Repositório RCAAP

Avaliação da microbiota bacteriana e fúngica presente na cloaca de jabutis (Geochelone carbonaria) criados em domicílio e análise do potencial risco a saúde humana

Os médicos veterinários que trabalham com répteis frequentemente são indagados pelos proprietários sobre os tipos de doenças que estes animais podem transmitir, bem como sobre as medidas profiláticas que devem ser implementadas para prevenir a transmissão de doenças. Desta forma, o conhecimento sobre os patógenos que estes animais albergam passa a ser importante para orientação dos proprietários quanto aos cuidados adequados que devem ser adotados com estes animais. Os microrganismos que compõem a microbiota podem se tornar patogênicos para seus hospedeiros quando os mesmos encontram-se debilitados, bem como a eliminação contínua destes microrganismos (pelas fezes, por exemplo) por répteis aparentemente saudáveis ou mesmo doentes, pode representar um importante problema para pessoas que tenham contato com eles. Crianças, idosos e indivíduos imunossuprimidos ou imunocomprometidos são bastante suscetíveis às infecções após manipulação de répteis criados como pet. Considerando-se que os répteis participam de forma crescente do mercado de animais criados como pet, suas características microbiológicas devem ser pesquisadas, visando evitar que eles adoeçam ou venham a óbito devido à ocorrência de doenças infecciosas e não transmitam zoonoses para aqueles que os manipulam. Este trabalho teve como objetivos o estudo da microbiota bacteriana e fúngica presente na cloaca de jabutis (Geochelone carbonária) criados em domicílio e análise do potencial risco a saúde humana. Foram realizados exames microbiológicos de swabs de cloaca de 100 jabutis-piranga visando a pesquisa de bactérias aeróbias, anaeróbias facultativas e fungos filamentosos e leveduras. Foram isolados 18 gêneros de bactérias, 06 gêneros de leveduras e 03 gêneros de fungos filamentosos. Os gêneros de microrganismos isolados com maior freqüência foram: Escherichia sp. (67%), Klebsiella spp. (54%), Bacillus spp. (42%), Candida spp. (42%), Citrobacter spp. (33%), Staphylococcus spp. (29%), Corynebacterium spp. (15%) e Aeromonas spp. (15%), dentre outros com menor freqüência. A freqüência de isolamentos de E. coli (67%) foi semelhante à de Klebsiella spp. (54%) e maior (P<0,05) do que as frequências de isolamentos de todos os outros microrganismos. Todos os microrganismos isolados podem representar risco para a saúde humana, devendo-se atentar para os cuidados com répteis criados como animais pet, particularmente quanto aos aspectos de higiene relacionados aos mesmos, visando assim a prevenção destes riscos.

Ano

2009

Creators

Carlos Alexandre Pessoa

Profilaxia e controle da raiva dos herbívoros domésticos no Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil, no período de 1997 - 2007

No Estado de São Paulo, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária CDA, Unidade da Administração Direta, subordinada à Secretaria Estadual da Agricultura, foi criada em 1998. Subseqüentemente a elevada freqüência de surtos de raiva paralítica em herbívoros na parte leste do Estado, incluindo as regiões do Vale do Paraíba e Grande São Paulo, entre 1999 e 2001, obrigou mudanças nas estratégias de controle para a doença, que vinha sendo adotada anteriormente no Estado. Em 2001, a vacinação dos herbívoros domésticos foi declarada obrigatória nas regiões sobre a circunscrição dos Escritórios de Defesa Agropecuária EDAs, localizados nas áreas classificadas como áreas epidêmicas e endêmicas para a raiva e com o reforço das medidas de controle direto contra o Desmodus rotundus, morcegos vampiros, utilizando redes de neblina e vampiricidas (pasta nticoagulante), além do registro e do georreferenciamento para a localização dos abrigos, nas regiões estratégicas em ordem contrária a progressão da doença, causando a redução da população de morcegos vampiros e da circulação viral. Neste estudo, foi considerado o número de herbívoros com raiva com confirmação laboratorial e de acordo com o ano de ocorrência, espécie animal, distribuição por EDAs e por Municípios, providenciados pelo Instituto Pasteur de São Paulo. Com respeito à data de 2001, as porcentagens de vacinação, foram agrupadas sem as divisões por EDAs, devido à ausência de dados. A partir de 2002, os dados foram divididos por EDAs, onde a vacinação foi declarada obrigatória e os dados foram discriminados entre estabelecimentos que vacinaram e herbívoros vacinados contra raiva. O número de morcegos vampiros capturados agrupados por EDAs. Analisando as tendências, indicando os estabelecimentos que vacinaram, herbívoros vacinados contra raiva e a quantidade de morcegos vampiros capturados, foi observado um decréscimo nos casos de raiva em 90% ou mais e com estes resultados, concluiu-se que para o controle da raiva nos herbívoros, as medidas adotadas devem ser focadas, primeiramente na vacinação das espécies alvo e no bom planejamento e organização das medidas de controle diretamente nos principais reservatórios de Desmodus rotundus.

Ano

2009

Creators

Nilton Fidalgo Peres

Qualidade do bacalhau salgado seco comercializado em temperatura ambiente e refrigerado

O comércio varejista brasileiro expõe o bacalhau salgado seco inteiro ou porcionado sem refrigeração. Esta condição, tradicionalmente aceita pelos consumidores, contraria as especificações do fabricante de manter o produto sob refrigeração, o que frequentemente gera conflitos entre as autoridades sanitárias e o comércio. Perante este fato, o presente estudo avaliou parâmetros microbiológicos e físico-químicos de 56 amostras de bacalhau obtidas no município de São Paulo, armazenadas sob refrigeração (0 a 5ºC) e em temperatura ambiente (20ºC a 25ºC), nos tempos zero, sete e 14 dias de armazenamento. As amostras foram agrupadas em 4 categorias: A-amostras refrigeradas não manipuladas e B, C e D manipuladas, respectivamente, com zero, 7 e 14 dias de armazenamento em temperatura ambiente. A temperatura ambiente variou de 20,5 a 23,5ºC e a umidade relativa do ar de 52,5 a 67%. Pesquisaram-se: Staphylococcus coagulase positiva, Clostridium sulfito redutores, coliformes totais e termotolerantes, Salmonella spp, bolores, leveduras e bactérias halofílicas. As análises físico-químicas realizadas foram: umidade, pH, atividade de água (Aa) e resíduo mineral fixo. Não houve diferenças nos resultados obtidos entre as 4 categorias e estes apresentaram-se dentro dos limites estabelecidos pela legislação brasileira. Com relação às análises físico-químicas também não houve diferença estatística entre as 4 categorias. Os valores médios obtidos, por categoria, foram: A: 54,9% de umidade; Aa=0,748; pH=6.0; B: 54,0% de umidade; Aa=0,749; pH=6.0; C: 49,1% de umidade; Aa=0,749; pH=6.0 e para a categoria D: 50,7% de umidade; Aa=0,748; pH=6.0 e 21,6% de resíduo mineral fixo. Todos os valores de umidade encontrados estavam acima do padrão (45%); os valores de pH obtidos estavam de acordo com o padrão (6 a 7) e os valores de resíduo mineral fixo contemplaram a legislação vigente (mín. 10%). Com relação à Aa, os valores sugerem que esta é uma importante barreira para o desenvolvimento microbiano e, embora não haja padrão para este parâmetro, julga-se necessário determinar um valor referência como limite máximo. Conclui-se que, nas condições do presente estudo, o comércio do bacalhau salgado seco mantido sob refrigeração ou em temperatura ambiente por 14 dias oferece as mesmas condições de segurança sanitária para o consumidor.

Ano

2012

Creators

Camila Baltazar

Ocorrência e caracterização de rotavírus em frangos de corte, poedeiras e matrizes de criações comerciais brasileiras

Os rotavírus estão entre os principais causadores de diarreia em humanos e animais, inclusive em mamíferos e aves. Os sintomas da doença geralmente incluem diarreia e depressão, aumento da mortalidade, e \"runting and stunting syndrome\", caracterizado principalmente por perda de peso, também tem sido atribuído a infecções por rotavírus em aves. O capsídeo externo da partícula viral é formado pelas proteínas estruturais VP4 e VP7 que possuem antígenos de neutralização baseados nos quais os rotavírus são classificados em genotipos P e G, respectivamente. O capsídeo intermediário é formado pela VP6 que define os grupos de rotavírus de A-G de acordo com a reatividade de anticorpos ou sequenciamento nucleotídico desta proteína. A proteína não estrutural NSP5 está envolvida no processo de replicação viral, sendo essencial para a formação dos viroplasmas. Este estudo teve o objetivo de pesquisar a frequência de ocorrência de rotavírus dos grupos A e D, em amostras fecais de aves de diferentes criações comerciais brasileiras, seguida da caracterização dos genotipos P e G, dos rotavírus do grupo A, através de sequenciamento nucleotídico. Para isso, 111 pools de amostras fecais foram processados através das técnicas de ELISA, PAGE e RT-PCR (NSP5), resultando em 43 (38,73%) amostras positivas pelas três técnicas. Definiram-se os genotipos G5, G8 e G11 através de RT-PCR (VP7) e o genotipo G19 após reação de RT-PCR seguida de sequenciamento nucleotídico. Definiu-se ainda o genotipo P[31] a partir do sequenciamento de amostras positivas por RT-PCR (VP4). Das 111 amostras processadas por RT-PCR visando o gene codificador da VP6, obtiveram-se 4 sequências que confirmaram tratar-se de rotavírus do grupo D. Os genotipos G5, G8 e G11 estão relacionados a surtos em bovinos e suínos, enquanto que os genotipos G19 e P[31] estão descritos em aves. Conclui-se que os rotavírus encontram-se amplamente disseminados nas criações comerciais brasileiras devido à elevada frequência da ocorrência e que existe a possibilidade de transmissão interespécie.

Ano

2013

Creators

Laila Andreia Rodrigues Beserra

Enriquecimento seletivo para pesquisa de Mycobacterium bovis em leite e queijo

O Mycobacterium bovis causa a tuberculose bovina, doença zoonótica que propaga, provavelmente com baixa prevalência, em todo o território nacional e pode ser transmitida pelo leite. A adoção sistemática da pasteurização do leite contribuiu para a redução dos casos humanos da doença, mas em alguns países, como o Brasil, é comum o consumo de leite cru e de seus derivados, o que pode contribuir para ocorrência de casos humanos. A participação desse agente nos atuais índices de tuberculose humana, cujo principal agente é o M. tuberculosis, é pouco investigada, mas acredita-se que seja maior do que parece. As razões que contribuem para isso incluem o fato do tratamento humano ser o mesmo independentemente do agente,e as dificuldades e alto custo de distinguir as espécies. O método de diagnóstico \"gold standard\" em laboratório para Mycobacterium bovis em amostras clínicas é o isolamento do agente em meios como Stonebrink-Leslie ou similares. A riqueza em nutrientes dos meios, mais o lento metabolismo deste agente e o alto grau de contaminantes das amostras torna imprescindível o uso de descontaminantes que, via de regra, são tóxicos para o agente, dificultando o isolamento em amostras com níveis baixos do patógeno; cenário provável no caso do leite devido à mistura com o leite de animais sadios. Mas, a despeito de constituir-se uma importante zoonose transmitida pelo leite, não existe uma metodologia oficial para detecção desse agente em alimentos lácteos. Esses fatos justificam um estudo para avaliar o desempenho de meios líquidos, já utilizados em caros sistemas automatizados para detecção de micobactérias, como alternativa para um enriquecimento seletivo do M. bovis em amostras lácteas. Assim, amostras de leite integral esterilizado e de queijo tipo parmesão foram contaminadas com 10 a 100 UFC/ml ou g de M. bovis AN5 e enriquecidas em dois meios líquidos seletivos (MGIT e MGIT modificado), foram analisados nos dias 0, 7, 14, 21, 24, 28 e 32, mantidas em estufa a 37°C. Nessas datas, uma alíquota foi semeada em meio Stonebrink-Leslie e incubada a 37°C por 60 dias. No leite, houve crescimento exacerbado do M. bovis principalmente no MGIT modificado. No queijo, não foi possível isolar M. bovis de nenhuma amostra em MGIT modificado, devido à contaminação excessiva que deteriorou o meio de cultura. O MGIT modificado foi mais eficaz como enriquecimento para o Mycobacterium bovis, mas foi menos seletivo que o MGIT. Estudos futuros devem concentrar a investigação da curva de crescimento do agente na primeira semana de enriquecimento.

Ano

2013

Creators

Camila Noia Agunso

Caracterização funcional de uma provável colagenase de Leptospira interrogans sorovar Copenhageni

A leptospirose é uma zoonose, amplamente difundida pelo mundo, causada por espiroquetas patogênicas do gênero Leptospira, que colonizam os túbulos renais de animais silvestres e domésticos. A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto com água e solo contaminados com a urina de animais infectados que podem ser clinicamente assintomáticos. As leptospiras patogênicas invadem os tecidos do hospedeiro através da penetração da pele lesada ou mucosas da boca, narina e olhos. Logo após ultrapassar as superfícies de contato, as bactérias chegam rapidamente à corrente sanguínea e espalham-se para todos os órgãos causando lesões, principalmente, no fígado e rins onde produzem hemorragia e necrose tecidual. Após a entrada no hospedeiro, a progressão da infecção envolve a adesão das bactérias às células eucarióticas e às proteínas de matriz extracelular seguida pela invasão aos tecidos. Estudos recentes demonstraram que as leptospiras são capazes de se translocarem através das monocamadas celulares, o que poderia ser um mecanismo de evasão do sistema imune e também facilitaria a entrada e saída da corrente sanguínea para infectar órgãos-alvo. O mecanismo envolvido na invasão do patógeno através das barreiras extracelulares não está bem elucidado. Enzimas capazes de degradar proteínas da matriz extracelular poderiam contribuir com a motilidade e quimiotaxia das bactérias durante a invasão. Bactérias patogênicas sintetizam e secretam diferentes tipos de proteases, que atuam degradando colágeno e glicoproteínas entre outras proteínas do hospedeiro. Recentemente, um estudo, utilizando gelatina e caseína como substratos e lisado bacteriano, mostrou haver uma variedade de proteases em Leptospira spp. Análises do genoma indicam a presença de vários genes que codificam prováveis proteases. A comprovação experimental da existência e a caracterização funcional destas proteínas poderão contribuir no entendimento da patogenia da leptospirose. Neste sentido, este trabalho teve como objetivos a clonagem, expressão e caracterização funcional de uma provável colagenase (ColA) de L.interrogans sorovar Copenhageni. As sequências codificantes do domínio de colagenase 1 (D1), do domínio de colagenase 2 (D2) e de ambos os domínios (Full) da ColA foram amplificadas por PCR a partir de DNA genômico de Leptospira e clonadas no vetor de expressão pAE. Os fragmentos D1, D2 e Full da ColA foram expressos em E. coli BL21 - SI e purificados a partir das frações insolúveis por cromatografia de afinidade a níquel. Os fragmentos recombinantes purificados foram utilizados na obtenção dos antissoros policlonais, e as atividades enzimáticas de cada um foram avaliadas. Os antissoros policlonais produzidos em coelho apresentaram elevados níveis de anticorpos detectados por ELISA. Experimentos de Western - blotting demonstraram a presença de proteína ColA em diferentes sorovares patogênicos de Leptospira spp. As proteínas Full e D2 apresentaram atividade catalítica sobre o colágeno desnaturado e sobre peptídeo sintético e atividade hemorrágica em camundongos. Estes resultados indicam que ColA é provavelmente uma proteína de leptospira envolvidas na invasão de tecidos do hospedeiro.

Ano

2014

Creators

Vanessa Ramos Matos

Prevalências e fatores de risco associados à brucelose e à tuberculose bovinas na região de Andradina, Araçatuba, Dracena, Presidente Prudente, Presidente Venceslau e Tupã, do Estado de São Paulo, Brasil

Com o intuito de determinar a prevalência da brucelose e da tuberculose bovinas em rebanhos e em fêmeas em idade reprodutiva, além de estudar os fatores de risco relacionados a ambas as doenças, na região de Andradina, Araçatuba, Dracena, Presidente Prudente, Presidente Venceslau e Tupã, foi realizado um estudo transversal, que envolveu 93 municípios do Estado de São Paulo. Foram amostrados 247 rebanhos, dos quais coletou-se sangue de 2.177 bovídeos para o exame de brucelose e realizou-se a tuberculinização comparada em 3.678 animais. Em relação à brucelose, foram diagnosticados 30 focos, com uma prevalência de propriedades igual a 11,2% [7,9 - 15,6] e de animais 2,7% [1,5 - 4,8]. Segundo a análise de regressão logística, o fator de risco para a brucelose, considerado significante nesta região, são os rebanhos 25% maiores, ou seja, aqueles que têm mais de 23 fêmeas em idade reprodutiva, justificado por uma Razão de Odds de 4,61 [2,06 - 10,34]. A tuberculose apresentou um menor número de focos, iguais a 17, cuja prevalência de propriedades foi de 6,3% [4,0 - 10,0] e a de animais equalizou 0,3% [0,2 - 0,6]. O fator de risco para a tuberculose é a utilização de pasto comum com outras propriedades, cuja Razão de Odds equivale a 3,04 [1,1 - 8,45]. A principal conclusão é que o trânsito de bovídeos entre propriedades deve ser compulsoriamente acompanhado de documento sanitário, ou seja, da Guia de Trânsito Animal, e que esta deve ser emitida somente com a exigência de exames para as duas doenças, independente da finalidade da movimentação dos animais.

Ano

2013

Creators

Ana Paula Cunha Belchior

Avaliação de diferentes protocolos de extração de DNA para detecção de Brucella abortus a partir de materiais colhidos de feto abortado ou bezerros nascidos de vacas experimentalmente infectadas com a cepa 2308

A Brucella abortus causa diminuição da eficiência reprodutiva em bovinos e é também o agente de uma das zoonoses mais difundidas no mundo. A doença é alvo de programas de controle em muitos países e, no Brasil, seu combate foi melhor organizado a partir de 2001, com o lançamento de programa nacional pelo MAPA. O objetivo do presente estudo foi aperfeiçoar a detecção de B. abortus em homogeneizados de órgãos de fetos abortados por vacas infectadas. Assim, foram comparados diferentes protocolos de extração de DNA, visando à detecção de B. abortus pela PCR em amostras clínicas colhidas de fetos abortados ou bezerros oriundos de vacas experimentalmente desafiadas com B. abortus cepa 2308. Para tanto, foram construídos dois grupos padrão ouro com base na bacteriologia clássica, constituídos por: 32 pulmões (17 positivos ao isolamento), 26 baços (11 positivos ao isolamento), 23 fígados (8 positivos ao isolamento) e 22 linfonodos bronquiais (7 positivos ao isolamento). Todas essas amostras foram submetidas a três distintos protocolos de extração de DNA, seguidos do mesmo processo de amplificação com os primers B4 e B5. A análise dos resultados consolidados mostrou uma sensibilidade de 95% para o protocolo da proteinase K (PK), 86% para o do isotiocianato de guanidina (GT) e de 88% para o de Boom. Os valores encontrados de Sensibilidade para pulmão, baço, fígado e linfonodo foram, respectivamente, 100%, 100%, 100% e 71% (PK), 82%, 100%, 88% e 71% (GT) e 94%, 100%, 63% e 86% (Boom). No grupo dos animais dos quais não foi possível isolar brucellas (gold standard negativo), a PCR resultou positiva em 8 amostras para o protocolo de extração PK (4 pulmões, 1 fígado e 3 linfonodos), em 6 amostras para o protocolo de extração GT (1 pulmão, 3 fígados e 2 linfonodos) e em 37 amostras para o protocolo de extração Boom (10 pulmões, 10 baços, 10 fígados e 7 linfonodos). Esses resultados permitem afirmar que o protocolo de extração PK apresentou a melhor sensibilidade diagnóstica e que o protocolo de extração de Boom apresentou o melhor desempenho nas amostras onde o isolamento foi negativo. Dentre os órgãos estudados, o baço apresentou a maior probabilidade de detecção de B. abortus. Assim, a melhor estratégia para detecção de B. abortus em homogeneizados de órgãos de fetos abortados é a utilização do isolamento e da PCR em paralelo.

Ano

2008

Creators

Marianna Matrone

Diversidade gênica do coronavírus felino em populações virais entéricas e sistêmicas intra e inter-hospedeiros

O coronavírus felino (FCoV) ocorre sob uma grande diversidade gênica de amostras e é classificado em dois patotipos: o coronavírus felino entérico (FECoV) e o vírus da peritonite infecciosa felina (FIPV). O patotipo FIPV é altamente virulento e responsável pelo desenvolvimento de uma doença altamente fatal, denominada de peritonite infecciosa felina (PIF). Já o FECoV apresenta-se amplamente disseminado na população felina e é responsável na maioria das vezes por infecção assintomática. Atualmente, nenhum marcador gênico conhecido é capaz de diferenciar os patotipos FECoV de FIPV. O presente estudo foi dividido em dois capítulos. No primeiro capítulo, objetivou-se avaliar a diversidade molecular do gene da membrana (M) em 190 amostras provenientes de 5 gatos sem manifestações de PIF (PIF-) e de 10 gatos com manifestações clínicas e histopatológicas de PIF (PIF+). Com esse estudo, conclui-se que tanto a hipótese de mutação in vivo do FECoV para FIPV, quanto a hipótese de transmissão entre gatos do patotipo FIPV são plausíveis. No segundo capítulo, com o objetivo de avaliar a diversidade dos genes 3a-c, E e M foram sequenciados clones de amplicons para estes genes obtidos, de 6 gatos PIF+ e 2 gatos PIF-. Os genes 3a-c, E e M apresentaram diversidade gênica que confere a constituição das quasiespécies de coronavírus felino com probabilidade de emergência do patotipo de alta virulência, mas de um modo hospedeiro-específico. Com o segundo estudo, conclui-se que as linhagens FIPV de coronavírus felino apresentaram a proteína 3c truncada, sendo o gene 3c o único marcador de patotipo dos FCoVs observado dentre os genes estudados.

Ano

2014

Creators

Aline Santana da Hora

Avaliação do Spoligotyping, MIRU-VNTR e Multispacer Sequence Typing na discriminação de isolados autóctones de Mycobacterium bovis

A tuberculose continua sendo uma importante doença infecciosa, tanto nos humanos quanto nos animais, com índices de morbidade e mortalidade significativos e perdas econômicas em todo o mundo. A tuberculose bovina é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium bovis, que gera perdas na produção nos rebanhos infectados, sendo também considerada uma importante zoonose. Os métodos de diagnóstico direto têm fundamental importância para um sistema de vigilância para a tuberculose bovina e a agregação de métodos moleculares, notadamente aqueles que têm aplicação em epidemiologia, traz maior precisão diagnóstica para esses sistemas. Dentre as técnicas moleculares, destacam-se o TB Multiplex PCR, o RD Multiplex PCR e o Multispacer Sequence Typing, para a identificação dos isolados e o Variable Number Tandem Repeat (VNTR) e o Spoligotyping, como técnicas de fingerpint de M. bovis. Assim, o presente estudo teve como objetivo a identificação molecular de amostras oriundas de várias regiões do Brasil utilizando estes padrões de técnicas moleculares. Os espoligotipos identificados em maior abundância foram o SB0121, o qual apresentou-se amplamente distribuído entre as amostras, seguido pelo SB0295, SB1380, SB0140 e SB1050. Além disso, foram detectados quatro perfis nunca antes descritos na literatura, sendo que um deles foi o terceiro mais frequente entra as amostras pesquisadas. Os resultados observados neste trabalho demonstraram ainda que a tipagem pelo MIRU-VNTR revelou-se superior ao Spoligotyping para discriminar os isolados. Nesta perspectiva, acredita-se que as pesquisas moleculares voltadas a identificação de micobactérias, aliadas as técnicas epidemiológicas tradicionais, possam melhorar sensivelmente a performance dos sistemas de vigilância para tuberculose bovina no Brasil.

Ano

2013

Creators

Vivianne Cambuí Figueiredo Rocha

Caracterização genotípica de cepas de Haemophilus parasuis

Haemophilus parasuis é um dos agentes bacterianos que tem assumido grande importância na indústria suinícola nos últimos anos. Por muitos anos foi considerada uma doença esporádica de suínos jovens, no entanto, com o surgimento de doenças imunossupressoras ou com o aumento da criação de suínos com alto status sanitário, sua freqüência vem assumindo proporções cada vez maiores. A caracterização das cepas através de métodos fenotípicos como a sorotipagem não tem sido suficiente para os estudos epidemiológicos sobre esta bactéria, uma vez que muitos isolados não são sorotipificáveis. Os objetivos deste estudo foram caracterizar os isolados através da sorotipagem, do Polimorfismo do Comprimento de Fragmentos Amplificados (AFLP) e da Eletroforese em Gel de Campo Pulsado (PFGE), comparando os resultados obtidos. Dentre as 51 cepas de Haemophilus parasuis avaliadas uma foi classificada como sorotipo 2, doze como sorotipo 4, seis como sorotipo 5, quatro como 13 e sete como sorotipo 14, sendo que vinte e uma amostras não foram sorotipificáveis. Através do AFLP foi possível caracterizar todos os isolados, com um índice discriminatório de 0,98, porém esta técnica não demonstrou uma boa reprodutibilidade. Através da PFGE utilizando a enzima Sma I apenas 14 cepas foram genotipadas, porém com a enzima Not I, todas apresentaram padrões de bandas e o índice discriminatório obtido foi de 0,95. Os perfis obtidos através da PFGE com a enzima Not I apresentaram a melhor correlação com os dados de origem das cepas e seus sorotipos, indicando que a técnica possui um bom potencial para aplicação em estudos epidemiológicos.

Ano

2008

Creators

Karina Salvagni Castilla

Filogenia molecular de protozoários pertencentes à sub-família Toxoplasmatinae pela análise de genes mitocondriais e de apicoplasto

Os membros da sub-família Toxoplasmatinae conhecidos são Hammondia hammondi, Toxoplasma gondii, Neospora hughesi, Neospora caninum, Hammondia heydorni e Besnoitia spp. Os cães (e provavelmente outras espécies de canídeos) são hospedeiros definitivos de N. caninum e H. heydorni. Os oocistos destas espécies de coccídios são morfologicamente indistinguíveis de forma que o diagnóstico coprológico diferencial entre os dois agentes é virtualmente impossível, se utilizadas metodologias convencionais de diagnóstico. Situação análoga é verificada com os gatos (e outras espécies de felídeos) com relação à infecção por T. gondii e H. hammondi. O objetivo deste trabalho foi propor a reconstrução filogenética de protozoários pertencentes à sub-família Toxoplasmatinae pela análise de seqüências de nucleotídeos de genes mitocondriais e de apicoplasto. Foram empregadas seqüências gênicas de CytB mitocondrial e de dois genes de apicoplasto, o gene codificador da subunidade beta de RNA polimerase DNA dependente (RpoB) e o gene codificador de proteína caseinolitica (ClpC). Pelas análises filogenéticas e de variabilidade nucleotídica e de aminoácidos, verifica-se que a espécie H. heydorni é eqüidistante de todas as outras espécies de toxoplasmatineos. Os posicionamentos relativos dos gêneros Toxoplasma, Neospora e Hammondia nas árvores filogenéticas não foram congruentes em todas as reconstruções, pois dependendo dos táxons que são empregados como grupos externos, as topologias das reconstruções variam e os clados formados são estatisticamente pouco suportados. Assim, a reconstrução de topologias produzindo com ramos curtos que derivam nós de baixo suporte estatístico, somado à eqüidistância evolutiva entre os táxons avaliados (Neospora spp., H. heydorny e T. gondii) permite supor que uma politomia consistente explicaria a evolução para estes organismos, ou seja, a resolução para o posicionamento relativo entre estes táxons poderia ser resultado de evolução radiada. Os genes de organelas mostraram-se mais conservados em relação aos genes nucleares. Embora os genes de apicoplasto possam ser mais conservados que genes nucleares, eles parecem ter relações entre substituições não sinônimas e substituições sinônimas consideravelmente superiores àquelas de genes nucleares e mitocondriais, o que pode indicar que os produtos gênicos estejam sendo submetidos a pressão seletiva positiva. No caso dos genes mitocondriais e nucleares, é possível supor que os mesmos estejam submetidos à pressão seletiva negativa, indicando que as substituições tendem a ser deletérias aos organismos e por isso as mudanças nos produtos gênicos devam ser menos freqüentemente registradas. Ainda, a variabilidade em sítios não sinônimos é consideravelmente superior para seqüências de apicoplasto em relação às demais, particularmente no caso das seqüências RpoB. Também em termos de variabilidade em sítios não sinônimos, percebe-se que as seqüências de genes de apicoplasto de H. heydorni são tão distintas das de T. gondii quanto de N. caninum. Nas análises realizadas com genes de apicoplasto, é marcante a divergência entre as duas linhagens de H. heydorni. Vale ressaltar que as diferenças genotípicas entre as duas linhagens de H. heydorni são maiores que as diferenças entre as duas espécies reconhecidas de Neospora, indicando que as duas linhagens de H. heydorni poderiam ser classificadas como duas espécies distintas, se apenas critérios de evolução molecular fossem considerados.

Ano

2010

Creators

Michelle Klein Sercundes

Análise espaço-temporal da leishmaniose visceral americana no município de Bauru, São Paulo

Uma análise espaço-temporal da leishmaniose visceral americana (LVA) humana no município de Bauru foi conduzida baseada em 239 casos diagnosticados entre junho de 2003 a outubro de 2008. O georreferenciamento, tomando como unidade os setores censitários, foi realizado a partir de informações cedidas pela Secretaria de Saúde de Bauru a respeito do endereço residencial dos pacientes acometidos pela enfermidade. A análise da distribuição espacial da doença demonstrou que os casos ocorreram especialmente na área urbana do município. As incidências cumulativas anuais de LVA, considerando os casos adotados por ano e as respectivas projeções populacionais, foram calculadas, evidenciando que a taxa mais elevada foi observada em 2006. Tal fato foi confirmado pelo delineamento da série histórica, que também derivou o cálculo da tendência, demonstrando que esta foi positiva durante o período analisado. O índice sazonal obtido foi confrontado com dados referentes às médias mensais de precipitação pluviométrica e temperatura do município, o que nos permitiu inferir que meses que obtiveram índices com valores superiores a um, eram, de maneira geral, precedidos por períodos chuvosos. A variável temperatura, por sua vez, apesar de provavelmente estar relacionada à ocorrência da enfermidade na região, aparentemente não exerceu influência na sazonalidade da doença por se apresentar sem oscilações importantes no período. A análise de clusters, utilizando o método estatístico espaço-temporal scan, detectou um provável aglomerado localizado nas regiões sudoeste e central do município no ano de 2006. Uma análise descritiva univariada, comparando setores censitários que apresentaram LVA com relação aos que não relataram casos da doença, foi conduzida. Apesar da diferença significativa observada entre os dois grupos, novos estudos são necessários para se confirmar a hipótese de que variáveis socioeconômicas são prováveis fatores de risco para a infecção na região.

Ano

2010

Creators

Vanessa Aparecida Feijó de Souza

Algumas contribuições ao Projeto Para Viver de Bem com os Bichos (PVBB) enfoque: fauna sinantrópica

O projeto educativo Para Viver de Bem com os Bichos PVBB tem sido aplicado junto a instituições de ensino da Cidade de São Paulo - SP, Brasil e consta de dois módulos: Posse Responsável e Fauna Sinantrópica. O presente estudo foi delineado para analisar a dinâmica deste processo educativo, avaliando o papel dos sujeitos no repasse das informações sobre animais sinantrópicos. Houve o acompanhamento do curso de formação oferecido pelo Centro de Controle de Zoonoses em São Paulo-SP-Brasil, com avaliação dos conteúdos apreendidos pelos multiplicadores e da ação de duas multiplicadoras, professores, alunos e responsáveis em uma unidade de ensino. Foram utilizados questionários de auto-preenchimento, com questões abertas para a análise de conteúdos que após a categorização foram submetidos ao teste de McNemar e concordância kappa. Questões semi-abertas foram utilizadas para caracterizar os grupos sociais homogêneos. A análise de correspondência foi utilizada para estabelecer relações entre respostas e grupos sociais homogêneos. Constatou-se que a implementação do PVBB contribui para a melhoria do grau de conhecimento dos multiplicadores sobre fauna sinantrópica; entretanto a participação no curso do CCZ. A participação dos multiplicadores no curso não foi suficiente para instrumentá-los para o repasse de conteúdos do projeto e de informações técnicas em sua unidade de ensino. Os professores contribuíram no repasse de informações aos alunos dentro das possibilidades que lhes foram oferecidas. Não houve impacto significativo no repasse de informações dos alunos aos seus responsáveis entretanto é interessante observar que, quando da sua existência, este repasse variou nos grupos sociais homogêneos detectados e na condição de haver oportunidade de diálogo em casa.A utilização da agregação das famílias dos sujeitos, em grupos sociais homogêneos, permitiu avaliar a inserção social dos mesmos.A análise feita com a utilização dos grupos sociais homogêneos permitiu avaliar tendências de associações diferenciadas entre os GSH e as respostas citadas pelos responsáveis.

Ano

2010

Creators

Miguel Bernardino dos Santos

Papel da infecção por Parvovirus suíno e Leptospira spp. na ocorrência de mortalidade fetal e embrionária em suínos

Perdas devido à natimortalidade, mumificação fetal, abortamentos e morte embrionária são responsáveis por uma considerável queda no desempenho da indústria suinícola no Brasil e no mundo. Dentre os agentes mais freqüentemente descritos como causadores de falhas reprodutivas em suínos pode-se citar o Parvovírus suíno, Leptospira spp. O diagnóstico das causas infecciosas de mortalidade embrionária e fetal torna-se muitas vezes inviável pelo estado de autólise do material ou dificuldades inerentes às características de crescimento do vírus ou bactéria envolvido. O presente estudo teve por objetivo avaliar os resultados obtidos no período de oito anos de detecção de Parvovirus suíno e Leptospira spp. em falhas reprodutivas e discutir alguns aspectos relativos ao diagnóstico destas infecções. Foram avaliados 1901 fetos, sendo coletadas de cada animal, uma amostra de pool de órgãos e uma de conteúdo gástrico, perfazendo um total de 3642 análises. Observou-se uma freqüência de 27,6% dos fetos positivos para Parvovirus suíno, 19,8% positivos para Leptospira spp e 1,1% positivos para os dois agentes em associação. Dentre as 339 granjas avaliadas em oito Estados Brasileiros, 48,5% foram positivas para um ou ambos agentes pesquisados. Avaliou-se a freqüência de fetos positivos em casos de abortamento, natimortalidade e mumificação fetal e comparou-se a eficiência da pesquisa dos agentes em amostras de órgãos, conteúdo gástrico e em ambos. Os resultados obtidos indicam a grande importância destes agentes infecciosos nos quadros de falha reprodutiva em granjas de suínos no Brasil, apesar da ampla utilização de vacinas contra os mesmos. .

Ano

2010

Creators

Roberto de Andrade Bordin

Ecologia de carrapatos e riquétsias transmitidas por carrapatos em uma reserva natural de cerrado brasileiro

O Parque Nacional Grande Sertão Veredas (PNGSV) é uma das últimas reservas naturais de Cerrado do Brasil, localizada no noroeste de Minas Gerais. O presente estudoenvolveu 24 meses de trabalho de campo, que incluiuoito campanhas ao parque, intervaladas de três meses, com o objetivo de determinar a ocorrência e aspectos ecológicos de carrapatos e riquétsias no meio ambiente, em pequenos mamíferos e aves.No total 8488 carrapatos foram coletados durante as campanhas. Foram coletados nas armadilhas de CO2 3050 carrapatos, sendo 2369 A. sculptum, 337 A. parvum, 233 A. triste, 13 A. dubitatum e 98 Amblyomma spp., enquanto por arraste de flanela 1998 carrapatos foram coletados, sendo 1511 A. sculptum, 77 A. parvum, 83 A. triste, um A. dubitatum e 326 Amblyomma spp. Foram capturados 75 pequenos mamíferos de 16 espécies, 10 pertencem à ordem Didelphimorphia e 65 à ordem Rodentia, 48 (64%) deles estavam parasitados por carrapatos, sendo 208 ninfas (114 A. parvum, 64 A. triste, 23 A. auricularium, quatroA. sculptum, umA. dubitatum, umA. naponense e umAmblyomma spp.) e 1358 larvas (93 Ornithodoros mimon, 17 A. triste, 14 A. parvum, quatroA. auricularium, trêsA. Sculptum, umIxodes spp. e 1226 larvas não identificadas). Foram capturadas 717 aves de88 espécies, destas, 74 (10,3%) estavam parasitadas por 247 espécimes de carrapatos imaturos, sendo seisA. sculptum, 14 A. parvum, 29 A. triste, umA. dubitatum, 66 A. nodosum e 131 Amblyomma spp.Cinco isolados de R. parkeriforam obtidos de 12 A. tristee quatro isolados de R. belliiforam obtidos de oito A. parvum, além de detecção molecular de Candidatus R. andeanae em A. parvum e R. amblyommi em A. sculptum.Nas duas propriedades rurais, de 36 caninos, 20 equinos e 12 bovinos inspecionadosforam coletados 1186 carrapatos, sendo 639 A. sculptum, 58 A. parvum, quatroA. triste, 17 A. tigrinum, um A. ovale, 17 R. sanguineus, 177 R. microplus, 91 D. nitens e 182 do gênero Amblyomma. Foram coletados parasitando 21 humanos um total de 441 carrapatos, entre imaturos e adultos, sendo 333 A. sculptum, 64 A. parvum, trêsA. auricularium, doisR. microplus e umD. nitens. Sorologia foi realizada em 64 amostras, sendo que apenas 20 (31,25%) sororeagiram para algum dos seis antígenos de Rickettsia testados e foi observado títulos quatro vezes maiores para R. parkeri em dois O. delator e doisC. Tener. Os resultados mostram a riqueza de espécie de pequenos mamíferos, aves, carrapatos e riquétsias encontrados na pequena área estudada no parque. Com a sua abertura à visitação turística, deve-se ter em mente não apenas o risco de infestação por carrapatos, mas também a infecção por, pelo menos, quatro espécies de Rickettsia encontradas durante a pesquisa

Ano

2016

Creators

Amalia Regina Mar Barbieri

Avícolas: o abate informal de aves e o contexto sanitário no município de São Paulo

É imprescindível a produção de alimentos em maior quantidade, segurança e qualidade, sob processos que equilibram o máximo possível interesses econômicos, sociais, culturais, políticos e ambientais, com motivação não apenas no aspecto técnico, mas em uma abordagem mais humanizada. Assim, atenuando os problemas de produção não só com instrução, mas mostrando a importância do produtor de alimentos como agente promotor de Saúde Pública. O Brasil possui uma legislação sanitária rigorosa que orienta, regula e normatiza os procedimentos e cuidados a serem adotados na produção de alimentos. Entretanto há questões culturais que frequentemente entram em conflito com as leis. O abate informal de aves e o contexto sanitário no município de São Paulo é assunto riquíssimo de se discutir, pois há toda uma legislação de esferas diferentes que regula o assunto em questão; ações e crenças populares que influenciam a prática; a questão étnica dos atores desse cenário. Em paralelo, o consumidor (ou mercados externos) torna-se mais exigente a cada dia quanto a segurança e qualidade. Na primeira parte deste trabalho há a apresentação do conceito de Segurança Alimentar; a contextualização e desenvolvimento da Avicultura Brasileira; a situação do abate informal no Brasil e impactos na Saúde Pública; o papel do Médico Veterinário em relação às avícolas. Considerando a escassez de trabalhos direcionados especificamente a este tema objetivou-se fazer uma análise crítica sobre a existência e funcionamento das &ldquo;Avícolas&rdquo; na cidade de São Paulo, identificar os fatores facilitadores do funcionamento deste tipo de estabelecimento e discutir ações para mitigar os riscos sanitários envolvidos nesta atividade, com enfoque na hipótese de que são informais, ilegais e clandestino, oferecendo risco à Saúde Pública, que não é viável sua existência nos moldes atuais, porém são possíveis modificações para viabiliza-los. Na segunda parte é apresentado o cenário das avícolas no município em uma estimativa de cerca de 3900 estabelecimentos, porém não existem dados oficiais exatos sobre o assunto. Através de vistorias foi possível constatar que os locais não ofereciam condições para alojamento dos animais pensando na segurança pública e bem estar animal, tampouco de executar a atividade que se propõe. O ambiente de trabalho é promíscuo, não há cuidados com o colaborador, dejetos, tampouco implantação de programas de autocontrole e/ou boas práticas de fabricação. Confrontando a legislação vigente com essa realidade são estabelecimentos informais e ilegais, infringindo diversas leis sanitárias, ambientais, trabalhistas e fiscais. Impacta em potencial as finanças públicas pelo potencial zoonótico desta prática. A comercialização de aves em Avícolas se mantém, predominantemente pela falsa crença de que são animais saudáveis, igual aos frangos criados no sítio, remetendo a uma memória emocional das pessoas, que compram um produto mais caro sem condições mínimas necessárias. Em 2006 houve um projeto de lei municipal na tentativa de legalizar a prática por integrar a cultura de etnias específicas, como os orientais. Como perspectivas para regularização das Avícolas e otimização da fiscalização é possível a criação de um banco de dados integrado entre os órgãos estatais diretamente envolvidos possibilitando cruzar, relacionar e complementar informações pertinentes a esta questão, levando a um olhar mais amplo do setor produtivo, do delineamento estratégico de controle e vigilância sanitária, análise de dados e resultados ao longo das ações. Também, fortalecer o sistema de fiscalização, sendo mais efetiva e presente, implantar categoria &ldquo;Avícolas&rdquo; no sistema de cadastro da vigilância sanitária municipal e projetos de leis pertinentes à área contarem com participação e discussão de profissionais e acadêmicos da área de interesse. Ainda, a organização em cooperativa de criação e/ou produção, possibilitando a implantação de SUASA e/ou SIM, organizando e regulamentando a prática. O investimento em informação e educação para comerciantes e população é uma arma eficaz de longo prazo para o combate à prática

Ano

2016

Creators

André Luiz Assi

Caracterização epidemiológica da brucelose bovina no Estado de Rondônia

Perante a importância do Programa Nacional de Controle Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) para as cadeias produtivas de carne e leite, para os consumidores de produtos de origem animal, para a imagem que o país projeta nos mercados mundiais e tendo em vista os altos custos inerentes aos procedimentos necessários para se atingir os objetivos do programa, faz-se necessária à realização de estudos que visem elucidar a situação epidemiológica da brucelose no plantel bovino nacional, incluindo-se o rebanho rondoniense, objetivando-se a escolha de condutas e estratégias adequadas e criação de um mecanismo racional de verificação da efetividade das ações implementadas em cada região produtora. Como conseqüência, foi composta uma parceria envolvendo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ-USP para promover a condução de estudos soroepidemiológicos nos Estados. O Estado de Rondônia foi dividido em três regiões homogêneas (circuitos produtores de bovinos), as quais foram caracterizadas epidemiologicamente e onde foram realizados estudos de prevalência. Os resultados indicaram uma prevalência aparente de 34,57% [31,49; 37,65], sendo a prevalência aparente por circuito: circuito 1, 41,48% [35,95; 47,18], no circuito 2, 31,70% [26,52; 37,24] e no circuito 3, 31,61% [26,47; 37,11].A prevalência de fêmeas com idade igual ou superior a 24 meses soropositivas no Estado foi de 6,22% [4,88-7,56]. A prevalência de fêmeas com idade igual ou superior a 24 meses soropositivas por circuito foi: circuito 1 8,33% [5,90-10,76%], circuito 2, 5,95% [4,30-7,61%], circuito 3, 4,60% [2,54-6,65%]. A alta prevalência dos focos apresenta-se distribuída de maneira homogênea entre os circuitos. Os fatores de risco associados à condição de foco foram: histórico de aborto OR= 1,42 [1,04-1,95] e exploração de corte OR= 1,75 [1,30-2,38]. Faz-se importante ressaltar que o presente estudo é inédito para a Unidade Federativa e o conhecimento da situação inicial permitirá acompanhar o andamento do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) e julgar a necessidade de promover correções, evitando o desperdício de tempo e recursos.

Ano

2009

Creators

Karina de Senna Villar

Impacto educativo do projeto \"Para Viver de Bem com os Bichos\", módulo cães e gatos, realizado em Unidades Educacionais do Município de São Paulo, no ano de 2008

O projeto educativo \"Para Viver de Bem com os Bichos\" foi implantado nas Unidades Educacionais do Município de São Paulo em 2002, destinado à difusão e promoção do conceito da posse responsável de animais de estimação, em especial de cães e gatos e desde então, trabalhou com professores de 1.605 escolas da cidade. O presente estudo foi delineado para analisar a dinâmica do processo educativo, verificar o impacto da metodologia empregada e o papel do professor como multiplicador no repasse das informações que compõem o projeto oferecido no ano de 2008. No primeiro momento foram avaliados os professores (G1) e em seguida os professores multiplicadores (G2) nas respectivas unidades de ensino. As avaliações foram feitas com a utilização de questões abertas e para a análise das respostas obtidas, utilizou-se o teste de McNemar. O conhecimento prévio dos professores sobre a posse responsável de animais de estimação mostrou-se insatisfatório quanto aos principais cuidados com animais, zoonoses e sua prevenção, cuidados pré e pós-agressão, método de controle reprodutivo e sua justificativa. O curso proporcionou a aquisição de conhecimento sobre os temas abordados, mas não foi suficiente para garantir a ação dos professores capacitados como instrumentos de repasse de informação técnica do projeto em sua unidade de ensino. Devem ser criados mecanismos de acompanhamento do desempenho do professor multiplicador em suas unidades de trabalho. Recomenda-se que políticas públicas sejam estabelecidas para facilitar a atividade educativa e diminuir os problemas que inviabilizam a possibilidade da teoria ser aplicada na prática.

Isolamento e detecção molecular do Toxoplasma gondii (Nicolle e Manceaux, 1909) de moluscos bivalves marinhos comercializados no mercado de peixes do Município de Santos no Estado de São Paulo

A toxoplasmose é uma zoonose de distribuição mundial. O Toxoplasma gondii infecta o Homem e a maioria dos animais homeotérmicos. A ingestão de oocistos esporulados é uma das formas de transmissão desse protozoário. Oocistos de T. gondii podem esporular na água do mar e manter a infectividade por até seis meses. Moluscos bivalves podem filtrar e reter oocistos de T. gondii da água do mar em condições experimentais. O objetivo deste trabalho foi investigar a presença de T. gondii em ostras (Crassostrea rhizophorae) e mariscos (Mytella guayanensis) em condições naturais. Um total de 300 ostras e 300 mariscos foram adquiridos no Mercado de Peixes do município de Santos no estado de São Paulo no período de 05/03/2008 a 29/08/08 e divididos em 60 grupos de cinco ostras e 20 grupos de 15 mariscos. Para o isolamento do parasita, cinco camundongos foram inoculados oralmente com homogenados dos tecidos de cada grupo de ostras ou mariscos. Para a detecção molecular, o DNA dos tecidos dos mariscos foi extraído pelo método de fenol-clorofórmio e o das ostras, pelo método de isotiocianato de guanidina, Em seguida, foi realizada a nested-PCR (Reação em Cadeia pela Polimerase) baseada na amplificação de um fragmento de 155pb do gene B1 de T. gondii. A genotipagem das amostras de T. gondii detectadas foi feita usando a PCR-RFLP (Polimorfismo de Comprimento de Fragmentos de DNA gerados por Enzimas de Restrição) usando os marcadores SAG1, SAG2, SAG3, BTUB, GRA6, c22-8, c29-2, L358, PK1, CS3 e Apico. Não houve isolamento do parasita pelo bioensaio em camundongos. Nos grupos de mariscos, o T. gondii não foi detectado pela n-PCR e, nos grupos de ostras, houve detecção do T. gondii em dois grupos (3,3%). Não foi possível a genotipagem das amostras de T. gondii detectadas. O presente estudo permitiu concluir que ostras da espécie Crassostrea rhizophorae podem filtrar e reter oocistos de T. gondii e que o ambiente marinho do litoral do estado de São Paulo encontra-se contaminado com oocistos desse parasita. Assim, o consumo de ostras cruas pode representar uma potencial via de transmissão de T. gondii para o Homem e para os animais marinhos.

Ano

2009

Creators

Patricia de Oliveira Esmerini