RCAAP Repository
Perfil miofuncional orofacial de idosos funcionalmente independentes
A longevidade pode ser encarada diferente de acordo com o país de origem e residência do indivíduo. A Organização das Nações Unidas (ONU) define pessoa idosa como aquela de 60 anos de idade ou mais, para os que vivem em países em desenvolvimento e nos países desenvolvidos o corte ocorre a partir dos 65 anos de idade. Devido o aumento da prevalência na população mundial, essa etapa da vida vem se tornando o foco de atenção da saúde.
2022-12-06T15:47:34Z
Danielle Nunes Moura Silva
Adaptação cultural e validação da escala de Wexner em mulheres com incontinência anal na população brasileira
Introdução: O objetivo deste estudo foi realizar a adaptação cultural e validação para a versão portuguesa da Escala de Wexner para Incontinência Anal para a população brasileira. Metodologia: A versão em inglês foi traduzida para português por dois tradutores independentes e estabelecida uma versão em português em comum. A consistência interna do questionário foi avaliada em 50 pacientes através de teste/re-teste, com um intervalo de 15 dias entre as entrevistas. A validade convergente do questionário realizada através de comparação dos resultados do questionário de Wexner com outro questionário de qualidade de vida, o FIQL (Fecal Incontinence Quality of Life). Resultados: As respostas aos dois questionários do teste/re-teste revelou significativa correlação pelo teste Wilcoxon. Obteve-se um p=0,354, ou seja, as medianas das respostas dadas em aos dois questionários são estatisticamente iguais. O valor do Alpha de Cronbach para a versão traduzida da escala foi de 0,932, demonstrando um alto nível de consistência interna. Um alto nível de consistência interna também foi existente quando se avaliou cada item do questionário. A análise pela Correlação de Spearman da versão traduzida para o português da Escala de Wexner quando comparada com o FIQL demonstrou a validade do questionário. Conclusão: O questionário proposto foi bem aceito pela população em virtude de sua fácil compreensão e pelo seu limitado número de itens que podem ser rapidamente respondidos. Desta forma, este estudo demonstrou a validade linguística e psicométrica da versão em português da Escala de Wexner para a população brasileira.
2022-12-06T15:48:34Z
Mariana Furtado Meinberg
Monitoramento da resistência do Plasmodium falciparum e P. vivax aos antimaláricos em Rondônia e busca de novos esquizonticidas sanguíneos e teciduais para controle e tratamento da doença
A malária humana é a doença parasitária mais importante e um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Seu controle é dificultado pela falta de uma vacina eficaz, problemas no combate ao inseto, mas, sobretudo, pelo surgimento e disseminação de parasitos resistentes aos antimaláricos disponíveis. O tratamento espécie-específico permanece como principal estratégia visando a redução da morbidade e da mortalidade ocasionados pela doença. A busca de novos antimaláricos contra diferentes estágios do parasito torna-se essencial, tema abordado neste trabalho de tese. Na pesquisa de novos esquizonticidas sanguíneos, dois análogos da cloroquina (BAQ e MAQ) foram testados quanto a sua capacidade de inibir ex vivo o desenvolvimento de isolados de P. vivax e P. falciparum, coletados de pacientes diagnosticados em Porto Velho, Rondônia. Ambas as espécies foram sensíveis a MAQ e BAQ, com IC50 na ordem de nanomolar. Essa suscetibilidade ex vivo dos parasitos foi testada em paralelo contra os antimaláricos cloroquina (CQ), mefloquina (MQ) e artesunato (AS). A maioria dos isolados de P. vivax foi sensível à CQ (IC50 médio de 32nM), mas os isolados de P. falciparum apresentaram baixa sensibilidade ex vivo à CQ (IC50 médio de 70nM); todos os isolados foram sensíveis ao AS e à MQ. Polimorfismo de nucleotídeo único foi avaliado nos genes mdr1 e crt, ambos relacionados com a resistência dos parasitos aos antimaláricos. Mutações de troca foram encontradas no gene pfmdr1 nos códons 184 (100%), 1042 (100%) 1246 (100%) e 1034 (84%). Mutações no gene pfcrt, códons 72 e 76, foram encontradas em 100% dos isolados. No entando, os isolados de vivax não apresentaram mutações. Na busca de novos esquizonticidas teciduais, 15 tiazolidinonas derivadas da primaquina (PQTZs) foram avaliadas contra formas exoeritrocíticas (FEE) de P. berghei-ANKA in vitro inibindo o desenvolvimento dos esporozoítos nos hepatócitos, com redução significantemente na porcentagem de células infectadas e tamanho dos esquizontes. No entanto, somente o composto 4m foi ativo in vivo, reduzindo 95% o desenvolvimento hepático das FEE dos animais tratados e aumentando o período pré-patente da malária em 3 dias. Os PQTZs foram avaliados quanto à capacidade de bloquear a transmissão, nos modelos da malária aviária (P. gallinaceum e Aedes fluviatilis) e de roedores (Anopheles stephensi e P. berghei), após tratamento dos hospedeiros vertebrados com os compostos. Os compostos 4b, 4c, 4g, 4m, 4o, assim como a primaquina, inibiram 100% a infecção dos mosquitos anofelinos. O PQTZ 4m apresentou a melhor atividade contra FFE in vitro e in vivo e bloqueou 100% a transmissão, portanto, este composto deverá ser avaliado em modelos com malária pelo P. cynomolgi e/ou P. vivax, visando o desenvolvimento de um novo medicamento para o tratamento das recaídas da malária humana.
2022-12-06T15:49:23Z
Anna Caroline Campos Aguiar
Busca de novos fármacos para o tratamento da malária humana através de diferentes abordagens
A malária humana permanece como uma das principais doenças parasitárias do mundo, afetando milhões de pessoas ao ano e causando intensa morbidade e mortalidade, sobretudo em crianças da África. A doença causa ainda pobreza em países com alta prevalência, incluindo o Brasil, na Região Amazônica. Devido à resistência disseminada do Plasmodium falciparum aos antimaláricos disponíveis e do P. vivax à cloroquina, inclusive no Brasil, novas terapias são necessárias, já que o tratamento medicamentoso permanece como a principal estratégia no controle da doença. A busca de novos fármacos tem como alvo principal os estágios eritrocíticos do Plasmodium, mas o interesse em reduzir a transmissão e erradicar a malária inclui combater as formas sexuadas, tornando necessário o desenvolvimento de fármacos contra os gametócitos. No presente trabalho a proposta principal foi a busca por novos compostos com ação dupla, sendo avaliada a atividade esquizonticida sanguínea, in vitro e in vivo, e bloqueadora da transmissão, in vitro. Os compostos foram selecionados por diferentes abordagens: (i) estudos computacionais de modelagem molecular, tendo como alvos específicos as enzimas lactato desidrogenase (atorvastatina, itraconazol e posaconazol) e topoisomerase I (pterocarpanquinona e derivados) do P. falciparum; (ii) o conhecimento popular do uso de infusões da planta medicinal Aspidosperma nitidum contra a malária na Amazônia Brasileira, e, (iii) o desenvolvimento de compostos híbridos, derivados da ligação do artesunato com mefloquina (MEFAS) ou com primaquina (PRIMAS). Os resultados demonstraram que: (i) atorvastatina, itraconazol e posaconazol, comercialmente disponíveis, e extratos e frações da casca do caule de A. nitidum, foram ativos in vitro contra P. falciparum; (ii) atorvastatina, posaconazol e compostos isolados de A. nitidum, inibiram ativamente a parasitemia de camundongos experimentalmente infectados com P. berghei, e, (iii) MEFAS e PRIMAS apresentaram atividade dupla, sendo ativos contra as formas assexuadas e contra os gametócitos do P. falciparum. Conclui-se que o conhecimento científico gerado neste trabalho poderá contribuir para a formulação de novos fármacos com ação antimalárica dupla e seletiva.
Perfil do recém-nascido submetido à correção cirúrgica primária de gastrosquise: manejo nutricional e prognóstico pós-operatório
A gastrosquise é uma malformação congênita que requer tratamento cirúrgico imediatamente após o nascimento e muitas complicações se relacionam à intervenção cirúrgica e à permanência hospitalar necessária. Os principais problemas associados a gastrosquise se devem, principalmente, a disfunção intestinal (íleo paralítico prolongado, obstrução, atresias, má rotação, aderências, ressecção, intestino curto) e ao tempo de internação hospitalar que favorece a ocorrência de episódios de septicemia e desnutrição. Neste estudo, foram identificados os neonatos portadores de gastrosquise submetidos à correção cirúrgica primária e investigadas suas características nutricionais em relação a morbimortalidade. Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo no período de janeiro de 1995 até dezembro de 2010, abrangendo 16 anos. Foram selecionados 49 pacientes submetidos à correção cirúrgica primária. Descreveu-se as variáveis de maneira epidemiológica apresentando-as em três grupos: variáveis maternas, variáveis relacionadas ao recém-nascido e variáveis nutricionais. Em seguida feita uma análise da associação entre essas variáveis com a mortalidade e o tempo de internação hospitalar do recém-nascido. A única característica associada estatisticamente a mortalidade foi a necessidade de segunda intervenção cirúrgica durante a internação, apresentando um aumento em 9,25 vezes das chances de óbito. Já as características maternas, incluindo variáveis do pré-natal, não foram associadas à mortalidade. Dentre as características do neonato que foram associadas à morbidade destaca-se, a classificação do neonato quanto ao peso por idade gestacional, uso de antibióticos, dias de vida necessários para iniciar a dieta enteral e para atingir a dieta plena; destaca-se que a classificação do neonato em pequeno para a idade gestacional aumentou em até 24,2% o tempo de internação hospitalar. Além disso, o tempo de internação foi aumentado em 2,1% se a introdução da dieta se deu mais tardiamente. Entretanto, atingir mais lentamente o aporte pleno de dieta agiu como fator protetor diminuindo em 3,6% o tempo de internação. O volume de resíduo drenado pela sonda gástrica antes do início da dieta não apresentou correlação significativa nem com a morbidade e nem com o momento do tempo de introdução da dieta.
2022-12-06T15:47:18Z
Flavia Miranda da Silva
Adesão à terapia antirretroviral em crianças e adolescentes infectados verticalmente pelo HIV: estudo prospectivo de longo prazo, COORTE UFMG, 2004-2014
Com os avanços terapêuticos, a infecção pelo vírus do HIV tornou-se uma doença crônica. Aos pacientes e a suas famílias, surgiram novas necessidades. Porém, o sucesso do tratamento depende de níveis superiores a 95% de adesão ao regime antirretroviral. Objetivo: Avaliar a adesão e seus determinantes em uma coorte de crianças e adolescentes infectados verticalmente pelo vírus do HIV em dois momentos distintos, 2004 e 2014. Metodologia: Foram utilizados três questionários: a) Escala hospitalar de ansiedade e depressão; b) Versão abreviada do instrumento de avaliação da qualidade de vida "WHOQOL-bref"; e c) Questionário de adesão, adaptado do grupo PENTA. A adesão foi avaliada com base no número de doses perdidas nos últimos três dias. A boa adesão foi definida como não ter perdido nenhuma dose de antirretroviral nos últimos três dias. Informações adicionais foram obtidas do banco de dados da coorte, do prontuário médico e do relatório de dispensação de antirretrovirais da farmácia. Análises estatísticas foram feitas no software SPSS, usando análises univariadas, seguidas de regressão logística multivariada. Resultados: Foram incluídos 64 pacientes: 50% do sexo masculino; com mediana de idade de 4 e 15 anos em 2004 e 2014, respectivamente. Os níveis de adesão mantiveram-se estáveis em ambos os momentos: 84,4% e 71,9%, respectivamente; (p = 0,152). Em 2004, a boa adesão esteve associada a escores altos de qualidade de vida (p = 0,010). Em 2014, na análise multivariada, morar com a família biológica, número de motivos para não dar a medicação menor ou igual a um e a mãe ser responsável por administrar os medicamentos foram preditores de boa adesão, enquanto apresentar sintomas de depressão esteve associado à má adesão. Dentre os motivos relatados para a não administração das doses perdidas, identificou-se associação com má adesão, em 2004 e 2014 nas seguintes situações: estava ocupada com outras coisas para fazer, (p = 0,051 e p = 0,021); e ter uma rotina diferente, (p = 0,021 e p = 0,015). Esquecimento foi o motivo mais citado pelos participantes para a não adesão em ambos os momentos, 2004 e 2014 (42,2% e 62,5%, respectivamente). Conclusão: Mesmo com os níveis de adesão mantendo-se estáveis em ambos os momentos, quando se analisa o número de esquemas prévios de utilização de medicação, os motivos que levaram à última troca do esquema antirretroviral e a progressão na classificação clínica do CDC, pode-se inferir que esses participantes falharam em algum momento, o que é esperado em uma doença crônica e complexa como a infecção pelo HIV, mas que deve ser evitado. Os relatórios de dispensação de antirretrovirais da farmácia são condizentes com os níveis de adesão mensurados pelo autorrelato. É necessário desenvolver estudos de adesão no médio e no longo prazo, considerando os efeitos tardios da terapia antirretroviral entre pacientes em acompanhamento nos serviço de referência.
2022-12-06T15:43:37Z
Laura Vieira de Lima Costa
Alterações neurocognitivas em pacientes com mielopatia associada ao HTLV-1/Paraparesia Espástica tropical: doença primária ou secundária a outros fatores associados?
A infecção pelo HTLV (Human T cell Lymphotropic virus) do tipo 1 não necessariamente gera um processo patológico em seus portadores. Diferentes fatores na interação vírus/hospedeiro determinarão se ocorrerá a doença e de que forma será, podendo comportar-se como manifestação hematológica ou inflamatória. Enquanto a mielopatia associada ao HTLV1 (HAM/TSP) é a manifestação neurológica mais frequente e já bem caracterizada na literatura, ainda são poucos os estudos que examinam a possibilidade de ocorrência de transtornos cognitivos na infecção pelo HTLV-I. Aparentemente, ocorrem lesões de substância branca que são similares àquelas encontradas em pacientes infectados pelo HIV, sugestivas de acometimento perivascular crônico. O achado anatomopatológico característico consiste na presença de infiltrado perivascular linfocitário no sistema nervoso central, sugestivo de vasculite. A patogênese da HAM/TSP ainda não está totalmente esclarecida. O entendimento atual é que os linfócitos T infectados migram para o sistema nervoso central, onde ocorre a interação com os linfócitos T CD8+, resultando na produção de citocinas como TNF- , IL-1, IL-2 e IL-6, com consequente destruição das células gliais, proliferação de fibroblastos e lipohialinose de pequenas artérias e veias. Entender melhor a repercussão da doença, já manifesta como mielopatia, sobre a cognição, assim como as alterações imunológicas e o acometimento do sistema nervoso central pode auxiliar a determinar os fatores prognósticos de desenvolvimento da lesão neurológica associada ao HTLV-I, além de fornecer subsídios para futuros tratamentos, que até o momento não estão estabelecidos. Em áreas endêmicas para o HTLV-1, o diagnóstico diferencial com outras causas de mielopatias pode ser difícil, particularmente se o paciente tem sinais e sintomas de acometimento encefálico, já que a sorologia positiva para o HTLV-I pode ser detectada em pacientes com outras doenças neurológicas. Nesta tese, relata-se o caso de uma paciente inicalmente diagnosticada com Esclerose Múltipla e que, na investigação posterior, foi encontrado soropositividade para este vírus. Foi realizado estudo transversal com 114 pacientes com HAM/TSP, que foram submetidos à uma detalhada avaliação neuropsicológica através de testes da função cognitiva (Mattis Dementia Rating Scale, Span de dígitos ordem direta e inversa, Teste de Trilhas A e B, Teste de Stroop, Fluência Verbal Semântica e Fonêmica, Teste de Aprendizado Auditivo de Rey). Foi investigada a associação entre o rebaixamento cognitivo e fatores clínicos epidemiológicos, imunológicos e virais, além dos achados da ressonância nuclear magnética de encéfalo. Os pacientes foram estratificados em três grupos de idade e três grupos de escolaridade e os testes neuropsicológicos foram padronizados por média igual a zero e desvio-padrão de 1 e 1,35 (z-scores). O rebaixamento cognitivo foi definido por escores menores que 1/1,35 desvio-padrão da média, para cada estrato de idade e escolaridade. O Qui Quadrado (X2) e o test t foram usados para análise univaridada da associação entre as variáveis. Todas as variáveis independentes com nível de significância de 0,80 (p<0,20) foram testadas para a regressão logística e o nível de significância foi considerado com p<0,05. Foi evidenciado que 15 pacientes (13,1%) apresentavam rebaixamento da cognição. Na análise univariada e multivariada, fatores inflamatórios - níveis elevados de IgA, IgG, Il-6 e TNF- - hábitos de vida tabagismo - , gravidade da doença uso de cadeira de rodas e presença de lesões de substância branca e atrofia cerebral foram associadas à baixa cognição. Os resultados apontam que o rebaixamento cognitivo em pacientes com HAM/TSP parece ter uma associação multifatorial com a inflamação persistente, gravidade da doença, hábitos de vida e um real acometimento cerebral. Também existe a possibilidade de que a incapacidade física seja um fator por si só relacionado ao rebaixamento da cognição nestes pacientes. As subpopulações de pacientes com HAM/TSP e essas características, devem receber atenção especial da equipe multidisciplinar de profissionais com o objetivo de investigação das funções cognitivas. Como conclusão, nós sugerimos que as lesões encefálicas em infecção pelo HTLV-1 podem ser secundárias à maior gravidade da doença associada à uma inflamação persistente, o que pode prejudicar a performance cognitiva ao longo do curso do desenvolvimento da doença manifesta como mielopatia.
2022-12-06T15:42:50Z
Ana Paula Silva Champs
Abordagem da violência na Atenção Primária à Saúde: correspondência entre as percepções e vivências de profissionais e usuários
A violência apresenta-se como um fenômeno complexo à sociedade contemporânea, possui caráter interdisciplinar e interfere na qualidade de vida da população em geral, sendo reconhecida como um problema de saúde pública. Este estudo tem por objetivo investigar a conotação da violência no campo da saúde, em específico, no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). Para seu alcance, apresenta-se o presente Projeto que consiste em um estudo qualiquantitativo com a proposta de analisar a correspondência entre as vivências e percepções relativas à violência dos usuários e profissionais da APS no município de Ribeirão das Neves. Na sequência, apresenta-se o Artigo de Revisão Integrativa da Literatura realizado sobre a temática da violência no âmbito da APS a partir de artigos indexados ao Portal Capes publicados nos anos de 2011 a 2013. A busca de estudos foi conduzida inicialmente por um examinador, utilizando-se as palavras-chaves: Violência, Atenção Primária à Saúde nos idiomas Português e Inglês. Após a seleção, o cumprimento de todos os passos de refinamento e a exclusão dos artigos duplicados, foi obtida uma listagem contendo 233 resumos que foi avaliada por três examinadores. Estes realizaram a escolha dos estudos segundo o tema proposto e emitiram, cada um, três listagens, num total de 77 artigos. Decidiu-se analisar os estudos que coincidiram entre os três examinadores ou pelo menos entre dois destes, ou seja, 36 artigos. Destes, 02 não foram disponibilizados em texto completo, 09 não contemplavam os temas violência e APS juntos e 01 foi publicado em 2010. Apresenta-se, portanto, o resultado com as conclusões obtidas a partir da análise de 24 artigos segundo a análise crítica dos estudos, categorização, avaliação e interpretação dos achados. Os resultados foram sistematizados em três categorias: Literatura; Potencialidades da APS para a abordagem da violência; Limites da APS frente à violência. Verificou-se que a APS tem grande potencial para o enfrentamento da violência, atendimento às suas vítimas, famílias e acionamento da rede de proteção nos diversos países. No entanto, muitos são os desafios nesse campo. Os estudos mostram a necessidade de aprimorar e potencializar as práticas profissionais com ênfase na capacitação dos profissionais visando a reorganização da assistência e a abordagem integral às pessoas em situação de violência. Posteriormente, apresenta-se o Artigo de Resultados que dá nome a este volume, desenvolvido a partir do projeto de pesquisa apresentado. Trata-se de um estudo transversal qualiquantitativo realizado pelo Núcleo de Promoção de Saúde e Paz do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Ribeirão das Neves/MG, em 2012, no qual foram realizadas entrevistas semiestruturadas utilizando questionários aplicáveis com usuários e autoaplicáveis com profissionais das Unidades Básicas de Saúde do município. A amostra final de usuários deste estudo foi calculada com erro de 3,71% (n=628) e foram recrutados todos os profissionais presentes em todas as unidades de saúde no momento da pesquisa (n= 300). Foi realizada análise descritiva sobre os dados quantitativos, distribuição de frequência simples e cruzada three way, análise univariada utilizando teste de diferença entre duas proporções e análise de correspondência entre as variáveis relativas aos usuários e profissionais sobre vivência e percepções sobre a violência. Para os dados de natureza qualitativa realizou-se a análise por categoria, comparando-se os aspectos coincidentes e os que se afastam, segundo a concepção dos usuários e dos profissionais acerca do papel do setor saúde na prevenção da violência. A articulação dos dados empíricos qualitativos e quantitativos com a literatura, segundo um processo circular, em que um ilumina e esclarece o outro, gerou as categorias de análise do estudo, a saber: a violência como problema de saúde; a integralidade da abordagem da violência e a participação como elemento essencial dessa abordagem. Observou-se que no município estudado a violência permeia o cotidiano de vida de usuários e profissionais, assim como, a dos serviços de saúde. De algum modo existem possibilidades de intervenção no campo da violência e tanto profissionais como usuários acreditam nessa proposta, seja no sentido de que é possível prevenir, seja na perspectiva de que a saúde deve intervir na prevenção da violência. No entanto, nota-se a necessidade de instituir de forma sistemática a abordagem da violência como parte das ações desenvolvidas no âmbito primário e nas agendas dos profissionais.
2022-12-06T15:44:23Z
Elisane Adriana Santos Rodrigues
Avaliação dos resultados imediatos do biofeedback no tratamento da incontinência anal e de seu impacto na qualidade de vida dos pacientes
O biofeedback vem sendo utilizado com sucesso no tratamento da incontinência anal (IA) secundária a uma variedade de distúrbios clínicos ou cirúrgicos, independente da idade do paciente (CASTRO, 2004). Tal recurso atua, sobretudo, na reeducação da musculatura esfincteriana, contribuindo decisivamente para a melhora da incontinência. (BARACHO, 2002; GROOSE, 2002). Existem poucos estudos que apresentam os resultados da aplicação do biofeedback em portadores de incontinência anal através da avaliação do impacto na qualidade de vida, utilizando-se de questionários validados (YUSUF, 2004). Além disso, a avaliação da qualidade de vida para a IA deve ser mais valorizada do que a própria análise quantitativa de tal sintoma, obtida através da utilização de escores de incontinência (BYRNE, 2002). Assim, foram analisados e comparados os resultados do biofeedback, aplicado em cerca de 90 pacientes com incontinência anal, através de seu impacto na qualidade de vida dos mesmos (FIQL) e do escore de severidade da incontinência fecal (FISI), pré e pós-série de tratamento. Tais análises foram obtidas por investigação dos respectivos prontuários dos indivíduos, disponibilizados pelo Instituto Mineiro Especializado em Gastroenterologia (IMEG) - Instituição privada de investigação e terapêutica clínica do aparelho digestivo; local de trabalho do referido pesquisador. Os dados referentes aos questionários FIQL e FISI obtidos antes e após as sessões de biofeedback foram lançados em um questionário padrão, para composição do banco de dados e posteriormente feitura da análise e da discussão. Todos os domínios presentes no FIQL apresentaram significativa mudança após a reeducação com o biofeedback, bem como redução da severidade do sintoma da IA, também notada na quase absoluta amostra da população. O biofeedback, assim, mostrou-se como uma alternativa terapêutica válida no tratamento da incontinência fecal, minimizando ou mesmo eliminando os sintomas que tanto acometem a qualidade de vida do incontinente. Após a realização deste estudo, pode-se inferir que o treinamento por biofeedback foi fundamental no tratamento de tal enfermidade nos indivíduos que a apresentavam.
Jornada de trabalho prolongada no setor saúde do município de Belo Horizonte
Trabalhadores da saúde são protagonistas do desenvolvimento e da melhoria do sistema de saúde, pois cuidam dos indivíduos e de suas comunidades, contribuindo para melhorar a qualidade de vida e saúde da população. Assim, ocupam posição-chave na sociedade. Nos últimos anos, os trabalhadores da saúde vêm lutando pela redução da sua jornada de trabalho. Esse grupo ocupacional é exposto a jornadas prolongadas, devido à necessidade de funcionamento ininterrupto durante 24 horas por dia, todos os dias da semana, das instituições de saúde. As jornadas de trabalho prolongadas são um importante fator de risco para problemas agudos e crônicos de saúde. Os objetivos deste estudo foram: 1) Analisar a ocorrência de jornada de trabalho prolongada semanal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA-BH); 2) Identificar a proporção de trabalhadores exposta à jornada de trabalho prolongada semanal de acordo com o autorrelato; 3) Identificar as características individuais e do emprego associadas com a jornada de trabalho prolongada. Estudo transversal foi conduzido com trabalhadores da SMSA-BH em 2009. A seleção dos participantes seguiu a amostragem aleatória estratificada e proporcional baseada em: área geográfica, nível de complexidade da assistência (centros de saúde, ambulatório de especialidades, unidades de urgência ou na gerência distrital) e ocupação. Para a coleta de informações utilizouse um questionário autopreenchível que abordou questões sobre as condições de saúde e trabalho dos trabalhadores da saúde. O tamanho da amostra proporcional foi de 1.549 sujeitos do total de 13.602 trabalhadores. A ocorrência foi avaliada de acordo com autorrelato de jornada de trabalho prolongada. A magnitude das associações foi estimada através da regressão de Poisson, em modelos univariados e multivariados. A ocorrência de jornada de trabalho prolongada foi de 31,4%. Encontrou-se associação positiva com sexo masculino (RP 1,34, IC95% 1,16-1,56), trabalhadores com filhos (RP 1,32, IC 95% 1,12-1,54), ocupações que proveem os serviços de saúde, ou seja, entre aqueles que estão diretamente em relação com os usuários do SUS (RP 1,50, IC95% 1,25-1,79). Associação negativa foi observada com nível de escolaridade médio, técnico, superior incompleto (RP 0,73, IC95% 0,62-0,86) e fundamental (RP 0,47, IC 95% 0,31-0,70). Mais de 30% dos respondentes informaram trabalhar mais de 44 horas semanais. Mais de 40% dos trabalhadores brasileiros laboram mais do que a jornada legal de 44 horas semanais. No mundo, cerca de um a cada cinco trabalhadores está exposto a jornadas superiores a 48 horas por semana. Observou-se maior ocorrência de jornada de trabalho prolongada no grupo masculino quando comparada ao grupo feminino, sendo tal resultado convergente. O fato de ter filhos também influencia a duração da jornada, sendo esse efeito diferenciado de acordo com o sexo: para os homens, aumenta a duração da jornada de trabalho remunerada; para as mulheres, o efeito é a diminuição da jornada remunerada. Jornadas mais curtas predominaram no grupo de indivíduos com menor escolaridade, sendo este resultado estatisticamente significativo. É plausível supor que a natureza das tarefas dos mais escolarizados no setor saúde explique tal resultado, porque nesse grupo concentram os trabalhadores (provedores da saúde) que exercem assistência direta aos usuários. A associação entre o subgrupo provedores da saúde e jornada de trabalho prolongada não foi surpreendente. Além da natureza das tarefas que leva a uma organização temporal típica, para esse subgrupo, é possível o multiemprego. Os resultados confirmam a importância das variáveis individuais na explicação das jornadas de trabalho prolongadas e suscitam abordagens sobre a natureza das tarefas de acordo com a ocupação.
Diagnóstico, prognóstico e tratamento dos carcinomas de glândulas mamárias de cadelas atendidas no hospital veterinário da UFMG: estudo retrospectivo
Neoplasias mamárias caninas são as lesões mais frequentes em cadelas. Recentemente, o Consensus for the Diagnosis, Prognosis and Treatment of Canine Mammary Tumors estabeleceu critérios que possibilitaram orientar o diagnóstico, prognóstico e o tratamento de neoplasias mamárias em cadelas. Visando avaliar a adoção desses critérios, o presente estudo tem por objetivo apresentar levantamento de dados epidemiológicos, clínicos e patológicos de cadelas com carcinomas mamários. Foram avaliados 1238 prontuários, sendo 84% referentes as neoplasias malignas, as quais foram agrupadas em carcinomas em tumores mistos (CTM), carcinomas papilares invasores, carcinomas sólidos, carcinomas micropapilares, carcinossarcomas e carcinomas tubulares. Através da formação destes grupos foi possível correlacionar os fatores prognósticos como tamanho do tumor, estadiamento clínico e tipo histológico com complementação terapêutica e a sobrevida global. O tamanho tumoral foi associado com menor sobrevida global quando apresentando diâmetro 3,0cm (p<0.0001). O estadiamento clínico apresentou forte impacto na sobrevida global, uma vez que cadelas com carcinomas mamários em estadio avançado (T123N01M01) apresentaram menor tempo de sobrevida (mediana de 268 dias em estadio IV e de 261 em estadio V) em relação àquelas em estadio inicial, as quais não atingiram a mediana (p<0.0001). Em relação aos tipos histológicos, os CTM e carcinomas papilares invasores não atingiram a mediana quando comparados com os demais tipos histológicos (p<0,0001). Em relação à complementação terapêutica com quimioterapia, exceto para cadelas com carcinoma sólido e micropapilar, os demais tipos histológicos apresentaram tendência a maior sobrevida. Cadelas diagnosticadas com CTM em estadiamento clínico inicial apresentaram maior sobrevida em relação ao estadio avançado. O CTM mostrou ser uma neoplasia de comportamento biológico menos agressivo, sendo que o estadiamento clínico apresentou grande importância na determinação do seu comportamento biológico e na determinação da complementação terapêutica. Diante desses achados podemos concluir que além do tipo histológico, o estadiamento clínico é um importante fator prognóstico para cadelas com carcinomas mamários. Estudos complementares, com maior número de casos, são necessários para avaliar os benefícios da quimioterapia adjuvante.
2022-12-06T15:43:52Z
Fernanda Camargo Nunes
Curso de vida e função cognitiva na vida adulta: estudo longitudinal de saúde do adulto (ELSA-BRASIL), 2008-2010
Introdução: Evidências indicam que o declínio cognitivo com o envelhecimento é resultado de um processo patológico que se inicia por volta dos 45 anos de idade. Com o crescente envelhecimento populacional brasileiro, as doenças neurodegenerativas tem se tornado cada vez mais um problema de saúde pública por estarem relacionadas a maior dependência e mortalidade nessa população. O estudo de marcadores de risco que afetam o desempenho cognitivo ao longo do curso de vida é de grande importância para subsidiar ações e políticas públicas que prolonguem o início do declínio cognitivo e promovam o envelhecimento saudável. Neste campo, destacam-se os estudos de marcadores socioeconômicos, nutricionais e de saúde cardiovascular, incluindo modos de vida e alimentação. Objetivos: A presente tese tem cinco objetivos, a saber: 1)Estimar o efeito independente da baixa escolaridade materna, baixo peso ao nascer e menores comprimentos da perna e do tronco no pior desempenho dos testes de função cognitiva em adultos; 2)Analisar o efeito acumulado da baixa escolaridade materna e dos marcadores nutricionais de desnutrição pregressa no pior desempenho nos testes de função cognitiva em adultos; 3)Explorar o efeito independente da baixa escolaridade materna, menor comprimento de tronco e alto risco para doenças cardiovasculares em 10 anos por meio do Framingham Risk Score no pior desempenho cognitivo global em adultos; 4)Verificar se efeito acumulado de piores condições socioeconômicas e nutricionais no decorrer da vida, bem como do alto risco para doenças cardiovasculares em 10 anos por meio do Framingham Risk Score estão associados ao pior desempenho cognitivo global e em diferentes domínios da função cognitiva em adultos; 5) Analisar a relação do consumo de café nos últimos 12 meses com o desempenho cognitivo global e em diferentes domínios da função cognitiva em adultos e idosos; e 6) Estimar a quantidade de consumo de café por dia que estaria relacionado ao melhor desempenho cognitivo global e em diferentes domínios da função cognitiva em adultos e idosos. Metodologia: A amostra deste estudo é proveniente da linha de base do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, composta por 15.105 adultos e idosos, servidores públicos em universidades federais e centros de pesquisa, localizados em seis estados brasileiros: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Sul. Três artigos foram desenvolvidos, no primeiro artigo, as variáveis resposta foram o desempenho em três diferentes testes de função cognitiva categorizados em uma variável binária que comparou o pior decil com os demais decis. Em uma população de adultos (35-64 anos), por meio de regressão logística múltipla estimou a chance de estar no pior decil de desempenho cognitivo ao ser exposto aos seguintes marcadores de condições socioeconômicas e nutricionais de curso de vida: baixa escolaridade materna, baixo peso ao nascer e menores comprimentos de perna e tronco. No segundo artigo, por meio de regressão linear múltipla, foi investigado se a exposição a condições socioeconômicas (baixa escolaridade materna) e nutricionais (menores comprimentos de tronco) desfavoráveis no decorrer da vida e a alto risco para doenças cardiovasculares, estimado por meio do Score de Framingham para o risco de doenças cardiovasculares em 10 anos, estariam associados ao pior desempenho cognitivo global e em três diferentes testes de função cognitiva na vida adulta (35-64 anos). O terceiro artigo estimou por meio de regressão linear múltipla e modelo linear generalizado se o café em categorias de consumo nos últimos 12 meses estaria relacionado ao melhor desempenho cognitivo global e em diferentes domínios cognitivos em adultos e idosos (35-74 anos). Resultados: No primeiro artigo, após mutuo ajuste pelas variáveis de exposição de interesse, observamos que a baixa escolaridade materna esteve associada com um gradiente de dose-resposta a maior chance de pior desempenho em todos os testes de função cognitiva. O baixo peso ao nascer esteve associado a maior chance de pior desempenho no teste de trilha B, já o comprimento do tronco com o teste de fluência verbal semântica e fonêmica, e de trilha B. O comprimento da perna não esteve associado a nenhum teste de função cognitiva. As associações observadas não foram modificadas pela escolaridade atual do participante. No artigo dois, a baixa escolaridade materna, menor comprimento de tronco e alto risco para doenças cardiovasculares estimado por meio do Score de Framingham, estiveram associados ao pior desempenho cognitivo global e nos testes de aprendizado, retenção e reconhecimento de palavras, no teste de fluência verbal semântica e fonêmica e no teste de trilha B em adultos. No artigo três após ajuste pelas condições socioeconômicas, demográficas e de saúde atual, o consumo de maior número de xícaras de café por dia nos últimos 12 meses anteriores a realização dos testes cognitivos esteve associado ao melhor desempenho nos testes de aprendizado, retenção e reconhecimento de palavras, e pior desempenho no teste de trilha B em adultos e idosos. Conclusões: O presente estudo encontrou que a exposição a condições socioeconômicas e nutricionais desfavoráveis no início da vida, representada pela baixa escolaridade materna, baixo peso ao nascer e menor comprimento de tronco, foram associados de forma independente com um pior desempenho nos testes de memória semântica, aprendizado, atenção, controle executivo e linguagem em uma coorte de adultos brasileiros. Nossos resultados sugerem que a escolaridade atual atenua, mas não remove completamente a associação entre piores condições socioeconômicas e nutricionais durante a infância e adolescência e o pior desempenho cognitivo, especialmente no controle executivo. Os resultados encontrados neste estudo são consistentes aos publicados na literatura demonstrando a importância das condições socioeconômicas e nutricionais no início da vida, bem como do risco de doenças cardiovasculares no desempenho cognitivo em adultos. Uma compreensão extensiva dos determinantes sociais e de saúde na cognição requer atenção as exposições desfavoráveis a saúde no decorrer da vida, com especial foco em certos períodos (como na infância, adolescência e início da vida adula) e ao seu efeito acumulado. O consumo de até 4 xícaras de café por dia esteve associado a um melhor desempenho cognitivo relacionado a memória e preveniria o pior desempenho na função executiva em adultos e idosos, mesmo após ajuste pelas variáveis de confusão que poderiam estar associados a um mecanismo de causalidade reversa. Intervenções sociais, nutricionais e materiais em todo o ciclo de vida, e especialmente durante o início da vida, podem impactar substancialmente no envelhecimento saudável.
2022-12-06T15:41:19Z
Larissa Fortunato Araujo
Estudo histopatológico e imuno-histoquímico da mucosa gástrica de gerbils (Meriones unguiculatus) infectados por linhagens de Helicobacter pylori com diferentes ilhas de patogenicidade
intestinal e a displasia, sendo mais frequentes no grupo CagA3Ep. Os resultados mostraram que linhagens de H. pylori contendo maior número de sítios de fosforilação EPIYA-C são significativamente mais patogênicas do que as linhagens com apenas um sítio de fosforilação EPIYA-C, levando ao surgimento de gastrite crônica mais grave e ao desenvolvimento mais frequente de lesões pré-cancerosas.O Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria que infecta cronicamente a mucosa gástrica de mais da metade da população mundial e que está relacionada ao desenvolvimento de gastrite crônica, úlceras duodenal e gástrica, adenocarcinoma gástrico e linfoma de células B da zona marginal do tecido linfóide associado a mucosa (linfoma MALT). Há estudos em humanos demonstrando que a infecção por linhagens de H. pylori contendo mais de um sítio de fosforilação de CagA, está relacionada ao desenvolvimento de lesões gástricas mais graves. Diante da inexistência de estudos experimentais sobre o tema, foi objetivo deste trabalho, avaliar os efeitos da infecção com linhagens de H. pylori contendo diferentes números de sítios de fosforilação de CagA sobre a mucosa gástrica de gerbils, em relação às alterações macroscópicas e microscópicas, o número de células G e D e, a expressão das mucinas MUC1 e MUC5AC, em períodos distintos do processo infeccioso. Quarenta e oito gerbils fêmeas com três meses de idade foram divididos em três grupos experimentais: um grupo controle consistindo de animais não infectados, animais tratados com linhagem de H. pylori CagA-positiva contendo um segmento EPIYA-C (CagA1Ep), e animais inoculados com linhagem de H. pylori com três segmentos EPIYA-C (CagA3Ep). Cada grupo foi constituído de 16 animais; oito animais de cada grupo foram eutanasiados 45 dias após a infecção, e os oito animais restantes foram eutanasiados seis meses após a infecção. Aos quarenta e cinco dias após a infecção, houve um aumento progressivo e significativo no número de células inflamatórias e na área de lâmina própria dos grupos CagA1Ep e CagA3Ep em relação ao grupo controle, sendo esse aumento mais expressivo no grupo CagA3Ep. Neste período da infecção foi observada uma diminuição no número de células D no grupo CagA3EP. Também aos 45 dias foi verificada uma diminuição na área total das mucinas MUC1 e MUC5AC nos grupos CagA1Ep e CagA3Ep em relação ao grupo controle, sendo mais intensa no grupo CagA3Ep. Aos seis meses após a infecção, todas as alterações mencionadas aos 45 dias, foram bem mais intensas, ocorrendo um aumento progressivo e significativo do infiltrado inflamatório, assim como também na área de lâmina própria nos grupos de animais infectados, principalmente no grupo CagA3Ep. Neste mesmo grupo houve aumento do número de células G e redução do número de células D. Nos grupos de animais infectados foi observada uma diminuição significativa e progressiva na expressão das mucinas MUC1 e MUC5AC, sendo mais proeminente no grupo CagA3Ep. Aos seis meses de infecção também foram observadas atrofia, metaplasia
2022-12-06T15:46:46Z
Moarcir Ferreira Junior
Estudo clínico-patológico, imuno-histoquímico e molecular (amplificação do gene MYC) em angiossarcomas e lesões vasculares atípicas da mama
Introdução: Angiossarcomas (AS) primários (ASP) e secundários (ASS) da mama são raros, agressivos, com alta morbi-mortalidade. Lesões vasculares atípicas (LVA) são proliferações vasculares que se desenvolvem no sítio prévio de irradiação, em geral, com evolução benigna. AS de baixo grau e LVA compartilham semelhanças morfológicas, porém sem critérios específicos para distinção inequívoca entre estas lesões. A amplificação e expressão do MYC têm sido indicadas como uma ferramenta diagnóstica na distinção das lesões vasculares da mama induzidas por radiação. Objetivos: Os objetivos do presente estudo foram avaliar as características clinicopatológicas, imuno-histoquímicas e evolutivas de uma série de casos de LVA da mama; investigar a amplificação e superexpressão do MYC em uma série de LVA e AS da mama; verificar o papel diagnóstico e se o MYC está envolvido na patogênese e prognóstico de LVA e AS. Material e método: Foram identificados 30 casos de LVA e 49 de AS da mama diagnosticados entre 1999 a 2014. Fez-se estudo imuno-histoquímico (IHQ) para CD31, D2-40, CD105 e Ki-67 em todos os casos de LVA. As LVA foram classificadas em tipo-linfático, LVA-TL (D2-40 positivo), ou tipo vascular, LVA-TV (D2-40 negativo). Analisamos a amplificação do gene MYC e sua expressão proteica pelas técnicas de hibridização in situ por fluorescência (FISH) e IHQ, respectivamente, em LVA, ASP e ASS da mama. Dados sobre a evolução clínica das pacientes foram coletados e realizadas análises de sobrevida, correlacionando-as com a amplificação do MYC. Resultados: Vinte e dois casos de LVA foram classificados com LVA-TL, seis casos como LVA-TV, e o D2-40 não foi testado em 2 casos. Três casos com margens cirúrgicas positivas para LVA evoluíram desfavoravelmente: um caso apresentou recidiva local de LVA 32 meses após o diagnóstico inicial, e outras duas pacientes, uma como LVA-TL e a outra como LVA-TV, progrediram para AS de alto-grau, 19 e 89 meses depois, respectivamente. Quarenta e nove pacientes tiveram o diagnóstico de AS da mama. Trinta e sete pacientes tinham ASS e 12 pacientes tinham ASP. Vinte de 37 casos de ASS (54%) mostraram amplificação do MYC. Não foi observada amplificação do MYC em nenhum caso de LVA ou de ASP. A concordância entre os resultados do FISH e IHQ das LVA, ASP e ASS foi de 100%. Análises de sobrevida mostraram que ASS com MYC amplificado apresentaram pior sobrevida global quando comparados com casos sem amplificação (P=0,035). Foi identificada tendência não-significativa a pior sobrevida livre de doença nos casos de ASS com amplificação do MYC em relação aos casos sem amplificação (P=0,155). Conclusões: Não identificamos nenhum marcador imuno-histoquímico específico para a distinção entre LVA e AS de baixo-grau. O subtipo de LVA, baseado na expressão do D2-40, não teve papel discriminador na evolução das LVA, pois observamos o mesmo risco de progressão para AS nos dois tipos de LVA. Margens comprometidas associaram-se a evolução clínica desfavorável. Recomendamos excisão completa das LVA e seguimento clínico periódico, até que a história natural destas lesões seja esclarecida. A amplificação do MYC é um marcador de alta especificidade e baixa sensibilidade para ASS e está associada a prognóstico desfavorável em ASS. As alterações genéticas e moleculares envolvidas na patogênese dos AS e LVA permanecem obscuras; novos estudos são necessários para melhor conhecimento da patogênese e evolução destas lesões.
2022-12-06T15:44:39Z
Conceição Maria Fraga Guedes
Fatores associados ao abuso e dependência de álcool em trabalhadores do transporte coletivo urbano da região metropolitana de Belo Horizonte
O uso de álcool é considerado um importante problema de saúde pública, com consequências para o indivíduo e para a sociedade como um todo, inclusive no ambiente de trabalho. Fatores ocupacionais podem estar relacionados ao consumo de álcool. O objetivo deste estudo foi identificar fatores associados ao abuso e dependência de álcool em trabalhadores do transporte coletivo urbano. Neste estudo transversal, uma amostra proporcional de 1.607 motoristas e cobradores de três cidades da região metropolitana de Belo Horizonte foi analisada (n = 17.740). Foram excluídos 46 dos 1.607 participantes, por ausência de informação relativa ao abuso e dependência de álcool, permanecendo 1.561 trabalhadores na análise. Entrevistas face a face utilizaram um questionário digital que investigou condições de trabalho e saúde. Considerou-se abuso e dependência a resposta afirmativa a pelo menos duas questões do questionário CAGE. Foi realizada a descrição da população do estudo e estimada a prevalência de abuso e dependência de álcool. Associações com as variáveis explicativas foram investigadas por meio do teste de qui-quadrado de Pearson. A força de associação entre a variável resposta e as variáveis explicativas foi estimada por meio do Odds Ratio com intervalo de confiança de 95%. Análise multivariada para identificar associações independentes entre abuso e dependência de álcool e variáveis explicativas foi realizada por regressão logística. A prevalência de abuso e dependência de álcool foi de 13,5%. Associações positivas foram identificadas: menor escolaridade (ensino médio incompleto: OR 1,77 IC 95% 1,14-2,74 e ensino fundamental: OR 1,57 IC 95% 1,10-2,26), tabagismo atual (OR 2,12 IC 95% 1,47-3,07), não participar de atividades sociais (OR 1,74 IC 95% 1,21-2,48), diagnóstico médico de três ou mais doenças (OR 1,57 IC 95% 1,01-2,42), agressão no trabalho (OR 1,39 IC 95% 1,01-1,93) e sofrimento pelo trabalho (OR 1,85 IC 95% 1,27-2,71). Os trabalhadores que não tinham filhos apresentaram menor chance de abuso e dependência de álcool do que os que tinham (OR 0,67 IC 95% 0,45-0,99). Seria desejável incluir medidas para prevenção e tratamento do abuso e dependência de álcool tanto no arcabouço das políticas setoriais quanto nos programas das empresas de ônibus visando à promoção da saúde dos rodoviários.
Impacto econômico e assistencial das complicações relacionadas à internação hospitalar
Trata-se de um estudo do tipo caso-controle para determinar o impacto econômico e assistencial das condições adquiridas hospitalares. O impacto econômico foi avaliado através do tempo de permanência hospitalar e o impacto assistencial através da mortalidade. Os pacientes foram pareados por instituição hospitalar de atendimento, categoria de DRG utilizando o sistema DRG Brasil, idade, sexo e peso ao nascimento se recém-nascido. A coleta das condições adquiridas foi dupla, uma retrospectiva e outra prospectiva, realizada pelos codificadores do DRG e pelos serviços de segurança assistencial e controle de infecções hospitalares. A coleta das demais variáveis foi retrospectiva e única, ocorrendo em 3 hospitais que somam 510 leitos e atendem a saúde suplementar. São hospitais de alta complexidade, certificados ISO 9001 sendo dois acreditados ONA nível 3. O estudo se deu nos anos de 2102 a 2014. As informações foram coletadas por leitura de prontuários por uma equipe supervisionada que avaliava a consistência dos resultados e corrigia as inconsistências. Foram incluídos 57.215 pacientes sendo 2.281 casos com condições adquiridas e em 1.887 foi possível parear com controles. O impacto econômico das complicações foi mensurado pelas variações de permanência. Foram utilizados os testes qui-quadrado de McNemar e T de Student, sendo que os resultados foram considerados significativos para uma probabilidade de significância inferior a 5% (p < 0,05). As condições adquiridas ocorreram em 4% dos admitidos sendo o tempo de permanência médio dos pacientes sem condições adquiridas ou controles de 9,1 ± 14,0 dias enquanto o paciente com condições adquiridas ou casos, realizou tempo médio de permanência de 18,8 ± 25,6 dias. Consideramos o tempo médio decorrido entre a admissão hospitalar e a ocorrência da condição adquirida no grupo caso (7,6 ± 21,3) e o tempo médio de permanência hospitalar do grupo controle (9,1 ± 14,0) (p=0,008), excluindo óbitos. As complicações relacionadas à internação ocorrem em média no momento da alta determinando o prolongamento da internação e sugerindo a relação de causa e efeito entre as condições adquiridas e o prolongamento da internação. As complicações consumiram 10,3% de todo o recurso assistencial da população estudada levando em conta apenas o uso dos leitos. Generalizando para os custos da saúde suplementar determinam um desperdício da ordem de R$ 3,296 bilhões tendo como base o ano de 2012. Encontramos também uma diferença estatisticamente significativa em relação à evolução para óbito. Pacientes com condições adquiridas ou casos evoluíram para óbito em 23,7% e pacientes sem condições adquiridas ou controles em 7,1% (p < 0,05). A mortalidade foi 333% maior nos casos e ocorreram 166 óbitos a mais para cada 1000 pacientes com condições adquiridas. O estudo é o primeiro no Brasil a avaliar a ocorrência de condições adquiridas através do registro de casos na metodologia Diagnosis Related Groups - DRG.
Análise clínico-epidemiológica de casos de ofidismo atendidos em um hospital público estadual de Minas Gerais de 2003 a 2012
Trata-se de estudo descritivo, retrospectivo com o objetivo de analisar casos de ofidismo atendidos no Hospital João XXIII da Fundação Hospitalar de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais no período de 2003 a 2012. Foram analisados os aspectos relacionados às vítimas, ao acidente ofídico, às manifestações clínicas, ao uso dos critérios de classificação e gravidade adotados pelo Ministério da Saúde do Brasil e da classificação de risco utilizando o Protocolo de Manchester, ao uso do soro antiofídico e à evolução dos casos. Foram analisados 834 casos atendidos em 10 anos no HJXXIII. Aproximadamente metade dos acidentes foi causada por serpentes não peçonhentas. Cerca de 75% dos pacientes eram masculinos e 51% com idade entre 20 e 49 anos. Aproximadamente 51% dos acidentes aconteceram no verão e durante o dia, havendo uma concentração maior no fim das tardes e início das noites. Os acidentes com animais não peçonhentos foram mais frequentes na capital do Estado e os peçonhentos, nas cidades do interior de Minas Gerais. As cascavéis foram responsáveis por 52% dos acidentes causados por serpentes peçonhentas. Em 80% dos casos, a região anatômica mais atingida situava-se abaixo do joelho. Não foi observada associação da gravidade do acidente com a região do corpo picada. Em menos de 6% dos pacientes foi feito algum tratamento caseiro antes da admissão no hospital. O quadro clínico provocado pelos três gêneros estudados foi consonante com a literatura. As manifestações neurotóxicas foram mais frequentes nos acidentes crotálicos e elapídicos; as hemorrágicas, nos botrópicos e a rabdomiólise, no crotálico. À admissão no pronto-socorro, os acidentes foram classificados como moderados em 54%, graves em 26% e leves em 20%. Houve necessidade de complementação de soro antiofídico devido à subestimação inicial da gravidade em 65 casos (16,6%). Aproximadamente 15% dos acidentes crotálicos e 22% dos botrópicos chegaram ao HJXXIII com mais de sete horas de evolução do acidente. A mediana de permanência de vítimas de picadas por serpentes não peçonhentas no pronto-socorro foi de 4,8 horas enquanto que naqueles picados por peçonhentas a mediana do tempo de internação foi de 2,9 dias. Apenas 7% das vítimas de acidentes provocados por serpentes peçonhentas necessitaram de internação em leito de terapia intensiva. Dos pacientes que receberam soro antiofídico, 4,4% receberam medicamentos para prevenir reação de hipersensibilidade. Destes, 25% apresentaram reação alérgica. Já no grupo que não recebeu medicação pré-soroterapia, a incidência foi de 42,7%. No entanto, não há diferença com significância estatística entre esses resultados. A maioria das reações de hipersensibilidade foi classificada como leve ou moderada, predominando manifestações cutâneas. A idade do paciente não foi relacionada à maior incidência de reações de hipersensibilidade imediatas. Alguns fatores guardaram relação com maior gravidade dos acidentes ofídicos: idade abaixo de 10 ou acima de 60 anos e tempo de chegada ao hospital superior a cinco horas. A taxa de mortalidade foi de 0,48%, de incapacidade permanente de 0,1% e de incapacidade temporária de 2,4%.
2022-12-06T15:47:18Z
Adebal de Andrade Filho
Avaliação do remodelamento do átrio esquerdo após valvuloplastia mitral percutânea em pacientes com estenose mitral reumática através do ecocardiograma tridimensional
Introdução: a febre reumática (FR) ainda é a principal causa de doença valvar cardíaca no Brasil e é responsável por significativa morbidade e mortalidade A estenose mitral reumática (EM) resulta em importante sobrecarga pressórica do átrio esquerdo (AE). O remodelamento atrial secundário gera disfunção do AE, estase sanguínea, alta incidência de fibrilação atrial (FA), formação de trombos e embolia sistêmica. O objetivo deste estudo é avaliar a função do AE por ecocardiografia tridimensional (ECO3D) em pacientes com ou sem FA pré e após a valvuloplastia mitral percutânea por balão (VMP). Métodos: o total de 84 pacientes com EM referidos para VMP foram incluídos, entre março/2010 e julho/2014. A pesquisa foi desenvolvida no Hospital das Clínicas da UFMG, sendo os ecocardiogramas realizados no setor de ecocardiograma do hospital. Volumes e função do AE foram medidos por ECO3D pré, 48 horas após a VMP e com um ano de seguimento. Resultados: a diminuição do volume máximo atrial esquerdo foi de média (DP) 55,5 ± 23,1 mL/m², para 53,5±29,7 mL/m² depois de 48 horas após o procedimento (p=0,147), para 50,5±24,6 mL/m² em um ano de acompanhamento (p=0,011). A fração de esvaziamento aumentou de 20,4 ± 10,1%, para 28,7 ± 11,4% após 48 horas de procedimento (p <0,001), para 32,6 ± 13,3% em 1 ano de seguimento (p=0,003). Em pacientes com FA a fração esvaziamento do AE foi de 13,8±7,5% no início do estudo, 21±9,3% de 48 horas do procedimento (p=0,039) e 20,8±8,7% no seguimento (p=0,946). Idade, FA no início do estudo e o gradiente médio mitral após o procedimento foram identificados como os preditores mais significativos da função do AE em um ano de seguimento. Conclusões: o AE apresenta um remodelamento reverso após VMP. Esse remodelamento é maior imediatamente após o procedimento, mas continua a ocorrer nos próximos meses. Em pacientes com FA esse remodelamento também ocorre, embora em menor extensão, e a melhoria ao longo dos meses após o procedimento não é significativa.
2022-12-06T15:40:31Z
Juliana Rodrigues Soares
Apoptose e expressão de proteína BCL-2 nos implantes de endométrio ectópico de pacientes portadoras de endometriose
OBJETIVO: No presente estudo foram avaliadas a apoptose e a expressão do oncongene Bcl-2 nos implantes de endométrio ectópico de pacientes portadoras de endometriose e no endométrio eutópico de pacientes não portadoras dessa doença. PACIENTES E MÉTODOS: Entre março de 2007 e janeiro de 2008, foram selecionadas 16 pacientes para inclusão no estudo as quais foram divididas em dois grupos: (a) grupo a constando de 8 com endometriose pélvica (b) grupo b controle - 8 pacientes sem endometriose. A coleta do material para análise foi feita durante cirurgias realizadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Fragmentos de útero eutópico e de implantes ectópicos foram fixados em formol tamponado a 10% e processados para inclusão em parafina. Cortes de 4m foram corados em Hematoxilina-eosina e submetidos à morfometria para cálculo do índice apoptótico. Alguns fragmentos foram submetidos à reação de TUNEL para a marcação in situ da apoptose e à imunoistoquímica para avaliar a expressão da proteína Bcl-2. RESULTADOS: Observou-se que o índice apoptótico foi significativamente menor no endométrio ectópico das pacientes com endometriose, quando comparado ao endométrio tópico das mulheres sadias independente da fase do ciclo menstrual. A expressão de bcl-2 foi maior no endométrio ectópico das pacientes com endometriose. CONCLUSÃO: Os presentes resultados sugerem que os implantes ectópicos apresentam deficiência do processo de morte celular via apoptose. Conseqüentemente, essas células apresentam maior sobrevida e mais chance de colonizar e se desenvolver em sítios ectópicos. Esse fator parece ser fundamental na patogenia da endometriose.
Ativação celular em pessoas saudáveis e pacientes infectados pelo HIV
Objetivos: Avaliar e descrever a ativação de linfócitos TCD4+ e TCD8+ em pessoas com e sem infecção pelo HIV, com idade entre 18 e 55 anos e procurar associação entre os níveis de ativação celular com a situação clínica e imunológica do voluntário e com a resposta ou não ao tratamento antirretroviral. Métodos: Trata-se de uma série de casos, avaliada de forma transversal. Foram incluídos pacientes acompanhados no Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias Orestes Diniz (CTR - DIP Orestes Diniz) e pessoas sem infecção pelo HIV que trabalhavam no ambulatório ou no laboratório. A ativação celular foi estimada com base na frequência dos marcadores CD38 e/ou HLA-DR em linfócitos TCD4+ e TCD8+ através de imunofenotipagem e os demais dados laboratoriais, de história pregressa ou sobre o tratamento atual foram coletados no prontuário do paciente e nos exames mais recentes trazidos para a consulta. Resultados: Foram incluídos 69 participantes, sendo 20 indivíduos soronegativos para o HIV e 49 com a infecção. Houve maior ativação de linfócitos TCD4+ e TCD8+ nos portadores de infecção pelo HIV, quando comparados com as pessoas sem essa infecção. O grupo que apresentava replicação viral ativa apresentou maior frequência dos marcadores estudados (CD38 e HLA-DR) do que aqueles com carga viral baixa ou indetectável (uso de TARV com sucesso ou não-progressores). Não houve diferença significativa nas comparações entre os grupos não-progressor e em uso de TARV com sucesso virológico. Conclusão: O estudo mostrou que a ativação celular nas pessoas portadoras de infecção pelo HIV é maior do que nas pessoas sem esta infecção, em uma população de brasileiros adultos sem outras infecções conhecidas. Entre os portadores do HIV, os grupos com carga viral elevada apresentaram maior ativação de linfócitos T e o grupo com menor ativação foi o grupo em uso de antirretrovirais com controle virológico adequado. Porém, não houve relação direta da ativação com os valores de carga viral ou de contagem de linfócitos TCD4+.
2022-12-06T15:47:49Z
Isadora Sofia Borges Saraiva