RCAAP Repository
Uso medicinal da pimenta malagueta (Capsicum frutescens L.) em uma comunidade de várzea à margem do rio Amazonas, Santarém, Pará, Brasil
Neste trabalho, efetuou-se um levantamento etnobotânico voltado à compreensão da importância medicinal da pimenta malagueta (Capsicum frutescens L.) no cotidiano dos moradores de Cabeça D'Onça, uma localidade de várzea, situada à margem do rio Amazonas. Pertencente ao município de Santarém, estado do Pará, a comunidade é constituída por aproximadamente 330 habitantes. Ao todo, foram entrevistadas 116 pessoas residentes em 70 domicílios. As informações concernentes aos diferentes propósitos medicinais de uso das pimentas, recolhidas mediante entrevistas semiestruturadas, foram compiladas pormenorizadamente. Na segunda etapa do trabalho, foram realizadas entrevistas estruturadas em 40 domicílios, com 80 pessoas (40 casais), para se determinar quais as indicações das pimentas eram mais conhecidas na área de estudo. Do contato com a água do Amazonas, reputam-se algumas doenças, citadas por mais de 50% dos entrevistados, curadas com a malagueta, tais como o 'pano-branco' e a 'impinge' (tratados com as folhas) e o reumatismo (tratado com os frutos). Por meio de comparações entre os dados obtidos nesta pesquisa e os registros encontrados na literatura, verifica-se forte influência indígena quanto aos modos de utilização medicinal das pimentas.
2011
Roman,André Luís Cote Ming,Lin Chau Carvalho,Izabel de Sablayrolles,Maria das Graças Pires
Artefatos de miriti (Mauritia flexuosa L. f.) em Abaetetuba, Pará: da produção à comercialização
No estuário amazônico, a palmeira Mauritia flexuosa L. f. (miriti) é conhecida por fornecer matéria-prima para a confecção de cestaria e brinquedos, ambos de relevância econômica e cultural para a população local. Este estudo teve como objetivo realizar um levantamento a respeito da produção e comercialização dos dois principais artefatos - paneiros e brinquedos de miriti, no município de Abaetetuba, Pará. A pesquisa foi conduzida na comunidade ribeirinha de Cutininga e em duas associações de artesãos da sede municipal, por meio de entrevistas semiestruturadas e não estruturadas, envolvendo 18 informantes. Entre os produtos cesteiros comercializados, o paneiro é o único que conseguiu se manter no mercado e atualmente é a principal fonte de renda para os moradores da comunidade de Cutininga. Já a comercialização dos brinquedos de miriti vem ganhando maior expressividade a cada ano, com ápice de produção em outubro, durante a festividade do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Tanto os brinquedos como os paneiros atingiram escala comercial, sendo que o brinquedo é o produto feito da folha de Mauritia flexuosa L. f. de maior representatividade econômica no município. Porém, na região das ilhas, onde está situada Cutininga, constatou-se que o paneiro apresenta maior importância econômica.
2011
Santos,Ronize da Silva Coelho-Ferreira,Márlia
Uma crônica ignorada: Anselm Eckart e a Amazônia setecentista
Uma obra quase desconhecida do jesuíta alemão Anselm Eckart (1721-1809), os "Aditamentos à descrição das terras do Brasil", é de grande interesse para os estudos amazônicos. Eckart, que trabalhou de 1753 a 1757 nas missões do Maranhão e Grão-Pará, publicou suas próprias observações em apêndice à obra de outro autor sobre o mundo natural e a sociedade amazônica. Os capítulos dos "Aditamentos" que tratam da população indígena, de seus costumes e do tratamento recebido de colonos e missionários são aqui traduzidos por Thekla Hartmann e comentados pelo autor.
2011
Porro,Antonio
As notas do Padre Anselm Eckart, S. J., sobre alguns animais do Estado do Grão-Pará e Maranhão (1785)
Os trechos relativos à fauna do Estado do Grão-Pará e Maranhão, escritos pelo Padre Anselmo Eckart (1721-1807), S. J., em 1785, são traduzidos e comentados. Foram incluídas notas críticas sobre cada animal mencionado, atualizando o conhecimento sobre a espécie e comparando as informações zoológicas e linguísticas coligidas pelo jesuíta com outros documentos da época e com a literatura científica pertinente.
2011
Papavero,Nelson Couri,Marcia Souto Teixeira,Dante Martins Chiquieri,Abner
Luzes e sombras de histórias tornadas visíveis no Teatro da Paz
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2011
Barbuy,Heloisa
Escritos não tangenciais no diálogo com Raimundo Lopes
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2011
Marin,Rosa Acevedo
Belém do Pará: uma metrópole amazônica à luz do olhar interdisciplinar
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2011
Ferreira,Rubens da Silva
Marcado pela própria natureza: o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e as ciências agrícolas (1860-1891)
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2011
Bediaga,Begonha Eliza Hickman
Tintas da terra, tintas do Reino: Arquitetura e Arte nas missões jesuíticas do Grão-Pará (1653-1759)
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2011
Martins,Renata Maria de Almeida
Georges Cuvier e a instauração da Paleontologia como ciência
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2011
Faria,Frederico Felipe de Almeida
A "lição das coisas": o Museu Paraense e o ensino da História Natural (1889-1900)
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2011
Machado,Diego Ramon Silva
Além do que os olhos veem: etnogênese, Xikrin-Mebêngôkre e a macrorregião de Marabá
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2011
Manaças,Mirtes Emilia Almeida
Um súdito capaz no vale amazônico (ou Landi, esse conhecido): um outro significado da descrição das plantas e dos animais do Grão-Pará
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2011
Kettle,Wesley Oliveira
Repensando o museu integral: do conceito às práticas
O trabalho analisa o Museu Integral (ou Museu Total) como questão no campo da Museologia, bem como as diferentes abordagens e os discursos que sobre ele se desenvolvem. Partindo da ideia de Museu como fenômeno, estabelece as convergências e divergências entre as matrizes teóricas que fundamentam os conceitos de 'museu integral', 'museu comunitário' e 'ecomuseu', e as propostas e realizações de uma prática museológica voltada para o social. Comenta sobre a tendência à mitificação da Carta de Santiago como matriz ideológica e propõe uma revisão do papel e do significado da Mesa de Santiago e das recomendações nela consignadas para a teoria e a prática da Museologia, analisando o seu desdobramento e a sua aplicabilidade nas políticas e diretrizes da Museologia - em âmbito mundial e, especialmente, na América Latina. Recomenda que se desenvolvam pesquisas e análises mais aprofundadas sobre as relações entre teoria e prática museológica na América Latina, recolocando os mencionados conceitos à luz da epistème contemporânea e das diretrizes mundiais para a cultura, o patrimônio e o desenvolvimento. Finalmente, apresenta o conceito de Museu Inclusivo - matriz teórica sintonizada com o pensamento e a ética de museus na atualidade.
2012
Scheiner,Tereza Cristina
Museologia-Museu e patrimônio, patrimonialização e musealização: ambiência de comunhão
O artigo focaliza um recorte da pesquisa "Termos e Conceitos da Museologia", âmbito da Linguagem de Especialidade, representando teoria e prática de um conhecimento que se expressa sob a forma de comunicação científica (contexto informacional/comunicacional). Sob perspectiva histórica, enfoca o entrelace Museologia-Museu e Patrimônio a partir dos fundamentos da formação do Museu, campo museológico e Patrimônio. Destaca processos de institucionalização de bens culturais (bens simbólicos), isto é, Patrimonialização e Musealização, e as significações construídas, ao longo do tempo, legitimando ações de 'apropriação' por instâncias culturais. O respaldo teórico envolveu estudos da Museologia, teoria comunicativa da terminologia, socioterminologia, teoria da economia dos campos e poder simbólico, Direito e Ciência da Informação. Os objetivos incluíram a identificação e análise das dinâmicas de criação, ressignificação, variação de termos/conceitos, com resultados que também servem à linguagem documentária. A metodologia desenvolveu análise comparada de fontes ligadas às representações e práticas dos cenários museológico, patrimonial e terminológico. Os resultados apontaram uma base comum para a interação entre Museologia e Patrimônio: a imagem divulgando a necessidade de salvaguardar os bens para transmissão às gerações futuras - preservação, consubstanciada no sentido emprestado de ato social ligado à questão das identidades, mas cuja face real é a prática do poder simbólico.
2012
Lima,Diana Farjalla Correia
O objeto etnográfico é irredutível? Pistas sobre novos sentidos e análises
Determinados artefatos depositados em museus são conhecidos como objetos etnográficos. Representam importantes fontes de consulta para um amplo leque de estudos interpretativos na área das ciências humanas: cultura material, tecnologias tradicionais, antropologia da arte, etno-história e história da arte, processos migratórios, trocas e apropriações culturais como resultado das situações de contato. Cabe, então, perguntar por que as reservas técnicas dos museus etnográficos não estão abarrotadas de pesquisadores debruçados sobre tais fontes de informação? A irredutibilidade mesma do objeto etnográfico pode constituir um empecilho, mas o que mais pode ser dito? O artigo pretende enfocar o objeto etnográfico e o estudo de coleções etnográficas, nem tanto formulando novos conceitos, mas transladando sentidos e interpretações que contribuem para a redefinição dessa classe de objetos. A partir dessa discussão e com objetivos exploratórios, são abordadas as potencialidades do estudo de coleções etnográficas no contexto das redes de troca ameríndias.
2012
van Velthem,Lucia Hussak
O museu de arte perante o desafio da memória
Os museus surgiram como síntese representativa de uma realidade, impondo questões sobre a preservação das memórias inerentes à função e à simbologia dos objetos. No caso dos museus de arte, o objetivo era constituir um repositório patrimonial que contribuísse para a criação de uma identidade cultural, pelo que os objetos eram avaliados sobretudo em função da excelência dos seus parâmetros estéticos, em detrimento de outras significações; também a historiografia da arte privilegiava os aspectos formais, estabelecendo atribuições e estilos. Essas circunstâncias determinaram a descontextualização do objeto no espaço museológico. Porém, a partir de meados do século XX, os estudos sobre o público, enquanto entidade plural e diversificada, e os debates teóricos em torno da significação do objeto contribuíram para uma redefinição do discurso museológico. O museu passou a compensar as perdas inerentes ao processo de musealização por meio de um conjunto de procedimentos e ferramentas que recontextualizam os significados do objeto nas suas múltiplas valências. Entre ambos os vetores, de descontextualização e de recontextualização, o museu desafia a nossa memória pessoal e coletiva.
2012
Roque,Maria Isabel Rocha
Museologia e patrimônio nas cidades contemporâneas: uma tese sobre gestão de cidades sob a ótica da preservação da cultura e da memória
Essencialmente consideradas como um espaço para viver, as cidades contemporâneas são complexos territórios onde a memória e o patrimônio não têm efetiva função representativa. O objetivo principal deste trabalho é analisar o surgimento do conceito de 'saúde cultural', suportado pela relação entre museologia, patrimônio e cidadania. A pesquisa foi baseada na experiência de campo e em estudos de memória de adultos e idosos que vivem em áreas urbanas, onde eles podem observar o significado simbólico dos monumentos e de objetos similares nas cidades-museus e nas paisagens culturais. A maneira com que os museus e monumentos estão inseridos na sociedade civil e seu poder de produzir códigos e valores culturais fazem deles parte integrante do processo de promoção das identidades e da cidadania. Além disso, esse processo pode melhorar a saúde cultural, a autoestima e a qualidade de interação social. Esses elementos são indispensáveis à construção de cidades saudáveis.
2012
Costa,Heloisa Helena Fernandes Gonçalves da
Museologia e patrimônio: encontros e desencontros
Ao direcionarmos o olhar para as décadas de 1920 e 1930, podemos verificar os diferentes projetos, apresentados por parte da intelectualidade brasileira, para a área do patrimônio e dos museus. Esta assertiva poder ser confirmada por meio da análise dos diversos projetos e anteprojetos que buscavam normalizá-la. Nesse período, é posta em curso a ideia da construção de um Estado onde as elites têm papel de destaque no encaminhamento da questão política e cultural. Assim, são criados importantes instituições e órgãos, tais como o Museu Histórico Nacional (1922), o Curso de Museus (1932) e a Inspetoria de Monumentos Nacionais (1934). Tanto o Curso de Museus como a Inspetoria de Monumentos Nacionais são considerados marcos. O primeiro na institucionalização da Museologia e dos estudos de museus no Brasil. O segundo foi um dos principais antecedentes do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), criado em 1937. O presente artigo pretende lançar luzes nessa discussão ao analisar e problematizar o papel desempenhado por diferentes atores no processo de formação e configuração das áreas da Museologia e do Patrimônio, enfatizando as convergências e divergências existentes em suas trajetórias.
2012
Rangel,Marcio Ferreira