoltura. No total, sete estereótipos foram identificados, demonstrando uma heterogeneidade de visões acerca da velhice presente no mercado publicitário. O idoso conectado presente na publicidade em vídeo brasileira tem o papel principal de transmitir determinadas mensagens ligadas à tecnologia, reforçando seus atributos e conferindo às empresas algumas características específicas, que não teriam o mesmo impacto caso fossem passadas por personagens jovens ou adultos.
2018
Amanda Cristina de Oliveira
O produtor e o processo de produção dos filmes de longa metragem brasileiros
O objeto de estudo é a produção dos filmes de longa metragem de ficção brasileiros desde a data de realização das primeiras filmagens feitas no Brasil até os dias atuais. Metas: O objetivo deste trabalho é definir um processo de produção e apresentar o papel do produtor nesse processo dentro dos modelos utilizados pela indústria cinematográfica para, a partir disso, montar um painel da história do Cinema Brasileiro que mostre sua evolução e seus desafios atuais. Resultados: Diferente de outros países que utilizam o cinema como forma de preservação de sua história e cultura, o Brasil está atrelado a uma produção sazonal, sem um projeto político que garanta sua mais livre forma de expressão. As conclusões indicam que enquanto esse projeto não for construído, não teremos um cinema que nos represente e o produtor desempenha um papel bastante relevante.
A chanchada brasileira e a mídia: o diálogo com o rádio, a imprensa, a televisão e o cinema nos anos 50
Esta pesquisa investiga o diálogo das produções cinematográficas cômicopopulares denominadas chanchada brasileira com os meios de comunicação nos anos 50. Tomando como referências teóricas o princípio dialógico de Mikhail Bakhtin, a Análise do Discurso e a Narrativa Cinematográfica, examina o diálogo dessas produções com a Imprensa, o Rádio, a TV e o próprio Cinema, mostrando as vozes que permeavam e retratavam a sociedade brasileira daquele período. Tais vozes respondem umas às outras ou polemizam entre si numa época em que a mídia passa por um processo de profundas transformações, rumo à lógica mercadológica da sociedade de consumo. Nesse sentido, este estudo busca evidenciar como se processa a interação das redes interdiscursivas entre os meios de comunicação.
2007
André Luiz Machado de Lima
TPA - o modelo de tv pública de Angola
Este trabalho apresenta uma análise da TPA - TV Pública de Angola fazendo-se um paralelo com outros modelos de TV pública no Brasil, na Alemanha, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Para atingir o objetivo da pesquisa, a presente dissertação começa com uma pesquisa sobre a história de Angola, desde antes da colonização portuguesa até os dias de hoje. Em seguida relatamos a evolução dos meios de comunicação naquele país africano, dos jornais à Internet, com maior ênfase na TPA. Os capítulos seguintes relatam características de programação, capacitação profissional e relações com a sociedade da TV pública angolana. A conclusão estabelece um paralelo entre a TV de Angola e outros modelos de TV pública.
2007
Antonio Marcos de Guide
As múltiplas vozes da Caravana Farkas e a crise do modelo sociológico
Caravana Farkas é o um conjunto de 20 documentários produzidos por Thomas Farkas entre 1964 e 1969. Este trabalho analisa verticalmente três destes filmes - Viva Cariri! (1970), de Geraldo Sarno; De Raízes e Rezas, entre outros (1972), de Sergio Muniz e Frei Damião: Trombeta dos Aflitos, Martelo dos Hereges (1970), de Paulo Gil Soares -, buscando situá-los em relação à tradição documentária brasileira que os antecedem e ao documentário brasileiro da década de 70. As análises partem de sugestões imanentes aos filmes, em detrimento do contexto de produção; têm como foco as relações entre som e imagem internas aos filmes; e se apóiam em ferramentas teóricas ligadas especificamente ao filme documentário, como a categoria de voz do texto e os variados modos documentários. A partir do trabalho de análise, esse corpus pode ser caracterizado como de transição. Apesar de estarem ainda ligados às raízes do documentário expositivo brasileiro de cunho sociológico e ao paradigma da voz do dono, os filmes apontam para procedimentos que se tornarão mais comuns na produção brasileira posterior, na qual a busca da voz do outro ganha consistência.
Contradições da canção: música popular brasileira em \"O Mandarim\", de Julio Bressane
Os longas-metragens \"Tabu\" (1982) e \"O mandarim\" (1995), de Julio Bressane, reinterpretam a história da canção popular brasileira de Mario Reis até a Tropicália, usando referências do modernismo e do próprio tropicalismo e questionando as influências populares, eruditas e estrangeiras da música brasileira.
Uma reflexão teórica para compreender as mudanças no jornalismo com o uso de novas ferramentas tecnológicas
Esta pesquisa teve como objetivo melhor dimensionar a chegada de novas tecnologias e as mudanças no fazer jornalístico com a chegada dessas ferramentas. Procuramos demonstrar que as abordagens teóricas tradicionais, como o funcionalismo norteamericano (décadas de 30 e 40) e as teorias da Escola de Frankfurt (análise marxista da comunicação) - não são capazes de explicar as mudanças sofridas pelo Jornalismo na última década. Há um problema de ordem epistemológica e metodológica: qual deve ser a abordagem teórica para compreender a chegada de ferramentas tecnológicas como os wikis e os blogs? Essas ferramentas estão alterando as rotinas de apuração, produção, edição e veiculação de notícias. A idéia é a de refletir sobre o surgimento de outros referenciais teóricos mais eficientes para dimensionar o quadro atual; a saber, a teoria de sistemas emergentes e a teoria da complexidade.
2009
Charles Jungles Nisz Lourenço
Re-ver TV: um estudo sobre os processos e estratégias de deigitalização da televisão no Brasil
Este trabalho tem como objetivo, no contexto da implantação da TV Digital no Brasil, promover uma reflexão sobre o conceito de interatividade na sociedade contemporânea e, considerando as possibilidades dos novos suportes tecnológicos, contribuir para o desenvolvimento de novos formatos e conteúdos de produtos audiovisuais que, de fato, contribuam para a democratização da comunicação. Para tanto, realiza uma revisão bibliográfica que busca não só um embasamento teórico, mas também referendar a argumentação de que o conceito de interatividade sofre um processo de banalização e necessita ser depurado. A partir disso é apresentado um quadro sobre o conceito que ressalta a existência de uma diversidade de terminologias e definições. O projeto, em particular, faz a opção pelas caracterizações como reativa e mútua para interação mediada por computador e as usa num estudo de caso de programas interativos para televisão digital brasileira. Além disso, descreve vários outros aspectos técnicos que envolvem a estruturação de documentos hipermídia com o intuito de enveredar pelos caminhos da informática e suas concepções, já que isso passa a interferir sobremaneira nos processos produtivos audiovisuais. O resultado dessa trajetória não é conclusivo, assim como não parecem ser quaisquer estudos relacionados aos impactos do paradigma digital sobre os meios de comunicação, mas, de certo, explora as intersecções existentes entre TV e Interatividade, questões-chave que refletem as inquietações desta dissertação.
2009
Rodrigo Eduardo Botelho Francisco
A conquista do sagrado - jornalistas como editores de livros
Esta dissertação tem como objetivo analisar o trabalho de jornalistas que editam livros, sejam eles donos de editoras ou editores contratados. Foram entrevistados, a partir de um questionário não-diretivo, editores de livros que se declaram jornalistas por formação acadêmica ou prática profissional, e também editores de livros com formação direcionada a este mercado. As entrevistas foram analisadas e divididas em temas, determinados a partir de técnicas de análise de conteúdo. A pesquisa permite afirmar que os jornalistas, mesmo quando trabalham em outro campo como a edição de livros, se sentem ainda muito aderentes ao jornalismo, veem o livro como um objeto a ser reverenciado e têm uma percepção diferente dos editores de outras formações no que diz respeito às etapas de produção do livro, nas quais declaram utilizar muito da experiência obtida nos veículos jornalísticos.
2009
Renata Carvalho da Costa
Um documentário de afeto: espanhóis na cidade de São Paulo
O indivíduo contemporâneo é fragmentado e possui múltiplas identidades. Quantas referências culturais uma pessoa pode ter? Como essas diferentes identidades convivem entre si? Esta pesquisa acadêmica teve por objetivo utilizar o documentário como meio constituinte e significante para a reflexão sobre a construção das identidades culturais de imigrantes espanhóis na cidade de São Paulo. Para tanto, produzimos um exercício prático em formato de documentário, acompanhado de uma análise que contempla a reflexão sobre o método de produção construído durante a realização do exercício. A reflexão foi feita a partir de aproximações de métodos de produção do antropólogo David MacDougall e dos realizadores Eduardo Coutinho e Trinh T.Minh-há. Do mesmo modo, servimo-nos de alguns postulados de coleta de depoimentos da História Oral, propostos por José Carlos Sebe Bom Meihy, e dos acercamentos às memórias pessoais estudados por Ecléa Bosi. Levou-se em consideração, ainda, a hipótese elaborada no contexto do laboratório Aruanda lab.doc. Esse grupo de pesquisas, que reflete sobre as diferentes formas de produção de audiovisuais de não-ficção, postula como hipótese que não há uma metodologia única ou unificadora para o documentário, na medida em que ele tem como princípio fundante o compromisso com o real. Isso obriga ao realizador que haja adaptações dos métodos planejados às condições de realização impostas pelo mundo histórico.