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Epistemologia sobre amputações e desbridamentos de membros inferiores realizados no Hospital Universitário de Maringá
CONTEXTO: Não há estatísticas precisas sobre o número de amputações realizadas anualmente, mas é conhecido o comprometimento da qualidade de vida desses indivíduos e a necessidade de uma equipe multiprofissional para sua reabilitação. OBJETIVO: Analisar todas as amputações de membros inferiores realizadas pelo Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Regional de Maringá entre 2000 e 2006. MÉTODOS: Estudo descritivo e retrospectivo a partir dos prontuários de pacientes submetidos a amputação ou desbridamento cirúrgico de membros inferiores por trauma ou doença vascular. RESULTADOS: Ocorreram 116 procedimentos, sendo 84,5% amputações e 15% desbridamentos cirúrgicos, em 111 pacientes, sendo 78 homens e 33 mulheres, cuja média das idades foi de 63,4 anos (4 a 100 anos), sendo os principais fatores etiológicos: doenças vasculares (92,8%) e trauma (7,2%). As comorbidades e fatores de risco mais prevalentes foram: hipertensão arterial sistêmica (66%), diabetes melito (60%), tabaco (28%) e arritmia cardíaca (0,9%). Quanto à escolaridade, se observou que 52,2% dos pacientes cursaram apenas o ensino fundamental, 6,5% fizeram o ensino médio, completo ou incompleto, e 41,3% eram analfabetos. A percentagem de pacientes submetidos à amputação primária foi de 94,9%, e secundárias, 5,1%. No entanto, houve diminuição progressiva do coeficiente desses procedimentos a cada ano. CONCLUSÕES: Este trabalho permite inferir que a incidência de amputação de membros inferiores foi maior no sexo masculino e teve como principal causa a doença aterosclerótica, mas apresentou uma redução progressiva.
2008
Seidel,Amélia Cristina Nagata,Andréia K. Almeida,Hemerli C. de Bonomo,Márcia
Oclusão duodenal após cirurgia da aorta abdominal: relato de caso
A maior parte dos artigos sobre obstrução duodenal após cirurgia aórtica cita dados referentes às correções da doença aneurismática e não da doença aterosclerótica. Não obstante, é consenso que se trata de uma complicação rara, cuja incidência é menor do que 1%. Os autores relatam o caso de um paciente submetido a enxerto aorto-bifemoral que apresentou, como complicação pós-operatória, oclusão duodenal. O paciente foi tratado com reintervenção cirúrgica e uso de remendo de grande omento para síntese do retroperitônio. A revisão da literatura indica que a maioria dos casos responde bem ao tratamento conservador, e a conduta cirúrgica normalmente só é necessária quando aderências são a causa da obstrução ou quando o tratamento clínico não é satisfatório após 2 semanas.
2008
Góes Junior,Adenauer Marinho de Oliveira Petnys,Alexandre Rabboni,Edgar Neves Junior,Milton Alves das Petterle,Paulo Henrique Melo,Rafael Couto Protta,Tatiana Rocha Terci,Weverton
Cirurgia de varizes dos membros inferiores em pacientes receptores de transplante hepático: relato de caso
O transplante hepático vem progressivamente apresentando melhores resultados e maior preocupação com a qualidade de vida dos pacientes. As varizes dos membros inferiores são comuns na população e causam sintomas em boa parte dos casos, comprometendo a qualidade de vida. Em pacientes com boa condição clínica e funcionamento normal do enxerto, o tratamento cirúrgico das varizes de membros inferiores pode ser a opção com resultado mais eficaz e duradouro. Os autores relatam dois casos de pacientes que haviam sido submetidos a transplante hepático e apresentavam varizes sintomáticas de membros inferiores, e foram submetidos a cirurgia de varizes após liberação pela equipe de transplante hepático. As operações ocorreram sem intercorrências, com bom resultado no seguimento. A cirurgia de varizes dos membros inferiores pode ser realizada com segurança em pacientes receptores de transplante hepático, sendo uma opção eficaz e duradoura no tratamento da insuficiência venosa crônica nesses pacientes.
2009
Timi,Jorge R. Ribas Del Valle,Carlos Eduardo
A sazonalidade do tromboembolismo venoso no clima subtropical de São Paulo
CONTEXTO: Os fatores desencadeantes da doença tromboembólica venosa vêm sendo cada vez melhor identificados. Causas externas podem influir na sua ocorrência, e algum destaque tem sido dado a fatores climáticos. Nada se sabe quanto a essa interferência em nossa latitude. OBJETIVOS: Analisar se há diferença na incidência do tromboembolismo venoso de acordo com as estações do ano, num hospital da cidade de São Paulo, Brasil, cujo clima é categorizado como subtropical. MÉTODOS: Foi realizado trabalho retrospectivo de levantamento de dados a partir de prontuários de pacientes cujo diagnóstico de internação ou óbito foi de trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar, no período de janeiro de 1996 a outubro de 2003, no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Para comparação e estudo, os casos foram agrupados em trimestres (primeiro trimestre = janeiro, fevereiro e março; segundo trimestre = abril, maio e junho; terceiro trimestre = julho, agosto e setembro; e quarto trimestre = outubro, novembro e dezembro) e conforme sua ocorrência nos chamados meses quentes e frios, de acordo com a média de temperatura mensal (meses quentes = outubro a abril; meses frios = maio a setembro). RESULTADOS: Foram encontrados 955 casos de tromboembolismo venoso no período analisado. Foi utilizado o teste ANOVA para análise, que não revelou diferença estatisticamente significativa na incidência do tromboembolismo venoso de acordo com os trimestres. Quando analisados separadamente, também não se evidenciou significância estatística em relação ao tromboembolismo pulmonar e à trombose venosa profunda. Quando comparados os meses quentes e frios, observou-se aumento da incidência de trombose venosa profunda nos meses quentes (p < 0,05, teste de Mann-Whitney). CONCLUSÃO: O tromboembolismo venoso é uma doença que não tem uma relação bem estabelecida com as variações climáticas. A influência da temperatura ambiental na coagulabilidade ainda precisa ser amplamente estudada.
2009
Kleinfelder,Daniela Andrade,Jó Luis Schlaad,Sascha Werner Carvalho,Francine Correa Bellen,Bonno Van
Aneurisma de artéria ilíaca interna roto: relato de caso
Aneurismas isolados da artéria ilíaca interna são raros, acometem 0,1% da população e correspondem a 1% dos aneurismas aorto-ilíacos. Na maioria das vezes, os pacientes são assintomáticos, mas podem apresentar dor abdominal, massa pulsátil no hipogástrio ou na fossa ilíaca, sintomas compressivos urinários, gastrointestinais ou neurológicos. Podem ocasionar quadro de abdome agudo, principalmente quando há ruptura. O diagnóstico precoce dos aneurismas isolados de artéria ilíaca interna é incomum, sendo identificados quando mais volumosos ou rotos, o que aumenta significativamente sua morbimortalidade e torna seu prognóstico mais reservado. Dessa forma, representam um desafio terapêutico. A ligadura cirúrgica tem sido o tratamento mais comum, entretanto a cirurgia endovascular tem mostrado bons resultados, inclusive nos aneurismas rotos. É relatado caso de aneurisma de artéria ilíaca interna isolado roto diagnosticado durante laparotomia para abordagem de abdome agudo.
2009
Afonso,Cristina Toledo Procópio,Ricardo Jayme Navarro,Túlio Pinho Kleinsorge,Gustavo Henrique Dumont Rodrigues,Beatriz Deoti e Silva Rodrigues,Marco Antônio Gonçalves
Edema de membro inferior secundário a exérese de veia safena magna para utilização como enxerto na revascularização do miocárdio
CONTEXTO: A revascularização do miocárdio utilizando-se a veia safena magna ainda é procedimento cirúrgico bastante realizado na atualidade. O edema que surge no membro inferior operado causa grande desconforto e necessita ser melhor estudado. OBJETIVOS: Caracterizar o edema de membro inferior secundário a exérese da veia safena magna pela técnica de incisões escalonadas para sua utilização como enxerto venoso na revascularização do miocárdio. MÉTODOS: Foram selecionados aleatoriamente 44 indivíduos submetidos a exérese de veia safena magna para revascularização miocárdica há mais de 3 meses. Excluíram-se fatores que pudessem interferir na formação de edema dos membros inferiores. Foram avaliados por volumetria e perimetria maleolares ambos os membros inferiores. Considerou-se como presença de edema significativo a diferença de volume maior que 50 mL e maior de 2 cm em relação ao membro não-operado. Para a análise estatística foram empregados o teste do qui-quadrado, teste exato de Fisher, teste t de Student e o teste de McNemar. O nível de significância adotado foi de 5% (a = 0,05). RESULTADOS: Encontraram-se diferenças estatisticamente significativas (p < 0.05) entre os membros operados e os não-operados, sendo 56,8% com volume maior que 50 mL e 31,9% com perímetro maleolar maior que 2 cm. Não se encontrou associação entre a presença do edema e características da amostra ou da cirurgia e de intercorrências clínicas perioperatórias ou tardias. CONCLUSÕES: Pacientes submetidos a ressecções de veia safena magna para sua utilização como ponte coronariana poderão apresentar edema no membro associado.
2009
Belczak,Cleusa Ema Quilici Godoy,José Maria Pereira de Ramos,Rubiana Neves Tyszka,André Luiz Belczak,Sergio Quilici Caffaro,Roberto Augusto
Envolvimento macrovascular e esclerose sistêmica
Este artigo tem como objetivo revisar os aspectos descritos na literatura sobre o acometimento da macrovasculatura na esclerose sistêmica e avaliar a ocorrência e distribuição das alterações macrovasculares nos pacientes com esclerose sistêmica através do eco-Doppler e do índice tornozelo-braço, além da associação desses achados com as características demográficas, forma clínica, tempo de evolução da doença, fenômeno de Raynaud (FR), alterações digitais, ulcerações de membros, reabsorção de falange, amputação, bem como fatores de risco e antecedentes da doença ateromatosa. O estudo foi prospectivo, do tipo série de casos, constituído de 20 pacientes, sendo 19 do sexo feminino, com idade média de 46,30 anos. Todos os pacientes tinham fenômeno de Raynaud objetivo, 85% a forma clínica difusa, 55% alteração de polpa digital, 15% úlcera atual de membros, 25% reabsorção de falange, nenhuma amputação e 70% de um a quatro fatores de risco. Foram estudadas pelo eco-Doppler as artérias aorta e carótida, dos membros inferiores e superiores, para a avaliação de espessamento do complexo íntimo-medial e presença de placas e aneurismas. Nas artérias dos membros inferiores, foi também realizado o índice tornozelo-braço. O índice tornozelo-braço foi normal em todos os pacientes; entretanto, 12 (60%) destes apresentaram doença macrovascular pelo eco-Doppler, sendo nove (45%) na aorta, seis (30%) nas carótidas, uma (5%) nas artérias dos membros superiores e sete (35%) nas dos membros inferiores. Observou-se associação entre doença macrovascular e alterações de polpas digitais (p = 0,0045). A doença macrovascular foi identificada em 60% dos pacientes através do eco-Doppler, mas não pelo índice tornozelo-braço, que foi normal em todos. Verificou-se associação significante da doença macrovascular com as alterações atuais de polpas digitais, o que não ocorreu com as demais variáveis estudadas.
2009
Godoi,Emmanuelle Tenório Albuquerque Madruga Barbosa,Alexandre Domingues Godoi,Juannicelle Tenório Albuquerque Madruga Ramos,Mariana Atanásio Morais Godoi,Jocelene Tenório Albuquerque Madruga Marques,Silvio Romero de Barros Duarte,Ângela Luzia Branco Pinto
Prevalência e fatores de risco da doença arterial periférica sintomática e assintomática em hospital terciário, Rio de Janeiro, Brasil
CONTEXTO: Doença arterial periférica é caracterizada pelo índice tornozelo-braquial (ITB) < 0,90, em indivíduos ≥ 40 anos, aumentando a prevalência com a idade. OBJETIVO: Detectar a prevalência de doença arterial periférica assintomática e sintomática, com introdução do ITB, associada a fatores de risco demarcados. MÉTODOS: Coorte descritiva identificada em unidade hospitalar terciária de angiologia, de dezembro de 2006 a dezembro de 2007, com idade ≥ 30 anos. Doenças pregressas e fatores de risco foram analisados associados à prevalência. ITB < 0,90 e questionário padronizado definiram doença arterial periférica sintomática com claudicação e assintomática com ausência de claudicação, ambas comparadas aos sem doença arterial periférica (ITB 0,90-1,30). A análise estatística utilizou programa SPSS, com significância de p < 0,05. RESULTADOS: Dos 407 pacientes, 248 apresentaram doença arterial periférica, sendo 52,2% do sexo feminino, com média de idade de 70,1±10,2 anos (p < 0,005). A prevalência de 60,9% (IC95% 56-66) foi subdividida em: assintomática, 10,1% (IC95% 6,3-13,8); e sintomática, 89,9% (IC95% 86,2-93,7). Destes, 32,2% (IC95% 26,4-38,1) apresentaram isquemia crítica. Ajustada por sexo e idade, a prevalência aumenta significativamente entre 55-74 anos, com predomínio do feminino (1,35:1) nos indivíduos acima de 74 anos. A prevalência dos assintomáticos e sintomáticos foi influenciada por tabagismo, hipertensão, diabéticos autorreferidos e confirmados, sobrepeso, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico (p < 0,005). A média do ITB foi mais baixa nos sintomáticos (0,57±0,17) (p < 0,005). CONCLUSÃO: O ITB detectou doença arterial periférica com graus variáveis de gravidade associada a fatores de risco, identificando os assintomáticos não-claudicantes e os sintomáticos em unidade terciária.
2009
Panico,Marilia Duarte Brandão Spichler,Ethel Stambovsky Neves,Mario Fritsch Pinto,Liana Wernersbach Spichler,David
Tratamento de hemangioma ulcerado: relato de caso
O hemangioma é o tumor vascular mais presente em crianças até 1 ano de idade. Geralmente, sua involução é espontânea, sendo por isso recomendada uma conduta expectante. Ulceração e infecção secundária, seguidas de hemorragia, são as complicações mais frequentes dos hemangiomas. Estima-se que apenas 10 a 20% dos hemangiomas precisem ser tratados. A cirurgia é indicada nos casos de emergência, naqueles em que não há resposta aos tratamentos sistêmicos ou por razões estéticas. O objetivo deste estudo é relatar um caso de hemangioma combinado ulcerado do pavilhão auricular, em paciente de 8 meses de idade submetida a exérese total.
2009
Pitta,Guilherme Benjamin Brandão Gomes,Rosamaria Rodrigues
Oclusão arterial aguda de stent fêmoro-poplíteo
A oclusão aguda de stent fêmoro-poplíteo pode ser causa de isquemia crítica dos membros inferiores. A terapia fibrinolítica pode não ser a forma de tratamento mais indicada para o grupo de pacientes com esse quadro clínico. Neste artigo, apresentamos um caso em que a retirada de um fragmento de stent por endarterectomia tornou possível a revascularização do membro.
2009
Rossi,Fabio Henrique Uehara,Milton Kiyonory Chen,Juliana Maia,Thiago Emilio Burza Darold,Eduardo Mulinari Martins,Andréia Silveira Izukawa,Nilo Mitsuro Prakasan,Akash Kuzhiparambil Izukawa,Nilo Mitsuro
Arterite de Takayasu e doença de Crohn: uma associação incomum
A arterite de Takayasu e a doença de Crohn são doenças inflamatórias com etiologia desconhecida. Raramente ocorrem de modo concomitante em um mesmo indivíduo, havendo menos de 30 casos relatados na literatura. Este trabalho descreve essa associação em uma paciente de 36 anos de idade portadora de doença de Crohn, que apresentou redução dos pulsos no membro superior esquerdo e pressão arterial de 60/40 mmHg. A angiotomografia evidenciou estenose segmentar de artéria subclávia esquerda e espessamento parietal circunferencial da aorta na transição toracoabdominal entre T10 e L1, estabelecendo o diagnóstico de arterite de Takayasu. Ambas as patologias são mediadas imunologicamente e apresentam granulomas e vasculite granulomatosa, o que contribui para reforçar a hipótese de uma origem imunológica comum no seu desenvolvimento. Acreditamos que este seja o primeiro caso relatado na literatura brasileira da presença concomitante destas duas enfermidades.
2009
Konopka,Clóvis Braun,Stela Karine Machado,Gabriela
Inner tubing endograft: a new technique for bifurcation preservation
Treating narrow arteries and their bifurcations is a major challenge to the endovascular surgeon. We describe a new endovascular technique that was used to treat a narrow aorta and that may also be used to preserve other bifurcations. Using three straight stents may enable the endovascular surgeon to treat bifurcation while maintaining flow to both distal arteries.
2009
Lederman,Alex Saliture Neto,Fernando Tavares Mioto Netto,Boulanger Bub,Guilherme Linhares Lobato,Manoel Augusto Aun,Ricardo
Heparin-induced thrombocytopenia and endovascular procedures: report of two cases
Heparin-induced thrombocytopenia (HIT) is a transient disorder caused by platelet-activating antibodies against platelet factor 4 (PF4)-heparin complexes. Clinically it translates into arterial or venous thrombosis and carries high morbidity and mortality. The use of large doses of heparin during endovascular repair of abdominal aortic aneurysm could increase the incidence of HIT. We report two cases associating the use of heparin during endovascular repair of abdominal aortic aneurysm with the development of HIT.
2009
Werneck,Christiane Campolina Furquim Lossing,Allan Lindsay,Thomas F.
Spontaneous splenic rupture in a patient receiving thrombolytic therapy
We describe the case of a 67-year-old female patient with a history of femoral-distal bypass graft with sudden onset of unremitting leg pain, who had recently received tissue plasminogen activator (t-PA). The patient reported non-compliance with her warfarin regimen. Angiography revealed occlusion of the bypass graft. Infusion of t-PA was performed via a right femoral artery approach. On hospital day two, the patient developed nausea and abdominal pain with associated hypotension. A CT scan showed a massive intra-abdominal and pelvic free fluid consistent with blood. The spleen was enlarged and fluid noted around the liver. At laparotomy, a grade III splenic laceration at the hilum was identified and a splenectomy performed. The patient recovered completely. Although rare, spontaneous splenic rupture should be considered in the differential diagnosis of patients undergoing thrombolytic therapy who develop signs of hemodynamic instability.
2009
Revesz,Elizabeth Grimaldi,John A. Clark,Elizabeth T. Podbielski,Francis J.
Indução anestésica com a técnica de seqüência rápida
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A indução da anestesia por meio da técnica de seqüência rápida é utilizada, principalmente, para proteger as vias aéreas, quando há risco de aspiração do conteúdo gástrico. O objetivo deste artigo é revisar a técnica e os diferentes protocolos que buscam o uso racional dos fármacos disponíveis, visando condições ideais de intubação traqueal, sem aumentar o risco de aspiração do conteúdo gástrico ou de outras complicações. CONTEÚDO: Apresenta uma revisão da técnica da indução com seqüência rápida, enfatizando o uso racional dos hipnóticos, opióides e bloqueadores neuromusculares (BNM), para reduzir o período entre a perda da consciência e o correto posicionamento do tubo traqueal, ou seja, diminuir o período de maior risco para aspiração e ainda manter excelentes condições de intubação traqueal. CONCLUSÕES: A intubação traqueal após indução anestésica por meio da técnica de seqüência rápida está indicada naqueles pacientes, com risco de aspiração gástrica, em que não há suspeita de intubação traqueal difícil. A indicação correta da técnica, sua aplicação criteriosa e a utilização racional das drogas disponíveis podem promover condições excelentes de intubação, com curto período de latência, rápido retorno da consciência e da respiração espontânea, caso haja falha na intubação traqueal.
2004
Moro,Eduardo Toshiyuki Módolo,Norma Sueli Pinheiro
Lesão neurológica em cirurgia cardíaca: aspectos fisiopatológicos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Em virtude de as lesões neurológicas ocuparem um papel importante no contexto das complicações pós-operatórias, quando comparadas às demais, o presente estudo procurou discutir os principais fatores envolvidos na lesão neurológica peri-operatória em cirurgia cardíaca, as intervenções que buscam diminuir a incidência de lesões neurológicas, enfocando de maneira simples, e a provável gênese genética em tais lesões encefálicas. CONTEÚDO: Este trabalho contém a revisão de artigos que enfocam a fisiopatologia das lesões neurológicas relacionadas a procedimentos cardíacos, sua possível origem genética, bem como uma proposta para sua prevenção. CONCLUSÕES: Muito tem se falado das disfunções cognitivas de pacientes após cirurgia cardíaca, como a revascularização do miocárdio que é motivo do aumento da morbimortalidade observada atualmente e fator de maior tempo de hospitalização. É fato que já houve grandes avanços nessa área a fim de diminuir esses índices, prevendo-se ainda outros que visam a profilaxia de lesões neurológicas.
2004
Lelis,Rólison Gustavo Bravo Auler Júnior,José Otávio Costa
Avaliação da correlação entre o dióxido de carbono expirado e o débito cardíaco em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O CO2 expirado (P ET CO2) reflete, além da ventilação pulmonar (eliminação), a produção de dióxido de carbono (metabolismo) e o fluxo sangüíneo pulmonar (circulação). Quando o metabolismo e a ventilação são constantes, o CO2 expirado reflete o fluxo sangüíneo pulmonar e, desta forma, o débito cardíaco (DC). Este estudo tem como objetivo a avaliação da correlação entre o dióxido de carbono expirado (P ET CO2) e o débito cardíaco em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea (CEC). MÉTODO: Foram estudados 25 pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica com CEC. Após a intubação traqueal iniciou-se a monitorização da P ET CO2. A determinação do débito cardíaco (DC) foi feita por método de termodiluição com o uso de cateter de Swan-Ganz e a PaCO2 foi avaliada através de gasometria arterial. Os parâmetros do estudo foram avaliados em quatro momentos: logo após a indução da anestesia geral; antes da circulação extracorpórea, ao término da circulação extracorpórea e ao final da cirurgia. RESULTADOS: O teste estatístico não demonstrou uma correlação entre o CO2 expirado e o DC, assim como o gradiente de dióxido de carbono arterial e expirado (Ga-eCO2) e o DC. Foi encontrada correlação entre a variação dos valores da P ET CO2, Ga-eCO2 e DC em relação ao basal antes da CEC com perda da correlação após a CEC até o final da cirurgia. CONCLUSÕES: Neste estudo, onde se avaliam pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com CEC, as alterações de relação ventilação/perfusão ocorridas ao longo do procedimento são, provavelmente, os fatores determinantes da diminuição da correlação entre o débito cardíaco e o valor de dióxido de carbono expirado.
2004
Miyaji,Karina Takesaki Buscati,Roberto Iara Rodriguez,Antônio José Arraiz Machado,Luciano Brandão Malbouisson,Luiz Marcelo Sá Carmona,Maria José Carvalho
Estudo comparativo entre fentanil por vias peridural e venosa para analgesia de operações ortopédicas
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Existem controvérsias sobre o local de ação de opióides lipofílicos após injeção peridural, e alguns autores acreditam que esses fármacos agem no nível supra-espinhal, enquanto outros acham que ocorre ação espinhal. Para tentar esclarecer essa dúvida foi feito estudo comparativo da aplicação de fentanil por vias peridural e venosa após operações ortopédicas de membro inferior. MÉTODO: O estudo foi aleatório e duplamente encoberto. Quando apresentavam dor pós-operatória, os pacientes do G1 (n = 14) receberam 5 ml de solução (100 µg de fentanil em solução fisiológica a 0,9%) por via peridural e 2 ml de solução fisiológica a 0,9% por via venosa, os do G2 (n = 15) receberam 5 ml de solução fisiológica a 0,9%, por via peridural e 2 ml de fentanil (100 µg) por via venosa. Foi avaliada a necessidade de complementação analgésica com tenoxicam (40 mg) por via venosa e com bupivacaína a 0,25% (5 ml) por via peridural (quando não havia alívio com tenoxicam). A intensidade da dor foi avaliada pelas escalas numérica e verbal nos momentos M30, M120 e M240 minutos. RESULTADOS: O número de pacientes que necessitaram de complementação analgésica, tanto com o tenoxicam (G1 = 10 e G2 = 15 pacientes) quanto com a bupivacaína (G1 = 2 e G2 = 8 pacientes) foi maior no G2. Não houve diferença estatística na intensidade da dor entre os grupos nos tempos avaliados. CONCLUSÕES: Nas condições deste estudo o efeito analgésico do fentanil peridural é melhor que por via venosa.
2004
Privado,Marcelo Soares Sakata,Rioko Kimiko Issy,Adriana Machado Garcia,João Batista Santos
Determinação das substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico como indicador da peroxidação lipídica em ratos tratados com sevoflurano
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O sevoflurano é um éter fluorado de baixa solubilidade sangüínea e sua biotransformação ocorre por meio do sistema enzimático hepático oxidativo que envolve o citocromo P450 2E1. A peroxidação lipídica ocorre durante o processo de biotransformação dos éteres sob ação do citocromo P450, um dos possíveis mecanismos de toxicidade hepática e renal promovida por esses compostos. O objetivo deste estudo foi determinar os níveis de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (SRAT), como indicador da peroxidação lipídica, em ratos que receberam sevoflurano, previamente tratados ou não com isoniazida, indutor enzimático do citocromo P450 2E1. MÉTODO: Foram utilizados 42 animais, distribuídos aleatoriamente em 4 grupos que receberam respectivamente: G1 - oxigênio a 100% 1 l.min-1/60 minutos por 5 dias consecutivos; G2 - sevoflurano a 4% em oxigênio a 100%, 1 l.min-1/60 minutos por 5 dias consecutivos; G3 - isoniazida (50 mg.kg-1.dia) por via intraperitoneal durante 4 dias consecutivos, em seguida foi tratado como o G1, no G4 - isoniazida 50 mg.kg-1.dia por via intraperitoneal durante 4 dias consecutivos, sendo tratado, posteriormente, como o G2. Após 12 horas do último tratamento, sacrificaram-se os animais e foi coletado o plasma para a análise das SRAT, sendo removido o lobo esquerdo do fígado e os rins para exame histológico. RESULTADOS: Os resultados mostraram aumento nas taxas de SRAT no G3 e G4, com elevação discreta em G2. O estudo histológico revelou necrose focal no fígado de ratos pré-tratados com isoniazida (G3). CONCLUSÕES: O sevoflurano promoveu peroxidação lipídica apenas quando associado à isoniazida.
2004
Bezerra,Francisco José Lucena Rezende,Adriana Augusto Rodrigues,Sara Jane Almeida,Maria das Graças
Isoflurano em emulsão lipídica por via venosa promove estabilidade cardiovascular respiratória em modelo experimental
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A administração venosa de anestésico inalatório pode causar lesão pulmonar. Halotano em solução lipídica por via venosa promove anestesia com estabilidade hemodinâmica e respiratória. Esta pesquisa procurou estabelecer a dose de indução para emulsão lipídica de isoflurano a 10% e observar as condições cardiovasculares e respiratórias, em anestesia experimental. MÉTODO: Sete porcos machos foram selecionados. Os animais receberam infusão de propofol para as preparações cirúrgicas invasivas: dissecção de artéria femoral e veia jugular, sensor de ecodopplercardiografia no esôfago. Foram registrados freqüência cardíaca (FC), eletrocardiograma (ECG), pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD), média (PAM), venosa central (PVC), índice cardíaco (IC), débito cardíaco (DC) e índice bispectral (BIS). As frações inspirada e expirada dos gases respiratórios foram analisadas continuamente. Iniciada infusão da emulsão lipídica de isoflurano até o índice bispectral atingir valor de 40 ± 5 (BIS40). Os animais foram mantidos anestesiados e submetidos a laparotomia exploradora para sutura gástrica. RESULTADOS: O volume total infundido para atingir BIS40 foi 25,6 ± 11,2 ml (2,56 ml de isoflurano). O tempo médio para atingir BIS40 foi 15,6 ± 6,9 minutos. Maior velocidade de infusão reduziu o tempo para os animais atingirem BIS40. Condições cardiovasculares e respiratórias mostraram-se estáveis durante a experimentação. A freqüência cardíaca aumentou com a elevação da fração expirada do isoflurano. CONCLUSÕES: A infusão venosa do isoflurano em solução emulsificada promoveu diminuição do índice bispectral, estabilidades hemodinâmica e respiratória e correlação direta com sua fração expirada. O uso do isoflurano em emulsão lipídica pode se constituir em modalidade segura de aplicação deste anestésico.
2004
Mathias,Lígia Andrade da Silva Telles Piccinini Filho,Luiz Rittes,José Carlos Souza,Flávia Salles Pedro,José Ricardo Pinotti Cirillo,Wagner Vieira,Joaquim Edson