RCAAP Repository
Aspectos da função tireóidea em lactentes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea (CEC) relaciona-se à doença eutireóidea ou à depressão do eixo hipotálamo-hipofisário-tireóideo. O estado hemodinâmico incomum imposto pela CEC é responsável por diversas alterações endócrino-metabólicas, acarretando complexa resposta inflamatória sistêmica. Esta investigação teve como objetivo analisar o comportamento da triiodotironina (T3), tetraiodotironina (T4) e tireotrofina (TSH) em lactentes submetidos à cirurgia cardíaca com CEC. MÉTODO: Foram estudados 15 lactentes. As amostras de sangue para pesquisa de T3, T4 e TSH foram obtidas em 4 momentos designados: M1 - após a indução da anestesia; M2 - após o final da cirurgia; M3 - 6 horas após o final da cirurgia e M4 - 24 horas após o M1. Para complementar esta investigação, foram estudadas as variações dos seguintes parâmetros: pressão arterial média (PAM), temperatura sangüínea central (ºC), atributos da oxigenação tecidual e do equilíbrio ácido-base (M1, CEC, M2, M3 e M4). RESULTADOS: As médias de idade, peso, altura e superfície corpórea dos pacientes foram 3,9 meses; 4,708 kg; 0,65 m e 0,3 m², respectivamente. As concentrações plasmáticas de T3 (p < 0,0001), T4 (p < 0,0001) e TSH (p = 0,0021) variaram significativamente durante o período estudado, sendo que as de T3 declinaram progressivamente. As menores taxas de T3 e T4 coincidiram com as maiores de Ht e Hb, descartando os efeitos da hemodiluição. As maiores concentrações séricas de TSH demonstraram a provável reação do eixo hipotálamo-hipofisário-tireóideo aos efeitos da hipotermia e da absorção maciça pelo iodo (uso tópico de soluções anti-sépticas). Foram identificados aspectos da "Síndrome do T3 baixo" em todos os momentos estudados. CONCLUSÕES: Foram observadas alterações nas concentrações séricas de T3, T4 e TSH em lactentes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea.
2004
Cruz,Paula Maria da Bello,Carmem Narvaes Marcial,Miguel Lorenzo Barbero Auler Júnior,José Otávio Costa
Determinação de volumes e pressões de balonetes de tubos traqueais insuflados com ar ambiente ou óxido nitroso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A pressão exercida pelo balonete do tubo traqueal contra a parede da traquéia deve permitir fluxo capilar adequado e prevenir escapes de ar ou aspiração pulmonar. Esta pesquisa procurou determinar as variações de pressão do balonete insuflado com ar ambiente ou com óxido nitroso a 100%. MÉTODO: Trinta pacientes foram selecionados para receber anestesia geral balanceada com intubação orotraqueal. O balonete foi insuflado conforme critérios clínicos. As medidas de base foram realizadas após 15 minutos do início da anestesia com um manômetro aneróide calibrado em cm de H2O e forneceram os valores iniciais de pressão e volume. Os pacientes foram divididos em dois grupos: balonete reinsuflado com ar ambiente, grupo A, ou com óxido nitroso, grupo B. As medidas de pressão foram obtidas em intervalos até a primeira hora e os resultados comparados. RESULTADOS: Os grupos mostraram-se comparáveis para idade e sexo. Em ambos os grupos os valores basais médios para pressão foram próximos de 40 cmH2O com 8 ml de volume. No grupo com ar ambiente, as pressões aumentaram até 36 cmH2O em uma hora. No grupo de balonete insuflado com N2O, as pressões diminuíram abaixo de 20 cmH2O entre 20 e 30 minutos de anestesia. CONCLUSÕES: O uso de N2O a 100% para insuflação do balonete de sonda traqueal não constitui método seguro, acarretando progressiva perda da capacidade de vedação. O uso de ar ambiente promove aumento de volume e de pressão no balonete, aumentando possibilidade de lesão da mucosa traqueal.
2004
Peña,Ernesto Leonardo Cárpio Gregori,Waldemar Montoya de Piccinini Filho,Luiz Vieira,Joaquim Edson Mathias,Lígia Andrade da Silva Telles
Critérios de autoria e co-autoria em trabalhos científicos
No summary/description provided
1997
Montenegro,Mano R Alves,Venâncio A. Ferreira
Efeitos do pneumoperitônio sobre a hemodinâmica e função renais de cães ventilados com volume e pressão controlados
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Não existem estudos que associem os efeitos determinados pelas modalidades ventilatórias às repercussões renais durante o pneumoperitônio. O objetivo deste trabalho foi avaliar as alterações na hemodinâmica e função renais determinadas pelo pneumoperitônio em cães com ventilação a volume e pressão controlados. MÉTODO: Dezesseis cães anestesiados com tiopental sódico e fentanil foram divididos em Grupo 1, volume controlado e Grupo 2, pressão controlada e submetidos a pneumoperitônio de 10 e 15 mmHg. Foram estudados fluxo sangüíneo renal, resistência vascular renal, depuração de para-aminohipurato de sódio, sódio plasmático, potássio plasmático, osmolalidade plasmática, depuração de creatinina, fração de filtração, volume urinário, osmolalidade urinária, depuração osmolar, depuração de água livre, depuração de sódio, excreção urinária de sódio, excreção fracionária de sódio, depuração de potássio, excreção urinária de potássio, excreção fracionária de potássio. Os dados foram coletados em 4 momentos. M1, antes do pneumoperitônio; M2, 30 minutos após pneumoperitônio com 10 mmHg; M3, 30 minutos após pneumoperitônio com 15 mmHg; M4, 30 minutos após a deflação do pneumoperitônio. RESULTADOS: As depurações de para-aminohipurato de sódio e creatinina permaneceram constantes em ambos os grupos durante o experimento. Os valores plasmáticos do sódio e do potássio não se alteraram. Ocorreu diminuição a partir de M2 da depuração e da excreção fracionária de potássio em ambos os grupos. CONCLUSÕES: As modalidades ventilatórias não determinaram diferenças na hemodinâmica renal entre os grupos estudados. O pneumoperitônio, ocasionando compressão do parênquima renal, pode ter determinado alterações na reabsorção e/ou secreção do potássio.
2004
Almeida,Armando Vieira de Ganem,Eliana Marisa
Esvaziamento gástrico após administração oral de contraste em tomografia computadorizada do abdômen: descrição de seis casos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A lesão pulmonar secundária à aspiração do conteúdo gástrico é complicação associada à perda dos reflexos protetores das vias aéreas. Neste contexto, a realização de exames tomográficos que incluem a contrastação do trato digestivo exige particular atenção em crianças abaixo de cinco anos, que necessitam anestesia geral ou sedação para assegurar imobilidade durante o procedimento. A indução da anestesia ou sedação, após ingestão da solução de contraste pode trazer risco substancial para a broncoaspiração do conteúdo gástrico. Isto faz com que se opte por administrar o contraste por sonda gástrica após a intubação traqueal, uma vez que não se conhece o tempo de esvaziamento gástrico após utilização de solução contrastante. Esta conduta representa aumento do tempo de anestesia, o que resulta em constante questionamento sobre a possibilidade de esvaziamento do conteúdo gástrico em tempo inferior a uma hora. Seis casos de pacientes submetidos à tomografia de abdômen foram avaliados quanto ao esvaziamento gástrico por meio da realização de cortes tomográficos na topografia do estômago, com o objetivo de determinar a presença ou ausência de conteúdo residual líquido nesse órgão, após a administração da solução de contraste. RELATO DOS CASOS: Foram avaliadas seis crianças submetidas à tomografia contrastada do abdômen. Duas, não anestesiadas, apresentaram expressivo resíduo líquido gástrico decorridos 50 e 45 minutos, respectivamente, da ingestão de contraste. Quatro, submetidas à anestesia geral, também apresentaram resíduo líquido gástrico decorridos 40 a 50 minutos da administração de contraste via sonda oro/nasogástrica. Em duas destas persistiu apreciável resíduo líquido no estômago, mesmo após a aspiração do conteúdo pela sonda. CONCLUSÕES: Nos casos observados, o período de 40 a 50 minutos foi insuficiente para o esvaziamento do estômago, após a administração de solução contrastante e mesmo a sucção do conteúdo por sonda nasogástrica resultou em permanência de significante volume residual líquido.
2004
Martins,Fernando Antonio Nogueira da Cruz Amaral,José Luiz Gomes do
Analgesia peridural contínua: análise da eficácia, efeitos adversos e fatores de risco para ocorrência de complicações
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A analgesia promovida pela infusão peridural de anestésico local com analgésicos opióides é reconhecidamente de boa qualidade e com poucos efeitos adversos. O objetivo deste estudo foi determinar o número, formas e gravidade das complicações pós-operatórias relacionadas à analgesia peridural e à inserção do cateter peridural. MÉTODO: Foram avaliados, retrospectivamente, 469 pacientes submetidos à analgesia peridural pós-operatória entre 18/10/1999 e 18/10/2001. A analgesia peridural foi conduzida usando-se solução de bupivacaína a 0,1% com fentanil (1 a 5 µg.ml-1), iniciando-se a infusão de 3 ml.h-1. A velocidade de infusão era ajustada de acordo com a queixa álgica do paciente. Foram analisadas as seguintes variáveis: a duração da infusão peridural; a ocorrência de efeitos adversos e complicações, relacionando-os aos dados demográficos, tipo de cirurgia e posição do cateter peridural; e a qualidade da analgesia obtida com a técnica (escala analógico-visual de dor e índice de satisfação do paciente). RESULTADOS: Os cateteres peridurais permaneceram implantados uma média de 2,2 dias, variando de 6 horas a 10 dias, e o índice global de complicações relacionadas à técnica foi de 46,3%, sendo que a maioria foi de pequena magnitude, sem repercussão clínica. Destas, 13,9% estavam relacionadas diretamente ao cateter peridural (desconexão, exteriorização, dor lombar, inflamação e infecção local). Outras complicações mais comumente encontradas foram vômitos e retenção urinária. A analgesia pós-operatória foi efetiva com 97,2% dos pacientes referindo satisfação com a técnica. Pacientes sem dor ou com dor leve, no primeiro, segundo e terceiro dias de pós-operatório, constituíram, respectivamente, 80,1%, 92,8% e 93,3% da população estudada. CONCLUSÕES: A analgesia peridural contínua é efetiva e segura. As complicações ocorridas não foram consideradas graves. Todavia, não se pode dispensar rigorosa vigilância a fim de se obter analgesia satisfatória e diminuir as complicações.
2004
Duarte,Leonardo Teixeira Domingues Fernandes,Maria do Carmo C. Barreto Fernandes,Marcelino Jäger Saraiva,Renato Ângelo
Sedação pós-operatória na unidade de apoio cirúrgico do hospital das clínicas de São Paulo: estudo retrospectivo
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A despeito dos benefícios do uso de hipnossedativos em Unidades de Terapia Intensiva pós-operatórias, não existe consenso sobre regime de uso ou quantificação da sedação. Este estudo avaliou o uso de sedativos e seus efeitos sobre o tempo de permanência na unidade pós-operatória do Hospital das Clínicas de São Paulo. MÉTODO: Oitenta e três pacientes que receberam sedação contínua foram estudados quanto aos agentes utilizados e respectivas doses, bem como os seguintes tempos: admissão-início da sedação (T INI), sedação (T SED), término da sedação-extubação (T EXT) e extubação-alta (T ALT). Avaliaram-se ainda a classificação da ASA e o nível da sedação pela escala de Ramsay. Os dados foram submetidos à ANOVA. RESULTADOS: Apenas os pacientes que receberam fentanil foram avaliados (n = 80). Destes, 34 receberam outro sedativo. T INI foi de 123,4 ± 369, T SED de 852,5 ± 1242,3, T EXT de 241,1 ± 156,6 e T ALT de 1433 ± 1734,4 minutos. Não houve diferença quanto à dose de sedativos segundo classificação da ASA (p = 0,11). Contudo, T ALT foi maior nos pacientes mais graves (p < 0,001). Pressão diastólica e Ramsay elevaram-se durante o decorrer da sedação (p < 0,001 e 0,028, respectivamente). CONCLUSÕES: O fentanil, complementado ou não por outros agentes, mostrou-se adequado quanto à qualidade da sedação e estabilidade hemodinâmica em terapia intensiva pós-operatória.
2004
Benseñor,Fábio Ely Martins Cicarelli,Domingos Dias Vieira,Joaquim Edson
Anestesia em paciente com síndrome de Gilbert: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A síndrome de Gilbert é uma doença crônica benigna, a qual leva à icterícia recorrente com grande aumento da bilirrubina não conjugada, que pode levar à toxicidade após o uso de medicações utilizadas na prática diária. O objetivo deste relato é descrever a conduta anestésica em uma paciente com síndrome de Gilbert, submetida à cirurgia videolaparoscópica. RELATO DO CASO: Paciente do sexo feminino, com 22 anos, portadora da síndrome de Gilbert, submetida à cirurgia videolaparoscópica sob anestesia geral com propofol, alfentanil, succinilcolina, atracúrio e isoflurano. Não houve sinais de toxicidade durante a anestesia. A paciente apresentou recuperação pós-operatória sem intercorrências e recebeu alta hospitalar após três dias. CONCLUSÕES: O paciente portador da síndrome de Gilbert pode ser submetido à anestesia geral de forma segura sem o aparecimento de toxicidade desde que sejam evitados os fatores que possam levar à diminuição da atividade da glicuroniltransferase.
2004
Barbosa,Fabiano Timbó Santos,Silvio Marcos Lima dos Costa,Joaquim Sávio Menezes Batista da Bernardo,Ronaldson Correia
Entropia espectral: um novo método para adequação anestésica
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O uso de sinais clínicos para avaliar a adequação da anestesia, embora empregado universalmente, não são confiáveis. Vários equipamentos surgiram objetivando o melhor manuseio intra-operatório das drogas anestésicas, alguns deles mensurando diretamente a atividade cortical cerebral (hipnose). Entretanto, nenhum deles apresenta características diretas de avaliação da atividade sub-cortical (resposta motora). CONTEÚDO: A entropia espectral mensura a irregularidade, complexidade ou a quantidade de desordem do eletroencefalograma e tem sido sugerida como um indicador do estado anestésico. O sinal é coletado na região fronto-temporal e tratado através da equação de Shannon (H = - Sp k log p k, onde p k são as probabilidades de um evento discreto k), resultando em dois tipos de análises: 1. Entropia de estado (SE), que consiste na avaliação da atividade elétrica cortical cerebral (0,8-32Hz) e 2. Entropia de resposta (RE), que analisa as freqüências de 0,8 - 47Hz (contêm componentes eletroencefalográficos-cortical e eletromiográficos-sub-cortical). CONCLUSÕES: A ativação da musculatura frontal pode indicar inadequação do componente sub-cortical (nocicepção). Esta ativação é observada como um "gap" entre SE e RE. Deste modo, é possível avaliar diretamente tanto o componente cortical (SE), como o sub-cortical (RE), possibilitando melhor adequação dos componentes anestésicos.
2004
Nunes,Rogean Rodrigues Almeida,Murilo Pereira de Sleigh,James Wallace
Baixas doses de bupivacaína a 0,5% isobárica para raquianestesia unilateral
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A raquianestesia unilateral pode apresentar diversas vantagens, principalmente no paciente ambulatorial. Baixas doses de anestésicos locais, lenta velocidade de injeção subaracnóidea e posição de decúbito lateral são relacionados com a facilidade de produzir distribuição unilateral na raquianestesia. Neste estudo, foi verificada a possibilidade de se obter raquianestesia unilateral com bupivacaína a 0,5% isobárica. MÉTODO: A raquianestesia com 1 ml de bupivacaína isobárica a 0,5% (5 mg) foi realizada através de agulha 27G Quincke em 25 pacientes, estado físico ASA I e II submetidos à cirurgias ortopédicas. A punção subaracnóidea foi realizada por via lateral com o paciente em decúbito lateral, com o membro a ser operado voltado para cima, e 1 ml de bupivacaína isobárica foi injetado na velocidade de 1 ml.30s-1. Bloqueios sensitivo e motor (picada de agulha e escala de 0 a 3) foram comparados entre os lados a ser operado e o contralateral. RESULTADOS: Os bloqueios motor e sensitivo entre o lado operado e o contralateral foram significativamente diferentes em todos os tempos avaliados. No membro operado todos os pacientes apresentaram anestesia cirúrgica. No membro contralateral, aos 20 minutos, 9 pacientes apresentaram bloqueio sensitivo; aos 40 minutos 18 pacientes e aos 60 minutos 17 pacientes. Portanto, o bloqueio sensitivo unilateral ocorreu em 7 pacientes (28%) e em ambos os membros em 18 pacientes (72%). Raquianestesia unilateral foi obtida em 28% dos pacientes. Estabilidade hemodinâmica foi observada em todos os pacientes. Nenhum paciente desenvolveu cefaléia pós-punção dura-máter. CONCLUSÕES: A bupivacaína isobárica (5 mg) proporciona predominante bloqueio unilateral após 20 minutos na posição lateral. A solução isobárica de bupivacaína se mobiliza dentro do LCR após 20 minutos, resultando num bloqueio unilateral em apenas 28% dos pacientes. A principal vantagem da raquianestesia unilateral é a estabilidade hemodinâmica e sua rápida regressão, podendo ser uma nova opção para cirurgia ambulatorial.
2004
Imbelloni,Luiz Eduardo Beato,Lúcia Gouveia,M.A.
Como evitar a formação de substâncias tóxicas durante a absorção de dióxido de carbono pela cal sodada com uso de anestésicos halogenados
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A cal sodada desde o início do seu uso sempre apresentou algumas complicações que resultaram em dificuldade na sua aplicabilidade. No entanto, devido as grandes vantagens que oferecia em relação a redução do fluxo de gases frescos, despoluição da sala de cirurgia e umidificação do sistema de inalação e via aérea, fizeram com que continuassem as pesquisas para que pudesse ser melhorada e corrigida de forma que a continuidade da sua utilização fosse assegurada. Atualmente existe o problema da desidratação com elevação da temperatura e da degradação metabólica dos anestésicos halogenados que necessitam de cuidados especiais para evitar a formação de produtos tóxicos. CONTEÚDO: Existe uma reação em cadeia a partir da cal sodada desidratada ou ressecada com baixos volumes percentuais de água. Há aumento da temperatura, maior absorção de anestésico halogenado para o interior do granulo de cal em seguida maior degradação metabólica das moléculas destes agentes e conseqüentemente a produção de substâncias tóxicas como o Composto A pela reação dos hidróxidos com o sevoflurano. Há também formação de monóxido de carbono produzido da mesma forma pela reação entre os halogenados e as bases fortes da cal. O composto A é nefrotóxico e o monóxido de carbono leva a hipóxia e alterações graves da coagulação do sangue. Além dos cuidados para a hidratação da cal sodada é possível usá-la sem conter as bases fortes como os hidróxidos de potássio e de sódio, contendo apenas hidróxido de cálcio para evitar excessivo aumento da temperatura e grande degradação metabólica dos halogenados sem prejudicar a absorção do dióxido de carbono. CONCLUSÕES: Deve-se ter o cuidado em usar a cal sodada mais recente possível e quando ela fica exposta ao meio ambiente (ar seco) por muitas horas como por exemplo em um final de semana (mais de 48 horas) é recomendável colocar água, de preferência destilada, na relação de 25 ml para cada 500 g de cal. Atualmente a indústria está bem informada sobre o problema da composição da cal, então, deve-se preferir a cal sodada que tenha somente o hidróxido de cálcio e seja totalmente desprovida de hidróxido de potássio e hidróxido de sódio.
2004
Saraiva,Renato Ângelo
Tutoria com médicos residentes em anestesiologia: o programa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A residência médica pode trazer desgaste emocional. Este artigo descreve um programa de tutoria durante o período de treinamento dos médicos em Anestesiologia. MÉTODO: O programa foi instituído na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Vinte e sete residentes de Anestesiologia participaram do programa e quatro profissionais de saúde constituíram a equipe de tutoria. Um questionário sobre as impressões dos médicos residentes de primeiro e segundo anos, a respeito da formação médica em Anestesiologia foi desenvolvido com doze perguntas e três respostas para cada um, sendo aplicado antes e no fim do programa. Foram constituídos quatro grupos de residentes: residentes do 1º ano; residentes do 2º ano; residentes do 1º ano e 2º ano (2 grupos). As reuniões de tutoria ocorreram mensalmente às quintas-feiras, 7h00, com duração de uma hora. RESULTADOS: O cotidiano do residente foi considerado adequado. Houve redução na frustração e melhoria na auto-confiança. Um número elevado descreveu maior entusiasmo pela Anestesiologia e expectativas mais elevadas em relação ao futuro após a residência. Os tutores relataram a importância de reuniões obrigatórias, a possibilidade discutir a humanização e a possibilidade de despreparo dos tutores como um fator da limitação. CONCLUSÕES: O programa de tutoria pode ser considerado como um instrumento para a adaptação dos residentes no programa de Anestesiologia.
2004
Marcolino,José Álvaro Marques Vieira,Joaquim Edson Piccinini Filho,Luiz Mathias,Lígia Andrade da Silva Telles
Analgésicos inibidores específicos da ciclooxigenase-2: avanços terapêuticos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Os antiinflamatórios não-esteroidais (AINE) estão entre as drogas mais prescritas e usadas no mundo, incluindo a utilização em Anestesiologia. O propósito desta revisão é discutir alguns aspectos atuais da bioquímica da ciclooxigenase, que vem servindo de base para o desenvolvimento dos novos AINE. CONTEÚDO: Estas drogas exercem suas ações principalmente através da inibição da ciclooxigenase (COX), a enzima chave que catalisa a conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos. Pelo menos duas isoformas da COX já foram identificadas, a COX-1, que é constitutivamente expressa na maioria dos tecidos, e a COX-2, que é uma forma induzível da enzima localizada principalmente nas células e tecidos envolvidos em processos inflamatórios. Com a descoberta da COX-2 e a determinação de sua estrutura, foi possível desenvolver drogas mais seletivas que reduzem a inflamação sem afetar a COX-1, protetora do estômago e rins, dando origem a uma nova geração de compostos antiinflamatórios denominados de inibidores específicos da COX-2. CONCLUSÕES: Embora estes compostos de última geração apresentem menor toxicidade para o trato gastrintestinal, outros efeitos adversos graves têm sido observados, incluindo insuficiência renal e efeitos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio e a trombose. A despeito destes efeitos colaterais, estes novos fármacos estão sendo testados em outras condições clínicas, principalmente no tratamento preventivo do câncer e da doença de Alzheimer.
2004
Carvalho,Wilson Andrade Carvalho,Rosemary Duarte Sales Rios-Santos,Fabrício
Estudo comparativo entre concentrações de bupivacaína a 0,125% e a 0,25% associada ao fentanil para analgesia de parto por via peridural
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A analgesia de parto tem a finalidade de diminuir ou até excluir o sofrimento materno durante o trabalho de parto, sendo considerada um método seguro e efetivo para o alívio da dor. O objetivo deste trabalho foi comparar duas concentrações de bupivacaína (0,25% e 0,125%), associada ao fentanil na analgesia de parto por via peridural, quanto à eficácia antálgica e o grau de bloqueio motor, e verificar a influência das diferentes concentrações utilizadas na duração do trabalho de parto, no bem estar do recém-nascido e na satisfação materna. MÉTODO: Neste estudo prospectivo e duplamente encoberto, 51 gestantes primíparas foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos para receberem uma de duas concentrações de bupivacaína para indução de analgesia de parto (0,25% [n = 23] ou 0,125% [n = 28]). Para a mensuração da analgesia, foi utilizado a escala numérica de dor, e para a avaliação do bloqueio motor, a escala de Bromage. Para a comparação das médias, foi utilizado o teste t de Student, e, para a comparação das proporções, o teste Qui-quadrado, com p < 0,05. RESULTADOS: Não houve diferença significativa nas variáveis dor, grau de bloqueio motor e bem-estar fetal entre os dois grupos. O índice de cesariana foi significativamente maior no grupo com maior concentração (p < 0,05). No grupo com menor concentração, as pacientes ficaram mais satisfeitas com o procedimento (p < 0,01). CONCLUSÕES: A bupivacaína na concentração de 0,125%, associada ao fentanil, mostrou maior benefício quando comparada com a concentração de 0,25%. Nesta dose, verificou-se menor incidência de efeitos indesejáveis sem comprometimento da analgesia proporcionada e maior grau de satisfação materna.
2004
Gomes,Marcos Emanuel Wortmann Balle,Vanessa Rezende Machado,Sheila Braga Mendes,Florentino Fernandes
Clonidina e dexmedetomidina por via peridural para analgesia e sedação pós-operatória de colecistectomia
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A clonidina e a dexmedetomidina são agonistas alfa2-adrenérgicos que, quando administrados por via peridural, possuem propriedades analgésicas e potencializam os efeitos dos anestésicos locais. A presente pesquisa objetivou avaliar a analgesia e a sedação produzidas pela clonidina ou dexmedetomidina associadas à ropivacaína, por via peridural, no pós-operatório de colecistectomia por via subcostal. MÉTODO: Participaram do estudo aleatório e duplamente encoberto 40 pacientes, de ambos os sexos, com idade variando de 18 a 50 anos, peso entre 50 e 100 kg, estado físico ASA I e II, submetidos à colecistectomia por via subcostal, os quais foram distribuídos em dois grupos: clonidina (GC), em que foi administrada clonidina (1 ml = 150 µg) associada à ropivacaína a 0,75% (20 ml) por via peridural; dexmedetomidina (GD), em que foi injetada dexmedetomidina (2 µg.kg-1) associada à ropivacaína a 0,75% (20 ml) por via peridural. A analgesia e a sedação foram observadas 2, 6 e 24 horas após o término da anestesia. RESULTADOS: Ocorreu sedação depois de 2 e 6 horas em ambos os grupos, sendo que houve diferença estatística significante entre os tempos de 2 e 6 horas no grupo dexmedetomidina. Houve analgesia em ambos os grupos, especialmente depois de 2 e 6 horas. Foi detectada diferença estatística significante entre os tempos de 2, 6 e 24 horas no grupo dexmedetomidina; no grupo clonidina essa diferença estatística significante foi observada entre os tempos de 2 e 6 horas e entre 2 e 24 horas. CONCLUSÕES: Os resultados permitiram concluir que a clonidina ou a dexmedetomidina associadas à ropivacaína a 0,75% asseguraram analgesia e sedação nos tempos de observação de 2 e 6 horas após o término da anestesia, nos pacientes submetidos à colecistectomia por via subcostal e que a clonidina promove analgesia mais prolongada.
2004
Vieira,Antônio Mauro Schnaider,Taylor Brandão Brandão,Antônio Carlos Aguiar Pereira,Flávio Aparecido Costa,Everaldo Donizeti Fonseca,Carlos Eduardo Povoa
Peridural torácica alta associada ou não à peridural torácica baixa em pacientes ambulatoriais: implicações clínicas
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Sob bloqueio peridural torácico baixo ou médio, as alterações hemodinâmicas são facilmente controladas. Como o bloqueio peridural torácico alto (T2-T3) acomete, freqüentemente, as raízes do plexo braquial (C4)C5-T1(T2), algumas destas responsáveis pela formação do nervo frênico (C3-C4-C5) é de se supor, possíveis repercussões motoras deste último. O presente estudo realizado em cirurgias estéticas, sob bloqueio peridural segmentar isolado em T2-T3 ou associado ao bloqueio peridural segmentar em T11-T12, avaliou as repercussões motoras na dinâmica respiratória assim como nos membros superiores e inferiores. MÉTODO: Trinta e duas pacientes, estado físico ASA I e II, sem doença pulmonar broncoespástica, em atividade e peso corporal igual ou superior a 50 kg, foram submetidas a 21 bloqueios peridurais torácicos isolados em T2-T3 e as 11 restantes, a bloqueios combinados em T11-T12, com ropivacaína a 7,5% (45 a 90 mg) associada ao sufentanil (10 a 20 µg). Repercussões hemodinâmicas, respiratórias e motoras nos membros superiores e inferiores foram avaliadas respectivamente, sob monitorização não-invasiva, espirometria, força de preensão da mão e escala de Bromage. RESULTADOS: A média de duração das cirurgias mamárias foi de 105 minutos com depressão motora dos membros superiores (p < 0,001), com recuperação motora acontecendo aos 117,2 ± 51,3 minutos e a primeira manifestação de dor aos 485 ± 221,2 minutos. As cirurgias combinadas, que tiveram uma duração média de 165 minutos, com depressão motora dos membros inferiores grau 1, em 40% e grau 2, em 60% das pacientes pela escala de Bromage, sua recuperação ocorreu aos 223,9 ± 57,1 minutos e a primeira manifestação de dor em repouso, aos 555 ± 197,9 min. As funções pulmonares, VEF1 (l/seg); PFE (l.min-1); CVF (litros) apresentaram-se alteradas respectivamente, em 15,20% (p < 0,009); 13,36% (p < 0,029) e 18,09% (p < 0,007), com elevação de 8,75% do VEF1/CVF (p < 0,162). Hipotensão arterial (< 30 % dos valores iniciais) e bradicardia (< 55 bpm) ocorreram em cinco pacientes e tremores durante os bloqueios, em treze pacientes. CONCLUSÕES: Sob bloqueio torácico alto ou cérvico-torácico com doses e volumes reduzidos de soluções anestésicas, ocorrem repercussões motoras nos membros superiores e nas funções pulmonares. No entanto, a julgar por observações preliminares e do presente estudo, as alterações espirométricas foram estatisticamente significativas, porém, sem expressão clínica na dinâmica respiratória, sendo essencialmente decorrentes da paralisia dos nervos intercostais, mais que do nervo frênico.
2004
Sperhacke,Djalma Geier,Karl Otto Eschiletti,João Carlos Correia
Isquemia miocárdica silenciosa em pacientes submetidos à prostatectomia transuretral: comparação entre anestesia subaracnóidea e peridural
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A isquemia miocárdica silenciosa foi recentemente relacionada ao aumento de morbimortalidade cardíaca peri-operatória. Até 41% dos pacientes com doença coronariana conhecida ou fatores de risco cardíaco, submetidos à cirurgias não cardíacas, apresentaram isquemia peri-operatória. Vários autores compararam técnicas de anestesia regional e geral mas nenhum comparou o impacto de diferentes técnicas de anestesia no neuro-eixo na incidência e duração da isquemia miocárdica silenciosa. O objetivo deste estudo foi comparar duas técnicas diferentes de anestesia no neuro-eixo (subaracnóidea versus peridural) em pacientes idosos aleatoriamente selecionados e submetidos à prostatectomia transuretral. Optou-se por este grupo de pacientes idosos porque freqüentemente, apresentam doença coronariana silenciosa ou clinicamente aparente. Um outro fator importante que influenciou a escolha, foi a sobrecarga de volume e tremores causados pela prostatectomia transuretral nesses pacientes promovendo desequilíbrio entre consumo e oferta de oxigênio. MÉTODO: Participaram deste estudo 40 pacientes submetidos a prostatectomia transuretral, que foram estudados em relação à isquemia miocárdica silenciosa com a ajuda de um equipamento Holter. A monitorização iniciou-se 1 hora antes da cirurgia, prosseguiu durante a cirurgia e após pelas próximas 24 horas. Os dados do Holter foram analisados por um DSM modelo 300. RESULTADOS: A incidência geral de isquemia miocárdica silenciosa neste estudo foi de 30%. Não foi estabelecida nenhuma relação entre isquemia miocárdica silenciosa e o tipo de anestesia. A maior parte dos episódios de isquemia miocárdica ocorreu no período pré-operatório e não tiveram relação com alterações hemodinâmicas. No entanto, a incidência e a gravidade de isquemia miocárdica silenciosa foi mais alta em pacientes com altos escores de Detsky, hipertensão arterial e anemia. Nenhum paciente apresentou efeitos cardíacos adversos. CONCLUSÕES: O tipo de anestesia no neuro-eixo não influenciou a incidência de isquemia miocárdica silenciosa.
2004
Gautam,Parshotam Lal Katyal,Sunil Wander,Gurpreet Singh Kaur,Harpreet
Bloqueio peridural sacral: avaliação da duração da analgesia com o uso associado de lidocaína, fentanil e clonidina
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A associação de diferentes substâncias aos anestésicos locais é feita com o objetivo de melhorar a qualidade do bloqueio e prolongar a duração da analgesia. O objetivo deste trabalho foi comparar a eficácia da associação de clonidina, clonidina e fentanil e do fentanil à lidocaína, no tempo de analgesia pós-operatória. MÉTODO: O estudo envolveu 64 pacientes com idade igual ou superior a 23 anos, estado físico I ou II (ASA), escalados para cirurgia proctológica orificial, submetidos à anestesia peridural sacral. Os pacientes foram distribuídos em 4 grupos de 16: grupo I (lidocaína isolada), grupo II (lidocaína e fentanil), grupo III (lidocaína, fentanil e clonidina) e grupo IV (lidocaína e clonidina). Foram comparadas as características dos bloqueios sensitivo e motor. RESULTADOS: Não houve diferença entre a latência, bem como no nível máximo de bloqueio entre os grupos. A ausência de bloqueio motor foi o resultado mais freqüente, encontrado em cerca de 64% dos pacientes. O intervalo de analgesia foi diferente entre os grupos, sendo mais significativo no grupo III. CONCLUSÕES: O uso da clonidina, associada ou não ao fentanil, prolongou o tempo de analgesia pós-operatória na anestesia peridural sacral com lidocaína.
2004
Martins,Carlos Alberto de Souza Aragão,Pedro Wanderley de Prazeres,João de Oliveira Martins,Mahiba Mattar Rahbani de Souza
Bloqueio pleural bilateral: analgesia e funções pulmonares em pós-operatório de laparotomias medianas
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Não obstante o bloqueio pleural ter sido convertido quase numa panacéia analgésica, resultados contraditórios foram publicados. O objetivo deste estudo foi observar o desempenho analgésico e espirométrico das funções pulmonares no pós-operatório imediato de 21 pacientes com o bloqueio pleural bilateral em laparotomias medianas de urgência. MÉTODO: Bloqueio pleural bilateral foi realizado em decúbito dorsal horizontal em 21 pacientes com 20 ml de bupivacaína a 0,375% com adrenalina a 1:400.000 administrados por cateter em cada hemitórax durante o pós-operatório imediato. Soluções aleatórias de bupivacaína e de solução fisiológica foram administradas por residentes ou enfermeiras que desconheciam o conteúdo das seringas, e seus desfechos analgésicos avaliados de acordo com a escala de dor Prince Henry ao comparar os valores pré e pós-bloqueio pleural bilateral. Em função da dor pós-operatória, testes espirométricos das funções pulmonares também foram determinados mediante espirômetro portátil. RESULTADOS: Analgesia pós-operatória, com duração média de 247,75 ± 75 minutos foi constatada em todos os pacientes com a bupivacaína, embora tenha persistido dor residual de menor intensidade na região suprapúbica em cinco pacientes (8%) e em dois pacientes na apófise xifóide (3,2%). Nenhum efeito analgésico foi obtido com solução fisiológica. Face à dor pós-operatória, as funções pulmonares, avaliadas antes e após os bloqueios, registraram melhora com a bupivacaína na CVF (p < 0,0367), e no FEV1 (p < 0,0051), e nenhuma no PEF (p < 0,059) e quociente FEV1/CVF (p < 0,1263). CONCLUSÕES: No presente estudo, o controle da dor pós-operatória pelo bloqueio pleural bilateral em laparotomias medianas de urgência foi considerado nulo com solução fisiológica. No entanto, com a bupivacaína o resultado da analgesia não foi totalmente efetivo em todos os pacientes, durante a movimentação no leito e à respiração profunda. O bloqueio pleural parece não ter o mesmo desfecho analgésico em todos os pacientes.
2004
Geier,Karl Otto
Avaliação do bloqueio neuromuscular residual e da recurarização tardia na sala de recuperação pós-anestésica
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O bloqueio neuromuscular residual altera a patência das vias aéreas aumentando o risco de graves complicações no pós-operatório. Nos pacientes que recebem o anticolinesterásico, a transmissão neuromuscular é incrementada pelo acúmulo de acetilcolina na placa motora, mas que, findo o efeito da neostigmina, teoricamente é possível uma "recurarização", visto que o agente antagonista não desloca o bloqueador neuromuscular do seu local de ação. Foi objetivo deste trabalho quantificar o grau de paralisia residual em Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) e averiguar se os pacientes que receberam neostigmina apresentam fenômeno de "recurarização" tardia. MÉTODO: Foram estudados na SRPA 119 pacientes adultos que receberam bloqueadores neuromusculares para diferentes tipos de procedimentos. Ao chegarem na SRPA, a transmissão neuromuscular foi quantificada através de um monitor por método acelerográfico. Os eletrodos estimuladores foram instalados no trajeto do nervo ulnar no punho, e empregou-se a seqüência de 4 estímulos, com correntes de 30 mA, na periodicidade de 15 até 120 minutos. Nesta pesquisa considerou-se como resíduo de bloqueio neuromuscular uma relação T4/T1 abaixo de 0,9. No tempo de permanência da SRPA foram igualmente registrados os sintomas clínicos sugestivos de bloqueio neuromuscular residual e aferidos os sinais vitais. Para análise estatística foram empregadas medidas descritivas tais como média e freqüência absoluta. RESULTADOS: Os pacientes que receberam pancurônio apresentaram maior incidência de resíduo de bloqueio neuromuscular, principalmente os idosos. Nos pacientes que receberam neostigmina houve expressivo percentual de bloqueio neuromuscular residual. Em nenhum grupo observou-se o fenômeno de "recurarização" tardia. CONCLUSÕES: Constatou-se expressivo número de pacientes com resíduo de bloqueio neuromuscular, quando utilizado o pancurônio. A fase de recuperação, quando foi usada a neostigmina não se seguiu de "recurarização", sugerindo que esse fenômeno não tenha significado clínico quando o paciente não apresenta sinais de falência de órgãos ou comorbidades que alteram a transmissão neuromuscular.
2004
Almeida,Maria Cristina Simões de Camargo,Dalto Rodrigues de Linhares,Saul Fernando Pederneiras,Sérgio Galluf