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A longa história do encontro entre Nietzsche e D. Pedro II
Resumo A história do encontro entre Nietzsche e Dom Pedro II, outrora anedoticamente difundida por Elisabeth Förster-Nietzsche, tem sido, ao longo de mais de um século, alimentada pela nossa historiografia (por historiadores como Oliveira Lima e José Murilo de Carvalho), pela crítica literária (seja pelo modernista Alceu Amoroso Lima e o simbolista Tristão da Cunha) e a imprensa diária e periódica, nacional e estrangeira. Nesse sentido, este artigo visa a discutir as causas e as consequências políticas dessa longa história para a recepção brasileira do pensamento de Nietzsche.
2022-12-06T13:20:35Z
Dias,Geraldo
Sobre o valor filosófico de uma autobiografia
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2022-12-06T13:20:35Z
Zattoni,Romano S.
Dos românticos a Nietzsche. Oito estudos sobre a Filosofia do século XIX
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2022-12-06T13:20:35Z
Meireles,Tulipa Martins
O que Nietzsche leu e o que não leu
Resumo O principal objetivo deste artigo é explorar a complexa e multivariada condição de Nietzsche como leitor. Nesse sentido, em primeiro lugar lançam-se luzes sobre suas informações de leitura, nem sempre confiáveis, externadas em sua própria obra, nos fragmentos póstumos, nas cartas, em testemunhos de terceiros, em sua biblioteca preservada e na não preservada, em aquisições e em empréstimos a bibliotecas. Num segundo momento propõem-se fases de leitura desde o Nietzsche adolescente, estratégias de leitura, seu processo de libertação e autoestilização como leitor. Já no âmbito das esferas de leituras, aborda-se o Nietzsche leitor de filologia, das ciências, do mundo e da própria cultura. Por fim, ao questionar o modo como Nietzsche foi leitor de si mesmo, acena-se para a questão de como sua atitude de leitura se torna dispositivo para ele próprio pensar e escrever sua obra, fazendo valer a exortação inicial, de que para compreender o Nietzsche filósofo é necessário ter em mente a quem ele está a responder.
2022-12-06T13:20:35Z
Sommer,Andreas Urs
“O alquimista dos valores”. As cartas do último Nietzsche (1885-1889)
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar as cartas de Nietzsche, questionando se podemos legitimamente considerá-las como veículo de compreensão e interpretação de sua obra. Embora as cartas sejam inevitavelmente contaminadas por seu contexto, agora é geralmente aceito que elas não podem ser consideradas “parasitas” nas obras de seus autores, mas são “parte integrante de sua máquina de escrever ou expressar” (Deleuze-Guattari). Não se trata de interpolar ou interpretar a gênese e o conteúdo das obras a partir da pressão dos elementos biográficos, mas sim de utilizar as cartas como uma espécie de esquema hermenêutico, para melhor compreender a representação de si mesmo de um autor, as intenções subjacentes de suas obras, e captar seus elementos estilísticos e recursos argumentativos, que as obras inevitavelmente transformam.
2022-12-06T13:20:35Z
Fornari,Maria Cristina
Cultura e economia em Nietzsche
Resumo Discuto a possibilidade de superar a dominação por meio de uma diferenciação entre duas distintas abordagens econômicas da animalidade do ser humano, as quais correspondem aos modos contrastantes de politizar a vida na cultura e na civilização. Ao passo que a economia da civilização representa um tratamento exploratório da animalidade, cujo objetivo é a autopreservação do grupo ao preço de normalizar o indivíduo, a economia da cultura denota uma abordagem não exploratória da animalidade, dirigida para a pluralização de formas de vida inerentemente singulares. Uma análise dessas economias revela que a cultura não pode ser alcançada por meio de uma política de dominação e exploração.
2022-12-06T13:20:35Z
Lemm,Vanessa
Exercícios de inatualidade. As Considerações extemporâneas como ontologia crítica
Resumo As quatro Considerações extemporâneas de Nietzsche estão entre os escritos mais negligenciados do autor. Porém, elas constituem o êxito de um projecto inserido numa época crucial do desenvolvimento de Nietzsche como filósofo. A partir, em particular, de uma análise das questões postas na primeira, David Strauss, o devoto e o escritor e na terceira, Schopenhauer como educador, tentar-se-á mostrar duas perspectivas filosóficas que, iniciadas nas Considerações, acompanharão o percurso de Nietzsche até o fim: a de uma “ontologia da atualidade”, segundo a expressão de Foucault, e a de uma filosofia como “maneira de viver”, segundo a expressão de Hadot.
2022-12-06T13:20:35Z
Ferraro,Gianfranco
O filósofo e a cultura: a filosofia entre a ciência e a arte
Resumo Tendo em vista os escritos nietzschianos póstumos, redigidos entre os anos de 1872 e 73, o escopo deste artigo consiste em investigar o lugar e o papel do filosofo na cultura. Analisaremos em que medida Nietzsche pensou a natureza do trabalho filosófico e a complexa relação que a filosofia estabelece com a ciência e com a arte. No que diz respeito aos seus fins edificantes, a filosofia se afasta dos objetivos da ciência, qual seria a produção de conhecimento puro, e se aproxima da meta edificante da arte.
2022-12-06T13:20:35Z
Gonçalves,Alexander
A presença de Nietzsche na produção intelectual e literária de Albertina Bertha
Resumo Neste texto analiso a presença da filosofia de Nietzsche na obra literária e intelectual da escritora carioca Albertina Bertha de Lafayette Stockler (1880-1953). O interesse e a paixão da escritora pelo filósofo alemão são demonstrados em referências, epígrafes e citações do filósofo. A discussão de Nietzsche por Bertha guarda interesse histórico por ser raro uma mulher frequentar fóruns filosóficos em pé de igualdade com homens, no Brasil, à época. Além da célebre conferência de 1914, que virou capítulo do livro Estudos (1920), as noções nietzschianas permeiam os escritos de Albertina Bertha, tanto nos romances, como nos ensaios.
2022-12-06T13:20:35Z
Faedrich,Anna
O allemanismo em Recife e a primeira recepção de Nietzsche no Brasil
Resumo Este artigo tem por objetivo investigar a primeira recepção da filosofia de Nietzsche no Brasil, que ocorre na Escola de Recife. Para tanto, num primeiro momento, examina de forma histórico-filosófica a formação do movimento intelectual dentro da faculdade pernambucana que, entre seus objetivos, busca construir uma identidade nacional que se distancie do predomínio europeu. Em seguida, analisa a primeira citação explícita de Tobias Barreto de 1876 que acontece em meio a esse momento de efervescência sociocultural e serve de mote para os alunos vindouros, concebendo uma filosofia mais combativa e criativa. Por fim, investiga membros estudiosos germanistas que, além de trazerem obras alemãs para a faculdade pernambucana, acreditaram que elas poderiam fornecer o aperfeiçoamento cultural para o Brasil através do allemanismo.
2022-12-06T13:20:35Z
Pantuzzi,Tiago Lemes
O conceito de consciência moral como chave de uma interpretação fenomenológica da vontade de potência
Resumo O artigo tem por objetivo realizar uma análise do conceito de consciência moral (Gewissen) no pensamento de Nietzsche e mostrar uma conexão entre este conceito e a vontade de potência. Esta relação circunscreve, em seu interior, como conceito derivado, a má consciência (schlechtes Gewissen), e abre um horizonte fenomenológico de interpretação para a vontade de potência.
2022-12-06T13:20:35Z
Vieira,Ricardo Pedroza
Sócrates e a autossupressão do socratismo em O nascimento da tragédia
Resumo O presente artigo discute o estatuto da figura de Sócrates em O nascimento da tragédia. Partindo da hipótese de que é insuficiente tratar de Sócrates apenas como antípoda de Nietzsche, como quer boa parte da fortuna crítica, desenvolvo a tese de que Sócrates é bem mais uma espécie de lente de aumento, a partir da qual o pensador analisa a origem e os desdobramentos modernos da cultura ocidental. Além disso, e principalmente, demonstro que a riqueza de antagonismos de que Nietzsche propositalmente lança mão em suas análises do filósofo grego indica uma de suas primeiras concepções do próprio criar filosófico.
2022-12-06T13:20:35Z
Paula,Wander Andrade de
Poesia e melancolia. A invenção da vontade de potência?
Resumo O artigo descreve o poema “An die Melancholie” (1871) como um momento crucial e essencial da evolução da filosofia de Nietzsche, aquele de uma primeira intuição da noção de “vontade de potência”. O filósofo se afasta da longa tradição alemã dos hinos à melancolia, ao mesmo tempo em que subverteu os poemas filosóficos - os darwinistas em particular - de sua época, para superar seu pessimismo schopenhaueriano.
2022-12-06T13:20:35Z
Métayer,Guillaume
Sintomatologia e filosofia da afirmação em Nietzsche
Resumo Estabelecida em Assim falava Zaratustra, a associação dos conceitos de vida, valor e vontade de potência se revela rica em consequências para o pensamento de Nietzsche. Nosso objetivo é investigar como essas noções operam na sintomatologia nietzschiana, procedimento que consiste em avaliar o valor dos valores, tomando-os como sinais de vida ascendente ou decadente. Esperamos mostrar que um modo de estimar valores só é considerado superior se traduz uma afirmação da concepção nietzschiana de vida ascendente. Por fim, contamos sustentar que esse critério para avaliar o valor dos valores implica, ele mesmo, valores, o que o torna injusto.
2022-12-06T13:20:35Z
Corbanezi,Eder
A Grande Saúde e a Filosofia como Vivência (Erlebnis)
Resumo Aproximar vivência e criação de si explorando suas relações será um dos objetivos deste artigo, bem como elucidar a capacidade humana de dotar de sentido suas vivências, o que também não deixa de ser uma atitude artística perante a própria existência.
2022-12-06T13:20:35Z
Adami,Jackson Daniel
A ciência contra e metafísica: Nietzsche e o filosofar histórico Em Humano, demasiado humano I
Resumo Com Humano, demasiado humano I, Nietzsche estabeleceu sua definitiva ruptura com a metafísica de Schopenhauer e a arte de Wagner, ao mesmo tempo que concedeu à ciência maior destaque para que, juntamente com o filosofar histórico, pudesse lhe servir de principal aliada no combate aos erros e excessos da metafísica, da religião e da arte, sobretudo a romântica. O presente estudo pretende investigar como Nietzsche relaciona algumas características que vê na ciência de sua época com sua proposta de filosofia histórica, a qual se contrapõe à metafísica tradicional.
2022-12-06T13:20:35Z
Mignoni,Neomar Sandro
Nietzsche e o ecstase: o trágico a partir de uma reinterpretação dos conceitos de phobos e eleos
Resumo Pretendemos, neste artigo, expor a noção trágica nietzschiana na conferência O Drama Musical Grego e os fragmentos póstumos escritos no mesmo período, mostrando que o desenvolvimento dessa concepção caminha peri passu à crítica ao pensamento moderno. Essa crítica é realizada por meio do conceito de ecstase, o qual se confronta com a ideia de tragédia entendida a partir da poesia, Deste modo, exporemos como Nietzsche articula o seu conceito de ecstase como um contraponto à compreensão moderna da “Poética” de Aristóteles, assim como as suas aproximações e distanciamentos da filosofia schopenhaueriana ao formular sua concepção trágica.
2022-12-06T13:20:35Z
Carneiro,Rafael Vieira Menezes
Vontade de tragédia, tragédia da música: Controvérsias entre o jovem Nietzsche e Schopenhauer
Resumo O presente ensaio tem como objetivo mostrar consequências teóricas de uma tensão latente entre a noção de tragédia no Nietzsche d’O nascimento da tragédia e a compreensão schopenhaueriana da música. Tal tensão se dá não apenas no âmbito de interpretações estéticas das referidas artes por parte dos filósofos mencionados, mas demonstra disparidades fundamentais no pensamento do jovem Nietzsche em relação à metafísica de O mundo como Vontade e Representação. A hipótese é que essas disparidades culminariam num ponto de cesura entre as filosofias de Schopenhauer e Nietzsche, bem como no fenecimento da amizade deste com Richard Wagner.
2022-12-06T13:20:35Z
Debatin,Gabriel
Nietzsche e Quine: da naturalização da estética à epistemologia naturalizada
Resumo Longe de pretender esgotar possíveis semelhanças entre Nietzsche e Quine, o texto que se segue tenciona mostrar, mediante comparações paradigmáticas e admissíveis convergências metodológicas, como ambos os autores, lançando mão de hipóteses naturalistas para interpretar o conhecimento e a estética, respectivamente, tornam possível pensar num naturalismo menos confinante e mais inventivo, livre dos prejuízos do cientificismo e mais condizente com a sensibilidade artística em geral.
2022-12-06T13:20:35Z
Barros,Fernando R. de M.
Ceticismo no jovem Nietzsche: das sugestões de Lange ao ensaio Sobre verdade e mentira em sentido extramoral
Resumo: O ensaio Sobre verdade e mentira em sentido extramoral é um texto impressionante cético, que afasta Nietzsche não apenas da precedente “metafísica da arte” de O Nascimento da tragédia, mas também nega o próprio conceito de verdade. A influência de Friedrich Albert Lange e de sua História do materialismo é importante no percurso que levará, a partir das críticas da metafísica de Schopenhauer, às posições defendidas em Sobre verdade e mentira em sentido extramoral.
2022-12-06T13:20:35Z
Campioni,Giuliano