Repositório RCAAP
Critérios ecocardiográficos para definição de graus de disfunção ventricular em ratos portadores de estenose aórtica
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi identificar variáveis ecocardiográficas que definam graus de disfunção cardíaca em ratos com estenose aórtica (EAo). MÉTODOS: Ratos Wistar (n = 23), machos (90-100 g), foram submetidos a cirurgia para indução de EAo. As variáveis ecocardiográficas analisadas foram: diâmetros diastólico do ventrículo esquerdo (DDVE) e sistólico do átrio esquerdo em valores absolutos e normalizados para o peso corporal; diâmetro sistólico do VE (DSVE); três índices de encurtamento do VE (% de encurtamento endocárdico, %Enc.Endo; % de encurtamento miocárdico, %Enc.Mio; e velocidade de encurtamento da parede posterior do VE, VEPP); e índice de massa do VE (IMVE). Essas variáveis foram utilizadas para a análise de agrupamento ("cluster analysis"). RESULTADOS: A análise de agrupamento possibilitou separar os ratos com EAo em dois grupos: disfunção leve (n = 13) e disfunção severa (n = 9). Os intervalos de confiança das seguintes variáveis não apresentaram superposição dos seus valores: DDVE, DSVE, %Enc.Endo, %Enc.Mio, IMVE e VEPP. CONCLUSÃO: A utilização conjunta dos intervalos de confiança dessas variáveis permite identificar dois grupos de ratos com estenose aórtica e diferentes graus de comprometimento cardíaco, possibilitando a realização de estudos longitudinais com grupos homogêneos de animais.
2006
Moreira,Vanessa Oliveira Castro,Ana Valéria Barros de Yaegaschi,Marcelle Yumi Cicogna,Antonio Carlos Okoshi,Marina Politi Pereira,Camila Alves Aragon,Flávio Ferrari Bruno,Mário Batista Padovani,Carlos Roberto Okoshi,Katashi
Substituição da aorta ascendente e arco aórtico por enxerto de pericárdio bovino: resultados a médio prazo
Condutos e remendos de pericárdio bovino (PB) têm sido utilizados na substituição ou reparo da aorta ascendente e segmentos iniciais do arco aórtico, na nossa Instituição desde 1989. As principais vantagens são a facilidade de seu manuseio, a boa hemostasia, o baixo custo. Este estudo foi realizado para analisar o comportamento desse heteroenxerto após um mínimo de 2 anos de implante. No período de fevereiro de 1989 a fevereiro de 1994, 83 pacientes foram submetidos a 85 procedimentos com implante de enxertos de PB na aorta ascendente ou arco aórtico. A mortalidade hospitalar foi de 18%. Trinta e um pacientes com pelo menos 2 anos de seguimento foram selecionados para análise do enxerto (seguimento médio= 40,9 meses). Foram submetidos a estudo cl ínico e ecocardiográfico, sendo 15 reestudados através de cineangiocardiograf ia. Foram pesquisados o desempenho hemodinâmico e a presença de alterações, tais como dilatação, calcificação, trombose ou pseudoaneurisma. Em todos os pacientes o enxerto estava funcionando perfeitamente e sem ocorrência de qualquer anormalidade. O presente estudo permite concluir que, em até 5 anos, não se observou qualquer alteração adversa no funcionamento desses enxertos, que se mostraram de mais fácil manuseio e mais hemostáticos que os enxertos de Dacron classicamente usados.
1994
Fantini,Fernando Antônio Gontijo Filho,Bayard Vrandecic,Mário O Barbosa,Juscelino Teixeira Silva,João Alfredo Paula e Drumond,Leonardo F Alcocer,Eduardo Peredo Castro,Marcelo F Ferrufino,Arturo B Maciel,Flávio J Barbosa,Maurício R Braga,Maria A
Contrapulsação em operação cardíaca: análise retrospectiva da incidência de infecção
Recentes avanços tecnológicos ampliaram o uso do balão intra-aórtico como medida de suporte na insuficiência cardíaca aguda. Apesar disto, têm sido descritas algumas complicações relacionadas à sua inserção, duração do uso e localização. O objetivo deste estudo foi investigar retrospectivamente a ocorrência de infecções em pacientes críticos que necessitaram do uso do balão intra-aórtico (BIA) após operação cardíaca. Entre janeiro de 1990 e julho de 1992, foram revisados os prontuários de 97 pacientes que necessitaram de BIA no pós-operatório de operação cardíaca, sendo que apenas 55 apresentavam informações completas que permitiram sua inclusão na revisão. Foram obtidas informações a respeito de ocorrência de infecções, resultados de culturas, tipo e tempo de duração das operações, tempo de circulação extracorpórea, duração da cateterização intravascular e evolução clínica. Foram considerados os seguintes locais de infecção: pulmão, urina, corrente sangüínea, ferida operatória e local de inserção do BIA. A média de permanência do BIA foi de 3,9 ± 2,01 dias e os tempos médios de operação e de circulação extracorpórea foram 8h e 2,5h, respectivamente. Observamos uma alta incidência de infecções nestes pacientes, principalmente pneumonia (63,6%). A taxa de infecção no local de inserção do BIA foi de 7% e maior que a taxa geral de infecção da ferida operatória em nossa Instituição (3%). Apesar desta alta incidência de infecções não relacionar-se diretamente com a taxa de mortalidade, sugerimos rigorosa vigilância com relação à ocorrência de infecções e possíveis medidas profiláticas em relação a infecções pulmonares
1994
Borges,Luís Henrique Barbosa Camargo,Luis Fernando A Strabelli,Tânia Mara V Uip,David E Auler Júnior,José Otávio C
Avaliação dos resultados tardios da operação de derivação cavo-pulmonar bidirecional, no tratamento paliativo de cardiopatias congênitas com câmara ventricular única
No período de março de 1990 a janeiro de 1994, 17 pacientes com idades de 1 a 13 anos (média: 7 anos), portadores de cardiopatias congênitas com câmara ventricular única funcionante, foram submetidos a operação de derivação cavo-pulmonar bidirecional. Nove pacientes tinham atresia tricúspide (AT), 7 do tipo lb, 1 tipo le e 1 tipo Mb. Cinco pacientes tinham dupla via de entrada ventricular tipo ventrículo direito (DVEVD); 2 com comunicação interventricular(CIV) múltipla+hipoplasiado VD; 1 com atresia pulmonar com septo interventricular íntegro (APc/SIVI). Nove (52,9%) pacientes tinham operações paliativas prévias. A operação foi realizada com auxílio da circulação extracorpórea (CEC) em 12 (70,5%) casos e mediante derivação do fluxo sangüíneo da veia cava superior (VCS) para o átrio direito (AD) em 5 (29,5%) casos. Em todos os casos a VCS foi anastomosada à artéria pulmonar direita (APD), interrompendo o fluxo sangüíneo para o pulmão, fechando a valva pulmonar e ligando a derivação de Blalock-Taussig pérvio. Houve 3 (17,6%) óbitos no pós-operatório imediato (POI) e 2 (14,2%) no pós-operatório tardio (POT). Doze (70,5%) pacientes estão em acompanhamento clínico, com um tempo de evolução de 2 a 46 meses. Um paciente foi submetido ao 2º tempo da operação, tunelizando a veia cava inferior (VCI) para a APD, com sucesso. A avaliação do fluxo da derivação cavo-pulmonar bidirecional está sendo realizada pela ecodopplercardiografia e ressonância nuclear magnética e a perfusão pulmonar mediante cintilografia radioisotópica. A indicação do 2º tempo da operação obedece à própria evolução clínica e avaliação da saturação arterial durante a cicioergometria. A derivação cavo-pulmonar bidirecional permite uma adaptação progressiva do fluxo venoso para o pulmão, diminuindo a sobrecarga de volume do ventrículo, preparando o paciente para a derivação venosa total.
1994
Maluf,Miguel Angel Andrade,José carlos S Catani,Roberto Carvalho,Antônio C Negrini,Nilce Buffolo,Ênio
Proteção medular em cirurgia da aorta descendente com uso de "bio-pump" e exsangüinação controlada
Os autores utilizam como método de proteção medular em cirurgia de aorta descendente, circulação extracorpórea átrio esquerdo-femoral esquerda, com baixa dose de heparina (1 mg/kg), bomba centrífuga (bio-pump) e exsangüinação controlada. Operaram 4 doentes com esta metodologia sem que houvesse mortalidade, paraplegia ou sangramento excessivo.
1994
Murad,Henrique Feitosa,José L Giambroni Filho,Rubens Azevedo,José Augusto de Brito,João de Deus e Palhares,Márcia S Gomes,Eliane C Nascimento,Francisco José do Oliveira,Diniz Alves de Fonseca,Maria Elisa G Couto,Amauri Dias do Sá,Mauro Paes Leme de Pires,Juscileide M. de Araújo
Reoperação em valvopatias: análise de 697 pacientes
O estudo objetivou avaliar resultados imediatos e tardios da cirurgia das reoperações em pacientes portadores de valvopatias, analisando o seguimento do paciente e não da prótese empregada. Foram analisados retrospectivamente 697 (419 fem. e 278 masc.) pacientes que foram reoperados entre 1970 a 1993. A idade média foi de 43,4±17,9 anos. Como diagnóstico pré-operatório, 281 (40,3%) apresentavam disfunção de prótese, 212 (30,5%) reestenose pós comissurotomia, 103 (14,7%) tiveram rotura e 101 (14,5%) trombose da prótese. Reoperação em valvopatias representou uma média de 7,38% de todo o movimento cirúrgico do Serviço, sendo, nos últimos 2 anos, 26,7% das operações por valvopatia. A mortalidade hospitalar foi de 9,89%, e o intervalo entre a 1º e a 2º operação foi de 77±37 meses. Desses pacientes, 110 já foram submetidos a uma 3º operação no nosso Serviço, com intervalo médio de 81±28 meses e 10 já foram submetidos a uma 4º operação. A mortalidade tardiafoi de 16,6% e o seguimento médio de 14 anos, com perda de seguimento de 18,7% de pacientes. Ao contrário da maioria dos estudos de reoperações onde é acompanhada a evolução de determinada prótese, nós procuramos enfocar o paciente e sua evolução clínica. Os resultados demonstram que a incidência de reoperações na prática do Serviço vem aumentando sucessivamente e que esse tipo de operação pode ser realizado com um risco aceitável, e seus resultados, ainda que não excelentes a longo prazo, permitem ao paciente uma sobrevida razoável e a oportunidade de uma nova operação.
1994
Barrozo,Carlos Alberto Mussel Santos,Rinaldo Costa Sgarbi,Cássio José Lacanna,Roberto Carin Matheus,Neli Dalva Silva,Elaine Moraes da Oliveira,Maria José Ricardo Neves,Maria de Fátima F. Balthazar Ardito,Wilma Roberta Kioshi,Roberto Hoshino Ardito,Roberto Vito
Tratamento cirúrgico das valvopatias: parte 1
Este assunto, de amplo aspecto, será abordado em três partes. O presente trabalho trata-se do histórico, indicação cirúrgica, conduta pré-operatória e próteses valvulares cardíacas. Os demais capítulos discutirão sobre técnica operatória, reoperações e situações especiais, como o tratamento cirúrgico na endocardite e experiências com válvula de pericárdio bovino.
1994
Braile,Domingo M. Volpe,Marco A Ramin,Serginando L Souza,Dorotéia R. S
Avaliação dos níveis de ansiedade dos pacientes assistidos no Serviço de Reabilitação Cardiovascular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia
A ansiedade tem sido mencionada como um dos fatores relevantes para o desenvolvimento e manutenção das coronariopatias. Neste estudo avaliaram-se os níveis de ansiedade traço e estado de 100 pacientes assistidos pelo Serviço de Reabilitação Cardiovascular da Divisão de Diagnóstico e Terapêutica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Submetidos à aplicação do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) antes das atividades físicas, os pacientes que apresentaram estado de ansiedade acima da média populacional foram reavaliados após as atividades, com o objetivo de verificar se estas colaboravam para a diminuição dos níveis de ansiedade estado dos mesmos. Pelos resultados obtidos, pôde-se deduzir que os pacientes se beneficiaram com este procedimento, quanto à diminuição dos níveis de ansiedade estudados. Destacaram-se, também, a hostilidade e a sociabilidade caracterizando as formas de interrelações. Em nível psicológico, os autores sugerem o uso de técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo e orientação psicológica como recursos utilizados para mudança de comportamento e estilo de vida do indivíduo, auxiliando-o a estabelecer um melhor funcionamento de seu psiquismo, bem como o equilíbrio homeostático.
1994
Heidrich,Gerson Campos,Lourdes Helena de
Bloqueio AV total congênito: novo modelo experimental para avaliação do marcapasso fetal
O implante de marcapasso epicárdíco em fetos via toracotomia é um procedimento potencialmente mais seguro e eficaz para se tratar o bloqueio AV total congênito (BAVT), quando associado à hidropsia fetal e refratário ao tratamento clínico. Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de avaliar as características eletrofisiológicas de dois eletrodos epicárdicos através de novo modelo experimental de BAVT congênito induzido pela crioablação do nó AV. Foram aplicados, em 2 grupos de 6 fetos de ovelhas (80% da gestação), um eletrodo de rosqueamento (1,5 voltas) e outro de sutura epicárdica. O BAVT foi obtido em todos os fetos, não sendo observado nenhum ritmo de escape ventricular. Os limiares de estimulação foram baixos para ambos os eletrodos, com valores inferiores para o eletrodo de rosqueamento com largura de pulso abaixo de 0,9 mseg (p < 0,03). A corrente medida no limiar de voltagem com largura de pulso abaixo de 0,5 mseg foi menor para o eletrodo de rosqueamento (p < 0,048). A resistência dos 2 eletrodos medida com voltagem constante não foi estatisticamente diferente (441,8 ± 13,7 Ω para o eletrodo de rosqueamento versus 480,2 ± 59,2 Ω para o eletrodo de sutura epicárdica). Não houve diferença estatisticamente significante (p > 0,20) na amplitude da onda R dos 2 eletrodos. O slew rate foi significativamente maior para o grupo de fetos com eletrodo de rosqueamento (1,40 ± 0,2 versus 0,62 ± 0,2 V/seg. p=0,04). O método é simples e reprodutível para avaliação do marcapasso fetal, sendo que o eletrodo de rosqueamento representa a melhor opção, quando houver indicação de implante de marcapasso em fetos.
1994
Assad,Renato S Jatene,Marcelo B Moreira,Luiz Felipe P Sales,Paulo C Aiello,Vera Demarqui Costa,Roberto Hanley,Frank L Jatene,Adib D
Implante de marcapasso endocárdico transatrial concomitante a cirurgia com circulação extracorpórea
FUNDAMENTO: A utilização de eletrodos epimiocárdicos permanentes tem sido progressivamente abandonada pelos piores resultados que essa técnica apresenta quando comparada aos eletrodos transvenosos. Implante de eletrodos endocárdicos transtorácicos transatriais tem sido relatado como alternativa ao implante epicárdico em situações especiais. O implante de marcapasso permanente associado a cirurgia cardíaca a céu aberto é uma situação especial onde têm sido utilizados eletrodos epicárdicos no mesmo tempo operatorio, ou eletrodos transvenosos em tempos operatorios distintos. OBJETIVO: Propor o uso da estimulação transatrial em casos de concomitância de implante de marcapasso e cirurgia cardíaca a céu aberto, e apresentar nossa experiência em 6 pacientes operados. CASUÍSTICA E MÉTODOS: De julho de 83 a agosto de 94, 6 pacientes com idade variando de 5 a 64 anos, 4 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, foram submetidos a cirurgia cardíaca a céu aberto para substituição da valva aórtica (4), ressecção de aneurisma do ventrículo esquerdo por doença de Chagas (1) e atrioseptoplastia e comissurotomia pulmonar (1 paciente). A técnica operatória consistiu em estabelecer a circulação extracorpórea com drenagem venosa por cavas separadas e, durante parada cardioplégica, corrigir o defeito cardíaco e implantar, no mesmo ato, os cabos-eletrodo através de atriotomia direita. Todos os 6 pacientes receberam eletrodos atriais e somente 4 foram submetidos a implante do cabo ventricular. Os geradores de pulso foram implantados na região infraclavicular dos pacientes homens adultos, na região submamária da mulher e na parede abdominal da criança. RESULTADOS: As medidas elétricas intra-operatórias mostraram excelentes condições de estimulação e sensibilidade, não ocorrendo complicações hospitalares. No seguimento, realizado de 4 a 137 meses, não foram observadas complicações relacionadas ao sistema de estimulação. CONCLUSÕES: Os autores concluem que o implante de marcapasso endocárdico transatrial pode representar uma boa opção para se evitar o implante epicárdico ou dois procedimentos independentes quando a estimulação cardíaca permanente estiver associada a cirurgia cardíaca a céu aberto..
1994
Costa,Roberto Stolf,Noedir A. G D'Angelis,Amanda Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Modificações técnicas no transplante cardíaco ortotópico
Apresentamos algumas modificações na técnica convencional de implante de coração nos transplantes cardíacos ortotópicos. As modificações propostas consistem basicamente em: 1) ressecar, durante a cardiectomia, o máximo do coração doente deixando apenas tecido suficiente para permitir a sutura do novo coração, durante o implante; 2) abrir o átrio direito do coração doador, a partir da veia cava inferior, próximo e paralelamente ao septo interatrial até a parte mais alta, quando a incisão deve ser bruscamente direcionada para a aurícula direita; 3) iniciar o implante pelo tronco pulmonar e 4) suturar os átrios conjuntamente, em um só plano, ao nível do septo. Estas modificações técnicas foram utilizadas em todos os pacientes transplantados nas três Instituições e apresentam como vantagens: 1) perfeito alinhamento do tronco pulmonar, evitando-se acotovelamentos e torções e 2) cavidades atriais menores, sem suturas salientando paradentro dos átrios e, conseqüentemente, menores oportunidades de fenômenos tromboembólicos ou contrações assincrônicas dos átrios (doador-receptor) que, além de favorecer a formação de trombos, podem interferir na suficiência das valvas atrioventriculares. O método é facilmente reproduzível e pode ser recomendado para os transplantes ortotópicos de coração.
1994
Mendonça,José Teles de Carvalho,Marcos Ramos Costa,Rika Kakuda da Torres,Luís Daniel Lima,Ricardo de Carvalho
Técnica e resultados da endarterectomia de artéria coronária
A abordagem cirúrgica da doença coronária sofreu grandes modificações nos últimos anos. Devido à possibilidade de angioplastia, os doentes encaminhados para cirurgia são aqueles com doença ateromatosa difusa grave e/ou com artérias ocluídas, geralmente responsável por uma área de músculo viável. Assim sendo, a endarterectomia de coronária é um recurso técnico que viabiliza a abordagem destes vasos. Em nosso Serviço, no Hospital do Coração, foram submetidos para cirurgia de revascularização do miocárdio (RM) com endarterectomia, no período de janeiro de 88 a dezembro de 92,110 pacientes(pts.). O sexo masculino predominou, com 99 (90%) pts. Encontramos com função ventricular normal 33 (30%), déficit moderado 71 (64,5%) e severo 6 (5,4%). Doze (10,9%) pts. eram reintervenção para nova RM. Dividimos em 2 grupos quanto ao número de endarterectomias realizadas. Grupo A com uma endarterectomia 104 (94,5%) pts. e Grupo B com mais de uma endarterectomia 6 (5,4%) pts. No Grupo A a coronária esquerda (CE) foi abordada em 38 (36,5%) pts. e a coronária direita (CD) 66 (63,4%) pts. No Grupo B com mais de uma endarterectomia a CE foi abordada 8 vezes e a CD outras 4. Em todos os casos o cirurgião removeu a endoartéria com a placa ateromatosa, com sucesso. A ocorrência de infarto trans-operatório na região da artéria endarterectomizada foi de 7 (6,3%) pts. e em regiões não relacionadas com as artérias manipuladas foi de 3 (2,7) pts. Em 9 (8,1 %) pts. foi realizado procedimento associado, como: aneurismectomia do ventrículo esquerdo 5 (4,5%) pts., troca de valva aórtica 1 (0,9%) e ventrículotomia para retirada de trombo em 3 (2,7%). As complicações mais freqüentes foram: arritmias 26 (23,6%) pts., insuficiência renal aguda 10 (9%) pts., síndrome de baixo débito (SBD) 4 (3,6%) pts. Ocorreram 5 (4,5%) óbitos, tendo como causa mais freqüente a SBD. Quatro (3,8%) pts., do Grupo A e 1 (16,6%) do Grupo B. Com esses resultados, verificamos que a endarterectomia é um procedimento que, utilizado criteriosamente, possibilita uma RM completa e com resultados consistentes.
1994
Salerno,Pedro R Dinkhuysen,Jarbas J Chaccur,Paulo Abdulmassih Neto,Camilo Santos,Magaly A Souza,Luiz Carlos Bento de Jatene,Adib D
Tratamento cirúrgico das valvopatias: parte 2
Esta segunda parte abordará técnica operatória, conduta pós-operatória e reoperações de pacientes com valvopatias. Em Técnica Operatória são descritos os procedimentos de anestesia, a abordagem cirúrgica, que inclui a instalação da circulação extracorpórea, e as cirurgias das valvas mitral, aórtica, tricúspide e pulmonar. Em Conduta Pós-Operatória é relatada a rotina na Unidade de Terapia Intensiva, e em Reoperações é abordada a técnica cirúrgica.
1994
Braile,Domingo M Volpe,Marco A Ramin,Serginando L Souza,Dorotéia R. S
Revascularização do miocárdio no octogenário: observação de 16 anos
Com o objetivo de avaliar a evolução do tratamento cirúrgico da doença arterial coronária no paciente octogenário, foram analisados, retrospectivamente, os pacientes com idade maior ou igual a 80 anos submetidos a revascularização do miocárdio no InCor, no período entre janeiro/1978 e agosto/1994. Do total de 79 pacientes, 60 (75,94%) eram do sexo masculino e 19 (24,05%) do sexo feminino. A média de idade foi igual a 82,33 (80 a 90 anos). A indicação operatória foi devida ao quadro de angina instável em 56 (70,88%), a angina estável em 22 (27,84%) e 1 (1,26%) paciente foi operado devido à dissecção de placa aterosclerótica quando da realização de angioplastia. A operação ocorreu em caráter de emergência em 8 (10,12%), em caráter de urgência em 23 (29,11 %) e eletivamente em 48 (60,75%) pacientes. A veia safena foi empregada em 69 (87,34%), enquanto a artéria torácica interna pediculada foi utilizada em 10 (12,65%) pacientes. A mortalidade hospitalar global atual é de 6,32%, e vem decrescendo na Instituição. Passou de 13,33%7 em 1990 para 8,5%8 em 1993 e, atualmente, está em 6,32%. As causas de óbito hospitalar foram: encefalopatia anóxica, insuficiência respiratória, hemorragia digestiva é um óbito devido a choque cardiogênico. O tempo médio de seguimento foi de 18,3 (4 a 83) meses. A mortalidade tempo relacionada foi devida a infecção, neoplasia, acidente vascular cerebral, trombose mesentérica, síndrome depressiva e choque cardiogênico. Considerando-se que a população brasileira vem envelhecendo aumentando sua expectativa de vida; que a mortalidade hospitalar para o tratamento cirúrgico da doença arterial coronária no idoso vem decrescendo, apesar do número crescente de operações, concluímos que o tratamento cirúrgico representa boa alternativa ao octogenário portador de doença arterial coronária, pois lhe permite melhorar a qualidade e expectativa de vida.
1994
Iglézias,José Carlos R Dallan,Luís Alberto Lourenção Júnior,Artur Ramires,José Antônio F Stolf,Noedir A. G Oliveira,Sérgio Almeida de Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Tratamento cirúrgico das valvopatias: Parte 3
Este trabalho, subdividido em três partes, apresentou breve histórico da cirurgia cardíaca, com ênfase a cirurgia valvar e substitutos valvulares, empregados com sucesso na década de 60, inicialmente com próteses mecânicas, seguidas pelas heterólogas após a introdução do glutaraldeído para preservação dos tecidos biológicos. As indicações básicas para operar lesões valvares consistem em alívio dos sintomas, prevenção das complicações e da mortalidade. Foram descritos, também, na primeira parte da publicação, aspectos da indicação cirúrgica, com ênfase em estenose e insuficiência das valvas mitral, aórtica, tricúspide e pulmonar, endocardite infecciosa ativa e da conduta pré-operatória, além da caracterização das diferentes próteses valvulares cardíacas mecânicas e biológicas existentes no mercado e suas complicações mais freqüentes. O tratamento cirúrgico das valvopatias, incluindo técnica operatória para troca de valvas mitral, aórtica, tricúspide e pulmonar, condutas anestésica e pós-operatória e reoperações foram abordados na segunda parte da publicação. O trabalho foi concluído considerando as situações especiais, como tratamento cirúrgico na endocardite em valvas mitral, tricúspide e aórtica, cuja incidência é maior que na mitral e a causa mais comum de insuficiência aórtica aguda. O desenvolvimento da endocardite tem fisiopatologia diferente quando comparado às próteses e valvas naturais, com morbi-mortalidade maior que a observada nas valvas nativas. Existem fatores que aumentam o risco de endocardite em valva nativa, raça negra, próteses mecânicas, sexo masculino e longo tempo de circulação extracorpórea. A interação clínico-cirúrgica parece influenciar de forma decisiva na obtenção de melhores resultados para essa lesão. Finalmente, foi registrada a nossa experiência com próteses biológicas em posição mitral e aórtica com 11 e 10 anos de seguimento, respectivamente. O índice de sobrevida na troca mitral foi semelhante entre jovens e adultos (74%) para mitral e 67% para aórtica. As complicações tardias fatais relacionadas à bioprótese na posição mitral foram rotura, endocardite, vazamento paravalvular, tromboembolismo e, principalmente, calcificação, com freqüência de 1,0 evento %/paciente-ano, com 95% dos pacientes livres dessas complicações. Na posição aórtica, destacaram-se tromboembolismo e, principalmente, endocardite, totalizando 1,6 eventos %/paciente-ano, com 92,6% dos pacientes livres dessas complicações. As complicações tardias não fatais apresentaram-se com freqüências de 2,9 (mitral) e 1,1 eventos %/paciente-ano (aórtica), com destaque para endocardite e calcificação para mitral e endocardite e acidente vascular cerebral para aórtica, com 55,2% (mitral) e 85,7% (aórtica) dos pacientes livres dessas complicações. Pela alta incidência de calcificação, principalmente entre pacientes jovens submetidos ao implante de biopróteses em geral, realizou-se um estudo abordando diferentes faixas etárias, com próteses de pericárdio bovino em posição mitral. Os resultados justificam o uso dessa bioprótese mesmo em pacientes jovens, contrariando autores que não recomendam o uso desse tipo de enxerto em pacientes com até 30 anos. Concluiu-se que a prótese de pericárdio bovino, quando rigorosamente preparada, apresenta, além de bom desempenho hemodinâmico, evolução tardia satisfatória. É importante considerar que a reunião permanente da literatura é fundamental para que a comunidade mantenha-se informada das vantagens e desvantagens de cada modelo de prótese disponível.
1994
Braile,Domingo M Volpe,Marco A Ramin,Serginando L Souza,Dorotéia R. S
Proteção cerebral no tratamento cirúrgico dos aneurismas do arco aórtico: estudo experimental em cães
É realizado estudo experimental comparativo entre dois métodos de proteção cerebral na abordagem cirúrgica dos aneurismas do arco aórtico, avaliando a sua eficácia: hipotermia sistêmica profunda isolada (menor que 20ºC) com pinçamento arterial braquiocefálico e hipotermia sistêmica profunda associada à perfusão carotídea seletiva. Dois grupos de 15 cães cada foram submetidos, respectivamente, à hipotermia sistêmica profunda com pinçamento arterial braquiocefálico (Grupo I) e à hipotermia sistêmica profunda associada à perfusão seletiva da carótida direita (Grupo II). Foram analisadas amostras seriadas das alterações metabólicas de pH e PaCO2 que ocorreram no retorno venoso cerebral aferidas na veia julgular interna, bem como as alterações histopatológicas encontradas com 45 min., 90 min. e 135 min. de cada procedimento. Os resultados demonstram que, apesar de ambos os métodos de proteção cerebral serem eficazes por um período de 45 minutos, o método utilizado no Grupo II mostrou ser superior em períodos de até 90 minutos de isquemia cerebral. Em períodos de 135 minutos os métodos tiveram resultados semelhantes, não oferecendo proteção cerebral adequada.
1994
Espinosa,Gaudêncio Lopes Murad,Henrique Jazbik,Antônio de Pádua Bastos,Eduardo Sérgio Brito,João de Deus e Feitosa,José L Barros,Rogério Antônio Silva D'Avila,Cláudio Miguel
Aortoplastia trapezoidal: proposta técnica para correção cirúrgica da coarctação de aorta
O cirurgião muitas vezes encontra dificuldade em recompor o diâmetro interno quando realiza a anastomose término-terminal no tratamento cirúrgico da coarctação da aorta. Um dos fatores determinantes desta dificuldade são as alterações anatômicas típicas da região coarctada, cujo discernimento cirúrgico nem sempre é simples, a despeito de inúmeras e consagradas opções técnicas disponíveis. Nas crianças este fato pode se revestir de importância, dada a eventual possibilidade do reaparecimento de gradientes pressóricos, sendo até possível uma nova intervenção cirúrgica, em alguns casos. Diante disto, os autores apresentam uma proposta técnica cujo objetivo é otimizar o diâmetro da aorta ao nível da anastomose, minimizando, assim, a possibilidade do aparecimento de possíveis gradientes a longo prazo. Assim sendo, após a remoção da área coarctada, são criados, em cada coto, três retalhos de aspecto trapezoidal, os quais, ao serem aproximados, se encaixam à semelhança de uma engrenagem. Estes retalhos trapezoidais são obtidos pela ressecção de três cunhas idênticas e equidistantes em cada coto e a anastomose, com pontos contínuos ou separados, é feita de modo a encaixar as saliências trapezoidais de um coto nas reentrâncias intertrapezoidais do outro coto, dando como resultado uma linha de sutura de aspecto sinusoidal, em zig-zag. Até o presente, foram operados por esta técnica 4 pacientes, cujas idades foram: 2 meses, 4 meses, 10 anos e 36 anos (masculinos, 3). Apenas o primeiro caso tinha cardiopatia congênita associada (OAVC parcial) e todos tinham CoAo severa e HAS. Não ocorreram complicações operatórias, tendo-se observado boa evolução, até o momento. O primeiro caso (2 meses com cardiopatia congênita) recoarctou no 9º mês de evolução, tendo sido necessária reintervenção, devido, provavelmente, a problemas de técnicas ou indicação inapropriada. O método proposto permite restituir e até mesmo aumentar o diâmetro interno da aorta na área de sutura, dependendo, para tanto, do grau de profundidade dos retalhos trapezoidais de cada coto.
1994
Dinkhuysen,Jarbas J Souza,Luiz Carlos Bento de Chaccur,Paulo Arnoni,Antoninho S Abdulmassih Neto,Camiilo Fontes,Walmir F Paulista,Paulo P Jatene,Adib D
Cirurgia valvar e coronária simultânea
Este trabalho analisa 172 pacientes consecutivos operados de cirurgia valvar e coronária simultânea, no período compreendido entre julho de 1980 e junho de 1989.0 número de pacientes submetidos a revascularização do miocárdio e tratamento cirúrgico da valva aórtica (RAo) foi de 95, sendo que 75 foram submetidos a tratamento cirúrgico da valva mitral e revascularização do miocárdio (RMi). As lesões valvares mais freqüentes foram a estenose aórtica, 44 casos de insuficiência mitral em 40 casos. O número de anastomoses por paciente foi de 1,87 em média para os pacientes RMi e de 1,56 nos pacientes RAo. A mortalidade hospitalar foi de 9,8% sendo que a mortalidade para os pacientes RAo foi de 7,3% e para os pacientes RMi foi de 12%. Não houve diferença significativa (x²=04423) entre a mortalidade dos pacientes portadores de insuficiência mitral isquémica, operados eletivamente ou em caráter de emergência, sendo a mortalidade de 20% nos eletivos e de 37,5% nos de emergência. Não houve relação entre mortalidade e número de anastomoses por paciente. Houve tendência de melhores resultados com relação à mortalidade nos pacientes RMi com cirurgia conservadora (x²=1,6382). A curva actuarial de sobrevida mostra 82,6% em 19 semestres para os pacientes RMi, 90,4% para os pacientes RAo e 86,3% para o estudo global de pacientes. Com uma evolução de 5172 meses/pacientes, 75% apresentam-se em classe funcional I (NYHA).
1994
Pomerantzeff,Pablo M. A Moretti,Miguel Antônio Porciuncula,Paulo Moniz de Aragão Brandão,Carlos Manoel de Almeida Ramires,José Antônio F Stolf,Noedir A. G Jatene,Adib D
Remoção cirúrgica de corpo estranho transfixante cardíaco: relato de 2 casos
Os autores discutem a indicação e descrevem a técnica utilizada para a retirada de corpo estranho transfixante intracardíaco. Consiste no envolvimento manual do coração e a compressão de sua parede inferior contra a anterior, de modo a direcionar a trajetória do corpo estranho através do miocárdio. Especial ênfase é dada à visibilização do local onde o objeto tende a se exteriorizar, visando prevenir eventuais danos ao sistema arterial coronário.
1994
Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio Almeida de Iglésias,José Carlos R Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Aparelho auxiliar para cirurgia cardiovascular
No summary/description provided
1994
Abreu,Mário César Santos de Cerqueira,Luís Lanat Pedreira de Rabelo Jr,Álvaro