RCAAP Repository

A experiência de ser cuidada na sala de partos

Quando a consequência dominante é a mudança rápida, torna-se imperativo a clarificação do cuidar, actividade tão central e sensível a todo o ser humano, despertando no homem um saber que lhe permita dirigir o processo de mudança, para não ser destruído por ele (Mayeroff, 1971).“Hoje caminha-se para novo paradigma a que Boaventura Sousa Santos chama o paradigma emergente e acredita-se que todo o conhecimento científico é natural e social, é auto-conhecimento íntimo e compreensivo, total e local, que visa construir-se em senso comum” (Freitas, 1995:4).  Benner e Wrubel (1989) defendem que o cuidar é fundamental como factor de crescimento humano. Por um lado, para a pessoa que se sente frágil, os gestos de reconhecimento do seu valor humano, o respeito, a delicadeza, a ajuda, o interesse comunicam-lhe energia para continuar a viver e a ultrapassar os obstáculos da vida; por outro lado a pessoa que cuida tem acesso e interpreta os significados e preocupações do outro sem ter tido a sua experiência, sendo necessário que quem cuida se envolva e esteja em sintonia com quem é cuidado, assumindo, a comunicação, um papel importante na interacção. “Dar à luz” é sem dúvida uma nova etapa na vida de cada mulher. A situação implica um certo estado de dependência parcial, facto que associado a cada vivência, constitui um dos principais motivos que transforma a experiência do parto, de algumas mulheres, em experiências negativas e traumatizantes.

Year

2016

Creators

Coutinho, Emília Carvalho

A visão da mulher na antropologia: mitos da criação e crenças em relação à gravidez

Muitos são os mitos que fazem parte das nossas vidas, da nossa forma de estar,  e pensar e de agir, e, nos influenciam de forma mais ou menos marcada, dependendo do modo como são assumidos e interiorizados na cultura de onde provêm os nossos valores e referencias, pois eles fazem parte integrante desse padrão cultural.  Para Mircea Eliade “ o mito conta uma história sagrada; relata um acontecimento que teve lugar num tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos. (…), conta como graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade veio à existência (…). O mito é então um elemento essencial da civilização humana; longe de ser apenas uma vã fabulação, é pelo contrário uma realidade viva, à qual não cessamos de recorrer, não uma teoria abstracta ou um desenrolar de imagens, mas uma verdadeira codificação da religião primitiva e da sabedoria prática.  Também a criação do homem, emerge de histórias mitológicas diversas relatadas e mantidas ao longo dos séculos em escritos longos, que ainda hoje prevalecem e sobressaem. Pretendemos ao longo deste trabalho fazer algumas abordagens dos mitos da criação do homem, relacionando-os com a ideologia ainda actual, que a mulher é um ser submisso ou inferior ao homem, e relacionar o facto com o/os mitos que sustentam esta forma de olhar a mulher. Os mitos e crenças relacionadas com a gravidez são também alvo de uma abordagem breve neste trabalho.

Year

2016

Creators

Monteiro, Aldora Ribeiro, António Pedro Costa, Emília Tavares, Idalina Cruz, Isabel

Cuidar em parceria: subsídio para a vinculação pais/bebé pré-termo

Casey em 1988 criou o seu modelo de parceria nos cuidados, para utilização no âmbito da prestação de cuidados pediátricos.  Defende que "para preservar o crescimento e desenvolvimento da criança, os cuidados a esta devem ser em forma de protecção, estímulo e amor" assim sendo ninguém melhor que os pais para os prestar.  Na presença de um bebé pré-termo, torna-se obrigatório permitir que se desenvolvam mecanismos capazes de estabelecerem a interacção mãe/filho precocemente, dado o risco que as situações de crise habitualmente acarretam.  A análise do modelo de Casey leva-nos a acreditar que, ao ser aplicado numa unidade de cuidados neonatais, ele irá dar o seu contributo para que a vinculação mãe/filho seja estabelecida e/ou mantida, permitindo de forma flexível, manter ou desenvolver a força dos papéis e laços familiares, promovendo a normalidade da sua unidade. Este modelo permite um crescimento físico, emocional e social da família. Nele os pais não são visitantes nem técnicos, são parceiros no cuidar. 

Year

2016

Creators

Ferreira, Manuela Maria da Conceição Costa, Maria da Graça Ferreira Aparício da

Baixo peso ao nascimento e hipertensão arterial na infância: estudo epidemiológico de base comunitária

Introdução: Alguns estudos associam o peso ao nascimento com a ocorrência de doenças na vida adulta, designadamente a hipertensão arterial. Contudo, o mecanismo patológico subjacente ao aparecimento dessa doença não se encontra totalmente esclarecido. O objectivo deste estudo visa quantificar a associação entre o peso ao nascimento e a tensão arterial sistólica na infância. Participantes e métodos: Avaliámos uma amostra aleatória 1788 crianças com idades compreendidas entre os seis e os nove anos de idade, matriculados em 14 escolas do primeiro ciclo do ensino básico da cidade do Porto. Um questionário auto-aplicado foi enviado aos pais ou encarregados de educação,  que o devolveram à escola juntamente com o boletim de saúde infantil. O peso ao nascimento e o tempo de gestação, foram avaliados através da consulta desse boletim. Na escola, a tensão arterial sistólica foi avaliada três vezes consecutivas com recurso a um aparelho digital (Omnromâ), com a criança na posição de sentado, e posteriormente calculada a respectiva média. Considerámos o percentil 90 como ponto de corte para classificar hipertensão. O estatuto sócio-económico foi avaliado a partir da profissão paterna, agrupada em classes de acordo com o Guia Nacional de Profissões. Resultados: Após ajuste por regressão logística não condicional, os valores mais altos de tensão arterial sistólica (superior ou igual ao percentil 90) associaram-se significativamente com o sexo masculino OR=1,4 (IC95% 1,1-1,8), a idade (sete anos OR=1,3 IC95% 1,0-1,8; oito anos OR=1,9 IC95% 1,4-2,5 e nove anos OR=3,6 IC95% 2,8-4,8), o peso ao nascimento menor que 2500g OR=1,7 (IC95% 1,0-3,2) e o consumo de tabaco pela mãe durante a gravidez OR=1,4 (IC95% 1,0-2,0). Conclusões: Este estudo mostra que as crianças nascidas com baixo peso, apresentam valores mais altos de tensão arterial sistólica. Assume consistência a hipótese proposta por Barker que associa o baixo peso ao nascimento com a ocorrência de hipertensão arterial na vida adulta.

Year

2016

Creators

Pereira, Carlos Manuel de Figueiredo

A família com filhos com necessidades educativas especiais

A família tem sido conotada com uma multiplicidade de imagens que torna a definição do conceito imprecisa no tempo e no espaço. A par da família-abrigo, lugar de intimidade, afectividade, autenticidade, privacidade e solidariedade, surgem imagens da família como espaço de opressão, egoísmo, obrigação e violência. Esta multiplicidade de conotações é o resultado da combinação e dos equilíbrios de diferentes factores: sócio-ideológicos, como o tipo de casamento, o divórcio, a residência, a herança, a autoridade, a transmissão de saber; económicos, como a divisão do trabalho, dos meios de produção, o tipo de património; políticos, como o poder, as hierarquias, as facções; biológicos, como a saúde e a fertilidade; ambientais, como os recursos e as calamidades (Slepoj, 2000). A família, espaço educativo por excelência, é vulgarmente considerada o núcleo central de individualização e socialização, no qual se vive uma circularidade permanente de emoções e afectos positivos e negativos entre todos os seus elementos. Lugar em que várias pessoas (com relação de parentesco, afinidade, afectividade, coabitação ou unicidade de orçamento) se encontram e convivem. A família é também um lugar de grande afecto, genuinidade, confidencialidade e solidariedade, portanto, um espaço privilegiado de construção social da realidade em que, através das interacções entre os seus membros, os factos do quotidiano individual recebem o seu significado e os "ligam" pelo sentimento de pertença àquela e não a outra família. 

Year

2016

Creators

Costa, Maria Isabel Bica de Carvalho

Ensino clínico na formação em enfermagem

No currículo dos cursos superiores de enfermagem existem estágios – ensinos clínicos – que se realizam em instituições de saúde ou na comunidade, em diferentes contextos da actividade profissional do enfermeiro. Este ensino clínico, vulgarmente designado por estágio, é, na perspectiva de Martin (1991:162), “um tempo de trabalho, de observação, de aprendizagem e de avaliação, em que se promove o encontro entre o professor e o aluno num contexto de trabalho”. Para Vasconcelos (1992:28) “os estágios destinam-se a complementar a formação teórico-prática, nas condições concretas do posto de trabalho de uma organização que se compromete a facultar a informação em condições para isso necessárias”.  Revestem-se de grande importância os ensinos clínicos de enfermagem e as Escolas Superiores de Enfermagem, com as instituições prestadoras de cuidados de saúde, têm grande responsabilidade em facilitar aos estudantes o desenvolvimento de capacidades para a prática de enfermagem, pois o ensino clínico “permite a consciencialização gradual dos diferentes papéis que o enfermeiro é chamado a desenvolver e das competências requeridas para o seu desempenho” (Matos, 1997:9).  É integrados na equipa de enfermagem que os alunos estabelecem relações mais equitativas e próximas entre os enfermeiros do exercício, aprendendo com eles a “enfermagem prática” e a facilitar a inserção futura no mundo do trabalho através das regras de funcionamento da organização. A par desta dimensão de socialização há outras competências adquiridas em contexto de trabalho: o trabalho em equipa, a organização individual do trabalho, as relações interpessoais, a partilha de responsabilidades, aprender a aprender com as novas situações, a comunicação e a decisão individual ou em grupo perante situações novas. Só com plena interacção entre o indivíduo, a formação e o contexto de trabalho os processos formativos desenvolvem capacidades de resolução de problemas e de pensamento criativo.

Year

2016

Creators

Silva, Daniel Marques da Silva, Ernestina Maria Veríssimo Batoca

Vivências … reflexão em ensino clínico

CUIDAR ... esta arte que precede todas as outras, sem a qual não seria possível existir, está na origem de todos os conhecimentos e na matriz de todas as culturas; inserida na textura da vida quotidiana, esta arte permanece ainda tão irreconhecível que a variedade dos seus efeitos se mantém insuspeita.  Como falar dos cuidados? Mais difícil ainda; como ensinar os cuidados a quem quer ser um profissional da prática dos cuidados? Uma vez que existirá sempre esta distância imensa entre a ressonância e a razão que eles suscitam …

Year

2016

Creators

Rocha, Amarílis Pereira

Formar melhor para um melhor cuidar

A formação surge como uma ajuda ao desenvolvimento humano, adoptando uma posição abrangente que inclui o aluno e o próprio professor (Kohlberg e Mayer, 1972), em que o resultado obtido é menos importante do que a disponibilidade gerada durante o percurso, para que o aluno possa continuar a evoluir ao longo da vida. Esta perspectiva desenvolvimentalista, antecipava já, a tendência actual que defende que a educação deve constituir para cada indivíduo uma forma de promover o máximo desenvolvimento das suas potencialidades, através de experiências de aprendizagem de complexidade crescente. A formação não é apenas uma instância de mediação das relações formador/formando ou equipa de formadores/grupo de formandos, mas uma instância de auto-mediação do formando com o seu mundo subjectivo, mediador do grupo de formação com as suas subjectividades, mediador do grupo com um projecto de acção através do qual ele se exterioriza (Correia, 1997: 25). A qualidade do desenvolvimento e das aprendizagens do ser humano e de toda a acção pedagógica e educativa passa de uma maneira determinante pela qualidade das relações pessoais e interpessoais estabelecidas no processo de ensino/aprendizagem (Tavares, 1996). O mesmo autor (p: 83) refere que o “educador antes de mais tem de ser uma pessoa que se dirige a outra pessoa e a ajuda a dar à luz - mais e melhor que a parteira – a sua própria identidade pessoal, como ser inteligente e livre, autor e actor do seu próprio destino de uma maneira autónoma e responsável”.  

Year

2016

Creators

Ferreira, Manuela Maria da Conceição

Cooperação/intercâmbio de experiências educativas

O termo e conceito cooperação tem vindo a ocupar cada vez mais e com maior ênfase os espaços noticiosos e de debate, sustentando a rede de projectos que se sucedem um pouco por todo o planeta, com fim à construção de uma “casa comum” onde, como nas grandes famílias, as aprendizagens matriciais passam pelo “aprender a viver juntos”, “aprender a aprender juntos” e “aprender a crescer juntos”, princípios de globalização planetária.

Year

2016

Creators

Ferreira, Carlos Manuel Santos

Ser aluno: porque e para que se aprende?

Numerosos são os estudos, desenvolvidos especificamente no âmbito da educação, que tentam demonstrar os diferentes aspectos implicados na aquisição de saberes; acção essa a que se dá o nome de aprendizagem. O acto de aprender deve ser entendido como uma acção dinâmica. Quando um sujeito aprende, adquire e produz conhecimento mais ou menos inovador. Se partimos do sentido etimológico, a palavra educativo significa “conduzir a partir de”(Atwater & Riley (1993:662); verificamos assim a interacção com o contexto do meio envolvente. Aprender é uma construção que envolve toda a actividade do ser humano: biológica, psicológica, social e cultural, nos seus múltiplos aspectos.

Year

2016

Creators

Albuquerque, Carlos Manuel de Sousa Costa, José António Pereira da Almeida, Vera Lúcia Fernandes

A doença mental e a cura: um olhar antropológico

A saúde, a doença e os processos de cura são construções sociais, resultantes de um processo complexo que integra factores biológicos, socio-económicos, culturais, psicossociais e religiosos, que permeiam o contexto da história de vida das pessoas e exercem marcada influência nas suas atitudes face à doença e aos processos de cura.  Apesar da Antropologia médica ser uma área bastante incipiente em Portugal, os conhecimentos actuais neste domínio sugerem que, apesar dos reconhecidos progressos da medicina oficial, a atribuição conferida pelos utentes aos seus “males” continua embebida em velhos sistemas de crenças populares. Nas páginas que se seguem, faz-se referência a alguns aspectos socioantropológicos que valorizaram a contribuição das ciências sociais e humanas para a compreensão da saúde, da doença, dos processos de procura de saúde, das terapêuticas e dos terapeutas.

Year

2016

Creators

Matos, Amadeu Matos

Alcoolismo juvenil

Actualmente, o abuso do álcool tem alcançado proporções massivas, tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, e está associado a uma série de consequências adversas, das quais o alcoolismo é apenas uma pequena parte, ainda que seja a de maior relevância do ponto de vista clínico. O problema do alcoolismo transformou-se sem dúvida, num dos fenómenos sociais mais generalizados das últimas décadas. Não há dúvida que “sans alcool, pas d’alcoolismo” (LEGRDIN cit in MELLO et al, 1988, p. 16), sendo portanto o tóxico “etanol” o agente da doença alcoólica.  Todavia não podemos ignorar que existem factores individuais relacionados com o meio, que condicionam o consumo excessivo de álcool, levando ou não, à dependência, ao fim de algum tempo. Surge assim uma tríade Agente/Indivíduo/Meio que está na origem de todo este fenómeno de alcoolismo. CORREIA (2002) afirma que as bebidas destiladas ganham cada vez mais adeptos na camada jovem. Para compreender e reflectir acerca desta problemática, encontramo-nos motivados a partilhar algumas preocupações e tentar ser agentes de mudanças de comportamentos dos nossos jovens.

Year

2016

Creators

Cabral, Lídia do Rosário

Acção da personalidade na saúde: contributos para a qualidade de vida

A incidência das doenças coronárias1 tem aumentado progressivamente nas últimas décadas, nomeadamente nos países ocidentais, bem como as suas nefastas consequências em termos de morbilidade e mortalidade. Este aumento deve-se em grande parte ao facto dos indivíduos aderirem ao que se descreve como uma vida melhor. As pessoas tornam-se obesas e sedentárias, o avanço tecnico-científico submete-as ao stress e à urgência continuada. Em consonância com este facto, Mota Cardoso (1998) refere que talvez “não seja por acaso que, no início deste século de cidade global e de triunfo das luzes, as doenças cardiovasculares sejam a maior causa de mortalidade dos que tiveram acesso aos seus benefícios”.  Assim sendo, as lesões coronárias representam o maior problema de Saúde Pública dos países industrializados. Por outro lado, estas revestem-se de uma importância particular pela perda que representa em anos de vida activa para o indivíduo, família, colectividade e economia. Neste artigo teceremos algumas considerações sobre a influência que a personalidade pode ter no aparecimento das doenças cardiovasculares. Assim, começaremos pela definição de personalidade, sua importância e o papel que a personalidade desempenha no comportamento do indivíduo, tendo em conta a interacção dos diferentes factores. Concluiremos esta análise, destacando alguns estudos efectuados nesta área.

Year

2016

Creators

Martins, Maria da Conceição Almeida

Acção da personalidade na saúde: contributos para a qualidade de vida

Eysenk (1950) desenvolveu um modelo estrutural da personalidade, com base em procedimentos estatísticos e no conceito de traço, segundo o qual a pessoa pode ser classificada de acordo com as duas dimensões seguintes: a dimensão neuroticismo/estabilidade e a dimensão extroversão/introversão. Estas dimensões são vulgarmente referidas pelas suas primeiras designações: neuroticismo e extroversão, respectivamente. O autor definiu também os termos “Tipo” e “traço” como: ”Tipo é um grupo de traços correlacionados e Traço é um grupo de actos correlacionados do comportamento ou tendência para a acção”. A partir destes aspectos, Eysenk definiu personalidade como “ a organização mais ou menos estável e persistente do carácter, temperamento, intelecto e físico do indivíduo, que permite o seu ajustamento único ao ambiente que o rodeia” (Eysenk, 1970).

Year

2016

Creators

Martins, Maria da Conceição Almeida

Escolas superiores de enfermagem: que contributos face ao desafio do envelhecimento?

Numa breve leitura dos documentos que integram a moldura legislativa das instituições do ensino superior, podemos constatar que as escolas superiores são conceptualizadas como “centros de formação cultural e técnica de nível superior às quais cabe ministrar a preparação para o exercício de actividades profissionais altamente qualificadas e promover o desenvolvimento das regiões em que se inserem” (Art.º 2º da Lei 54/90 de 5 de Setembro) Esta função é especificamente reforçada pelo D. Lei n.º 480/88, de 23 de Dezembro, quando nas várias competências atribuídas às escolas de enfermagem enfatiza o desenvolver a investigação científica e técnica do seu âmbito, bem como a obrigatoriedade de colaborar no desenvolvimento sanitário das regiões onde estão inseridas.” A própria Lei de Bases do sistema educativo, que também se aplica ao ensino de Enfermagem, destaca nos diferentes objectivos a necessidade de “formar diplomados para a participação no desenvolvimento da sociedade portuguesa e na sua formação contínua e estimular o conhecimento dos problemas do mundo de hoje em particular os nacionais e regionais, prestar serviços à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade.”

Year

2016

Creators

Martins, Rosa Maria Lopes

Marketing e comunicação: inovação conceptual na gestão de serviços de saúde

A função de Marketing & Comunicação (M&C) é uma realidade cada vez mais institucionalizada nos serviços de saúde, a qual, sendo uma inovação na gestão das Instituições, não questiona quem gere, mas faz questionar quem é gerido, atendendo ao seu enquadramento e forma de intervenção.  Sendo certa a função definida no sentido de apoiar a alteração de comportamentos (utentes e profissionais), esta nem sempre é exercida da forma mais conveniente ou adequada, por força das próprias pessoas inerentes à função, cuja escolha ou afectação, nem sempre reúne as qualificações desejadas, assumindo ainda assim poderes que lhe são delegados, os quais superam e ultrapassam competências, interferindo na organização de outros grupos profissionais, criando mal-estar a nível interno das instituições de saúde. Neste sentido, e atendendo à inovação desta função nas instituições, parece ainda não estar compreendida a função por parte de alguns responsáveis da área, as funções e o interesse da sua existência. Pretende-se pois com este ensaio fazer uma análise e enquadramento da realidade actual, relativamente à política de saúde e sua evolução, procurando enquadrar a função M&C, face às inovações implementadas em termos de políticas de saúde noutros países, procurando a sua divulgação e integração, bem como em relação aos constrangimentos e problemas vividos no nosso contexto actual.

Year

2016

Creators

Ribeiro, Olivério de Paiva

Métodos de prestação de cuidados

A prestação de cuidados insere-se no seio de uma constelação de fenómenos e acontecimentos. As características da maioria das instituições de saúde, as estruturas de organização, as múltiplas fontes de poder, os valores quantitativos centrados na produtividade tornaram-se, com a marcha do tempo, inadaptados ao crescimento e ao desenvolvimento da organização dos cuidados de saúde. Numerosos sinais se fizeram sentir. Os recursos financeiros insuficientes, o pessoal desmotivado e insatisfeito, as taxas de absentismo e de mobilidade crescentes e o esgotamento do pessoal que cuida caracterizaram os nossos serviços de saúde custosos, mas desumanizados, centrados na técnica e na doença. Esqueceu-se a pessoa, o cliente, a família e o enfermeiro que cuida. Então, quais são os ambientes que podem promover o respeito e a dignidade das pessoas, assim como o compromisso e a presença dos enfermeiros ao lado das pessoas que vivem experiências de saúde? Quais são os cuidados que favorecem os processos interactivos e terapêuticos dirigidos a manter, recuperar e promover a saúde? Quais são os métodos de prestação de cuidados que, ao mesmo tempo, podem assegurar a melhoria da qualidade do cuidado e a vitalidade da organização? 

Year

2016

Creators

Costa, José dos Santos

Competências/sinergias das equipas de saúde

Consideramos equipa e trabalho em equipa noções que fazem parte da mitologia das profissões relacionadas com a saúde. Ainda, relativamente ao facto da formação dos profissionais a OMS (1988), refere que os mesmos devem ter a oportunidade de aprender a trabalhar em conjunto, assim como, deveria dar-se tanta ou mais importância às competências relacionais (saber – ser, saber – estar) do que às instrumentais (saber – fazer) e cognitivas (saber – saber).  Estamos de acordo com GRAÇA (1992), que nos diz que é a este nível que as equipas falham por falta de capacidades em relações humanas, por falta do saber – ser e saber – estar em grupo, por falta de liderança eficaz e por falta da heterogeneidade das competências e papeis. Trabalhar em equipa implica as pessoas realizarem em conjunto tarefas ou missões concretas como expressão da nossa linguagem profissional. O trabalho em equipa de acordo com LOFF (1994), é a actividade sincronizada e coordenada de diversos profissionais, de categorias diferentes para cumprir um objectivo comum, sendo que o produto final (equipa) é diferente da soma das partes, ou seja, o trabalho desenvolvido por cada trabalhador isoladamente é diferente daquele realizado pela equipa.

Year

2016

Creators

Chaves, Cláudia Margarida Correia Balula

Memória e Intertextualidade em Mãos de Cavalo e Reparação

Segundo a crítica literária Tiphaine Samoyault, a intertextualidade é um fenômeno comum a todos os textos e consiste na relação que eles estabelecem entre si. O nosso objetivo é analisar a intertextualidade entre as narrativas Reparação de Ian McEwan e Mãos de Cavalo de Daniel Galera. Analisaremos a memória e o sentimento de culpa que a personagem-narradora Briony Tallis e Hermano, o Mãos de cavalo, carregam, bem como a maneira que encontraram para lidar com este problema.

Year

2016

Creators

Giacomolli, Dóris

Exploring Advertising and Product Design Sexual Implications: A Sociocultural Approach

This paper explores design thought and application on various fields of its domain, under the prism of the human sexuality. However the two main areas of our concern are the fields of advertising and product design which, according to the author, represent the most significant parts on which the concept of human sexuality is thoroughly applied and still remains effective. Designing under this instinctive human value, one can easily trace the importance of concepts such as charm and pleasure, which can overlap and possibly ‘beat to death’ the concepts of usability and quality of use, in many ways. The starting point of this allegory in handling and promoting new products, most of which are not directly connected with the sense of sexuality, are the advertisements. On the other hand, one will be able to find out the myth of gender and its contradictions in a certain group of products which have direct sexuality references and most of them are designed for a limited, however faithful and increasingly concerned consumer group. Thirdly, the author aims to focus on the ‘discovery’ of socially marginalized consumer groups, such as the homosexual community, by some inventive entrepreneurs and designers, for the formation of a ‘new market’ which seems to thrive in terms of profit. As this, meteoric rise, market is directly connected with analogous social changes globally, one will be able to understand its development, but also the exploitation of homosexual behaviour, via the ideological points of both sides: designers and consumers.

Year

2016

Creators

Tsoumas, Johannis