RCAAP Repository
The three levels of the urban digital divide: bridging issues of coverage, usage and its outcomes in VGI platforms
This article aims to provide a more detailed conception of the production of urban digital divides by VGI platforms in the context of the platform economy, through the articulation of the first (access and coverage), second (usage and skills) and third (outcomes) level of the digital divide. Our conceptual approach departs from a discussion of the geographical consequences of the different levels of the digital divide, focusing on their application to the study of VGI platforms, especially those working under the logic of the platform economy. We draw on a multi-level case study of the geographies of TripAdvisor and the geographies of restaurants or similar establishments in Lisbon, which comprised data analysis and interviews with restaurant owners, to argue that VGI platforms are producing urban digital divides that can only be fully detected through the triangulation of the different levels of the digital divide. They are not only producing different levels of territorial coverage in cities, but also different levels of usage intensity which have caused negative and positive outcomes for the firms associated. All these levels are spatially distributed, and such distribution is even more pronounced at a finer scale. We conclude that VGI platforms are producing a myriad of new forms of spatial divides that need more attention, given that the digital divide is present within the mechanisms designed by digital platforms. The vast and complex effects of such data engineering is best captured when all three levels of the digital divide are taken into account.
2025-10-28T12:15:53Z
Ferreira, Daniela Vale, Mário Miguel, Renato Carmo Encalada Abarca, Luis Marcolin, Carla
Ethnography as tradition in Africa
“Ethnography as tradition in Africa” is our way of stressing that our discipline’s favoured methodology is an embodied engagement with the human world with roots in forms of curiosity that are very ancient; they emerged long before academic anthropology was constituted in the mid-nineteenth century. Ethnography, thus, is not open to being reinvented at every new juncture, either as a mode of scientific analysis or as a mode of reporting on experience. In this sense, we too stand in the shoulders of giants. Only seen from the perspective of that historical succession can the contemporary ethnographies we collect in this dossier achieve the full plenitude of their meaning.
The ethnographic present revisited
The old methodological injunction to focus on the ethnographic present has been taken negatively to mean a refusal of history. In this paper, I propose that the notion of ethnographic present be used conjecturally to reflect the situated nature of all ethnographic research.
A ficção como exutório
Este é um curto ensaio sobre a noção de exutório e a forma como a ficção viabiliza a emoção recorrendo à obra do escritor japonês Shusaku Endo.
Reinforcement Learning aplicado ao trading
Neste trabalho desenvolve-se um algoritmo de trading aplicado ao mercado cambial. O algoritmo é obtido através de Reinforcement Learning. Propõe-se um processo de decisão de Markov para modelar o problema do trading de um ativo e usa-se o algoritmo model-free chamado Q-Learning com uma rede neuronal com 2 camadas ocultas de 40 células cada como função aproximação para resolvê-lo. Optou-se por uma função recompensa que calcula a variação percentual do valor da carteira e por um espaço de ações discreto onde as únicas opções são abrir uma posição longa/curta ou não abrir nenhuma posição. O algoritmo é testado em quatro pares de moedas, EUR/USD, GBP/USD, USD/JYP, USD/CHF, entre abril de 2015 e março de 2020. Além disso, o algoritmo é corrido várias vezes para cada par com o objetivo de testar a consistência do mesmo. Dois valores para o spread são utilizados. Os resultados são, em média, consistentes e positivos. Observa-se também um declínio da performance com o aumento do spread.
2025-10-28T12:12:12Z
Pires, Diogo Miguel Teixeira Estevinho
The Functional Fallacy: On the Supposed Dangers of Name Repetition
Whenever the theme of personal naming comes up, both in academic debate and in public opinion, we encounter a tendency to take for granted that there is some sort of collective interest in the clear and unambiguous individuation of persons through their names. “Society” or “culture”, it is presumed, would not function as well if that failed, so homonymy is automatically taken to be dysfunctional. This kind of explanation carries a deep sense of validity in common sense attitudes and it clearly imposes itself upon all who have discussed this issue over the past few decades, both in history and anthropology. In this essay, I argue that, on the one hand, there are fallacious implications to this explanatory proclivity, to which I call the functional fallacy, and, on the other hand, that it finds its power of evidence in the implicit expectations that characterize late modern thinking concerning what is a person and how persons are constituted. I identify three dispositions that need to be overcome: sociocentrism, individualism and the paradigm of the soul.
Le comparatisme en éducation : mode de gouvernement ou enquête historique?
No summary/description provided
2025-10-28T12:22:48Z
Novoa, Antonio Yariv-Mashal, Tali
The Future of Social Anthropology
This paper considers the challenges that faced the discipline at a time when the European Association of Social Anthropologists reached its twentieth year.
The SVIX index: a predictor of the market risk premium
A presente tese apresenta o cálculo e comparação de dois índices: o VIX (índice de volatilidade calculado pela Chicago Board Options Exchange) e o SVIX (apresentado no artigo científico de Martin (2017) para o período de janeiro de 2015 a abril de 2019. Ambos são índices de volatilidade cujos cálculos são baseados em opções sobre o índice S&P 500 e o seu estudo é referido como tendo importância para o estudo do retorno do mercado. O índice VIX é calculado diariamente pela Chicago Board Options Exchange para representar a volatilidade implícita com base em opções. As opções utilizadas são europeias, out-of-the-money, sobre o índice S&P 500 (SPX). Para o cálculo deste índice, a Chicago Board Options Exchange estima a volatilidade implícita das referidas opções cuja maturidade é de, em média, 30 dias. O índice não se transaciona diretamente no mercado mas, através de produtos financeiros como futuros, opções ou Exchange Traded Funds (ETFs) é possível efetuar transações. Após os cálculos efetuados em Matlab, para um horizonte de 30 dias, obtêm-se, neste estudo, resultados semelhantes aos publicados pela Chicago Board Options Exchange, especialmente se a comparação for realizada com o foco na direção das variações. Os resultados foram representados graficamente através de um gráfico que compara o VIX calculado em Matlab, para o referido horizonte de 30 dias, com os dados históricos fornecidos pela Chicago Board Options Exchange. Para completar a análise, foi também gerado um gráfico de diferenças entre os resultados das duas fontes (cálculo realizado para este estudo comparado com os dados disponíveis no mercado) que se espera que tenha um valor o mais próximo de zero que seja possível. Apesar de existirem diferenças não nulas para alguns dias, os resultados obtidos não são muito diferentes dos dados históricos. De acordo com os cálculos efetuados, as diferenças encontradas têm origem no facto de ter sido utilizada uma curva de taxas de juro de Nelson Siegel em vez da curva originalmente proposta pela Chicago Board Options Exchange, baseada em taxas "Constant Maturity Treasury" (CMT). Através de técnicas de interpolação e extrapolação é possível fazer a transformação necessária, de taxas calculadas para horizontes predefinidos em taxas de horizonte temporal "near" e "next", conforme requerido. Outra das diferenças foi a escolha da própria janela temporal em análise. Esta, foi também ligeiramente diferente da original apresentada por Martin (2017) visto que, para os anos anteriores a 2015, nos dados fornecidos pela Chicago Board Options Exchange, existem mais tipos de opções além de "standard" e "weekly" (a utilização destes dois tipos de opções é descrita e replicada conforme a publicação CBOE (2018), não diretamente convertíveis nos dois tipos já mencionados, atualmente usados pela Chicago Board Options Exchange no cálculo do índice VIX. Isto tornaria difícil obter informação comparável. O índice VIX é uma ferramenta importante e deve ser estudado e compreendido para permitir um maior entendimento sobre a génese do índice SVIX, sendo este último o que mais contribui para as conclusões do estudo realizado nesta tese. No entanto, o próprio Martin (2017) descreve e refere-se bastante ao índice VIX pela sua utilidade e pelas semelhanças e diferenças encontradas quando comparado com o índice SVIX. Esse padrão é também replicado aqui, sendo que o índice VIX serve de ponto de partida para a compreensão do SVIX. Através das equações apresentadas nos capítulos 2 e 3 desta tese, é possível compreender quais as várias etapas e componentes que constituem o cálculo destes índices, numa tentativa de os apresentar de uma forma comparável entre si, mas também não muito diferente da utilizada pelos autores, quer a CBOE para o VIX como Ian Martin para o SVIX. Sobre o índice SVIX não existe tanta informação disponível como para o índice VIX, já que o primeiro índice mencionado se trata de uma abordagem descrita apenas teoricamente em 2017 por Ian Martin no seu artigo científico cujo título original é "what is the expected return on the market". O próprio título ilustra bastante bem a essência do artigo, que procura obter conclusões sobre a análise do prémio de risco de mercado. O índice SVIX ainda não tem observações históricas disponíveis no mercado mas poderá vir a ser implementado no futuro. Um dos grandes objetivos do artigo de Martin (2017) é o de mostrar a relação existente entre o prémio de risco de mercado e o índice SVIX, que é apontada como uma das grandes vantagens da utilização e cálculo deste índice, relação essa também explorada nesta tese. O ponto de partida é uma identidade que associa o retorno esperado do mercado com a sua variância neutra ao risco. A condição de correlação negativa apresentada por Martin (2017) [16] também é de elevada importância para alcançar o objetivo do autor. Mais adiante no referido artigo de Ian Martin, é construída uma regressão que apresenta o índice SVIX como limite inferior do prémio de risco de mercado. Na presente tese, os cálculos para obter os valores do índice SVIX foram efetuados para diferentes horizontes temporais e representados através de gráficos comparativos com o VIX observado pela Chicago Board Options Exchange. Martin (2017) relaciona o limite inferior do prémio de risco de mercado para diferentes horizontes (30, 60, 90, 180 e 360 dias) com o índice SVIX, através de uma regressão para a qual são estimados dois parâmetros, para cada horizonte. Fazendo a distinção do propósito dos índices, o SVIX mede a volatilidade neutra ao risco do retorno do mercado enquanto que, o VIX, ao dar maior relevo às opções de venda out-of-the-money e menos às opções de compra out-of-the-money, mede a entropia neutra ao risco. Além dos cálculos efetuados, para obter conclusões mais concretas e que podem ajudar a resumir a essência desta tese, foram analisados alguns indicadores econométricos. Apresentam-se, de seguida, as conclusões do estudo realizado, lembrando o objetivo da tese de perceber se o índice SVIX é (ou não) um elemento importante para prever o prémio de risco de mercado. Antes disso, utilizando as comparações realizadas entre o índice VIX e o índice SVIX, conclui-se que, em média, para um horizonte de 30 dias, o valor do VIX é 0.16 mais elevado do que o SVIX, conforme previsto originalmente após a análise inicial do artigo de Martin (2017). Também é possível concluir que se podem calcular, a nível prático, ambos os índices, VIX e SVIX, com base nos preços de opções que podem ser obtidos no mercado e alcançar resultados semelhantes aos da CBOE e de Martin (2017). É de realçar a importância de estudar ambos, visto que, pelas suas diferenças, ambos contribuem para o estudo das características do mercado. Na análise aqui realizada percebe-se que, de facto, o índice SVIX pode ser considerado uma previsão para o prémio de risco de mercado. As conclusões sobre este facto foram um dos grandes objetivos deste estudo e estão devidamente suportadas pelo coeficiente de correlação de Pearson (que mede a correlação linear entre variáveis) de aproximadamente 0.422 (valor considerado moderado) e também pelo teste de causalidade de Granger que permite concluir que não se rejeita a hipótese nula de que a "lower bound" baseada no índice SVIX "causa-Granger" o prémio de risco de mercado. Este último indicador referido aponta para a mesma conclusão que também Martin (2017) [16] refere, visto que o teste de causalidade de Granger mostra que, neste caso, os valores passados do índice SVIX podem ser úteis para prever o prémio de risco de mercado.
2025-10-28T12:11:44Z
Coelho, Mariana Beatriz Papoila Magalhães Martins
Galvão among the cannibals
Colonial domination was not a simple act of violence. Rather, it was written into the bodies and hearts of the people--'white', 'black', or whatever other combination might be held to exist. Using the samples of the Portuguese African colonies in mid-twentieth century, this paper examines the emotional constitution of colonial power by exploring the uses of the trope 'cannibalism'. In order to do that, recourse is taken to a reading of the non-fictional works of Henrique Galvão--one of the most active Portuguese intellectuals and Africanist politicians of the period. Subaltern persons were attributed terrible and mysterious tendencies that escaped simple rationality (they were 'zombified'). In this way, a phantasmagoria of subalternity was constituted that, through fear, transformed domination into a structure of emotions. Thus, the repressive attitudes of colonial power were made to appear natural and unavoidable.
The gods of the gentiles are demons
Since the Christianisation of Portugal fourteen centuries ago, there has been a surprising similarity in the areas the Church has found people falling into error. This paper argues that this long term continuity cannot be explained by one single factor.
Tratamento microcirúrgico do linfedema
O linfedema é uma doença crónica sem tratamento definitivo que afecta milhares de pessoas por ano, mundialmente. Embora possa ser de causa primária, no mundo ocidental a sua causa mais comum é iatrogénica, secundária ao tratamento de patologia oncológica. O seu diagnóstico é feito através da anamnese e exame objectivo, podendo ser mais bem caracterizado através de técnicas de imagem. O tratamento do linfedema divide-se em duas categorias: tratamento médico e tratamento cirúrgico. O tratamento médico consiste no uso de diuréticos, manobras de drenagem linfática e terapia compressiva do membro afectado, tendo como objectivo impedir a progressão do linfedema através do seu controlo e possível diminuição. O tratamento cirúrgico pode ser excisional/redutor, no qual se pretende diminuir o volume de tecido subcutâneo ou remover tecido em excesso, ou pode ser de tipo fisiológico, no qual se tenta restaurar o sistema linfático levando à drenagem da linfa e consequente diminuição do linfedema. A principal forma de controlo do linfedema é ainda o tratamento médico com recurso à terapia compressiva e manobras de drenagem mas, devido ao avanço das técnicas microcirúrgicas e da tecnologia das técnicas de imagiologia, o tratamento fisiológico do linfedema tem demonstrado bons resultados com diminuição do volume da área afectada, restauração da drenagem linfática e satisfação dos doentes, mostrando ser uma área promissora. Neste trabalho inclui-se a última revisão sobre o tema,1 complementada com artigos mais recentes em relação ao tratamento microcirúrgico do linfedema, tendo como objectivo apresentar os resultados e avanços da anastomose linfovenosa e do transplante de nódulo linfático vascularizado.
2025-10-28T12:26:21Z
Xavier, Manuel Maria de Almeida Pinheiro Calapez
A obra do pintor Adriano de Sousa Lopes (1879-1944) na sua fase académica: Conservação e Restauro de diversas pinturas da Reserva de Pintura da FBAUL
A study of a set of ten academic works by Adriano de Sousa Lopes (1879-1944) that belongs to the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon (FBAUL) was started as part of a PhD research, specializing in Art Sciences.The project consisted in the study of the painter's artistic period and the conservation and restoration treatments of Sousa Lopes's academic paintings. An intervention methodology was made in four phases - Historical Study, Mapping with Geographic Information Systems (GIS), Technical Study and Conservation and Restoration - which was supported by several researchers and research centers (CIEBA, HERCULES, CITAR, CFUM). If, on the one hand, a scientific and historical research was developed then, on the other hand at the same time conservation and restoration treatments were carried out, which allowed preserving a unique collection. The diagnosis, through the use of techniques of graphic registration and examination and analysis, allowed to know the materials constituting the works and to identify the causes of deterioration associated to them. The information system used, QGIS®, allowed the creation of several maps of the surfaces that facilitated the reading and interpretation of the pictorial data, both the technical and conservative survey, as well as the conservation and restoration treatments performed. The conservation and restoration intervention were guided by the minimum intervention, the main objective being the structural stabilization of the paintings. The exhibition and the catalogue were the culmination of an exhaustive and rigorous investigation into a little studied phase of the painter, where in addition to highlighting his work, it also emphasizes the role of conservation and restoration in the preservation of collections such as this. Finally, the implementation of several methodologies allowed achieve an investigation in several domains of knowledge, which was only possible through multidisciplinary work.
Currículo e docência : a pessoa, a partilha, a prudência
No summary/description provided
On embracing the vague
At the same time as, in Paris, Lucien Lévy-Bruhl experimented with the concept of “participation,” at Harvard, William James undertook a parallel trajectory by taking recourse to the notion of “the vague.” For him, vagueness described the fact that reality is richer than any and all conceptualizations. In light of the ethnographic material provided by contemporary developments in the ethnography of pharmaceuticals, this paper mobilizes James’s concept of vagueness by reference to Lévy-Bruhl’s participation in order to develop instruments for capturing ethnographically the complexities of entanglement and emergence in human sociality. The paper concludes that indeterminacy and underdetermination are doors of entanglement as they both limit and make possible the constitution of entities in sociality.
Autómatos reversíveis: um estudo algébrico e topológico
Nesta dissertação será feito o estudo de autómatos reversíveis e das linguagens reconhecidas por estes. Começamos com um capítulo preliminar, que nos dará noções iniciais de Semigrupos, Autómatos e Linguagens, e alguns resultados importantes. Entramos depois na área das Classes de Monoides e Classes de Linguagens, onde é dada a definição de variedades de monoides. A partir dessa definição, e para facilitar o estudo posterior dos autómatos reversíveis, damos as definições de M-variedade, variedade de monoides ordenados, e de MO-variedades, estas últimas essenciais para uma das caracterizações das linguagens reconhecidas por autómatos reversíveis. Iniciamos então um terceiro capítulo, focado no estudo dos subconjuntos racionais do grupo livre, que serão necessários para uma das nossas caracterizações, e que fazem um paralelo com a definição de linguagens racionais, enunciada no primeiro capítulo. No quarto capítulo são então dados os resultados sobre M-variedades e MO-variedades que nos ajudam a caracterizar linguagens reconhecidas por autómatos reversíveis. Neste capítulo focamo-nos principalmente na classe de monoides gerada pelos monoides inversos, quer no caso ordenado, quer no caso não ordenado. No quinto e último capítulo são enunciadas as diferentes caracterizações possíveis para as linguagens reconhecidas por autómatos reversíveis, terminando com um algoritmo para facilitar a descoberta destas linguagens, bem como um resultado final que engloba todas as caracterizações dadas.
2025-10-28T12:10:04Z
Moreira, Francisco Loureiro da Silva Mendes
Exploring the use of blockchain in academic management systems
A tecnologia blockchain é um tópico em voga, com a sua visibilidade a estar directamente associada às criptomoedas, cuja grande expansão foi impulsionada pela Bitcoin (BTC). Apesar desta “explosão” recente, os conceitos base da tecnologia blockchain já têm décadas. O Hashcash, por exemplo, já utilizava um sistema de validação semelhante à Bitcoin para mitigar spam e ataques de negação de serviço. Embora os termos Bitcoin e blockchain tenham uma forte conotação, não são equivalentes. De forma concreta, uma blockchain é uma estrutura de dados que armazena informação numa cadeia de blocos ligados (block+chain) e cuja sequência é validada através de criptografia, particularmente funções de síntese (hash). Aumentar a cadeia requer que haja consenso entre os participantes sobre qual o próximo bloco a adicionar, consenso esse que é atingido por diversos mecanismos como sendo o Nakamoto consensos da Bitcoin, baseado em Proof-of-Work. Uma vez adicionado um bloco, essa informação é propagada aos participantes, existindo uma representação global e coesa da blockchain para todos. Um ponto importante é que não é possível apagar dados uma vez inseridos, o que, combinado com a verificação criptográfica e o uso de consenso, torna-a resistente à manipulação do seu conteúdo. É claro que esta tecnologia tem um grande potencial disruptivo, o que por sua vez tem causado uma “corrida ao ouro” digital, levando a que muitas organizações criem as suas próprias blockchains para posicionar-se no mercado. Os casos de uso já comprovados aproveitam as características da blockchain e variam entre aplicações financeiras baseadas em tokens que tiram partido da descentralização e a transposição para blockchain de actividades em que a auditabilidade e resistência à manipulação é altamente valorizada como sendo a gestão de cadeias logísticas. A qubIT, enquanto criadora de soluções de sofware, propôs este projecto para explorar o uso desta tecnologia no seu âmbito principal de negócio, os sistemas de gestão académica. Foi assim ideada uma prova de conceito com o objectivo de permitir validar documentos académicos assim como partilhar dados entre (e através das) instâncias Fenix das instituições da Universidade de Lisboa. Inspirando-se num dos casos de uso comprovados de blockchain, o rastreio de cadeia logística, a visão desta prova de conceito poderia ser descrita como “rastreio de documentação académica”. A questão a responder é: como podemos avaliar a validade de um documento académico para além da assinatura digital que lhe está aposta? Um exemplo seria o caso em que o documento está assinado por alguém que, naquele momento, não tinha legitimidade para o fazer. O objectivo é publicar informação numa blockchain e, através desta, estabelecer um registo cronológico imutável que pode ser utilizado para adicionar maior legitimidade e transparência a um documento académico. Existem dois principais desafios para o uso de blockchain para documentos académicos. O primeiro provém do cumprimento do RGPD. Por exemplo, sabendo que os dados ficam de forma permanente na blockchain, como lidar com a revogação de consentimento sobre dados já publicados. Relacionado com este, surge também a falta de suporte legislativo para valores armazenados na blockchain (não está estabelecido o seu valor probatório), especialmente quando comparada com o suporte existente para as assinaturas digitais. O primeiro passo foi escolher uma blockchain para a implementação. Começámos por decidir entre a utilização de uma rede aberta, já existente, ou criar a nossa rede através de uma blockchain permissionada. Aqui analisámos o uso de Ethereum. Com a sua rede e suporte para várias linguagens de desenvolvimento, era uma opção viável. Tinha a vantagem de podermos beneficiar da infraestrutura já existente, incorrendo apenas nos custos associados ao seu uso. Contudo, devido a esses custos e à inexistência de regulamentação para os enquadrar, optámos por criar a nossa própria infraestrutura através de uma solução permissionada. Para tal, analisámos várias implementações até que a escolha foi reduzida a dois candidatos, Fabric e Corda, que comparámos extensivamente. A abordagem tomada contrastou-os em três áreas: governança, que dados são visíveis e como são acedidos pelos participantes; suporte, quão activa é a equipa de desenvolvimento e como são resolvidos incidentes; e arquitectura, explorando os aspectos técnicos relacionados com suporte para linguagens de programação ou armazenamento de dados. No fim, foi escolhido o Corda por ser baseado em Java, podendo assim ser rapidamente integrado com o conjunto de tecnologias já utilizadas e acelerar o desenvolvimento da prova de conceito. Contribuindo para esse processo foi também criado um ambiente de desenvolvimento com as ferramentas necessárias para a criação de aplicações Corda (CorDapps). A salientar, contudo, que o Corda não é estritamente uma blockchain, mas sim um livro-razão (ledger) distribuído. Esta distinção aplica-se porque, no Corda, não existe um estado global partilhado mas sim conjuntos de registos que são visíveis para as entidades consoante as transacções em que participam. Utilizando a versão open source do Corda foi construída a Academic CorDapp. Esta aplicação permitia que fosse publicada e partilhada informação entre várias instânciasdo Fenix. Os dados publicados agregavam informação relativa a estudantes, cursos, notas e documentos e, com o seu registo no ledger, permitiam estabelecer uma cronologia imutável do progresso académico de um estudante numa instituição. Esta aplicação funcionava de forma autónoma, através da linha de comandos, com a sua integração no Fenix condicionada a um parecer favorável após análise pela equipa de soluções de negócio. Nesta avaliação, determinou-se que o Corda tinha alguns aspectos técnicos mais fracos (p.ex., suporte para bases de dados) mas era capaz de cumprir os requisitos para integração. O ponto principal levantando na avaliação foi que a proposta de valor adicionado pelo uso de blockchain era insuficiente quando comparada aos mecanismos de assinatura digital qualificada já existentes, especialmente se utilizado o padrão LTV. Foram então re-avaliadas as opções que tínhamos previamente excluído no processo de escolha do Corda. A solução em Ethereum continuou inviável pelas razões que tinham determinado a sua exclusão inicial: falta de suporte legal assim como a dificuldade em estimar os custos de operação. Foi discutida a possibilidade de reimplementar a aplicação utilizando o Fabric ou outra solução permissionada. Isto, apesar de resolver as limitações tecnológicas do Corda, não conseguia sanar a comparação com as assinaturas digitais que comprometia a viabilidade comercial. Assim sendo, a equipa deu um parecer desfavorável e decidiu que o projecto não iria avançar para a fase de integração em produção. Não obstante este desfecho, este projecto foi frutífero para estabelecer uma base de conhecimento sobre as implementações blockchain existentes, permitindo guiar adequadamente projectos futuros, assim como deixou preparadas ferramentas para acelerar o processo de desenvolvimento e aumentar a competitividade em futuras oportunidades neste espaço de negócio.
Croma: vol.3, nº6 (Jul./Dez. 2015)
Há um compromisso entre o artista e a sociedade. Não é possível retirar a arte do seu contexto social. Neste projecto, em que se desafiam os criadores a pesquisar a obra de outros criadores, reúnem-se aqueles artigos que melhor demonstram a responsabilidade e a solidariedade entre os criadores e os seus pares sociais. São obras, artistas, projetos, plataformas de intervenção, projetos que enfatizam as relações sociais como suporte. Sob esta temática geral foram reunidos 25 artigos para este número 6 da Revista Croma, em linhas de exploração variadas e mantendo a elevada internacionalização da revista: mais de noventa por cento das publicações são exógenas à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa ou do CIEBA, a sua unidade de investigação. Este é um indicador procurado e atingido de modo consistente em todos os exemplares publicados até hoje, e que se espera poder afirmar com continuidade. As diferentes perspetivas apresentadas nos variados artigos expõe a obra de autores que exploram dimensões relacionais ou perante as quais o espectador é convocado a deslocar o seu posicionamento, a desassossegar-se. A implicação surge como resultado da articulação expressiva dos recursos mais variados, em constante mistura, exibindo o modo como as dimensões materiais e ideais são fundadoras das diversas propostas. Nesta revista não há indiferença, há diferenças.
2025-10-28T12:14:01Z
Queiroz, João López López, Marta Façanha, Ana Cristina Mendes Tedesco, Elaine Athayde Alves Barbosa, Iracema Rampin, Priscila Mello, Regina Lara Silveira De Araújo Santos, Eriel Rey Villaronga, Gonzalo José França, Cláudia Maria Almozara, Paula González Vida, María Reyes Wosniak, Fabio Lampert, Jociele Rojas-Redondo, Carlos Lara-Barranco, Paco Borges, Carlos Eduardo Dias Tomé, Joana Gonçalves, Sandra Maria Lúcia Pereira Cartaxo, Zalinda Pereira, Teresa Matos Rodrigues, Teresa Palma Resende, Rafael Paim, Cláudia Teixeira Marcondes, Neide Marcondes Martins, Nara Silvia Montoya Hortelano, Josep Delgado, António
Whole-brain mapping of cerebrospinal fluid velocity and displacement over the cardiac cycle using phase contrast MRI and optimization of a DENSE sequence
O líquido cefalorraquidiano (LCR) tem um papel essencial na drenagem dos resíduos resultantes do metabolismo cerebral e o constante movimento a que este fluido está sujeito é vital para manter a homeostasia do cérebro. Com feito, alterações neste movimento, geralmente associadas com o envelhecimento ou com doença, levam a perturbações fisiológicas, como a doença de Alzheimer ou a hidrocefalia. Por esta razão, é fundamental consolidar e aprofundar o conhecimento referente a este fluido, nomeadamente perceber como varia a sua velocidade e deslocamento, pois só desta forma será possível desenvolver e aperfeiçoar a prevenção e tratamento destas perturbações. Com efeito, este fluido está em constante movimento e o seu comportamento está intimamente ligado ao ciclo cardíaco. Apesar de estudos anteriores sobre a velocidade e o deslocamento do líquido cefalorraquidiano através de métodos de Ressonância Magnética (RM), ainda não existe uma descrição completa sobre o comportamento deste fluido. O objetivo principal deste estudo, consistiu em obter uma descrição detalhada da velocidade e do deslocamento do LCR através da aquisição de imagens de ressonância magnética obtidas com contraste de fase, um método de referência no que toca ao estudo da velocidade de fluidos No entanto, utilizar RM de contraste de fase para adquirir velocidades mais baixas, como as do LCR, requer tempos de aquisição mais longos e, consequentemente, as imagens obtidas estão mais sujeitas a distorções. Assim, a segunda parte deste projecto partiu dos resultados de deslocamento obtidos através da RM com contraste de fase para otimizar os parâmetros de uma segunda sequência de MR. Esta sequência é relativamente recente e possibilita o estudo do deslocamento sub-milimétrico do LCR associado ao movimento do cérebro através da aplicação de gradientes sucessivos (DENSE). Porém, é necessária uma escolha rigorosa dos parâmetros utilizados de forma a obter resultados que retratem o deslocamento do LCR de uma forma rigorosa e exata. Na primeira parte deste projecto, quatro voluntários foram estudados utilizando RM com contraste de fase, entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020, em concordância com as diretrizes éticas da University Medical Center em Utrecth, Países Baixos. As aquisições foram realizadas utilizando um scanner de RM Philips 7 T e dois tipos de contraste foram utilizados: contraste de fase com 1mm de resolução isotrópica e com uma codificação de velocidade de 5m/s, e imagens 3D com ponderação em T1 com 1mm de resolução isotrópica. As imagens foram obtidas para três orientações distintas: anterior posterior, inferior-superior, e direita-esquerda. Na segunda parte deste projecto, dois voluntários foram estudados, de janeiro a fevereiro de 2020, utilizando seis contrastes: contraste de fase com 1mm de resolução isotrópica, e imagens 3D com ponderação em T1 com 1mm de resolução isotrópica, uma sequência básica DENSE com 2mm de resolução isotrópica, uma sequência básica DENSE com 3mm de resolução isotrópica, uma sequência DENSE com uma preparação T2 com 3mm de resolução isotrópica e, finalmente, uma sequência DENSE com tempo de eco prolongado com 3mm de resolução isotrópica. No entanto, e ao contrário das imagens adquiridas na primeira parte deste projecto, as imagens da segunda parte foram obtidas apenas para a orientação inferior-superior. Todas as imagens adquiridas no decorrer desta dissertação foram obtidas com gating cardíaco. O gating cardíaco foi realizado através da utilização de um eletrocardiograma e de um oxímetro de pulso de modo a relacionar o evolução da velocidade e do deslocamento com o ciclo cardíaco. Neste projecto foi também desenvolvida uma pipeline que permite que a partir das imagens adquiridas seja possível estudar a velocidade e o deslocamento do LCR. Esta pipeline inclui diversos passos. O primeiro passo consistiu em realinhar e co-registar as imagens obtidas de forma a permitir uma análise voxel a voxel. Seguidamente, as imagens foram segmentas em três tipos de tecidos: LCR, substância cinzenta, e substância branca. Adicionalmente, as primeiras etapas foram realizadas através da utilização de toolboxs disponíveis no MATLAB como o SPM e o CAT12. Posteriormente, os artefactos presentes nas imagens, tais como as correntes-eddy, foram corrigidos. No decorrer deste projecto diversas regiões foram analisadas e foram divididas em dois grupos: regiões do sistema ventricular, nas quais se incluíram os ventrículos laterais, o terceiro e quarto ventrículo, o aqueduto de Sylvius e a Cisterna Magna; e regiões mais abrangentes, como a região anterior e posterior do cérebro. Estas áreas do cérebro foram selecionadas através da segmentação das imagens anatómicas. Finalmente, a velocidade de cada uma destas regiões foi extraída e integrada ao longo do ciclo cardíaco de maneira a calcular o deslocamento do LCR. Os resultados obtidos relativamente à velocidade mostraram consistência para os quatro voluntários deste projecto. Verificou-se que as regiões do sistema ventricular demonstram valores de velocidade consideravelmente mais elevados do que as regiões mais abrangentes. Com efeito, a região que apresentou valores absolutos de velocidade mais elevados foi o aqueducto de Sylvius. Adicionalmente, verificou-se que as velocidades são superiores na orientação caudal-cranial e inferiores na orientação direita-esquerda. Concluiu-se também que o valor de velocidade escolhido não foi o mais indicado para as regiões mais abrangentes pois a velocidade destas regiões é significativamente inferior e, desta forma, poderá ter existido perda de sinal do LCR. Posteriormente, ao integrar a velocidade obtida através da RM com contraste fase obtiveram-se mapas de deslocamento para as mesmas regiões cerebrais. Estes resultados mostraram-se consistentes e, tal como anteriormente observado, o deslocamento é consideravelmente superior para as regiões do sistema ventricular. A região inferior do cérebro foi a que apresentou valores de deslocamento mais elevados, o que pode ser justificado pelo facto desta região se encontrar mais próxima do coração e, desta maneira, o LCR ser ejetado das regiões que ocupa com maior velocidade. Adicionalmente, verificou-se que as maiores alterações do deslocamento ocorrem imediatamente após a sístole cardíaca. Seguidamente, foi possível, a partir dos valores de deslocamento obtidos, determinar um valor ótimo para a sensibilidade, relativamente ao deslocamento, da sequência DENSE. Contrariamente à primeira parte deste projecto, os resultados obtidos utilizando as sequências DENSE dizem respeito exclusivamente às regiões mais abrangentes. De facto, esta exclusão das regiões do sistema ventricular foi causada pela baixa resolução das imagens obtidas que, desta forma, não permitiram uma segmentação de áreas tão reduzidas com fiabilidade razoável. Os resultados desta análise mostram que a sequência utilizada cujos resultados de deslocamento se assemelham mais aos resultados obtidos através do contraste de fase foi a sequência que utilizou a preparação T2. Por oposição, as sequências básicas utilizadas mostraram semelhança reduzida com o método de comparação. Esta diferença observada foi justifica pela baixa resolução das imagens adquiridas, o que contribui para que não fosse possível eliminar o efeito de volume parcial. Adicionalmente, concluiu-se que o valor de sensibilidade para o deslocamento utilizado não foi o correto para estas regiões e, desta forma, houve perda de sinal adquirido justificando assim às diferenças encontradas entre os dois métodos. Concluindo, esta dissertação cumpriu o objetivo principal proposto, nomeadamente fazer uma descrição completa e quantificar a evolução da velocidade e do deslocamento do líquido cefalorraquidiano ao longo do ciclo cardíaco. Adicionalmente, o método de RM com contraste de fase mostrou ser um método fiável para o estudo do comportamento do LCR mesmo em regiões com velocidades mais lentas. Os resultados de deslocamento obtidos através da utilização do método DENSE permitiram confirmar o potencial desta técnica para medir deslocamentos sub-milimétricos. No entanto, este método ainda necessita de ser otimizado de forma a ser uma alternativa viável ao contraste de fase. Finalmente, os resultados obtidos neste estudo permitem que estudos futuros utilizem os valores máximos de cada região obtida de forma a otimizar futuras sequências.
2025-10-28T12:13:06Z
Sousa, Francisco Martins Prata Fonseca
Associações actuais de Ostracodos da plataforma continental este algarvia, Portugal
Neste trabalho foram estudadas 43 amostras de 35 estações, recolhidas em Junho e Setembro de 2014, com o objectivo de caracterizar as associações de ostracodos ao longo da costa Este do Algarve, ao largo de Armona, Tavira e Monte Gordo. As amostras foram lavadas, quarteadas e triadas em laboratório, obtendo-se um total de 11 063 ostracodos identificados, distribuídos por pelo menos 116 espécies. A plataforma continental do Algarve possui um bordo bem definido entre 110 e 150 m de profundidade, estando dividida em três partes: a plataforma interna (até -40 m), a plataforma média (de -40 m a -90 m) e a plataforma externa (-90 m até transição para o talude continental). Das amostras estudadas, 20 pertencem à plataforma interna e 12 pertencem à plataforma média, com 11 perto do limite entre os dois domínios. A plataforma continental do Algarve oriental é maioritariamente dominada por Urocythereis britannica, Costa runcinata e, ocasionalmente, Cytheropteron ruggierii. As estações ao largo de Armona são caracterizadas pela abundância de U. britannica, que tende a diminuir com o aumento da profundidade; a plataforma interna é caracterizada pela abundância de P. elongata, e a plataforma média por Basslerites teres, C. ruggierii, P. guttata e C. runcinata, com estas espécies presentes na zona de transição. A diversidade e a densidade das associações de ostracodos são normalmente mais altas em Setembro do que em Junho, apontando para os efeitos do upwelling descritos por Sañé et al. (2019). As estações ao largo de Tavira apresentam poucos ostracodos na plataforma interna, com U. britannica e Microcythere spp. abundantes. A zona de transição apresenta maiores populações de ostracodos e é caracterizada por C. neapolitana, C. cf. variabilis, P. guttata, P. jonesii, S. multifora, C. sulcatum e C. runcinata. A plataforma média é caracterizada por C. ruggierii, C. runcinata, K. aff. praetexta, P. guttata e P. jonesii. As estações ao largo de Monte Gordo apresentam C. ruggierii, C. runcinata e P. guttata por toda a plataforma. A plataforma interna é caracterizada por C. neapolitana; a zona de transição por B. teres, P. reniformis e P. jonesii. A plataforma média é dominada por C. ruggierii e caracterizada pelas mesmas espécies da zona de transição e por K. aff. praetexta. A dimensão da população, o índice de diversidade e a concentração de TOC tendem a ser mais baixos na plataforma interna e mais altos na plataforma média. A região apresenta um regime de baixa energia e baixa taxa de sedimentação, que se refletem por baixas proporções de adultos e de carapaças. A proporção de ostracodos vivos é normalmente baixa, com excepção do grupo Microcythere da plataforma interna de Tavira. Muitas das espécies que ocorrem na plataforma continental estão associadas a proporções específicas de sedimento fino, demonstrando controlo por parte do substrato. Existem também espécies fitais na plataforma, nomeadamente L. rhomboidea, que ocorrem independentemente das características granulométricas do substrato. A influência do Mediterrâneo é mais forte na série de Monte Gordo, diminuindo gradualmente em direcção a oeste.
2025-10-28T12:27:00Z
Barata, Francisco Pedro Pereira