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Masculinidades, raça e fracasso escolar: narrativas de jovens na educação de jovens e adultos em uma escola pública municipal de São Paulo

Nesta tese, busca-se uma reflexão sobre a dimensão simbólica dos conteúdos de gênero existentes em narrativas de jovens rapazes estudantes de um projeto de EJA da rede municipal da cidade de São Paulo, o chamado projeto CIEJA. A coleta de dados foi realizada em uma das unidades do referido projeto e o problema do estudo foi construído a partir da percepção da recente concentração de jovens rapazes, negros e pobres, na educação de jovens e adultos. Assim sendo, procurou-se verificar e investigar as possíveis relações entre masculinidades, raça e rendimento escolar, tendo por base os relatos dos jovens sobre as experiências escolares vividas antes e após seu ingresso no CIEJA. A proposta metodológica presente nessa investigação considera que relatos narrativos são portadores de reflexões que dotam de sentido as ações individuais, de tal forma que ao tomar em consideração as histórias contadas sobre a escolarização é possível ter acesso aos símbolos culturais que estruturam e fundamentam as masculinidades em sua relação com o rendimento escolar. Foram realizadas entrevistas com jovens, uma entrevista em grupo com o corpo docente da unidade do CIEJA e outra com a equipe técnica responsável pela gestão e orientação pedagógica da escola. A análise dos dados revela que os jovens compartilham significados de gênero condizentes com o que esperavam ser o modelo hegemônico de masculinidade nas escolas. A hegemonia e o caráter normativo dessa forma de identidade de gênero masculina foram mantidos ao longo de seus percursos escolares, através de práticas lingüísticas e corporais que lhes possibilitavam perceberem-se fortes, capazes de causar problemas e bem sucedidos em práticas esportivas associadas ao universo masculino, como o futebol. Desta forma, a medida do sucesso escolar, para esses jovens, está vinculada ao êxito das estratégias adotadas para preservar no espaço escolar os símbolos de gênero que estruturam o modo como entendem o que significa ser homem. O estudo constata também que jovens negros, embora estabeleçam relações de cumplicidade com o modelo hegemônico, compartilham uma masculinidade marginalizada, em função das contradições envolvidas em sua corporalidade, enquanto símbolo e fonte de expressão de masculinidade. Conclui-se que o projeto CIEJA procura resgatar a condição de sujeitos desses alunos, criando um espaço educacional diferenciado. Todavia, os significados do modelo hegemônico que esses jovens compartilharam, ao longo do ensino fundamental regular, permanecem incólumes durante sua trajetória no CIEJA, apontando assim outras possibilidades de reflexão para a compreensão e intervenção pedagógica junto a esses jovens.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Rosemeire dos Santos Brito

A descentralização de recursos financeiros como indutor da gestão democrática. Estudo sobre as escolas municipais de São Carlos, SP

A gestão democrática, a autonomia e a participação popular nos processos decisórios são elementos que sintetizam as características das relações sociais que fundamentam um tipo de sociedade pautada em relações transparentes e solidárias. Nesse sentido, a escola pública é local privilegiado para o estabelecimento de relações sociais dessa natureza. A instituição de canais de participação e a oferta de condições institucionais, materiais e humanas para as escolas públicas são elementos indispensáveis para que isso se realize. A implementação de políticas públicas comprometidas com as classes trabalhadoras sugere que o Estado, por intermédio de suas instituições, se aproxime dos usuários dos bens e serviços públicos, provendo-lhes os meios necessários que garantam condições dignas para o exercício da cidadania. No caso das escolas públicas municipais de São Carlos, a regularidade na disponibilização de recursos financeiros para os gestores escolares foi uma forma de descentralização adotada pela Administração Municipal de São Carlos, no período 2001-2004 para garantir as condições materiais de funcionamento das escolas, com a participação popular. A análise dos dados demonstrou que essa política pública é um instrumento importante para atender as necessidades materiais e de serviços mais imediatos das escolas públicas. O desenvolvimento do trabalho mostrou que a prioridade dos gastos foi com a manutenção predial e aquisição de materiais pedagógicos, contudo as características históricosociais da cidade de São Carlos são elementos dificultadores para que as intenções democratizantes da gestão estudada, com a instituição de canais de participação popular e outros mecanismos de aproximação do Estado dos usuários dos bens e serviços públicos fossem apropriados. Como instrumento indutor da gestão democrática, a análise reafirmou o tecido social da cidade e mostrou que a organização interna, na maioria das escolas públicas, não tem favorecido a participação popular. Como proposta, o estudo sugeriu o aprimoramento dos critérios utilizados para a descentralização de recursos financeiros para as escolas municipais e o fomento às ações que possam contribuir para que haja a ruptura com práticas tutelantes.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Teresa Lúcia Silva

Sobre laços entre tratar e educar na obra freudiana: uma discussão a respeito da proximidade

O presente estudo discute os laços entre o tratar e o educar na obra freudiana. A partir da constatação de certa confusão entre tratar e educar, verificada por meio das publicações a respeito do assunto, bem como pelas queixas daqueles que se ocupam do tratamento e da educação, partimos do questionamento sobre a existência da proximidade entre essas duas posições e propusemos uma discussão que, por esse viés, pudesse ajudar a desfazer a mencionada confusão. A escolha por esse percurso revelase interessante porque as produções que discutem o assunto parecem sublinhar a diferença em detrimento da proximidade entre tratar e educar. Caracterizamos a proximidade em termos de tipos de laços diferentemente qualificados: um laço inicial denominado simbiótico, em que o educar é tomado pelo tratar, em termos de um fim instrumental, e essa relação, do ponto de vista do tratar, fica caracterizada pela complementaridade o tratamento analítico é definido a partir de expressões próprias ao campo do educar e o caráter profilático que por um longo período definiu o tratamento é atribuído à educação; o outro laço é definido a partir da distinção entre tratar e educar. Num percurso genealógico pelos textos freudianos, foi possível acompanhar a construção do tratar e o interesse específico de Freud pelo educar, bem como as conseqüências das mudanças que esse processo implica. A mudança de um tipo de laço para outro não se dá de uma só vez, e é resultado das reformulações na concepção do tratamento frente aos impasses que Freud vai encontrando. Nesta pesquisa, que aborda o tratar e o educar como práticas distintas, discutimos a questão da aplicação da psicanálise à educação e a forma rigorosa e cuidadosa como Freud aborda o assunto, questionando não só a possibilidade de uma intersecção entre psicanálise e educação, mas também o modo como tal relação poderia se dar. A partir desse ponto, foi possível dialogar com os textos que tomam tal intersecção predominantemente do ponto de vista da diferença, mas buscando fomentar, seguindo o próprio trajeto freudiano, outros modos de discutir o assunto, considerando a proximidade entre tratar e educar. Encerramos este estudo com a discussão da proximidade a partir da atribuição do estatuto de impossível, tanto para a psicanálise como para a educação.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Camille Apolinario Gavioli

Implicações da cultura grafocêntrica na apropriação da escrita e da leitura em dois diferentes contextos

Este estudo se propõe a apresentar e a analisar pesquisa realizada sobre o tema da apropriação da escrita em diferentes contextos grafocêntricos. Os dados coletados e analisados referem-se a quatro classes de 1ª série do Ensino Fundamental situadas em duas cidades no estado de Santa Catarina, uma metrópole e uma pequena cidade interiorana. Em cada uma das cidades, foram selecionadas duas escolas, uma pública e uma privada, como campo de estudo, tendo como critério de seleção a localização geográfica, isto é, pertencerem ambas ao mesmo bairro. O processo valeu-se da pesquisa qualitativa de base etnográfica, tomando o estudo de caso como condução norteadora do olhar investigativo. O objetivo foi analisar a implicação da cultura grafocêntrica no processo de alfabetização de crianças de 1ª série, razão pela qual foram selecionadas cidades com contextos grafocêntricos bastante díspares. Entendemos que a apropriação da escrita representa, hodiernamente, o desenvolvimento de uma habilidade primordial para a ascensão profissional, para a inserção em entornos culturais de prestígio social e para uma vida cidadã. Avaliações nacionais e internacionais, no entanto, têm demonstrado a dificuldade da escola em formar escritores e leitores competentes. Estudos sobre letramento indicam que as pessoas, embora escolarizadas, possuem enormes dificuldades para realizar a leitura de um texto de média complexidade, compreendê-lo e interpretá-lo, bem como de utilizar a escrita de modo autoral, tendo reduzida, assim, sua capacidade de plena utilização de sua língua, isto é, dos usos sociais da escrita e da leitura. Ao longo deste estudo, a conjunção de duas importantes agências de letramento, escola e família, ratificou-se como lugar de oferecimento de oportunidades efetivas à criança para que se aproprie da escrita e da leitura. Assim, a presente pesquisa buscou compreender as implicações que distintos contextos grafocêntricos trariam ao processo de apropriação da escrita por crianças em fase de alfabetização, encontrando, porém, respostas mais efetivas nas relações entre ambientação familiar e tipologia de escola. Tal constatação permitiu que emergissem características que explicam o comportamento das escolas públicas analisadas: impermeabilidade e invisibilidade, fatores, ao que parece, comprometedores, em maior ou menor grau, das possibilidades de apropriação da escrita por parte das crianças.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Angelita Mendes

Ensinar e aprender a ver

Esta pesquisa aborda o processo de ensinar e aprender a ver sob diferentes ângulos. Em sua primeira parte, utiliza o método genético proposto pela teoria sociocultural para investigar o desenvolvimento da percepção visual na filogênese, na história social e na ontogênese. A segunda parte tem como objetivo mapear o papel da percepção visual nas propostas educativas de apreciação, fruição e leitura de imagens e objetos. O estudo da literatura revelou três tendências nas metodologias que privilegiam o desenvolvimento da percepção visual: a visual-verbal, a modernista e a semioticista. Em uma pesquisa de campo realizada na Universidade Roehampton, em Londres, foram entrevistados oito profissionais envolvidos na definição de políticas educacionais e na formação de professores de arte e design na Inglaterra. Os resultados indicaram que não existe consenso a respeito dos conhecimentos e habilidades necessários para engajar os estudantes no diálogo com obras de arte, nem sobre o papel dos conceitos visuais neste processo. A terceira e última parte da investigação consistiu em uma pesquisa de campo no Brasil. A coleta de dados foi feita através da gravação em áudio de três aulas de apreciação de imagens em organizações não governamentais que se dedicam ao ensino de artes e de duas visitas guiadas em museus de arte. Para analisar os dados, foi utilizada uma versão adaptada da ferramenta sociocultural de Eduardo Mortimer e Phil Scott (2002; 2003). Esta ferramenta, originalmente desenvolvida para o ensino de ciências, tem como foco o processo de construção de significados através do diálogo da sala de aula. Sua versão adaptada para o ensino de artes visuais se mostrou um instrumento capaz de revelar com detalhes o que se passa nas aulas e visitas guiadas, tanto pela possibilidade de mapear os aspectos da experiência estética privilegiados pelo professor como pela clareza com que permite descrever a metodologia utilizada. Uma comparação entre as atividades de apreciação e leitura nas cinco instituições aponta uma grande diversidade de abordagens e metodologias. Os resultados indicam, portanto, que não há uma concepção comum sobre objetivos, conteúdos e métodos que indicie a existência de um gênero de discurso no ensino de artes visuais no Brasil.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Rachel de Sousa Vianna

Ensino de filosofia e linguagem escrita: contribuições da filosofia na formação do jovem contemporâneo brasileiro

Qual é o lugar da escrita no ensino da filosofia no Ensino Médio? Partindo desta pergunta e sob a perspectiva da cultura e da linguagem, defende-se a tese de que uma das formas viáveis da filosofia poder contribuir para a formação do jovem contemporâneo brasileiro é realizar essa atividade intelectual com ênfase na idéia do desdobramento leitura-escrita, concebendo esta última como produtora e estruturadora de pensamento. Trata-se de uma reflexão sobre a escrita filosófica, viabilizada pela leitura de quem intenciona a escrita e não pela leitura para saber, isto é, para acumular ou reproduzir conhecimento. Desde seu momento inaugural, com Platão, a tradição filosófica reserva à escrita um segundo plano, geralmente como registro ou atividade auxiliar para avaliação do aprendizado através da leitura ou do diálogo. Nos contextos de crise, é vista por alguns com desconfiança; por outros, como privilégio reservado a poucos. O que se constata, é que a escrita é uma das atividades essenciais do filosofar e possui caráter formador que precisa ser valorizado. Raros são os pensadores que não escreveram e, além do mais, vive-se num contexto em que a escrita, num sentido geral, é onipresente. A escrita filosófica, no nível da formação média, pode ser um contraponto às várias modalidades de produções disponíveis, caracterizadas pela velocidade e superficialidade. Sua consistência, tempo e modo de elaboração servem como resistência ao descartável. Sua finalidade é produzir sentido, nesse jogo de linguagem que é a filosofia.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Marcelo Donizete de Barros

Autoria e aprendizagem da escrita

Todo ato de escrita é um movimento singular de representação simbólica, é um ato de autoria de um escritor em atividade social de comunicação. A produção de textos exige do escritor uma série de decisões e de ações de linguagem que representam um trabalho intenso, resultado de operações cognitivas complexas. A aprendizagem da escrita compreende o domínio desses procedimentos e de sua gestão durante o processo de produção de textos. Por isso, ensinar a escrever textos é ensinar procedimentos de autoria. Para demonstrar essa tese, buscamos conhecer os contextos histórico e teórico que envolvem as concepções de autoria, de texto e de ensino da escrita para situar nosso objeto. A seguir estudamos as concepções de autoria de Bakhtin e Foucault, que consideramos basilares para este trabalho. Procuramos compreender ainda o processo de composição de textos escritos e interpretá-lo à luz da concepção de autoria adotada. A partir desse estudo, foi possível analisar e descrever procedimentos de autoria e compreendê-los como atos de linguagem que desempenham funções específicas na composição de um texto. Finalmente, a análise de uma amostragem da produção escrita de estudantes do Ensino Fundamental descreveu os procedimentos utilizados pelos aprendizes e a adequação desse uso para sua aprendizagem da escrita. Concluímos que a aprendizagem da escrita requer uma prática de composição de textos contínua para seu desenvolvimento e que o ensino não pode focar um ou outro procedimento, mas o conjunto deles em toda a extensão da escolaridade.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Marcia Vescovi Fortunato

Formas de uso da noção de representação estrutural no ensino superior de Química

O presente trabalho trata do reconhecimento das formas de uso da noção de representação estrutural no Ensino Superior de Química, interpretando-as à luz de um referencial teórico que relaciona a Mediação Semiótica de Lev Vigotski e a Filosofia das Formas Simbólicas de Ernst Cassirer. O sentido principal dessa relação é oferecer uma função representativa diferenciada para o tema. Procura-se informar sobre a urgência dessa nova função representativa a partir da demarcação do caráter degenerativo que pode ser encontrado em uma revisão das pesquisas sobre educação em química que tratam do tema. A realização combina uma ampla leitura teórica tanto acerca da representação em geral quanto no Ensino de Química, que serve à interpretação de treze episódios obtidos por meio de registros de áudio e vídeo, conseguidos através do acompanhamento de disciplinas em cursos de diferentes universidades e institutos superiores. Os episódios destacam o uso de signos não lingüísticos característicos da representação estrutural em temas da química orgânica e da química inorgânica. Em termos de sua atribuição semiótica, focalizamos nosso olhar na relação entre representante e representado. Destaca-se o caráter inovador de um aporte metodológico que considera o estudo de habilidades espaciais a partir de situações de ensino. A metodologia usada na interpretação dos episódios pressupõe que as diferentes formas de representação estrutural em uso no Ensino Superior de química podem ser qualificadas como ferramentas mediais, portadoras de um conteúdo espacial, que produzem formas simbólicas típicas. Os resultados contribuem para reafirmar o caráter crucial da mediação em situações de uso prioritariamente intralingüísticas, a partir da relação entre ferramentas destacadas como: gráficas, materiais e gestuais. Conclui-se que uma função representativa de uso mais própria para a semiose derivada do ensino da representação estrutural deve ser configurada pela assunção de uma atividade prioritariamente simbólica dos diferentes tipos de signos, em detrimento de seu reconhecimento como ícones, e que considere uma base normativa para sua realização.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Waldmir Nascimento de Araujo Neto

Temporadas de brincadeiras

Este trabalho investigou a existência de marcas de sazonalidade no repertório lúdico infantil, verificando as relações entre lúdico, calendários, condições climáticas, elementos da flora e da fauna, festa e eventos sociais e religiosos, crenças, comércio e meios de comunicação. Cada jogo, brinquedo ou brincadeira foi analisado em seu contexto, considerando o período, o espaço e o ambiente em que foi realizado. A pesquisa qualitativa seguiu por caminhos da etnografia, da antropologia e da história cultural, e usou três tipos de fontes. O primeiro, constituído pelos registros dos estudiosos do brinquedo e do folclore brasileiro, português e espanhol, e textos memorialísticos e autobiográficos de autores brasileiros. O segundo, constituído por agências governamentais, grupos de preservação da cultura, artistas e museus portugueses, espanhóis, franceses, italianos e brasileiros. O terceiro refere-se à pesquisa empírica realizada em espaço de lazer e de circulação na zona urbana de Maracaju (MS). A comparação e análise dos dados indicam que as práticas lúdicas acompanham as transformações ocorridas na natureza, nos modos de produção, comunicação e de organização social de cada grupo. Dessa estreita ligação evidenciam-se as marcas sazonais, ou os fatores que favorecem ou interferem no brincar. Tais marcas não são localizadas apenas nas estações climáticas, mas nas significações simbólicas diferentes. Constatou-se a existência de temporadas de brincadeiras, apesar das alterações do repertório lúdico e das condições em que é praticado.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Vera Lucia Guerra

Corrida de rua: um fenômeno sociocultural contemporâneo

Corridas são praticadas há milênios. Nos últimos 30 anos reuniram milhões de praticantes nas ruas do mundo todo. Como outras atividades físicas, passou por transformações ao longo da história. Estas mudanças estão diretamente ligadas a questões da sociedade. A sociedade contemporânea tem duas características principais, a questão da identidade e a globalização. Estes pontos influenciam a visão de corpo, a compreensão de saúde, definem as relações pessoais, o papel das mulheres, os vínculos locais, a incorporação da tecnologia e o empreendedorismo. A Corrida Internacional de São Silvestre incorpora todas as características da sociedade formada nos últimos 30 anos. É um exemplo da ligação entre a corrida de rua e a sociedade. A corrida de rua é um fenômeno sociocultural contemporâneo.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Martha Maria Dallari

Aspectos do processo de construção da língua de sinais de uma criança surda filha de pais ouvintes em um espaço bilingue para surdos

Esta pesquisa analisa os primeiros marcadores de aquisição de língua de sinais em uma criança surda, filha de pais ouvintes em um ambiente onde a língua foi propiciada por meio de interlocutores Surdos e ouvintes, usuários da Libras. Ao considerarmos que, a criança surda tem seu desenvolvimento de linguagem construído prioritariamente na escola especial, discutiremos o papel dos interlocutores envolvidos nessa relação e procuraremos compreender o efeito do ambiente na construção da língua de sinais em crianças surdas, filhas de pais ouvintes. O trabalho se fundamenta na teoria histórico-social de Vygotsky e seus seguidores, pressupondo a linguagem como constitutiva do conhecimento e construtora de sentidos. A pesquisa foi realizada, na Escola para Crianças Surdas Rio Branco da Fundação de Rotarianos de São Paulo onde foi criado no ano de 2001 o Programa de Estimulação do Desenvolvimento. A fonoaudióloga e atual pesquisadora, junto com um instrutor surdo nesse programa que tem por objetivos principais a aquisição da língua de sinais das crianças inscritas e o aprendizado da língua pelos pais. A pesquisa se desenvolveu nesse espaço e o material colhido durante a realização do Programa teve quatro episódios recortados, que aqui serão apresentados e discutidos. O material foi analisado em uma perspectiva microgenética buscando, o efeito de do ambiente e evidenciando as marca do desenvolvimento da língua de sinais e seus efeitos na relação e na aquisição da língua. Desse material analisado, concluímos que o pressuposto de linguagem a partir do qual concebemos a criança Surda é determina os serviços que oferecemos a ela, assim ao concebermos a linguagem como constitutiva do sujeito. Modificando o modo de significar esses sujeitos e podemos nos organizar socialmente de modo que a criança Surda possa nascer culturalmente. Esses pressupostos devem ser colocados em trabalhos que se destinem a bebês Surdos, pois somente o trabalho com bebês Surdos que contemple a interlocução com um outro significativo Surdo possibilitará o pleno desenvolvimento lingüístico, social e cultural desse bebê como alguém que pertencerá a uma comunidade de iguais na sua diferença, mas que compartilham a mesma língua e a mesma visão de mundo.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Sandra Regina Leite de Campos

Do conhecimento (matemático) primeiro: grandezas e medidas no centro das atenções

Este trabalho, um estudo do tipo qualitativo, teve como objetivo compreender de que modo os educadores matemáticos podem fazer emergir o conhecimento primeiro dos educandos no que se refere a grandezas e medidas , legitimando-os e procurando formas de dialogar com os educandos. Os dados/fatos foram coletados a partir de entrevistas com oito educandos de uma 6ª série (sete encontros) da Escola Estadual Antonio Candido Correa Guimarães Filho. Em cada encontro era esperado que uma questão associada a grandezas e medidas desencadeasse um processo gerador/problematizador em busca dos conhecimentos (primeiro) dos alunos. Os princípios da etnomatemática e as idéias de Paulo Freire, assim como teorizações sócio-construtivistas, constituíram os fundamentos da pesquisa. No que se refere às evidências de pesquisa, podemos, de início, dizer que as manifestações dos alunos estão envolvidas mais por uma arte ao formular, resolver e buscar aplicações em termos de grandezas e medidas do que por uma compreensão mais ou menos técnica da maneira como se mede; tomam-se padrões para esta ou aquela grandeza; como se os organizam e opera-se com eles. Em termos de conclusão, vale ressaltar que o exercício feito pela pesquisadora de operacionalização de atitudes, de busca e valorização do conhecimento primeiro que aqui já se mostrou voltada para os estudos etnomatemáticos, especialmente no que se refere a o que o outro pensa, como o outro vê ativou mais e mais o olhar da pesquisadora para processos de cunho etnomatemático tanto no âmbito pedagógico como em termos de pesquisa.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Regina Santana Alaminos de Freitas

O jogo da vida: uso e significações

Este trabalho se propõe a refletir historicamente sobre jogos de tabuleiro de percurso, mais especificamente, dois jogos denominados Jogo da Vida. O primeiro Jogo localizado no MEB/FEUSP, concebido pela Congregação das Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, de 1945. O segundo, comercializado pela indústria nacional de brinquedos Estrela, de 1980. Tomando-se tais jogos como objetos da história, discutiu-se a concepção de jogo, de jogo educativo, de cultura lúdica e sua relação com a educação, a materialidade e a imaterialidade destes objetos, e a sua presença ao longo da história. O Jogo da Vida da Congregação Católica gerou a busca por informações sobre a sua origem, criação e usos junto aos acervos do LABRIMP/MEB FEUSP, Real Gabinete Português de Leitura, Arquivo Escolar Caetano de Campos, Instituto Teológico Pio XI. Outro caminho adotado para compor esta história foi a localização da doadora do Jogo da Vida Católica ao MEB, professora Heloisa Prestes Monzoni. Nesse percurso dois outros objetos, utilizados na educação protestante foram incorporados à pesquisa: o quadro dos Dois Caminhos e o livro O Peregrino. Estes objetos nos levaram ao acervo da Igreja Metodista de Guaratinguetá com o objetivo de recuperar brevemente a origem, a presença e o uso dos mesmos na educação de crianças, tendo como pano de fundo a discussão sobre a possibilidade de terem inspirado a criação de jogos educativos. Os objetos lúdicos estudados abriram o diálogo com a educação religiosa da primeira metade do século XX e a adoção do brincar, do brinquedo e do jogo como estratégias pedagógicas neste contexto. O jogo da Vida da Estrela se apresenta como um ramo secundário para contrapor as práticas e a produção que envolvem os jogos educativos no século XX.. Foram nossos companheiros no percurso deste jogo/pesquisa: Kishimoto, Brougère, Rabecq-Mallaird, Pennick, Bell, Mehl, Ginzburg, Hilsdorf, Callois, Huizinga, Manson, Baktin e outros. O percurso deste trabalho nos fez refletir sobre a relação do adulto, da criança com os jogos educativos, a cultura lúdica e a aprendizagem desta pelas crianças, o papel do adulto de inserir e implementar a ludicidade infantil.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Lila Cristina Guimarães Vanzella

A infância no espelho da pedagogia: mundo infantil, regimes de temporalidade e individualização no discurso pedagógico

A compreensão da infância como uma etapa dotada de especificidade e destinada à proteção e à separação dos perigos e demandas do mundo é produto de uma realidade histórica e cultural, assim como a noção de escolarização e sua centralidade para a formação da criança. Ambos invenções modernas, o conceito de infância e a forma escolar são o fulcro da pedagogia e de seu discurso. Por se caracterizar pela forma prescritiva e programática e por traduzir um ideal de formação, o discurso pedagógico pressupõe uma noção de infância, ao passo que também produz uma representação da infância. Esta tese investiga as rupturas e mutações nas representações da infância delineadas no discurso pedagógico moderno e contemporâneo. Com o intuito de examinar e descrever essas diferentes imagens sobre o mundo infantil, sobre a criança e sobre sua relação com os adultos, esta investigação propôs três categorias analíticas: infânciaquarentena, que corresponde à representação da infância como um estágio da vida a ser superado em virtude de constituir-se como o locus da ausência ou insuficiência da racionalidade e da maestria de si; infância singularizada, que diz respeito às concepções de cunho puericêntrico que representam a criança como um sujeito peculiar, inocente e dotado de qualidades específicas; e infância ensimesmada, que consiste na representação de um universo infantil praticamente autorrealizado, dotado de um fim em si mesmo e no qual a criança é vista como cidadã e produtora de cultura. Entende-se que as transformações das imagens da infância têm uma estreita ligação com determinados aspectos das sociedades modernas, a saber: as alterações no modo de relacionar-se com o tempo e o processo progressivo de individualização dos sujeitos no contexto da modernidade. Nesse sentido, a compreensão pedagógica de uma infância cada vez mais centrada em si vincula-se à ascensão e ao declínio da ideia de progresso, à eleição do presente como tempo que ordena as relações dos adultos com o mundo e com as novas gerações e, por fim, ao movimento de crescente individualização dos sujeitos e assunção de seus desejos e necessidades como valores centrais.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Crislei de Oliveira Custódio

Inclusão escolar, sala de recursos multifuncionais e currículo: tecendo aproximações

A sala de recurso multifuncional (SRM) é o serviço designado para desenvolver o atendimento educacional especializado, com vistas a prover apoio em caráter complementar ou suplementar, no contraturno, aos alunos/as com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades/superdotação (AH/SD), matriculados/as na classe comum. Utilizando-se de referenciais teóricos do currículo, que compreendem a escola como um espaço dotado de significados, que sofre influências sociais, culturais, políticas, ideológicas etc., em um processo dinâmico que perpassa prescrições ditadas pelo Estado, produções didáticas e as relações dos sujeitos (FORQUIN, 1993; LOPES, 2002; YOUNG, 2007; GIMENO SACRISTÁN, 2000) questiona-se: existem orientações curriculares previstas para o trabalho pedagógico nas SRM? Que interfaces existem entre o currículo da classe comum e o que é desenvolvido nas SRM? Quais conhecimentos são priorizados nessas salas? Desse modo, estabeleceu-se como objetivo de pesquisa investigar as orientações curriculares para o atendimento educacional especializado, nas SRM, a partir da análise da política de educação especial de um município paulista, a saber, a cidade de Franca/SP. Para tanto, a abordagem qualitativa foi a opção adotada, com o uso de um conjunto de técnicas: levantamento e análise documental (legislação nacional, referenciais curriculares nacionais e municipais, projetos políticos-pedagógicos e planos de aulas das SRM); entrevistas semiestruturadas com cinco professoras especializadas das SRM, de três escolas municipais; e observação in loco das práticas das mesmas profissionais, utilizando como forma de registro, caderno de campo. Dentre os resultados da pesquisa, identificou-se que Franca produziu, em 2008, um referencial curricular que contempla aspectos da educação desse alunado, subsidiado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais Adaptações curriculares, estratégias para a educação do aluno com necessidades educacionais especiais (BRASIL, 1999), mas, pouco se faz uso do documento municipal nas práticas na SRM. Nesse serviço de educação especial, prevalecia o uso da Coleção A educação especial na perspectiva da inclusão escolar (BRASIL, 2010), que fundamentava um trabalho com materiais concretos e simbólicos e o aprendizado de linguagem, códigos e recursos tecnológicos para garantir a comunicação e o acesso ao currículo da classe comum. E, em meio às práticas que priorizavam atividades de leitura e escrita, poucos foram os registros e questionamentos sobre quais conteúdos deveriam ou não ser contemplados, em relação ao estabelecido no referencial municipal para a idade/série dos alunos, o que pode vir a justificar atividades de diferenciação e/ou minimização de conteúdos.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Lisiane Fonseca Diogo Flóro

O brincar na diversidade das famílias: análise da narrativa de familiares sobre o brincar

O presente trabalho na área de Psicologia e Educação tem como objeto de estudo a família na educação da criança pequena, abordando o brincar como o eixo do processo que estabelece vínculos entre as crianças e os membros familiares. O objetivo foi identificar os brinquedos e brincadeiras que as crianças usam nos contextos familiares; compreender por meio das narrativas familiares quais as preferências das brincadeiras das crianças (objetos usados e sujeitos que participam) e identificar como a diversidade das famílias interfere na escolha de brinquedos e brincadeiras. A metodologia adotada fundamenta-se no paradigma qualitativo, que analisa um fenômeno específico que se refere ao brincar no âmbito familiar. O método aplicado foi o estudo de caso, que envolveu vinte famílias entrevistadas, com filhos de idades entre 0 a 10 anos. As famílias foram selecionadas conforme a diversidade que compõem, a etnia, religião, profissão e nível de escolaridade. Neste contexto, os dados foram coletados a partir da narrativa de membros familiares, de encontros com grupos de mães e pais, da criação de grupo de e-mails, entrevistas nas casas com as famílias e contato com as crianças, para registro de fotos dos ambientes lúdicos disponíveis. A partir dos dados coletados, verificou-se os tipos de mediações existentes no ambiente familiar, propondo uma reflexão sobre as formas de brincar na diversidade das famílias. Tais reflexões sustentaram-se em referências teóricas, tais como Vygotski (1978), Melhuish (2010), Vandenbroeck (2009), Wertsch (1988) e Daniels (2003). As considerações finais indicam que a família exerce uma grande importância na escolha dos brinquedos e brincadeiras das crianças pequenas e, no brincar, notam-se relacionamentos mais estreitos entre a criança e os membros familiares. A análise das narrativas mostra, também, que a diversidade das famílias participantes influencia nas decisões a respeito das diferentes formas de brincar.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Valeria de Oliveira Macedo Sitta

A gestão do Centro Educacional Unificado (CEU) da cidade de São Paulo

O Centro Educacional Unificado (CEU) integra a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo. É constituído por um Centro de Educação Infantil, uma Escola Municipal de Educação Infantil, uma Escola Municipal de Ensino Fundamental, um teatro, uma biblioteca, um telecentro, além de espaços esportivos e artísticos. O trabalho desenvolvido é organizado a partir de três núcleos: o Núcleo de Esporte e Lazer, o Núcleo de Ação Cultural e o Núcleo de Ação Educacional, responsáveis também pelos espaços e equipamentos correspondentes à sua área de atuação. O projeto foi criado no governo de Marta Suplicy (Partido dos Trabalhadores 2001-2004) e mantido pelas administrações de José Serra (Partido da Social Democracia Brasileira 2005-2006) e Gilberto Kassab (Democratas / Partido Social Democrático 2006- 2012). O objetivo deste trabalho foi verificar se a gestão do CEU, composta pelo Conselho Gestor e pelo Colegiado de Integração, poderia ser considerada democrática e comprometida com uma proposta educacional que favorecesse as classes populares. De acordo com a legislação vigente, o Conselho Gestor (formado pelo gestor, diretores de escola, representantes da comunidade e dos equipamentos sociais do entorno), tem um papel deliberativo e o Colegiado de Integração (composto pelo gestor, diretores de escola e coordenadores de núcleos, do telecentro e da biblioteca) tem uma função executiva. O primeiro definiria os rumos do Projeto Educacional e o segundo seria responsável por sua execução, através da articulação do trabalho desenvolvido pelas unidades escolares, pelo telecentro e pelos núcleos da gestão. A hipótese que norteou o trabalho foi a de que, embora se tratasse de uma gestão de uma instituição do estado capitalista organizada burocraticamente, a existência das instâncias colegiadas pudesse favorecer o enfrentamento coletivo dos conflitos e a defesa dos interesses das camadas populares. Por isso realizou-se um estudo de caso em um CEU marcado pela participação da comunidade, cujos gestores mostraram-se comprometidos com os princípios democráticos. A pesquisa evidenciou que: a) o Conselho Gestor tem uma participação restrita na elaboração do Projeto Educacional, atuando fundamentalmente no nível da execução e do enfrentamento dos problemas locais; b) o Colegiado de Integração não realiza a articulação necessária entre os núcleos da gestão do CEU, o telecentro e as unidades escolares, limitando sua ação à organização de eventos, à solução de problemas de funcionamento e manutenção do CEU; as decisões deste colegiado, quando afetam exclusivamente o trabalho dos núcleos com as escolas, não são discutidas no Conselho Gestor, cerceando ainda mais a esfera decisória deste; c) a falta de condições de trabalho e de trabalhadores na gestão, a ausência de verbas e a existência de cargos de livre provimento tornou a gestão do CEU dependente das ações, projetos e programas determinados nos órgãos centrais da Secretaria Municipal de Educação; d) a autonomia das escolas dificultou o desenvolvimento de um trabalho integrado e articulado ao da gestão, não produzindo um currículo de educação integral. Embora tenha se constatado a presença de elementos democráticos, não se trata de uma gestão efetivamente democrática.

Year

2022-12-06T14:49:38Z

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Ydeliz Coelho de Souza Sanches

Nhande reko mbo\'e: busca de diálogos entre diferentes sistemas de conhecimentos no contexto das práticas de professores de matemática Guarani e Kaiowá

Esta pesquisa tem como objeto compreender as diferentes maneiras que os professores indígenas Kaiowá e os Guarani, formados em matemática, relacionam os conhecimentos indígenas e os conhecimentos não indígenas ao produzirem suas práticas pedagógica na escola indígena, que tem se configurado como um lugar de encontro destes diferentes sistemas de conhecimento. Entendendo a escola como um que lugar produz conexões com o mundo não indígena, destacamos os processos de colonialidade que, por meio dela, se colocam para as comunidades indígenas, e a forma como os Guarani e Kaiowá, por meio de movimentos de resistência e de ressignificação, produzem modos próprios de lidar com esta realidade. Neste trabalho falo a partir de lugares onde se estabelecem relação entre professores indígenas, comunidades, universidade e escola. Ou seja, da atuação de professores indígenas atravessada por diferentes lócus de produção de conhecimento, regida por relações de poder. Os dados e análises produzidos são resultados de um trabalho de campo que se desenvolve em diferentes momentos, na formação inicial, em momentos de formação continuada e em diálogos com professores indígenas, formados em um curso específico, que atuam nas séries finais do Ensino Fundamental em escolas indígenas. A Etnomatemática, assim como a Interculturalidade são entendidas como perspectivas que produzem outros modos de pensar, portanto, como movimentos decoloniais. Estas perspectivas estão presentes, na medida em que é possível verificar, mesmo que indiretamente, em suas práticas pedagógicas em sala de aula. Os professores indígenas produzem modos próprios de ensinar, subvertem e afrontam o modelo de conhecimento e de escola que lhes são impostos. Escapam, em diferentes momentos, do modelo de escola concebido a partir de um paradigma universal de conhecimento, numa perspectiva eurocêntrica. Produzem linhas de fuga que atravessam o modelo de escola que lhes é imposto, podendo indicar caminhos para o entendimento do que seja uma educação escolar indígena, diferenciada, intercultural e bilingue.

Year

2022-12-06T14:49:38Z

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Maria Aparecida Mendes de Oliveira

Escrevivendo: uma fenomenologia rosiana do brincar

Ampliando alguns limites da escrita acadêmica para tratar do brincar na Casa de Recreação Te-Arte acolho a poética de Guimarães Rosa como suporte epistemológico e metodológico. Afirmo a filosofia trágica de Friedrich Nietzsche, a fenomenologia dos quatro elementos de Gaston Bachelard e da percepção de Maurice Merleau-Ponty. Sobretudo a sabedoria poética de Rosa e de Bachelard, sendo que Guimarães Rosa pode ser considerado também etnógrafo. Anotei o vivido no Diário de Campo significando o que estava à minha volta descobertas de crianças bem pequenas misturado aos elementos da cultura popular e à poética de Guimarães Rosa, engrandecendo este gesto ancestral o brincar. Trata-se, portanto, de uma investigação que está nas imediações da antropologia e da fenomenologia, mas que flerta com a literatura de Rosa para tratar de três núcleos do brincar: corpo, experiência e iniciação, a partir das experiências vividas na Te-Arte, um espaço de aprendizagem e uma experiência singular em educação, concebida e dirigida pela educadora Thereza Soares Pagani, a Therezita, em São Paulo. A Te-Arte existe desde 1975 e se distingue por não ter sala de aula, professores por turma e nem divisão de crianças por faixa etária. O que narro não é algo que possa ser disseminado como política pública, talvez como poética pública, como sugere Marcos Ferreira-Santos. O texto mostra os desafios de uma Pedagogia da Escolha anunciada por Rogério de Almeida e Marcos Ferreira-Santos, acolhendo outras linguagens para dialogar e deixar mostrações de uma educação de sensibilidade postulada pelos mesmos Autores.

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2022-12-06T14:49:38Z

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Elni Elisa Willms

Ações coletivas com uso da internet: o caso do Projeto Jogo Justo

A invenção e popularização do uso do computador e da internet a partir da segunda metade do século XX vieram acompanhadas de uma cultura da colaboração, liberdade de expressão e autogoverno. Na medida em que as novas mídias, em especial os videogames e as redes sociais, marcados pela interatividade, participação e colaboração, foram incorporadas pela sociedade, passamos a testemunhar a transmissão desta cultura do mundo digital para o nosso cotidiano do mundo real. Este trabalho busca apresentar a trajetória do desenvolvimento dos computadores e videogames ressaltando a filosofia hacker que os criou e a dicotomia entre seus ideais libertários e sua apropriação pelos meios corporativos, dando especial atenção à sua associação com movimentos sociais que culminaram no ciberativismo moderno e suas vertentes. Esta apresentação serve de base para o estudo do caso do Projeto Jogo Justo, uma ação coletiva com uso da internet que buscava a criação de uma política favorável à indústria de videogames no Brasil, sua relação com ações políticas tradicionais e com o ciberativismo, questionando sua viabilidade caso a Internet não existisse, compreendendo-a como uma nova forma de ação política através do uso de ferramentas de Internet e fruto desta nova cultura colaborativa.

Year

2022-12-06T14:49:38Z

Creators

Rafael Luqui Cortes