RCAAP Repository

Proposições nietzschianas para pensar a questão animal

Resumo: No parágrafo 7 do livro I de A gaia ciência, intitulado “Algo para homens trabalhadores”, Nietzsche indica um “programa de trabalho” para a nova ciência alegre, programa que afasta a filosofia dos lugares habituais a que está habituada, pondo-a em relação com as condições históricas, culturais e fisiológicas. Do mesmo modo, fala-se em A gaia ciência de uma “história natural do animal”, e dado o vínculo existente entre o nascimento da moral e nossa relação com os animais (tal como se indica em Humano, demasiado humano II, 57) considero que parte desse trabalho para laboriosos na época atual deve realizar-se em relação à questão animal. Delinearei, então, algumas proposições da filosofia nietzschiana para pensar esse tema, sobretudo desde a crítica e a denúncia daqueles prejuízos humanistas que seguem formando parte “naturalizada” de nosso vínculo com os animais.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Cragnolini,Mónica B.

Nietzsche, filho de seu tempo: a questão do ascetismo

Resumo O presente artigo tem por objetivo examinar de que forma o contexto histórico-filosófico do século XIX influenciou a compreensão nietzschiana acerca do ascetismo. Para tanto, foi necessário se afastar da obra de Nietzsche e levar a cabo uma pesquisa de ordem filológica em textos filosóficos que tratavam do tema no referido século, a qual trouxe à baila a hipótese de que o termo "ascetismo" - apesar de possuir raízes doutrinárias, conceituais e etimológicas na antiguidade e na idade média - surge nos textos da filosofia europeia apenas no século XIX. Ao longo da argumentação também se evidencia como a interpretação e o uso utilitarista da noção de ascetismo foi essencial para a elaboração da crítica nietzschiana ao ideal e às práticas ascéticas.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Binoche,Bertrand

Sentenças, rupturas, contradições. Provocações e problemas de interpretação a partir das relações e das perspectivas narrativas no Assim falava Zaratustra de Nietzsche

Resumo As interpretações tradicionais de Assim falava Zaratustra tendem a menosprezar as implicações de sua forma literária. Este artigo realiza uma leitura atenta de passagens do livro que indicam que o aspecto literário e ficcional do texto de Nietzsche não pode ser desconsiderado, se se quiser alcançar uma compreensão mais aprofundada da obra e do estatuto de seus conceitos.

O “sexto sentido” de Zaratustra, o seu inesperado “sentido histórico”: adquirir confiança com as linguagens de culturas diversas,

Resumo O artigo se propõe a ressaltar a relevância, em Assim falou Zaratustra, da confrontação de Nietzsche com a história da cultura, particularmente com o mundo grego e com o cristianismo originário. Para delimitar o tema, o texto aborda, num primeiro momento, alguns aspectos da recepção de Nietzsche na cultura europeia entre os anos de 1900 e 1920, discutindo juízos e tomadas de posição de Georges Sorel, Ernst Troeltsch, Marx Scheler e de Martin Heidegger.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Orsucci,Andrea

A arte da alusão e os mitos escondidos em Assim falou Zaratustra*

Resumo o artigo pretende analisar alguns aspectos de Assim falou Zaratustra, rastreando as possíveis fontes que ecoam no livro. Os exemplos citados não devem, porém, suscitar a impressão de que o texto seja compreensível ou decifrável apenas por meio das referências às fontes ou por meio de um extratexto. Com efeito, o texto é sempre independente, autônomo, e compreensível para todo leitor atento e rigoroso. Todavia, aquilo que Montinari definia como a “difícil arte de ler Nietzsche”, isto é, a leitura mediante o emaranhado de conexões internas e de referências literárias (portanto, a leitura por meio de um comentário), não fornece apenas “uma olhada na oficina do escritor”: a riqueza das alusões literárias, filosóficas ou musicais de um texto encontra seu sentido também no eco que desperta no leitor, na medida em que advertem para as intenções secretas do autor, intercepta as conexões entre âmbitos distantes entre os dois e, de fato, permite que ele seja “tocado” pelo texto.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Vivarelli,Vivetta

Zaratustra retórico e sofista,

Resumo O artigo pretende explorar o lugar que a retórica ocupa no pensamento de Nietzsche. Partindo do posicionamento que o filósofo tem em sua época, e pela luta que trava contra o desprezo que os alemães e os modernos têm da arte retórica, pretende-se mostrar as formas pelas quais Nietzsche revaloriza a retórica. Retomando o caráter positivo que Aristóteles atribuia à retórica como uma dynamis, Nietzsche a considera como uma disposição biológica e natural, e que a própria linguagem é resultado de artes retóricas. Apelando, ainda, à tradição dos antigos sofistas, com quem compartilha a visão sobre a íntima relação entre linguagem e retórica, e por isso mesmo desconfia da capacidade de atingir a verdade, o filósofo alemão cria a figura de Zaratustra para responder ao apelo de uma época de superação dos valores religiosos e metafísicos graças ao declínio da vontade de verdade. Assim falou Zaratustra deve, portanto, ser compreendido junto ao contexto de um ceticismo renovado, no qual a verdade não é algo já dado, mas aquilo que toda vez o discurso cria e impõe como tal, em um suceder-se infinito de perspectivas.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Zavatta,Benedetta

Nietzsche, a genealogia, a história: Foucault, a genealogia, os corpos

Resumo Este artigo analisa as quatro primeiras partes do trabalho de Foucault Nietzsche, a genealogia, a história (1971), demonstrando que há três ênfases elaboradas sobre o procedimento genealógico. Elas são determinantes da própria práxis genealógica do pensador francês. Proponho dois momentos de análise: uma retomada e uma avaliação de aspectos da “leitura” que Foucault faz da genealogia para, a partir deste parti pris: desenvolver a consequência mais importante: ao substituir o corpo como instinto pelo sujeito como função, a genealogia foucaultiana encontra sua originalidade como genealogia de corpos históricos.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Ribeiro,Carlos Eduardo

A Moralidade do desenvolvimento: notas para uma tipologia do dominador

Resumo Na medida em que a moralidade kantiana se instaura a partir do reconhecimento das condições universais para o bem estar geral, o filocrata kantiano se distingue pela impessoalidade de suas ações, pela obediência à norma e a introjeção da “responsabilidade”, em vistas de privilegiar a universalidade como princípio regulador das ações e dos valores. Considerando o niilismo como “doença da vontade” ocasionada pela ausência de metas, mas também como a convicção de que a realidade é desprovida de sentido objetivo, o tipo-dominador nietzschiano deve, ao contrário, afirmar os traços singulares de sua personalidade, a fim de operar o elemento dinâmico da história. Em vistas de superar o niilismo reativo, a tipologia do dominador em Nietzsche indicará uma outra possibilidade de filocracia, transfiguradora, imprevisível e de caráter não-normativo.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Oliveira,Bernardo

Borges: duas leituras

No summary/description provided

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Marson,Henrique Aparecido

O antiniilismo estético e a superação do niilismo

Resumo Este artigo pretende mostrar que o niilismo no pensamento nietzschiano, além de ser um fenômeno histórico e um modo de ser do homem, é também fundamentalmente um fenômeno estético que assume a finitude da condição humana. Assim, Nietzsche, ao descrever o desenvolvimento do niilismo, quer narrar ao mesmo tempo sua própria vida. Ademais, o niilismo não pode ser superado de fora de seu próprio ponto de vista, mas deve ser superado desde dentro e somente por alguém que o vivenciou: isso só é possível mediante fazer de si mesmo uma obra de arte.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Guervós,Luis Enrique de Santiago

O conceito de cultura no período extemporâneo de Nietzsche

Resumo O problema da cultura para Nietzsche é uma questão central que atravessa toda sua obra e que além disso permite entender o fundamental de seu pensamento. Neste artigo apresentaremos o conceito de cultura em seu ciclo extemporâneo, remetendo as análises a um período concreto de sua produção, aquele que compreende de O nascimento da tragédia (1872 até publicação da quarta Consideração Extemporânea (1876). Desse modo incluímos nesse ciclo intempestivo a sua opera prima, na medida em que nela se assentam os problemas vertebrais que as Considerações Extemporâneas enfrentarão à maneira de combate: a modernidadee racional como modo general de organização da existência, e em concreto o espírito da ciência que funciona como o fundamento da cultura moderna e que remonta historicamente à virada socrática. Essas críticas contra as ideias modernas Nietzsche as expõe de maneira magistral nas primeiras duas Extemporâneas, que têm como objetivo combater o filisteu da formação [Bildungsphilister] e ao espírito historicista que se havia instalado em sua época.

Friedrich Nietzsche e a crítica dos paradigmas culturais nas preleções da Basileia

Resumo Quando pensamos na Grécia, o “lugar dos sonhos” (Wunsch-Ort) dos alemães, e especialmente na relação de Nietzsche com a Grécia, muitas coisas podem com razão chamar nossa atenção. Grécia pode ser interpretada de diferentes maneiras na obra de Nietzsche. Mas todos podemos talvez concordar que, para Nietzsche, o mundo grego é uma ferramenta de valor crítico insuperável. Eles são testemunhas da diferença que os separa de nós. Eles são uma alternativa cultural inalcançável (unerreichbare) e inalcançada (unerreichte), para a qual é permitido orientar-nos, mas da qual, frequentemente e mais facilmente, podemos nos separar. Nietzsche serve-se do mundo grego a fim de aprofundar a crise da cega confiança etnocêntrica do homem moderno. Como historiador e filólogo, Nietzsche usa a literatura grega para lutar contra o absolutismo científico (há apenas um mundo, apenas uma ciência, uma única ratio, a minha) do mundo moderno. Sua crítica almeja falsificar as categorias científicas modernas, prosseguindo com um estudo genealógico que deve “transvalorar” as bases da cultura ocidental moderna.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Santini,Carlotta

A questão da teleologia nos apontamentos do jovem Nietzsche: Zu Schopenhauer e Zur Teleologie (1867-68)

Resumo Este artigo corresponde à primeira de duas partes que perfazem um estudo sobre a questão da teleologia nos apontamentos do jovem Nietzsche entre 1867 e 1869. No seu todo, o trabalho pretende oferecer uma leitura de três conjuntos de notas escritos pelo filósofo nesse período: Zu Schopenhauer, Zur Teleologie e Vom Ursprung der Sprache, com um claro enfoque nas notas sobre a teleologia, de 1868. Meu objetivo é tentar mostrar que, apesar das diversas críticas de Nietzsche à teleologia e de sua aparente adesão (via Lange) ao darwinismo, sua posição é melhor compreendida como um tipo de vitalismo, que é receptivo à ideia de uma intencionalidade inconsciente na natureza, mas que recusa explicitamente a concepção antropomorficamente inflacionada de um designer divino. Nesta primeira parte do estudo, me dedico a uma análise do texto Zu Schopenhauer e de parte do conjunto de notas reunidas sob o título Zur Teleologie.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Mattioli,William

Nietzsche e a dialética aporética entre primeira e segunda natureza

Resumo Nietzsche, em seus escritos, usa várias vezes a expressão “segunda natureza”, e ao longo de uma vasta extensão de tempo. O que torna muito interessante o uso nietzschiano desse termo é que uma parte substancial das suas ocorrências se caracteriza em torno de uma justaposição dialética entre uma “primeira” e uma “segunda natureza”. Este artigo apresenta uma reconstrução da reflexão de Nietzsche acerca da “segunda natureza”, em que tentamos demonstrar como nela existe uma compreensão clara de alguns aspectos das Philosophies of Habit clássicas e modernas e, conjuntamente, uma crítica do papel positivo atribuído ao hábito pela filosofia empirista anglo-saxônica.

Verdade é práxis: Nietzsche e Marx

Resumo O objetivo deste artigo é delinear semelhanças significativas e dissonâncias produtivas entre Marx e Nietzsche. Minha tese é a de que esses dois pensadores têm muito mais em comum do que é reconhecido ordinariamente. Após provar que Nietzsche muito provavelmente conhecia Marx, eu desenvolvo vários aspectos comuns a ambos. Ambos os pensadores perseguem projetos filosóficos de transformação crítica, empregam uma hermenêutica da suspeita, além do bem e do mal, ambos propõem uma antropologia naturalizada e reconstruções históricas. As passagens finais discutem suas respectivas concepções de capitalismo e de socialismo. As semelhanças e as diferenças entre Nietzsche e Marx podem servir como recurso produtivo e como inspiração em nossas tentativas contemporâneas para entender o mundo em que vivemos.

Nietzsche, a vida como exigência da obra

Resumo O presente trabalho explora o expediente metodológico aplicado por Merleau-Ponty sobre a obra e a vida de Cézanne: a vida como exigência de uma obra. Discutimos como esse expediente oferece uma chave de leitura para as polêmicas relações entre a vida e a obra nietzschiana, tanto no sentido de verificar como Nietzsche se apresenta internamente à sua obra, quanto para analisar como as circunstâncias de sua vida (doença, solidão, amizade, nomadismo, geografia, clima e distrações corporais) podem ser interpretadas como exigências do tipo de obra que ele se propôs a formular. Isso nos leva a uma nova estratégia para interpretar também a própria genealogia da obra nietzschiana e, com ele, de toda a história da filosofia.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Oliveira,Jelson R. de Falabretti,Ericson S.

O Eterno Retorno de Nietzsche como argumento do conto A biblioteca de Babel de Borges

Resumo Este trabalho visa mostrar que o conceito de Eterno Retorno de Nietzsche, em sua vertente cosmológica, foi utilizado por Borges como argumento do conto A biblioteca de Babel. Para tanto, a Poética da leitura será trazida à tona em conjunto com o conceito de situação filosófico-narrativa para subsidiar a investigação. Em seguida, o entendimento de Borges sobre o Eterno Retorno de Nietzsche terá lugar. Por fim, o conto será analisado para verificar nele os elementos que sustentam que o argumento de A biblioteca de Babel é o conceito de Eterno Retorno de Nietzsche.

Year

2022-12-06T13:20:35Z

Creators

Marson,Henrique Aparecido

Um olhar de Nietzsche ao século XVII: os subterrâneos da revolução cartesiana

Resumo Neste artigo pretendemos fazer ver de que modo a “revolução cartesiana” se revelou, para Nietzsche, uma resposta irrefletida a dispositivos inconscientes. A pretensa radicalidade da fundação da filosofia de Descartes e os desdobramentos desta teriam se dado pela intromissão dos seguintes fatores de ação inconsciente: o anseio por acomodação fisiopsicológica por trás do cogito; a moralidade inconsciente a hierarquizar o inteligível como superior ao sensível e ao passional, bem como a fazer pressupor um mundo ordenado, dócil às ideias claras e distintas; um terceiro fator de atuação inconsciente seria as “teias da gramática”, que o fizeram se limitar a inverter a primazia entre “eu” e “penso”, proporcionando ao pensar, e a seus resultados científicos subsequentes, uma ação de estrangulamento do que até então se tinha pela noção de alma. Esse quadro só fez se agravar até a segunda metade XIX, momento em que Nietzsche depara com a filosofia.