Repositório RCAAP

Autotransplante de cordas tendíneas: nova técnica para o tratamento cirúrgico da insuficiência mitral por rotura de cordas tendíneas da cúspide anterior

Uma das causas mais freqüentes de prolapso valvar mitral, com conseqüente regurgitação, é a rotura de cordas tendíneas. Várias técnicas têm sido empregadas em tal situação. Entretanto, a substituição valvar mitral tem sido o procedimento mais utilizado. E apresentada uma nova técnica cirúrgica empregada em 4 pacientes com insuficiência valvar mitral severa devido a rotura de cordas tendíneas da cúspide anterior da valva mitral. Um autotransplante de cordas da valva tricúspide para a valva mitral é realizado. Em 2 casos, um retalho é retirado da cúspide anterior da valva tricúspide com cordas tendíneas e parte do músculo papilar correspondente. Nos outros 2 casos a cúspide posterior da valva tricúspide foi retirada, inteiramente, com cordas e músculo papilar. Na primeira variante técnica, a cúspide anterior da valva tricúspide foi reparada e, na segunda, através, da plicatura do anel, a valva tricúspide foi transformada em bicúspide. A peça retirada é transplantada para a valva mitral, sendo suturada a cúspide doadora com a cúspide anterior da valva mitral e o músculo papilar doador com o topo do músculo papilar posterior da valva mitral em 3 casos e com o músculo papilar anterior e 1 caso. Os 4 pacientes foram reestudados clínica e laboratorialmente aos 15, 11, 2 e 1 mês de pós-operatório, respectivamente, com execelente evolução. Apesar da limitada experiência, acreditamos ser esta nova técnica uma boa alternativa para o tratamento cirúrgico da insuficiência mitral por rotura de cordas tendíneas da cúspide anterior.

Ano

1992

Creators

Gregori Jr,Francisco Silva,S. S Façanha,Luciano A Moure,Osney Goulart,Marcos P Cordeiro,Celso Rade,Walter

O papel da biopsia pulmonar na indicação cirúrgica de cardiopatias congénitas

Objetivando relacionar o aspecto morfológico dos vasos pulmonares com os dados clínicos para auxiliar na decisão da cirurgia de cardiopatias congênitas com hipertensão pulmonar severa, em casos previamente avaliados por critérios clínicos, angiográficos e/ou hemodinâmicos, foram realizadas, de 1980 a 1991, no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, 49 biópsias pulmonares. As idades dos pacientes variaram de 5m a 28a6m (média = 7a7m) e os diagnósticos foram: CIV (16), PCA (3), CIVe ESubAo (1), PCA e CIV (2), PCA e Cl A (1) DSAV (7), DSAV incompl. e PCA (1), PCA e CoAo (1), Inter Arco Ao com PCA e CIV e/ou ESupraM e Anel SubAo (2), DVSVD com CIV e/ou PCA (6), DVSVE e EP (1), ATe ESubP. (1), TGV (1), TGV corrigida e CIV (1) e truncus arteriosus (5). Houve 3 (6,1 %) óbitos no pós-operatório da biopsia. Baseado na classificação de Heath-Edwards, foram para correção cirúrgica 11 pacientes com cardiopatias simples (CIV, PCA, DSAV), cuja mortalidade foi 36,4%. Dez pacientes com cardiopatias complexas (DVSVD, DVSVE, TGV, truncus, inter arco Ao) foram para cirurgia, com mortalidade de 30%. A evolução pós-operatória tardia foi favorável em 13 (62%) pacientes. Conclui-se que a biopsia pulmonar pode ser útil na indicação cirúrgica das cardiopatias congênitas com hipertensão pulmonar severa e, por envolver riscos, sua utilização deve ser criteriosa. E valiosa para os pacientes que apresentam dúvidas quanto ao grau de doença vascular pulmonar ou quanto à natureza das lesões e o estudo clínico e hemodinâmico não são esclarecedores, ou mesmo quando apontarem para a contra-indicação cirúrgica.

Ano

1992

Creators

Bordignon,Solange Molon,Marizele E Kalil,Renato A. K Lucchese,Fernando A Prates,Paulo R Sant'Anna,João Ricardo M Nesralla,Ivo A

Uso de bomba centrífuga no pós-operatório de cirurgia cardíaca

Nos casos de choque cardiogênico após cirurgia cardíaca com auxílio da circulação extracorpórea retratarlos às drogas e ao balão intra-aórtico, as bombas centrífugas têm sido a primeira opção em vários Serviços. Esse fato deve-se à facilidade de manuseio, de instalação, custo razoável, grande disponibilidade, e alto grau de eficiência. O objetivo deste trabalho é o relato da experiência do Instituto do Coração com 8 pacientes submetidos a essa terapêutica, no período de maio de 1990 a dezembro de 1991. Nesses 8 doentes foi utilizado previamente balão intra-aórtico e feito uso maciço de drogas vasoativas. A idade variou de 54 a 66 anos. Três foram submetidos a revascularização do miocárdio, 2 a correção de aneurisma de ventrículo esquerdo, 2 a troca de valva mitral e 1 a transplante cardíaco. Em 7 a assistência foi de ventrículo esquerdo e em 1 de direito. A duração da assistência variou de 18 a 126 horas. Ocorreram três óbitos em assistência, sendo que dois eram pacientes em "ponte" para transplante que não obtiveram doador, e um morreu por complicações de sangramento e insuficiência renal aguda. Dos 5 (62,5%) pacientes retirados da assistência, 2 faleceram tardiamente sendo 1 com pulmão de choque e 1 com complicação neurológica e insuficiência renal. Quando comparamos a evolução clínica com o pico de CKMB, verificamos que os 3 pacientes com pico maior que 80 faleceram, 2 em assistência e 1 tardiamente. Dos 5 doentes com pico de CKMB menor que 80, 4 foram retirados de assistência, com 3 sobreviventes tardios, e o único que morreu em assistência foi por problemas de sangramento. Os 3 (35%) pacientes sobreviventes estão no 5º, 9º e 19º meses de seguimento, 2 em classe funcional II e 1 em classe I. A utilização precoce, antes de complicações irreversíveis, da assistência circulatória, deverá permitir resultados progressivamente melhores, nesse grupo de pacientes de alto risco.

Ano

1992

Creators

Pêgo-Fernandes,Paulo M Moreira,Luiz Felipe P Dallan,Luís Alberto Auler Júnior,José Otávio C Stolf,Noedir A. G Oliveira,Sérgio Almeida de Jatene,Adib D

Tratamento cirúrgico da endomiocardiofibrose: substituição valvar versus técnicas conservadoras

No Instituto do Coração do HC da FM-USP, no período compreendido entre janeiro de 1978 e junho de 1990 , 66 pacientes portadores de endomiocardiofibrose (EMF) foram tratados cirurgicamente com a finalidade de comparar as técnicas operatórias empregadas. Foi elaborado um estudo retrospectivo envolvendo dois subgrupos: 1º) pacientes submetidos a endocardiectomia e substituição valvar e 2º) pacientes submetidos a endocardiectomia e plastia valvar. No roteiro foram incluídos parâmetros clínicos, radiológicos, hemodinâmicos, cirúrgicos e de pós-operatório. Tratou-se de um estudo retrospectivo e as análises estatísticas foram realizadas por meio do teste do X² de Pearson e do teste de Loong-Rank. Embora a análise comparativa não revele, no momento do estudo, diferenças significantes estatisticamente entre os subgrupos, a observação das curvas atuariais de sobrevida permitem identificar uma forte tendência para melhor (menor mortalidade hospitalar e maior sobrevida tardia) com a utilização das técnicas conservadoras.

Ano

1992

Creators

Iglézias,José Carlos R Dallan,Luís Alberto Pereira-Barreto,Antonio Carlos Mady,Charles Luz,Protásio Lemos da Stolf,Noedir A. G Oliveira,Sérgio Almeida de Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D

Acido tranexâmico e hemostasia em cirurgia de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea

O antífibrinolítico sintético ácido tranexâmico (Transamin ®) foi avaliado em seus efeitos hemostáticos e poupadores de transfusões homólogas, em pacientes submetidos a revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea (CEC). Quarenta pacientes receberam placebo e 55 pacientes foram operados sob o efeito do ácido tranexâmico na dose de 10 g endovenosa no trans-operatório (2 g administrados na indução anestésica e os restantes 8 g nas 4 horas seguintes de cirurgia, de modo contínuo). O ácido tranexâmico, na dosagem utilizada, demonstrou possuir efeito hemostático impressionante, promovendo uma redução no débito pelos drenos torácicos da ordem de 47% nas 12 horas de P.O., 42,5% nas 24 horas de P. O. e 40,5% até a retirada dos drenos, em relação ao grupo-controle (p<0,05). O ácido tranexâmico promoveu uma menor utilização de concentrado de glóbulos homólogos por paciente, porém, diferença estatisticamente significante foi demonstrada apenas nas 24 horas de P.O. com 1,025 unidades/paciente no grupo controle e 0,333 unidades/paciente no grupo-estudo. Com relação às complicações pós-operatórias, houve maior número de alterações neurológicas sem seqüelas (2,5% contra 12,7%) e alterações de creatinina (5% contra 10,9%) no grupo com o ácido tranexâmico. Tais alterações foram atribuídas à alta dosagem da droga. Como conclusão, não se recomenda o uso rotineiro do ácido tranexâmico em pacientes submetidos a revascularização do miocárdio na dosagem de 10 g endovenoso no trans-operatório, mas, devido ao evidente efeito hemostático da droga, aconselha-se maiores investigações a respeito da dosagem e modo de administração ideais.

Ano

1992

Creators

Vargas,Guilherme F Branco,João Nelson R Guimarães,Ana Hercília S Kobata,Cecília Silva,Espedito T. V. F Teles,Carlos Alberto La Rotta,Carlos Arnulfo A Batista Filho,M. L. A Andrade,José Carlos S Buffolo,Ênio

Arterialização seletiva da veia interventricular anterior: opção de revascularização miocárdica

O objetivo deste trabalho é referir dois casos cirúrgicos, onde, após ressecção de aneurisma de ventrículo esquerdo, a revascularização do miocárdio através da artéria interventricular anterior (AIA) não foi possível. Utilizando-se a artéria torácica interna (ATI) esquerda, optou-se pela anatomose com a veia interventricular anterior (VIA) com ligadura próxima, para estabelecimento do fluxo retrógrado e evitar a formação de fístula artenovenosa. Não houve mortalidade e os resultados a curto prazo são encorajadores. Testes de perfusão miocárdica com radioisótopos no pré e no pós-operatório, assim como angiografia do sistema coronário e da artéria torácica interna esquerda pré e pós-operatória são apresentados e discutidos. O objetivo da cirurgia de aneurisma ventricular é a recomposição geométrica do ventrículo esquerdo e revascularização de possíveis áreas isquémicas. Na impossibilidade de revascularização direta da artéria interventricular anterior, a técnica citada demonstra ser facilmente exeqüível e, a curto prazo, com bons resultados.

Ano

1992

Creators

Kubrusly,Luiz Fernando Escorsin,Márcio Zavelinski,Antonio Carlos Stahlke,Paulo Henrique Savytzky,Sérgio Kubrusly,Denise Bermudez

Autotransfusão intra-operatória em cirurgia cardíaca: estudo comparativo de 140 casos

Utilizando-se programa dirigido para diminuição ou eliminação do uso de sangue homólogo, em pacientes cirúrgicos graves, foi realizado um estudo comparativo entre 14 0 casos. Os pacientes foram divididos em 2 grupos de 70 casos cada, onde o Grupo A representava aqueles submetidos a cirurgia cardíaca com o uso de recuperadores celulares automatizados de sangue cell-saver, no Grupo B, os pacientes que não utilizaram cell-saver durante o ato cirúrgico (Grupo controle). A maioria era de reoperações: 71,1 % no Grupo A e 74,2 % no Grupo B, observando-se, ainda, semelhança entre os respectivos grupos em relação a: idade, distribuição por sexo, tipo de operação, condições clínicas e aspectos laboratoriais pré-operatórios (coagulograma; eritrograma; série bioquímica). No Grupo A a utilização média de sangue homólogo, durante o ato cirúrgico, foi de 628 ml, e 479 ml no pós-operatório imediato. Já no Grupo B o uso de sangue homólogo foi de 1.271 ml e 1.095 ml, respectivamente. A perda sangüínea média na sala cirúrgica do Grupo A foi de 380 ml, enquanto que a do Grupo B foi de 89 9 ml. O número de pacientes do Grupo A que não necessitou de sangue homólogo durante o período de internação foi o dobro (5,7%) em relação ao Grupo B (2,8%). A maioria dos pacientes do Grupo A (51,4%) utilizou no máximo 2 unidades de sangue homólogo, enquanto que a maioria dos paciientes do Grupo B (78,6%) utilizou entre 3 ou mais de 5 unidades de sangue homólogo. O estudo mostra, portanto, que a utilização da autotransfusão intra-operatória (ATI) através de processadores celulares automatizados (cell-saver) em cirurgia cardíaca é um procedimento seguro e eficaz, reduzindo em aproximadamente 50 % a utilização de sangue homólogo, com as possíveis reações transfusionais e, principalmente, o risco da transmissão de doenças infecto-contagiosas.

Ano

1992

Creators

Vieira,Sérgio Domingos Santos,Marielza dos Rosales,Thucydides Souza,Luiz Carlos Bento de Dinkhuysen,Jarbas J Chaccur,Paulo Abdulmassih Neto,Camilo Pavanello,Ricardo Jatene,Adib D

Uso de fósforo 31 ressonância nuclear magnética para avaliação da proteção do miocárdio utilizando cardioplegia sangüínea contínua e normotérmica

Um modelo isolado de coração de porco perfundido com sangue foi adaptado para o uso de fósforo 31 ressonância nuclear magnética (31 pRNM) em estudos de espectroscopia do metabolismo cardíaco durante cardioplegia sangüínea contínua e normotérmica (CSCN). O experimento foi dividido em dois grupos: Grupo I (n=5): os corações foram submetidos a 1 hora de CSCN. Grupo II (n=5): um período de 20 minutos de isquemia normotérmica durante o período de 1 hora de CSCN 17. A função do ventrículo esquerdo (VE) foi avaliada, com o coração batendo, utilizando um balão intraventricular, antes do período de parada cardioplégica e a seguir, quando o coração foi novamente perfundido com sangue normokalêmico. Durante todo o protocolo, análise espectroscópica do metabolismo cardíaco foi obtida utilizando-se 4.7 T/30cm Bruker TM Biospec 31 p RNM com uma resolução de 2 minutos para cada resultado. Ao final dos experimentos biópsias miocárdicas foram obtidas para análise de ATP e fosfocreatina (PCr) utilizando cromatografia liqüida de alta "performance" (HPLC). Não houve perda significante de ATP e PCr durante o período de parada cardioplégica com CSCN (Grupo I). Contudo, no Grupo II, a análise espectroscópica demonstrou perda completa de PCr após 14 ± 2 minutos durante a isquemia normotérmica acompanhada de aumento de fosfato inorgânico (Pi) e diminuição do pH intracelular. Quando reperfundido com CSCN, PCr, pH e Pi retornaram aos valores normais em 3 minutos. A função do VE avaliada através da elastância sistólica final foi mantida em 100 ± 10% dos valores obtidos antes da parada cardioplégica no Grupo I. No Grupo II, a função do VE foi de 88 ± 7% (p<0,05) dos valores precedentes à parada cardioplégica. Os resultados das biópsias do miocárdio demonstraram manutenção dos níveis normais de ATP (24 ± 3 µmol/g dry weight) e PCr (55 ± 14 µmol/g dry weight) no Grupo I, porém no Grupo II, apesar dos níveis normais de PCr após a reperfusão, os níveis de ATP diminuíram para 21 ± 3 µmol/g dry weight ao final do experimento. Este experimento demonstrou que o metabolismo cardíaco deteriorou após 14 minutos de isquemia normotérmica com conseqüente diminuição da função do VE (Grupo II). Porém, quando a cardioplegia sangüínea contínua e normotérmica foi utilizada sem interrupções (Grupo I) o metabolismo cardíaco e a função de VE foram preservadas, sugerindo que essa é a maneira ideal para se proteger o coração durante cirurgia cardíaca.

Ano

1992

Creators

Barrozo,Carlos A. M Ali,Imtiaz S Panos,Anthony L Al-Nowaiser,Owaid Butler,Keith W Haas,Nicholas Salerno,Tomás A Deslauriers,Roxanne

Tratamento cirúrgico das dissecções de aorta tipo A utilizando parada cardiocirculatória total com hipotermia profunda

No período de julho de 1986 a julho de 1993, 22 pacientes portadores de dissecção de aorta tipo A foram tratados cirurgicamente utilizando-se parada cardiocirculatória (PCC) total sob hipotermia profunda (18ºC), dos quais 15 apresentavam dissecção aguda e 7 dissecção crônica. Em 14 casos (64%) a aorta ascendente foi reconstruída utilizando-se enxerto reto de Dacron, com troca valvar aórtica em 5 pacientes e ressuspensão valvar aórtica em 2; a reconstrução do arco aórtico foi empregada em 8 casos (36%), nos quais a dissecção se extendia ou se originava no mesmo, havendo necessidade de reimplante dos ramos supra-aórticos em 3 pacientes. O tempo médio do PCC foi de 43 minutos, a mortalidade hospitalar foi de 18%, e a complicação pós-operatória mais freqüente foi a infecção respiratória. Cinco pacientes (22,7%) apresentaram dano neurológico pós-operatório, sendo, em 4 casos, reversível e atribuível a edema cerebral; 1 caso (4,5%) apresentou acidente vascular hemisférico estabelecido. Concluímos que a técnica de PCC sob hipotermia profunda deve ser utilizada sempre no reparo das dissecções de aorta tipo A, independentemente de sua extensão ao arco aórtico, pois oferece uma proteção cerebral segura, permite a inspeção ampla da zona dissecada e do local de rotura da íntima, e evita o trauma produzido pelo clampeamento da aorta acometida.

Ano

1993

Creators

Albuquerque,Luciano Cabral Goldani,Marco Antônio Goldani,Juremir João Piantá,Ricardo Medeiros Araújo,Rubens Lorentz Petracco,João Batista

Tipos de circulação e predominância das artérias coronárias em corações de brasileiros: morphometric study

O conhecimento anatômico do tipo de circulação, com a identificação da dominância das artérias coronárias na irrigação do coração, apresenta grande interesse clínico e cirúrgico, devido a que variações nessa irrigação ocasionam diferentes graus de gravidade em casos de obstrução. Foram estudados 50 corações retirados de indivíduos adultos, de ambos os sexos e diferentes raças, nos quais as artérias coronárias foram dissecadas, visando identificar o tipo de circulação. Realizamos, ainda, estudo morfométrico em corações cujo peso médio foi 291 gramas e altura ventricular média de 97 mm. Em 72% dos corações estudados havia dominância da direita, 16% circulação balanceada e 12% dominância da esquerda. Identificamos o número de ramos que ultrapassam a crux cordis, sendo o mínimo de um ramo e o máximo de cinco ramos, com valor médio de 2,2 nos casos de dominância da direita e em apenas dois corações um ramo (em cada um) nos 8 de dominância da esquerda. Em 50% dos corações estudados o ramo interventricular anterior ultrapassa o ápice cardíaco, atingindo a sua face diafragmática.

Ano

1993

Creators

Lima Júnior,Renato Cabral,Richard Haiti Prates,Nadir Eunice Valverde B. de

Reconstituição da valva pulmonar e via de saída do ventrículo direito, com prótese bivalvular e prótese tubular valvada de tronco pulmonar de porco: estudo experimental e aplicação clínica

A obstrução da via de saída do ventrículo direito (VSVD) tem gerado muita polêmica em torno da técnica da sua correção cirúrgica, sendo a reconstituição ainda motivo de controvérsias. Com essa finalidade, foram desenvolvidas duas próteses a partir do tronco pulmonar (TP) de porco: 1) a prótese bivalvular: poderia ser usada na correção da tétrade de Faliot associada a hipoplasía do anel pulmonar: 2) a prótese tubular valvada, possuindo a própria valva pulmonar: poderia ser empregada na correção de malformações com descontinuidade entre o VD e TP. Estes dois tipos de próteses foram testados em modelo experimental. Seis ovelhas foram submetidas a implante de prótese bivalvular, com o auxílio da circulação extracorpórea (CEC), após ampla ressecção do infundíbulo pulmonar, incluindo duas válvulas da valva pulmonar, procurando-se, com isto, imitar a reconstituição empregada no Fallot. O implante da prótese tubular valvada foi realizado em 12 ovelhas, sem o auxílio da CEC, mediante pinçamento tangencial do infundíbulo e TP, permitindo o desvio do fluxo sangüíneo através do conduto, após ligadura do TP. A prótese bivalvular implantada foi avaliada mediante parâmetros hemodinâmicos e ecocardiográficos na fase intra-operatória, conferindo desempenho satisfatório (insuficiência pulmonar discreta ou ausente e gradientes VD-TP menores de 10 mm Hg). A seguir, os animais foram sacrificados. O desempenho da prótese tubular valvada foi avaliada na fase intra-operatória com medidas hemodinâmicas, mostrando gradientes acima de 10 mmHg em apenas 3 casos. Sete ovelhas tiveram controle ecocardiográfíco com 99 a 135 dias de evolução, registrando gradientes de 9,85 mmHg a 49 mmHg (média 19,7). Quatro casos foram submetidos a estudo hemodinâmico no 6º mês de evolução, registrando discreto aumento do gradiente (média 22,3); a seguir os animais foram sacrificados e encaminhados para estudo anatomopatológico. A aplicação clínica da prótese bivalvular foi realizada em 3 pacientes portadores de t. de Fallot associada a hipoplasía do anel pulmonar (2 casos) e agenesia da valva pulmonar (1 caso), com idades de 16, 2 e 7 anos. Após evolução de 3 a 10 meses, os gradientes variaram entre 10 mmHg e 20 mmHg e discreta insuficiência pulmonar valvar ao estudo ecodopplercardiográfico. A prótese tubular valvar foi implantada em 2 pacientes portadores de atresia pulmonar associada a comunicação interventricular (CIV) e outro a transposição corrigida das grandes artérias (TCGA) associada a GIV e estenose subpulmonar, com idades de 10 e 6 anos, respectivamente. Após evolução de 5 a 12 meses, foram detectados suficiência da valva pulmonar, gradientes entre 15 mmHg e 18 mmHg, sem sinais de calcificação. Apesar de se considerar aceitáveis os resultados desta experiência, a ampliação das indicações deverá ser feita com cautela, até o melhor conhecimento da resistência da prótese a calcificação, infecção, obstrução e rotura.

Ano

1993

Creators

Maluf,Miguel A Verde,José L Leal,João Carlos Catani,Roberto Garcia Jr,Herminio Vega Thevenard,Rubens Carvalho,Antonio C Andrade,José L Andrade,José Carlos S Braile,Domingo M Leão,Luiz Eduardo V Buffolo,Ênio

Octogenários: resultados de 3659 necropsias (12 anos de observação)

No InCór, no período compreendido entre janeiro de 1978 e dezembro de 1990, foram realizadas 3659 necropsias, das quais 106 relativas a pacientes com idade > 80 anos. Destes, 55 (51,88%) eram do sexo masculino e 51 (48,11%) do feminino. A média de idade foi igual a 83,66 (80 a 93 anos). Dentre os principais sintomas (Gráfico 3) apresentados figuravam: a angima do peito em 40,56%, a dispnéia em 25,47% e a síncope em 8,49 deles. Em 47,16% dos pacientes os sintomas haviam se iniciado a mais de seis meses. Dentre os sistemas desencadeantes dos óbitos (Gráfico 1), encontramos o cardiovascular em 74,52%, o respiratório em 10,37%, o digestivo em 9,43%, o nervoso em 1,88%, o urinário em 1,88% e outros em 1,88%. Entre os óbitos cardiovasculares (Gráfico 2), 56,96% foram devidos a coronariopatia, 12,65% a miocardiopatia, 10,12% devido aos aneurismas da aorta e 8,86% atribuídos às arritmias. Baseados na casuística prévia e considerando: 1) que o sistema cardiovascular foi o maior determinante dos óbitos (74,52%); 2) que as coronariopatias foram responsáveis por 56,96% dos óbitos cardiovasculares; 3) que a revascularização convencional neste grupo tem mortalidade atual de 8,5%; 4) que a angioplastia primária foi bem sucedida em 93,2%, concluímos que ambas, a qualidade e a expectativa de vida, podem ser melhoradas trazendo o octogenário para próximo do médico, ou reduzindo o intervalo entre suas avaliações.

Ano

1993

Creators

Iglézias,José Carlos R Lourenção Jr,Artur Dallan,Luís Alberto Gutierres,Paulo Sampaio Ramires,José Antônio F Stolf,Noedir A. G Oliveira,Sérgio Almeida de Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D

Tubo valvulado ápico-aórtico na calcificação da valva aórtica e aorta ascendente

É descrito método para correção cirúrgica da estenose aórtica adquirida, conseqüente a calcificação da valva aórtica e da aorta ascendente. Foi empregado tubo de Dacron preparado especialmente para o caso, valvulado com prótese biológica número 21, interposto entre o ápice do ventrículo esquerdo e a aorta torácica descendente. Esse conduto permitiu ao fluxo sangüíneo proveniente do ventrículo esquerdo (VE) ultrapassar a obstrução de sua via de saída, sendo ajetado diretamente na aorta descendente. O gradiente pressórico através da valva aórtica reduziu-se de 75 mmHg para 35 mm Hg e o gradiente registrado entre o VE e o conduto valvulado foi de 13 mmHg. A paciente teve boa evolução hospitalar, permanecendo assintomática decorridos quatro meses da operação.

Ano

1993

Creators

Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio Almeida de Pêgo-Fernandes,Paulo M Iglézias,José Carlos R Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D

Remoção cirúrgica de trombos em próteses valvulares mecânicas

É relatada a retirada cirúrgica de trombos em próteses mecânicas em dois pacientes, manobra rara e inédita em nossa Instituição. O primeiro paciente, do sexo masculino, de 19 anos de idade, com história de doença reumática na infância, tendo sido submetido a duas duplas trocas mitro-aórticas, com duas próteses metálicas na última operação, realizada em 1988. Tendo descontinuado o uso de anticoagulantes por conta própria, deu entrada no pronto-socorro em edema agudo dos pulmões, com diagnóstico de trombose nas próteses. Foi levado ao centro cirúrgico, optando-se pela limpeza cirúrgica das próteses, diminuindo, desta forma, o tempo de circulação extracorpórea em paciente de extrema gravidade. Outra paciente, de 2 anos e 6 meses de idade, com diagnóstico de insuficiência mitral por degeneração mixomatosa, foi submetida a troca da valva mitral por prótese mecânica em 13/10/92. Apesar de bem anticoagulada, apresentou trombose da prótese e, no dia 12/1/93, foi submetida a trombectomia cirúrgica. Os dois pacientes apresentaram boa evolução pós-operatória, sendo que a segunda paciente, 3 meses após a trombectomia, apresentou nova trombose aguda, sendo administrada estreptoquinase, com sucesso. A trombectomia cirúrgica pode ser uma boa opção em pacientes com alto risco e portadores de trombose de próteses metálicas.

Ano

1993

Creators

Pomerantzeff,Pablo M. A Silveira,Wilson Luiz da Afiuni,Jorge Y Ikari,Nana Snitkowsky,Raquel Grinberg,Max Ebaid,Munir Barbero-Marcial,Miguel Verginelli,Geraldo Jatene,A. D

Suporte (holder) ADL para cirurgia profética valvar cardíaca: the ADL Holder

Apresentamos um instrumento cirúrgico inédito, o Suporte ADL, para cirurgia de substituição valvar cardíaca em qualquer das posições: aórtica, mitral ou tricúspide, por próteses biológicas ou mecânicas. Esse suporte já foi utilizado em nosso Serviço em 33 pacientes (19 mitrais e 14 aórticos) e tem se mostrado vantajoso para esse tipo de cirurgia.

Aorto-subclavioplastia com preservação do fluxo arterial: padronização técnica

Entre fevereiro de 1984 e março de 1992, 10 pacientes portadores de coarctação da aorta foram operados utilizando-se a aorto-subclavioplastia com preservação do fluxo arterial para o membro superior esquerdo. Oito eram do sexo masculino e 2 do sexo feminino. A idade variou de 2 meses a 25 anos (média 6,3 anos) e peso de 3,1 kg a 60 kg (média 21,2 kg). A técnica consistiu basicamente na desinserção da artéria subclávia esquerda e posterior reimplante, em forma de telhado, um pouco abaixo, sobre a região coarcatada, produzindo uma importante ampliação da aorta preservando o fluxo arterial para o braço. Na realização deste procedimento deve-se atentar para dois detalhes fundamentais: a) ampla dissecção da aorta e artéria subclávia para permitir grande mobilização destes vasos; b) a abertura na parede anterior da aorta deve ser a maior possível, de modo que a artéria subclávia, quando reimplantada, ultrapasse folgadamente a região estreitada, produzindo uma restauração anatômica da luz arterial sem grandes tensões na linha de sutura. Duas modificações na técnica original foram utilizadas: a) ressecção de um segmento da parede anterior da aorta conjuntamente com a artéria subclávia empregada em pacientes com istmo bem formado, promove uma boa correção com menor deslocamento dessa artéria; b) ressecção do segmento coarctado, anastomose término-terminal posterior e ampliação anterior com a artéria subclávia (indicada nas crianças menores, com objetivo de eliminar, total ou parcialmente, o tecido ductal). A técnica padrão foi utilizada em 3 pacientes, com segmento da aorta em 2, e a ressecção do segmento coarctado em 5. Um paciente faleceu na operação (óbito não relacionado com a técnica) e 9 foram acompanhados (tempo mínimo 12 meses, máximo 8 anos e média 3,9 anos). Todos se mantiveram assintomáticos, com pressão arterial e intensidade normal de pulso nos membros inferiores. O estudo angiográfico pós-operatório realizado entre o segundo dia e o sexto ano (média 1,6 anos) evidenciou uma excelente ampliação da aorta com preservação do fluxo para o membro superior esquerdo em 8 pacientes. Em apenas 1 foi observado pequeno estrangulamento circular causando gradiente de 20 mmHg. Em conclusão, a aorto-subclavioplastia com preservação do fluxo arterial (técnica-padrão ou associada) assegura uma correção anatomicamente adequada, permite crescimento da aorta e pode ser empregada na grande maioria das coarctações tratadas na idade pediátrica.

Ano

1993

Creators

Mendonça,José Teles de Carvalho,Marcos Ramos Costa,Rika Kakuda da Franco Filho,Edson Costa,Geodete Batista

Transplante de valva mitral heteróloga: Nova alternativa cirúrgica: estudo clínico inicial

A substituição da valva mitral tem sido realizada, nestes 30 anos, usando-se o modelo aórtico. Embora o resultado clínico, na maioria dos pacientes seja satisfatório, existem, restrições específicas, tanto entre as biopróteses, como nas próteses mecânicas. A experiência no tratamento dos tecidos biológicos, assim como a fabricação de substitutos valvares, há 2 décadas, tem permitido o desenvolvimento da valva mitral heteróloga. Este substituto mitral foi implantado em 38 pacientes, com a preservação da função ventricular. A idade média foi de 29 anos, predominando o sexo feminino (69%), e a etiologia reumática em 86%. A dupla lesão foi a mais freqüente (53%). A classificação funcional deste grupo engloba (47%) em classe II e (53%) em classe IV da NYHA. A técnica cirúrgica é reproduzível e proporcionou resultados clínicos satisfatórios durante 12 meses de evolução, demonstrando que a valva mitral heteróloga é o substituto natural, quando indicada a troca valvar. Houve uma reoperação em paciente que apresentou insuficiência mitral moderada, devido à desproporção entre a valva escolhida e o anel mitral bastante dilatado. Os resultados clínico, hematológico e ecocardiográfico têm sido extremamente gratificantes, durante o período de seguimento. O desenho mitral natural, aliado ao tratamento anticalcificante, é o que deve proporcionar melhor qualidade de vida e a durabilidade desejada.

Ano

1993

Creators

Vrandecic,Mário O Gontijo Filho,Bayard Fantini,Fernando Antônio Silva,João Alfredo de Paula e Barbosa,Juscelino Teixeira Gutierrez,Cristiana Barbosa,Maurício R Oliveira,Sérgio Almeida de Morea,Mário

Diminuição do sangramento pós-operatório produzido pela heparina, após aplicação tópica de adenosina trifosfato (ATP) em cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea

A concentração de heparina doi determinada no sangue de pacientes submetidos a cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea, antes e depois da sua neutralização com protamina. Determinouse também a quantidade de heparina no sangue coletado dos drenos da cavidade torácica 12 horas após a operação. Cerca de 15% da heparina, a despeito de um tempo de coagulação normal, permanece na circulação após a administração de protamina, e também é encontrada no sangue coletado dos drenos da cavidade torácica. O peso molecular médio dessa heparina circulante, bem como da encontrada nos drenos torácicos, foi ao redor de 7 KiloDaltons (KDa), comparando ao de 15 KDa da heparina dosada no sangue antes da sua neutralização pela protamina. Graças a achados anteriores de que as heparinas de baixo peso molecular, responsáveis pelo sangramento da ferida operatória, podem ser neutralizadas por trifosfato de adenosina (ATP)4, a cavidade torácica de pacientes consecutivos e não selecionados, divididos em 3 grupos de 15, foi lavada com diferentes concentrações, ou de ATP (10-5, 5 x 10-4 M) ou com protamina, ou, ainda, apenas com solução fisiológica (grupo controle). Observou-se uma curva dose-resposta linear entre a diminuição do sangramento com o aumento da dose da ATP utilizada. ATP, numa concentração de 10-4 M, diminuiu significativamente o volume de sangue drenado da cavidade torácica dos pacientes (média de 288 ± 188 ml), quando comparado ao grupo que recebeu protamina (média de 496 ± 210 ml), e ao grupo controle (média 564 ± 288 ml) (p < 0,05). ATP numa concentração de 5 x 10 -5 M reduziu as perdas sangüíneas a 370 ± 155 ml dos pacientes (p < 0,08). A média de sangramento, no total dos pacientes que receberam ATP, foi de 314 ± 170 ml (p < 0,08).

Ano

1993

Creators

Hermínio,Vega Nader,Helena Dietrich,Carl P Buffolo,Ênio

Comportamento da função do ventrículo esquerdo a longo prazo no transplante cardíaco ortotópico

No InCór-FMUSP, no período de março de 1985 a fevereiro de 1993 (75 meses), 110 pacientes portadores de miocardiopatia terminal foram submetidos a transplante cardíaco ortotópico (TCO). Desta série, foram selecionados 24 pacientes, com sobrevida superior a 36 meses, para análise da função do ventrículo esquerdo (VE) a longo prazo. O período de seguimento clínico esteve compreendido entre 36 meses e 78 meses (56 meses). A idade variou de 27 a 60 anos (44,3 anos), sendo 21 (87,5%) do sexo masculino. As etiologias da doença cardíaca que motivaram a indicação dos transplantes foram: miocardiopatia dilatada em 13 (54,2%) pacientes, isquémica em 8 (33,3%) e chagásica em 3 (12,5%). Todos encontravamse, inicialmente, em classe funcional IV (NYHA). A cinecoronariografia e as variáveis hemodinâmicas e ecocardiográficas foram aferidas, no pós-operatório, anualmente até o quinto ano de evolução. Os resultados obtidos permitem concluir que: 1) o VE, em todos os casos, apresenta hipertrofia como mecanismo de adaptação; 2) a hipertensão arterial esteve presente desde o primeiro ano de evolução; 3) as rejeições agudas e a etiologia da miocardiopatia não interferiram na função do VE; 4) a aterosclerose acelerada exerce efeito negativo na função do VE; 5) do ponto de vista ecocardiográfico e hemodinâmico, a função do VE manteve-se estável até o quinto ano de evolução pós-operatória; o aparecimento de redução significativa do índice cardíaco (IC) associado à incidência crescente de resultados anormais nas variáveis analisadas, sugere tendência à depressão tardia do seu desempenho.

Ano

1993

Creators

Fiorelli,Alfredo Inácio Stolf,Noedir A. G Lemos,Pedro Carlos Piantino Pomerantzeff,Pablo M. A Bocchi,Edmar A Graziozi,Pedro Busnardo,Fábio Gaiotto,Fábio Góes,Marisa Fernandes Silva Jatene,Adib D

A insuficiência da valva aórtica na dissecção crônica da aorta proximal: troca ou reconstrução valvar?

Com o objetivo de avaliar os resultados clínicos e ecocardiográficos tardios obtidos com a correção da insuficiência aórtica decorrente da dissecção crônica da aorta proximal, foram estudados 48 pacientes consecutivos operados entre janeiro de 1980 e dezembro de 1989, separados em 2 grupos de 24 pacientes cada. Grupo A - pacientes nos quais a valva aórtica foi preservada pela "resuspensão comissural"; Grupo B - pacientes nos quais a valva aórtica foi substituída. Na avaliação ecocardiográfica pré-operatória, os pacientes do Grupo B apresentavam grau de insuficiência aórtica, diâmetros ventriculares (sistólico e diastólico) e da aorta ascendente significativamente maiores do que os do Grupo A (p=0,03), sendo comparáveis nos demais parâmetros. A mortalidade hospitalar foi 12,5% no Grupo A e de 4,17% no Grupo B e a sobrevida aos 7 anos, respectivamente, 75,75% ± 9,82% e 82,72% ± 7,87% (NS). A avaliação clínica mostrou que, no pós-operatório, houve melhora significativa (p<0,001) e semelhante dos parâmetros nos dois grupos. A comparação ecocardiográfica pré e pós-operatória tardia mostrou, da mesma forma, redução importante dos diâmetros sistólico e diastólico do ventrículo esquerdo e no diâmetro da aorta (p<0,05), mantendo-se inalteradas as frações de encurtamento e de ejeção ventriculares nos pacientes dos dois grupos. Nos pacientes do Grupo A, entretanto, houve persistência de insuficiência aórtica residual (p=0,03). Os autores concluem que, com as duas técnicas empregadas, o tratamento cirúrgico da dissecção da aorta ascendente com insuficiência aórtica associada permite sobrevida imediata e tardia satisfatórias e nítida melhora funcional. Nos pacientes do Grupo A, a insuficiência aórtica residual detectada à ecocardiografia não produziu sintomas ou repercussão hemodinâmica tardios e, desta forma, preconizam a preservação da valva, sempre que tecnicamente possível.

Ano

1993

Creators

Beyruti,Ricardo Stolf,Noedir A. G Moreira,Luiz Felipe P Pêgo-Fernandes,Paulo M Mady,Charles Jatene,Adib D