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Livro didático de matemática: lugar histórico e perspectivas
O livro didático assume múltiplas funções e características. Constitui-se como uma referência de conteúdos para alunos e professores, guia orientador das atividades em sala de aula e como padrão de organização e sistematização do currículo. Porém, encontra-se sujeito às influências do contexto histórico e político em que se situa, estando impregnado dos valores e concepções desse contexto. Para compor a identidade do livro didático soma-se ainda a sua importância no mercado editorial. O livro didático é analisado, então, conforme as dimensões: suporte de conteúdos e métodos de ensino, veículo de valores, produto cultural e mercadoria. A partir desse cenário, será analisada a interação dessas várias dimensões na constituição do papel desempenhado pelo livro didático de Matemática para o Ensino Fundamental II, ao longo do período de 1971 a 2006, caracterizado pelo Ensino Fundamental com duração de oito anos. De modo a completar o estudo, foram analisados alguns livros didáticos de Matemática utilizados no período.
2022-12-06T14:49:38Z
Daniel Romao da Silva
Quando o professor é notícia? Imagens de professor e imagens do jornalismo
Esta investigação buscou depreender o momento em que o professor torna-se notícia no jornalismo brasileiro, com o objetivo de analisar, a partir do fato noticioso qual é imagem construída do professor da educação básica, uma vez que prevalece no jornalismo um modo de ler e escrever que ignora a presença do inconsciente nos sujeitos da escrita. Para cumpri-lo, reunimos como corpus matérias jornalísticas, incluindo notícias e artigos, publicadas entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010 no jornal Folha de São Paulo e também notícias publicadas, entre 2006 e 2011, em veículos de informação variados. Pensando na insistência do jornalismo profissional em se apresentar como porta-voz da realidade e de como, para nós, tal insistência decorre de um deslize ideológico próprio de uma concepção de linguagem que ignora o sujeito do inconsciente, analisamos os textos a partir do conceito de Ideologia (HERBERT, 1995), que depois foi reelaborado no quadro da Análise do Discurso por Michel Pêcheux (2010). Ao deparar-nos com a complexidade do material analisado, buscamos referências teóricas para sustentar nossa análise em diferentes campos do saber, além daquele da Análise do discurso. Portanto, considerou-se neste trabalho a contribuição da Análise Crítica do Discurso, da Sociologia da Comunicação e da Psicanálise, de orientação Lacaniana. Para recuperar o diálogo que se dá no processo de constituição da imagem do professor no discurso da mídia, primeiramente identificamos, quantificamos e qualificamos as fontes de informações que foram utilizadas com maior frequência na composição do texto jornalístico, de modo a observar a prevalência do discurso dos especialistas do campo da educação. Assim, partindo dessa materialidade, recuperamos as imagens do professor construídas no discurso jornalístico e a relação dessas imagens com os modos de ler e escrever no jornalismo que constituem também imagens sobre o próprio jornalismo. A análise levou-nos a identificar uma prática jornalística que tenta apagar a presença do inconsciente na escrita e acaba por reduzir as possibilidades de reflexão, resultando em homogeneização da imagem do professor. Mostramos que se há de fato no jornalismo uma pretensão de tomar a realidade como expressão não dialetizável de suas crenças, essa é reforçada na identificação do discurso dos especialistas em educação. Nossa pesquisa observou um processo de identificação que marca a relação do jornalista com o especialista consultado. Tal processo permite ao primeiro legitimar sua fala pelo traço com o qual se identifica ao outro, limitando a pluralidade e colaborando para que o discurso jornalístico engendre-se em um discurso reacionário e moralizante. Concluímos que a leitura e a escrita no ensino de jornalismo deve cada vez mais enfocar a insustentabilidade teórica da objetividade e possibilitar novos modos de contextualizar a cobertura em educação. Em nossa avaliação, se o momento atual é de perda das referências cristalizadas a respeito do que é ser um professor, também poderá ser um momento extremamente criativo para encontrarmos novas formas de apresentação do sujeito professor no âmbito da imprensa e, consequentemente, pode ser um momento muito criativo para o jornalismo.
2022-12-06T14:49:38Z
Katia Zanvettor Ferreira
Impactos do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) na formação inicial de professores de matemática
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) foi criado com o objetivo de fomentar a iniciação à docência, a fim de qualificá-la, por meio de projeto específico para o desenvolvimento de atividades dos licenciandos bolsistas junto às escolas públicas parceiras do programa. Ao tomar o PIBID como objeto de estudo, esta pesquisa teve por objetivo principal investigar, junto a licenciandos bolsistas dos subprojetos de Matemática, se a estrutura e o funcionamento do programa impactam na sua formação inicial de professores de Matemática. Os referenciais da pesquisa são compostos por revisão documental relativa às diretrizes para a formação de professores da Educação Básica e do PIBID, e por revisão bibliográfica relativa à formação de professores; à Teoria da Cognição Situada; e a aspectos dos saberes docentes. O desenvolvimento deste trabalho respaldou-se na análise dos referenciais da pesquisa e nos dados levantados por meio de questionário e entrevistas. Como principais resultados, destacam-se: as evidências de que a participação no PIBID proporciona aos licenciandos de Matemática, aprendizados relevantes para ser professor, por meio da participação e vivências no contexto escolar, bem como da problematização de questões relacionadas ao ensino e à aprendizagem; e a percepção dos licenciandos bolsistas, quanto a impactos do programa na sua formação inicial de professores de Matemática.
2022-12-06T14:49:38Z
Danielle Christiane dos Santos Canteiro
Por uma reapropriação da ideia de homem
Esta tese se insere na temática da crise dos grandes discursos, reconhecendo que ao contrário do colapso ou do fim das metanarrativas, eles se abriram, possibilitando a reapropriação de uma outra ideia de homem. Uma ideia que traz como base a gramática trágica. Trágico, aqui, é o que vislumbra o real como idiota, simples, aprovador de todos os acontecimentos, suficiente para reconfigurar a imageria contemporânea e identificar, no âmbito de sua gramática, a presença do sujeito idiotès (vulgar e idiota), uma presença que foi negligenciada ao longo de toda modernidade. Para tratar dessa reapropriação do homem e do sujeito , este estudo se desenvolve a partir de três esferas de observação: a) o advento da racionalidade e a construção de um modelo de sujeito forte, que se tornará a base de uma tradição; b) a crise deste modelo e o seu encontro com o pensamento fraco (Vattimo); e c) o reordenamento da gramática moderna que, intensificando-se idiota, aponta para um outro imaginário. Na primeira, exponho a preferência da racionalidade moderna por um homem e um sujeito fortes e sua consequente reprovação das narrativas que desprezam a noção de natureza ou afirmam o homem vulgar, fruto do acaso e da idiotia humana; na segunda, analiso a época contemporânea apontando para uma reconfiguração conceitual que, a partir da crise das noções de ser e de natureza (impostas por Nietzsche), aponta para o surgimento do pensamento fraco/débil; no terceiro, com foco na filosofia trágica rossetiana, fixo os desdobramentos de suas noções de acaso, de convenção, de aprovação, de um real idiotès, para a constituição do sujeito contemporâneo. Por fim, aponto para a liberação da imageria trágica e sua expressão idiota, que aproximam o homem de sua condição mais humana: essa idiotia. Ou seja, o objetivo é reapropriar-se de uma gramática e de um homem que nunca apareceram como aspiração no âmbito dos discursos hegemônicos e que agora evidenciam-se no campo da contemporaneidade.
2022-12-06T14:49:38Z
Louis José Pacheco de Oliveira
Intervenções do orientador na escrita: efeitos na formação do futuro pesquisador
Esta tese de doutoramento volta-se à formação do pesquisador e à escrita acadêmica contemporânea. Busca dar visibilidade aos efeitos de constituição da escrita decorrentes do trabalho de um professor orientador implicado no compromisso de formar pesquisadores. A pergunta de pesquisa que norteia a investigação é: quais os efeitos das intervenções executadas por um orientador para que um pesquisador em formação, em contexto universitário, chegue a redigir um trabalho que por sua clareza, adequação e por seu rigor na escrita, possa contribuir para sua área de formação e ser legitimado pelos pares da comunidade científica? Para depreendê-los, a investigação tomou como objeto as intervenções textuais feitas por uma orientadora nas versões que precederam quatro dissertações de mestrado da área da educação. O corpus foi constituído por 1040 manuscritos, relacionados à constituição da escrita acadêmica, tais como: capítulos das dissertações, trabalhos das disciplinas cursadas pelas informantes e eventos de que participaram, incluindo bilhetes ou e-mails trocados entre elas e a orientadora e textos teóricos lidos no percurso. Esse material integra o banco de dados do projeto coletivo Movimentos do Escrito, do Grupo de Estudos e Pesquisa Produção Escrita e Psicanálise GEPPEP. Para estudar os efeitos da orientação docente, primeiramente depreendemos quais as principais dificuldades das mestrandas para escrever em contexto acadêmico e, na sequência, categorizamos o escopo dos efeitos que as intervenções proporcionaram ao longo das versões escritas pelas informantes. A partir de um referencial teórico que articulou educação e psicanálise de orientação lacaniana, foi possível constatar que, ao longo do processo de formação, as pesquisadoras passaram por transformações subjetivas que tiveram efeitos em três aspectos: 1) na relação com o saber referido à mudança de uma postura passiva diante da elaboração do trabalho para uma mais ativa; 2) na elaboração intelectual relacionado ao deslocamento de uma posição predominantemente de falta de raciocínio lógico para a consideração da perspectiva alheia no cálculo dos potenciais efeitos de sentido dos textos que escreviam; e 3) na formulação do texto referido a um cuidado de darem consequência a uma dada escolha lexical, sintática, estilística. Fundamentalmente, a orientadora ajudou as pesquisadoras a diferenciar uma escrita calcada no discurso comum para conquistar outra mais ancorada no discurso científico. Concluímos, portanto, que uma formação universitária, dependendo do modo como for conduzida e vivenciada pelo pesquisador, pode levar quem dela se beneficia a sofrer uma transformação no modo como se relaciona com sua palavra e com o saber.
2022-12-06T14:49:38Z
Emari Andrade
Construção colaborativa de uma proposta de avaliação de professores
Esta tese apresenta uma reflexão sobre o processo de construção de uma proposta de avaliação de professores desenvolvida em uma escola de Ensino Fundamental I localizada na Asa Norte de Brasília. Para tanto, inicialmente foi realizada uma revisão da literatura, a qual indicou como elementos importantes a serem considerados: o envolvimento dos professores no processo de elaboração da proposta; a utilização de diversos instrumentos avaliativos; a atenção com a viabilidade, confiabilidade, validade e utilidade da proposta; o estabelecimento de objetivos claros e amplamente divulgados; a utilização de critérios previamente estabelecidos; e a consideração do contexto em que os professores estão inseridos. Além dessas indicações, o trabalho de campo baseou-se nos preceitos da metodologia colaborativa, em que os diversos sujeitos da pesquisa colaboram com a sua elaboração, ao passo que a pesquisa deve colaborar com o seu desenvolvimento (no caso, profissional). Assim, o trabalho buscou contribuir não apenas com a produção do conhecimento sobre o tema, como também com o aprimoramento do trabalho desenvolvido pelos participantes da pesquisa e, ainda, com a elaboração de novas propostas de avaliação de professores no sentido de indicar caminhos que possam ser percorridos por interlocutores qualificados de diferentes escolas e redes de ensino no processo de construção e aplicação de suas próprias propostas, ainda que resultando em desenhos diferentes dos apresentados nesta tese. A experiência relatada indica que é possível e necessário disputar os rumos das políticas de avaliação de professores no Brasil de modo que elas se tornem verdadeiros instrumentos em favor do desenvolvimento desses profissionais e da melhoria da qualidade da educação.
2022-12-06T14:49:38Z
Nathalia Cassettari
Desconstruindo o futebol e a erotização da dança: uma experiência na educação física da escola do campo no Mata Cavalo
A pesquisa com a Educação Física da escola do campo matacavalense teve como objetivo implementar uma proposta curricular multicultural Pós-crítica de Educação Física, para assim, reposicionar as representações dos alunos. No tocante à metodologia, a pesquisa teve como mote a vertente qualitativa, adotando como foco as interpretações das relações sociais advindas do fenômeno pesquisado. Para tanto, recorreu-se à pesquisa-ação participante, na qual o pesquisador em conjunto com os sujeitos interferiu na realidade com o intento de desestabilizar o currículo esportivo com viés monocultural que caracterizava a Educação Física naquela insituição. Na seleção do campo de pesquisa optou-se pela escola da comunidade do Mata Cavalo, localizada próximo ao município de Nossa Senhora do Livramento -MT, pois a referida instituição possui características que a diferenciam de outras: trata-se de uma escola do campo situada em uma comunidade quilombola, com conflitos entre quilombolas e não quilombolas. Participaram do estudo os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio e os professores responsáveis pelos componentes da investigação. Através do currículo multicultural da Educação Física foram atingidos em suas subjetivações, e, consequentemente em suas representações. O instrumento de coleta de dados escolhido foi a observação das atividades pedagógicas realizadas, as quais versaram sobre duas práticas corporais presentes na região. As intervenções foram realizadas entre abril e outubro de 2011. O material coletado transcrições das atividades desenvolvidas e registros das falas dos alunos foi submetido à análise critica, o que permitiu evidenciar as relações de poder conformadoras das identidades na escola matacavalense. No cotidiano da pesquisa foram tematizadas a erotização de uma dança regional, o Lambadão e a colonização sofrida pelos clubes de futebol do Estado. Após a análise dos dados, ficou evidente que os alunos eram detentores de uma cultura híbrida entre os significados disseminados no campo e na cidade, com um apelo maior para os artefatos culturais da cidade. Também percebeu-se a existência de ressignificações referentes à erotização da dança e a colonização do futebol mato-grossense.
2022-12-06T14:49:38Z
Jorge Eto
Reatando as pontas da rama: a inserção dos alunos da etnia indígena Pankararu em uma escola pública na cidade de São Paulo
A presente dissertação de mestrado teve como objetivo pesquisar a inserção de alunos da etnia indígena Pankararu em uma escola municipal da cidade de São Paulo, que atende aos jovens moradores dos bairros Jardim Panorama, Paraisópolis e Real Parque. Uma peculiaridade dessas localidades é a existência de uma comunidade indígena Pankararu, o que nos direcionou a estudar um fenômeno social recente: os indígenas urbanos. Migrantes de terras tradicionais do Nordeste, em que vivenciaram um processo histórico de emergência étnica, os Pankararu vêm se constituindo na cidade de São Paulo como um grupo étnico politicamente atuante que, por meio de suas associações, têm reivindicado direitos diferenciados para sua etnia na metrópole. O estudo acerca da realidade vivida pelos Pankararu esteve ancorado em diversos estudos antropológicos a respeito dos indígenas do Nordeste (Arruti e Oliveira Filho), além de uma pesquisa documental, acompanhamento e registro das atividades da comunidade Pankararu de São Paulo. Como método de pesquisa na escola, que incluiu questionários e intervenções em sala de aula em conjunto com professores da escola, foi adotado o olho participante, de Massimo Canevacci, a partir do qual pudemos obter uma ampla compreensão da realidade vivida pelos alunos Pankararu na escola. O trabalho com os professores envolveu tentativas sucessivas de constituição de comunidades interpretativas (Boaventura Santos), no interior das quais fosse possível repensar suas visões de mundo e práticas pedagógicas, podendo assumir então o papel de intelectuais transformadores (Henry Giroux). As pesquisas evidenciaram a marginalização e exclusão da cultura indígena da ordem hegemônica da cultura escolar, além da predominância de uma visão marcada pela representação estereotipada dos indígenas, que tem contribuído para fomentar a discriminação dos alunos Pankararu. Em decorrência disso, observamos uma relação ambivalente dos alunos Pankararu com sua própria identidade étnica, seja por não possuírem um sentimento de pertença à comunidade, seja por não desejarem se declarar como indígenas na escola. Uma atitude que é possivelmente expressão de uma autodefesa, em razão do receio da discriminação exercida sobre eles pela comunidade escolar. Tornou-se assim evidente que as escolas presentes em um contexto urbano não estão preparadas pedagogicamente para acolher estudantes de etnias minoritárias de modo a respeitar suas culturas, tradições e identidades peculiares.Como forma de reverter este quadro, foi realizada uma Semana de Diversidade e Cultura, cuja organização incluiu a própria comunidade Pankararu, pesquisadores e corpo docente, tendo como objetivo instituir um diálogo entre as culturas indígenas e afro-brasileiras e a cultura escolar por meio de debates sobre a legislação que obriga o ensino da história e culturas indígenas e afro-brasileiras. Foram ainda realizadas diversas atividades com os alunos e a comunidade, abordando as produções culturais e formas de organização política da comunidade Pankararu na cidade. Os resultados dessa Semana foram importantes para a afirmação étnica dos alunos Pankararu, assim como uma maior conscientização dos alunos não-indígenas a respeito da temática indígena e afro-brasileira, mas evidenciaram também a necessidade de se repensar os princípios norteadores das práticas da escola pública.
2022-12-06T14:49:38Z
Edson Yukio Nakashima
Um diálogo entre a política cultural e a educação não-formal: contribuições para o processo de constituição da cidadania das pessoas com deficiência
Esta pesquisa qualitativa busca estabelecer um diálogo entre a política cultural e a educação não-formal, destacando a importância de tal relação para a constituição da cidadania das pessoas com deficiência. A pouca visibilidade dessas pessoas provoca sua exclusão das políticas públicas. Nessa lógica cria-se um ciclo, pois face à inexistência de serviços não há inclusão e, conseqüentemente, a falta de visibilidade contribui para que a discriminação continue (BIELER, 2005). Assim, evoca-se a responsabilidade do Estado na formulação de políticas públicas no caso deste estudo mais especificamente as políticas culturais que possibilitem a ruptura do ciclo da invisibilidade, proporcionando a essas pessoas maior acesso à cidade, aos bens culturais e à vida comunitária. Esse segmento normalmente é ignorado na formulação das políticas culturais que parecem mais voltadas para a produção de eventos e atividades artísticas. Neste estudo concebe-se a cultura num sentido amplo, encontrada em todas as dimensões da sociedade, presente ao longo da história e no cotidiano das pessoas, num conjunto de símbolos e significados com os quais os homens criam a própria vida social, atribuindo significados às suas experiências (BRANDÃO, 1995). A educação não-formal parece pertinente por seu caráter de intencionalidade e de flexibilidade dos conteúdos, lugares e metodologias e, sobretudo, por seu objetivo principal que é a prática da cidadania (GOHN, 2005, 2006a). O confinamento dessas pessoas em suas casas, geralmente na periferia da cidade, é incompatível com a lógica dos direitos humanos e da democracia, que não pode prescindir da participação, da luta por novos direitos e pela garantia daqueles já instituídos. (CHAUI, 2006; BENEVIDES, 2004). A igualdade de direitos das pessoas com deficiência deve ser vista como uma questão de justiça e deve visar a paridade de participação na sociedade em todas as áreas (BENEVIDES, 2004; FRASER, 2007). Nesse sentido, ao serem privadas de seus direitos culturais, essas pessoas também têm limitadas suas condições para participação na esfera cotidiana. Sem tais vivências, ficam prejudicados o enfrentamento ao preconceito, o exercício da participação e, sobretudo, a construção de uma identidade grupal que possa evoluir para a luta coletiva (HONNETH, 2003). O procedimento metodológico utilizado, com o objetivo elucidar os pressupostos teóricos, foi a coleta de depoimentos orais (LANG, 1996) de alguns dos participantes do Projeto Passeando por Sampa Inclui, desenvolvido por esta pesquisadora na Subprefeitura da Capela do Socorro. Assim, pôde-se apreender o quanto a participação em atividades culturais e as situações interativas entre os participantes do Projeto foram fundamentais para que tivessem acesso aos bens culturais antes desconhecidos, possibilitando aprendizagens e prazer com as novas experiências. A ruptura do confinamento e as possibilidades de emancipação foram percebidas em diversos graus, contribuindo para que os mesmos possam enfrentar o preconceito e encontrar no grupo um apoio necessário para melhor conhecer e lidar com a própria deficiência. Tais experiências fomentaram um necessário encorajamento para a vida comunitária e a valorização das experiências grupais, emergindo formas de protagonismo tão diversas quanto as trajetórias dos sujeitos.
2022-12-06T14:49:38Z
Jussara Vidal
Prática pedagógica do professor-tutor em educação a distância no curso Veredas - Formação Superior de Professores
A pesquisa tem por objetivo, compreender as possibilidades e os desafios da prática pedagógica do professor-tutor no curso Veredas, destinado à habilitação de professores das séries iniciais do ensino fundamental, na modalidade de Educação a Distância EaD). O estudo da prática do tutor no Veredas se deu por meio de pesquisa de campo, na Universidade Federal de Uberlândia (AFOR UFU), em Uberlândia, MG, no período de janeiro de 2003 a julho de 2005. Para melhor compreender de que modo e em que condições o tutor desenvolveu sua função de mediação pedagógica na formação de professores e qual a percepção dos tutores acerca da própria prática, observamos as atividades dos tutores nos encontros presenciais do curso. Realizamos entrevista semiestruturada com tutores e coordenadores, grupo focal com cursistas e análise documental. Participaram da pesquisa, dez tutores e trinta cursistas do total de 42 tutores e 630 professores cursistas. Os resultados mostraram que o Veredas apresentou avanços e inovação no que diz respeito à formação superior de professores das séries iniciais do ensino fundamental em EaD. Entretanto, a pesquisa aponta aspectos que precisam ser corrigidos e aperfeiçoados para melhor atender às necessidades de cursistas e tutores. Esses aspectos envolvem desde o processo seletivo dos tutores, as condições de trabalho até a criação de espaços autoformativos e formativos para o desempenho das funções que exercem. A EaD requer um professor-tutor capaz de refletir e pesquisar a própria prática, com vistas a transformá-la e ressignificá-la. O discurso e prática dos tutores são mesclados por inconsistentes concepções de educação, EaD, professor-tutor, ensino e aprendizagem. Transitam entre abordagens tradicionais, construtivistas e sociointeracionistas e explicitam reduzidos conhecimentos acerca destes elementos e da modalidade à distância. Na maior parte dos encontros presenciais, os tutores se mostram confusos, inseguros, carentes de orientações e de apoio didático-pedagógico, metodológico, tecnológico e administrativo. Apresentaram dificuldades com o planejamento, a coordenação de atividades interativas, colaborativas e significativas, orientações do estágio, monografia e memorial. Demonstraram fragilidades teórico-prática sobre os diversos saberes, competências e habilidades que envolvem a docência, na perspectiva crítico-reflexiva-investigativa em EaD. Consideramos que ficou comprometida a mediação pedagógica e a orientação acadêmica, no sentido de desenvolver nos cursistas práticas reflexivas, interativas e cooperativas, a articulação teoria-prática, autogestão e autonomia no aprendizado. Tal cenário confirma e explicita a urgência e necessidade de autoformação, de formação contínua do professor-tutor em serviço para dar conta de uma formação superior de professores qualificada em EaD.
2022-12-06T14:49:38Z
Zeila Miranda Ferreira
Experiências de fronteira: os meios digitais em sala de aula
O uso de novas tecnologias em sala de aula tornou-se foco da atenção de pesquisadores e instituições escolares. Além de a inclusão digital favorecer o acesso dos indivíduos à produção cultural, a presença dos meios digitais na escola tem se mostrado uma boa forma de encontro com um aluno que convive diariamente com computadores, celulares e uma infinidade de aparelhos eletrônicos. Ao adotarmos o uso de recursos digitais (como sites, blogs, e-mails, chats, podcasts e hipermídias) como modo de apresentação e divulgação de trabalhos e pesquisas escolares, apoio ao ensino, incentivo à discussão e ao debate, temos em mente que nosso aluno, nascido em meio às mudanças tecnológicas vivenciadas nos últimos 20 anos, demonstra afinidade com as linguagens que constituem o universo digital - o ciberespaço. Tendo em vista, pois, a importância da educação tecnológica para a promoção da inclusão digital, a crescente exigência de pais, alunos e intituições escolares para que a escola invista em tecnologia e no desenvolvimento das habilidades a ela relacionadas, nosso trabalho tem como objetivo avaliar e propor o uso, em Educação, de dois recursos digitais: hipermídias e blogs. Para tanto, apresenta pesquisa bibliográfica acerca de sua configuração e das relações entre Educação e Tecnologia. Além disso, discute quatro experiências realizadas com alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de uma escola privada do município de São Paulo, e apresenta o ponto de vista de alguns professores envolvidos. Dessa forma, pretendemos colaborar para que o professor interessado em fazer uso de tais recursos entenda um pouco melhor algumas possíveis contribuições da Tecnologia na área da Educação e sinta-se estimulado a usá-la em sua prática.
2022-12-06T14:49:38Z
Lina Maria Braga Mendes
A trajetória anarquista do educador João Penteado: leituras sobre educação, cultura e sociedade
Ao o traçar o contexto de implementação das escolas libertárias em São Paulo, na primeira década do século XX, este estudo insere a trajetória do educador anarquista João Penteado nos domínios da história da educação brasileira. Este educador foi responsável pelo funcionamento da Escola Moderna n.º1, criada em 1912, como escola modelo, por um grupo de livre pensadores, anarquistas e anticlericais interessados em estabelecer uma forma escolar distinta daquelas dominantes, nesse período, como as estatais e confessionais, tendo como alvo privilegiado os meios populares. Esta escola, como muitas outras escolas libertárias, foi inspirada na experiência do educador catalão Francisco Ferrer y Guardia, que criou e fundou Escola Moderna de Barcelona, em 1901. A trajetória social de João Penteado, apreendida pela pesquisa historiográfica em fontes documentais primárias, é marcada por práticas culturais e educativas profundamente arraigadas ao ideário libertário, tornando-se perceptível em seu pensamento a constância desta concepção de mundo ao longo dos anos. A sua trajetória anarquista é aqui esboçada por meio de uma breve biografia e de uma antologia com os textos inéditos produzidos durante sua vida. Colocar em evidência alguns dos fundamentos desta perspectiva pedagógica com base em antecedentes históricos do campo educacional brasileiro acrescenta novos elementos na discussão sobre a forma escolar. Assim, o sentido e a função social da escola contemporânea podem ser questionados e refletidos por uma visão transformadora das relações humanas.
2022-12-06T14:49:38Z
Luciana Eliza dos Santos
O processo de disciplinarização da metodologia do ensino de matemática
Desde as primeiras décadas do século XX, foi constatada nos currículos dos cursos de formação de professores a existência de uma disciplina cuja constituição, funcionamento e objetivos têm como pressuposto ensinar a ensinar a matemática. Historicamente, a disciplina Metodologia do Ensino da Matemática tem aparecido nos cursos de Licenciatura em Matemática com distintas denominações. Nos anos 1930, ela apareceu com o nome de Didática Especial da Matemática. Nos anos 1960, essa denominação deu lugar à Prática de Ensino de Matemática, sob a forma de Estágio Supervisionado. Nos anos 1990, surge a nova terminologia Metodologia do Ensino de Matemática. Ao longo dessas alterações, os pressupostos e as características dessa disciplina foram se modificando. Este trabalho teve como objetivo principal compreender o processo histórico de disciplinarização da Metodologia do Ensino de Matemática em cursos de Licenciatura em Matemática, buscando conhecer a gênese e o desenvolvimento histórico da disciplina, identificando conteúdos e métodos propostos bem como as mudanças pelas quais passou a disciplina. A motivação em propor e realizar este estudo surge da necessidade de conhecer e discutir o estatuto epistemológico da disciplina, a fim de compreendermos o seu lugar nos currículos dos cursos de formação de professores. Como metodologia de pesquisa, utilizamos a análise documental (programas de ensino, livros-texto, legislação oficial), a história oral (análise de entrevistas com professores da disciplina) e o estudo de literatura referente ao tema. Tomamos como referência importante, neste trabalho, os estudos de André Chervel, que propôs e estudou o conceito de disciplina no contexto escolar, destacando os fatores que determinam quando um campo de saberes se institucionaliza e forma aquilo que habitualmente se denomina disciplina. O processo de disciplinarização tem percorrido um trajeto semelhante ao da área de pesquisa em Educação Matemática, apresentando características de pluralidade de saberes, constituindo-se, em última análise, em uma disciplina interdisciplinar.
2022-12-06T14:49:38Z
Viviane Lovatti Ferreira
Manuais didáticos e conhecimento histórico na reforma João Pinheiro: Minas Gerais, 1906-1911
Este trabalho recupera a história do livro didático e do ensino de História em Minas Gerais no período compreendido entre os anos de 1906 e 1911, no início do vigor da Reforma do Ensino João Pinheiro. Acompanhamos o processo de reestruturação da escola promovida pelo então Presidente de Estado João Pinheiro, o Secretário do Interior Carvalho Britto e os demais sujeitos envolvidos com os processos educativos naquele momento da história do estado (diretores, inspetores, professores). Elegemos a disciplina História por entender que esse conhecimento se encontrava sob influência da política republicana mineira, de modo que esta fizesse dela instrumento de divulgação dos valores da nova ordem instituída. Através da investigação da história do livro, realizamos investimento nas demais instâncias responsáveis por sua escrita, divulgação, circulação e demais relações estabelecidas com a instrução pública primária em Minas Gerais. Em nossas pesquisas, nos deparamos com uma situação onde diversas forças compunham um cenário de conflito de interesses dentro e fora da escola, colocando os dispositivos de instrução no centro das discussões. Revelamos as identidades e estratégias dos sujeitos envolvidos com as transformações, tanto na ordem regulamentar das disposições oficiais quanto na prática cotidiana da escola, tendo o objeto livro localizado na interseção entre esses dois momentos.
2022-12-06T14:49:38Z
Andre Coura Rodrigues
A política educacional e o direito das crianças à educação infantil em São Luís - Maranhão (1996-2006)
Este trabalho foi realizado com o objetivo de investigar como foi desenvolvida a política de educação infantil no município de São Luís, capital do estado do Maranhão, no período de 1996 a 2006. Para tanto, necessário se fez partir da análise da política educacional para essa etapa da educação básica no Brasil. Em seguida a caracterização histórica e política do Maranhão é utilizada para aclarar o cenário no qual está inserida a educação para as crianças pequenas no Estado. Da mesma forma as origens sociais e econômicas do município de São Luís e as composições dos quadros políticos locais, marcados pelo clientelismo e a política implementada pelos representantes do poder executivo municipal, esclarecem as condições históricas nas quais foi constituída a educação infantil nesse tempo e lugar. Apresenta-se a configuração da política de educação infantil na rede municipal coordenada pela Secretaria Municipal de Educação de São Luís (SEMED), incluindo a contratação da empresa de consultoria educacional Abaporu e suas principais ações realizadas na SEMED. A pesquisa utilizou-se de metodologia qualitativa, e também de pesquisa bibliográfica e documental, nas quais foram utilizadas fontes primárias e secundárias. Na fundamentação teórica recorreu-se a Kuhlmann Jr. (1998), Faria (2000), Campos (2001), Vasconcellos (2005) enquanto pesquisadores da história e da política da educação infantil no Brasil e às legislações brasileiras e documentos relativos à área da educação infantil. Recorremos a Gonçalves (2000, 2006), Lima (2007), Lopes (2007), Martins (2000), para analisar a história e a política do Maranhão e de São Luís. Foram também analisadas as legislações municipais referentes à educação estudada no período em questão e os documentos produzidos pela Secretaria Municipal de Educação. A pesquisa mostrou que a educação infantil tem sido o nível de ensino mais negligenciado pelo poder público no país, no estado do Maranhão e no município de São Luís, o que nos permite afirmar que somente uma reunião de esforços das três esferas administrativas e a efetivação do regime de colaboração entre essas esferas poderá qualificar ainda mais a educação das crianças nessa faixa etária.
2022-12-06T14:49:38Z
Thaís Andrea Carvalho de Figueirêdo Lopes
Lições de coisas e sua transposição para livros de leitura brasileiros (1907-1945): a história da educação pela clivagem do impresso
Nos últimos anos, ampliaram-se significativamente os espaços de produção em história da educação no Brasil, provavelmente, em decorrência do crescente número de pesquisadores voltados a estudos que abarquem universos educacionais e escolares. Um balanço das pesquisas mais recentes nesse campo permite observar que as discussões historiográficas sobre a educação se estendem para além das fronteiras dos fatos e dados históricos e evidencia o grande interesse sobre temas voltados a desvendar práticas que constituíram o arcabouço do nosso sistema educacional e pedagógico contemporâneo. Um recurso investigativo reside na análise de materiais didáticos manipulados por professores e alunos que, por estarem presentes no interior das salas de aula, oferecem indícios do que acontecia na escola além do discurso. Desse modo, o trabalho aqui apresentado, pretende analisar Livros de Leitura produzidos entre os anos de 1907 e 1945 basicamente em duas perspectivas: como objeto de estudo e como fonte. No domínio da investigação que considera os materiais didáticos de leitura como objeto de estudo, propõe-se como uma das possibilidades de aprofundamento a melhor compreensão da sua materialidade, destacando o lugar do autor e do editor no contexto de sua produção e circulação. No que diz respeito à análise de conteúdos, firmam-se dois objetivos. O primeiro consiste em verificar e atribuir sentidos às imbricações entre o modelo pedagógico contemplado nas Primeiras Lições de Coisas (de Norman Allison Calkins, traduzido por Rui Barbosa) e uma possível permanência da sua perspectiva epistemológica nos materiais mencionados, visto que os Livros de Leitura podem ser considerados manuais escolares produzidos com o objetivo de oferecer subsídio ao professor no exercício da docência sob a égide de uma nova proposta educacional: a educação pelos sentidos ou método intuitivo. O segundo reside na análise de grupos de conteúdos presentes nos Livros de Leitura selecionados para a análise, são eles: Leitura, Nossa terra/nossa gente, Ensino religioso/ensino moral e Corpo Humano. A pesquisa se faz importante na medida em que verifica a pouca produção sobre a inserção dos livros didáticos de leiturana escola, seus autores, sua produção e circulação, seus preceitos epistemológicos, sobretudo, no que pode contribuir para a compreensão/constituição do campo da História do Ensino de Leitura no Brasil.
2022-12-06T14:49:38Z
Camila Beltrão Medina
Redes de apoio e a política de inclusão escolar no município de São Paulo
Nos últimos anos temos lido e ouvido com certa frequência que redes de apoio são importantes aos usuários de drogas, às mulheres grávidas de baixa renda, aos profissionais que trabalham com pacientes idosos, ao público-alvo da educação especial. Contudo, no âmbito da educação, pouco se sabe sobre o que são e como se efetivam redes de apoio, uma vez que essa discussão é ainda escassa em nosso país, principalmente na área da educação especial. Após revisão de literatura formalizamos, para fins deste trabalho, um sentido de redes de apoio compreendendo-o como a articulação de diversas instâncias públicas e privadas, que possuem interface com a educação especial, por meio da institucionalização de trabalho intersecretarial para planejamento, implantação e avaliação de políticas públicas em prol da inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Uma vez compreendido esse conceito, procedemos aos objetivos deste estudo que foram investigar as formas com que o município de São Paulo, por meio de suas diferentes secretarias, organiza atendimentos a esse públicoalvo e averiguar se tais ações se constituíram como redes de apoio, segundo o sentido dado em nossa análise. Para tanto, esta pesquisa de caráter exploratório combinou alguns procedimentos afeitos à abordagem qualitativa tais como: análise de fontes documentais, com enfoque principal na legislação municipal de educação especial; levantamento de planos e programas das secretarias que possuem interface com essa modalidade; e de depoimentos colhidos com profissionais que atuam na educação especial no âmbito municipal. Os resultados evidenciaram que os documentos legais analisados das Secretarias Municipais da Saúde, Assistência Social e da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida estabeleciam ações articuladas com a educação. Localizamos também, algumas redes de apoio pontuais que atenderam uma parcela restrita da população, não garantindo a cobertura e acesso aos direitos sociais do público-alvo da educação especial como um todo, e outras mais estruturadas, por parte da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Concluímos também que este município vem tratando de fortalecer a política de atendimento complementar e suplementar de apoio ao processo de inclusão a esse alunado, por meio da regulamentação dos convênios com instituições privadas, ampliação de serviços, recrutamento e constituição de suas equipes, e pelo movimento percebido de formulação de políticas que fomentem ações intersetoriais e intersecretariais, embora constatemos a necessidade de aprimorá-las bem como investimento em dispositivos para sua efetivação, que consolidem, dessa forma, aquilo que compreendemos como redes de apoio, de forma extensiva e não pontual.
2022-12-06T14:49:38Z
Rosanna Claudia Bendinelli
Atratividade do magistério para o ensino básico: estudo com ingressantes de cursos superiores da Universidade de São Paulo
Estudos que apontam o baixo interesse pela carreira do magistério na educação básica têm sido frequentemente divulgados. Esse fato, somado a projeções que indicam que o número de licenciados no Brasil não contemplará a demanda por professores nos próximos dez anos, notadamente nos anos finais dos ensinos fundamental e médio, motivou o desenvolvimento da presente pesquisa. Seu objetivo foi o de analisar o perfil de ingressantes nos cursos de licenciaturas da USP em Pedagogia, Física e Matemática, bem como os fatores que pesam em suas decisões de se tornarem (ou não) professores. Buscou-se também investigar se alunos do curso de Medicina da USP já almejaram ser professores da educação básica em algum momento de suas vidas. Para tanto, os ingressantes responderam a um questionário (N = 512) elaborado a partir de contribuições das produções científicas examinadas sobre o mercado de trabalho docente e de produções sobre a escolha por esta carreira do ponto de vista da sociologia. Os resultados evidenciaram que é similar a comparação do nível socioeconômico dos licenciandos da USP com alunos de cursos de licenciaturas do Brasil e de outros países. Além disso, o desempenho desses licenciandos no exame da Fuvest foi inferior não somente em relação à Medicina, como em todos os demais cursos da USP. Sendo assim, para esses respondentes, a licenciatura parecia ser uma das poucas alternativas possíveis para ingresso nessa universidade. De fato, ser professor não foi apontado como a principal razão para escolha do curso por boa parte dos respondentes. Porcentagem importante de alunos manifestou não querer ser professor na educação básica ou ter dúvidas quanto a ser (52% na Física e 48% na Matemática), enquanto os licenciandos em Física e Matemática indicaram grande interesse em ingressar na pós-graduação. Na Pedagogia, embora menos elevado (30%), o percentual não é desprezível. Os fatores mais influentes para os ingressantes terem a predisposição de seguir o magistério são, na maioria das vezes, semelhantes aos expostos em quase todas as produções científicas analisadas: sexo (mulheres), curso (Pedagogia), idade (entre 17 e 19 anos), salário e aspectos de ordem subjetiva (experiências escolares positivas, altruísmo, gosto pela educação, engajamento social, gostar de crianças). As questões que se mostraram mais influentes para a não escolha da carreira estão ligadas à imagem atual da profissão docente e da escola (condições ruins das escolas e o desprestígio social, incluindo a baixa remuneração). Analisar a atratividade da carreira docente evidenciou-se uma tarefa complexa por vários fatores intervenientes, muitas vezes difíceis de ser coletados e mensurados, os quais, ao que tudo indica, devem ser considerados de forma articulada nas políticas para professores. É provável que o reconhecimento do professor como o único profissional a deter o repertório de conhecimentos e habilidades para o ensino colaboraria para melhorar a atratividade do magistério na educação básica. Por fim, defende-se que a carreira profissional docente precisa ser atrativa para quem quer que seja, implicando oferta de formação adequada para exercício da profissão.
2022-12-06T14:49:38Z
Luciana França Leme
Outras palavras: análise dos conceitos de autoria e plágio na produção textual científica no contexto pós-moderno
Esta tese é um trabalho de pesquisa teórica que discute as relações existentes entre autoria e plágio e suas implicações no âmbito da produção textual científica. O percurso teórico realizado permitiu aprofundar a compreensão e problematizar a temática destacando-se alguns núcleos de debate, sendo eles: 1)oscilações teórico-práticas entre as ideias de plágio e autoria: constatou-se que a discussão sobre o plágio precisa de uma abordagem que vá além da superficialidade pericial de identificação e punição de ladrões de palavras e ideias, mas que considere e problematize também aspectos como a necessidade de atualização do conceito de autoria e plágio; 2) especificidades do texto literário em comparação com o texto científico: embora a produção textual científica reserve algumas particularidades em relação ao texto literário, verificamos a possibilidade de integração das características comuns a ambos o que pode enriquecer a qualidade textual científica; 3) características de autoridade e responsabilidade no processo autoral: observamos que a autoria de um texto é uma forma de identidade que funciona como suporte de discursividade, o que atesta a credibilidade dos argumentos apresentados. Assim, concordamos com Foucault e reiteramos a ideia de autor como um fiador, aspecto que contribui na recuperação da finalidade da citação autoral em um texto científico; 4) distinções entre propriedade patrimonial e moral: refletimos que, com o advento da pós-modernidade e as novas possibilidades autorais, a apropriação patrimonial vem sendo alvo de críticas e questionamento seja pela forma mais rápida e fluída que as informações circulam pela internet, bem como pelo caráter público (common) do conhecimento. Consideramos que as ideias defendidas pelo commons paradigm são coerentes com os processos de circulação de ideias, que caracterizam a atualidade ao mesmo tempo em que defendem de modo procedente a concepção de que o conhecimento não é uma commodity como as outras e precisa ser distribuído de forma compartilhada. Constatamos que iniciativas exemplares neste sentido são as propostas de licenciamento creative commons e a adoção da marca de permissão Semion em obras que adotem a renúncia patrimonial; 5) as relações entre ética (leis morais) e técnica (normas e diretrizes): reconhecemos que o plágio pode ser uma falha técnica ou uma fraude ética, contudo concluímos que a condição autoral precede a ocorrência do plágio e é algo caracterizado por um ato de criação e estilo, marcado pela pessoalidade com que cada pesquisador percorre a rede de caminhos metodológicos, faz associações e estabelece implicações bem como interage socialmente. Concluímos que as concepções de plágio e autoria científica na atualidade correspondem às formas desatualizadas de entender dois fenômenos correlacionados que não podem ser mais interpretados com as categorias que precedem a revolução digital. Em nossa opinião, os estudos futuros em relação à autoria e ao plágio nos processos de produção textual científica deveriam explorar e aprofundar as reflexões e o debate sobre as correlações entre esses dois assuntos visando contribuírem para o desenvolvimento de uma conceituação atualizada sobre estes aspectos essenciais na produção científica.
2022-12-06T14:49:38Z
Marcelo Krokoscz
O magistério como nova carreira e ascensão social: histórias de vida e formação de egressos do curso de pedagogia de uma faculdade privada da cidade de São Paulo (2014-2017)
Os processos de massificação do Ensino Superior permitiram que indivíduos das camadas populares chegassem a este nível de ensino, mas eles acessam sistemas bastante desiguais e ficam sujeitos à hierarquia das profissões, conforme Dubet (2015). A carreira do magistério parece atrair estudantes provenientes desses segmentos que veem a profissão como uma possibilidade de ascensão. Deste modo, a partir das referências de Shulman (2014) sobre o conhecimento pedagógico relativo aos conteúdos a serem lecionados e de Tardif (2010) e Pimenta (1997) sobre os saberes docentes, o objetivo desta pesquisa foi averiguar como profissionais oriundos de camadas populares mobilizam a sua formação, em termos pedagógicos e de conteúdos, ao iniciar sua prática docente no Ensino Fundamental da rede pública. Para tanto, este estudo ocupou-se em investigar egressos do Curso de Pedagogia de uma instituição privada de ensino localizada na cidade de São Paulo- SP e que estavam em seus primeiros anos como professores. Na primeira etapa, 169 egressos deste curso responderam um questionário com suas informações pessoais e ocupações profissionais. A maioria deles declara que trabalha na área de Educação, porém nem todos como professores. Os que iniciaram na carreira docente estão predominantemente nas escolas públicas, lugar de sua formação inicial. Entre estes participantes, foram entrevistadas cinco professoras que atuam no Ensino Fundamental, quatro delas ingressaram na carreira por meio do concurso público e uma como professora eventual. Os relatos destas professoras indicam que os saberes docentes são múltiplos e vêm de diversas fontes como: a história pessoal e familiar dos sujeitos, a trajetória escolar e os contextos de vida escolar nos quais se inserem na profissão. São professoras que iniciam a carreira entre os 35 e 48 anos, sendo o magistério sua segunda ou terceira profissão. Elas indicam que estavam há muito tempo distantes dos processos de escolarização quando ingressaram no Ensino Superior e, quando concluíram seus estudos, apesar de avaliarem que tiveram uma boa formação no Curso de Pedagogia, afirmam que não se sentem preparadas para lidar com todas dificuldades enfrentadas em sala de aula. Por este motivo, as entrevistadas apontam suas fontes de saberes do conhecimento pedagógico relativo aos conteúdos que precisam lecionar. Livros didáticos, a troca de experiências com os colegas e mídias disponíveis na internet são algumas dessas fontes.
2022-12-06T14:49:38Z
Fernanda Guinoza Matuda