RCAAP Repository
Pancreatite aguda necrotizante em idade pediátrica : a propósito de um caso clínico
A pancreatite aguda (PA) é uma doença transversal a todas as faixas etárias. A sua incidência em crianças e jovens tem vindo a aumentar, exigindo a atenção dos profissionais de saúde da área pediátrica médica e cirúrgica. A morbilidade e mortalidade da doença nesta população não são desprezíveis, variando consoante diversos fatores. Neste trabalho é descrito o caso de um adolescente que apresentou pancreatite aguda grave com necrose pancreática extensa, em conjunto com cetoacidose diabética como episódio inaugural de diabetes mellitus tipo 1. Ao longo do internamento, apresentou várias complicações locais, resultando em períodos sucessivos de agravamento clínico com necessidade de reavaliação imagiológica. Para além da necrose pancreática, foi identificada inicialmente uma coleção líquida aguda, posteriormente um pseudoquisto pancreático, e por último sobreinfeção da necrose e do pseudoquisto. Estas complicações necessitaram de múltiplas intervenções terapêuticas, inicialmente com abordagem percutânea, depois endoscópica e finalmente cirúrgica, que resultaram em melhoria clínica apenas transitória, sucedendo o óbito ao nonagésimo segundo dia de internamento. Neste contexto, serão discutidas as características que condicionaram a gravidade deste caso e será feita uma breve revisão da literatura sobre a abordagem terapêutica da necrose pancreática e das coleções peripancreáticas, bem como abordado o impacto da sobreinfeção na evolução clínica.
Ébola : um fim à vista? Revisão narrativa sobre o processo de aprovação da primeira vacina contra doença por vírus ébola
A doença por vírus Ébola (DVE) é uma doença zoonótica grave, com alta taxa de letali-dade, causada pela infeção por vírus Ébola (EBOV). Isolados em 1976, os Ebolavirus têm sido identificados em vários surtos no continente africano, com principal destaque para o surto ocorrido em 2014-2016 na África Ocidental e o atual, a decorrer desde agosto de 2018, na República Democrática do Congo (RDC). Ervebo®, uma vacina viva atenuada do vírus recombinante da estomatite vesicular, a apresentar a glicoproteína de membrana de EBOV (rVSVΔG-ZEBOV-GP), foi, recente-mente, aprovada pelas entidades reguladoras de diversos países para o uso em adultos saudáveis, depois de ter demonstrado um bom perfil de segurança, imunogenicidade e eficácia, tendo já um papel ativo nos surtos referidos, com mais de 300.000 indivíduos vacinados na RDC. Esta revisão narrativa pretende identificar as características clínicas da DVE e acompa-nhar o percurso da vacina Ervebo® até à licença, descrevendo as principais conclusões pré-clínicas e clínicas que motivaram a sua aprovação.
2025-10-28T12:14:28Z
Mixão, Mariana Filipa Imperadeiro
Da sombra da mulemba à escola : saberes escolares e do quotidiano da criança
A dinâmica das sociedades atuais não mais permite ignorar as relações socioculturais que cada comunidade/sociedade carrega no seu dia-a-dia. Assim, considerando o facto de Angola ser um país rico na diversidade étnico-linguística, e que vem vivenciado mudanças na visibilidade e consciência sobre essa grande massa multicultural e intercultural das comunidades, a exigência de um novo olhar sobre a escola e suas relações interculturais a cada dia faz mais sentido. Este estudo focou-se em compreender as relações que se estabelecem entre as aprendizagens escolares e os saberes do quotidiano dos alunos de uma escola do ensino primário, bem como perceber a forma como se entrecruzam estas aprendizagens e saberes. A investigação decorreu em uma comunidade rural, culturalmente assente na etnia Nyaneca, desde a comunicação aos hábitos e costumes. Para o desenvolvimento do estudo partiu-se da investigação de inspiração etnográfica, enquadrando-se no paradigma fenomenológico-interpretativo. A observação participante, entrevistas informais e textos dos alunos constituíram as técnicas de recolha de dados empíricos que melhor se adaptavam ao estudo da problemática e que possibilitaram uma visão mais ampla sobre a problemática. A partir dos dados recolhidos, a investigação encaminhou-se na análise de três dimensões principais: atividades valorizadas em contexto familiar, atividades valorizadas em contexto escolar e articulações entre saberes escolares e comunitários das crianças. Os dados foram analisados e possibilitaram observar que a relação existente entre as aprendizagens escolares e os saberes comunitários é muito pouco visível, embora haja uma valorização, por parte dos participantes, das atividades realizadas nos dois contextos. Não obstante, a observação releva que o intervalo entre as aulas é o momento em que melhor se articulam os conhecimentos obtidos nos contextos analisados, visto ser comum as crianças utilizarem a língua Nyaneca para comunicarem entre si. Quando se trata de realizar contagens ou abordar outros conteúdos da escola, as crianças comunicam em língua Portuguesa.
2025-10-28T12:30:03Z
Almeida, Janete Madjarim de Matos
Materialist and post-materialist concerns and the wish for a strong leader in 27 countries
There is evidence that democracies are under threat around the world while the quest for strong leaders is increasing. Although the causes of these developments are complex and multifaceted, here we focus on one factor: the extent to which citizens express materialist and post-materialist concerns. We explore whether objective higher levels of democracy are differentially associated with materialist and post-materialist concerns and, in turn, whether this is related to the wish for a strong leader. Testing this hypothesis across 27 countries (N = 5,741) demonstrated a direct negative effect of democracies’ development on the wish for a strong leader. Further, multi-level mediation analysis showed that the relation between the Democracy Index and the wish for a strong leader was mediated by materialist concerns. This pattern of results suggests that lower levels of democracy are associated with enhanced concerns about basic needs and this is linked to greater support for strong leaders.
2025-10-28T12:18:14Z
Lima, Marcus E. O. de França, Dalila X. Jetten, Jolanda Pereira, Cícero R. Wohl, Michael J. A. Jasinskaja-Lahti, Inga Hong, Ying-yi Torres, Ana Raquel Costa-Lopes, Rui Ariyanto, Amarina Autin, Frédérique Ayub, Nadia Badea, Constantina Besta, Tomasz Butera, Fabrizio Fantini-Hauwel, Carole Finchilescu, Gillian Gaertner, Lowell Gollwitzer, Mario Gómez, Ángel González, Roberto Jensen, Dorthe Høj Karasawa, Minoru Kessler, Thomas Klein, Olivier Megevand, Laura Morton, Thomas Paladino, Maria Paola Polya, Tibor Renvik, Tuuli Anna Ruza, Aleksejs Shahrazad, Wan Shama, Sushama Smith, Heather J. Teymoori, Ali van der Bles, Anne Marthe
Valorização de sistemas de elevado valor natural: potencialidades da bolota do montado
De entre as propostas de inovação alimentar a favor da sustentabilidade do sistema produtivo, salientam-se as linhas de investigação com foco na procura de novas fontes alimentares ou no desenvolvimento de estratégias de valorização das mesmas. Neste sentido, a bolota apresenta-se como uma fonte alimentar alternativa que abunda no sistema de Elevado Valor Natural (EVN) Montado. Assim, foram avaliadas diferentes características de bolotas de Quercus rotundifolia (QR) e Q. suber (QS) ao longo de um gradiente climático com o objetivo de explorar a potencialidade de valorização das bolotas como fonte alimentar e como indicador das respostas de adaptação do ecossistema às alterações climáticas e ambientais. Foi possível distinguir as espécies de bolota com base nas características morfológicas (comprimento, volume, peso), químicas (teores em sacarose, glucose, amido, proteína) e composição elementar (conteúdo em azoto, carbono e rácio C/N). De acordo, as bolotas QR verificam maiores dimensões, sendo os respetivos teores em sacarose e amido 10 e 1.6 vezes superiores aos das QS. Ainda as bolotas QR, apresentam conteúdo em carbono e rácio C/N superiores aos das QS, sugerindo teores lipídicos superiores nas bolotas QR. Características que inviabilizam a distinção entre as espécies de bolota reportam às diferenças não significativas nos teores em frutose, compostos fenólicos, incluindo taninos, e composição isotópica em 15N e 13C. Na contextualização das espécies nas condições ambientais e climáticas, as diferenças entre as características das bolotas são reveladoras da influência das variáveis bioclimáticas e do índice de aridez. Destas, destaca-se o aumento do comprimento das bolotas, da fração insolúvel dos açúcares (amido) e enriquecimento em 15N concordantes com o aumento da aridez dos locais de colheita das bolotas de ambas as espécies. No particular, observou-se uma tendência de aumento dos teores de sacarose em QR e de glucose em QS em resposta às condições mais áridas, assim como um enriquecimento em 13C das bolotas QS consequente do aumento da temperatura anual dos locais amostrados. As relações encontradas revelam, para ambas as espécies, estratégias de adaptação às condições ambientais do ecossistema, indicando um maior investimento das plantas nas suas sementes em condições de maior stress hídrico e limitações na disponibilidade de nutrientes do solo. No aproveitamento alimentar da bolota, nomeadamente para a obtenção de farinhas ou para a extração de ingredientes alimentares, é encontrada maior aptidão tecnológica nas bolotas de QR, associado a um maior valor energético. Estas, além dos teores em sacarose que conferem uma maior perceção de doçura, apresentam quantitativos em amido que justificam a preferência face às bolotas de QS, particularmente as provenientes de locais com condições mais áridas que potenciam o rendimento em amido. A extração de compostos bioativos, objetivando a incorporação em alimentos ou produtos não alimentares (e.g., cosméticos e suplementos), deverá ser igualmente considerada na valorização da bolota pelas elevadas concentrações em compostos fenólicos presentes, independentemente da espécie. Este estudo demonstra, assim, o potencial de valorização da bolota do sistema EVN Montado, quer como fonte alimentar alternativa quer como ferramenta na avaliação da performance do ecossistema, dando indícios para o estabelecimento de uma estratégia de valorização global, integrando conceitos como sustentabilidade, segurança alimentar e economia circular.
2025-10-28T12:12:12Z
Bento, Inês dos Santos Brilha Pinto
Genome-wide association analyses identify new risk variants and the genetic architecture of amyotrophic lateral sclerosis
To elucidate the genetic architecture of amyotrophic lateral sclerosis (ALS) and find associated loci, we assembled a custom imputation reference panel from whole-genome-sequenced patients with ALS and matched controls (n = 1,861). Through imputation and mixed-model association analysis in 12,577 cases and 23,475 controls, combined with 2,579 cases and 2,767 controls in an independent replication cohort, we fine-mapped a new risk locus on chromosome 21 and identified C21orf2 as a gene associated with ALS risk. In addition, we identified MOBP and SCFD1 as new associated risk loci. We established evidence of ALS being a complex genetic trait with a polygenic architecture. Furthermore, we estimated the SNP-based heritability at 8.5%, with a distinct and important role for low-frequency variants (frequency 1-10%). This study motivates the interrogation of larger samples with full genome coverage to identify rare causal variants that underpin ALS risk.
2025-10-28T12:29:12Z
van Rheenen, Wouter Shatunov, Aleksey Dekker, Annelot M. McLaughlin, Russell L. Diekstra, Frank P. Pulit, Sara L. van der Spek, Rick A. A. Võsa, Urmo de Jong, Simone Robinson, Matthew R. Yang, Jian Medic, Jelena Menelaou, Androniki Vajda, Alice Ticozzi, Nicola Lin, Kuang Rogelj, Boris Vrabec, Katarina Ravnik-Glavač, Metka Koritnik, Blaž Zidar, Janez de Visser, Marianne Leonardis, Lea Grošelj, Leja Dolenc Millecamps, Stéphanie Salachas, François Meininger, Vincent Carvalho, Mamede Pinto, Susana Mora, Jesus S. Rojas-García, Ricardo Polak, Meraida Goris, An Chandran, Siddharthan Colville, Shuna Swingler, Robert Morrison, Karen E. Shaw, Pamela J. Hardy, John Orrell, Richard W. Pittman, Alan Sidle, Katie Fratta, Pietro Weber, Markus Malaspina, Andrea Topp, Simon Petri, Susanne Abdulla, Susanne Drepper, Carsten Sendtner, Michael Meyer, Thomas Ophoff, Roel A. Staats, Kim A. Wiedau-Pazos, Martina Shaw, Christopher E. Lomen-Hoerth, Catherine Van Deerlin, Vivianna M. Trojanowski, John Q. Elman, Lauren McCluskey, Leo Basak, A Nazli Tunca, Ceren Hamzeiy, Hamid Parman, Yesim Meitinger, Thomas Smith, Bradley N. Lichtner, Peter Radivojkov-Blagojevic, Milena Andres, Christian R. Maurel, Cindy Bensimon, Gilbert Landwehrmeyer, Bernhard Brice, Alexis Payan, Christine A. M. Saker-Delye, Safaa Dürr, Alexandra Pansarasa, Orietta Wood, Nicholas W. Tittmann, Lukas Lieb, Wolfgang Franke, Andre Rietschel, Marcella Cichon, Sven Nöthen, Markus M. Amouyel, Philippe Tzourio, Christophe Dartigues, Jean-François Cereda, Cristina Uitterlinden, Andre G. Rivadeneira, Fernando Estrada, Karol Hofman, Albert Curtis, Charles Blauw, Hylke M. van der Kooi, Anneke J. Del Bo, Roberto Comi, Giacomo P. D'Alfonso, Sandra Fogh, Isabella Bertolin, Cinzia Sorarù, Gianni Mazzini, Letizia Pensato, Viviana Gellera, Cinzia Tiloca, Cinzia Ratti, Antonia Calvo, Andrea Moglia, Cristina Brunetti, Maura van Doormaal, Perry T. C. Arcuti, Simona Capozzo, Rosa Zecca, Chiara Lunetta, Christian Penco, Silvana Riva, Nilo Padovani, Alessandro Filosto, Massimiliano Muller, Bernard Stuit, Robbert Jan Tazelaar, Gijs H. P. Blair, Ian Zhang, Katharine McCann, Emily P. Fifita, Jennifer A. Nicholson, Garth A. Rowe, Dominic B. Pamphlett, Roger Kiernan, Matthew C. Grosskreutz, Julian Witte, Otto W. Koppers, Max Ringer, Thomas Prell, Tino Stubendorff, Beatrice Kurth, Ingo Hübner, Christian A. Leigh, P Nigel Casale, Federico Chio, Adriano Beghi, Ettore Pupillo, Elisabetta Blokhuis, Anna M. Tortelli, Rosanna Logroscino, Giancarlo Powell, John Ludolph, Albert C. Weishaupt, Jochen H. Robberecht, Wim Van Damme, Philip Franke, Lude Pers, Tune H. Brown, Robert H. Sproviero, William Glass, Jonathan D. Landers, John E. Hardiman, Orla Andersen, Peter M. Corcia, Philippe Vourc'h, Patrick Silani, Vincenzo Wray, Naomi R. Visscher, Peter M. de Bakker, Paul I W. Jones, Ashley R. van Es, Michael A. Pasterkamp, R Jeroen Lewis, Cathryn M. Breen, Gerome Al-Chalabi, Ammar van den Berg, Leonard H. Veldink, Jan H. Kenna, Kevin P. van Eijk, Kristel R. Harschnitz, Oliver Schellevis, Raymond D. Brands, William J.
ROBOPHISH: um sistema de robôs de software (RPA) para agilizar e automatizar o tratamento do phishing
Atualmente o phishing apresenta-se como uma ameaça relevante e pertinente, dado o aumento significativo da quantidade e complexidade deste ataque. É recorrente os utilizadores receberem grandes quantidades de emails de phishing, quer no contexto empresarial como no pessoal, sendo possível que estes representem um impacto muito significativo nas vítimas. A sofisticação deste tipo de ataques é cada vez maior, verificando-se um aumento de ataques de spear phishing, altamente direcionados, bem redigidos e eficazes. Estes ataques servem frequentemente como mecanismo para levar à infeção com malware mais sofisticado que, por sua vez, pode incluir novos tipos de ransomware ou wipers. Concorrentemente os processos atuais de resposta a esta crise ainda são pouco integrados, pouco eficientes e muito ad-hoc. Estes fatores levam a um dificuldade acrescida na prevenção e mitigação do phishing, fazendo deste um problema atual e complexo. Neste projeto são analisados os atuais processos e iniciativas da Altice Portugal e é proposta uma solução inovadora mais automatizada e integrada, tirando partido de tecnologias emergentes: Robotic Process Automation (RPA) e Crowdsourcing. O sistema RoboPHISH surge então com o objetivo de colmatar este problema, tendo como objetivo principal o bloquear os emails maliciosos enquanto são dadas respostas de forma eficaz e rápida aos colaboradores. O RoboPHISH é uma ferramenta capaz de tirar partido do RPA para extrair e analisar emails que os colaboradores consideraram suspeitos e atribuir uma classificação aos mesmos. O sistema está divido em três componentes principais, a primeira corresponde à denúncia dos emails, a segunda à análise e atribuição de categoria dos mesmos e por último a atuação junto das plataformas para mitigar o problema. O sistema foi desenvolvido, testado e encontra-se neste momento em produção na Direção de Cibersegurança (DCY), mostrando ser uma ferramenta útil e eficaz no combate ao phishing e apresentando resultados promissores.
2025-10-28T12:29:54Z
Rodrigues, Inês Alexandra Silva da Fonseca
Awaji criteria for the diagnosis of amyotrophic lateral sclerosis : a systematic review
Objective: To estimate the potential diagnostic added value of the Awaji criteria for diagnosis of a myotrophiclateral sclerosis (ALS), which have been compared with the previously accepted gold standard the revised El Escorial criteria in several studies. Data sources: MEDLINE and Web of Science (until October2011). Study selection: We searched for studies testing the diagnostic accuracy of the Awaji criteria vs the revised El Escorial criteria in patients referred with suspected ALS. Data extraction: Evaluation and data extraction of identified studies were done independently. The Quality Assessment of Diagnostic Accuracy Studies list was used to assess study quality. We determined the proportion of patients classified as having probable/definite ALS and derived indices of diagnostic performance(sensitivity, specificity, and diagnostic odds ratio). Quantitative data synthesis was accomplished through random-effects meta-analysis, and heterogeneity was assessed with the I2 test. Data synthesis: Eight studies were included (3 prospective and 5 retrospective) enrolling 1187 patients. Application of Awaji criteria led to a 23% (95% CI, 12% to 33%; I2=84%) increase in the proportion of patients classified as having probable/definite ALS. Diagnostic performance of the Awaji criteria was higher than the revised El Escorial criteria (pooled sensitivity: 81.1% [95%CI, 72.2% to 90.0%; I2=91%] vs 62.2% [95% CI, 49.4%to 75.1%; I2=93%]; pooled diagnostic odds ratio, 35.8[95% CI, 15.2 to 84.7; I2=3%] vs 8.7 [95% CI, 2.2 to 35.6;I2=50%]). Diagnostic accuracy of Awaji criteria was higher in bulbar- than in limb-onset cases. Conclusion: The Awaji criteria have a significant clinical impact allowing earlier diagnosis and clinical trial entry in ALS.
2025-10-28T12:23:14Z
Costa, João Swash, Michael Carvalho, Mamede
Respiratory exercise in amyotrophic lateral sclerosis
We have evaluated the potential role of respiratory exercise by implementing specific inspiratory muscle training in a selected population of early-affected amyotrophic lateral sclerosis (ALS) patients. We studied 26 patients with ALS with normal respiratory function using two groups of patients in a parallel, control-group, randomized, delayed-start design. Patients in the first group (G1) started the active inspiratory exercise programme at entry and were followed for eight months, while the second group (G2) of patients followed a placebo exercise programme for the first four months and then active exercise for the second four-month period. The primary outcome measure was the ALSFRS. Respiratory tests, neurophysiological measurements, fatigue and quality of life scales were secondary outcomes. Analysis of covariance was used to compare changes between and within groups. Results showed that there was no significant difference between the two patient groups. Within-group analysis suggested that inspiratory exercise promotes a transient improvement in the respiratory subscore and in the maximal voluntary ventilation, peak expiratory flow, and sniff inspiratory pressure. In conclusion, there was no clear positive or negative outcome of the respiratory exercise protocol we have proposed, but we cannot rule out a minor positive effect. Exercise regimes merit more detailed clinical evaluation in ALS.
2025-10-28T12:14:42Z
Pinto, Susana Swash, Michael Carvalho, Mamede
Investigating the role of p53 mRNA elements on the translation of different oncogenic proteins
A expressão génica nos eucariotas é um processo complexo, envolvendo múltiplos passos interconectados que são altamente regulados. A tradução é um destes passos, sendo fundamental para a manutenção da homeostase celular, uma vez que comporta a síntese proteica. O mecanismo de iniciação da tradução canónico, dependente da estrutura cap (guanina metilada, m7G) localizada na extremidade 5’ do ácido ribonucleico mensageiro (mRNA, do inglês messenger ribonucleic acid) é o mais comumente utilizado pelos mRNAs eucariotas. Resumidamente, este mecanismo inicia-se com a formação do complexo ternário, que é formado pelo fator de iniciação da tradução 2 ligado a uma guanosina trifosfato e a uma molécula de RNA de transferência que transporta a metionina da primeira cadeia peptídica. Após a formação deste complexo, dá-se a ligação deste ao mRNA maduro, formando o complexo de preiniciação da tradução 43S que irá reconhecer a estrutura cap com o auxílio de outros fatores de iniciação da tradução, e fazer o rastreamento de toda a região 5’ não-traduzida (UTR, do inglês untranslated region) até à identificação de um codão de iniciação num contexto favorável. Contudo, a iniciação da tradução canónica encontra-se comprometida em determinadas condições celulares, como por exemplo em situações de stresse celular. Nestas condições, em que a tradução está globalmente reduzida, existe uma expressão seletiva de transcritos através de mecanismos alternativos de iniciação da tradução, como é o caso da iniciação da tradução através de locais de entrada internos do ribossoma (IRES, do inglês internal ribosome entry site). Este mecanismo permite o recrutamento interno do ribossoma para a imediação do codão de iniciação, através de estruturas secundárias complexas, de alguns fatores de iniciação e de proteínas auxiliares denominadas de ITAF (do inglês IRES trans-acting factor), suprimindo a necessidade de reconhecimento da estrutura cap e o rastreio da 5’UTR do mRNA. Apesar deste mecanismo ser benéfico e permitir a tradução de transcritos que permitem a recuperação da homeostase celular e ultrapassar os stresses celulares, já foi descrita uma associação entre genes que desempenham um papel importante na carcinogénese e a presença de um elemento IRES no respetivo mRNA. Um exemplo é o gene supressor de tumores p53. A proteína p53 é um importante fator de transcrição de genes que regulam o ciclo celular, a apoptose e a diferenciação celular, desempenhando um papel fundamental na proteção da transformação celular maligna. O gene p53 dá origem a várias isoformas proteicas que desempenham diferentes funções celulares. No total já foram descritas pelo menos quinze isoformas diferentes que resultam de splicing alternativo, do uso de promotores alternativos e da iniciação da tradução interna mediada por IRES. Foi descrita a presença de dois IRES no mRNA do p53 capazes de regular a tradução do FL-p53 (do inglês full-length p53) e da isoforma Δ40p53 (isoforma ∆40p53 truncada no N-terminal do FL-p3). Mais recentemente, o nosso laboratório identificou um terceiro IRES responsável pela tradução de uma isoforma mais curta, o Δ160p53 (isoforma ∆160p53 truncada no N-terminal do FL-p3). O nosso laboratório também associou a expressão de isoformas, nomeadamente a isoforma Δ160p53, com funções oncogénicas na presença de mutações missense no gene p53 comuns em cancro. Considerando a informação descrita, esta tese teve como objetivo principal testar a função inibitória de um elemento presente no mRNA do p53 sobre a atividade de diferentes IRES, nomeadamente IRES presentes no mRNA de proteínas oncogénicas, e o estudo dos mecanismos moleculares adjacentes a esta função inibitória. Para tal, recorremos à utilização de um vetor bicistrónico, que contem dois genes repórteres, o gene da luciferase da medusa Renilla reniformis (RLuc, do inglês Renilla luciferase) e o gene da luciferase do pirilampo Photynus pyralis (FLuc, do inglês firefly luciferase). O primeiro cistrão corresponde à sequência codificante da RLuc, e é traduzido por mecanismos dependentes da estrutura cap, sendo que o segundo cistrão, que corresponde à sequência codificante da FLuc, é apenas traduzido por mecanismos que permitam uma iniciação da tradução interna, como é o caso da tradução mediada pelo IRES. A presença de um hairpin (estrutura secundária em loop) a jusante da RLuc previne a reiniciação da tradução, garantindo que a expressão da FLuc apenas ocorrerá caso a sequência clonada a montante desta seja capaz de recrutar internamente o ribossoma, de forma independente da estrutura cap. Deste modo, conseguimos avaliar a capacidade de uma determinada sequência mediar a tradução pelo IRES, através da medição da respetiva atividade de luciferase. Em resultados anteriores do nosso laboratório, já tinha sido observado que a tradução da isoforma Δ160p53 mediada pelo IRES Δ160p53 era inibida na presença do elemento em estudo nesta tese. Tendo isto em conta, decidimos estudar este mecanismo em maior pormenor e tentar perceber como este funciona. Para avaliar a atividade dos respetivos IRES recorremos ao sistema bicistrónico, clonando a sequência dos IRES em estudo a montante da FLuc. As construções apenas com a sequência do IRES servem como controlo da atividade de cada IRES. Adicionalmente, clonámos a sequência do elemento inibidor a montante da sequência de cada IRES para avaliar a capacidade inibitória deste sobre cada IRES em estudo. Por último, fizemos construções com a sequência antissense (na direção 3’ para 5’) do elemento inibidor clonada a montante de cada IRES, de modo a obtermos um controlo da atividade do IRES mais semelhante ao elemento em avaliação. Utilizando estas construções foi possível observar uma diminuição significativa na atividade do IRES da isoforma Δ160p53, do c-Myc e do mTOR, em condições controlo e em condições de stresse induzidas pelo tratamento com etoposida, uma droga que induz quebras no DNA. Adicionalmente, de modo a compreendermos um pouco melhor a forma de atuação deste elemento inibidor sobre os IRES em estudo, o mesmo sistema bicistrónico com a sequência do IRES foi co-transfetado com construções monocistrónicas, com ou sem o elemento inibidor presente. Os resultados obtidos demonstraram uma diminuição significativa da atividade do IRES do c-Myc e da isoforma Δ160p53 quando estes foram co-transfetados com o elemento inibidor, indicando que possivelmente o elemento inibidor atua através de um mecanismo em trans no IRES do c-Myc e da isoforma Δ160p53. Estes resultados podem indicar uma nova forma de regulação da tradução mediada por IRES, que poderá ter funções importantes na regulação de proteínas, tal como o c-Myc e a isoforma Δ160p53, que estão normalmente desreguladas em cancro. Adicionalmente, a tese também teve como objetivo o estudo da tradução da isoforma Δ169p53 mediada pelo IRES Δ160p53, e avaliar o efeito de mutações missense do gene p53 na tradução desta isoforma. Utilizando o sistema bicistrónico anteriormente descrito, avaliámos a atividade do IRES Δ160p53 e o efeito de três das mutações missense no gene p53 mais comuns em cancro (R175H, R248Q e R273H) na tradução a partir do codão de iniciação 160 ou 169. Para tal, fizemos as mutações M160A (de metionina para arginina) e M169A em construções bicistrónicas com a sequência do IRES do Δ160p53 clonada, com e sem as mutações missense enumeradas anteriormente. Os resultados indicam que a tradução a partir do codão 169 também é mediada pelo IRES Δ160p53. Adicionalmente, sugerem que as duas isoformas, Δ160p53 e a Δ169p53, desempenham funções em diferentes condições celulares, sendo que a isoforma Δ169p53 desempenhará funções em condições fisiológicas, enquanto que a isoforma Δ160p53 desempenhará funções em condições de stress, nomeadamente em condições de stress do retículo endoplasmático. Mais estudos sobre as isoformas é de extrema importância, uma vez que quanto maior a compreensão sobre a expressão das isoformas do p53, mas fácil será a compreensão do seu papel em cancro.
2025-10-28T12:24:46Z
Costa, Inês Maria Fogaça da Fonseca
Development of cellular models for NIS functional expression
O simportador de sódio/iodo (NIS ou SLC5A5) é uma glicoproteína membranar que medeia o transporte ativo de iodo da corrente sanguínea para as células foliculares da tiroide. Este transporte é essencial na biossíntese das hormonas da tiroide, tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4), hormonas que controlam o metabolismo e têm um papel muito importante no desenvolvimento neurológico fetal e das quais o iodo é um constituinte fundamental. O iodo em circulação no sangue entra nas células foliculares da tiroide, passando depois para o lúmen folicular, onde é oxidado e incorporado na tiroglobulina (Tg) por ação da tiroide peroxidase (TPO) em conjunto com o peróxido de hidrogénio (H2O2) que é produzido através da ação da dual oxidase 2 (DUOX2). Este processo de incorporação do iodo é chamado de “organificação”, que resulta na formação de mono- e diiodotirosina (MIT e DIT). Assim o iodeto está covalentemente ligado nas posições 3 e 4 dos resíduos de tirosil da Tg e estes resíduos iodinizados são usados para a síntese das hormonas da tiroide. A Tg iodinizada é depois armazenada no lúmen folicular, sendo internalizada e clivada proteoliticamente nos lisossomas, sendo assim libertadas as hormonas T3 e T4 na corrente sanguínea. A hormona estimuladora da tiroide (TSH) regula o transporte de iodo para a tiroide. Esta hormona é produzida na adeno-hipófise e é regulada pela hormona libertadora de tireotrofina (TRH) e pelo nível circulante das hormonas da tiroide, havendo um feedback negativo, já que as hormonas da tiroide inibem a produção de TRH. Por outro lado, uma quantidade excessiva de iodeto nas células foliculares pode inibir o transporte de iodo e de “organificação”, inibindo o NIS e a TPO. A diminuição das concentrações de iodo pode levar ao aparecimento de desordens de deficiência de iodo (IDD´s), que constituem um sério risco de saúde mundial. O NIS é uma proteína que é bastante regulada ao nível da transcrição, quer ao nível epigenético, quer ao nível pós-transcripcional, especialmente em relação à sua localização celular. A sua expressão e localização é controlada pela TSH e pelo iodo, sendo promovida pela TSH e inibida pelo excesso de iodo. Esta proteína também está sujeita a bastantes modificações pós-transcripcionais, como fosforilações e sumoilações, e apresenta vários motivos ligados à interação entre proteínas, nomeadamente na sua porção C-terminal. Estes motivos são muito importantes na localização do NIS na membrana celular das células foliculares da tiroide. As citoquinas também mostram ter um papel fundamental na modulação da função do NIS nas células da tiroide, podendo afetar a função da glândula e o seu crescimento, bem como o estradiol, que mostrou ter um papel crucial na modulação do NIS. Este é responsável pelo aumento da glândula da tiroide e pela reduzida expressão do gene do NIS. Hormonas e fatores de crescimento também afetam a expressão de NIS nas células da tiroide. O NIS também é expresso em células cancerígenas da tiroide, sendo esta a neoplasia endócrina mais frequente. No entanto, neste tipo de neoplasia a expressão de NIS funcional encontra-se diminuída, uma vez que a regulação transcripcional e pós-transcripcional do NIS envolve vias de sinalização que também estão implicadas na progressão e agressividade tumoral e que se encontram ativadas neste tipo de malignidades. Entre estas vias de sinalização destacam-se a MAPK/ERK e a PI3K/AKT/mTOR. O cancro da tiroide pode derivar dos componentes foliculares e parafoliculares da glândula da tiroide, sendo a cirurgia o principal tratamento, independentemente do subtipo histológico. Dentro do subtipo folicular de carcinomas da tiroide, existem 3 categorias no que diz respeito ao seu nível de diferenciação: bem diferenciados (well differentiated thyroid carcinoma - WDTC), pouco diferenciados (poorly differentiated thyroid carcinoma - PDTC) e anaplásicos (anaplastic thyroid carcinoma - ATC). Os WDTC podem ser do subtipo papilar (papillary thyroid carcinoma - PTC) ou folicular (folicular thyroid carcinoma – FTC). Os WDTC são caracterizados por ter um prognóstico favorável devido à eficácia combinada da cirurgia e do uso de iodo radioativo (RAI). O RAI, é uma importante ferramenta de diagnóstico e terapêutica para doenças malignas e benignas, para monitorizar e eliminar células cancerígenas remanescentes, bem como metástases após tiroidectomia total. A falta de resposta ao tratamento por RAI deve-se a defeitos na maturação, transporte para a membrana e expressão do NIS em células cancerígenas da tiroide, o que leva a uma diminuição no transporte de iodo nestas células. Várias tentativas têm sido feitas com vista a aumentar a expressão de NIS através da manipulação das vias de sinalização do MAPK/ERK e PI3K/AKT. Por exemplo, o uso de inibidores, como o Selumetinib levou a um aumento da captação de RAI em lesões refratárias ao iodo de doentes com cancro da tiroide. Outros inibidores também têm sido usados, como inibidores de cinases e agentes desmetilantes, no entanto com pouco sucesso, uma vez que estas tentativas se focam essencialmente no aumento da expressão do NIS. No entanto, o transporte do NIS para a membrana está diminuído em vários modelos de cancro da tiroide, até em casos em que os níveis de mRNA estão normais ou mesmo aumentados. Isto significa que o processamento pós-transcripcional do NIS, bem como o seu transporte e retenção na membrana é muito importante na eficiência da terapia com RAI. O NIS também é expresso noutros tecidos, incluindo células salivares, nos enterócitos intestinais, na placenta e no tecido mamária durante a lactação, bem como em células de cancro da mama. De facto, cerca de 80% dos carcinomas da mama também expressam NIS, mas a níveis muito baixos para justificar o tratamento com RAI. No entanto, tem sido proposto que caso fosse possível aumentar a expressão funcional de NIS nestes tumores, o uso de RAI como uma terapia coadjuvante seria provavelmente benéfico para muitos pacientes. Por isso, é importante o aumento da abundância e estabilidade do NIS na membrana, em vista a melhorar a captação de RAI. O objetivo deste projeto é o desenvolvimento e avaliação da integridade funcional de uma proteína NIS marcada com duas marcas peptídicas: uma localizada num domínio extracelular (a marca HA tripla) que permita a deteção específica do NIS na superfície celular, bem como uma marca fluorescente (marca CFP) na sua porção C-terminal citoplasmática, que permita a monitoração da sua localização subcelular durante o seu trafego membranar. A construção destas proteínas NIS marcadas visa o posterior desenvolvimento de sistemas celulares experimentais representativos de tecidos neoplásicos e não neoplásicos da tiroide. Através desta estratégia vários sistemas celulares podem ser comparados. Isto permitirá o estudo do impacto de várias vias de sinalização representativas da progressão e agressividade tumoral no transporte e retenção do NIS na membrana plasmática, bem como a validação de alvos moleculares para o aumento da expressão de NIS funcional e o aumento da captação de iodo. Neste trabalho, foram desenvolvidas três construções da proteína NIS contendo a marca peptídica HA extracelular (NIS-HA) e a marca peptídica CFP em diferentes localizações do domínio citoplasmático, na tentativa de preservar os elementos regulatórias da porção C-terminal do NIS: NIS HA-CFP, NIS-HA-CFP-Cter, NIS-HA-CFP-pre-Cter. Estas construções proteicas permitiram a deteção específica do NIS na superfície celular de células intactas e a deteção específica do mesmo, desde a sua biossíntese até ao seu transporte e retenção na membrana plasmática, através de ensaios de biotinilação de proteínas de superfície e microscopia de fluorescência. O NIS-HA-CFP parece ser, entre as construções sintetizadas, o que apresenta uma maior expressão. Também é importante referir que o NIS HA-CFP apresenta uma distribuição celular distinta, quando comparada com as outras construções, estando mais acumulado na região perinuclear, enquanto o NIS-HA-CFP-Cter se encontra em regiões definidas na periferia celular. Também observámos que a marcação na superfície celular das construções CFP-tagged era menor do que no NIS-HA (sem marca CFP). No que respeita a marcação na superfície celular, as construções NIS-HA-CFP e o NIS-HA-CFP-Cter apresentaram uma forte marcação, enquanto que a da construção NIS-HA-CFP-pre-Cter, revelou-se fraca. Serão necessários estudos subsequentes para avaliar a capacidade funcional de cada uma destas construções, nomeadamente, a sua capacidade de importe de iodo através de ensaios de influxo de iodo. Este trabalho poderá contribuir para uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes à expressão do NIS, ao serem usados como repórteres do NIS endógeno tanto em células normais como em células cancerígenas. Serão assim usados no estabelecimento de linhas celulares e para o teste de alvos moleculares que possam levar ao aumento da expressão membranar de NIS e o consequente aumento da captação de RAI. Isto poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias que visem a melhoria da eficiência da terapêutica com RAI, que poderão se aplicadas ao carcinoma da tiroide refratário ao iodo ou mesmo a outras condições malignas, não-tiroideias, como é o caso do carcinoma da mama.
2025-10-28T12:21:01Z
Martins, Bruno Alexandre Dias
Representar o mundo, sobreviver ao apocalipse. A ecologia marítima de Arthur Bispo do Rosário
Esse ensaio explora a intrínseca relação entre escatologia e o imaginário do mar na obra do artista Arthur Bispo do Rosário. Bispo era um homem negro que passou a maior parte de sua vida em instituições psiquiátricas. Há uma importante afinidade entre seus delírios psicóticos e a produção de várias centenas de objetos, muitos deles barcos ou formas que mantém uma relação com o mar. Seus objetos podem ser portanto considerados a partir das marcas deixadas pelo trauma do comércio de escravos no Atlântico e abrem reflexões sobre colonialidade e racismo estrutural no contexto brasileiro.
Sarcoma de Kaposi clássico na mucosa oral : a propósito de um caso clínico
O Sarcoma de Kaposi é um tumor de células fusiformes que deriva do endotélio capilar. Está fortemente associado a estados de imunossupressão, em particular a indivíduos com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana. Este tumor é causado pela presença do vírus herpes humano 8, também conhecido como vírus herpes do sarcoma de Kaposi. O sarcoma de Kaposi clássico aparece em doentes idosos, com maior frequência em indivíduos do sexo masculino naturais da bacia mediterrânea. Esta relação geográfica não está bem esclarecida, tal como a fraca associação a um estado mais grave de imunossupressão. O tumor apresenta-se com pápulas ou placas arroxeadas na pele ou na mucosa. Também pode metastizar para os gânglios linfáticos. No entanto, em particular no tipo clássico, a forma habitual é a apresentação na pele dos membros inferiores. A sua metastização para as mucosas é muito pouco frequente. Ainda mais rara, é a forma primária na mucosa. Neste trabalho, reportamos um caso de um sarcoma de Kaposi clássico com atingimento dos palatos mole e duro. O diagnóstico foi feito por imunohistoquímica, sendo também excluída a infeção pelo vírus da imunodeficiência humana. O doente foi submetido a cirurgia excisional e está a ser vigiado em consulta externa. Atualmente, apresenta-se sem sinais de recidiva.
2025-10-28T12:29:27Z
Loureiro, Mariana Henriques
Efeitos da quimioterapia na reserva ovárica e preservação do potencial reprodutivo feminino em contexto de quimioterapia
Ao longo das últimas décadas, a par do aumento do número de casos de neoplasias, nomeadamente em idade reprodutiva feminina, deparamo-nos tanto com o aumento das taxas de sobrevivência de doença oncológica, como com o avançar da idade materna, tornando mais provável a ocorrência de um diagnóstico de neoplasia previamente a um projeto reprodutivo. Sendo a quimioterapia frequentemente parte integrante do tratamento antineoplásico, este trabalho tem como primeiro objetivo sintetizar os efeitos desta terapêutica sobre a fertilidade feminina. Por outro lado, tendo em conta a preponderância da saúde reprodutiva enquanto motivo de satisfação na sobrevida pós-cancro, o segundo objetivo do trabalho é compreender as técnicas de preservação e proteção do potencial reprodutivo disponíveis presentemente para a doente oncológica, o estado atual de investigação e o panorama português no que concerne às práticas e desafios da oncofertilidade. Através de uma revisão bibliográfica, reconheceu-se o potencial efeito gonadotóxico da quimioterapia enquanto responsável por uma falência ovárica prematura e eventual infertilidade. Constatou-se também que a criopreservação de embriões e, sobretudo, de oócitos são as técnicas preferenciais de preservação da fertilidade feminina, ficando a criopreservação de tecido ovárico, ainda experimental, reservada para contraindicações ou raparigas pré-púberes. O potencial da cultura de folículos ováricos, de um ovário artificial e do isolamento de células estaminais está ainda em investigação. Por último, verificou-se que as práticas portuguesas de discussão e referenciação no que respeita a oncofertilidade são passíveis de ser otimizadas, discutindo-se estratégias em prol de tal.
2025-10-28T12:12:26Z
Azevedo, Marta Estrela Pinheiro Ribeiro de
Codependência na perturbação de uso de álcool
A Perturbação de Uso de Álcool (PUA) tem um impacto negativo no indivíduo e naqueles que se relacionam com ele. Neste contexto surgiu, classicamente, a descrição de um conjunto de respostas cognitivas e comportamentais pouco saudáveis expressas a nível interpessoal que foi denominado de codependência. Esta entidade foi descrita como associada a um marcado sofrimento psíquico e a várias repercussões médicas do foro psiquiátrico e não psiquiátrico apresentando-se relacionada com uma maior prevalência de patologias médicas gerais, de sintomatologia e perturbações do foro depressivo e de psicopatologia geral. Neste estudo, partindo de díades (doente/cônjuge) constituídas por 31 indivíduos do sexo feminino com relacionamentos afetivos significativos com 31 indivíduos do sexo masculino com PUA, pretendeu-se estudar esta entidade controversa. Para esse fim, procedeu-se à sua avaliação em contexto de consulta ou internamento, no Hospital de Santa Maria, Casa de Saúde do Telhal e Unidade de Alcoologia de Lisboa através do recurso a diversos questionários e escalas, nomeadamente – Entrevista Semiestruturada para Doentes Dependentes, Questionário Sociodemográfico, Questionário de Rastreio de Contacto Prévio com a Psiquiatria, CAGE, Codependency Assessment Questionnaire (CAQ), Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI), Inventário de Depressão de Beck (BDI). Esta avaliação teve como objetivo avaliar e quantificar a presença de codependência e de outras variáveis que a esta pudessem estar associadas e permitiu aferir uma prevalência de codependência da ordem dos 61,3% que se associou à presença de coabitação e a níveis superiores de sintomatologia e perturbações do foro depressivo e de psicopatologia geral. Assim concluiu-se, com este estudo, que existe uma prevalência elevada de codependência nos cônjuges de doentes com PUA sendo sugerido, pela sua associação à presença de coabitação, que este contexto, condicionando uma convivência próxima e regular com um indivíduo com um perfil aditivo deste tipo, poderá contribuir para o seu desenvolvimento e perpetuação e para a presença de taxas mais elevadas de sintomatologia e perturbações do foro depressivo e de psicopatologia geral. Estes dados abrem portas a futuros estudos no âmbito do conceito da codependência e chamam à atenção para a necessidade de uma abordagem diagnóstica e terapêutica dirigida aos familiares dos indivíduos com problemas de adição.
2025-10-28T12:17:59Z
Afonso, Hugo Filipe de Castro, 1989-
Role of SNARE-dependent gliotransmitters release by astrocytes upon Aβ-mediated excitotoxicity
Os astrócitos têm a capacidade de comunicar com os neurónios de uma forma bidirecional. Na sinapse, estas células encontram-se em estreito contacto tanto com os terminais pré- como pós-sináptico. A este conceito de sinapse composta por astrócitos e neurónios pré- e pós-sinápticos designamos de sinapse tripartida. Neste contexto, a libertação sináptica de neurotransmissores pode desencadear um aumento dos níveis intracelulares astrocíticos de cálcio, que poderão promover a libertação de gliotransmissores como glutamato, adenosina trifosfato (ATP), ácido γ-aminobutírico (GABA) e D-serina. Estes gliotransmissores têm a capacidade de estimular recetores neuronais, contribuindo para a modulação da transmissão e/ou plasticidade sinápticas. A plasticidade sináptica corresponde a uma alteração na eficiência sináptica de determinados circuitos neuronais, ao longo do tempo, em resposta a aumentos ou diminuições da sua atividade. Uma sinapse que seja frequentemente estimulada tende a potenciar a sua resposta ao estímulo e uma sinapse que seja pouco estimulada tende a diminuir a sua resposta ao estímulo. A potenciação de longa duração (Long-Term Potentiation - LTP) é um mecanismo de plasticidade sináptica, onde ocorre um aumento da eficiência sináptica, na sinapse ou circuito estimulado, em resposta a períodos de elevada atividade. Estes mecanismos estão presentes no cérebro adulto e são considerados a base dos processos de memória e aprendizagem. Os recetores N-metil-D-aspartato (NMDAR) são os principais recetores envolvidos nos fenómenos de plasticidade sináptica na região CA3-CA1 do hipocampo e podem ser encontrados nas regiões sináptica e extrasináptica. Enquanto a estimulação de NMDAR sinápticos resulta na ativação de mecanismos de neuroprotecção, a ativação de NMDAR extrasinápticos induz, preferencialmente, fenómenos de neurotoxicidade e morte neuronal. Os NMDAR extrasinápticos encontram-se sobreativados em diversas patologias, nomeadamente na doença de Alzheimer (Alzheimer’s disease - AD). A AD é uma doença neurodegenerativa progressiva associada ao envelhecimento, caracterizada pela presença de tranças neurofibrilares intracelulares compostas por proteína Tau hiperfosforilada e por placas senis extracelulares compostas por péptido amiloide-β (Aβ). A presença de Aβ, sobretudo na forma intermédia de oligómeros, está associada à disrupção de mecanismos de transmissão e plasticidade sináptica, incluindo a LTP. A disrupção da LTP é acompanhada por uma desregulação nos níveis de neurotransmissores como o glutamato, atrofia de regiões corticais e morte neuronal. Esta neurodegeneração leva, consequentemente, a um declínio cognitivo, funcional e comportamental que origina sintomas como perda de memória, confusão, agitação e dificuldades em realizar as tarefas do dia-a-dia. No contexto da sinapse tripartida na AD, na presença de Aβ os astrócitos adquirem um fenótipo reativo caracterizado pela atrofia do soma e processos astrocíticos, com consequente alteração na sua morfologia e propriedades bioquímicas. A presença de Aβ está também associada à desregulação da sinalização de cálcio em astrócitos, o que pode levar, consequentemente, à libertação anómala de gliotransmissores. Esta libertação alterada de gliotransmissores pode estar associada a um aumento da excitabilidade neuronal, contribuindo deste modo para a disrupção da transmissão e plasticidade sináptica, incluindo do mecanismo de LTP, associada a esta doença neurodegenerativa. Assim, o presente trabalho teve como principal objetivo investigar o papel da libertação de gliotransmissores dependente de cálcio nas alterações da transmissão e plasticidade sinápticas induzidas pelo Aβ. Para tal, foi utilizado um modelo animal transgénico, ratinhos dominante negativo SNARE (dn-SNARE - dominant negative SNARE), que apresentam o processo de libertação de gliotransmissores por exocitose dependente do complexo SNARE seletivamente comprometido em astrócitos. Pela administração oral de doxiciclina (Dox), a expressão do transgene SNARE não ocorre, assim, animais dn-SNARE aos quais se administrou Dox [dn-SNARE (Dox +)] apresentam uma libertação de gliotransmissores semelhante aos animais Wt. Em suma, neste trabalho foram utilizadas fatias de hipocampo de: i) fatias de hipocampo de ratinhos Wt tratados com Dox, Wt (Dox +); ii) ratinhos transgénicos sem a libertação de gliotransmissores comprometida, dn-SNARE (Dox +) e iii) ratinhos transgénicos com libertação de gliotransmissores comprometida, dn-SNARE (Dox -). Realizaram-se registos eletrofisiológicos extracelulares de potenciais pós-sinápticos excitatórios de campo (fEPSPs - field excitatory postsynaptic potentials) em fatias de hipocampo dos referidos animais. De modo a avaliar o papel da libertação de gliotransmissores no efeito do Aβ1-42, as fatias de hipocampo preparadas a partir de animais Wt (Dox +), dn-SNARE (Dox +) e dn-SNARE (Dox -) foram pré-incubadas com oligómeros Aβ1-42 (200nM) por 3h na presença e na ausência Memantina (1μM), antagonista não seletivo dos NMDAR, utilizado para bloquear preferencialmente NMDAR extrasinápticos. Foram avaliadas a transmissão sináptica basal, a função pré-sináptica através da realização de protocolos de paired-pulse facilitation (PPF) e a magnitude da LTP, induzida por um paradigma de estimulação theta burst na área CA3-CA1 do hipocampo. Observou-se que a estimulação theta burst induziu um aumento da magnitude de LTP em fatias de hipocampo de animais Wt (Dox +) e dn-SNARE (Dox +), no entanto a presença de Aβ1-42 (200nM) levou a um comprometimento significativo da LTP em ambos os grupos. Em fatias de hipocampo de dn-SNARE (Dox -), a pré-incubação com Aβ1-42 (200nM) não afetou a magnitude da LTP. A diminuição da magnitude da LTP detetada nas fatias hipocampo obtidas a partir de animais Wt (Dox +) e dn-SNARE (Dox +) expostas a Aβ1-42, foi prevenida pela co-incubação com Aβ1-42 e Memantina. Estes resultados sugerem que o bloqueio de NMDAR extrasinápticos tem a capacidade de prevenir os défices sinápticos mediados pela presença de Aβ1-42. Curiosamente, nas fatias de hipocampo de animais dn-SNARE (Dox -), onde a presença de Aβ1-42 não induziu qualquer alteração na magnitude da LTP, a presença de Memantina culminou com um decréscimo acentuado da magnitude da LTP, sugerindo uma influência do glutamato astrócitico nos défices sinápticos mediados pela presença de Aβ1-42. Em fatias de hipocampo de animais Wt (Dox +) e dn-SNARE (Dox +) a presença de Memantina não levou a alterações ao nível da transmissão sináptica basal. Contudo, em fatias de hipocampo de animais dn-SNARE (Dox -), a presença de Memantina levou a uma diminuição da transmissão sináptica basal. Em fatias de hipocampo de animais Wt (Dox +) a transmissão sináptica encontrou-se comprometida na presença de Aβ1-42. Já na presença de Aβ1-42 e Memantina, foi observado um aumento da transmissão sináptica quando comparado com a presença de Aβ1-42, indicando que o bloqueio de NMDAR extrasinápticos tem a capacidade de recuperar os défices sinápticos mediados pela presença de Aβ1-42. Para animais dn-SNARE (Dox +), a presença de Aβ1-42 e Memantina não alterou significativamente a transmissão sináptica basal, existindo, contudo, uma tendência para que a presença de Memantina tenha a capacidade de recuperar os défices sinápticos mediados por Aβ1-42. Já para fatias de hipocampo de animais dn-SNARE (Dox -) na presença de Aβ1-42 e Memantina, foi encontrado um decréscimo na transmissão sináptica basal quando comparado com a condição controlo, e não foram observadas quaisquer alterações quando comparado com a presença de Aβ1-42. Através da realização de ensaios de western blot, onde foram avaliados os níveis de diversas proteínas, nomeadamente níveis de αII-espectrina, uma proteína do citoesqueleto neuronal altamente suscetível a insultos neurodegenerativos e cuja degradação está associada com perda sináptica e morte neuronal, os níveis de proteína glial fibrilar acídica (glial fibrillary acidic protein – GFAP), uma proteína pertencente ao citoesqueleto astrocítico, que se encontra altamente expressa em astrócitos reativos e na AD e níveis de NMDAR-NR2B, a subunidade predominante dos NMDAR extrasinápticos, os presentes resultados sugerem que a incubação com Aβ1-42 provoca uma disrupção ao nível da transmissão e plasticidade sináptica que não é mediada por alterações da expressão das referidas proteínas ao nível sináptico, ao nível da integridade neuronal ou reatividade de astrócitos. Assim, os resultados descritos neste trabalho sugerem que os astrócitos participam ativamente na modulação da transmissão e plasticidade sináptica, tanto a nível fisiológico, como a nível patológico, como já sugerido pela literatura. Fundamentalmente, destaca-se o papel dos astrócitos e da gliotransmissão na AD, onde o bloqueio da gliotransmissão dependente de cálcio apresentou um efeito neuroprotector contra os défices sinápticos mediados por Aβ, mostrando que os astrócitos têm um grande impacto na disrupção de mecanismos sinápticos que estão na base do declínio cognitivo na AD.
2025-10-28T12:27:00Z
Gomes, Joana Isabel Ferreira da Graça
ISBE & Cochrane Portugal Newsletter nº 118: Um conjunto de biomarcadores apresenta boa capacidade prognóstica em doentes graves internados com COVID-19 - Barreiras identificadas na adesão dos profissionais de saúde às normas de prevenção e controle de infecções
Esta Newsletter (NL) resulta de uma parceria entre o Instituto de Saúde Baseada na Evidência e a Cochrane Portugal, e tem como objectivo disponibilizar informação sobre áreas interessantes para a prática clínica, com base na melhor evidência científica. São incluídos estudos relevantes, criticamente avaliados pela sua validade, importância dos resultados e aplicabilidade prática, resumidos numa óptica de suporte à decisão. É dada prioridade a estudos de causalidade incluindo-se ainda, quando justificado, estudos qualitativos e metodológicos, assim como revisões científicas. O conteúdo da NL é da exclusiva responsabilidade do(s) seu(s) autor(es).
2025-10-28T12:11:16Z
Carneiro, António Vaz Henriques, Susana Oliveira
Harmless or Threatening? Interpreting the Results of Molecular Diagnosis in the Context of Virus-Host Relationships
Molecular methods, established in the 1980s, expanded and delivered tools for the detection of vestigial quantities of nucleic acids in biological samples. Nucleotide sequencing of these molecules reveals the identity of the organism it belongs to. However, the implications of such detection are often misinterpreted as pathogenic, even in the absence of corroborating clinical evidence. This is particularly significant in the field of virology where the concepts of commensalism, and other benign or neutral relationships, are still very new. In this manuscript, we review some fundamental microbiological concepts including commensalism, mutualism, pathogenicity, and infection, giving special emphasis to their application in virology, in order to clarify the difference between detection and infection. We also propose a system for the correct attribution of terminology in this context.
2025-10-28T12:21:54Z
Abade dos Santos, Fábio A. Portela, Sara J. Nogueira, Teresa Carvalho, Carina L. de Sousa, Rita Duarte, Margarida D.
The Perfect Condition for the Rising of Superbugs: Person-to-Person Contact and Antibiotic Use Are the Key Factors Responsible for the Positive Correlation between Antibiotic Resistance Gene Diversity and Virulence Gene Diversity in Human Metagenomes
Human metagenomes with a high diversity of virulence genes tend to have a high diversity of antibiotic-resistance genes and vice-versa. To understand this positive correlation, we simulated the transfer of these genes and bacterial pathogens in a community of interacting people that take antibiotics when infected by pathogens. Simulations show that people with higher diversity of virulence and resistance genes took antibiotics long ago, not recently. On the other extreme, we find people with low diversity of both gene types because they took antibiotics recently—while antibiotics select specific resistance genes, they also decrease gene diversity by eliminating bacteria. In general, the diversity of virulence and resistance genes becomes positively correlated whenever the transmission probability between people is higher than the probability of losing resistance genes. The positive correlation holds even under changes of several variables, such as the relative or total diversity of virulence and resistance genes, the contamination probability between individuals, the loss rate of resistance genes, or the social network type. Because the loss rate of resistance genes may be shallow, we conclude that the transmission between people and antibiotic usage are the leading causes for the positive correlation between virulence and antibiotic-resistance genes.
2025-10-28T12:21:41Z
Domingues, Célia P. F. Rebelo, João S. Pothier, Joel Monteiro, Francisca Nogueira, Teresa Dionisio, Francisco
Characterization of a Lactiplantibacillus plantarum R23 Isolated from Arugula by Whole-Genome Sequencing and Its Bacteriocin Production Ability
Lactiplantibacillus plantarum is one of the lactic acid bacteria species most used as probiotics and starter cultures in food production. Bacteriocin-producers Lpb. plantarum are also promising natural food preservatives. This study aimed to characterize Lpb. plantarum R23 and its bacteriocins (R23 bacteriocins). The genome sequence of Lpb. plantarum R23 was obtained by whole-genome sequencing (WGS) in an Illumina NovaSeq platform. The activity of Lpb. plantarum R23-produced bacteriocin against two Listeria monocytogenes strains (L7946 and L7947) was evaluated, and its molecular size was determined by tricine-SDS-PAGE. No virulence or antibiotic resistance genes were detected. Four 100% identical proteins to the class II bacteriocins (Plantaricin E, Plantaricin F, Pediocin PA-1 (Pediocin AcH), and Coagulin A) were found by WGS analysis. The small (<6.5 kDa) R23 bacteriocins were stable at different pH values (ranging from 2 to 8), temperatures (between 4 and 100 °C), detergents (all, except Triton X-100 and Triton X-114 at 0.01 g/mL), and enzymes (catalase and α-amylase), did not adsorb to the producer cells, had a bacteriostatic mode of action and their maximum activity (AU/mL = 12,800) against two L. monocytogenes strains occurred between 15 and 21 h of Lpb. plantarum R23 growth. Lactiplantibacillus plantarum R23 showed to be a promising bio-preservative culture because, besides being safe, it produces a stable bacteriocin or bacteriocins (harbors genes encoding for the production of four) inhibiting pathogens as L. monocytogenes. Further studies in different food matrices are required to confirm this hypothesis and its suitability as a future starter culture.
2025-10-28T12:21:01Z
Barbosa, Joana Albano, Helena Silva, Beatriz Almeida, Maria Helena Nogueira, Teresa Teixeira, Paula