RCAAP Repository
Experiência inicial com o uso de adesivo tissular contendo trombina para tratamento do pseudo-aneurisma femoral
O pseudo-aneurisma (PSA) após cateterização femoral tem sido diagnosticado com regularidade em serviços com grande movimento de intervenções percutâneas, com incidência variando de 0,05 a 6%. PSA femorais pequenos podem ser acompanhados até a resolução espontânea. As opções de tratamento são: compressão guiada por ultra-som, injeção de trombina para trombose do PSA e tratamento cirúrgico. A injeção percutânea de trombina tem a vantagem de ser um procedimento indolor e rápido. Podem ser utilizados trombina isolada ou preparados contendo trombina associada a fibrinogênio e fatores de coagulação. A experiência inicial dos autores de cinco casos tratados com injeção de adesivo tissular contendo trombina mostrou resultado satisfatório em quatro; um caso necessitou tratamento cirúrgico. Não houve sucesso com uso isolado de trombina humana, porém, ocorreu trombose imediata após injeção de preparado de trombina associada a fibrinogênio/fator XIII. Neste artigo, são discutidas as opções de tratamento dos PSA femorais e a técnica do uso de trombina percutânea.
2006
Pinto,Daniel Mendes Dias Júnior,José Olimpio Fonseca,Bernardo Lopes Cançado Moreialvar,Rodrigo Daniel Bez,Leonardo Ghizoni Lopes,Caetano de Sousa
Aneurismas toracoabdominais rotos
OBJETIVO: Avaliar os dados pré, intra e pós-operatórios dos aneurismas toracoabdominais rotos operados no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de cinco pacientes submetidos à correção de aneurisma toracoabdominal roto no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, entre setembro de 2000 e abril de 2004. Todos os pacientes apresentavam aneurisma toracoabdominal tipo IV roto, sendo que quatro estavam estáveis hemodinamicamente. Três pacientes foram operados com o simples pinçamento da aorta supracelíaca e infusão de soro fisiológico a 4 ºC nas artérias renais; um paciente evoluiu para óbito no intra-operatório antes da abertura do aneurisma; e um paciente foi operado utilizando-se perfusão de sangue oxigenado nas artérias viscerais. RESULTADOS: Dos cinco pacientes operados, dois foram a óbito (40%). Um deles apresentava instabilidade hemodinâmica e faleceu no intra-operatório; o outro faleceu no 26º dia pós-operatório com insuficiência de múltiplos órgãos. Todos os três sobreviventes evoluíram bem, sem seqüelas. Entre os pacientes que chegaram ao centro cirúrgico estáveis hemodinamicamente, a mortalidade foi de 25%. CONCLUSÕES: Pacientes com aneurisma toracoabdominal tipo IV roto, com estabilidade hemodinâmica, alcançam resultados cirúrgicos satisfatórios, semelhantes aos aneurismas rotos infra-renais.
2006
Rocha,Eduardo Faccini Martins,Aline Meira Freire,Lucas Marcelo Dias Gusmão,Daniel Razi Guillaumon,Ana Terezinha
Remoção de introdutor arterial pós-intervenção coronária percutânea: médico residente versus enfermeiro especializado
OBJETIVO: Comparar os resultados da retirada de introdutor arterial pelo enfermeiro especializado em Unidade de Hemodinâmica e pelo médico residente em Cardiologia Intervencionista em pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea. MÉTODOS: Trata-se de registro prospectivo em 100 pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea, no período de setembro a outubro de 2004, divididos em dois grupos: Grupo A (GA) - enfermeiro (n = 48 pacientes) - e Grupo B (GB) - médico residente (n = 52 pacientes). Hematoma pequeno foi definido como inchaço palpável no local da punção menor que 2 cm; hematoma moderado, com 2 a 6 cm de diâmetro; e hematoma grande, maior que 6 cm de diâmetro. A dose de heparina foi de 100 UI/kg. Os introdutores foram retirados após controle do tempo de coagulação ativado (TCA < 180 segundos), e foi realizada compressão manual por 15 minutos. RESULTADOS: A idade dos pacientes foi de 59,54 ± 11,1 anos (GA) e 61,7 ± 10,4 anos (GB), com predomínio do sexo masculino (GA = 75% e GB = 58%). Os introdutores foram 7 French. O tempo de compressão manual foi de 19,4 ± 3,1 minutos no GA e 19,6 ± 3,1 minutos no GB (P = 0,76). Ocorreram oito hematomas no GA (sete pequenos e um moderado) e nove hematomas no GB (sete pequenos e dois moderados), P = não-significante. Os hematomas foram tratados clinicamente, sem complicações. CONCLUSÃO: A retirada de introdutor arterial, após intervenções coronárias percutâneas, pode ser realizada pelo enfermeiro especializado em Unidade de Hemodinâmica ou pelo médico residente em Cardiologia Intervencionista com segurança e sem complicações maiores.
2006
Solano,José Del Carmen Meireles,George Cesar Ximenes Abreu,Luciano Mauricio de Forte,Antonio Artur da Cruz Sumita,Marcos Kiyoshi Hayashi,Jorge Hideki
Prevalência do refluxo na veia safena parva em varizes primárias não complicadas dos membros inferiores pelo eco-Doppler colorido
OBJETIVO: Determinar a prevalência de refluxo venoso na veia safena parva em membros inferiores com varizes primárias não complicadas pelo eco-Doppler colorido. MÉTODO: No período de 18 meses, 1.953 pacientes foram submetidos ao eco-Doppler colorido de membros inferiores por doença venosa. Destes, 1.631 com varizes primárias não complicadas foram selecionados para esta análise, sendo que 1.383 eram do sexo feminino (84,79%) e 248 (15,21%) do sexo masculino. A média de idade dos pacientes foi de 42,89 (± 0,48) anos, variando de 13 a 85 anos. Dos 1.631 pacientes, 1.323 foram submetidos a exame bilateral e 308 a exame unilateral, totalizando 2.954 membros inferiores com varizes primárias não complicadas avaliados. Desse total, 1.461 eram membros inferiores direitos e 1.493, esquerdos. Todos os exames foram realizados seguindo o mesmo protocolo. RESULTADO: Dos 2.954 membros inferiores avaliados, 372 (12,59%) apresentaram refluxo em veia safena parva. A prevalência nos homens foi de 14,08% e, nas mulheres, de 12,35%. O refluxo da safena parva foi maior no membro inferior esquerdo (13.13%) do que no direito (12,05%). A prevalência do refluxo foi significativamente maior nos pacientes acima de 60 anos. CONCLUSÃO: O refluxo da veia safena parva é relativamente comum, e sua pesquisa deve ser sempre realizada em pacientes com varizes primárias de membros inferiores.
2006
Secchi,Fabio Miyamotto,Marcio França,Graciliano José Oliveira,Aguinaldo de Vidal,Enrique Antônio Timi,Jorge R. Ribas Moreira,Ricardo C. Rocha
Tratamento combinado da cirurgia de varizes com a escleroterapia de telangiectasias dos membros inferiores no mesmo ato
OBJETIVOS: A escleroterapia por método químico é o tratamento mais tradicional para eliminar as telangiectasias. Há varias décadas, é realizada em consultório, mas com alto índice de abandono devido ao seu caráter prolongado, doloroso e, por isso, pouco eficaz. Uma grande proporção destes pacientes apresenta também insuficiência de tributárias, ou seja, veias varicosas com indicação de fleboextração e que serão submetidas à cirurgia. O objetivo deste trabalho é descrever a opção de tratamento combinado da cirurgia de varizes com a escleroterapia das telangiectasias no mesmo ato. MÉTODOS: De janeiro de 1998 a março de 2002, 213 pacientes (426 membros inferiores) foram submetidos ao tratamento das telangiectasias por meio de injeção de glicose hipertônica durante a cirurgia de varizes. RESULTADOS: Mais de 90% dos pacientes relataram altos índices de satisfação estética. A escleroterapia complementar foi necessária em 165 pacientes, para atingir plena satisfação estética durante o seguimento. Não foram constatados casos de tromboflebites superficiais, nem de trombose venosa profunda. Também não houve relatos de complicações graves. Em 10% dos casos, foram necessárias pequenas drenagens de microtrombos residuais. O índice de manchas hipercrômicas não ultrapassou 3%. Apenas um paciente desenvolveu uma pequena úlcera no dorso do pé (0,2%), que cicatrizou espontaneamente. CONCLUSÕES: O tratamento combinado da cirurgia de varizes com a escleroterapia das telangiectasias dos membros inferiores é uma alternativa para os pacientes que desejam um resultado mais rápido e indolor. As sessões múltiplas com injeção de glicose hipertônica são uma opção segura e eficaz.
2006
Gaspar,Ricardo José Medeiros,Charles Angotti Furtado de
Tratamento endoluminal de aneurismas anastomóticos na aorta abdominal: relato de dois casos
Os aneurismas anastomóticos que envolvem a anastomose proximal de reconstruções do território aorto-ilíaco são graves, e as operações convencionais para sua correção são complexas e passíveis de graves complicações. Apresentamos dois casos de aneurismas de anastomoses proximais de enxerto aorto-bifemoral que ocorreram após 15 e 18 anos, respectivamente, de evolução dos enxertos e que foram corrigidos pela técnica endoluminal. Ambos os pacientes evoluíram bem e foram submetidos a controle pela tomografia computadorizada com 12 e 6 meses de evolução, respectivamente, com exclusão do aneurisma.
2006
Aun,Ricardo Saliture Neto,Fernando Tavares Lederman,Alex Waksman,Hilton
Aneurisma verdadeiro bilateral de artéria tibial posterior
Neste artigo, faz-se o relato de um caso de aneurisma verdadeiro bilateral da artéria tibial posterior em paciente de 57 anos. Os aneurismas surgiram em épocas diferentes. Os aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos deste caso são discutidos. Este relato é importante, pois os autores não têm conhecimento de caso semelhante na literatura consultada.
2006
Marques,Silvio Romero de Barros Guedes,Rodrigo Augusto de Aguiar Lins,Esdras Marques Lucena,Belchior Medeiros de Maranhão,Carlos Alexandre Albuquerque Tenório,Emmanulle
Tratamento endovascular de pseudo-aneurisma de carótida interna em criança
Relato de um caso de paciente feminina, com 6 anos de idade, que apresentou uma massa cervical, dolorosa e com características de processo infeccioso, que revelou ser um pseudo-aneurisma de carótida interna. Foi realizado o tratamento endovascular, com o uso de um balão destacável que determinou a oclusão e conseqüente trombose do pseudo-aneurisma, com excelente resultado.
2006
Oliveira,Alexandre Faraco de Kajita,Daissuke Garzon,Rafael Gomes de Almeida Centola,Crescêncio Alberto Pereira Bosnardo,Carla Aparecida Faccio Francischelli Neto,Miguel
Implante de filtro de veia cava inferior guiado por ultra-som: relato de dois casos
A instalação percutânea dos filtros de veia cava inferior é realizada, tradicionalmente, em sala de angiografia ou em centro cirúrgico, utilizando-se fluoroscopia e infusão de contraste iodado para adequado posicionamento do dispositivo. Porém, para pacientes internados em unidades de tratamento intensivo com condição clínica ruim para o transporte ou com função renal deteriorada, o deslocamento e a nefrotoxicidade dos contrastes iodados são, freqüentemente, motivos de preocupação. Assim, a colocação, à beira do leito, de filtros de veia cava inferior guiada por ultra-som pode ser uma alternativa bastante atraente e segura para esses pacientes.
2006
Neser,Rogério Abdo Capasso Filho,Mauro Homa,Cristina Mieko de Oliveira
Doença de Behçet cursando com trombose de veia cava superior
A trombose venosa é o principal acometimento do sistema vascular na doença de Behçet, sendo uma complicação freqüente na evolução clínica dessa patologia, e está mais associada ao sexo masculino. Os autores relatam o caso de uma paciente do sexo feminino que apresentou início da doença há 3 anos com úlceras orais, além de úlceras genitais, e que vem cursando com episódios recorrentes de trombose venosa, sendo a primeira uma trombose venosa profunda no membro inferior direito; a segunda, de jugular interna esquerda; e, por último, uma trombose da veia cava superior.
2006
Silva Júnior,Otacílio Figueiredo da Araújo,Ricardo Henrique de Sousa Freire,Eutília Andrade Medeiros Travassos Júnior,Ronaldo Rangel Cavalcante,Thiago Emanuel Rodrigues Lucena,Tarcísio José Pinheiro Nogueira Neto,Norberto de Castro Melo,Alessandra Vanessa de Albuquerque
Estudo da resposta tissular à endoprótese recoberta de jugular bovina em veia cava inferior de suínos
OBJETIVO: Avaliar a resposta tissular a uma endoprótese, com cobertura biológica heteróloga, implantada em veia cava inferior de suínos. MÉTODO: Desenvolvemos uma endoprótese auto-expansível, revestida com um segmento de jugular bovina, conservada por processo L-hydro e suturada em um stent de aço inoxidável 316L. O dispositivo introdutor utilizado foi a bainha de liberação da endoprótese aórtica Taheri-Leonhardt (Flórida, EUA). Foram implantadas endopróteses em 10 suínos, todas na veia cava infra-renal. Os animais foram submetidos à flebografia peroperatória. À necropsia, após 2 meses, cada endoprótese foi retirada em bloco e analisada macroscopicamente, visando a avaliação da perviedade, aderência aos tecidos vizinhos e incorporação à parede venosa; e, histopatologicamente, visando a resposta histológica ao enxerto. RESULTADOS: Na análise macroscópica, todas as endopróteses encontravam-se pérvias e totalmente incorporadas à parede venosa, porém seis apresentavam trabeculações grosseiras no seu interior e quatro algum grau de fibrose perivascular. Três animais desenvolveram linfocele, uma retroperitoneal e as outras na parede abdominal. No estudo histopatológico, observamos reação inflamatória granulomatosa tipo corpo estranho em todos os casos, sendo predominante na camada média (80%). CONCLUSÃO: O modelo estudado apresentou baixa trombogenicidade, corroborando com a eficácia do meio de conservação e material escolhidos; porém, baixa biocompatibilidade, provavelmente pelo obstáculo imunológico dos xenoenxertos e resposta tissular exagerada do território venoso.
2006
Pinto,Cristina Ribeiro Riguetti Chouin,Celso Luiz Muhlethaler Espinosa Lopez,Gaudencio
Uso de endoprótesis en el tratamiento de lesiones no oclusivas del territorio iliaco
OBJETIVO: La cirugía endovascular se ha establecido como una opción eficaz en el tratamiento de la enfermedad oclusiva ateroesclerótica de las arterias iliacas. Sin embargo, el uso de estos procedimientos para tratar otro tipo de lesiones aún no ha sido bien estudiado. Nuestro objetivo es analizar indicaciones y resultados del uso de endoprótesis en lesiones iliacas no oclusivas. MATERIAL Y MÉTODOS: Revisamos retrospectivamente los registros de 14 pacientes consecutivos, todos hombres, 61,6 años de edad en promedio (rango: 25-80) tratados por vía endovascular entre 2001 y 2006 por lesiones iliacas no oclusivas. El estudio pre y postoperatorio incluyó tomografía computada. El procedimiento se efectuó en quirófano, utilizando un angiógrafo digital. Se usó acceso femoral insertando endoprótesis tubulares. RESULTADOS: En 11 pacientes se asoció embolización de arteria hipogástrica ipsilateral. Las patologías tratadas fueron: ocho aneurismas ateroescleróticos, 3 disecciones, 2 lesiones traumáticas y un pseudoaneurisma anastomótico. La co-morbilidad más frecuente fue la hipertensión en 43% de los casos. No hubo mortalidad operatoria. Un paciente presentó un pseudoaneurisma femoral tratado con compresión. Un paciente tratado por fístula arteriovenosa traumática a nivel iliaco resuelve su insuficiencia cardiaca, con persistencia asintomática de mínimo flujo. La estadía postoperatoria fue de 3 días (mediana). No se presentaron otras endofugas iniciales o tardías. Durante un seguimiento promedio de 20,5 meses (rango 1 a 49), un paciente fallece por cáncer y ninguno ha requerido procedimientos complementarios. CONCLUSIÓN: El tratamiento endovascular de lesiones iliacas mediante endoprótesis es seguro y permite un resultado durable en el manejo de un amplio espectro de patologías.
2006
Mertens,Renato Krämer,Albrecht Valdés,Francisco Bergoeing,Michel Mariné,Leopoldo Sagües,Rodrigo Olguín,Ricardo Cruz,Juan Valdebenito,Magaly Vergara,Jeanette
Anatomical organization of aortic arch variations in the India: embryological basis and review
OBJECTIVES: To determine the percentage and type of aortic arch variations in Indian subjects and their clinical and surgical importance and embryological basis. PATIENTS AND METHOD: In our investigation, branching patterns of the aortic arch were studied in 62 formalin-fixed cadavers of both sexes of Indian origin, aged 45-79. The dissections were carried out in formalin-preserved cadavers and the aortic arch variations were observed after exposing the thoracic and cervical region during routine dissection of undergraduate students of Indian origin in Kasturba Medical College, Mangalore. RESULTS: The usual three-branched aortic arch was found in 56 cadavers (91.4%); variations were found in six cadavers (9.6%); 4.8% presented common origin of the carotid arteries; 1.6% had bi-innominate sequence, and the same specimen had left coronary artery arising from arch of aorta directly; 1.6% presented right subclavian artery arising directly from the aorta; 1.6% had left vertebral artery a branch of aortic arch. Five out of six cadavers with anomalous aortic arch branching pattern were females. One male cadaver presented anomalous origin of left vertebral artery directly from the arch. CONCLUSION: The wide spectrum of variations in the anatomical arrangements of the aortic arch branches in the Indian population was at par with other populations of the world. Although anomalous origins of the aortic arch branches are merely anatomic variants, accurate information about them is vital for vascular surgery in the thorax, head and neck region.
2006
Nayak,Soubhagya R. Pai,Mangala M. Prabhu,Latha V. D'Costa,Sujatha Shetty,Prakash
Tratamento cirúrgico dos aneurismas da aorta abdominal: existe diferença dos resultados entre homens e mulheres?
OBJETIVO: Avaliar os resultados cirúrgicos após o tratamento convencional e eletivo do aneurisma da aorta abdominal, verificando se existe diferença entre homens e mulheres na mortalidade e morbidade cirúrgicas, bem como nos resultados a longo prazo. PACIENTES E MÉTODOS: Entre dezembro de 1983 e dezembro de 2003, 675 pacientes foram submetidos ao tratamento cirúrgico do aneurisma da aorta abdominal infra-renal, sendo divididos em dois grupos: homens (n = 575) e mulheres (n = 100). Os dados demográficos e aqueles relacionados ao procedimento cirúrgico, bem como os resultados perioperatórios, foram coletados pela revisão dos prontuários. Os pacientes com alta hospitalar formaram uma coorte retrospectiva, onde foram avaliadas as causas tardias de óbito e a sobrevida. RESULTADOS: A média das idades foi similar, sem diferença estatística entre mulheres e homens (68,9 ± 9,1 versus 67,4 ± 7,1 anos; P = 0,089). A presença de hipertensão arterial foi significativamente superior nas mulheres (73 versus 62,4%; P = 0,042), e a cardiopatia isquêmica e história de tabagismo foram mais freqüentes nos homens (P <0,05). A mortalidade operatória total foi de 2,8%, não havendo diferença significativa entre mulheres e homens (4 versus 2,6%, respectivamente; P = 0,43). A morbidade cirúrgica envolveu 14% dos pacientes femininos e 18,4% dos masculinos (P 0,05). A taxa de sobrevida global em 1, 3, 5 e 10 anos não diferiu entre os grupos, sendo a sobrevida em 5 anos de 71% para as mulheres e 72% para os homens (P 0,05). A principal causa de morte tardia foi de origem cardiovascular, seguida de complicações renais nas mulheres e neoplasia nos homens. CONCLUSÂO: A taxa de mortalidade e morbidade cirúrgicas não aumentou significativamente nas mulheres após a correção eletiva do aneurisma da aorta abdominal infra-renal. Além disso, os resultados a longo prazo são semelhantes entre os dois gêneros.
2006
Bonamigo,Telmo Pedro Lucas,Márcio Luís Erling Jr.,Nilon
Avaliação da perfusão renal pelo Power Doppler em pacientes transplantados renais
OBJETIVOS: O objetivo deste estudo é testar a aplicabilidade do estudo ultra-sonográfico com Power Doppler na identificação das alterações da perfusão dos rins transplantados e sua correlação com a reserva funcional renal e microalbuminúria antes e após a infusão de solução de aminoácidos intravenosos. MÉTODOS: Vinte e três pacientes transplantados renais foram avaliados pelo Power Doppler antes (fase basal), após 120 minutos (fase 1) e após 240 minutos (fase 2) da infusão intravenosa de aminoácidos. Concomitantemente, foram realizadas, nas três fases, dosagem de creatinina, avaliação do índice de filtração glomerular, da reserva funcional renal e de microalbuminúria. RESULTADOS: De acordo com os padrões de perfusão na fase basal pelo Power Doppler, descritos por Hoyer et al. em 1999, os pacientes foram divididos em três grupos: 12 pacientes com escore I, seis com escore II e cinco com escore III de perfusão renal. Nos enxertos renais com excelente perfusão renal (escore I), observou-se variação significativa das variáveis estudadas, tanto na fase 1 como na 2 (P CONCLUSÕES: Os achados sugerem que os transplantes com escore I de perfusão apresentam reserva funcional renal quando submetidos a estímulo com aminoácidos. No entanto, com a progressiva diminuição no grau de perfusão renal pelo Power Doppler, observa-se perda da capacidade dos rins transplantados em aumentar o índice de filtração glomerular como resposta a estímulos externos, com seqüente ausência de reserva funcional renal. A partir deste estudo, será possível criar novos horizontes para o entendimento da evolução dinâmica do processo de perda da função renal nos transplantados renais.
2006
Engelhorn,Ana Luiza Carvalho,José Gastão R. de Engelhorn,Carlos Alberto Cassou,Maria Fernanda
Dilemas bioéticos na prática da anestesia
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: As relações da sociedade humana com o universo e a aplicação de novos conceitos éticos estudados por filósofos, fundamentalmente para acompanhar a evolução das ciências biomédicas, originaram a Bioética. O objetivo é tratar dos avanços nas relações humanas entre médicos e pacientes, propostos pelos princípios bioéticos em adição aos tradicionais princípios hipocráticos, aqui discutidos no particular da prática desta ciência fascinante a Anestesiologia. O presente trabalho visa estimular e aprofundar as discussões bioéticas na área da Anestesiologia. CONTEÚDO: São discutidos os limites entre o ato médico benevolente e não-maleficente, indissociavelmente comprometido com o bem-estar do paciente, os benefícios da conduta médica paternalista, visando à preservação da saúde e da vida, e do outro lado, o respeito à autonomia do cidadão-doente, potencial paciente, e o seu direito ao consentimento livre, renovável, revogável e plenamente esclarecido para quaisquer atos médicos. CONCLUSÕES: Com base no quanto é apresentado no presente trabalho o anestesiologista deve sempre decidir beneficentemente em defesa da saúde do indivíduo e da sacralidade da vida, entendendo os limites entre a autonomia do paciente e o direito do médico aplicar tratamento arbitrário à revelia da vontade daquele, em obediência aos princípios da beneficência e da não-maleficência, disponibilizando os benefícios da ciência médica (justiça) em favor da vida, posto que, em anestesia muitas vezes, há um limite incompreensivelmente tênue entre vida e morte.
2001
Meneses,José Abelardo Garcia de
Beta-bloqueadores em anestesiologia: aspectos farmacológicos e clínicos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Informações experimentais e clínicas têm sugerido que os b-bloqueadores apresentam efeitos hemodinâmicos importantes e protetores durante o ato anestésico-cirúrgico. O objetivo deste trabalho é revisar as informações farmacológicas e clínicas dos b-bloqueadores para sua utilização adequada na medicina per-operatória. CONTEÚDO: Os b-bloqueadores seletivos inibem preferencialmente os b1-receptores reduzindo a freqüência e inotropismo cardíacos e determinando redução no consumo de oxigênio do miocárdio. Os b-bloqueadores não seletivos inibem também os b2-receptores, aumentando a resistência bronquiolar e vascular periférica. Alguns b-bloqueadores são, também, vasodilatadores. O tratamento prolongado com os b-bloqueadores aumenta a densidade dos b-receptores na membrana celular, o que pode explicar a hiperatividade simpática que pode ocorrer durante a parada do tratamento desses medicamentos. Em cirurgia não cardíaca, os efeitos benéficos do b-bloqueadores em pacientes hipertensos ou nos que apresentam doença coronariana têm sido demonstrados, com redução da incidência de isquemia miocárdica no pós-operatório e da mortalidade durante o período de dois anos que se segue à operação. CONCLUSÕES: O tratamento com b-bloqueadores deve ser mantido até o período da manhã da operação, exceto nos pacientes com sinais de intolerância à droga, como hipotensão ou bradicardia importante. Os b-bloqueadores exercem efeito benéfico na recuperação pós-operatória de pacientes com doenças cardiovasculares ou nos que apresentam fatores de risco. Por isso, o emprego desses medicamentos é importante na medicina per-operatória e deve ser ampliado.
2001
Bosco,Fabiana Aparecida Penachi Braz,José Reinaldo Cerqueira
Analgesia preemptiva
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O controle da dor pós-operatória tem sido muito investigado nas últimas décadas, quando se verificou que a analgesia pós-operatória era inadequada. O termo "preemptiva" implica em uma forma de analgesia que, iniciada antes do estímulo doloroso ser gerado, previne ou diminui a dor subseqüente. Este estudo tem como objetivo uma atualização sobre analgesia preemptiva possibilitando novas alternativas para o tratamento da dor pós-operatória. CONTEÚDO: A analgesia preemptiva foi recomendada para prevenir a dor causada por mudanças no sistema nervoso central durante o ato operatório, devido à não supressão da condução do estímulo doloroso para o encéfalo. Vários estudos tanto laboratoriais como clínicos têm sido realizados com o intuito de demonstrar efeito preemptivo de métodos de analgesia, porém os resultados ainda são discutíveis e conflitantes. CONCLUSÕES: Apesar de existir algumas evidências clínicas do efeito da analgesia preemptiva, há necessidade de mais estudos para elucidar o real valor desse tipo de analgesia no controle da dor pós-operatória.
2001
Garcia,João Batista Santos Issy,Adriana Machado Sakata,Rioko Kimiko
Alterações transitórias do exame neurológico durante o despertar da anestesia com enflurano, isoflurano ou sevoflurano
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Anormalidades transitórias do exame neurológico ocorrem durante o despertar da anestesia com halotano, enflurano e isoflurano. Pouco se conhece sobre a ocorrência de anormalidades do exame neurológico durante a recuperação da anestesia com sevoflurano. Este estudo teve como objetivo comparar a prevalência de tais achados durante a recuperação da anestesia com enflurano (Grupo E), isoflurano (Grupo I) e sevoflurano (Grupo S). MÉTODO: Foram estudados 44 pacientes que receberam anestesia com enflurano, isoflurano ou sevoflurano em N2O a 50%. Foram anotados antes da indução, imediatamente após a cessação da administração do anestésico e 5, 10, 15, 20, 30 e 40 minutos após: temperatura timpânica, nível de consciência, tônus muscular, reflexos pupilar, ciliar, bicipital, patelar e cutâneo-plantar, bem como a ocorrência de calafrios. RESULTADOS: As respostas dos reflexos pupilar, ciliar, patelar e cutâneo-plantar correlacionaram-se com o nível de consciência. Os grupos não diferiram quanto à prevalência de hipertonia muscular, hiperreflexia bicipital, clônus plantar e resposta extensora cutâneo-plantar. Hiperreflexia patelar foi mais freqüente no grupo do enflurano do que no grupo do isoflurano. Calafrios foram mais freqüentes nos grupos E e I do que no grupo do sevoflurano. A temperatura timpânica não diferiu entre os pacientes que apresentaram ou não calafrios. CONCLUSÕES: Alterações reversíveis do exame neurológico podem estar presentes por até 40 minutos durante a recuperação da anestesia com enflurano, isoflurano ou sevoflurano.
2001
Soares,Luiz Fernando Helayel,Pablo Escovedo Oliveira Filho,Getúlio Rodrigues de Amaral,Rogério do
Bupivacaína levógira a 0,5% pura versus mistura enantiomérica de bupivacaína (S75-R25) a 0,5% em anestesia peridural para cirurgia de varizes
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A cardiotoxicidade da bupivacaína racêmica (50:50) ainda é a grande variável relacionada à segurança de indicação nos bloqueios regionais que exigem massas e volumes elevados. Recentes experimentações em animais sugerem que a modificação da relação enantiomérica da bupivacaína racêmica poderia contribuir para sua eficácia terapêutica e diminuição de sua toxicidade potencial. O objetivo do presente estudo foi comparar a eficiência da mistura enantiomérica de bupivacaína (S75-R25) com a levógira pura S(-100) na anestesia peridural lombar para cirurgias de varizes dos membros inferiores. MÉTODO: O estudo envolveu 30 pacientes do sexo feminino com idades entre 15 e 65 anos, estado físico ASA I ou II, programados para cirurgia eletiva de varizes. Em teste aleatório e duplamente encoberto, os pacientes foram divididos em dois grupos de 15: Grupo S75-R25 - 20 ml (100 mg) de mistura enantiomérica de bupivacaína a 0,5% (S75-R25) - e Grupo Levógiro - 20 ml (100 mg) de bupivacaína levógira S(-100%) a 0,5% sem adjuvante. Foram comparadas as características dos bloqueios sensitivo e motor bem como a incidência de efeitos colaterais. RESULTADOS: Foram detectadas diferenças intergrupais relacionadas às características demográficas e um maior tempo cirúrgico no grupo S75-R25. A dispersão mais rápida e a menor potência analgésica da mistura isomérica exibiram significância estatística. Não houve diferença significativa relacionada à ocorrência de efeitos colaterais. O grupo levógiro apresentou menor relaxamento muscular. CONCLUSÕES: A redução da incidência de efeitos colaterais, a receptividade do método pelos pacientes, a ausência de sintomatologia neurológica transitória pós-operatória apontam para a aplicação segura de ambas as soluções em anestesia peridural lombar para cirurgia de varizes dos membros inferiores. A casuística, entretanto, não é ainda suficiente para permitir conclusões definitivas.
2001
Delfino,José Vale,Nilton Bezerra do