RCAAP Repository

Terapia celular na cardiomiopatia dilatada

Homem de 41 anos em insuficiência cardíaca sistólica, CF III NYHA, estágio clínico C, por cardiomiopatia dilatada, foi submetido ao transplante autólogo da fração mononuclear da medula óssea, via sistema arterial coronariano, através de cateterismo cardíaco. Dois meses após o procedimento, houve diminuição do BNP plasmático, diminuição da área cardíaca ao estudo radiológico do tórax e à ressonância nuclear magnética. O ecocardiograma demonstrou diminuição do fluxo regurgitante secundário a dilatação do anel mitral. Na ergoespirometria houve melhor desempenho, com aumento do consumo máximo de oxigênio, sendo possível redução da terapêutica medicamentosa. A ausência de eventos adversos caracterizados por: instabilidade clínica/hemodinâmica, alteração enzimática ou eletrocardiográfica apontam para segurança e exeqüibilidade deste procedimento realizado e descrito com pioneirismo na cardiomiopatia dilatada.

Year

2006

Creators

Martino,Helena Furtado Oliveira,Paulo Sérgio Assunção,Edmilson Villela,Rita Gaze,Miriam Costa,Patrícia C. dos Santos Souza,Fernando César Castro Weitzel,Luiz Henrique Velloso,Ana Paula R. Oliveira Júnior,Amarino Carvalho,Antônio C. Campos de

Alterações cardiovasculares na síndrome da apnéia obstrutiva do sono

A síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAHOS) é uma condição prevalente na população, associada a maior risco cardiovascular, freqüentemente não-diagnosticada. O reconhecimento da síndrome requer alto grau de suspeita clínica, especialmente por cardiologistas, e pode ser confirmada por meio da polissonografia. O tratamento da síndrome com o uso de CPAP (pressão positiva na via aérea superior) é altamente eficaz, melhorando o padrão respiratório durante o sono, instituindo o sono reparador e, dessa forma, otimizando a qualidade de vida desses pacientes, além de atenuar ou reverter muitas das complicações cardiovasculares relacionadas a SAHOS. Este artigo aborda a fisiopatologia e os aspectos clínicos das comorbidades cardiovasculares associadas à síndrome.

Year

2006

Creators

Cintra,Fátima Dumas Poyares,Dalva Guilleminault,Christian Carvalho,Antonio Carlos Tufik,Sergio Paola,Angelo A. V. de

Fatores adicionais de risco cardiovascular associados ao excesso de peso em crianças e adolescentes: o estudo do coração de Belo Horizonte

OBJETIVO: Examinar a associação de sobrepeso e obesidade com perfis de atividade física, pressão arterial (PA) e lípides séricos. MÉTODOS: Inquérito epidemiológico com 1.450 estudantes - seis a dezoito anos, em Belo Horizonte-MG. Dados: peso, altura, PA, espessura de pregas cutâneas, circunferência das cinturas, atividade física, colesterol total (CT), LDL-c, HDL-c, e hábitos alimentares. RESULTADOS:Prevalências de sobrepeso e obesidade foram 8,4% e 3,1%. Em relação aos estudantes situados no quartil inferior (Q1) da distribuição da prega subescapular, os estudantes do quartil superior (Q4) apresentaram um risco (odds ratio) 3,7 vezes maior de ter um CT aumentado. Os estudantes com sobrepeso e obesos tiveram 3,6 vezes mais risco de apresentar PA sistólica aumentada, e 2,7 vezes para PA diastólica aumentada, em relação aos estudantes com peso normal. Os estudantes menos ativos, no Q1 da distribuição de MET, apresentaram 3,8 vezes mais riscos de terem CT aumentado comparados com os mais ativos (Q4). CONCLUSÃO: Estudantes com sobrepeso ou obesos ou nos quartis superiores para outras variáveis de adiposidade, assim como os estudantes com baixos níveis de atividade física ou sedentários apresentaram níveis mais elevados de PA e perfil lipídico de risco aumentado para o desenvolvimento de aterosclerose.

Year

2006

Creators

Ribeiro,Robespierre Q. C. Lotufo,Paulo A. Lamounier,Joel A. Oliveira,Reynaldo G. Soares,José Francisco Botter,Denise Aparecida

Concentração sérica de lípides e apolipoproteína B em recém-nascidos

OBJETIVO: Determinar numa população de recém-nascidos de uma cidade do sul do Brasil as concentrações de lípides séricos e apolipoproteína B (apo-B) em neonatos normais a termo e pré-termo, analisando-se a influência da idade gestacional e do peso ao nascimento. MÉTODOS: Foram estudados 212 neonatos de ambos os sexos, deles, 142 a termo (>37 semanas de gestação) e 70 neonatos pré-termo (<37 semanas). Os neonatos a termo e pré-termo foram classificados pelo peso de nascimento em pequeno para a idade gestacional ou adequado para a idade gestacional. Utilizou-se o sangue do cordão umbilical para as análises bioquímicas. RESULTADOS: Os valores de colesterol total, LDL-C, HDL-C e de apo-B foram maiores nos neonatos pré-termo (79±34, 26±6, 45±15 e 36±14 mg/dL, respectivamente) do que nos neonatos a termo (58±19, 20±10, 31±14 e 28±7 mg/dL, respectivamente; p < 0,0001). Inversamente, os valores de triglicérides foram menores nos neonatos pré-termo (36±14 mg/dL) do que nos neonatos a termo (43±25 mg/dL; p < 0,0018). O sexo e o fato de o neonato ser pequeno ou adequado para a idade gestacional não influenciaram os valores de colesterol total e frações, de triglicérides e apo-B. CONCLUSÃO: As concentrações de lípides plasmáticos e de apo-B dos neonatos da população estudada são semelhantes às dos neonatos de outros países de continentes diversos reportados na literatura e, como esperado, é acentuadamente menor do que os valores referidos na literatura para as de crianças acima de dois anos. A maturidade fetal influencia a concentração de lípides dos neonatos, mas o peso de nascimento não tem efeito nesses parâmetros.

Year

2006

Creators

Donegá,Sirlei Oba,Jane Maranhão,Raul C.

Influência da redução da pré-carga sobre o índice de desempenho miocárdico (índice de Tei) e outros parâmetros Doppler ecocardiográficos da função ventricular esquerda

OBJETIVO: Avaliar os efeitos da redução da pré-carga induzida por uma sessão de hemodiálise sobre o índice de desempenho miocárdico (Tei) e outros parâmetros ecocardiográficos de função cardíaca. MÉTODOS: Estimamos o índice de Tei e parâmetros de função sistólica e diastólica do ventrículo esquerdo (VE), antes e depois de uma sessão de hemodiálise. Incluímos no estudo indivíduos em ritmo sinusal e sem antecedentes de insuficiência coronariana ou evidências de valvopatia e derrame pericárdico. RESULTADOS: 15 pacientes (8 homens, idade 53 ± 14 anos) completaram o estudo. Após ultrafiltração de 2,2 ± 1,1 litros, a onda E diminuiu (p < 0,05) e a onda A permaneceu inalterada (p = ns), resultando em decréscimo de E/A (p < 0,01). O índice de Tei aumentou (0,57 ± 0,07 para 0,65 ± 0,09, p < 0,01) através do prolongamento do TRIV (101 ± 14 para 113 ± 17 ms, p < 0,01) e encurtamento do TEJ (271 ± 22 para 252 ± 22 ms, p < 0,05). O TCIV não variou (p = ns). Os parâmetros diastólicos ao Doppler tecidual não mudaram (p = ns), enquanto a velocidade sistólica (S) aumentou (p < 0,05). CONCLUSÃO: O índice de Tei foi afetado pela alteração da pré-carga induzida pela hemodiálise, assim como outros parâmetros derivados do Doppler transvalvar mitral. Os parâmetros diastólicos do Doppler tecidual do anel mitral foram independentes da pré-carga, enquanto a velocidade sistólica sugeriu melhora na função sistólica do VE após o procedimento.

Year

2006

Creators

Barberato,Silvio Henrique Pecoits Filho,Roberto

Critérios ecocardiográficos para definição de graus de disfunção ventricular em ratos portadores de estenose aórtica

OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi identificar variáveis ecocardiográficas que definam graus de disfunção cardíaca em ratos com estenose aórtica (EAo). MÉTODOS: Ratos Wistar (n = 23), machos (90-100 g), foram submetidos a cirurgia para indução de EAo. As variáveis ecocardiográficas analisadas foram: diâmetros diastólico do ventrículo esquerdo (DDVE) e sistólico do átrio esquerdo em valores absolutos e normalizados para o peso corporal; diâmetro sistólico do VE (DSVE); três índices de encurtamento do VE (% de encurtamento endocárdico, %Enc.Endo; % de encurtamento miocárdico, %Enc.Mio; e velocidade de encurtamento da parede posterior do VE, VEPP); e índice de massa do VE (IMVE). Essas variáveis foram utilizadas para a análise de agrupamento ("cluster analysis"). RESULTADOS: A análise de agrupamento possibilitou separar os ratos com EAo em dois grupos: disfunção leve (n = 13) e disfunção severa (n = 9). Os intervalos de confiança das seguintes variáveis não apresentaram superposição dos seus valores: DDVE, DSVE, %Enc.Endo, %Enc.Mio, IMVE e VEPP. CONCLUSÃO: A utilização conjunta dos intervalos de confiança dessas variáveis permite identificar dois grupos de ratos com estenose aórtica e diferentes graus de comprometimento cardíaco, possibilitando a realização de estudos longitudinais com grupos homogêneos de animais.

Year

2006

Creators

Moreira,Vanessa Oliveira Castro,Ana Valéria Barros de Yaegaschi,Marcelle Yumi Cicogna,Antonio Carlos Okoshi,Marina Politi Pereira,Camila Alves Aragon,Flávio Ferrari Bruno,Mário Batista Padovani,Carlos Roberto Okoshi,Katashi

Substituição da aorta ascendente e arco aórtico por enxerto de pericárdio bovino: resultados a médio prazo

Condutos e remendos de pericárdio bovino (PB) têm sido utilizados na substituição ou reparo da aorta ascendente e segmentos iniciais do arco aórtico, na nossa Instituição desde 1989. As principais vantagens são a facilidade de seu manuseio, a boa hemostasia, o baixo custo. Este estudo foi realizado para analisar o comportamento desse heteroenxerto após um mínimo de 2 anos de implante. No período de fevereiro de 1989 a fevereiro de 1994, 83 pacientes foram submetidos a 85 procedimentos com implante de enxertos de PB na aorta ascendente ou arco aórtico. A mortalidade hospitalar foi de 18%. Trinta e um pacientes com pelo menos 2 anos de seguimento foram selecionados para análise do enxerto (seguimento médio= 40,9 meses). Foram submetidos a estudo cl ínico e ecocardiográfico, sendo 15 reestudados através de cineangiocardiograf ia. Foram pesquisados o desempenho hemodinâmico e a presença de alterações, tais como dilatação, calcificação, trombose ou pseudoaneurisma. Em todos os pacientes o enxerto estava funcionando perfeitamente e sem ocorrência de qualquer anormalidade. O presente estudo permite concluir que, em até 5 anos, não se observou qualquer alteração adversa no funcionamento desses enxertos, que se mostraram de mais fácil manuseio e mais hemostáticos que os enxertos de Dacron classicamente usados.

Year

1994

Creators

Fantini,Fernando Antônio Gontijo Filho,Bayard Vrandecic,Mário O Barbosa,Juscelino Teixeira Silva,João Alfredo Paula e Drumond,Leonardo F Alcocer,Eduardo Peredo Castro,Marcelo F Ferrufino,Arturo B Maciel,Flávio J Barbosa,Maurício R Braga,Maria A

Contrapulsação em operação cardíaca: análise retrospectiva da incidência de infecção

Recentes avanços tecnológicos ampliaram o uso do balão intra-aórtico como medida de suporte na insuficiência cardíaca aguda. Apesar disto, têm sido descritas algumas complicações relacionadas à sua inserção, duração do uso e localização. O objetivo deste estudo foi investigar retrospectivamente a ocorrência de infecções em pacientes críticos que necessitaram do uso do balão intra-aórtico (BIA) após operação cardíaca. Entre janeiro de 1990 e julho de 1992, foram revisados os prontuários de 97 pacientes que necessitaram de BIA no pós-operatório de operação cardíaca, sendo que apenas 55 apresentavam informações completas que permitiram sua inclusão na revisão. Foram obtidas informações a respeito de ocorrência de infecções, resultados de culturas, tipo e tempo de duração das operações, tempo de circulação extracorpórea, duração da cateterização intravascular e evolução clínica. Foram considerados os seguintes locais de infecção: pulmão, urina, corrente sangüínea, ferida operatória e local de inserção do BIA. A média de permanência do BIA foi de 3,9 ± 2,01 dias e os tempos médios de operação e de circulação extracorpórea foram 8h e 2,5h, respectivamente. Observamos uma alta incidência de infecções nestes pacientes, principalmente pneumonia (63,6%). A taxa de infecção no local de inserção do BIA foi de 7% e maior que a taxa geral de infecção da ferida operatória em nossa Instituição (3%). Apesar desta alta incidência de infecções não relacionar-se diretamente com a taxa de mortalidade, sugerimos rigorosa vigilância com relação à ocorrência de infecções e possíveis medidas profiláticas em relação a infecções pulmonares

Year

1994

Creators

Borges,Luís Henrique Barbosa Camargo,Luis Fernando A Strabelli,Tânia Mara V Uip,David E Auler Júnior,José Otávio C

Avaliação dos resultados tardios da operação de derivação cavo-pulmonar bidirecional, no tratamento paliativo de cardiopatias congênitas com câmara ventricular única

No período de março de 1990 a janeiro de 1994, 17 pacientes com idades de 1 a 13 anos (média: 7 anos), portadores de cardiopatias congênitas com câmara ventricular única funcionante, foram submetidos a operação de derivação cavo-pulmonar bidirecional. Nove pacientes tinham atresia tricúspide (AT), 7 do tipo lb, 1 tipo le e 1 tipo Mb. Cinco pacientes tinham dupla via de entrada ventricular tipo ventrículo direito (DVEVD); 2 com comunicação interventricular(CIV) múltipla+hipoplasiado VD; 1 com atresia pulmonar com septo interventricular íntegro (APc/SIVI). Nove (52,9%) pacientes tinham operações paliativas prévias. A operação foi realizada com auxílio da circulação extracorpórea (CEC) em 12 (70,5%) casos e mediante derivação do fluxo sangüíneo da veia cava superior (VCS) para o átrio direito (AD) em 5 (29,5%) casos. Em todos os casos a VCS foi anastomosada à artéria pulmonar direita (APD), interrompendo o fluxo sangüíneo para o pulmão, fechando a valva pulmonar e ligando a derivação de Blalock-Taussig pérvio. Houve 3 (17,6%) óbitos no pós-operatório imediato (POI) e 2 (14,2%) no pós-operatório tardio (POT). Doze (70,5%) pacientes estão em acompanhamento clínico, com um tempo de evolução de 2 a 46 meses. Um paciente foi submetido ao 2º tempo da operação, tunelizando a veia cava inferior (VCI) para a APD, com sucesso. A avaliação do fluxo da derivação cavo-pulmonar bidirecional está sendo realizada pela ecodopplercardiografia e ressonância nuclear magnética e a perfusão pulmonar mediante cintilografia radioisotópica. A indicação do 2º tempo da operação obedece à própria evolução clínica e avaliação da saturação arterial durante a cicioergometria. A derivação cavo-pulmonar bidirecional permite uma adaptação progressiva do fluxo venoso para o pulmão, diminuindo a sobrecarga de volume do ventrículo, preparando o paciente para a derivação venosa total.

Year

1994

Creators

Maluf,Miguel Angel Andrade,José carlos S Catani,Roberto Carvalho,Antônio C Negrini,Nilce Buffolo,Ênio

Proteção medular em cirurgia da aorta descendente com uso de "bio-pump" e exsangüinação controlada

Os autores utilizam como método de proteção medular em cirurgia de aorta descendente, circulação extracorpórea átrio esquerdo-femoral esquerda, com baixa dose de heparina (1 mg/kg), bomba centrífuga (bio-pump) e exsangüinação controlada. Operaram 4 doentes com esta metodologia sem que houvesse mortalidade, paraplegia ou sangramento excessivo.

Year

1994

Creators

Murad,Henrique Feitosa,José L Giambroni Filho,Rubens Azevedo,José Augusto de Brito,João de Deus e Palhares,Márcia S Gomes,Eliane C Nascimento,Francisco José do Oliveira,Diniz Alves de Fonseca,Maria Elisa G Couto,Amauri Dias do Sá,Mauro Paes Leme de Pires,Juscileide M. de Araújo

Reoperação em valvopatias: análise de 697 pacientes

O estudo objetivou avaliar resultados imediatos e tardios da cirurgia das reoperações em pacientes portadores de valvopatias, analisando o seguimento do paciente e não da prótese empregada. Foram analisados retrospectivamente 697 (419 fem. e 278 masc.) pacientes que foram reoperados entre 1970 a 1993. A idade média foi de 43,4±17,9 anos. Como diagnóstico pré-operatório, 281 (40,3%) apresentavam disfunção de prótese, 212 (30,5%) reestenose pós comissurotomia, 103 (14,7%) tiveram rotura e 101 (14,5%) trombose da prótese. Reoperação em valvopatias representou uma média de 7,38% de todo o movimento cirúrgico do Serviço, sendo, nos últimos 2 anos, 26,7% das operações por valvopatia. A mortalidade hospitalar foi de 9,89%, e o intervalo entre a 1º e a 2º operação foi de 77±37 meses. Desses pacientes, 110 já foram submetidos a uma 3º operação no nosso Serviço, com intervalo médio de 81±28 meses e 10 já foram submetidos a uma 4º operação. A mortalidade tardiafoi de 16,6% e o seguimento médio de 14 anos, com perda de seguimento de 18,7% de pacientes. Ao contrário da maioria dos estudos de reoperações onde é acompanhada a evolução de determinada prótese, nós procuramos enfocar o paciente e sua evolução clínica. Os resultados demonstram que a incidência de reoperações na prática do Serviço vem aumentando sucessivamente e que esse tipo de operação pode ser realizado com um risco aceitável, e seus resultados, ainda que não excelentes a longo prazo, permitem ao paciente uma sobrevida razoável e a oportunidade de uma nova operação.

Year

1994

Creators

Barrozo,Carlos Alberto Mussel Santos,Rinaldo Costa Sgarbi,Cássio José Lacanna,Roberto Carin Matheus,Neli Dalva Silva,Elaine Moraes da Oliveira,Maria José Ricardo Neves,Maria de Fátima F. Balthazar Ardito,Wilma Roberta Kioshi,Roberto Hoshino Ardito,Roberto Vito

Tratamento cirúrgico das valvopatias: parte 1

Este assunto, de amplo aspecto, será abordado em três partes. O presente trabalho trata-se do histórico, indicação cirúrgica, conduta pré-operatória e próteses valvulares cardíacas. Os demais capítulos discutirão sobre técnica operatória, reoperações e situações especiais, como o tratamento cirúrgico na endocardite e experiências com válvula de pericárdio bovino.

Year

1994

Creators

Braile,Domingo M. Volpe,Marco A Ramin,Serginando L Souza,Dorotéia R. S

Avaliação dos níveis de ansiedade dos pacientes assistidos no Serviço de Reabilitação Cardiovascular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

A ansiedade tem sido mencionada como um dos fatores relevantes para o desenvolvimento e manutenção das coronariopatias. Neste estudo avaliaram-se os níveis de ansiedade traço e estado de 100 pacientes assistidos pelo Serviço de Reabilitação Cardiovascular da Divisão de Diagnóstico e Terapêutica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Submetidos à aplicação do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) antes das atividades físicas, os pacientes que apresentaram estado de ansiedade acima da média populacional foram reavaliados após as atividades, com o objetivo de verificar se estas colaboravam para a diminuição dos níveis de ansiedade estado dos mesmos. Pelos resultados obtidos, pôde-se deduzir que os pacientes se beneficiaram com este procedimento, quanto à diminuição dos níveis de ansiedade estudados. Destacaram-se, também, a hostilidade e a sociabilidade caracterizando as formas de interrelações. Em nível psicológico, os autores sugerem o uso de técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo e orientação psicológica como recursos utilizados para mudança de comportamento e estilo de vida do indivíduo, auxiliando-o a estabelecer um melhor funcionamento de seu psiquismo, bem como o equilíbrio homeostático.

Year

1994

Creators

Heidrich,Gerson Campos,Lourdes Helena de

Bloqueio AV total congênito: novo modelo experimental para avaliação do marcapasso fetal

O implante de marcapasso epicárdíco em fetos via toracotomia é um procedimento potencialmente mais seguro e eficaz para se tratar o bloqueio AV total congênito (BAVT), quando associado à hidropsia fetal e refratário ao tratamento clínico. Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de avaliar as características eletrofisiológicas de dois eletrodos epicárdicos através de novo modelo experimental de BAVT congênito induzido pela crioablação do nó AV. Foram aplicados, em 2 grupos de 6 fetos de ovelhas (80% da gestação), um eletrodo de rosqueamento (1,5 voltas) e outro de sutura epicárdica. O BAVT foi obtido em todos os fetos, não sendo observado nenhum ritmo de escape ventricular. Os limiares de estimulação foram baixos para ambos os eletrodos, com valores inferiores para o eletrodo de rosqueamento com largura de pulso abaixo de 0,9 mseg (p < 0,03). A corrente medida no limiar de voltagem com largura de pulso abaixo de 0,5 mseg foi menor para o eletrodo de rosqueamento (p < 0,048). A resistência dos 2 eletrodos medida com voltagem constante não foi estatisticamente diferente (441,8 ± 13,7 Ω para o eletrodo de rosqueamento versus 480,2 ± 59,2 Ω para o eletrodo de sutura epicárdica). Não houve diferença estatisticamente significante (p &gt; 0,20) na amplitude da onda R dos 2 eletrodos. O slew rate foi significativamente maior para o grupo de fetos com eletrodo de rosqueamento (1,40 ± 0,2 versus 0,62 ± 0,2 V/seg. p=0,04). O método é simples e reprodutível para avaliação do marcapasso fetal, sendo que o eletrodo de rosqueamento representa a melhor opção, quando houver indicação de implante de marcapasso em fetos.

Year

1994

Creators

Assad,Renato S Jatene,Marcelo B Moreira,Luiz Felipe P Sales,Paulo C Aiello,Vera Demarqui Costa,Roberto Hanley,Frank L Jatene,Adib D

Implante de marcapasso endocárdico transatrial concomitante a cirurgia com circulação extracorpórea

FUNDAMENTO: A utilização de eletrodos epimiocárdicos permanentes tem sido progressivamente abandonada pelos piores resultados que essa técnica apresenta quando comparada aos eletrodos transvenosos. Implante de eletrodos endocárdicos transtorácicos transatriais tem sido relatado como alternativa ao implante epicárdico em situações especiais. O implante de marcapasso permanente associado a cirurgia cardíaca a céu aberto é uma situação especial onde têm sido utilizados eletrodos epicárdicos no mesmo tempo operatorio, ou eletrodos transvenosos em tempos operatorios distintos. OBJETIVO: Propor o uso da estimulação transatrial em casos de concomitância de implante de marcapasso e cirurgia cardíaca a céu aberto, e apresentar nossa experiência em 6 pacientes operados. CASUÍSTICA E MÉTODOS: De julho de 83 a agosto de 94, 6 pacientes com idade variando de 5 a 64 anos, 4 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, foram submetidos a cirurgia cardíaca a céu aberto para substituição da valva aórtica (4), ressecção de aneurisma do ventrículo esquerdo por doença de Chagas (1) e atrioseptoplastia e comissurotomia pulmonar (1 paciente). A técnica operatória consistiu em estabelecer a circulação extracorpórea com drenagem venosa por cavas separadas e, durante parada cardioplégica, corrigir o defeito cardíaco e implantar, no mesmo ato, os cabos-eletrodo através de atriotomia direita. Todos os 6 pacientes receberam eletrodos atriais e somente 4 foram submetidos a implante do cabo ventricular. Os geradores de pulso foram implantados na região infraclavicular dos pacientes homens adultos, na região submamária da mulher e na parede abdominal da criança. RESULTADOS: As medidas elétricas intra-operatórias mostraram excelentes condições de estimulação e sensibilidade, não ocorrendo complicações hospitalares. No seguimento, realizado de 4 a 137 meses, não foram observadas complicações relacionadas ao sistema de estimulação. CONCLUSÕES: Os autores concluem que o implante de marcapasso endocárdico transatrial pode representar uma boa opção para se evitar o implante epicárdico ou dois procedimentos independentes quando a estimulação cardíaca permanente estiver associada a cirurgia cardíaca a céu aberto..

Year

1994

Creators

Costa,Roberto Stolf,Noedir A. G D'Angelis,Amanda Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D

Modificações técnicas no transplante cardíaco ortotópico

Apresentamos algumas modificações na técnica convencional de implante de coração nos transplantes cardíacos ortotópicos. As modificações propostas consistem basicamente em: 1) ressecar, durante a cardiectomia, o máximo do coração doente deixando apenas tecido suficiente para permitir a sutura do novo coração, durante o implante; 2) abrir o átrio direito do coração doador, a partir da veia cava inferior, próximo e paralelamente ao septo interatrial até a parte mais alta, quando a incisão deve ser bruscamente direcionada para a aurícula direita; 3) iniciar o implante pelo tronco pulmonar e 4) suturar os átrios conjuntamente, em um só plano, ao nível do septo. Estas modificações técnicas foram utilizadas em todos os pacientes transplantados nas três Instituições e apresentam como vantagens: 1) perfeito alinhamento do tronco pulmonar, evitando-se acotovelamentos e torções e 2) cavidades atriais menores, sem suturas salientando paradentro dos átrios e, conseqüentemente, menores oportunidades de fenômenos tromboembólicos ou contrações assincrônicas dos átrios (doador-receptor) que, além de favorecer a formação de trombos, podem interferir na suficiência das valvas atrioventriculares. O método é facilmente reproduzível e pode ser recomendado para os transplantes ortotópicos de coração.

Year

1994

Creators

Mendonça,José Teles de Carvalho,Marcos Ramos Costa,Rika Kakuda da Torres,Luís Daniel Lima,Ricardo de Carvalho

Técnica e resultados da endarterectomia de artéria coronária

A abordagem cirúrgica da doença coronária sofreu grandes modificações nos últimos anos. Devido à possibilidade de angioplastia, os doentes encaminhados para cirurgia são aqueles com doença ateromatosa difusa grave e/ou com artérias ocluídas, geralmente responsável por uma área de músculo viável. Assim sendo, a endarterectomia de coronária é um recurso técnico que viabiliza a abordagem destes vasos. Em nosso Serviço, no Hospital do Coração, foram submetidos para cirurgia de revascularização do miocárdio (RM) com endarterectomia, no período de janeiro de 88 a dezembro de 92,110 pacientes(pts.). O sexo masculino predominou, com 99 (90%) pts. Encontramos com função ventricular normal 33 (30%), déficit moderado 71 (64,5%) e severo 6 (5,4%). Doze (10,9%) pts. eram reintervenção para nova RM. Dividimos em 2 grupos quanto ao número de endarterectomias realizadas. Grupo A com uma endarterectomia 104 (94,5%) pts. e Grupo B com mais de uma endarterectomia 6 (5,4%) pts. No Grupo A a coronária esquerda (CE) foi abordada em 38 (36,5%) pts. e a coronária direita (CD) 66 (63,4%) pts. No Grupo B com mais de uma endarterectomia a CE foi abordada 8 vezes e a CD outras 4. Em todos os casos o cirurgião removeu a endoartéria com a placa ateromatosa, com sucesso. A ocorrência de infarto trans-operatório na região da artéria endarterectomizada foi de 7 (6,3%) pts. e em regiões não relacionadas com as artérias manipuladas foi de 3 (2,7) pts. Em 9 (8,1 %) pts. foi realizado procedimento associado, como: aneurismectomia do ventrículo esquerdo 5 (4,5%) pts., troca de valva aórtica 1 (0,9%) e ventrículotomia para retirada de trombo em 3 (2,7%). As complicações mais freqüentes foram: arritmias 26 (23,6%) pts., insuficiência renal aguda 10 (9%) pts., síndrome de baixo débito (SBD) 4 (3,6%) pts. Ocorreram 5 (4,5%) óbitos, tendo como causa mais freqüente a SBD. Quatro (3,8%) pts., do Grupo A e 1 (16,6%) do Grupo B. Com esses resultados, verificamos que a endarterectomia é um procedimento que, utilizado criteriosamente, possibilita uma RM completa e com resultados consistentes.

Year

1994

Creators

Salerno,Pedro R Dinkhuysen,Jarbas J Chaccur,Paulo Abdulmassih Neto,Camilo Santos,Magaly A Souza,Luiz Carlos Bento de Jatene,Adib D

Tratamento cirúrgico das valvopatias: parte 2

Esta segunda parte abordará técnica operatória, conduta pós-operatória e reoperações de pacientes com valvopatias. Em Técnica Operatória são descritos os procedimentos de anestesia, a abordagem cirúrgica, que inclui a instalação da circulação extracorpórea, e as cirurgias das valvas mitral, aórtica, tricúspide e pulmonar. Em Conduta Pós-Operatória é relatada a rotina na Unidade de Terapia Intensiva, e em Reoperações é abordada a técnica cirúrgica.

Year

1994

Creators

Braile,Domingo M Volpe,Marco A Ramin,Serginando L Souza,Dorotéia R. S

Revascularização do miocárdio no octogenário: observação de 16 anos

Com o objetivo de avaliar a evolução do tratamento cirúrgico da doença arterial coronária no paciente octogenário, foram analisados, retrospectivamente, os pacientes com idade maior ou igual a 80 anos submetidos a revascularização do miocárdio no InCor, no período entre janeiro/1978 e agosto/1994. Do total de 79 pacientes, 60 (75,94%) eram do sexo masculino e 19 (24,05%) do sexo feminino. A média de idade foi igual a 82,33 (80 a 90 anos). A indicação operatória foi devida ao quadro de angina instável em 56 (70,88%), a angina estável em 22 (27,84%) e 1 (1,26%) paciente foi operado devido à dissecção de placa aterosclerótica quando da realização de angioplastia. A operação ocorreu em caráter de emergência em 8 (10,12%), em caráter de urgência em 23 (29,11 %) e eletivamente em 48 (60,75%) pacientes. A veia safena foi empregada em 69 (87,34%), enquanto a artéria torácica interna pediculada foi utilizada em 10 (12,65%) pacientes. A mortalidade hospitalar global atual é de 6,32%, e vem decrescendo na Instituição. Passou de 13,33%7 em 1990 para 8,5%8 em 1993 e, atualmente, está em 6,32%. As causas de óbito hospitalar foram: encefalopatia anóxica, insuficiência respiratória, hemorragia digestiva é um óbito devido a choque cardiogênico. O tempo médio de seguimento foi de 18,3 (4 a 83) meses. A mortalidade tempo relacionada foi devida a infecção, neoplasia, acidente vascular cerebral, trombose mesentérica, síndrome depressiva e choque cardiogênico. Considerando-se que a população brasileira vem envelhecendo aumentando sua expectativa de vida; que a mortalidade hospitalar para o tratamento cirúrgico da doença arterial coronária no idoso vem decrescendo, apesar do número crescente de operações, concluímos que o tratamento cirúrgico representa boa alternativa ao octogenário portador de doença arterial coronária, pois lhe permite melhorar a qualidade e expectativa de vida.

Year

1994

Creators

Iglézias,José Carlos R Dallan,Luís Alberto Lourenção Júnior,Artur Ramires,José Antônio F Stolf,Noedir A. G Oliveira,Sérgio Almeida de Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D