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Definindo nação e Estado: rituais cívicos na Bahia pós-Independência (1823-1850)

Através de uma análise dos ritos cívicos na Bahia após a Independência, este artigo examina a maneira pela qual o Estado e a nação foram representados e pensados tanto pela elite quanto pelo povo no espaço festivo que reunia todas as classes sociais. Desta maneira, aborda as grandes questões sociais e políticas numa época em que uma sociedade recém-saída do regime colonial tentava se representar: raça, cidadania, pertencimento à nação e lealdades locais versus lealdade nacional. O artigo sustenta que havia uma visão popular do Estado que não se enquadrava nas festas oficiais e que perpetuava uma leitura alternativa do significado da Independência. Todavia, aos poucos, as festas cívicas contribuíram para o fortalecimento de identidades brasileiras e baianas.

Luzes a quem está nas trevas: a linguagem política radical nos primórdios do Império

O artigo ressalta as linguagens políticas, no sentido de John Pocock e Quentin Skinner, como instrumento de análise para o estudo dos projetos políticos concorrentes no Brasil, particularmente na primeira metade do século XIX. Analisa, assim, a linguagem política radical desenvolvida em fins do Primeiro Reinado e durante o período regencial pelos chamados "liberais exaltados", tomando como exemplo as definições doutrinárias dadas para um conjunto de cento e oito conceitos de significação política produzidos pelo principal jornal exaltado da corte do Rio de Janeiro, a Nova Luz Brasileira, publicado entre 1829 e 1831.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Basile,Marcello

Sob o signo da iconologia: uma exploração do livro Saturno e a melancolia, de R. Klibansky, E. Panofsky e F. Saxl

Ao ser publicado, na Inglaterra, em 1964, o livro Saturno e a melancolia perdera os referenciais históricos e culturais que marcaram sua versão embrionária, na Hamburgo da década de 1920. As turbulências do século XX levaram à obsolescência um aspecto decisivo do projeto inicial: o realce, através da obra de Albrecht Dürer, da contribuição da Alemanha ao ideal renascentista do homem superior e temperamental, numa prefiguração do conceito romântico de "gênio". Os autores, judeus assimilacionistas, começaram o trabalho quando a crise da República de Weimar coincidia com a internação num hospital psiquiátrico de seu patrono intelectual, o historiador da arte Aby Warburg. A ascensão do nazismo os dispersou e eles se afastaram cada vez mais da figura e das idéias de Warburg.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Alcides,Sérgio

Peculiaridades no Brasil

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2022-12-06T14:11:41Z

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Lara,Silvia Hunold

Milenarismo e política

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2022-12-06T14:11:41Z

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Venâncio,Renato Pinto

A história nas histórias

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2022-12-06T14:11:41Z

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Cunha,Maria Clementina Pereira

Dezessete: a Maçonaria dividida

O artigo analisa a especificidade e peculiaridade da maçonaria pernambucana, suas divergências em relação aos pedreiros-livres flumineneses, e a participação dos mações na revolução de 1817. Fugindo ao controle do Grande Oriente Lusitano, a maçonaria de Pernambuco esteve no centro dos projetos para o novo governo da capitania, depois da vitória da insurreição. As diferenças entre as várias correntes políticas que abrigava fez com que as propostas para o novo regime pudessem variar muito, passando da radicalidade republicana à restauração do pacto dos Bragança com a capitania. Longe de ser sepatatista, o movimento pretendia preservar a autonomia local no âmbito do Estado que surgisse com o colapso da monarquia absoluta, fosse este um Império constitucional luso-brasileiro ou uma monarquia liberal na antiga América Portuguesa.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Mello,Evaldo Cabral de

Papéis incendiários, gritos e gestos: a cena pública e a construção nacional nos anos 1820-1830

A proliferação de manifestações como papéis chamados de incendiários, além de vozes, gritos e gestos nas ruas da capital do Império (Rio de Janeiro) nas décadas de 18201830, marca uma série de transformações e também permanências dos espaços públicos na polis. Da mesma forma, a sala do Teatro, na Corte, aparece como cena desta teatralização da política, em meio a tais expressões manuscritas, verbais e gestuais (que permanecem após a consolidação da imprensa periódica). Em geral elas continham aquilo que não podia ser impresso (ou mesmo falado) dentro dos limites vigentes e, ainda, permitiam envolver setores mais amplos do que o público habitualmente leitor ou redator. Destaca-se a importância de tais manifestações públicas para a política vivida no cotidiano, numa sociedade caracterizada pela comunicação oral e visual e num momento de construção da ordem nacional. As fontes utilizadas são: relatos de diplomatas franceses e jornais da época.

O Império de Santo Elesbão na cidade do Rio de Janeiro, no século XVIII

O artigo analisa a especificidade das formas de organização da geração de escravos africanos vindos da África Ocidental para a cidade do Rio de Janeiro no século XVIII. A autora mostra como esses africanos se reorganizam no interior das irmandades católicas destinadas a homens pretos e como garantem espaços de organização étnica e reprodução do grupo.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Soares,Mariza de Carvalho

A dinâmica demográfica de Luanda no contexto do tráfico de escravos do Atlântico Sul, 1781-1844

Este artigo objetiva, em primeiro lugar, reconstruir a história demográfica de Luanda entre 1781 e 1844, por meio do manejo de um grande número de censos coevos, apontando, em última instância, para a possibilidade de reconstituir a história da população de certas regiões do continente africano para o período anterior a 1900. Em segundo lugar, no caso específico deste centro urbano, o maior exportador de escravos da costa ocidental, indica-se que a sua história populacional não pode ser apreendida unicamente por meio do manejo de variáveis como os altos graus de mortalidade, resultantes das secas, das vagas de fome, das epidemias e do próprio processo de escravização. Deve se levar em conta, ainda, a dinâmica demográfica dos portos escravistas no âmbito maior do sistema do Atlântico Sul, particularmente a economia política de seu maior mercado, o Rio de Janeiro.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Curto,José C. Gervais,Raymond R.

Reis negros coroados

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2022-12-06T14:11:41Z

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Góes,José Roberto Pinto de

Ditadura militar e concordata moral

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Alforrias e etnicidade no Rio de Janeiro oitocentista: notas de pesquisa

Este artigo trata dos padrões de alforrias vigentes no Rio de Janeiro Oitocentista. Detecta o duplo movimento representado pela passagem das manumissões pagas para as gratuitas, e o concomitante predomínio dos africanos entre os escravos que alcançavam o mundo da liberdade. Busca as explicações para ambos os fenômenos e aponta para procedimentos metodológicos que eventualmente permitem melhor abordar a questão.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Florentino,Manolo

Afogando em nomes: temas e experiências em história econômica

O texto expõe preocupações temáticas do grupo de história econômica (séculos XVIIXIX), sob minha orientação, no LIPHIS e no PPGHIS. É dada especial atenção para os seguintes temas: império português, hierarquia social e processos de mudanças na sociedade colonial. O texto termina por apresentar questões metodológicas de pesquisa debatidas no grupo.Várias das idéias a seguir são hipóteses de investigações ainda em curso e, portanto, sujeitas a reparos.

Do selvagem convertível

A atitude de tolerância frente à alteridade indígena e a representação do índio tupinambá docilmente "convertível" contidas no relato do capuchinho Claude d'Abbeville,Histoire de la Mission... en l'isle de Maragnan (1614), são claramente tributárias do livro do huguenote Jean de Léry,Histoire d'un voyage fait en la terre du Brésil (1578). O capuchinho parafraseia o huguenote em várias passagens, mostrando o índio como objeto de análise "etnográfica", sem excluí-lo - como faz Léry - da possibilidade de salvação. Provavelmente, Claude d'Abbeville responde, desta forma, às expectativas do público francês, num contexto de exortação à colonização do Maranhão e de propaganda da obra apostólica da Ordem dos Capuchinhos.

Dom Sebastião contra Napoleão: a guerra sebástica contra as tropas francesas

O artigo analisa a sobrevivência do sebastianismo em Portugal no início do século XIX, a partir dos escritos que provocaram a chamada "guerra sebástica", travada paralelamente às guerras contras as tropas de Napoleão Bonaparte.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Hermann,Jacqueline

O Brasil de Rugendas nas edições populares ilustradas

O presente texto procura analisar, no mercado francês de imagens reproduzidas em larga escala, a inserção de um pequeno conjunto de imagens sobre o Brasil produzidas em primeiro lugar por Johan Moritz Rugendas no período que se sucedeu à independencia política do país. A relação entre as imagens escolhidas, os procedimentos utilizados nas suas produções, o público ao qual endereçavam-se e o mercado no qual se inseriam possibilita delinear a diversidade de usos e de sentidos que se fazem possíveis nesse momento em que os procedimentos técnicos não somente reproduzem as imagens, mas lhes imprimem uma potência antes desconhecida, tanto no que se refere à sua circulação quanto à proliferação de seus sentidos, das atividades e dos valores que passam a gerar.

Dom Joaquim Xavier Curado e a política bragantina para as províncias platinas (1800-1808)

O artigo ressalta a política externa bragantina para a região do Rio da Prata na época da chegada da corte portuguesa ao Brasil. Analisa a "missão" de Joaquim Xavier Curado como agente secreto da Coroa portuguesa nas províncias platinas no período de 1800 a 1808.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Azevedo,Francisca Nogueira de

Entre amadorismo e profissionalismo: as tensões da prática histórica no século XIX

O presente artigo discute dois diferentes projetos de constituição da escrita histórica no século XIX a partir especialmente da experiência francesa, importante modelo referencial para a constituição da disciplina no espaço acadêmico brasileiro. Ele apresenta resultados parciais de uma pesquisa realizada com acervos documentais franceses a partir da bolsa de pós-doutoramento concedida pela Capes no período 1999-2000.

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2022-12-06T14:11:41Z

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Guimarães,Manoel Luiz Salgado

Modernidade, identidade e suicídio: o "judeu" Stefan Zweig e o "mulato" Eduardo de Oliveira e Oliveira

O objetivo deste ensaio é trazer ao debate historiográfico o desafio de se enfrentar o tema do racismo e dos racialismos constitutivos da modernidade através do imaginário racial brasileiro, desde os anos 1930. Para este fim, sugiro que a apreensão da ambivalência identitária no Brasil vem se constituindo em importante alternativa para se compreender as especificidades da modernidade brasileira em face dos imperativos identitários da modernidade européia e norte-americana. Pretende-se mostrar, através de dois personagens suicidas, o "judeu" Stefan Zweig e o "mulato" Eduardo de Oliveira e Oliveira, os paradoxos da construção e da representação de identidades étnico-raciais na modernidade brasileira.