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Mooca: lugar de fazer casa
Esta tese é uma proposta de revitalização do bairro da Mooca no seu local de origem. Enfatiza assim a importância do bairro como moradia da classe operária na primeira fase de industrialização de São Paulo e destaca a necessidade de se introduzir o estudo da memória do ambiente cultural como elemento de planejamento urbano. Para tanto, analisa os elementos de permanência da estrutura do bairro nas diversas etapas de desenvolvimento da cidade - o traçado das ruas, as edificações originais das vilas, as casas em série, os edifícios das fábricas ainda existentes enfim, elementos que devem ser inseridos no projeto de renovação urbana, propondo que se valorize a memória e o significado histórico do espaço cotidiano da população. Propõe-se aqui a reformulação do projeto do canal do rio Tamanduateí como forma de resgatar a relação da cidade com este, sendo afinal de contas um fator essencial para a revalorização dos bairros que circundam a área central. A tese ressalta que a Mooca é um espaço de resistência na cidade: primeiro porque conserva, através do trabalho da população mais pobre, seu desenho e atividade econômica originais; segundo porque carrega uma carga simbólica das lutas de resistência do movimento operário desde a Greve de 1917 e do movimento dos tenentes de 1924. A memória desses acontecimentos deve ser inserida no cotidiano da população através de projetos de recuperação e produção de novos espaços de morar e de locais para preservação da memória associados a programas sociais como a \"oficina do jovem historiador\".
O detalhe como arquitetura. Uma pesquisa sobre um trabalho prático
Este trabalho aborda o detalhe como configurador da qualidade e do caráter da arquitetura. Para a construção desta proposta, elaboram-se questões que conceituam o detalhe como elemento arquitetônico, enfatizando sua relação com a obra construída e sua existência dentro do contexto histórico da arquitetura. Aborda-se, também, a relação entre a representação gráfica e sua execução, mostrando a materialização das idéias do autor do projeto. Com o aprofundamento destes conceitos, desenvolveu-se uma análise de como o detalhe pode conferir caráter e qualidade à arquitetura, abordando a obra de cinco arquitetos, representantes de diferentes linhas projetuais: Mies Van Der Rohe, Alvar Aalto, Frank Lloyd Wright, Alvaro Siza e Norman Foster. Com isso, alcançamos a apresentação de nossa pesquisa sobre um trabalho pratico, que explicita a criação e a representação do detalhe dentro do processo projetual, até alcançar a obra executada.
2004
Gilberto Silva Domingues de Oliveira Belleza
Origens da habitação social no Brasil (1930-1945): o caso de São Paulo
A tese aborda as origens da intervenção do Estado na questão habitacional e suas repercussões nas transformações das formas de provisão de moradia no país. Detendo-se sobretudo no período de 1930/1954, aprofunda o estudo das medidas tomadas por Getúlio Vargas que tiveram forte repercussão nas formas de provisão de habitação, como a Lei do Inquilinato (1942), que congelou os aluguéis, e a criação das Carteiras Prediais dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (1938) e da Fundação da Casa Popular (1946), que deram início à produção e financiamento estatal da habitação no Brasil. Neste sentido, é dado particular destaque à situação habitacional em São Paulo, onde a intervenção estatal, num quadro conjuntural marcado pela acelerada urbanização e intenso crescimento industrial, gerou grave crise de moradias, principalmente na segunda metade da década de 40. Em consequência, proliferaram soluções habitacionais promovidas pelos próprios trabalhadores, como a casa autoempreendida nas favelas e, sobretudo, nos loteamentos periféricos. A tese mostra como a intervenção do Estado na questão habitacional foi coerente com a estratégia governamental de estimular a industrialização do país, transferindo da iniciativa privada para o poder público e, principalmente, para o próprio trabalhador o ônus da provisão de moradias, indispensável na viabilização do acelerado processo de industrialização do país a partir dos anos 40.
Avaliação do uso de revestimentos cerâmicos de fachada em edifícios residenciais multifamilares em São Paulo: estudo de caso região Sul - 1994 - 1998
A Dissertação de Mestrado em questão consiste na avaliação do uso de revestimentos cerâmicos de fachada fundamentada no estudo de caso para edifícios residenciais multifamiliares, caracterizado por prédios de apartamentos, no Município de São Paulo, região Sul, cujos lançamentos ocorreram entre 1994 e 1998. Para tanto, abordam-se inicialmente antecedentes do uso destes materiais em fachadas de edifícios no Brasil. Posteriormente são abordadas as principais características dos materiais componentes dos revestimentos cerâmicos, enfatizando suas características quando aplicados em fachadas. São explicitadas, ainda, considerações para a elaboração de projetos de revestimentos cerâmicos de fachadas, bem como para sua execução, destacando também as principais patologias que os afetam. Finalmente, é realizada uma análise do uso dos revestimentos cerâmicos em fachada, no cenário definido, acompanhada de registros fotográficos, apresentados na forma de fichas para cada bairro levantado. Acompanha também esta análise uma pesquisa realizada entre os escritórios de arquitetura responsáveis pelos projetos arquitetônicos dos edifícios em questão, visando as condicionantes de projeto para o uso dos revestimentos cerâmicos. Conclui-se com abordagens vinculadas ao estado da arte sobre o uso dos Revestimentos Cerâmicos de Fachadas baseado na pesquisa de campo e opiniões dos arquitetos.
2002
Juan Francisco Temoche Esquivel
Padrões de ocupação do solo e microclimas urbanos na região de clima tropical continental.
O objeto deste trabalho são os microclimas urbanos nas cidades brasileiras na região de Clima Tropical Continental. Partindo do princípio que há uma correlação entre microclimas urbanos e ocupação do solo, o objetivo é medir numericamente a correlação entre a temperatura do ar e algumas variáveis familiares ao planejamento, e que podem ser regulamentadas pela legislação municipal, a fim de orientar as medidas necessárias para amenizar o rigor climático nas cidades da região. Faz-se uma descrição qualitativa e quantitativa das variáveis urbanísticas envolvidas, bem como medições de temperatura e umidade do ar em diferentes estações e horários. Os resultados mostram que as variáveis taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento mantém correlação positiva com a temperatura do ar, e refletem uma maior influência da densidade construída sobre o período noturno, o que concorda com a teoria existente. Já com as variáveis arborização e água a correlação foi negativa em relação à temperatura do ar, em todos os horários. Ao final propõe-se um índice em função das variáveis urbanísticas utilizadas, visando subsidiar futuros trabalhos na determinação da proporção ideal entre densidade construída, arborização e água.
2000
Denise Helena Silva Duarte
Calçadões: a revitalização urbana e a valorização das estruturas comerciais em áreas centrais
Este trabalho traz uma investigação sobre as ruas de pedestres e as mudanças que elas provocam no centro de uma cidade. O objetivo da pesquisa foi verificar os aspectos positivos e os negativos da implantação de uma rua de pedestres, como forma de buscar subsídios para a implantação e manutenção desses espaços. O objeto principal desta pesquisa é a rua de pedestres de Londrina-PR, sendo a rua de pedestres de Bauru-SP o objeto secundário. Foi feita uma análise comparativa entre as duas. A pesquisa teve por base três tipos de análises: a da autora, a aplicação de questionários e a elaboração de mapas comportamentais, o que possibilitou o cruzamento das informações levando em consideração diferentes pontos de vista o do pesquisador e o do usuário. O trabalho procurou verificar, sobretudo, como um projeto de revitalização urbana contribui para ampliar a qualidade dos espaços urbanos.
2006
Denise de Cassia Rossetto Januzzi
Verticalização de favelas em São Paulo: balanço de uma experiência (1989 a 2004)
Esta tese trata das experiências de verticalização de favelas desenvolvidas no Município de São Paulo no período compreendido entre 1989, precisamente no início da gestão de Luiza Erundina, até o final de 2004, quando se encerra a gestão de Marta Suplicy. Tem por objetivo, além de proceder a um resgate histórico dessa polêmica modalidade de intervenção em assentamentos informais, detectar o que mobilizou os diferentes administradores do período a fazer uso da mesma. Pretende-se, ainda, apontar as potencialidades, limites e desafios de tal modalidade no contexto paulistano, a partir das impressões dos agentes que estiveram de alguma forma envolvidos na sua definição em execução, bem como dos próprios beneficiários a população da antiga favela e atualmente residindo nos conjuntos habitacionais. Parte-se da premissa de que a verticalização de favelas executada nas gestões de Luiza Erundina (1989 1992), pioneira do uso da modalidade, Paulo Salim Maluf e Celso Pitta (1993 2000) e Marta Suplicy (2001 2004), embora em contextos políticos distintos, não se distingue de forma significativa, ou seja, foram adotados praticamente os mesmos procedimentos que apresentaram resultados muito próximos. Para testar tal premissa, foi realizado um estudo comparativo de três casos, adotando, como objeto da investigação, três conjuntos habitacionais considerados representativos de cada um dos períodos acima citados. Adotou-se uma metodologia qualitativa e o uso de diferentes fontes, primárias e secundárias, como: visitas aos empreendimentos, análises de documentos, entrevistas em profundidade com agentes significativos de cada administração/período e a realização de grupos de discussão com moradores dos conjuntos. A análise dos dados possibilitou entender que, para além do debate e das discussões ideológicas, a verticalização de favelas é um recurso cada vez mais premente no contexto paulistano para a melhoria das condições de vida da população que reside nos espaços informais e, não menos importante, para o conjunto da cidade.
2006
Maria José de Albuquerque
Infra-estrutura e projeto urbano
A hipótese que conduz o trabalho atribui às infra-estruturas uma progressiva importância na estruturação e qualificação espacial das cidades cada vez mais cambiantes, ao constituírem as estruturas físicas e as funções urbanas e metropolitanas de maior permanência. Na primeira parte da tese, são avaliadas as infra-estruturas de menor porte, compostas pela parte capilar das redes urbanas, como avenidas de pequena importância viária, ruas, praças e demais logradouros menores, que configuram o espaço do convívio público enquanto estrutura espacial e arcabouço simbólico da escala local. A segunda parte é dedicada às infraestruturas de maior porte, constituídas pela rede dos principais fluxos metropolitanos, as quais, ao mesmo tempo em que promovem articulações funcionais de grande distância, são, em geral, conflitantes com o espaço urbano local por onde passam e fatores da sua desestruturação. O trabalho defende que as grandes infra-estruturas, quando se tornam objeto de preocupações urbanísticas e incorporam critérios além daqueles funcionais e específicos dos respectivos sistemas, podem adquirir condição similar às das pequenas infra-estruturas, estabelecendo intensa relação com sua vizinhança. Nesta condição, desempenham papel relevante na qualificação espacial dos arredores e contribuem para a construção de espaços de convívio adequados, física e simbolicamente, em ambas as escalas: a urbana e a metropolitana.
2006
Milton Liebentritt de Almeida Braga
De Uruk à Villa Hadriana: contribuição ao estudo da urbanização na antigüidade
Este trabalho condensa extensa pesquisa dos processos de constituição arquitetônica e urbanística da Antigüidade, sustentando a tese de que é possível estabelecer um quadro geral do processo de urbanização da Antigüidade com base no estudo dos ambientes construídos de uso coletivo. Por quadro geral entendemos o produto da decisão metodológica de adoção de parâmetros de longa duração e larga extensão para os ambientes construídos de uso coletivo, a saber do 3º milênio ªC. ao VII d.C., na região da Afreurásia. Propõe, com base em tal recorte metodológico original, reler o mundo clássico em uma perspectiva mais próxima dos sentidos que os homens daquele tempo compartilhavam, com o amparo de testemunhos de época e de resgates arqueológicos, evitando distorções de projeção teleológica e contribuindo para a superação do olhar eurocêntrico dos estudos clássicos de urbanização. O procedimento adotado permitiu o estabelecimento de alguns contrastes críticos sobre os conjuntos urbanos daquele período, entre as concepções daquele universo e as do presente, propiciando novos enfoques para as discussões de hierarquização e transição entre espaços públicos e privados.
2007
Antonio Celso Xavier de Oliveira
Impacto da altura de edifícios nas condições de ventilação natural do meio urbano
Esta pesquisa teve como objetivo verificar a alteração do campo de vento na área de estudo, decorrente da alteração de gabarito quanto à ventilação natural, e avaliar o impacto nas condições de conforto dos pedestres. A verificação das condições de ventilação natural nas cidades, com estudos em modelos, auxilia na elaboração de projetos arquitetônicos, ou de planejamento, possibilitando uma análise da influência do efeito do vento em determinados locais da área em análise. O objeto de estudo da tese é a relação entre a alteração de gabarito (altura dos edifícios) e as mudanças ocasionadas na ventilação natural em espaços urbanos na área entre o Canal 1 e 2 (Bairro Pompéia) na cidade de Santos/SP. Partiu-se da hipótese que a ventilação natural em áreas urbanas depende da altura dos edifícios, da direção e velocidade dos ventos. Foi utilizado método experimental com simulação da configuração urbana em túnel de vento, medidas in loco para a verificação das condições climáticas, simulação com software CFD (Computer Fluids Dynamics) e a aplicação de um índice de neutralidade térmica. Trata-se de uma tese de caráter experimental e exploratório, onde os métodos utilizados demonstraram ser aplicáveis para o entendimento das condições de ventilação natural em meio urbano.
2005
Alessandra Rodrigues Prata
Olhar (-se): pela poética na arquitetura
Trata-se de trabalho realizado por uma arquiteta e professora de projeto que pretende mostrar a importância da observação direta das poéticas dos arquitetos, tanto para a produção da arquitetura quanto para sua teoria e seu ensino. Ele se baseia na idéia de uma separação entre os campos da história, da crítica e da teoria da arquitetura, esta não tendo um caráter valorativo, mas sendo vista como um catalisador da produção. Nessa posição de frente, a teoria necessariamente passa a necessitar das poéticas dos próprios arquitetos o lugar onde a invenção ocorre. A valorização das poéticas também se explica pela crise por que passa o pensamento racionalista em todas as disciplinas, a qual permite o aparecimento do pluralismo de idéias e o afrouxamento da dicotomia subjetividade/objetividade. Essas poéticas, embora revelem idéias e conceitos particulares, forjam permanentemente uma teoria mais geral, através do diálogo com outras poéticas, a crítica e a história. Para isso ela analisou seus próprios projetos realizados entre 1970 e 1990 e entrevistas e projetos de outros arquitetos publicados de 1990 até o momento.
Operações urbanas em São Paulo: interesse público ou construção especulativa do lugar
O instrumento das operações urbanas foi definido pela lei federal brasileira do Estatuto da Cidade como instrumento de política urbana que permite à administração pública municipal, através de parcerias com o setor privado, realizar transformações estruturais em setores territoriais definidos, com recursos provenientes do setor privado. Em São Paulo, as operações urbanas foram propostas como instrumento de planejamento urbano em projeto de plano diretor elaborado em 1985, iniciando-se a partir daí uma trajetória que incluiu diferentes interpretações e formas de aplicação. O trabalho aqui apresentado reconstitui essa trajetória desde as primeiras concepções do instrumento até o ano de 2000, ou seja, o período que compreende suas primeiras formulações e que antecede a promulgação do Estatuto da Cidade. Foram comparadas e analisadas as cinco operações urbanas formuladas nesse período, colocando-as em relação a três processos articulados: urbanização, imobiliário e institucional. Com fundamento nas análises realizadas, argumenta-se que as operações urbanas tal como foram desenvolvidas em São Paulo nesse período, subordinaram-se à lógica do empreendedorismo imobiliário, contribuindo para processos de construção especulativa do lugar. Para que as operações urbanas desempenhem papel ativo como instrumento de políticas públicas voltado para uma cidade mais justa e menos desigual será preciso alterar as próprias bases constitutivas e os processos operativos das parcerias público-privado, em sua concepção e em sua origem.
2007
Luiz Guilherme Rivera de Castro
Transformações urbanas: atos, normas, decretos, leis na administração da cidade Porto Alegre 1937 / 1961
Este trabalho enfoca a cidade de Porto Alegre no período de 1937 a 1961,reconstruindo no tempo a produção das idéias e práticas do urbanismo desenvolvidos no âmbito das administrações municipais da cidade. O ponto central é a produção do conjunto de dispositivos legais que vão sendo produzidos como instrumentos de ordenação e controle da produção do espaço urbano, público e privado. Mostra-se como esses instrumentos vão sendo idealizados relacionados às idéias difundidas nos meios técnicos e políticos locais a cada tempo. Procura-se identificar a origem dessas idéias sobre a cidade e o urbanismo a partir do discurso e das práticas adotadas pelos especialistas e pelos dirigentes a cada período. Privilegia-se a avaliação daqueles instrumentos que vão determinar o controle da altura das edificações e, portanto vão influir no processo de verticalização da cidade. As avaliações são procedidas dentro de um campo contextualizado, identificando-se a cidade especialmente, no âmbito políticoadministrativo, meio no qual vai sendo produzido o instrumental jurídico analisado.
2005
Maria Soares de Almeida
Parques públicos municipais de São Paulo: a ação da municipalidade no provimento de áreas verdes de recreação
A ação da municipalidade de São Paulo no provimento de áreas verdes de recreação foi investigada desde o final do século XIX, quando se criou um órgão administrativo específico para tratar das áreas verdes municipais, até os dias de hoje. Este intervalo de tempo foi subdividido em períodos marcados por mudanças na organização, nas atribuições e na produção deste órgão e também por mudanças nos hábitos e nas necessidades de lazer da população. A análise se deu em torno de quatro variáveis, tratadas sistematicamente em cada período, quais sejam: as formas de lazer nas áreas verdes da cidade; a organização administrativa para atender às demandas por áreas verdes de lazer; a produção de áreas verdes pelo poder municipal; planos e projetos de áreas verdes de recreação. Para analisar o desempenho da Prefeitura no período mais recente, fizeram-se entrevistas com os freqüentadores de oito parques municipais: Aclimação, Anhanguera, Carmo, Guarapiranga, Ibirapuera, Luz, Piqueri e Previdência. Concluiu-se que o provimento de áreas verdes de lazer pela Prefeitura se deu de maneira irregular, sem planejamento e por decisões que escapavam ao controle do órgão administrativo competente. Viu-se também que a maior parte da produção dos projetos se deu distanciada dos debates programáticos e estéticos contemporâneos a cada período considerado. A pesquisa de campo realizada com os freqüentadores dos oito parques selecionados mostrou a importância que a maior parte deles atribui aos valores paisagístico-ambientais dos parques, revelando ao mesmo tempo que a falta de cuidado com o ambiente do parque como um todo, as falhas de manutenção de espaços ou equipamentos específicos e a falta de segurança, são os aspectos que mais os incomodam nos parques municipais.
A gestão integrada de Bacias Hidrográficas: a abertura de uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável do Alto Paranapanema
A metodologia da tese e a discussão da hipótese aventada. A situação dos Re-cursos Hídricos de maneira global. A água como recurso natural renovável e a situação da água no mundo atual. Considerações sob o uso dos recursos hídri-cos no Brasil e a caracterização dos impactos sobre esses recursos. Os concei-tos chaves mais importantes para a definição de Gestão: o conceito de desen-volvimento sustentável e o de gerenciamento integrado dos recursos hídricos. A gestão integrada dos recursos hídricos vista por meio do conceito de bacias hi-drográficas. A bacia como unidade de análise, planejamento e gerenciamento. A experiência dos comitês no exterior, casos de exemplos de comitês europeus e latino americanos. Os aspectos institucionais e legais da gestão dos recursos hídricos e dos comitês de bacia no Brasil. A construção dos sistemas estaduais de Recursos Hídricos, especialmente sobre a construção do sistema paulista de recursos hídricos e a estruturação dos comitês de bacia. A regionalização do Estado de São Paulo sob a nova regionalização ambiental.A caracterização da bacias hidrográficas do Rio Paraná e do Rio Paranapanema e, mais especifica-mente, a caracterização geral da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema. O desenvolvimento da metodologia utilizada na pesquisa qualitativa. As interfaces setoriais dos recursos hídricos na Bacia do Alto Paranapanema com outros seto-res e a sua hierarquização. Um balanço da gestão do Comitê do Alto Parana-panema. Uma avaliação qualitativa, detalhando a metodologia de avaliação empregada e a definição dos indicadores básicos. Os indicadores básicos e as escalas de avaliação. As ações aprovadas no Comitê do Alto Paranapanema, contidas em Atas do Comitê entre 1996-2004. A avaliação das deliberações aprovadas em Atas e os projetos enviados ao Fehidro por este Comitê. Uma avaliação qualitativa dos projetos indicados ao Fehidro pelo Comitê da Bacia do Alto Paranapanema e a calibragem das escalas utilizadas na avaliação, a síntese da avaliação da pesquisa realizada. Uma avaliação conclusiva da contribuição do Comitê para a gestão integrada da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapa-nema
Qualidade ambiental nos espaços livres de áreas verticalizadas da cidade de São Paulo\".
Este trabalho versa sobre a verticalização em São Paulo e seus impactos sobre a qualidade ambiental dos espaços livres. Parte-se do pressuposto de que a não compreensão, por parte do corpo técnico e da população em geral, dos problemas resultantes da verticalização (tais como: sombreamentos, canalização de ventos, alteração da umidade do ar, maior aquecimento e agravamento da poluição) piora a qualidade ambiental dos espaços livres. No corpo do trabalho são introduzidos os procedimentos básicos para o aprimoramento da qualidade ambiental, que devem ser conhecidos e aplicados normalmente no projeto dos espaços livres. Os espaços livres públicos, como as vias, praças e parques, assim como os espaços privados, que são os espaços livres existentes nos lotes, em torno das edificações; têm perdido sua habitabilidade em conseqüência da verticalização e do adensamento urbano, mesmo com a aplicação da atual legislação de uso e ocupação do solo. Implantada em 1972, ela gera espaços livres mais generosos do que anteriormente, com a obrigatoriedade de novos recuos e menores taxas de ocupação. Esta legislação ao determinar espaços livres um pouco maiores, cria condições para que os incorporadores agreguem, aos seus empreendimentos, equipamentos para o lazer, mesmo que essas áreas sejam ambientalmente inadequadas. A qualidade ambiental resultante é analisada sob o aspecto perceptivo-sensorial, considerando-se a influência que o Meio Urbano Verticalizado (malha viária, espaços livres, quadras, lotes e edificações) tem sobre as variáveis ambientais do Meio Natural (radiação solar, ar, água, solo, vegetação e fauna). As variáveis ambientais são analisadas em cinco regiões com bairros densamente verticalizados: a) Centro: Higienópolis; b) Norte: Freguesia do Ó; c) Sul: Moema; d) Leste: Vila Gomes Cardim; e) Oeste: Perdizes. Como resultado, são apresentadas recomendações, implementáveis no processo de projeto, para melhorar a qualidade ambiental nos espaços livres urbanos de áreas verticalizadas.
2001
Manuel Francisco Navarro Moreno
A prática profissional do arquiteto em discussão
O objetivo dessa tese é analisar a prática profissional do arquiteto e a relação que a produção do projeto arquitetônico, entendido como expressão da arte e da técnica, estabelece com o mercado. O objeto analisado é constituído por depoimentos e entrevistas de 206 arquitetos selecionados em 91 exemplares da Revista AU Arquitetura e Urbanismo, no período de 1985 a 2000. Esse período é particularmente significativo porque nesses quinze anos são observadas mudanças como a intensificação do fenômeno social, econômico e político denominado globalização e a difusão da informática, alterando a produção do projeto; no plano político nacional significa o término do período militar. A hipótese norteadora desta pesquisa é que a tensão entre arte, técnica e mercado, observada na prática profissional do arquiteto desde o Renascimento, se intensifica nesse contexto.
2002
Francisco Segnini Junior
"Desenho e uso do espaço habitável do apartamento metropolitano na virada do século 21: um olhar sobre o tipo "dois-dormitórios" na cidade de São Paulo"
Partindo-se da hipótese da necessidade de haver uma relação entre o atual projeto de moradia e os hábitos domésticos contemporâneos, o objetivo deste trabalho é investigar o projeto de espaços habitáveis de apartamentos em São Paulo, avaliando-se a compatibilidade entre sua configuração tipológica e as transformações do uso da habitação, ocorridas nas últimas décadas do século 20 aqui observadas a dinâmica e contínua alteração tipológica dos arranjos familiares e a invasão de novas tecnologias ao espaço doméstico. Constituindo-se uma tentativa de colaboração para o repensar do habitar metropolitano contemporâneo, esta dissertação está estruturada em quatro capítulos. O primeiro constitui-se de uma ambientação histórica do processo de modernização da indústria brasileira, englobando o início da cultura de habitar apartamentos na cidade de São Paulo, até a cristalização desse hábito, nas últimas décadas do século 20. Estabelece-se aí um paralelo entre a relação do usuário com sua moradia e a introdução de progressos tecnológicos no cotidiano doméstico. No segundo capítulo visitam-se as transformações dos modos de vida contemporâneos, dadas em função tanto das mudanças dos grupos domésticos, as quais passaram a alterar o conceito tradicional de família nuclear, quanto da invasão de novas tecnologias ao ambiente doméstico. O terceiro capítulo etapa essencial deste trabalho constitui-se do estudo de plantas de apartamentos de dois dormitórios lançados na Região Metroplitana de São Paulo nas décadas de 1980 e 1990 e do estudo de caso de apartamentos de dois dormitórios de um edifício situado na cidade de São Paulo, com a análise dos espaços habitados e dos diversos usos a eles atribuídos. Partindo-se do quarto capítulo, no qual se estabelecem reflexões sobre novas tendências de desenhos para o modelo do espaço habitável, este voltado à contemporaneidade urbana, estabelecem-se duas constatações básicas: Por um lado, diante das transformações dos grupos domésticos e do largo uso de novos aparatos tecnológicos no espaço da habitação, a produção de apartamentos do final do século 20 apresenta-se em descompasso com a diversidade dos novos modos de morar adquiridos, caracterizando-se por certa morosidade quanto ao surgimento de novas propostas que contemplem a variedade de perfis dos atuais grupos de usuários urbanos. Por outro lado, é definida como apenas relativa a contemporaneidade identificada no uso dos apartamentos, uma vez que antigas tradições ainda permanecem na produção do ambiente doméstico, não tendo sido totalmente substituídas pelos novos modos de viver contemporâneos.
2003
Érica Negreiros de Camargo
Arquitetura hospitalar: projetos ambientalmente sustentáveis, conforto e qualidade. Proposta de um instrumento de avaliação
A partir da análise dos conceitos de sustentabilidade, de arquitetura hospitalar, de conforto e qualidade, é constatada a importância da preocupação que projetos hospitalares devam ter, desde o início, com os recursos naturais e a sua adequação ao meio ambiente. Através de uma Avaliação Pós-Ocupação do Hospital Universitário de Londrina é verificado que os principais problemas detectados pelos usuários - problemas esses responsáveis pela sua insatisfação na avaliação dos ambientes - são aqueles que estão diretamente relacionados ao projeto e a sua inadequação ao local. É proposto um instrumento de avaliação, um guia que pode ser utilizado por arquitetos durante a elaboração de projetos hospitalares, na avaliação de projetos prontos e de edifícios construídos e em uso, capaz de verificar o comprometimento do projeto sob os aspectos ambientais, de conforto e qualidade, funcionais, construtivos e estéticos.
2006
Ana Virginia Carvalhaes de Faria Sampaio
A relação da sala de cinema e o espaço urbano em São Paulo: do provinciano ao cosmopolita.
Para analisar a evolução da relação das salas de cinema com o espaço urbano em São Paulo, esta pesquisa pressupõe que tal vinculação entre o edificado (sua arquitetura) e a situação em que está inserido (o urbano) remete a uma idéia de cidade. O estudo busca apurar os diferentes papéis das salas de cinema no espaço urbano. Aprecia inicialmente a passagem da exibição móvel para a fixa, edificada, e posteriormente traça os vários papéis das salas de cinema à medida que dispersam e se diferenciam, sempre discorrendo sobre as alterações na relação do urbano com as salas. Nesta trajetória, podemos observar que sua localização antes em lugares de chão batido, improvisados, quase fora da cidade passa a fazer parte de projetos e planos para a metrópole, alcançando assim o papel privilegiado que o cinema adquiriria no novo modo de vida cosmopolita. Ao examinar tal relação, esse trabalho mostra que salas de cinema são freqüentemente projetadas e situadas não apenas para atender a uma necessidade urbana, mas para criar um cenário urbano. No caso de São Paulo, parecem às vezes (principalmente entre 1900 e 1930) satisfazer a um desejo de cenário urbano que simbolizasse progresso e civilização, distanciando-se do rural; em outros momentos (especialmente de 1930 a 1960), representavam um espaço urbano que buscava se distinguir não mais do campo, mas da cidade provinciana, no processo de construção de um modo de vida cosmopolita.