Repositório RCAAP
ENTRE EL CORDOBÉS E O CATY: A RELAÇÃO ENTRE APARÍCIO SARAIVA E JOÃO FRANCISCO PEREIRA DE SOUZA NO ESPAÇO FRONTEIRIÇO PLATINO.
Este trabalho integra as pesquisas que vem sendo desenvolvidas na Linha de Pesquisa “Integração, Política e Fronteira”, do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria; contando com bolsa FAPERGS/CAPES. Sendo assim, o artigo propõe uma reflexão acerca da relação mantida entre Aparício Saraiva e João Francisco Pereira de Souza, mostrando o modo como estes dois agentes entraram em contato com o findar da Revolução Federalista, e os meios como ambos aproveitaram este contato para por em prática seus interesses. Neste aspecto, buscamos uma discussão dentro da história política, dos estudos biográficos, e do caudilhismo, demonstrando assim a relação destes personagens com a região fronteiriça, a partir de diferentes vínculos, aprofundando assim as investigações no âmbito da História Platina, especialmente no que tange a fronteira Brasil-Uruguai.
2022-12-06T14:18:40Z
Dobke, Pablo
A RELAÇÃO SUJEITO-ESTRUTURA NA HISTÓRIA SOCIAL - APONTAMENTOS PARA ANALISAR A ‘IDEIA DE RAÇA’ NESSA RELAÇÃO
A análise a seguir visa observar como no campo epistemológico pode-se interpretar a relação sujeito-estrutura tomando como base a perspectiva da história social, assim como lançar alguns apontamentos a fim de observar a presença da ideia de raça permeando essa relação, cujo pano de fundo está no pós-abolição do sul do Rio Grande do Sul e no norte do Uruguai no que tange aos sujeitos negros e suas associações observadas a partir dos seus membros como sujeitos coletivos. A estrutura é tomada como algo forte e com um grau de hierarquia perante a ação dos sujeitos, que por razões sociais foi moldada por ações desses, mas que parece ter se “emancipado” e adquirido vida fora deles. No entanto, as estruturas moldam as ações dos sujeitos e são moldadas por essas ações numa relação dialética. Dessa forma, as estruturas são tomadas enquanto processo que se dá a partir de relações sociais e não como algo estático. As relações sociais são responsáveis pela dinâmica histórica e sobre elas que se lança olhar a fim de captar a dinâmica da sociedade. Aqui as relações são destacadas no que tange às sociais que acionam a raça e que conduzem a análise da tese que desenvolvo centrada no processo de racialização.
2022-12-06T14:18:40Z
Silva, Fernanda Oliveira da
NZINGA MBANDI NA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA: ASCENSÃO E LIDERANÇA NO REINO DO NDONGO E MATAMBA
Observaremos o modo como a rainha Nzinga Mbandi ascendeu em 1623 à liderança dos reinos de Ndongo e Matamba em discussões oriundas de obras que compõem a historiografia brasileira e que trabalham com a história das sociedades africanas. Para tanto, ressaltaremos o referencial bibliográfico e as fontes documentais utilizadas, especialmente a obra História Geral das Guerras Angolanas, do soldado português António de Oliveira de Cadornega. Problematizaremos o acesso ao corpus bibliográfico e documental, inferindo analiticamente em questões que sopesem descrições rígidas e literalizadas, que via de regra excluem as contextualizações e as distintas linguagens políticas empregadas na produção de uma obra, logo, de uma discussão historiográfica.
2022-12-06T14:18:40Z
Weber, Priscila Maria
FILHOS LIVRES DAS ESCRAVAS: TRABALHO E INSTRUÇÃO NO PROCESSO EMANCIPACIONISTA – RIO PARDO/RS
Mais intensamente na segunda metade do século XIX, leis passaram a ser pensadas e promulgadas para promover o final da escravidão, visando prejudicar o menos possível os interesses dos senhores de escravos. Dentre essas leis, está a N. 2040, de 28 de setembro de 1871. Ficou conhecida como Lei do Ventre Livre, porque considerou livre o filho da escrava nascido após a sua promulgação. No entanto, o mesmo artigo assegurou o controle dos senhores sobre o filho da escrava até a idade de oito anos e depois abria a possibilidade de utilizar os serviços do menor até completar vinte e um anos, ou então requerer uma indenização pecuniária. Na iminência dos primeiros nascidos de ventre livre completarem oito anos e com a possibilidade dos mesmos serem entregues ao governo, realizaram-se debates sobre o destino a ser dado a esses menores. Uma alternativa plausível residiu na criação de escolas destinadas a sua instrução e também a sua preparação para o trabalho. Dessa maneira, proponho trazer alguns apontamentos sobre as implicações dessas questões no cotidiano escravista.
2022-12-06T14:18:40Z
Perussatto, Melina Kleinert
A TRAJETÓRIA DO LIBERTO JOSÉ VIRIATO MONTEIRO: EXPERIÊNCIAS DE CATIVEIRO, LIBERDADE E PARENTESCO EM PELOTAS/RS, 1830/1888
A presente pesquisa tem por intuito analisar as experiências de liberdade e parentesco, visando compreender as estratégias utilizadas pelos cativos para alforriarem a si ou a um familiar. Verificamos que o esforço para comprar a alforria de um parente não se limitava as primeiras gerações familiares. Observamos a relevância da família escrava nos projetos de liberdade, visto que através dela os indivíduos poderiam galgar espaços por autonomia e mobilidade social, pois talvez sem esse auxílio dos parentes e aliados a liberdade ficasse mais distante ainda.
2022-12-06T14:18:40Z
Pinto, Natália Garcia
ANTÔNIO JOSÉ DE MORAES: NOTAS SOBRE A TRAJETÓRIA DE UM CIRURGIÃO PORTUGUÊS NO BRASIL MERIDIONAL NO SÉCULO XIX
em 1863, numa fazenda localizada às margens do Rio Taquari, cerca de 100 quilômetros de Porto Alegre, uma insurreição escrava se anunciou. As autoridades provinciais e locais rapidamente se mobilizaram, e os cabeças do movimento foram presos e levados para a capital da província, onde foram devidamente interrogados. O lócus daquele movimento foi a fazenda da Conceição, pertencente ao cirurgião Antônio José de Moraes, onde cerca de 168 cativos viviam. O inquérito policial evidencia que não se tratou de um movimento insurrecional, mas de uma desordem, que objetivava a garantia de manutenção de direitos costumeiros. Pesquisas posteriores nos permitiram verificar que essa fazenda pertencia, até o ano anterior, ao Barão de Guaíba (falecido em 1862) e que o cirurgião Moraes era seu compadre e herdeiro universal. Partindo desta comunidade escrava específica, pretendemos dialogar com fenômenos amplos e complexos que marcaram a sociedade brasileira na segunda metade do século XIX investigando, de quais formas a perda de legitimidade da escravidão, o fim do tráfico internacional de escravos (1850), o tráfico interprovincial, a imigração européia, a Guerra do Paraguai, a Lei do Ventre Livre (1871) e a abolição impactaram e influenciaram essa comunidade de senzala.
2022-12-06T14:18:40Z
Schefer Cardoso, Raul Rois
AS ORIGENS DA CIDADE MODERNA A REPÚBLICA VELHA NO VALE DOS SINOS
objetivo desse artigo é identificar como ocorreu o processo de modernização das cidades de São Leopoldo e Taquara, na República Velha, para compreender os motivos da implantação da nova cidade sobre a antiga urbe colonial-imperial. Taquara e São Leopoldo estão localizadas no Rio Grande do Sul na região denominada de Vale do Rio dos Sinos, uma área de colonização portuguesa e alemã que exerceu na República Velha um importante papel na economia, política e cultura do Estado, já que era vital no abastecimento de alimentos da capital Porto Alegre e uma importante aliança dos republicanos. A modernização das áreas urbanas de São Leopoldo e Taquara na República tinham o objetivo de disciplinar os lugares por meio da interferência dos usos e costumes tradicionais da população. A modernização foi realizada sob a perspectiva da elite comercial que almejava o espaço urbano delimitado e distante da maioria populacional que vivia na zona rural. Essa análise é realizada por meio de fontes tais como: os códigos de posturas e bibliografias locais de diletantes disponíveis em acervos de instituições da região do Vale dos Sinos. Os resultados preliminares apontam que as cidades republicanas de São Leopoldo e Taquara reconfiguraram as representações urbanas através da segregação dos espaços urbano e rural, sob os interesses dos poderes locais.
2022-12-06T14:18:40Z
Müller, Alex Juarez
A CIDADE COMO LUGAR DE CONFLITO: AS PRÁTICAS DE VIOLÊNCIA E CIVILIZAÇÃO NO COTIDIANO DE SENADOR POMPEU – CE (1901-1930)
pensar as práticas de violência e civilização nas cidades e como elas se deram no decorrer do percurso histórico são essenciais para refletirmos a sociedade na qual habitamos, seus desejos, conflitos, medos e aspirações. Desta feita, na tentativa de compreender suas relações é que se insere esta pesquisa, na busca por analisar o cotidiano (CERTEAU), por hora violento e por hora civilizado da cidade de Senador Pompeu/CE, cidade do sertão cearense, nas primeiras três décadas do século XX. Este ensaio faz parte de inquietações da dissertação de Mestrado em curso. Buscaremos refletir até que ponto o processo de civilização (ELIAS), através da normatização do Estado (leis/convenções/normas), auxiliou ou não redução dos instintos violentos (DA MATTA) dos indivíduos na sociedade e na transformação de seus hábitos e costumes (THOMPSON). Essencialmente utilizamos como fonte para esta pesquisa as Ações Criminais encontradas no Fórum Dr. Francisco Barros Gomes em Senador Pompeu-CE. Utilizaremos também os Códigos de Posturas, Código Penal, Livros de Protocolos, Tombos, Atas de julgamentos e os Jornais de veiculação do recorte temporal. Apoiados numa relação de interdisciplinaridade entre história, sociologia e direito, buscamos discutir e problematizar o fenômeno da violência dentro do cotidiano de práticas da cidade de Senador Pompeu-CE. Dessa forma, historiadores dentro de suas possibilidades, sempre buscam trabalhar com questões que os inquietam e com os anseios da sociedade em que faz parte, na busca por identificar, traduzir e resignificar as ações dos homens no tempo.
2022-12-06T14:18:40Z
Oliveira, Lucas Pereira
O VERANEIO DE ANTIGAMETE: IPANEMA, TRISTEZA E OS CONTORNOS DE UM TEMPO PASSADO NA ZONA SUL DE PORTO ALEGRE (1900-1960).
A proposta deste artigo é analisar a formação e o desenvolvimento de parte da Zona Sul Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande Sul, a partir uso da região para o lazer e veraneio na primeira metade do século vinte. Considerando as águas Lago Guaíba como espaços de recreação e descanso, , o aproveitamento do local, à beira rio, desencadeou e sedimentou relações sociais e culturais que culminaram com o progresso de toda a região. A orla do Guaíba, durante muito tempo, foi local preferido pelos porto-alegrenses que não podiam se deslocar até o litoral, e isso ocasionou um desenvolvimento econômico, motivado pela vinda de grupos que visavam o lazer. Nesse sentido, será abordada a forma como essas famílias, muitas delas de origem alemã, se apropriaram do local, vivendo e convivendo entre si, transformando a região em uma estação de repouso, verão e de sociabilidades à beira do rio.
2022-12-06T14:18:40Z
Machado, Janete Rocha
A CIDADE DE ITAJAÍ, O PORTO E A EMPRESA G. MIRANDA AGENCIA MARÍTIMA LTDA.: A INTER-RELAÇÃO ENTRE ELES E O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO (1970-2000).
O artigo pretende trazer à discussão os fatores que impulsionaram o desenvolvimento da cidade portuária de Itajai, a instalação de um porto e o consequente aparecimento de empresas ligadas ao setor portuário, o caso da G. Miranda Agencia Marítima Ltda. O recorte temporal estabelecido vai de 1970, período que se intensifica o êxodo rural em que a cidade precisava ser pensada no seu todo, ou seja, através de um Plano Diretor que pudesse contemplar de maneira eficaz o seu desenvolvimento; a alavancagem da produção industrial e o incremento das importações/exportações, até o ano de 2000, com significativa ampliação e readequação dos usos da estrutura urbana, dos novos espaços para o armazenamento das cargas e da quase extinção das empresas de agenciamento marítimo. A pesquisa encontra-se na fase inicial da revisão bibliográfica sobre os processos de desenvolvimento urbano; dos estudos técnicos de armazenagem de cargas e da legislação pertinente. No breve levantamento das fontes já se percebe a necessidade de investigar os rastros deixados pelos atores envolvidos e as distintas percepções dos mesmos.
2022-12-06T14:18:40Z
Oliveira, Geneci Guimarães
CONSTRUINDO O ESPAÇO PRAÇA NA CIDADE: ENSAIO SOBRE A PLAZA DE MAYO “DA ARGENTINA”.
É extremamente difícil pensar sobre a pluralidade de formas pelas quais uma cidade se constitui. Contudo, o que podemos perceber é que independente do modelo de cidade há milhares de anos observamos a existência do “elemento urbano” praça, seja ela previamente pensada e projetada, ou ainda, aquela que surge através de um desenvolvimento orgânico. A praça, já foi considerada o “marco zero” de uma cidade, a condição de existência da mesma, um modelo “micro” da vida urbana, seja pela noção de sociabilidade, pelo local de expressividade popular, de poder, de comércio, ou ainda, pela mescla de tudo isso. Portanto, no presente trabalho iremos trata-la enquanto tal: território da cidade. Da mesma forma repousamos nossas considerações e análises sob um arquétipo, a Plaza de Mayo. Na tentativa de aliar a bibliografia à realidade da praça em questão, nos interessa discutir, desde a concepção deste local passando pelas transformações sofridas ao longo dos anos, suas multifacetadas funcionalidades, bem como, a multiplicidade de territórios abrigados em um mesmo espaço. Os conceitos de espaço e território que um local como a praça pode abarcar também são abordados, mesmo que brevemente, buscando conferir a complexidade que um local como esse afere.
2022-12-06T14:18:40Z
Castelli, Natasha Dias
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL DO JORNALISTA MAXIMIANO POMBO CIRNE NO DIÁRIO POPULAR A PARTIR DA NARRATIVA DE SEU FILHO
No contexto proporcionado pelo Estado Novo no Brasil foram adotadas pelo governo Vargas diversas medidas trabalhistas. Pode-se destacar entre elas a implantação da Carteira Profissional, a qual era de responsabilidade das Delegacias Regionais do Trabalho. Através do acervo da Delegacia Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, salvaguardado pelo Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Pelotas, o qual comporta todas as requisições do documento no estado foi possível localizar a solicitação da Carteira de Trabalho do Jornalista Maximiano Pombo Cirne no ano de 1939. Dessa forma observaram-se diversos aspectos do requerente, como por exemplo, sua profissão, a qual declarou como jornalista do estabelecimento Diário Popular. O qual pode ser considerado um dos jornais mais antigos ainda em circulação da região sul do estado. No entanto foi constatado que o Senhor Maximiano atuou de forma mais complexa e diversificada no mesmo. Assim sendo, através da narrativa do filho de Maximiano, a partir da utilização da metodologia de História Oral Temática objetiva-se neste trabalho traçar a trajetória profissional deste no Diário Popular. Bem como sua presença na reabertura do jornal depois de seu fechamento em 1937.
2022-12-06T14:18:40Z
Jaques Antunes, Biane Peverada
SEGUNDA CADEIA DA LEGALIDADE: REGISTROS HISTÓRICOS NO JORNAL CORREIO DO POVO
Este artigo apresenta um fragmento do trabalho realizado como bolsista BPA/PRAIAS do projeto sobre a “Segunda Cadeia da Legalidade: registros históricos e jornalísticos”, desenvolvido entre 2011-2012, envolvendo pesquisadores do Departamento de História da FFCH/PUCRS e do Curso de Jornalismo da FAMECOS/PUCRS. A Segunda Cadeia Radiofônica da Legalidade consistiu numa tentativa de reeditar a Cadeia da Legalidade de 1961, com a intenção de evitar o Golpe Militar de 31 de março de 1964. No campo histórico, a busca por fontes escritas levou a quatro periódicos de maior relevância, entre os quais o Correio do Povo foi escolhido para esta exploração por suas conexões com este evento, a fim de investigar juntamente à bibliografia revisada.
2022-12-06T14:18:40Z
Torres, Fernanda Vasconcelos
REVISITANDO REGISTROS BATISMAIS DA CAPELA DE ALEGRETE, 1821-1834: AS IDADES DOS BATIZANDOS E SUA RELAÇÃO COM AS PRÁTICAS CATÓLICAS
Na primeira metade do século XIX, os luso-brasileiros conquistaram áreas do antigo território missioneiro, do lado oriental do Rio Uruguai. Nesse espaço, ao sul do rio Ibicuí, localizavam-se férteis pastagens naturais que haviam sido palco das estâncias dos Povos das Missões. Naquela região, instalou-se a capela de Alegrete, abrangendo uma vasta área. Através dos registros de batismo, podemos realizar uma série de estudos, tanto referentes ao aspecto demográfico, investigando a presença e variações de pessoas de diferentes condições jurídicas, origens geográficas e enquadramentos étnicos. Também é possível estudar relações pessoais e familiares através do casamento e do compadrio. Porém, isso tudo implica em uma análise, anterior, sobre a efetividade do batismo e as condições em que eles se davam. O que se propõe neste trabalho é a exposição dos resultados de alguns desses procedimentos. Investigamos as idades dos batizandos, procurando descobrir se eram levados à pia batismal logo após o nascimento ou em idades mai avançadas e a partir destes resultados propor algumas hipóteses a respeito do tripé Batismo-Mundo espiritual – Inserção Social.
2022-12-06T14:18:40Z
Tomazi, Taís Giacomini Righi, Karina de Souza
ENTRE O RIO DA PRATA E OS ANDES NO SÉCULO XVIII: UM PERCURSO SEGUNDO ANÁLISE DO “LAZARILLO DE CIEGOS CAMINANTES”
Este trabalho busca apresentar uma reflexão sobre as múltiplas possibilidades de interpretação e pesquisa sobre o processo de colonização hispânica na América, tendo como objeto de análise a obra “Lazarillo de Ciegos Caminhantes” de Don Alonso Carrió de la Vandera. O livro relata uma viajem a serviço da coroa espanhola, entre Buenos Aires e Lima, nos anos de 1771 e 1773 com a finalidade de colocar em prática algumas ações decorrentes das reformas bourbônicas. Contudo, o que era para ser apenas um documento administrativo, foi concebido de forma epistolar e em tom picaresco, podendo tornar-se também um guia a futuros viajantes. Tamanha singularidade não possibilita que a obra se classificada em uma única tipologia literária. Este “diário de viagem” é fonte primária quanto às demandas administrativas das regiões em questão e, sobretudo, do cotidiano das populações locais e a construção de uma nova cultura. Outro fato que se destaca é a abdicação de Carrió de la Vandera quanto da autoria do livro em nome de Concolorcorvo, um Inca que atuou como seu guia. Este fato permitiu uma diversidade de interpretações, sendo que grande parte equivocadas. A manipulação retórica, o emprego de ironias e anedotas, além de sua riqueza de detalhes sobre a caracterização e a constituição de uma cultura local o torna distinto dos demais guias elaborados no século XVIII. O autor jogando com estereótipos, apresenta características de uma cultura local diferenciada, especialmente no que diz respeito a peculiaridades da vida dos mestiços seminômades que viviam na região do Prata. Sua pluralidade, e suas possibilidades interdisciplinares, possibilitam-nos identificar o presente trabalho como um levantamento bibliográfico passível de ser referência de futuras pesquisas voltadas ao tema.
2022-12-06T14:18:40Z
Cortes, Suéllen de Medeiros
MARIE FAULHABER E A COLÔNIA GERMÂNICA DE “PANAMBI” – RS, BRASIL
Imigrar implica em mudanças, onde cada imigrante possuiu suas próprias expectativas em relação ao processo de imigração, bem como ao seu estabelecimento no novo espaço territorial. Ao que se refere à imigração alemã no Rio Grande do Sul, que começou em 1824, podemos encontrar expectativas diferenciadas, principalmente depois de 1850, quando se intensifica a fundação de colônias privadas. Estas colônias para atrair imigrantes ofereciam alguns atrativos, ligados a educação e a religião, fornecendo um pastor e professor, sendo que geralmente as duas funções eram desempenhadas pela mesma pessoa, geralmente um homem. No entanto existiram mulheres professoras. Dentro deste contexto, Marie Faulhaber imigrou para a colônia de Neu – Württemberg, atual cidade de Panambi, em 1902, tornando-se a primeira professora da colônia. Marie na primeira fase que residiu na Colônia realizou diversas atividades sociais e culturais, que buscavam unir a colônia entorno destes elementos, ligando-os a sua pátria de origem. Sua atuação esteve extremamente ligada as funções públicas de seu marido, Hermann Faulhaber, que além de pastor inicialmente, depois exerceu a função de administrador da Colônia, sendo que ficou no cargo até seu falecimento em 1926. O presente trabalho descreve os resultados inicias do projeto de pesquisa sobre a trajetória pública de Marie Faulhaber na colônia de Neu – Württemberg
2022-12-06T14:18:40Z
Schmitt, Denise Verbes
NICOLÁS MASCARDI E A CARTA-RELACIÓN DE 1670: UMA ANÁLISE PRELIMINAR DAS OBSERVAÇÕES ASTRONÔMICAS REALIZADAS PELO MISSIONÁRIO JESUÍTA
O presente artigo apresenta os resultados preliminares da pesquisa que venho desenvolvendo como bolsista PIBIC/CNPq junto ao projeto “Uma ordem de homens de religião e de ciência: difusão, produção e circulação de saberes e práticas científicas pela Companhia de Jesus (América meridional, séculos XVII e XVIII)”. O subprojeto prevê o contato com as teorias astronômicas vigentes no Seiscentos e no Setecentos, com as obras de Astronomia que integravam os acervos da Ordem e com os estudos produzidos por missionários já no Novo Mundo. Assim como, a reconstituição das trajetórias de jesuítas que realizaram observações astronômicas nas reduções em que atuaram, compartilhando os seus estudos através da prática epistolar ou por meio de obras. Neste artigo, especificamente, me detenho em reconstituir brevemente a trajetória do jesuíta Nicolas Mascardi, destacando as observações astronômicas que realizou na América e as suas comunicações com demais estudiosos da astronomia.
2022-12-06T14:18:40Z
Biehl, Maico
ANSELMO ECKART, JESUÍTA MISSIONÁRIO E PRISIONEIRO NAS PRISÕES POMBALINAS. MODELO DE “VIDA EXEMPLAR”
O presente artigo trata sobre a vida e obra do jesuíta Anselmo Eckart, desde a sua deportação da aldeia do Trocano (1757), até o momento em que foi posto em liberdade do cárcere de São Julião da Barra (1777). A partir disso, busca-se evidenciar e analisar as virtudes morais, intelectuais e teologais de A. Eckart, assim como foram percebidas pela Companhia de Jesus, que o propôs como um “modelo exemplar” de jesuíta. Para tanto, estudaremos duas narrações apologético-hagiográficas sobre a prisão e exílio dos membros da Companhia de Jesus, expulsos em 1759, as quais propõem Eckart como jesuíta exemplar, modelo de missionário a ser seguindo dentro da Ordem. Essas narrações são dois manuscritos de autoria dos missionários Anselmo Eckart e Lourenço Kaulen, escritas após a liberdade dos cárceres lisboetas. Como referencial teórico, utilizaremos os autores Michel de Certeau (1982) e Jaime Humberto Borja Gómez (2007) para aprofundarmos os conceitos de hagiografia e vida exemplar.
2022-12-06T14:18:40Z
Schefer, Aline
O OFÍCIO DO PROCURADOR GERAL DAS MISSÕES E A FORMAÇÃO DE REDES SOCIAIS DA COMPANHIA DE JESUS NAS MISSÕES DO GRÃO-PARÁ E MARANHÃO
O presente artigo tem como foco de investigação a função exercida por um ex-missionário da Companhia de Jesus no Brasil, integrante do grupo de jesuítas expulsos da Vice-Província do Grão Pará e Maranhão encarcerado na prisão de São Julião da Barra, a partir da expulsão em 1759. O Padre Bento da Fonseca, neste momento, atuava em Lisboa como procurador geral das missões da Vice-Província do Grão-Pará e Maranhão, junto a autoridades civis e eclesiásticas. Desta forma, objetiva-se enquadrar o cargo do procurador geral das missões da Companhia de Jesus na formação e consolidação de redes socioeconômicas e de poder entre os jesuítas e os vários setores da sociedade lusitana. A partir do conceito de redes sociais, conforme definiram Barnes (1987), Castells (2011) e Elias (1994), far-se-á uma seleção e análise evolutiva da correspondência e de outros escritos de Bento da Fonseca, complementada com a análise sincrônica de outros textos produzidos.
2022-12-06T14:18:40Z
Joaquim, Mariana Alliatti
SON EN GENERAL LAS MÁS INCITANTES Y MÁS COMPLACIENTES DE TODAS: AS PERCEPÇÕES DE FELIX DE AZARA SOBRE RITUAIS DE MULHERES INDÍGENAS (AMÉRICA PLATINA, SÉCULO XVIII)
Este estudo contempla resultados preliminares de minha participação como bolsista de iniciação científica junto ao projeto “A ciência por escrito, ideias em movimento: um estudo de obras e de trajetórias de naturalistas e de médicos (América meridional, séculos XVIII, XIX e XX)”, bem como de aspectos que venho desenvolvendo na minha monografia de Conclusão de Curso. Dentre as obras dos naturalistas leigos do século XVIII previstos pelo projeto, me coube a análise de “Viajes por la America meridional” e “Apuntamientos para la historia natural de los quadrúpedos del Paraguay y Río de la Plata” do engenheiro militar Félix de Azara, visando à verificação da circulação e da apropriação das teorias sobre o Novo Mundo vigentes no século XVIII em sua produção. Neste artigo, apresento a análise do Tomo II da obra “Viajes por la America meridional”, priorizando os rituais de passagem realizados pelas mulheres indígenas que Azara descreveu, como os que eram realizados por ocasião da menarca e do casamento.
2022-12-06T14:18:40Z
Fauth da Motta, Elisa