RCAAP Repository
Aprendendo a compartilhar: uma experiência de projeto em equipe
O presente trabalho se insere nas discussões sobre projeto em equipe no campo da Arquitetura, focalizando as relações que se configuram entre arquitetos, quando unidos para atuarem colaborativamente em uma problemática de projeto. Por entender que aciência e o conhecimento se fazem muito mais por perguntas do que por respostas, a pesquisa desenvolvida nesta dissertação se preocupou em aprimorar questões inicialmente levantadas sobre projetos desenvolvidos em equipe. Questões sobre motivação, relacionamento, comunicação, liderança, soluções de problemas, tomada dedecisões e criatividade envolvem equipes, de uma forma geral, de qualquer área profissional. Existem, também, no campo da arquitetura, com suas particularidades que são tratadas aqui, não com a intenção de exauri-las, mas com o objetivo de incitar discussões e desenvolvimento de outros trabalhos sobre esse tema. A partir de umestudo de caso realizado com alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG e de entrevistas com professores do Departamento de Projetos da mesma escola, unidos a uma revisão bibliográfica sobre o tema, foi possível abrir discussões em terrenos não muito comuns a arquitetos, apesar da prática profissional já sofrer pela falta de conhecimento e crítica sobre a atuação de equipes de projetos. No ensino faltam aprimoramento e experiências com equipes, embora isso seja necessário à preparação das novas gerações, para as futuras relações de trabalho que as esperam. Naprática profissional, faltam, justamente, profissionais preparados para implementar relações de trabalho mais condizentes com a produção arquitetônica atual. Nota-se ainda a presença de profissionais arraigados a paradigmas ultrapassados.
A poética do construir: a arquitetura da construção
Tendo como ponto de partida o excessivo desmembramento dofazer arquitetônico, propusemos a aproximação do projeto com seu processo construtivo, não como a necessidade da presença do arquiteto no canteiro de obras, mas como um retorno à materialidade da arquitetura e à poética da construção. Para isso, apresentamos os conceitos de forma e sua relação com os ditos operadores pragmáticos da equação arquitetônica (lugar, uso e técnica), condensados no conceito de material formal, usado apenas como ponto de partida na seleção dos edifícios estudados e de seus procedimentosprojetuais. Nos exemplos selecionados analisamos as formas de interação entre as disciplinas envolvidas, a relação das tecnologias com as questões econômicas vigentes na época, além da solução formal resultante e a relação do projeto com a sua execução. Concluímos que a interação entre as disciplinas envolvidas no projeto deva acontecer desde a concepção do projeto, que uma equipe aberta às contaminações recíprocas é vista como fundamental para um bom desenvolvimento do projeto, e que há evidências de que a opção pelos materiais e sistemas construtivos deva ser sempre problematizada e contextualizada. Em relação à forma, não parece haver vantagem no fato de ela anteceder o processo, mas que traduza o resultado de uma operação arquitetônica complexa, na qual a escolha dos materiais esistema construtivo seja ser uma das suas variáveis.
2022-12-06T15:43:05Z
Marcela Silviano Brandao Lopes
Arquitetura amplificada: incorporação de dispositivos tecnológicos digitais à arquitetura
Esta dissertação apresenta um estudo sobre a incorporação de dispositivos tecnológicos digitais na arquitetura, com foco nas experiências que, utilizando-se da interação mediada eletronicamente, podem enriquecer a relação entre o homem e o espaço arquitetônico. Se até poucas décadas atrás, estes dispositivos eram relativamente desconectados do espaço arquitetônico, existem hoje várias experiências onde os mesmos são incorporados ao próprio tecido da arquitetura, influenciando o design e vivência do espaço. O trabalhofoi dividido em duas partes. A primeira, teórica e analítica, procura levantar questões acerca da incorporação de dispositivos tecnológicos digitais na arquitetura. Nessa discussão, analisa-se a confluência entre arquitetura e dispositivos tecnológicos, elencando diferentes práticas e abordagens ligadas à interatividade na arquitetura. São discutidos também alguns tipos de interação que podem acontecer entre o homem e o espaço arquitetônico, com foco nas práticas, sistemas e ferramentas que possibilitam esta interação. Na segunda parte, é feita uma análise de um protótipo de dispositivo interativo, desenvolvido para permitir a observação empírica de alguns dos assuntos levantados. São discutidas questões técnicas e metodológicas relacionadas àconcepção e desenvolvimento de dispositivos interativos, através das quais levantou-se alguns problemas que podem ocorrer durante o desenvolvimento e construção de sistemas interativos. Através de algumas discussões propostas neste trabalho constatou-se que a abertura possibilitada pelos dispositivos tecnológicos digitais na arquitetura pode apontar uma mudança significativa na prática arquitetônica: a passagem de um sistema que separa aquele quedesenha daquele que usa o espaço para outro onde esta separação é menos marcada. Esta mudança pode possibilitar e encorajar uma constante modificação do objeto construído.
2022-12-06T15:45:59Z
Mateus de Sousa Van Stragen
O município de Ribeirão das Neves: um 'bairro popular' em um centro metropolitano
Este trabalho apresenta uma análise do processo de segregação socioespacial na formação da metrópole belohorizontina, através da produção habitacional direcionada aos segmentos de baixa renda da população. Para melhor entender a segregação socioespacial, a análise tem como referência o Município de Ribeirão das Neves, caso exemplar de um espaço periférico ocupado sobretudo por uma população pobre e excluída do centro metropolitano e comandado de fora pelo governo do Estado, desde sua formação. O município apresenta uma inserção dual no contexto metropolitano: um bairro popular em um espaço carcerário. Tem-se ainda que a população carente de Ribeirão das Neves resolve o problema habitacional fundamentalmente através da autoconstrução. O trabalho pretende refletir sobre a atuação da indústria (capitalista) da construção da habitação no processo de formação das cidades, remetendo à discussão da dificuldade de atendimento desta indústria às necessidades da população de baixa renda, necessidades estas claramente apontadas pelos estudos sobre o déficit habitacional brasileiro. Sendo assim, a intervenção do Poder Público no mercado imobiliário é primordial, especialmente através de mecanismos desubsídios e financiamentos de unidades habitacionais aos segmentos de baixa renda da população brasileira. Acredita-se ainda que diretrizes visando a integração de políticas habitacionais e políticas urbanas são igualmente importantes.
O cooperativismo autogestionário na produção da habitação popular
O presente trabalho analisa iniciativas coletivas de provisão de moradia de interesse social, fundamentadas nos princípios do cooperativismo. Embora o objeto de análise seja a produção habitacional, procura-se na abordagem um enfoque amplo sobre as questões sociais e econômicas intrinsecamente relacionadas a ela, tendo em vista que iniciativas habitacionais cooperativistasnão servem apenas à seu fim específico, podendo também contribuir nodesenvolvimento socioeconômico. Aspectos como acesso ao solo urbano e financiamento também são abordados com intuito principal de elucidar formas alternativas de superar os limites impostos à produção habitacional. As possibilidades e dificuldades da produção habitacional capitalista e da autoprodução são analisados e comparados com aspectos de iniciativas cooperativistas de provisão de moradia de interesse social. O objetivo é contribuir na prática cooperativista autogestionária, de modo que a população demandatária tenha maior participação nas decisões do processo e autonomia na produção de sua moradia.
2022-12-06T15:42:04Z
Rodrigo Arlindo dos Santos Silva
A valorização do antigo pelo novo: o panorama da inserção de arquitetura contemporânea nos conjuntos históricos tombados de Mariana e Ouro Preto
A inserção de arquitetura contemporânea em conjuntos históricos tombados no Brasil é um tema ainda pouco explorado, que apresenta um rol de intervenções isoladas, onde ocorrem mais pastiches e reconstruções. Com o intuito de aprofundar esta discussão, foi proposto o estudo O panorama da inserção de arquitetura contemporânea nos conjuntos históricos tombados de Mariana e Ouro Preto. A escolha destas duas cidades foi em função de elas terem sido palco dasprimeiras ações do IPHAN, e ainda, por possuírem exemplares de todas as correntes arquitetônicas desde a ocupação do território mineiro. Como ponto de partida foi feita uma revisão dos principais documentos produzidos nos encontros referentes à preservação do patrimônio cultural em todo o mundo, ilustrados com as mais arrojadas experiências internacionais. Em seguida, buscou-se compreender como ocorreu a tradução destes conceitos para o contexto brasileiro,através do estudo da evolução das tipologias arquitetônicas e a análise dos projetos de revitalização das principais cidades brasileiras. Enfim, abordou o objeto de estudo com a construção de um histórico dos aspectos arquitetônicos das cidades de Mariana e Ouro Preto, ressaltando a inserção de novas arquiteturas. Em caráter comparativo, são apresentados os estudos de caso: a Residência do Arcebispo de Mariana e o Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG. Assim se buscou avançar no conhecimento de uma questão sempre polêmica e também identificar possíveis soluções.
2022-12-06T15:44:56Z
Tatiana da Silva Gomes
1 / 1: a experiência de projeto
O objetivo do trabalho é a construção de argumentos de forma a estabelecer um embasamento teórico relativo a uma prática específica de ensino de projeto em arquitetura. A partir da constatação do momento de crise em que se encontra o ensino dessa disciplina, uma propostadidática é apresentada e dissertada nesse trabalho. A proposta tem como horizonte paradigmático a arte, mais especificamente, o fazer artístico. Enfocando o processo de criação, o trabalho de três artistas é utilizado como referência. São eles: a via de trabalho material-intuitiva de Vladimir Tatlin, a incorporação da invenção de Hélio Oiticica e os pensamentos-ações de Allan Wexler. Os experimentos didáticos incorporam os conceitos e práticas desses artistas, valorizando,sobretudo, a experiência do fazer corpóreo de seus trabalhos. Como alternativa de ensino, o processo de construção dos projetos desenvolvidos pelos alunos é inserido em sua formação, buscando o desenvolvimento de habilidades cognitivas e operativas relacionadas à prática arquitetônica. Procurando a formação do corpo como arquiteto, os experimentos tentam reduzir a distância entre aluno e objeto projetado. Os alunos vivenciam as etapas do ciclo de produçãoarquitetônica (projeto, construção e apropriação) condensadas em uma proposta didática. No desenvolvimento desse exercício, observa-se que juntamente à execução dos objetos, uma postura crítica em relação à produção arquitetônica é edificada.
2022-12-06T15:48:50Z
Eduardo Campos Moreira
A experiência estética na cidade e suas implicações éticas: transformação urbana e promoção do bem comum no espaço público de Belo Horizonte
Este trabalho aborda a questão da experiência estética na cidade, no sentido de investigar possíveis implicações e desdobramentos de ordem ética na vida cotidiana dos cidadãos, através da análise da relação entre os processos de transformação urbana e de promoção do bem comum no espaço público de Belo Horizonte. Como objeto específico de estudo, dentre os inúmeros elementos que configuram a dimensão física do espaço público da cidade, foi eleito um conjunto de espaços de permanência e de suporte a deslocamentos de pedestres na área compreendida dentro do perímetro atual da Avenida do Contorno, que foi definida como universo de pesquisa. Os espaços abordados correspondem a praças de características distintas, espaços remanescentes de transformações urbanas, assim como espaços lineares potencialmente ricos na capacidade de acolher os cidadãos em seus percursos pela cidade. Através de procedimentos de observação direta, de deslocamentos aleatórios, do estabelecimento de percursos e de registros fotográficos realizados na área originalmente projetada para Belo Horizonte pelo Engenheiro Aarão Reis no século XIX, foram levantados dados diversos que permitem tecer considerações a respeito da necessidade de se garantir aos cidadãos um espaço público de qualidade. A hipótese defendida é a de que a cidade,quando experimentada esteticamente, pode propiciar ao sujeito condições para seu aprimoramento enquanto cidadão. Nesse sentido, o trabalho propõe uma reflexão sobre o entrelaçamento, no espaço público, do conceito de experiência estética e das questões de natureza ética envolvidas nesse tipo de experiência e desencadeadas por ela.
2022-12-06T15:41:49Z
Tadeu Starling Perdigao
Um olhar sobre a Itália e o Brasil: o tratamento de vazios urbanos em conjuntos históricos numa perspectiva comparada
Este estudo tem por escopo analisar o tratamento de vazios urbanos em conjuntos históricos, numa perspectiva comparada, a partir de dois casos semelhantes, um italiano e outro brasileiro. Foram escolhidas as cidades de Nápoles, na Itália e Salvador, no Brasil. A pesquisa inicia-se com o destaque dos principais aspectos históricos e a leitura morfológica de cada uma dessas cidades. Posteriormente, elas são analisadas à luz da teoria de Cesare Brandi sobre o trato de lacunas, transpondo-se as idéias deste autor para o campo da Arquitetura e Urbanismo. A seguir, discutem-se alternativas para o tratamento arquitetônico deste espaço. Ao final, conclui-se que intervenções inapropriadas podem descaracterizar os conjuntos históricos, comprometendo a condição artística das cidades. Portanto, para evitaristo, as novas intervenções devem ser cuidadosamente planejadas para que se harmonizem com o patrimônio histórico e cultural.
Complexidade, lugar e cultura: a arquitetura de Lina Bo Bardi como mediadora entre os sujeitos e suas manifestações
Esta dissertação se inicia a partir da identificação de uma excessiva especialização presente em grande parte da produção arquitetônica atual e da consequente necessidade de se buscar elementos que promovam o aumento da complexidade na arquitetura. No sentido de elencar premissas que possam atender ao incremento desta complexidade, foi escolhida para estudo a obra da arquiteta italiana Lina Bo Bardi (19141992), cujo trabalho é, nacional e internacionalmente reconhecido pela utilização de elementos caros ao modo de produção cultural brasileiro, sem prescindir da condição de espaços com alto grau de apropriação. Foram analisados quatro conjuntos arquitetônicos, a saber: o Museu de Arte de São Paulo (19571968), o SESC Fábrica da Pompéia (19771986) e o Teatro Oficina (19801984), localizados na cidade de São Paulo, e a Igreja do Espírito Santo do Cerrado (19761982), emUberlândia. Em um primeiro momento, é apresentada uma pesquisa acerca dos aspectos considerados fundamentais para a produção da arquitetura, como as três principais dimensões do tratado vitruviano firmitas, utilitas e venustas e dos modos do discurso da teoria arquitetônica relacionados tanto ao conteúdo quanto à forma. A partir desta pesquisa, foram desenvolvidas as premissas utilizadas na análise de cada obra, quais sejam: arquitetura como lugar da habitação, arquitetura como extensão da rua e relação daarquitetura com o seu contexto preexistente. Por fim, é apresentada a maneira como a reunião das três premissas citadas está contemplada no trabalho de Lina Bo Bardi, a partir da concepção da arquitetura como produção cultural, à luz do conceito de tectônica. Ao caráter tectônico foram relacionadas a ideia de decoro e a relação entre cultura e natureza, trabalhada nas obras da arquiteta. Desta maneira, este trabalho procura identificar componentes de uma arquitetura brasileira de alto nível cultural, buscando ampliar asdiscussões acerca da possibilidade de uma produção arquitetônica mais complexa, voltada aos homens e à sua inter-relação.
2022-12-06T15:41:03Z
Eduardo Oliveira Franca
Tendências e contradições do processo de expansão do segmento mercantil-capitalista de provisão de moradias na região de Venda Nova- Belo Horizonte/MG
O processo de ocupação do solo belo-horizontino é marcado pela atuação do Estado e do capital imobiliário, principais agentes na produção do espaço urbano. A análise da região de Venda Nova e entorno imediato permite observar a recente expansão da atuação do segmento mercantil de produção de moradias em áreas periféricas da metrópole. Esta expansão é resultado, entre outros aspectos, da valorização imobiliária dada por melhorias urbanas e do aumento de renda da população e se caracteriza por inovações na moradia para a classe média. Economicamente promissora para o capital imobiliário tal atuação pode transformar a dinâmica urbana da cidade e agravar históricas diferenças socioespaciais.A atuação do segmento mercantil-capitalista de produção de moradias, que pressupõe a construção habitacional com valor de troca, é diferenciado neste trabalho pela forma de atuação em dois tipos: estatal ou empresarial. O foco da pesquisa é a produção empresarial, que possui, por sua vez, dois submercados: concorrencial e monopolista. Como no período analisado, entre 1997 e 2007, não foi constatada a produção de moradias pelo submercado monopolista na área de estudo, o trabalho detalha os principais aspectos relacionados à produção empresarial do submercado concorrencial: demandas, tipos de agentes, estratégias de mercado, produtos imobiliários ofertados e características homogêneas de ocupação. Os apartamentos e as casas geminadas são os dois produtos imobiliários mais ofertados por este submercado e por isso são analisados sob os aspectos conceituais, socioculturais, arquitetônicos e mercadológicos.Toda a análise é embasada em conceitos teóricos, dados históricos e em pesquisas empíricas empreendidas ao longo da elaboração do trabalho. O objetivo é contextualizar e apontar as tendências, contradições e possíveis impactos na dinâmica urbana, do processo de expansão mercantil de provisão de moradias na área de estudo.
2022-12-06T15:49:37Z
Lucia Karine de Almeida
Piranga, arquitetura religiosa e obras de restauração em Bacalhau: preservação e ação comunitária
A preservação do patrimônio histórico de Minas Gerais é marcada pela falta de recursos econômicos quando se trata de bens considerados de menor valor cultural frente aos mais significativos monumentos, sejam eles: as pequenas edificações religiosas; a arquitetura vernacular urbana ou rural; e os centros históricos de municípios de pequeno ou médio porte. As restaurações da Igreja de Santo Antônio e do Santuário do Senhor Bom Jesus do Matozinhos, bens tombados localizados no distrito de Santo Antônio do Pirapetinga, município de Piranga, foram possíveis graças às parcerias firmadas entre o IEPHA/MG, o Ministério Público, a Prefeitura e a Comunidade local. Nos pequenos distritos detentores de importância histórica, arquitetônica e artística procura-se, além das obras de restauração, a manutenção das tradições enraizadas no espaço geográfico e social, que permanece sem muitas transformações através dos séculos, num tempo de longa duração. Preservar a memória é, portanto, respeitar os hábitos da população e manter os ritos de um cotidiano que trouxe até nossos dias toda a riqueza deste patrimônio. A Recomendação n° R (95) 9 que adota o conceito de paisagem cultural para a preservação do patrimônio histórico e do meio ambiente integrado às ações sociais é a proposição mais adequada para a revitalização desses sítios históricos. A restauração dos bens imóveis e as intervenções nos centros históricos são processos intrínsecos onde atuam as determinantes culturais locais e, ao mesmo tempo, todas as forças mais amplas do mercado econômico tendo em vista que a produção do espaço arquitetônico e do urbano é referenciada pela produção social como um todo. As revitalizações de caráter global com objetivos turísticos e econômicos externos podem provocar mudanças e reverter o processo social e econômico dos lugares e transformá-los ou destruí-los com a expulsão e substituição da população original (gentrificação) e a consequente perda do patrimônio imaterial e da vivência das tradições locais. Os fatores para a preservação dos bens culturais são, portanto, as parcerias técnicas e econômicas, a manutenção da memória coletiva e o poder de decisão compartilhado entre os diversos sujeitos dessa história, com a participação efetiva da própria Comunidade: a melhor guardiã de seu patrimônio.
2022-12-06T15:47:49Z
Delmari Angela Ribeiro
Práticas de arquitetura para demandas populares: a experiência dos arquitetos da família
Esta dissertação apresenta a adoção de uma pr ática de arquitetura alternativa à convencional no atendimento de demandas populares. A prática arquitetônica usual se mostra ineficiente para atender essas demandas principalmente em virtude do afastamento social existente entre clientes populares e arquitetos. Dessa maneira, uma crítica à prática arquitetônica convencional é realizada, acompanhada da apresentação do sistema de trabalho do arquiteto argentinoRodolfo Livingston, chamado de El Metodo. Seu procedimento foi estudado e aplicado com clientes reais e continuamente, discutido e modificado. Para a efetivação da pesquisa, foram utilizados anúncios para atrair clientes e formado um grupo de arquitetos para atendê-los. Ao longo do processo, algumas questões específicas da prática se destacaram por serem veículos de possíveis mudanças de procedimento. As maneiras de comunicação, o papel dos agentes,a dicotomia entre o trabalho manual e o intelectual e a questão das escalas nos revelam as complexidades e as contradições da prática arquitetônica e anunciam outras possibilidades.
2022-12-06T15:45:12Z
Priscila Silva Nogueira
O gerenciamento para a acessibilidade ambiental de pessoas com mobilidade reduzida: institucionalizando a inclusão em uma escola universitária
Esta dissertação investiga como procedimentos e ações rotineiras institucionais podem complementar os recursos de acessibilidade ambiental existentes para propiciar a inclusão social na universidade de pessoas com mobilidade reduzida. Estes procedimentos institucionais são aqui definidos como práticas inclusivas. No desenvolvimento da pesquisa foram realizados três estudos de caso em escolas universitárias da UFMG. Após a análise das condições de acessibilidade ambiental, verificaram-se problemas em todos os edifícios pesquisados sendo esses mais acentuados na Faculdade de Letras e na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Na Escola de Ciências da Informação, o número e a gravidade de problemas deacessibilidade é menor. Coincidentemente, a atmosfera psicológica para uso e apropriação encontrada para cada um dos locais de estudo confirma a mesma situação relativa à acessibilidade. Em entrevistas com usuários e em painel de discussão, foram testadas a aceitação e aplicabilidade de algumas práticas inclusivas para os problemas deacessibilidade encontrados. Como resultado evidenciou-se que práticasinclusivas são poucas e desconhecidas, mas tem eficácia na medida em que possivelmente melhoram o desempenho funcional e social das pessoas, aumentando a igualdade de oportunidades no uso do ambiente escolar de forma imediata. Contudo, as práticas inclusivas não se desenvolvem em função das pessoas as entenderem apenas como temporárias e deficitárias em relação a soluções consolidadas de intervenção física para acessibilidade. Os participantes assinalam as práticas inclusivas como importante fator educacional de formação de consciência e de atitude positiva frente aos problemas sistêmicos de mobilidade reduzida.
2022-12-06T15:43:52Z
Angelica Fatima Baldin Picceli
Os efeitos da flexibilidade ambiental na postura do usuário relativa ao simbolismo dos espaços sociais de tratamento do câncer
Este estudo aborda hospitais especializados no tratamento do câncer para investigar a influência da flexibilidade dos ambientes sociais sobre a postura das pessoas em relação ao espaço hospitalar. Esta pesquisa pode dar suporte à arquitetura hospitalar no âmbito do planejamento para melhores condições da experiência de seus usuários. A cultura dos hospitais se fundamenta em fatores de caráter técnico-funcional e de caráter simbólico, caracterizando os espaços do hospital bem como as relações que são estabelecidas entre a postura das pessoas e a atmosfera psicológica do lugar que é estimulada pelo gerenciamento. Assim, o gerenciamento dos espaços, rotinas e funcionamento,por um lado, e a vivência diária das pessoas, por outro, dão dimensões aos cenários de experiências no ambiente hospitalar. O estudo incluiu ainvestigação de cinco salas de espera de três Centros de Alta Complexidade em Oncologia em Belo Horizonte, Brasil. O trabalho de campo adotou a seguinte metodologia: observações diretas nas salas de espera; elaboração e aplicação de questionários sobre as condições de espera das unidades e a realização de testes de flexibilização dos mobiliários das salas de espera. Os usuários vivenciaram e refletiram sobre os problemas dos espaços dos hospitais relativos à distribuição de mobiliário em ambientes incompatíveis com as atividades realizadas e a falta de flexibilidade de uso desses ambientes. Como resultado, constatou-se que novas distribuições propostas para o mobiliário estimularam a autonomia das pessoas por escolhas no uso dediferentes ambientes de espera para atividades específicas e isso repercutiu em maior flexibilidade e mudanças no comportamento das pessoas. Caso os espaços de espera ofereçam condições de flexibilidade de uso compatíveis com as expectativas das pessoas e com as atividades realizadas, a experiência
2022-12-06T15:44:07Z
Camilla Pinto Grenfell
Arquitetura como interface para a informação: sobre a espacialização das tecnologias da informação rumo a práticas colaborativas
Este estudo analisa uma interseção entre a espacialização da informação e o trabalho colaborativo à distância (CSCW Computer Supported Collaborative Work). Mais especificamente discute-se a possibilidade de influência da espacialização das TICs (tecnologias da informação e da comunicação) sobre as interações entre membros de dois laboratórios remotamente conectados. A espacialização, (referente à disposição no espaço de elementos sonoros, visuais, táteis, etc. com o fim de obter efeitos estéticos ou de percepção) é abordada através do conceito de physical computing e da especificidade dos ambient displays. Parte-se da hipótese de que a espacialização pode contribuirpara questões relacionadas à presença social em conexões remotas, ou à telepresença, veiculando informações do ambiente que normalmente passariam despercebidas através de chats ou videoconferências, os quais não exploram a natureza testemunhal dos espaços. Essencialmente, o trabalho busca alternativas ao GUI, Graphical User Interface, que permitiu um grande avanço tecnológico e permitiu a execução de uma série de tarefas, mas que também não deixa de apresentar muitas limitações. A falta de um suporte para comunicações informais é uma dessas limitações, assim como o pouco engajamento corporal permitido e seus consequentes desconfortos, além da concentração excessiva de atenção dosusuários em algumas situações inadequadas e o excesso de informações detalhadas e desnecessárias para alguns contextos.Questões relacionadas à proxêmica também são discutidas de forma a se analisar a possibilidade de comunicação de presenças entre ambientes geograficamente distantes e remotamente conectados.Através de estudos experimentais entre o LAGEAR (Laboratório Gráfico para Experimentação Arquitetônica) da Escola de Arquitetura da UFMG(Universidade Federal de Minas Gerais) e o LCG (Laboratório de Computação Gráfica) da FAU/UFU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia), são testadas algumas situações e uma interface espacializada é desenvolvida a partir de discussões que surgem em uma revisão bibliográfica. Para tanto, informações tais como o número de pessoas em uma sala, assim como o nível de ruído (barulho) nessa mesma sala são captadas através de sensores e enviadas via internet para o outro laboratório, a550 Km de distância. Posteriormente, elas são exibidas de uma formaespacialmente distribuída com o intuito de se observar como a espacialização da informação modela as relações entre pessoas e quais seriam as implicações se de conectar duas ambiências, além de somente compartilhar informações na tela do computador Conclusivamente, observa-se que nas situações em que a colaboração não era formalizada, como por exemplo, para quem entrava de relance na sala, o ambient display se revelou eficiente. Nas situações de trabalho assumido, formal, o ambient display se revelou muito pouco útil, ofuscado por ferramentas mais invasivas, tais como a câmera ou o chat. Para o contexto de trabalho colaborativo em questão as interfaces espacializadas funcionaram em complementariedade com ferramentas mais tradicionais do GUI e não em substituição. O que se deve buscar é um resgate do equilíbrio já perdido: atualmente, as predisposições tangíveis estão insuficientes enquanto o centro da atenção está supersaturado.
2022-12-06T15:41:34Z
Isabela Lages de Andrade
Cidade-Museu: expressões espaciais e o caráter cultural
Na atualidade, a cidade metamorfoseia. A percepção do espaço urbano por meio da compreensão da sociedade contemporânea, instaurada a partir da expansão do capitalismo e da sociedade burguesa, torna-se útil como exemplo do contexto urbano vivenciado.Este estudo intenciona a compreensão das ações de preservação do patrimônio cultural das cidades à luz dos museus. O objetivo é problematizar sobre a atual função social e cultural do museu na cidade, enquanto espaço musealizado. Os conceitos que permeiam todo o processo de elaboração, reflexão e análise do conhecimento compõem o sujeito contemporâneo, pois é na contemporaneidade que opatrimônio se manifesta muito diversificado e apresenta uma gama distinta de expressões culturais. A função social do museu está vinculada à correlação entre preservação da memória e do patrimônio cultural. Já a consciência da cidade, entendida como memória coletiva, é o que propicia a interlocução entre os museus e as cidades. Na atualidade, observa-se o papel de destaque da memória social. Este conceito vem se destacando nas Ciências Sociais, emvirtude da ligação da memória humana com as atividades sociais, de modo a permitir as manifestações vivas da recordação. A conservação dos fatos rememorados depende do meio social, ou seja: é no relacionamento com outras pessoas que o indivíduo consegue que suamemória funcione. Em contrapartida, o enfraquecimento da memória origina-se da frouxidão ocorrida nas relações entre indivíduo e grupo. A ação dos museus, com o passar dos anos, tem evoluído e se modificado Neste contexto, cabe a reflexão de como a arte associa o indivíduo ao espaço público e, conseqüentemente, à cidade, portanto, na relação entre arte e arquitetura.
2022-12-06T15:46:46Z
Soraia Aparecida Martins Farias
Por que a gestão da região metropolitana do Vale do Aço não sai do papel?
O objetivo deste trabalho é investigar quais são os entraves que impedem a formulação e a implementação de programas e ações de interesse comum, de abrangência metropolitana, bem como identificar os empecilhos para a efetivação da gestão metropolitana na Região Metropolitana do Vale do Aço RMVA. A RMVA, instituída em 1998, é composta por quatro municípios Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo e circundada por um Colar Metropolitano formado por outros 22 municípios. A Lei que inicialmente institui a RMVA já completou 11 anos. Mas ainda persiste a ausência de uma estrutura de gestão da RMVA e quase não se avançou na construção e implementação de políticas públicas de alcance metropolitano.Além desse objetivo principal, temos outros, como o de compreender oprocesso de formação do Aglomerado Urbano do Vale do Aço, incluindo a expansão urbana atual. O trabalho foi desenvolvido a partir de umafundamentação teórica, sistematizada através de estudos e experiênciascorrelatos. Foi feito um levantamento documental e de campo sobre o processo de urbanização, aglomeração, formação e institucionalização da Região Metropolitana do Vale do Aço, bem como de algumas experiências de gestão compartilhada na região.
2022-12-06T15:45:43Z
Kenia de Souza Barbosa
O processo de projeto na era digital: um novo deslocamento da prática profissional
A expansão das TICs e o desenvolvimento das ferramentas digitais aplicada ao projeto estão abrindo novos horizontes para os projetistas. A intenção deste trabalho é apresentar um panorama das principais tendências das ferramentas digitais aplicadas ao projeto que vem sendo pesquisadas pelo mundo. E apontar de que maneira os profissionais brasileiros estão inseridos neste movimento. A ferramenta digital aplicado ao processo de projeto que apresenta maior destaque em relação ao número de adeptos e publicações, tanto intencionalmente como no Brasil é o BIM. Razão pela qual investigamos esta tendência mais profundamente a fim de discutir as implicações de sua adoção no país levando em consideração o âmbito nacional assim como caracterizar o mercado regional baseando na cidade de Belo Horizonte.
2022-12-06T15:40:48Z
Luciana Teixeira Batista
A festa e a cidade
Este trabalho busca compreender a relação dialógica entre o espaço urbano e a Festa, tendo como base referencial, sobretudo, os estudos do filósofo e sociólogo francês Henri Lefebvre. Trata-se, desse modo, de uma pesquisa teórica e crítica que procura entender como a Festa se espacializa na cidade contemporânea e, consequentemente, como esta cidade se redefine a partir de um objeto que ganha contornos e proporções surpreendentes na atualidade. Tal investigação se organiza a partir de uma estrutura triádica. Em um primeiro momento, a Festa é entendida como dimensão cultural da vida urbana, sendo, assim, percebida como experiência coletiva na cidade. Segue-se o estudo estabelecendo a aproximação entre a Festa e o poder político, o que evidencia as relações de dominação e controle frente à desordem iminente, bem como a possibilidade de emergência de manifestações contestatórias. Por fim, verificam-se as conexões pertinentes entre o excedente econômico e a Festa instante de dilapidação das reservas que garante à cidade a condição de lugar do consumo, ao mesmo tempo em que permite o consumo do lugar. Tal estrutura é reveladora ainda de uma hipótese que aqui é levantada: mais que essência da vida urbana, a Festa é também meio pelo qual se conquista, em sua plenitude, o direito à cidade.
2022-12-06T15:43:05Z
Marcos Felipe Sudre Souza