Repositório RCAAP
Caracterização biológica, antigência e genética de amostras de vírus da raiva isoladas de animais domésticos e de seres humanos no Estado do Maranhão
Analisou-se 54 amostras de vírus da raiva isoladas de diferentes espécies animais e de seres humanos do Estado do Maranhão, inicialmente pelas técnicas tradicionais de imunofluorescência direta (IFD) e de inoculação intracerebral em camundongos (ICC), com o objetivo de realizar um estudo de epidemiologia da doença. No reteste, todas as amostras foram positivas na IFD e 19 resultaram negativas à ICC. O comportamento biológico dos isolados foi estudado em camundongos, revelando um período de incubação entre 7 e 17 dias, com sinais clínicos variados e duração média de 4 dias. Para a avaliação da patogenicidade, foram selecionadas cinco amostras do estudo, oriundas de diferentes espécies, como vírus de desafio nos camundongos imunizados com uma vacina comercial de vírus inativado. Os resultados do desafio indicaram que a proteção conferida pela vacina foi baixa para todas as amostras. A presença de anticorpos no soro dos camundongos vacinados foi demonstrada em diferentes períodos de vacinação. A tipificação antigênica de quatro amostras de vírus foi realizada pela imunofluorescência indireta (IFI) utilizando um painel de anticorpos monoclonais (MAbs) procedentes do Canadian Food and Inspection Agency, Ottawa, Canadá, identificando o perfil correspondente à variante de morcego hematófago Desmodus rotundus. Na caracterização genética com base nos genes que codificam a glicoproteína G e nucleoproteína N, observou-se que os isolados foram divididos em dois grupos genéticos independentes associados a ciclos endêmicos distintos. Esses resultados permitem concluir que no Estado do Maranhão circulam pelo menos duas variantes do vírus da raiva, mantidas por carnívoros terrestres e morcegos hematófagos. Destaca-se que houve variação regional entre as amostras isoladas em diferentes áreas geográficas. Além disso, foram constatados hospedeiros inesperados nos clados formados. Também, não houve variação temporal nas amostras pesquisadas.
2008
Cristina de Jesus Câmara Brito
Mozzarella de búfala: avaliação da reação em cadeia pela polimerase (PCR) para detectar fraude devido à adição de leite de vaca ao de búfala
Mozzarella de búfala é um queijo de fácil fabricação e que tem grande aceitabilidade no mercado. Esses fatos, associados ao melhor rendimento de fabricação e maior valor agregado, quando comparado ao similar feito com leite de vaca, têm estimulado a fraudação. Embora a PCR já seja uma técnica reconhecida para garantir a autenticidade da mozzarella de búfala em outros países, é necessária sua validação para as condições do rebanho nacional. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a PCR para a detecção de adulteração de queijo tipo mussarela de búfala no Brasil, em condições experimentais. Utilizou-se dois primer, já descritos na literatura, para detecção do gene citocromo b (cytb) de bovino e de bubalino. Esses primers foram testados em sangue das raças Nelore e Holandês (representantes, respectivamente, das espécies Bos indicus e Bos taurus), e em sangue da raça Mediterrânea (Bubalus bubalis). Também foram testados em leite e na mozzarella, tanto nos produtos puros como em misturas. Os primers reconheceram especificamente o DNA bovino e bubalino tanto no sangue quanto no leite e mozzarella. A técnica foi mais sensível para detectar a fraude na mozzarella que no leite. Na mozzarella foi possível detectar a presença de 0,01% de leite bovino adicionado ao de búfala, utilizando uma técnica de extração (Fenol/Clorofórmio) e 0,05% de adição, quando se fez outro método de extração (Kit Nucleospin Food). Os resultados mostraram que a técnica é muito sensível e pode ser empregada como método para assegurar a autenticidade do produto, especialmente se a fábrica produzir exclusivamente produtos de leite de búfala. No entanto, se o fabricante utilizar os mesmos equipamentos para a fabricação de produtos de búfala e de vaca, a técnica pode gerar resultados falsos positivos (quanto à fraude).
2010
Gisele Oliveira de Souza
Isolamento e caracterização de Pasteurella multocida provenientes de animais de companhia
Pasteurella multocida é o agente causador de muitas doenças de importância econômica em medicina veterinária e tem sido descrita como um agente de alto potencial zoónotico. No Brasil, ao contrário do que se observa na literatura internacional, informações sobre a frequência deste agente em animais de companhia como cães, gatos e coelhos são inexistentes. O presente estudo teve como proposta isolar cepas de Pasteurella multocida a partir de cães, gatos e coelhos, avaliar a freqüência deste agente nestas espécies animais, caracterizar os isolados de acordo com o tipo capsular e genes codificadores de fatores de virulência através da reação em cadeia pela polimerase, avaliar o perfil de resistência a antimicrobianos dos isolados obtidos e caracterizar as amostras através da PFGE. Foram examinados 640 animais, sendo 191 gatos, 309 cães e 140 coelhos. Dentre os animais examinados 8,1% foram positivos para o isolamento de P. multocida, sendo 10,4% dos gatos, 0,9% dos cães e 20,7% dos coelhos avaliados. Dentre as 93 cepas selecionadas 22,5% foram sensíveis a todas as drogas testadas, 77,4% das cepas foram resistentes a pelo menos uma droga utilizada e 5,3% foram apresentavam resistência a três ou mais drogas. Através da PFGE foram observados 39 pulsotipos com índice discriminatório igual a 0,97. Todos os genes codificadores de fatores de virulência foram detectados em pelo menos um isolado, sendo que nenhum destes esteve presente em 100% das cepas avaliadas.
2011
Thaís Sebastiana Porfida Ferreira
Prevalência da Brucelose e Tuberculose Bovina nas regiões do Vale do Paraíba, metropolitana de São Paulo e litoral norte do Estado de São Paulo
Foi realizado um estudo da situação epidemiológica da brucelose e tuberculose bovina na região denominada, neste estudo, de circuito pecuário 7, da qual fazem parte o Vale do Paraíba, a região metropolitana de São Paulo (incluindo a capital e a grande São Paulo) e o litoral norte do Estado. Este estudo tem por finalidade estimar a prevalência de focos e de animais positivos para brucelose e tuberculose e comparar os resultados obtidos para brucelose com o estudo prévio para a mesma região do Estado de São Paulo de Dias et al., 2009 E definir os fatores de riscos para ambas as doenças na região. As propriedades a serem visitadas foram sorteadas aleatoriamente e durante a visita, um questionário epidemiológico foi aplicado, amostras de sangue foram coletadas e a inoculação nos animais foi realizada de acordo com o número de fêmeas bovinas acima de 24 meses existentes na propriedade. A prevalência de focos para brucelose foi de 8,4% (IC 95%: [5,3-12,6%]) e a de tuberculose de 13,3% (IC 95%: [9,3-18,1%]). A prevalência de animais foi de 1,1% (IC95%: [0,6-2,0%]) para brucelose e 1,9% (IC95%%: [1,2-3,0%]) para tuberculose. Não houve modelo de regressão múltipla que explicasse quais fatores de risco poderiam levar à ocorrência de brucelose, já para a tuberculose a análise múltipla indicou que a existência de mais de 10 (dez) vacas em lactação na propriedade rural está associada ao aumento da prevalência de tuberculose na propriedade (OR=8,25 IC 95%: [3,11-21,87%]).
2013
Arianne Mastrangi Amiti Santos
Caracterização e comparação molecular de estirpes de referência e de campo do vírus da bronquite infecciosa das galinhas
A bronquite infecciosa é uma doença viral, aguda e altamente contagiosa que afeta as aves da espécie Gallus gallus, de todas as idades, causando grandes perdas econômicas devido à mortalidade, queda na produção e qualidade dos ovos. Variações na sequência de aminoácidos na região hipervariável da subunidadade S1 da proteína de espícula (S) levam à emergência de novos sorotipos do vírus da bronquite infecciosa das galinhas (IBV). Este estudo teve como objetivo seqüenciar parcialmente o gene S1 para determinar a relação filogenética entre amostras vacinais e de campo com o intuito de investigar os genótipos circulantes. Cento e sessenta amostras foram coletadas, na forma de pools, de plantéis sintomáticos durante 2009/2010. Cada pool continha tecidos de 3 a 5 aves e foram compostos por diferentes órgãos (traquéia, pulmões, rins, conteúdo entérico, trato reprodutivo e swabs traqueais). As amostras foram triadas para a presença de IBV utilizando-se uma nested RT-PCR, direcionada a região 3UTR. As amostras positivas, (n=89) foram submetidas a nova nested RT-PCR dirigida para o gene S, resultando em 10 amplicons de 390pb que foram então submetidos a seqüenciamento de DNA e análise filogenética. As amostras brasileiras segregaram-se em dois grupos filogenéticos: Massachusetts (Mass) e tipos marcadamente brasileiros. Seis amostras agruparam-se no grupo Mass, com vacinas vivas atenuadas utilizadas no Brasil. Quatro amostras agruparam com cepas de campo brasileiras previamente descritas (acesso no GeneBank: FJ791257 to FJ791273). A identidade de aminoácidos no grupo Mass variou de 98% a 100%, sugerindo a detecção de vírus vacinal. Enquanto que entre as amostras brasileiras e o grupo Mass, a variabilidade de aminoácidos foi de 79% a 81%. Esses resultados mostram uma variação importante em genótipos virais circulantes nos plantéis industriais avícolas brasileiros. Portanto, o presente estudo reforça a contínua emergência e disseminação de novas linhagens de IBV no Brasil e a importância de constantes pesquisas e monitoramento, para que se compreendam aos fenômenos de emergência de novas linhagens e suas consequências, bem como para otimizar as medidas de controle do vírus.
Detecção e contagem de Staphylococcus aureus causador da mastite bovina em amostras de leite pelo método de quantificação da reação em cadeia da polimerase em tempo real
Os objetivos do presente estudo foram os de verificar a validade do método de reação em cadeia da polimerase em tempo real (qPCR) para detectar e quantificar o Staphylococcus aureus em amostras de leite conservadas com bronopol oriundas de quartos mamários bovinos subclinicamente infectados, e de avaliar os efeitos da presença e da quantidade de células da bactéria sobre a contagem de células somáticas (CCS), a composição do leite (lactose, gordura, proteína bruta, proteína verdadeira e caseína), e a produção de leite de quartos mamários bovinos subclinicamente infectados pelo patógeno. Para a quantificação do S. aureus e das células somáticas bovinas por meio do qPCR, foi utilizado leite cru bovino para o preparo dos padrões como meio de diluição da inoculação seriada de células somáticas e do S. aureus ATCC 29213, e construídas as equações log10UFC = 37,86 23,54 log10CtSAU e log10CCS = 49,3 - 34,0 log10CtBMCB, com base nos resultados obtidos pelas metodologias de referência para cada procedimento. Para testar a equivalência dessas equações aos respectivos métodos de referência, determinar a sensibilidade e especificidade analíticas e a repetibilidade do método proposto, foram coletadas amostras de leite dos quartos mamários de 60 animais de 2 rebanhos leiteiros da região de Pirassununga dos quais se determinou previamente a ocorrência de casos subclínicos de mastite por S. aureus. Dos quartos mamários também foram mensuradas as produções e coletadas amostras de leite para análise de composição, diagnóstico da mastite, e determinação da sensibilidade e especificidade diagnósticas do procedimento de qPCR estabelecido no estudo. Cada amostra foi submetida à análise de composição, CCS, cultura microbiológica, contagem em placas do S. aureus, processadas para a extração do DNA genômico bovino e do S. aureus, e submetida à reação de qPCR. Para análise da concordância entre os resultados obtidos pelos métodos de referência para o diagnóstico da mastite por S. aureus e o de qPCR foi utilizado o teste Kappa. Para avaliação da equivalência das contagens obtidas pelos métodos de referência do S. aureus e de células somáticas bovinas, foi utilizado o teste das diferenças de Bland-Altman. Para a identificação do efeito da infecção subclínica pelo S. aureus sobre a composição e produção de leite do quarto mamário afetado foi utilizada a análise da variância num delineamento em parcelas subdivididas em faixas. Para estimar o grau de relação entre as contagens de S. aureus, a CCS, produção e composição do leite produzido pelo quarto mamário afetado foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson. A correlação entre os resultados de contagem de células somáticas bovinas determinados pelos métodos de rotina e de qPCR para a quantificação de células somáticas apresentou coeficiente r = - 0,978 (P < 0,001). A correlação entre os resultados da contagem do S. aureus ATCC 29213 determinados pelos métodos de rotina e de qPCR para a quantificação do patógeno apresentou coeficiente r = - 0,989 (P < 0,001). A especificidade analítica do qPCR para a detecção do S. aureus em amostras de leite frente a Escherichia coli, Enterococcus sp., Pseudomonas aeruginosa, Streptococcus agalactiae, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus uberis, os estafilococos coagulase-negativa, e as espécies coagulase-positiva Staphylococcus hyicus e Staphylococcus intermedius foi de 100%. O método de qPCR aplicado à detecção de Staphylococcus aureus ATCC 29213 em amostras de leite é replicável e apresentou sensibilidade analítica com limite de detecção para a faixa de 10 UFC/mL à 4,2 x 106 UFC/mL. Em amostras de leite conservadas com bronopol provenientes de quartos mamários subclinicamente infectados, o S. aureus pôde ser detectado, mas não pôde ser quantificado pelo método de qPCR. Nessas amostras, a CCS pôde ser determinada de forma equivalente ao método de rotina. A CCS independe da contagem de S. aureus viáveis, mas foi observada correlação linear e negativa entre o número total de células do patógeno e a CCS. A mastite subclínica pelo S. aureus aumentou a CCS nos quartos mamários, mas não alterou a composição do leite. A doença diminuiu a produção de leite e de gordura dos quartos mamários anteriores acometidos pela infeção, mas não se observou efeito da interação entre o posicionamento da glândula e a infecção sobre a produção de leite. Houve correlação entre as concentrações de lactose (r = 0,42; P = 0,0051), de gordura (r = 0,46; P = 0,0016), de produção de gordura (r = 0,49; P = 0,001), e de leite com produção ajustada para o teor de 3,5% de gordura (r = 0,41; P = 0,006), e o número de S. aureus presentes na amostra de leite.
Avaliação da sensibilidade de zigotos murinos à Brucella abortus para o estabelecimento de um modelo experimental em estudos de interações embriões-patógenos
Os objetivos desse trabalho foram avaliar in vitro a sensibilidade de zigotos murinos à Brucella abortus, assim como a eficácia das lavagens seqüenciais e do tratamento com tripsina, padronizados pela International Embryo Transfer Society, na sua remoção e/ou inativação, a fim de estabelecer um modelo acessível para o estudo de interações embriões-patógenos. Para a coleta dos zigotos, foram utilizados camundongos fêmeas (Swiss Webster), púberes, nulíparas, 6-8 semanas de idade, acasaladas com machos inteiros da mesma linhagem, após superestimulação ovariana. Para a infecção foi utilizada a bactéria B.abortus 1119.3. A suspensão de bactérias foi preparada no momento da inoculação, na diluição de 106 bactérias/ml. Os zigotos obtidos foram separados em controle e infectados. A infecção dos zigotos foi feita com 30µl da suspensão de bactérias, e após 24h e 96h foram analisados quanto à morfologia e taxa de clivagem. Os procedimentos de lavagem seqüencial e tratamento com tripsina foram realizados após 24h. Para detecção da bactéria após os procedimentos de lavagem, as amostras foram inoculadas em cultura de bactérias e submetidas ao teste de reação em cadeia pela polimerase (PCR). Uma amostra da última gota de lavagem de cada grupo também foi testada. Para analise estatística dos resultados foi utilizado o teste do χ2. No grupo controle não foram verificadas alterações morfológicas, já no infectado foi possível verificar a presença de blastômeros irregulares, falha de divisão, citoplasma com granulação e aspecto degenerativo. As taxas de clivagem obtidas foram de 77,4% (controle) e 59,2% (infectados) (χ2 de 0,001674; p<0,05) após 24h e após 96h de infecção 14,5% (controle) e 7% (infectados) (χ2 de 0,141616; p<0,05). Não foi possível isolar B.abortus em cultura após os procedimentos de lavagem para ambos os grupos. As amostras do grupo controle apresentaram-se negativas na PCR. Já no grupo infectado foram obtidos resultados positivos e negativos, para os embriões e para a alíquota da última gota de lavagem dos grupos tratados com a lavagem seqüencial. Foi verificada apenas em uma amostra a presença de embriões positivos para a B.abortus com amostra da última gota de lavagem negativa. Para outras duas amostras os embriões apresentaram-se livres de B.abortus, mas foram detectadas na alíquota da última gota de lavagem. Apenas em uma amostra foram obtidos resultados negativos tanto para os embriões, quanto para o meio de lavagem. Os resultados da PCR para os grupos infectados tratados com tripsina foram positivos para praticamente todas as amostras, contendo embriões ou apenas da alíquota da última gota de lavagem, com exceção dos embriões de uma amostra que apresentaram-se negativos. As novas tecnologias desenvolvidas em reprodução animal promovem manipulação invasiva do embrião. Portanto, tratamentos preconizados para a remoção de patógenos podem não ser eficazes. O risco a ser considerado é da presença de patógenos associados à zona pelúcida ou nas proximidades, que possam ser introduzidos, ou ter sua entrada facilitada no embrião. Considerando os dados apresentados, torna-se clara a importância do desenvolvimento de um modelo animal para estudos de interações embriões- patógenos, a fim de se evitar a transmissão e disseminação de doenças.
2005
Andrea Giannotti Galuppo
Aspectos epidemiológicos da febre maculosa da Mata Atlântica em um foco endêmico no município de Blumenau, Santa Catarina
O gênero Rickettsia compreende bactérias intracelulares obrigatórias patogênicas e não patogênicas. A principal espécie patogênica no novo mundo é Rickettsia rickettsii transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma. Além de R. rickettsii, outra riquetsiose, causada por Rickettsia parkeri, apresenta sintomatologia branda e foi recentemente descrita causando doença na América do Sul. No Brasil casos clínicos ocasionados por R. parkeri foram notificados na Bahia e em São Paulo. O presente trabalho foi realizado em uma área endêmica para Febre Maculosa na Vila Itoupava, Município de Blumenau, Santa Catarina. Esta área apresenta características de área peri - urbanas inserida em fragmentos de Mata Atlântica. Amostras de sangue de humanos e de cães foram colhidas para pesquisa de anticorpos anti-riquétsias através da reação de imunofluorescência indireta (RIFI). Os carrapatos removidos dos cães foram identificados e submetidos às técnicas de hemolinfa e shell vial para o isolamento do agente e reação em cadeia pela polimerase (PCR) e sequenciamento de DNA dos isolados obtidos e amostras diretas para a identificação do agente circulante na região. Das 15 amostras de soro humano, 7 foram positivas (46,67%), apresentando sororeatividade de 26,67%, 26,67%, 20%, 40%, 13,34% e 6,67% para R. rickettsii, R. parkeri, R. rhipicephali, R. amblyommii, R. bellii e R. felis, respectivamente. Das 52 amostras de cães 35 foram positivas (67,31%), apresentando sororeatividade de 50%, 57,70%, 44,23%, 48,08%, 25% e 26,93% para R. rickettsii, R. parkeri, Rickettsia rhipicephali, Rickettsia amblyommii, Rickettsia bellii e Rickettsia felis, respectivamente. Dentre os 53 cães pesquisados 21 apresentavam carrapatos, resultando em uma frequência de infestação de 39,62%. Três espécies de carrapatos foram identificadas dentre os 153 coletados, sendo 95 da espécie Amblyomma ovale, 52 Amblyomma aureolatum e 6 Rhipicephalus sanguineus. Após a técnica de hemolinfa e Shell vial, foi realizado com sucesso o isolamento de R. parkeri cepa Mata Atlântica em A. ovale e A. aureolatum e foram caracterizadas pelos genes gltA, ompA, ompB e htrA. Nas amostras diretas de A. ovale e A. aureolatum observou-se, respectivamente, 7,79% e 10% de positividade para ambos os genes gltA e ompA. Os produtos amplificados dos isolados e amostras diretas foram seqüenciadas e apresentaram 100% de similaridade com R. parkeri cepa Mata Atlântica. Foram realizadas análise descritiva, teste de Qui-quadrado, teste exato de Fisher e regressão logística, pelo método forward selection, quando necessários. Os resultados mostraram que a única variável independente significativa foi tempo na mata, sendo que os cães que frequentavam a mata tinham 19,286 mais chances de apresentar sorologia positiva para riquétsias, quando confrontados com cães que não frequentavam a mata. Conclui-se neste trabalho que o agente R. parkeri cepa Mata Atlântica está presente no local estudado e pode ser o provável causador da Febre Maculosa na região. Apenas a variável independente tempo na mata apresentou significância estatística, e de acordo com os resultados desta pesquisa, a alteração exclusiva desta variável poderia reduzir em até 19,28 vezes as chances de um cão se infectar com R. parkeri cepa Mata Atlântica.
2012
Amalia Regina Mar Barbieri
Descrição morfológica e Filogenia de parasitas do gênero Trypanosoma em pequenos mamíferos silvestres do Brasil
Todas as espécies de roedores e marsupiais descritas na literatura são potenciais hospedeiros de diferentes espécies de tripanossomas. Análises filogenéticas baseadas em genes SSU rRNA e gGAPDH tem apoiado a formação de novos clados, mesclando os tripanossomas já descritos com novos. Desde ano de 2011, diversos animais silvestres foram capturados nos diferentes biomas brasileiros (Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Amazônia e Pantanal) para o isolamento de tripanossomatídeos com o objetivo da montagem da Coleção Brasileira de Tripanossomatídeos. Foram obtidos isolados de parasitas do gênero Trypanosoma de pequenos mamíferos silvestres e que apresentaram padrão de crescimento em meios de cultura axênicos e monocamada de células. Os perfis distintos foram apresentados por isolados obtidos de roedores e marsupiais capturados no estado de Mato Grosso nos municípios, de Poconé e Chapada Guimarães. Foi feito o cultivo e manutenção, microscopia de varredura e transmissão dos isolados, associados a análise filogenética. Foram descritas 4 espécies novas de parasitas do gênero Trypanosoma em 10 pequenos mamíferos pertencentes a uma espécie de roedor (Hylaeamys megacephalus) e duas espécies de marsupiais (Phylander opossum e Didelphis albiventris).Os resultados deste estudo ressaltam a descrição de novos tripanossomas brasileiros em pequenos mamíferos, diminuindo as brechas de informação em filogenia e evolução.
2020
Juliana Isabel Giuli da Silva Ferreira
Caracterização molecular de Sarcocystis spp. em aves silvestres de diversas classes taxonômicas: relações entre Sarcocystis falcatula, Sarcocystis neurona e organismos correlacionados prevalentes no Brasil
Sarcocystis são parasitos coccidios intracelulares caracterizados por um ciclo de vida obrigatório em dois hospedeiros. Multiplicação assexuada do parasito ocorre em hospedeiros intermediários, geralmente onívoros, com formação de cistos na musculatura. A fase sexual, com formação de oocistos/esporocistos, ocorre no intestino delgado de hospedeiros definitivos, geralmente carnívoros. Mais de 30 espécies de Sarcocystis são reconhecidas em aves e algumas delas, como S. falcatula e S. calchasi, podem ser patogênicas para hospedeiros aberrantes. Em aves que atuam como hospedeiros intermediários, a infecção ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados com esporocistos. Aves que atuam como hospedeiros definitivos se infectam pelo consumo de tecidos contendo cistos. Poucos estudos em sarcocistose aviária têm sido realizados na América do Sul. No presente estudo, investigamos a presença de coccidios formadores de cistos na musculatura de aves silvestres coletadas pela Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Gestão da Fauna Selvagem (DEPAVE-3) no estado de São Paulo, Brasil. Amostras de músculo peitoral de 400 aves pertencentes a 103 espécies foram submetidas a extração e amplificação de DNA pela nPCR-ITS1 direcionada à sequência do primeiro espaço transcrito interno do DNA ribossômico para triagem das amostras. Estes primers permitem a detecção de uma ampla diversidade de organismos pertencentes a família Sarcocystidae, pois hibridizam em regiões conservadas dos genes codificadores de DNA ribossômico 18S e 5.8S. Em amostras positivas na nPCR-ITS1, outros fragmentos gênicos foram amplificados por PCR. Amostras relacionadas com S. falcatula foram caracterizadas com sequências gênicas codificadoras de antígenos de superfície (SAGs) e nas demais amostras, genes mais conservados como citocromo c oxidase subunidade I (COX1) e a fração do gene do DNA ribossômico (18S rDNA) foram amplificados. Os produtos amplificados foram sequenciados, em todos os casos. Com esta metodologia, 36 amostras positivas na nPCR-ITS1, foram relacionadas com S. falcatula, das quais 28 foram identificadas como S. falcatula (10 Piciformes, 8 Psittaciformes, 5 Columbiformes, 2 Accipitriformes, 1 Anseriformes, 1 Passeriformes, 1 Strigiformes), 7 como Sarcocystis sp. ex Cacicus haemorrhous (6 Passeriformes, 1 Piciformes), e uma como Sarcocystis sp. ex Guira guira (1 Cuculiforme). As duas últimas espécies são inéditas. Dez amostras de outros Sarcocystídeos também foram amplificadas na nPCR-ITS1, das quais uma foi identificada como S. halieti (1 Accipitriformes), seis como Toxoplasma gondii (3 Pelecaniformes, 2 Falconiformes, 1 Columbiformes), uma como Sarcocystis sp. ex Coragyps atratus (1 Cathartiformes) e uma como Atoxoplasma sp. ex Icterus jamacaii (1 Passeriformes). As duas últimas espécies são inéditas. Este estudo é a primeira pesquisa extensiva em aves silvestres no Brasil para espécies de Sarcocistídeos, relatando pela primeira vez infecção natural com S. falcatula em 14 espécies incluindo a Ordem Piciformes e mostrando a ampla diversidade de hospedeiros intermediários da América do Sul para Sarcocystis spp.
2019
Horwald Alexander Bedoya Llano
Mastite subclínica em rebanhos ovinos e elaboração de tratamento homeopático para prevenção e controle destas doenças
Temos presenciado um crescimento expressivo da ovinocultura de corte nos últimos anos. Algumas doenças de grande importância econômica tem sido motivo de estudos, não apenas pelo impacto econômico que representam, mas também para a saúde do animal e do homem. Com a crescente preocupação com resíduos de medicamentos pesticidas nos produtos de origem animal, perda da qualidade do leite e conseqüente baixo ganho de peso dos borregos de corte, os sistemas orgânicos de produção vem ganhando espaço. Sabe-se que a mastite subclínica é uma das responsáveis pelo baixo rendimento de carcaça na ovinocultura de corte. Neste experimento, optou-se por realizar tratamento com medicamento homeopático (Phytolaca decandra) das ovelhas com tetos diagnosticados com CMT 2+ e 3+, sem sinais de mastite clínica. Dois lotes de ovelhas com mastite subclínica foram usados. Um lote controle que recebeu placebo e o lote tratado que recebeu remédio homeopático duas vezes ao dia junto ao concentrado a partir da quarta semana do parto (de lactação). Foram colhidas duas amostras de cada tetos com mastite subclínica no início do experimento (30 dias do parto) e a cada 15 dias até o desmame quando os borregos tinham aproximadamente 60 - 65 dias de vida. Das amostras colhidas, uma seguiu para identificação do agente microbiológico e outra para a contagem de células somáticas (CCS). Ao final do estudo não houve diferença estatisticamente significativa entre as CCSs da secreção láctea quando comparadas antes e depois do tratamento homeopático no mesmo grupo, bem como quando comparou-se ambos os grupos (tratados e placebo). Porém observou- se que o grupo tratados apresentou redução significativa (P<0,05) nos isolados das amostras com Staphylococcus spp. e aumento significativo de amostras sem crescimento bacterianos (negativas) e ganho de peso estatisticamente significante (P<0,05) quando comparado ao grupo placebo.
2010
Roberto Mangieri Junior
Pesquisa de Carrapatos e Riquétsias no Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Itutinga - Pillões, São Paulo
As riquétsias são pesquisadas por muitos grupos em diversas regiões do mundo, pois podem infectar os humanos e animais. No período de julho de 2008 a junho de 2009 no Núcleo Itutinga Pilões, localizado no Parque Estadual da Serra do Mar, foram realizadas coletas mensais de carrapatos (455 adultos, 1939 ninfas e 46 bolos de larvas) distribuídas por seis trilhas distintas. No presente estudo constatou-se a existência de cerca de treze espécies de carrapatos no local (A. aureolatum, A. brasiliense, A. dubitatum, A. fuscum, A. incisum, A. longirostre, A. naponense, A. nodosum, A. ovale, Ixodes aragaoi, Ixodes loricatus. Haemaphysalis juxtakochi e Riphicephalus sanguineus) As espécies de maior expressão foram: A. incisum, frequentemente presente em antas, seguido por H. juxtakochi e A. ovale. Encontramos R. parkeri , R. belliie R. amblyommii. Em A. ovale infectados com a R. parkeri, tivemos uma prevalência de 11,7% para o ambiente e 15,3% para os carrapatos coletados em hospedeiros cães. O R. sanguineus que se coalimentou com A. ovale em cães também estava infectado com R. parkeri. Podemos concluir que indivíduos que freqüentem a região onde encontramos o A. ovale infectado pode adquirir bactérias do Grupo Febre Maculosa.
2010
Guilherme Sakae Sabatini
Associação da técnica de cultivo em camada delgada contendo ágar Middlebrook 7H11 Modificado com a Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) para identificação precoce de Mycobacterium bovis em órgãos de bovinos e bubalinos oriundos de abatedouros comerciais
A técnica de cultivo em camada delgada contendo ágar Middlebrook 7H11 modificado foi comparada com o cultivo padrão em meio de Stonebrink, visando avaliar a sensibilidade e o tempo de detecção de Mycobacterium bovis em órgãos de bovinos e bubalinos oriundos de abatedouros comerciais. Posteriormente, a PCR foi utilizada para a confirmação do crescimento observado nos cultivos, bem como a coloração de Ziehl-Neelsen na pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes. As 49 amostras testadas foram descontaminadas pelo método tradicional de Petroff e trabalhadas em duas etapas. Na primeira, todas foram semeadas nas placas contendo o meio de Middlebrook 7H11 em camada delgada e nos tubos contendo o meio de Stonebrink, e as colônias observadas macroscopicamente em ambos os meios foram submetidas à PCR. Na segunda, 10 amostras cultivadas na primeira etapa foram submetidas a novo cultivo, somente em camada delgada, para observação do crescimento microscópico das colônias e também analisadas pela PCR. Os resultados obtidos demonstraram que: 1) a técnica de cultivo de Mycobacterium bovis em camada delgada no meio de Middlebrook 7H11 modificado em amostras de órgãos de bovinos e bubalinos mostrou-se viável quando comparada ao cultivo clássico no meio de Stonebrink, reduzindo o tempo de isolamento e podendo ser utilizada de forma complementar aos métodos tradicionais de diagnóstico da tuberculose bovina; 2) foi possível a identificação precoce do crescimento das micobactérias em camada delgada (entre 12º e 25º dia de crescimento) quando comparadas ao Stonebrink; 3) a PCR mostrou-se uma ferramenta complementar à somatória das técnicas de descontaminação de Petroff, coloração de Ziehl-Neelsen e cultivo em camada delgada na confirmação do diagnóstico de presença de micobactérias em amostras de órgãos de bovinos e bubalinos.
2010
Tatiana Reis do Rosário
Caracterização de amostras de Erysipelothrix spp. isoladas de suínos nos últimos 30 anos
Erysipelothrix rhusiopathiae é um importante patógeno em suinocultura e apesar do uso freqüente de vacinas contra o mesmo na maior parte das propriedades produtoras do país, a ocorrência de quadros clínicos da infecção tem sido amplamente observada e diagnosticada. Tendo em vista o ressurgimento deste agente como causa de prejuízos econômicos para a indústria suinícola nacional e seu potencial risco à saúde pública, este estudo teve como objetivo caracterizar 151 amostras de Erysipelothrix spp. isoladas de suínos nos útlimos 30 anos por meio de sorotipagem, determinação da susceptibilidade antimicrobiana, AFLP e PFGE. Dentre os 151 isolados, 139 foram classificados em 18 sorotipos diferentes (1a, 1b, 2a, 2b, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 11, 12, 15, 17, 19, 21, 24 e 25), sendo que o sorotipo 2b foi o mais freqüente. Os perfis de susceptibilidade antimicrobiana foram muito semelhantes entre os isolados, o que impossibilitou a subtipagem dos isolados de Erysipelothrix spp. pelos testes de sensibilidade. Dentre os primers testados no AFLP, o HI-G foi o mais adequado à tipagem molecular de Erysipelothrix spp. Apesar do AFLP/HI-G e da PFGE apresentarem o mesmo índice discriminatório (0,98), a PFGE apresentou melhor relação com os dados epidemiológicos que o AFLP/HI-G, tendo em conta os agrupamentos por ela gerados. Independente da técnica molecular empregada, não foi observado a discriminação entre isolados recentes e históricos, bem como um padrão epidemiológico fixo de agrupamento dos mesmos. Contudo, o AFLP/HI-G pode ser uma alternativa interessante para diferenciar as espécies de Erysipelothrix, assim como a PFGE tem grande potencial para agrupar isolados deste gênero de acordo com os sorotipos.
Avaliação da transmissão horizontal e descrição da patogenia em leitões experimentalmente infectados com Circovírus suíno 2
Circovírus suíno 2 (PCV2) é responsável pelas doenças associadas ao circovírus suíno (PCVAD do inglês Porcine circovirus associated disease) que engloba várias condições clínicas. Acomete suínos nas principais áreas produtoras do mundo causando grandes prejuízos. A situação acerca do conhecimento acerca da complexa patogenia e os múltiplos fatores de risco permitem compreender apenas em parte o verdadeiro impacto das PCVADs em suínos, sendo este um conhecimento mais amplo e dependente de resultados obtidos com infecções experimentais. Os objetivos do presente trabalho foram: i) verificar a infectividade do isolado brasileiro de PCV2 em animais infectados experimentalmente; ii) verificar a transmissão horizontal do isolado brasileiro de PCV2 em animais infectados experimentalmente; iii) avaliar a patologia do isolado brasileiro nos animais infectados experimentalmente; e iv) avaliar a resposta imune humoral nos animais infectados experimentalmente com o isolado brasileiro. Foram utilizados nove leitões divididos em três grupos com três animais cada: i) G1 animais inoculados por via intra-nasal, com aproximadamente 49 dias de idade; ii) G2 animais não inoculados mantidos na mesma baia que os G1; e iii) GC animais controle. Amostras de soro, suabes (nasal e fecal) e dados de desempenho foram coletados semanalmente. Amostras de tecidos foram coletadas durante a necropsia, aos 42 dias após a inoculação (dpi). Os animais do GC foram acompanhados até 140 dias de idade. A infecção pelo PCV2 foi avaliada através da descrição das manifestações clínicas, alterações anatômicas e histológicas, quantificação do DNA de PCV2 nas amostras de soro, suabes e tecidos e detecção de anticorpo anti-PCV2 no soro. As técnicas utilizadas foram coloração de tecido pela Hematoxilina-Eosina (HE), reação em cadeia pela polimerase quantitativa (PCRq), imunohistoquímica (IHQ) e ELISA ( do inglês enzyme-linked imunossorbente assay). Os resultados demonstraram que o isolado brasileiro induziu infecção subclínica nos animais inoculados (G1), demonstrado através da detecção de baixa carga de DNA viral nos tecido e soros, ausência de sinais clínicos e achados histopatológicos característicos de PCVAD, além da ausência de soroconversão nos três animais inoculados. A transmissão horizontal foi demonstrada, pois em um animal contactante (G2) foi recuperado o DNA de PCV2 em vários tecidos. No entanto, a ausência de soroconversão, não permitiu avaliar a resposta imune humoral nos diferentes grupos (G1 e G2). Fatores como idade dos animais no momento da inoculação (49 dias), via de inoculação, inóculo e ausência de co-agentes podem ter contribuído para o desencadeamento dos resultados observados.
Padronização de uma reação em cadeia pela polimerase em nested (nested-PCR) para detecção e diferenciação das espécies de Cryptosporidium spp e caracterização molecular de Cryptosporidium isolados de roedores sinantrópicos
Cryptosporidium spp são protozoários cosmopolita que acometem peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. Mais de 20 espécies são reconhecidas dentro deste gênero. Os roedores, grupos de organismos abundantes e ubíquos, têm sido considerados reservatórios de Cryptosporidium para humanos e animais de produção. As seqüências codificadoras da menor unidade ribossômica (18S rRNA) de Cryptosporidium spp caracterizam-se por intercalações entre regiões conservadas e polimórficas ao longo dos seus 1700 pares de bases. O objetivo deste estudo foi desenhar primers específicos para o gene 18S rRNA, potencialmente capazes de amplificar qualquer espécie ou genótipo de Cryptosporidium spp. e avaliar os atributos diagnósticos da nested-PCR baseadas em tais sondas. O desenho dos primers foi realizado de forma a amplificar um segmento de menor dimensão possível para se maximizar a sensibilidade do ensaio molecular e preservando o potencial discriminatório das seqüências amplificadas. A nestedPCR padronizada neste estudo (nPCR-SH) foi comparada com outro ensaio similar que vem sendo largamente utilizado para detecção e identificação de Cryptosporidium spp. no mundo todo (nPCR-XIAO). Também se objetivou caracterizar molecularmente amostras de Cryptosporidum spp. isoladas de roedores sinantrópicos, empregando-se estas sondas e sondas moleculares direcionadas. Foram capturados 45 roedores em áreas públicas da região urbana da cidade de Umuarama, Paraná. As amostras foram submetidas a três provas moleculares, sendo duas direcionadas ao gene18S rRNA (nPCR-SH e nPCR-XIAO) e outra, ao gene codificador da actina. A nPCR-SH foi testada com as amostras de Cryptosporidum parvum, Cryptosporidum andersoni, Cryptosporidum meleagridis, Cryptosporidum hominis, Cryptosporidum canis, Cryptosporidum serpentis e todas foram positivas. Dezesseis amostras de roedores foram positivas para a nPCR-SH, seis pela nPCR-XIAO e cinco pela nPCR dirigida ao gene codificador da actina. O sequenciamento dos fragmentos amplificados possibilitou a identificação de Cryptosporidum muris em três amostras de Rattus rattus, e dois novos genótipos de Cryptosporidium, os genótipos rato II e III. Genótipo rato II foi encontrado em uma amostra de Mus musculus e o genótipo III em doze amostras, sendo cinco Rattus rattus e sete Mus musculus. Os resultados deste estudo demonstraram que os primers desenhados para detecção do Cryptosporidium spp em amostras de fezes foram mais eficientes em amplificar regiões que permitem a distinção entre as espécies do parasito do que aqueles usados na PCR-XIAO. Nas amostras estudadas não foram encontrados genótipos ou espécies de Cryptosporidium que podem ser transmitidos a outras espécies como os zoonóticos, o que sugere que a importância destes animais na transmissão zoonótica de criptosporidiose é pouco relevante.
2011
Sheila Oliveira de Souza Silva
Análise de fatores que contribuíram para a guarda responsável ou abandono de cães e gatos em área de São Paulo/SP
Procurou-se avaliar os fatores que contribuíram para o abandono ou guarda responsável de cães e gatos no bairro Vargem Grande no município de São Paulo/SP, entre 2005 e 2008. Foi constatado que fatores como idade e porte dos animais, preocupação com a saúde, a permissão para o animal permanecer dentro do domicílio e a aquisição de outro animal nos últimos 12 meses foram associados ao abandono de cães. A quantidade de gatos estudados não permitiu uma avaliação confiável dos fatores. Estes dados podem ser utilizados no momento da compra ou adoção de um animal, prevenindo um futuro abandono.
2012
João Paulo Marques D'Andretta
Caracterização de circuitos pecuários com base em redes de movimentação de animais
Uma rede é um conjunto de nós conectados entre si através de um conjunto de arestas. Redes podem representar qualquer conjunto de objetos que possuam relações entre si. Comunidades são conjuntos de nós relacionados de uma maneira significativa, provavelmente compartilhando propriedades e/ou atuando de forma similar dentro de uma rede. Quando a análise de redes é aplicada ao estudo de padrões de movimentação animal, as unidades epidemiológicas de interesse (propriedades, estabelecimentos, municípios, estados, países, etc) são representadas como nós, enquanto a movimentação animal entre elas é representada através das arestas de uma rede. Descobrir a estrutura de uma rede, e portanto as preferências e rotas comerciais, pode ser útil para um pesquisador ou gestor de saúde animal. Foi implementado um algoritmo de detecção de comunidades para encontrar grupos de propriedades que é consistente com a definição de circuito pecuário, assumindo que uma comunidade é um grupo de nós (fazendas, abatedouros) no qual um animal vai mais provavelmente permanecer durante sua vida. Este algoritmo foi aplicado na rede interna de movimentação animal de 2007 do Estado do Mato Grosso. Esse banco de dados contém informação sobre 87.899 propriedades e 521.431 movimentações durante o ano, totalizando 15.844.779 de animais movimentados. O algoritmo de detecção de comunidades encontrou uma partição da rede que mostra um claro padrão geográfico e comercial, duas importantes características para aplicações em medicina veterinária preventiva, além de possuir uma interpretação clara e significativa em redes de comércio onde ligações se estabelecem a partir da escolha dos nós envolvidos.
2012
José Henrique de Hildebrand e Grisi Filho
Vigilância epidemiológica dos vírus da influenza aviária em aves migratórias na região costeira da Amazônia
Os vírus da influenza aviária, ou vírus da influenza A, podem acometer inúmeras espécies de aves e mamíferos, e são conhecidos pelos relevantes impactos gerados na economia e Saúde Pública. As aves pertencentes às ordens Anseriformes (patos, marrecos e cisnes) e Charadriiformes (maçaricos, gaivotas e trinta-réis) são consideradas reservatórios, sendo que o comportamento migratório de muitas destas espécies pode favorecer a disseminação viral entre países. Existem poucos estudos sobre a circulação dos vírus da influenza aviária na América do Sul, dificultando a compreensão da ecologia e epidemiologia destes patógenos no Brasil. Este trabalho tem como objetivo monitorar as aves migratórias, em áreas de descanso e invernada na região Amazônica brasileira, por meio da detecção e caracterização dos vírus da influenza A. Através de seis expedições científicas ao norte do estado do Pará entre 2008 e 2010 foram colhidos swabs orotraqueais e cloacais de 1093 aves silvestres, principalmente Anseriformes e Charadriiformes. Pela técnica de Real time RT-PCR, nove aves foram positivas: 2 Actitis macularius, 4 Arenaria interpres, 1 Calidris pusilla, 1 Charadrius semipalmatus e 1 Dendrocygna viduata. Destas, o isolamento viral foi realizado com sucesso a partir das amostras de três Arenaria interpres, corroborando estudos que demonstram uma elevada prevalência do vírus da influenza A nesta espécie. As reações de inibição da hemaglutinação e de inibição da neuraminidase revelaram tratar-se do subtipo viral H11N9, considerado de baixa patogenicidade e relativamente comum nestas aves. O sequenciamento genético indicou estreita relação filogenética entre as estirpes virais deste estudo e aquelas isoladas na América do Norte, evidenciando um vínculo epidemiológico entre estas populações. Assim, é essencial a contínua vigilância epidemiológica dos vírus da influenza aviária em aves silvestres nesta região, visando a obtenção de informações sobre a prevalência do vírus, subtipos circulantes e suas características patogênicas, para subsidiar medidas apropriadas de prevenção e controle caso ocorram surtos no país.
2014
Renata Ferreira Hurtado
Avaliação de métodos diretos e indiretos de diagnóstico da brucelose em cães naturalmente infectados
Foram comparados procedimentos laboratoriais diretos e indiretos aplicados ao diagnóstico da brucelose canina causada por Brucella canis. Foram examinados 196 cães, os quais foram classificados em infectados, suspeitos e não infectados, de acordo com resultados obtidos no cultivo microbiológico em amostras de sangue, sêmen e swab vaginal, no exame clínico e de acordo com dados epidemiológicos. Os resultados obtidos nos exames laboratoriais foram correlacionados com os resultados dos exames clínicos. As técnicas laboratoriais empregadas foram soroaglutinação rápida (SAR), soroaglutinação rápida com emprego do 2-mercaptoetanol (SAR-2ME), imunodifusão em gel de ágar (IDGA), cultivo microbiológico e PCR em amostras de sangue, sêmen e swab vaginal. Foram observados 41,83% de positivos pela SAR, 14,28% pela SAR-2ME, 28,14% pela IDGA, 32,14% pela hemocultura, 19,6% pelo cultivo microbiológico de sêmen, 4,82% pelo cultivo microbiológico de swab vaginal, 33,16% pela PCR em sangue, 33,33% pela PCR em sêmen e 26,89% pela PCR em swab vaginal. Os valores de sensibilidade das provas de SAR, SAR-2ME, IDGA, PCR em sangue e PCR em swab vaginal foram respectivamente de 81,25%; 42,18%; 75%; 89,06% e 54%. A especificidade dos métodos de SAR, SAR-2ME, IDGA, PCR em sangue e PCR em swab vaginal foram respectivamente de 81,25%; 100%; 100%; 97,21% e 97,14%. Nos cães machos, as proporções de resultados positivos diagnosticados pelo cultivo microbiológico de sêmen foram semelhantes às observadas pelos demais métodos de diagnóstico utilizados. As proporções de resultados positivos obtidos pelas técnicas de SAR, SAR-2ME, IDGA, hemocultura, PCR em sangue e cultivo de swab vaginal foram maiores dentre os animais que apresentaram sinais clínicos sugestivos de brucelose. Não houve associação entre a presença de sinais clínicos de brucelose e resultados positivos pelo cultivo microbiológico de sêmen e PCR em amostras de sêmen e swab vaginal.