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Da questão filosófica à introdução de uma perspectiva: uma análise do problema do método em Husserl e Feyerabend a partir de Nietzsche
Resumo: Neste artigo propomo-nos mostrar que a formulação da questão filosófica, determinante de uma indagação acerca do mundo ou de algo a ele pertencente, é formulada desde uma resposta que se quer sustentar devido à adoção de uma perspectiva prévia. Em vista disso, utilizaremos o perspectivismo nietzschiano para compreender a diferença nas respostas de Husserl e Feyerabend ao método como problema.
2022-12-06T13:20:35Z
Azeredo,Vânia Dutra
Transfigurações do passado: aspectos do problema do tempo na segunda Consideração extemporânea
Resumo: A segunda Consideração Extemporânea foi acolhida no cenário filosófico contemporâneo como uma obra singular do pensamento nietzschiano que serve de marco na transição do tempo abstrato para o tempo vivido; sua maior virtude teria sido evidenciar o futuro enquanto um modo temporal dominante na existência humana. Contudo, pretendo mostrar que, nesse livro, Nietzsche está na verdade interessado em combater os efeitos devastadores da percepção do tempo para o homem - um problema que já o perseguia -, encontrando, para tanto, recursos preciosos numa apropriação valorativa da história.
2022-12-06T13:20:35Z
Nasser,Eduardo
Da alma dos artistas e escritores: Coisa humana, demasiadamente humana?
Resumo: O artigo discute a hipótese de Paolo D’Iorio e Olivier Ponton, segundo a qual Humano, demasiado humano deve ser considerado o livro que instaura efetivamente a obra de Nietzsche. A chamada “fase wagneriana”, simbolizada por O nascimento da tragédia, deveria ser colocada em suspenso, por se tratar de um momento hesitante e sem continuidade.
2022-12-06T13:20:35Z
Burnett,Henry
Poesia e linguagem na primeira recepção de Nietzsche dos escritos de August Wilhelm Schlegel
Resumo: Em 1863, último ano de seus estudos na célebre escola Pforta, Nietzsche leu as Lições sobre belas-letras e arte e o ensaio Bürger, de A.W. Schlegel, tendo elaborado anotações sobre ambos os textos. A partir de tais leituras, teve acesso a uma detalhada exposição da teoria romântica, no que diz respeito às questões da arte e da linguagem, assim como a uma análise da obra do poeta Gottfried August Bürger. O interesse pela estética romântica de August Schlegel permaneceu vivo nos anos seguintes, estendendo-se a todo período de elaboração de O Nascimento da tragédia. Neste artigo pretendo examinar a recepção de Nietzsche dos escritos de Schlegel, especialmente do ensaio Bürger, assim como elucidar aspectos importantes do diálogo que estabeleceu com o primeiro romantismo alemão.
2022-12-06T13:20:35Z
Cavalcanti,Anna Hartmann
A República dos gênios
Resumo: O artigo explora a pertinência filológica, o sentido e as questões da “bandeira das Luzes” “com os nomes de Petrarca, Erasmo, Voltaire” que Nietzsche afirma querer “levar adiante” em Humano, demasiado humano (I, §26). Ele procura fazer surgir a coerência tipológica de um homem das Luzes herdeiro do Renascimento, fundado sobre a ideia de uma mobilidade tanto nacional, social, quanto literária e filosófica. Nietzsche se inscreve nessa “história monumental” dos “espíritos livres”, filósofos-poetas, “libertadores” anti-escolásticos e reformadores de seu tempo, esboçando a figura do “bom europeu”.
2022-12-06T13:20:35Z
Métayer,Guillaume
NIETZSCHE, Friedrich. Sobre a utilidade e a desvantagem da história para a vida. Tradução de André Luís Mota Itaparica. São Paulo: Hedra, 2017
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2022-12-06T13:20:35Z
Julião,José Nicolao
A teoria nietzschiana da vontade
Resumo O artigo procura mostrar como Nietzsche, a partir de um exame detalhado da fenomenologia do querer, constrói um argumento a favor de sua tese revisionista de que a nossa experiência do querer não rastreia uma relação causal real com nossos atos, disso resultando o colapso da ideia mesma de responsabilidade moral no sentido exigido pelas teorias incompatibilistas da liberdade da vontade. Uma premissa importante do argumento de Nietzsche depende de um Doutrina dos Tipos, segundo a qual todos os nossos pensamentos conscientes têm um estatuto de epifenômeno em relação à psicologia inconsciente e à fisiologia do agente, que por sua vez remete ao tipo psicofísico ao qual cada indivíduo deve ser vinculado. Por fim, procura-se mostrar que a teoria nietzschiana da vontade antecipa certos resultados da psicologia empírica contemporânea.
2022-12-06T13:20:35Z
Leiter,Brian
Imoralismo – uma ética nietzschiana?
Resumo Este artigo examina brevemente algumas tentativas de reconstruir o que seria a contrapartida “positiva” da crítica de Nietzsche à moralidade, ou seja, o tipo de engajamento normativo que fundamentaria seu ataque à moral. Essas reconstruções têm atribuído a Nietzsche diferentes compromissos normativos, de modo que ele está próximo ora de um esteticismo, ora de algum tipo de utilitarismo, ora de uma ética das virtudes. Destacamos alguns pontos que são relevantes para a filosofia de Nietzsche e que parecem estar em dissonância com tais reconstruções. Estes pontos referem-se às concepções nietzschianas de perspectivismo, egoísmo, liberdade, Rausch e seu autodeclarado “imoralismo”. O objetivo é avaliar em que medida essas reconstruções são capazes de capturar o que há de singular no que Nietzsche tem a nos dizer sobre ética e normatividade prática sem descuidar de certos compromissos essenciais de sua filosofia.
2022-12-06T13:20:35Z
Medrado,Alice
Nietzsche sobre Helvétius: “o último grande acontecimento da moral”
Resumo O presente artigo busca examinar as parcas menções a Helvétius na obra nietzschiana, tendo como objetivo mais específico apresentar um sentido para a afirmação de Nietzsche de que o pensador francês estaria à frente do "último grande acontecimento da moral". A hipótese apresentada é de que Helvétius tenha importância tanto positiva - como proponente de um modelo mais realista de análise dos fenômenos morais - quanto negativa - como precursor do mais recente desdobramento da moralidade de rebanho.
2022-12-06T13:20:35Z
Santos,Oscar Augusto Rocha
Nietzsche e a orientação perfeccionista de sua tentativa de estimar valores
Resumo O texto examina o modo como Nietzsche articula o elemento crítico de sua filosofia com as formulações éticas construtivas que ele defende. Seu objetivo é mostrar que as formulações positivas de Nietzsche guardam uma espécie de orientação normativa, ainda que em sentido mínimo. Dado que essa suposta orientação normativa deve manter coerência com suas críticas - e, portanto, deve ser distinta das concepções tradicionais que são criticadas -, começo identificando alguns compromissos elementares que o filósofo assume durante o empreendimento da crítica para em seguida elucidar a natureza e o estatuto da concepção de normatividade admitida por esses compromissos. Com isso chego a uma descrição em que embora qualquer juízo valorativo dependa de um elemento subjetivo básico, este é suficiente para assegurar sua força normativa. Ao final do texto sugiro uma possível caracterização da posição de Nietzsche como uma variante perfeccionista em que uma descrição formal dos valores como se definindo em relação à capacidade de conduzir à excelência está conjugada com a requisição de um tipo particular de confiança em si mesmo cuja função é conferir força normativa a esses valores.
2022-12-06T13:20:35Z
Temp,Daniel
Filosofia como forma de vida: o embate com o ceticismo moderno
Resumo O objetivo deste artigo é mostrar que o modo como Pascal reage à tentativa de Montaigne de retomada da filosofia como forma de vida a partir de uma releitura de certos elementos da tradição cética terá um impacto considerável no modo como o próprio Nietzsche, mais de dois séculos depois, procura retomar este mesmo projeto em suas obras do período intermediário (seção III). Segundo o diagnóstico de Nietzsche, a crise do cristianismo no início da modernidade não significou o desenvolvimento de uma vida contemplativa emancipada das ilusões religiosas, mas a degradação, para não dizer a supressão pura e simples, do ideal da vida contemplativa e a imersão no ativismo moderno (cf. GC 359, ABM 58). A conhecida trilogia consagrada aos espíritos livres é em grande medida uma tentativa de se contrapor a essa tendência e recuperar um sentido não religioso da vida contemplativa no improvável contexto da sociedade burguesa da segunda metade do século XIX. O que tentarei mostrar é que partir de Aurora, Pascal se converterá em seu mais ilustre oponente. Mas inicialmente, (I) apresento o modo como Montaigne transforma a herança do ceticismo antigo, e na sequência (II) ofereço uma exposição de como Pascal reage à sua própria época, em especial ao projeto de retomada do ideal de vida contemplativa sem a tutela do cristianismo, projeto este que encontra em Montaigne seu principal representante.
2022-12-06T13:20:35Z
Lopes,Rogério
A contribuição de Nietzsche para a ética
Resumo O artigo procura mostrar que o escopo da crítica de Nietzsche à moralidade, seu autoproclamado imoralismo, não abrange a totalidade de nossa experiência ética, mas uma interpretação particular dela, que resultou de um construto histórico cujas principais etapas são objeto de uma narrativa genealógica de orientação naturalista. Defende-se de forma sucinta a tese de que a posição de Nietzsche não exclui a legitimidade de toda e qualquer categoria ética, nem recomenda a abolição de toda e qualquer regra para o governo de nossas relações interpessoais e sua internalização na forma de disposições que lhe confiram estabilidade.
2022-12-06T13:20:35Z
Clark,Maudemarie
Nietzsche, o perfeccionismo e a democracia: tensões entre Rawls, Cavell e os agonistas
Resumo No centro de seu pensamento político, Nietzsche incentiva à busca pela perfeição dos indivíduos. É a disputa pelo significado do perfeccionismo do pensamento de Nietzsche por diferentes correntes o objetivo deste artigo. Rawls faz uma leitura de um perfeccionismo nietzschiano que é elitista, anti-igualitário e ligado a regimes aristocráticos. Essa foi uma leitura predominante do pensador. Mas, nos últimos 25 anos, surgiram outras interpretações para a busca pela perfeição nietzschiana. Uma defende um perfeccionismo moral no pensamento do autor, que seria igualitário e compatível com o ambiente democrático. Outra, mais recente, argumenta em prol de um perfeccionismo agonístico, visando a perpétua luta para superação de si mesmo como fundamental para o ambiente democrático.
2022-12-06T13:20:35Z
Kamradt,João
A recepção de Nietzsche a partir do Index da biblioteca do Seminário Central de São Leopoldo/RS
Resumo O Index da biblioteca do Seminário Central Nossa Senhora da Conceição em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul guardou grande parte da obra filosófica que, nos anos que antecederam ao Concílio Vaticano II, esteve grandemente sob suspeita. Dentre este arsenal de obras, se destaca toda a obra de Nietzsche, da qual se ocupa este texto. Por mais paradoxal que pareça, Nietzsche, apesar da maneira controvertida com que tratava sobre temas como a cultura, a moral, o Cristianismo, Nietzsche, encontrou, no Seminário Central, diversos leitores. Estes, atraídos pela beleza de seu estilo e pela maneira impetuosa com que encarrava os problemas de sua época, levaram o pensamento de Nietzsche, em grande medida, a sério. Pode-se inferir a hipótese de que a recepção do pensamento de Nietzsche no Seminário Central foi se configurando, de certa forma, como ferramenta para se pensar os destinos futuros da Igreja Institucional.
2022-12-06T13:20:35Z
Feiler,Adilson Felicio
Projetivismo dos valores em Nietzsche
Resumo Este artigo tem por objetivo reivindicar o lugar da filosofia nietzschiana na tradição filosófica do projetivismo. Com efeito, como mostrarei, mesmo se Nietzsche é quase unanimemente ignorado nas obras dos especialistas nessa tradição, ele mantém, ao longo de seu desenvolvimento filosófico, uma posição que se pode com razão definir como “projetivista”.
2022-12-06T13:20:35Z
Stellino,Paolo
As noções de história na II Consideração Extemporânea e em Humano, demasiado humano
Resumo: A II Consideração extemporânea (1874) e Humano, demasiado humano (1878) são duas obras em que história tem papel central. O objetivo deste artigo é investigar as diferenças na utilidade da história que Nietzsche propõe nesses dois textos. No primeiro, há a pretensão de substituir a ciência histórica hegeliana por três tipos de ciência histórica, cada um deles adequado a certo momento da cultura. No segundo texto, não há propriamente uma ciência histórica, mas uma filosofia com sentido histórico: a ação da história nessa obra é mais radical, tanto na tentativa de superação da metafísica quanto na relação com a vida.
2022-12-06T13:20:35Z
Frezzatti Jr.,Wilson Antonio
Convergências e divergências entre Nietzsche e a tradição contratualista moderna: a noção nietzschiana de "Estado" nas seções 16 e 17 da segunda dissertação de Genealogia da moral
Resumo: O presente artigo tem por objetivo tentar elucidar as relações entre a tradição contratualista moderna e a noção nietzschiana de "Estado" que está presente na obra Genealogia da moral. Para realizar essa tarefa, iniciaremos pelo exame do argumento de Nietzsche acerca do aparecimento do "Estado", apresentado nas seções 16 e 17 da segunda dissertação do livro citado. Num segundo momento, trazemos um breve resumo dos argumentos de três contratualistas clássicos, a saber, Hobbes, Rousseau e Locke. Essas duas primeiras partes do nosso trabalho servirão como premissas a partir das quais iremos promover a confrontação entre Nietzsche e os contratualistas. Esse procedimento nos dará oportunidade para apresentarmos uma problemática secundária, qual seja, a questão da "sociedade" das "bestas louras" pensada à luz da noção contratualista de pacto.
2022-12-06T13:20:35Z
Melo Neto,João Evangelista Tude de Santos,Antonio Carlos de Oliveira
Perspectivismo e interpretação na filosofia nietzschiana
Resumo: Apesar das poucas referências ao termo, a noção de perspectividade formulada por Nietzsche constitui um pressuposto importante de sua reflexão filosófica. Trata-se de uma noção, como se buscará demonstrar, significativa para a compreensão de muitos posicionamentos teóricos do autor relativos à ciência e ao conhecimento e decisivamente na interpretação de ambas as noções como perspectivas interpretativas. A argumentação a seguir visa analisar as influências e pressupostos desta noção, evidenciando seu pano de fundo kantiano (neokantiano), schopenhauriano, mas também considerando influências exteriores à filosofia, tal como a física teórica de Ruggero Boscovich, que tem importância decisiva na formulação das noções de perspectividade e interpretação perspectivista na filosofia de Nietzsche.
2022-12-06T13:20:35Z
Barros,Roberto de Almeida Pereira de
Da crítica de Nietzsche ao sujeito ao sujeito de sua crítica
Resumo A ambiguidade do título deste artigo reflete o caráter multifacetado de um problema que tem no seu horizonte, por um lado, a dura crítica de Nietzsche ao sujeito e, por outro, as possibilidades abertas por essa crítica, seja na direção de um sujeito plural, tese claramente delineada nos escritos de Nietzsche, seja no sentido de um sujeito ficcional, que aparece em seus textos contrariando a ideia de sujeito criticada por ele. Tendo em vista, portanto, o caráter controverso da questão, o propósito deste estudo é apontar alguns traços centrais da crítica de Nietzsche ao sujeito no intuito de mostrar que é justamente a partir dessa crítica que são delineadas novas possibilidades para pensar e utilizar a ideia de sujeito em seus escritos.
2022-12-06T13:20:35Z
Paschoal,Antonio Edmilson