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O GOVERNO BRIZOLA E A QUESTÃO INDÍGENA NO NORTE DO RIO GRANDE DO SUL (1958-1962)

A região do planalto-norte do estado do Rio Grande do Sul, durante o século XX, foi um verdadeiro “palco” de movimentos sociais, geralmente de cunho agrário. A questão indígena entre as décadas de 1940 e 1960, não fugiu desse paradigma. O ex-governador Leonel Brizola, assim como seus antecessores – por exemplo, Walter Jobim e Ildo Meneghetti – também praticaram a redução de territorialidades indígenas. Destacamos o período do governo Brizola, pois, foi este que de certa forma “coroou” essa prática. Para entendermos esse assunto de expropriação de terras indígenas, é necessário, analisarmos um período anterior que é no início do século XX, que na qual, descentes de imigrantes, migram das colônias velhas (região de São Leopoldo-RS e Caxias do Sul-RS) para as colônias novas (planalto-norte rio-grandense), também é um período que o governo positivista gaúcho, demarca 11 áreas indígenas (1910-1918) no norte do estado. A partir da década de 1940, praticamente as terras no estado estão todas ocupadas. Entretanto havia colonos sem-terras, e a partir disso, começam a ocorrer movimentos pela região. A intrusão nas áreas indígenas culmina num movimento social, de um lado colonos sem-terras e do outro indígenas.

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2022-12-06T14:18:53Z

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da Silva, Gean Zimermann

RELAÇÕES DE RECIPROCIDADE: O DESEMPENHO MILITAR NA LÓGICA DE ARRECADAÇÃO DE RECURSOS- GUERRA CONTRA ARTIGAS (1811-1820)

Este artigo é um estudo de correspondências que narravam enfrentamentos armados durante o período relativo à Guerra contra Artigas (1811-1820) nos confins meridionais do Império Português na América. O trabalho é feito através da análise de correspondências pertencente ao Fundo Guerra do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Selecionamos ofícios em que os comandantes de campo narravam às vitórias obtidas contra as tropas de Artigas. Interrogamos as implicações da presença nesses relatos de uma exaltação dos comandantes e regimentos militares vitoriosos. Diante da endemia bélica que vivia essa região à época analisada, consideramos que um estudo dos sucessos militares, que permitiram ao Império Português se estender, conquistar e garantir o domínio de suas fronteiras é essencial para compreender uma das formas de conquista de poder nessa sociedade, e as relações que se fundavam no bom desempenho na guerra. Mais do que um procedimento comum, as consagrações presentes nas cartas parecem ter um sentido, inserindo-se em uma lógica de relações de reciprocidade, na qual a elite militar ao mesmo tempo em que lutava em nome de Sua Majestade e sustentava a fronteira do império português angariava para si terras e prestígio que permitiam a reprodução da mesma lógica regionalmente. Essa analise parte do projeto financiado pelo CNPQ: Potentados regionais, sociedade e construção do Estado no Brasil: um estudo a partir da fronteira meridional (1811-1865), coordenado por Luís A. Farinatti.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Milbradt Corrêa, Mariana

ALIMENTAÇÃO: O TRABALHO DE PRESERVAR E ELABORAR A IDENTIDADE E A MEMÓRIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES NA COLÔNIA DE SANTO ÂNGELO/ RS (1850-1900)

Em 1850 o governo Imperial entrou em contato com o governo Provincial do Rio Grande do Sul para ajustar a instalação de uma colônia de imigrantes alemães em terras devolutas na região central do Estado, surgindo dessas aspirações a Colônia de Santo Ângelo. Ao tratarmos da questão do imigrante, é válido observar a relação dele com a alimentação, com a língua, com sua história, sua identidade e memória. A alimentação dos imigrantes alemães que vieram habitar a Colônia Santo Ângelo na metade do século XIX não foi um transplante direto das regiões de onde estes partiram. Foi necessário adaptar receitas e gostos aos ingredientes e sabores encontrados no Novo Mundo. A identidade assim, pode se manifestar e se sustentar através da comida, fazendo sentido, e, ao mesmo tempo, apontando para a exterioridade que é constitutiva da alimentação. A identidade, não é estável, homogênea e acabada, está em constante movimento e é cheia de discursos construídos e reelaborados através da memória. Para tanto, nosso interesse recai sobre as questões que envolvem o imaginário de identidade e os aspectos atrelados à alimentação nas práticas sociais e como essas questões são apresentadas a partir da memória dos imigrantes alemães. A memória pode apresentar-se de forma documentada ou ainda adquirida através da oralidade, por meio de depoimentos, testemunhos, registros escritos, entre outras modalidades. Quando refletimos sobre os aportes teóricos da memória e identidade percebemos que questões do cotidiano são elementos formadores dos conceitos sobre o assunto. Nessa perspectiva, a alimentação ascende como um agente social que atuava dentro

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2022-12-06T14:18:53Z

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Friedrich, Fabiana Helma

A IMIGRAÇÃO ITALIANA ATRAVÉS DA HISTÓRIA ORAL DAS ÍTALO-DESCEDENTES NO MUSEU ETNOGRÁFICO DA COLÔNIA MACIEL – PELOTAS/RS

O presente artigo é resultante de uma pesquisa realizada no Banco de Imagens e Sons do Museu Etnográfico da Colônia Maciel. O trabalho aborda a imigração italiana na área colonial de Pelotas, localizada na Serra dos Tapes, através de entrevistas realizadas com moradoras da comunidade. O Museu Etnográfico da Colônia Maciel, inaugurado em junho de 2006 e mantido pelo Instituto de Memória e Patrimônio e pela Universidade Federal de Pelotas, faz parte de um Circuito de Museus da Colônia de Pelotas e está situado na Vila Maciel (8º distrito), instalado na antiga sede da Escola Garibaldi (fundada em 1929). O Museu tem por finalidade preservar a memória da comunidade e fomentar pesquisas através das três coleções que compõem o acervo (acervo oral, acervo visual e acervo material), todas originadas entre os moradores da localidade, que compartilham a identidade de descendentes de imigrantes italianos. A chegada dos imigrantes italianos na localidade teve início a partir de 1883 e está inserido no contexto imigratório do último quartel do século XIX. Embora esquecida pela bibliografia tradicional, a Colônia Maciel recebeu um número significativo de italianos que participaram da construção da identidade ítalo-pelotense. Através do olhar feminino podemos analisar a vida cotidiana dos imigrantes, bem como a chegada e o trabalho; e até mesmo, por meio de uma história comparada, as semelhanças e particularidades da imigração na Serra dos Tapes com a imigração na Serra Gaúcha.

A VIDA DE BENNO MENTZ E SUA IMPORTÂNCIA PARA A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOBRE A COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO RIO GRANDE DO SUL

O presente texto busca analisar aspectos da biografia do empresário teuto-gaúcho Benno Mentz (1896-1954). Interessado inicialmente na genealogia das famílias alemãs e, na história destes colonizadores, percorreu (1923 -1924), vários municípios do Rio Grande do Sul para angariar fundos para a construção dos monumentos, em São Leopoldo e Novo Hamburgo, que homenageiam o 1º centenário da imigração alemã neste Estado. Também foi o principal responsável pela formação do Acervo Benno Mentz ou ABM, que atualmente se encontra sob regime de comodato na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Na condição de rico empresário se dedicou à causa da identidade germânica - dos descendentes de alemães no sul do Brasil – e investiu recursos humanos e financeiros na ânsia de angariar material à sua coleção. Para um melhor entendimento do assunto abordado, também serão apreciados elementos da constituição histórico-patrimonial do ABM, afinal se trata de uma reunião de diversificadas fontes para a historiografia.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Ramos, Rosangela Cristina Ribeiro

A TRAJETÓRIA DE PADRE LUIZ SPONCHIADO NA REGIÃO DA QUARTA COLÔNIA

O Padre Luiz Sponchiado (1922-2010) nasceu e atuou em região oriunda de colonização italiana, conhecida como Quarta Colônia, localizada no centro do Rio Grande do Sul. O presente trabalho tem por interesse a compreensão do cenário que se estabeleceu por trás do religioso, principalmente os campos político e cultural, para melhor compreender as ações desempenhadas pelo padre em concomitância com a vida religiosa. Padre Luiz atuou no eixo das mobilizações políticas, como a luta pela municipalização dos antigos núcleos coloniais em um único município: a Quarta Colônia. Porém tal realização não deu certo devido às disparidades de cada núcleo e resultaram, tempos depois, na emancipação de cada núcleo. Padre Luiz agiu ainda no campo cultural, através da criação de um importante acervo, o Centro de Pesquisas Genealógicas e, a partir dele, buscou a (re)significação da Quarta Colônia. Para isso, propagou o discurso do imigrante italiano e católico, difundindo entre a população a ideia da “identidade italiana”. Nesse sentido, as ações políticas e culturais extrapolaram o campo religioso de um pároco.

“LEVANTOU-SE DENTRO DA SALA UM FORTE BARULHO SEGUIDO DE GRITOS E CHORO...”1: A VENDA COMO ESPAÇO DE TRANSAÇÕES COMERCIAIS E DESENTENDIMENTOS (1846-1865).

É dessa forma que o 1º Sargento de Polícia, Manoel Francisco Miranda define o que ocorreu no dia 13 de novembro de 1865, na casa de negócio do alemão Schülder, durante um baile público. “Casa de negócio”, “armazém de secos e molhados”, “venda”, “loja comercial”, “taberna”, “botequim” são algumas das denominações encontradas na historiografia e nas fontes primárias analisadas para referir-se a um estabelecimento que promovia transações comerciais, compra e venda de produtos diversificados, encontros para discutir sobre política, religião e falar sobre a vida dos vizinhos. Os empreendimentos comerciais podiam ser tanto um espaço de sociabilidade, na qual ocorriam jogos de carta, troca de ideias, bailes; como um local de conflito, motivado algumas vezes pela ingestão excessiva de algum tipo de bebida por alguns frequentadores, resultando em xingamentos, brigas ou desordens (AMADO, 2002: 52-53; SPERB, 1987: 17-18; MARTINY, 2010: 238). O objetivo desse artigo não é estudar a venda e a riqueza que os vendeiros acumularam ao longo de sua vida, mas observar o cotidiano através da análise dos desentendimentos que ocorriam nesse espaço, entendidos aqui como um meio de expressão para conquistar os seus direitos e espaço na sociedade (nota 229, WITT, 2008: 242). Para tal análise serão usados processos criminais referentes à Vila de São Leopoldo, dos anos de 1846 até 1865, do século XIX.

CAIBATÉ – RS: IMIGRAÇÃO E MISSIONEIRISMO

Nossa proposta é compreender o processo de desenvolvimento e de mudanças no espaço que conhecemos atualmente como município de Caibaté-RS. Pretendemos, dessa forma, entender a dinâmica de povoamento dos territórios nessa região, levando em consideração as peculiaridades dos diversos grupos sociais, particularmente os imigrantes europeus que buscaram principalmente através da posse da terra, formas de crescimento econômico. Este processo de ocupação da chamada “Colônia Rondinha”, que posteriormente foi denominada Vila Santa Lúcia e por fim Caibaté em 1960. Procuramos a compreensão do processo inicial de desenvolvimento deste espaço, e contribuir, para diminuir a escassa produção da história local. Portanto, é a história das origens do município de Caibaté, das pessoas que ali vivem, criam raízes, e povoaram uma região cuja proximidade com as Ruínas de São Miguel das Missões a torna bastante peculiar, sendo este elemento vastamente usado pela Igreja naquele contexto de uma sociedade que estava aos poucos se formando.

MARIA FACCIN: DE PONZANO A PORTO ALEGRE, OS FRAGMENTOS DE UMA MEMÓRIA QUASE ESQUECIDA NA ESCRITA DE SI

O texto apresenta uma reflexão sobre a autobiografia de Maria Faccin, italiana nascida na região norte da Itália, que no Pós II Guerra Mundial imigrou para o Brasil, através de arranjos familiares. Sua família se estabeleceu na cidade de Porto Alegre onde Maria casou-se e teve filhos. Maria viveu grande parte de sua vida no Bairro São José da capital gaúcha. Para examinar a narrativa de Maria, seguiu-se o principio do paradigma indiciário utilizando a análise de conteúdo e os estudos relativos à escrita de si, à memória e a imigração. Destacaram-se na investigação, além da subjetividade, aspectos do cotidiano como o trabalho e os espaços da cidade entre outros tópicos. Este trabalho ressalta a utilização das autobiografias como fontes de pesquisa para a história.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Charão, Egiselda Brum

“DOS PORÕES AO CAIS”: MEMÓRIAS DA TRAJETÓRIA DO SINDICATO DA ESTIVA DE RIO GRANDE-RS NOS ANOS DE 1960 A 1970.

A problemática desta pesquisa consiste na análise da trajetória dos trabalhadores da estiva de Rio Grande, durante o período de 1960 a 1970, perpassando o impacto que o golpe militar de 1964 teve no modo de vida dos estivadores riograndinos. Com tal proposta, visamos identificar as transformações ocorridas no cotidiano desses obreiros, principalmente dos militantes, evidenciando a relação entre o dia a dia dessa classe trabalhadora e sua atividade sindical, bem como o caráter de identificação do “ser estivador”, no período acima mencionado. Será a partir do estudo da memória reavivada dos nossos protagonistas e do dialogo com as demais fontes, que buscaremos compreender os indícios de autonomia e as formas de resistência à dominação a que foi submetido o Sindicato da Estiva de Rio Grande durante o final do regime populista-trabalhista e nos primeiros anos da historicamente, ditadura civil - militar de 1964. Por fim, ao analisar o cotidiano dos estivadores desta cidade, através das fontes e do aporte teórico, entenderemos os aspectos simbólicos que perpassam o “ser estivador” dentro de um rol de categorias de trabalho portuário, bem como a imagem e a representatividade desses obreiros na sociedade Rio-grandina.

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2022-12-06T14:18:53Z

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da Silva, Thiago Cedrez

A REVOLTA DOS COLONOS OUTRAS MEMÓRIAS

A presente comunicação apresenta alguns aspectos de minha pesquisa de Mestrado, na qual, procuro refletir narrativas de personagens que participaram da Revolta dos Colonos de 1957 ocorrida no Sudoeste do Estado do Paraná. O levante social de 1957 envolveu diferentes interesses, no campo social, político e econômico, tais aspectos inserem-se em um contexto específico de disputas pela terra na região. O levante é reconhecidamente um movimento popular, em que colonos, percebidos enquanto posseiros, ocupam as principais cidades da região e obrigam a retirada das companhias colonizadoras, conquistando suas propriedades. A pesquisa utiliza-se da história oral, refletindo experiências de sujeitos que viveram o período ou presenciaram o conflito social, assim, visa compreender suas trajetórias de vida, seus modos de viver e lutas na terra. Nas entrevistas, dentre os inúmeros aspectos apresentados, ressalta-se as dificuldades sociais e econômicas em um contexto de instabilidade política. Deste modo, pretendo apresentar as experiências sociais no sentido qualitativo da fonte oral, demonstrando como no levante as experiências de pessoas simples, sem vínculo com partidos políticos ou sem ser uma liderança urbana, também foram significativas para o desfecho da Revolta. Ao pensar como esses personagens observam os principais acontecimentos, destaco como isso difere de memórias ditas oficiais.

O OFÍCIO DE VENDER O QUE SE AMA? AS NARRATIVAS DE DONOS DE SEBOS EM PELOTAS

Este trabalho pretende problematizar a memória construída pelos donos de sebos na cidade de Pelotas. Sebo é o nome atribuído as lojas de vendas de livros, discos (LP’s) e quadrinhos usados, porém a origem do termo é de difícil definição (BRITO, 1991). Utilizando a metodologia da História Oral Temática (PORTELLI, 1997) realizamos entrevistas nas quais os narradores compartilharam a sua memória sobre o seu ofício, sua origem e sua importância social para a cidade. Ao total foram 4 narradores, donos e fundadores dos maiores sebos da cidade de Pelotas. Pretendemos problematizar a experiência (THOMPSON, 1991) diferenciada que cada narrador possui sobre o seu ofício. Muitos se consideram bibliófilos (colecionadores de obras raras e valiosas) e para isso recorrem à venda de obras “menores” para que possam adquiri-las; outros apenas tratam seu trabalho como um negócio; e ainda há quem classifique o seu trabalho como essencial para a disseminação da leitura na cidade. Nosso objetivo neste trabalhão é compreender a construção dessa memória e a formação de identidade em relação a esse ofício (CANDAU, 2011), bem como a representação (CHARTIER, 1991) que estes narradores fazem de sua inserção na sociedade, o seu papel social. Para muito desses narradores, a metade final do século XX foi definidora para que hoje a demanda por sebos na cidade seja cada vez maior. Porém, nosso objetivo é compreender as narrativas sobre a origem desse ofício, bem como compreender a sua relação para com os objetos vendidos, se há ou não uma relação comercial e/ou afetiva para com os livros e quadrinhos, bem como problematizar a sua memória sobre o seu papel social na disseminação da leitura em Pelotas.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Neto, Mario Marcello Ienczak, Paulo Renato Souza

IDENTIDADE E MEMÓRIA: A CONSTRUÇÃO DE UMA CLASSE

A memória está intrinsicamente ligada a construção de identidades, tanto coletivas como individuais. Seu estudo tem perpassando diferentes ciências, indo desde a Psicologia, Sociologia, Antropologia aos estudos da História. Visando uma análise de como se deu a construção da chamada “classe ferroviária”, buscamos por meio de relatos de ex-trabalhadores ferroviários, suas experiências e vivências, para entender, como havia e ainda há pessoas que afirmam possuir grande orgulho por ser ferroviário, diferentemente de outras categorias, por mais que tenha sido este trabalho penoso e sofrido. Os trabalhadores ferroviários que hoje estão aposentados vivem de memórias. A identidade a qual muitos defendem e o “orgulho” ao trabalhar na Viação Férrea do Rio Grande do Sul (V.F.R.G.S.), perpassam gerações. O trem desde sua invenção sempre foi um grande desencadeador de imaginários. A figura do trem, sua imponência, sempre esteve presente na vida das pessoas que se dedicaram a ofícios ligados a ele. Não apenas o trabalhador era envolvido pela magia do trem, mas as pessoas que conviviam com esses trabalhadores e também, os moradores próximos às estações. Procurando verificar, como se criou essa “classe ferroviária”, esse “orgulho” tão expressivo para muitos aposentados da V.F.R.G.S., analisaremos os conceitos que são imprescindíveis para a compreensão do que buscamos: memória e identidade.

HISTÓRIA E MEMÓRIA NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO DE PASSO FUNDO EM 1927

O presente trabalho objetiva realizar uma discussão teórica sobre as relações existentes entre a escrita da história, a memória e as comemorações municipais a partir da análise de um caso em particular, a fundação do povoado que viria a se tornar a cidade de Passo Fundo em 1927. Além de um breve diálogo entre os principais teóricos (Ricoeur, Hartog, Certeau, Catroga, entre outros) que são referência para esta comunicação, a análise se debruça sobre uma obra publicada em 1927, Terra dos Pinheiraes, de Francisco Antonino Xavier e Oliveira, historiador considerado o "pai da história" passo-fundense. Para isso, torna-se necessário discutir o lugar de produção de seu trabalho, ou seja, onde ele estava situado na sociedade e em seu meio profissional, a própria prática historiográfica do autor e do contexto em que estava inserido e a forma como se desenvolve sua narrativa na escrita da história. Isso leva a pensar a capacidade de representância histórica alcançada por esse trabalho dentro do universo comemorativo e como sua legitimidade frente aos seus pares e a cidade é buscada. Essa análise também envolve as formas e os sentidos atribuídos às categorias temporais (passado, presente e futuro) que marcam a filiação com o passado estabelecidas a partir do momento da escrita e que abrem um horizonte de expectativa em relação ao futuro.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Knack, Eduardo Roberto Jordão

COLONOS E/OU POSSEIROS: O USO DAS DIFERENÇAS NA CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES

A região hoje conhecida como oeste paranaense foi palco de muitos conflitos agrários. A Revolta de Três Barras do Paraná é um destes, a qual é ainda pouco discutida. Ocorreu entre os dias 6 e 8 de agosto de 1964, na localidade de Três Barras, no período distrito da cidade de Catanduvas/PR. O presente trabalho tem por objetivo analisar como os aspectos identitários de colonos e posseiros estão presentes nas memórias sobre a revolta de Três Barras do Paraná, percebendo como estes são destacados nas narrativas e em quais sentidos são utilizados por aqueles que narram. Buscamos, também, problematizar como tais aspectos se fazem presentes quando se propõem versões de fatos históricos, construções de representações e (re) elaboração de memórias. Compreendemos que estes aspectos identitários são, ainda, respaldados por interesses diversos como políticos, econômicos e sociais. Ao pensarmos essas conceituações, de colonos e posseiros, e problematizarmos a forma como os mesmos são caracterizados, principalmente pelo meio de acesso a terra e pela posse da mesma, observamos o uso de tais construções identitárias como forma de legitimar discursos sobre posse e o direito a terra e, ainda, percebemos que a caracterização de tais identidades baseia-se fundamentalmente na diferença construída entre ambas.

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2022-12-06T14:18:53Z

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da Fontoura das Chagas, Mayara

“A MISÉRIA QUE ACOMPANHA O PROGRESSO”: DISCURSOS E CONTRADIÇÕES NO CENTENÁRIO PARANAENSE (1953)

O ano de 1953 – centenário de emancipação política do Paraná – foi marcado pela construção e reafirmação de uma série de discursos sobre o Estado. Estes discursos, vinculados diretamente a ideias de modernidade e progresso, estavam, em sua grande maioria, baseados no sucesso econômico da chamada “onda cafeeira” que o Estado passava. Muitos materiais foram confeccionados tendo em vista as comemorações do centenário. Ao analisar estes materiais, compostos por textos, imagens, músicas, poemas, obras literárias, entre outros, pode-se perceber alguns pontos marcantes, elementos que ganham destaque, construindo discursos e instituindo verdades sobre os mais diversos aspectos do Paraná – população, economia, natureza – e a respeito do papel do Estado frente o Brasil. É neste sentido que o artigo ora proposto trabalhará, buscando identificar – a partir da análise do álbum “1º Centenário de Emancipação Política do Paraná, mas, principalmente, da Mensagem apresentada pelo governador Bento Munhoz da Rocha Neto à Assembleia Legislativa em 1953 e reproduzida no álbum em questão – a construção de um discurso que descreve o Paraná como moderno e desenvolvido, além de buscar perceber algumas das contradições inerentes a essa construção, as quais são, muitas vezes, obscurecidas pelas “verdades” estabelecidas pelo discurso.

HISTÓRIA, ARQUIVO E MEMÓRIA. UMA REFLEXÃO SOBRE A PESQUISA HISTÓRICA E A PRÁTICA ARQUIVÍSTICA NA CONTEMPORANEIDADE

Este artigo discute a instituição arquivo enquanto lugar de trabalho do pesquisador. Seu objetivo é informar algumas qualidades do arquivo àquele que utiliza seus fundos e conjuntos de documentações, especialmente o historiador. A metodologia utilizada é a revisão de literatura da área publicada, utilizando o pensamento de autores consagrados, entrevistas e depoimentos de historiadores e diretores de arquivos, mas também a própria experiência empírica do autor como usuário. Os temas abordados aqui vão desde o funcionamento de um arquivo, sua vocação para novas tecnologias, mas também as funções a que se presta e de seu arquivista, enquanto operador e gestor de um conjunto de informações que são relevantes para a formação da memória social. O Arquivo então tem o poder de formar opiniões sobre o passado, auxiliar na tomada de decisões no presente e construir, desta forma, o futuro.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Bittencourt, Julio Cesar

AÇÕES DA ELITE MÉDICA EM SANTA MARIA/RS NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX

Em um período em que estão em voga os debates ambientais, chama atenção o fato de que em uma cidade já massivamente urbana como Santa Maria/RS, 40% da sua população ainda enfrente problemas relacionados ao esgoto a céu aberto. Com base neste dado, procurou-se compreender qual o ponto de partida destes problemas sanitários da cidade, fazendo uma análise do seu primeiro projeto de saneamento, datado de 1918. Entretanto, ao investigar a respeito disto, notou-se que os debates em torno da salubridade local eram ainda mais longínquos, sendo encontradas discussões desde meados do século XIX. Portanto, para esta comunicação optou-se por fazer um balanço histórico a respeito da preocupação dos governantes locais com a saúde da população e com a higiene do espaço urbano de Santa Maria. Para tanto, serão abordados dois aspectos: a inserção dos médicos diplomados na cidade e a consolidação da elite médica local através de suas medidas de saúde pública. Dessa forma, acredita-se que será possível compreender como transcorreu todo o processo de construção das políticas públicas de saúde e higiene em Santa Maria/RS entre meados do século XIX e início do século XX. Destaca-se que esta ideia está pautada no conceito de saúde pública como todo tipo de ação coletiva visando melhorar os ambientes, elaborado por Dorothy Porter. Também se utiliza como base conceitos de políticas públicas em torno da saúde, compreendendo-as como um maior poder de intervenção do Estado nestas questões, cuja referência é o historiador Gilberto Hochman.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Rossi, Daiane Silveira

A PRÁTICA DA BENZEÇÃO EM SANTA MARIA: A SABEDORIA POPULAR DE CURA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO (1950-2000)

Este trabalho tem como foco a pesquisa com benzedores na cidade de Santa Maria, RS, tentando compreender como esta prática de cura se articula com a preponderância das práticas médicas modernas no contexto do final do século XX. Faz parte da pesquisa entender como a prática da benzeção articula sua permanência dentro da sociedade, buscando ressignificar e legitimar seus saberes para com a população, concomitantemente com a aparente preponderância do discurso e prática da medicina acadêmica, construído e fortificado a partir do início do século XX. O trabalho busca ainda traçar o histórico da consolidação da medicina moderna no estado sul-rio-grandense, bem como, entender o processo com que os benzedores passam a reinventar seu discurso visando se adequar ao novo contexto que se constrói, e assim, manter sua legitimidade frente a sociedade.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Lins, Dalvan Alberto Sabbi

SOBRE ÉBRIOS, LASCIVOS E COLÉRICOS: OS CORPOS ENFERMOS NA OBRA DE FRANCISCO DE MELO FRANCO (1794)

Este trabalho analisa a obra do médico brasileiro Francisco de Melo Franco, intitulada “Medicina Teológica ou súplica humilde feita a todos os Senhores Confessores, e Diretores, sobre o modo de proceder com seus Penitentes na emenda dos pecados, principalmente da Lascivia, Colera e Bebedice”, de 1794. Inserida em um contexto marcado pelas transformações promovidas pela Ilustração em Portugal, a polêmica obra de Melo Franco foi dirigida aos confessores da Igreja Católica e propunha uma medicina que deveria conciliar o conhecimento do corpo com o da alma. Para doenças como a lascívia, a cólera e a bebedice, tidas como os três males sociais do período, Melo Franco recomendava tratamentos à base de medicamentos e de exercícios, enfatizando que somente os médicos possuíam a competência necessária para descobrir as causas desses males e curá-los.