Repositório RCAAP
DOS PERIGOS DA CIDADE AOS RISCOS DO URBANISMO: COMO OS CONCEITOS DE COMPLEXIDADE, RISCO E SISTEMA EM NIKLAS LUHMANN AJUDAM A DISCUTIR O FUTURO DO URBANISMO
O âmago da teoria de Luhmann é a comunicação. Toda comunicação no interior de um sistema opera pela seleção e processamento de apenas uma quantidade limitada de informações disponíveis de fora. Cada sistema trabalha estritamente em seus próprios códigos e sem acordo sobre os modos como outros sistemas percebem seu entorno. Niklas Luhmann desen- volve um programa teórico para exame desta questão. Sua premissa é que o conceito de risco projeta, no presente, aspectos essenciais de nossa descrição do futuro. Risco é concebido como a possibilidade de uma decisão desencadeadora de consequências improváveis, inesperadas e prejudiciais, ser atribuída aos tomadores de decisão. Assentados nessa teoria, discutimos uma abordagem para explorar a complexidade do sistema urbano.
DE CASA À ESCOLA: O DESENHO DO CAMINHO PERCORRIDO NUMA ABORDAGEM HUMANISTA
É sempre bom pensar o lugar em que vivemos, estabelecer elos e construir espaços de vivência em que o humano, esteja no centro, não na vi- são antropocêntrica, mas no estabelecimento das relações em que o ouvir e falar, sejam expressões marcantes e definitivas. Esta Geografia Humanista é mais uma forma, distinta de tantas outras, de fazer geografia. Esta análise apresenta os mapas mentais, como ferramenta da aprendizagem do desenho cartográfico, caracterizando o risco e rabisco dos alunos do 1º ano do Ensino Médio, de uma escola particular, da cidade de Ilhéus, na Bahia, expressando assim a percepção que estes mesmos alunos possuem do percurso realizado da casa à escola, a partir da confecção do mapa mental em folha de oficio, com objetivo de desenvolver a percepção do lugar. O resultado encontra-se centrado no registro da percepção e representação que o aluno possui, através do mapa mental construído por ele, associado a uma tomada de consciência do lugar em que vive.
2017
Santana Filho, Aderbal Pereira Pacheco, Lílian Miranda Bastos
O HORIZONTE E O “RITO DE CIDADE”
O texto acompanha as transformações da noção de horizonte e mantém o ritmo dado pelo ponto, o início da cidade e o seu contraponto, que se situa no futuro desse passado. Ele visa mostrar o processo de espacialização e de subjetivação dos corpos na cidade de Belo Horizonte relacionando-o a um contexto sócio-sensorial e técnico em mutação.
OS SENTIDOS DA ARTE
O texto emerge de experiências e meditações desenvolvidas de modo teórico e empírico durante as minhas trajetórias profissionais. Trata da Arte como modo próprio de conhecimento que se constitui desde as esferas da intuição, da imaginação criante, da consciência compreensiva, da corpo- reidade, das afecções (emoções e sentimentos), do espírito crítico-criador. Arte como expressão de formas simbólicas que mobilizam as dimensões vas- tas e fundas da sensibilidade humana, da poeticidade do existir. Como ex- pressão da poiesis, dos processos poéticos de criação, que, dessa forma, in- cidem na transgressividade e na transfiguração do real mediante seus símbolos mitopoéticos. Símbolos que plasmam formas inaugurais instalado- ras de significados e de sentidos que dão intensidade, cromaticidade e en- cantamento ao existir. Arte como experiência intensiva de fruição da sensibi- lidade e que potencializa entrelaces e compartilhamentos humanos, momentos profícuos de celebração da vida.
MARCAS EMPÍRICAS NO DESENHO ESCOLAR TECNOLOGIAS PARA FORMAR PRODUTORES E CONSUMIDORES (ENSINO SECUNDÁRIO, EM PORTUGAL — SÉCULO XIX AOS FINAIS DE 1970)
Inscrito na história da análise curricular, o trabalho explora as rela- ções entre objetos e sujeitos, focando as tecnologias educativas para disci- plinar e governar os alunos. Os conceitos de disciplina e governo, que sub- jazem a este conjunto de reflexões, revelam a minha filiação em Michel Foucault. Esta abordagem permite um olhar crítico sobre as dinâmicas pedagógicas de minuciosos procedimentos com materiais, instrumentos e modelos usados no ensino do desenho. Questiono como o sistema educativo português encontrou, através do ensino secundário do desenho, possibilidades de educar alunos para o consumo e para a produção técnica, mas que, simultaneamente, os afastou da produção artística, cujo estatuto social foi amplamente valorizado e reservado apenas a alguns.
O IDEÁRIO DA GUERRA FRIA NAS IMAGENS DA RADIODIFUSÃO INTERNACIONAL
Este trabalho abrange o recorte da pesquisa de mestrado, sob o tí- tulo de “Radiodifusão Internacional: o desenho do mundo na sintonia das Ondas Curtas” pelo Programa de Pós-Graduação em Desenho, Cultura e Inte- ratividade (PPGDCI) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Procuro analisar a imagens produzidas durante a Guerra Fria a partir das propostas de comunicação das rádios internacionais, que transmitem pro- gramas em língua portuguesa e espanhola para o Brasil na faixa das Ondas Curtas (OC). Objetivos: identificar as formas de difusão de imagens da radio- difusão para o exterior; investigar as imagens que são veiculadas através da dimensão sonora e visual; analisar a conjuntura política e cultural do mundo a partir das imagens captadas pelo viés radiográfico. Trata-se de uma pesquisa semiótica baseada pela análise iconográfica, a partir da investigação dos programas e cartões QSL (materiais radiográficos) acostados ao acervo do pesquisador. Os resultados indicam que as imagens radiográficas fazem parte das informações difundidas na programação e se constituem num importante instrumento de propaganda política e mediação cultural. Elas possibilitam a reflexão de fatos históricos, e, por sua vez, circunscritos no imaginário coletivo, contribuindo para dar visibilidade aos diferentes pensamentos, veiculados nos microfones das rádios internacionais no ápice da Guerra Fria.
2017
Silva Neto, Antonio Argolo Ferreira, Edson Dias Braggion Archangelo, Flávio Aurélio
LER AS IMAGENS DOS DESENHOS ANIMADOS: UM HÁBITO A ENSINAR E APRENDER NA ESCOLA
Num mundo dominado pelas imagens e informações, muito mais que apreciar essa linguagem artístico-imagética, faz-se necessário ensinar desde a escola a ler efetivamente esses textos pictóricos. Uma maneira atraente aos alunos de se fazer isso é utilizando em sala de aula os desenhos animados. Este texto objetiva fomentar a discussão a respeito do ensino da leitura de imagens e orientar os docentes acerca da utilização dos desenhos animados para que esta prática realmente se torne efetiva nas escolas.
AS IMAGENS PUBLICITÁRIAS NO LIVRO DIDÁTICO DE GEOGRAFIA: UMA LEITURA VISUAL A PARTIR DO MÓDULO 5 DO 8º ANO DO PROJETO RADIX
No contexto atual, o da contemporaneidade, é indiscutível o lugar que a imagem ocupa no mundo, uma vez que ela está presente em todas as atividades que desenvolvemos, quer fora quer dentro dos espaços escolares. Este estudo traz uma breve análise das imagens publicitárias utilizadas pelos autores Valquíria Pires e Beluce Belucci, no módulo 5 do livro didático de Ge- ografia do Projeto Radix, do 8º ano do Ensino Fundamental II, da editora Scipione, tendo como objetivo principal compreender como as imagens publicitárias são colocadas neste importante recurso didático. Ao mesmo tempo, julgamos oportuno e instigante investigar como o consumo e o consumismo são retratados através das mensagens trazidas pela publicidade e propagan- da no referido livro didático.
2017
Santana, Valéria Nancí de Macêdo de Oliveira, Simone Santos
Apresentação
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Editorial
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O ESPAÇO LITERÁRIO DA DIÁSPORA AFRICANA: REFLEXÕES TEÓRICAS
Este ensaio focaliza questões teóricas da abordagem comparativa das literaturas que constituem o espaço literário da diáspora negra. Ele parte da hipótese de que a análise comparativa e interdisciplinar deve inter-relacionar o “inconsciente político”, o “inconsciente cultural” e o “inconsci-ente ecológico” que caracterizam os textos. Neste sentido, entende-se o texto literário como cronotopo e situado num cronotopo imbuído do fan-tasma recalcado das violências e brutalizações, o qual volta em resposta à Verleugnung, fazendo sentir sua presença tanto no nível da enunciação tex-tual quanto no da experiência vivida. Com relação aos afrodescendentes, este espaço-tempo (literário/existencial) é multidimensional: uma encruzil-hada diaspórica onde culturas e epistemes se encontram e transculturam. Isto implica num dos assuntos principais problematizado neste ensaio: como podemos analisar os fluxos dinâmicos desta encruzilhada?
ENSINO PÚBLICO SUPERIOR E EXCLUSÃO ÉTNICA E RACIAL
Este artigo pretende tecer algumas considerações acerca de que modo a ênfase sobre as questões racismo, preconceito, discriminação e desigualdade racial favorecem a percepção da diferença étnica e racial em sala de aula, assim como favorecem a compreensão da importância do de-senvolvimento de práticas didático-pedagógicas que valorizem as alteridades socialmente excluídas e o desenvolvimento de mecanismos de inclusão racial e étnica, particularmente, no ensino superior. Neste sentido, tomam-se como referências um trabalho de avaliação de projetos de acesso e per-manência de estudantes negros e carentes ao ensino superior e um seminário ministrado em curso de formação para professores do ensino fun-damental e médio na UNEB.
O CAMPO DISCURSIVO DOS MINI-DOCUMENTÁRIOS SOBRE A CONDIÇÃO DIASPÓRICA NO CINEMA BRASILEIRO
Num contexto histórico marcado por uma intensa discussão sobre a implementação de políticas afirmativas para com as populações afrodescen-dentes, assistimos, no campo cinematográfico e audiovisual brasileiro, a uma proliferação de filmes de curta e média metragem voltados para a represen-tação dos diversos aspectos da identidade cultural “negra”. Neste texto pro-curo entender como os diretores dos “curtadocs” etnicamente engajados re-visitam uma temática recorrente na tradição do cinema brasileiro (“filmes de assuntos negros” do Cinema Novo) e também como eles renovam, estetica-mente falando, os modos de figuração desta realidade, criando narrativas que transcendem a questão racial para configurarem-se em ensaios e discur-sos críticos sobre aquilo que chamo de “condição diaspórica” no Brasil. Sendo assim, parto da ideia de que são obras que inspiram uma série de hipóteses para repensar as categorias de “cinema negro” e “filmes diaspóri-cos” no interior do cinema brasileiro contemporâneo.
VOZES DE LÁ, ECOS DE CÁ: CONFLUÊNCIAS DA PALAVRA ESCRITA ENTRE AMÉRICA E ÁFRICA
Grande parte dos estudos literários desenvolvidos no Brasil em torno das literaturas africanas em geral e, particularmente, daquelas pro-duções originadas no conjunto formado pelas antigas colônias ibéricas na África, ou seja, constituído pelas atuais repúblicas de São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Angola, Saara Ocidental e Guiné Equatorial, países que adotaram, respectivamente, o português e o espanhol como idiomas oficiais após suas independências políticas de Portugal e da Espanha ressentem-se, ainda, de abordagens analíticas que contemplem estudos comparativistas entre as referidas literaturas no próprio ambiente cultural africano, bem como de possíveis conexões com a prosa e a poesia assinadas por autores lusógrafos e hispanógrafos originários das Américas. Este breve estudo propõe investigar a interface verificada na escrita de al-guns desses autores africanos e latino-americanos que utilizam os dois idio-mas como veículos de expressão literária. Nessa perspectiva, buscaremos evidenciar possíveis aproximações de ordem estilística e identitária que se recortam, sobretudo, na produção africana escrita em português e que emergiram ao longo do período compreendido entre o século XX e os dias atuais.
POÉTICAS DA DIFERENÇA: A REPRESENTAÇÃO DE SI NA LÍRICA AFRO-FEMININA
Este artigo se propõe a pensar a literatura afro-feminina como insti-tuidora de uma rasura teórica necessária no campo da teoria da literatura.
POR UMA HISTÓRIA A PARTIR DOS CONCEITOS: ÁFRICA, CULTURA NEGRA E LEI 10.639/2003. REFLEXÕES PARA DESCONSTRUIR CERTEZAS
Este artigo objetiva discutir alguns dos muitos conceitos utilizados pelos historiadores e estudiosos em geral para entender as práticas e os cos-tumes dos negros e negras do Brasil. O presente trabalho pretende refletir em torno de conceitos utilizados de forma acrítica, por especialistas de difer-entes áreas das ciências humanas, para desvendar ou traduzir temas relacio-nados com as religiões de terreiro, bem como com as manifestações culturais de um modo geral. O artigo também apresenta algumas reflexões em torno da Lei 10.639, que foi gestada sob a perspectiva do paradigma panafricanista, de que todos os negros e negras do mundo são africanos ou descendentes destes. Um dos muitos desdobramentos deste paradigma consiste em esta-belecer liames entre a história da África e dos negros e negras do Brasil, como se ambas consistissem em continuidades. Tais questões são tratadas como construções sócio-históricas, e como tal, passíveis da análise crítica.
UM PASSEIO PANORÂMICO PELA PRODUÇÃO LITERÁRIA INFANTO-JUVENIL MOÇAMICANA: AUTORES E OBRAS
O presente texto visa a apresentação panorâmica da produção literária infanto-juvenil moçambicana contemporânea. Para tanto, reali-zamos a pesquisa bibliográfica em Maputo, entre o período de maio a outu-bro de 2009. Identificamos temas diversificados abrangendo-se desde o pa-triotismo às problemáticas sociais, a exemplo da guerra, da orfandade, da pobreza e do predomínio das narrativas tradicionais. Os personagens, de modo geral, são apresentados com fenótipos negros nas ilustrações, muito embora sem referencia a tais traços na linguagem verbal. Esperamos, através desse estudo, colaborar para visibilizar tais produções no mercado livresco, haja vista a carência de pesquisas acerca delas tanto em Moçambique quanto no Brasil.
HABILIDADES PERCEPTIVAS E CULTURA: A CAPOEIRA COMO MODO DE VER E DE SER
A partir de um estudo do ensino e da prática da capoeira, focaliza-mos as qualidades que se constituem como critérios de excelência expressas pelos termos malícia, malandragem ou mandinga. Ressalta-se que a malícia caracteriza tanto os fazeres do corpo como as interações sociais do capoeiris-ta, revelando-se como um modo de ser diante das tensões e conflitos poten-ciais. Essa perspectiva aponta para a dimensão existencial da experiência corporal e nos convida a uma releitura dessa tradição que tem se reforçado como emblema da cultura afrobrasileira, com significados étnico-políticos postos em destaque ao longo das últimas décadas. No texto que segue, pro-põe-se apreender as formas peculiares de atuar/ser do capoeirista associan-do-as ao desenvolvimento de habilidades perceptivas específicas, entre as quais os modos de atenção visual ocupam um lugar central. A investigação da visão e da motricidade que subjazem à atuação maliciosa do capoeirista procura enriquecer a discussão sobre as especifidades sensoriais próprias a cada cultura e demonstrar que o sentido da visão nem sempre se apresenta a serviço da cultura ocidental visualista, como o pretendem recentes estudos da antropologia dos sentidos. A abordagem visa a revisitar antigas questões em torno da cultura e da sua transmissão, inspirando-se nos aportes da fe-nomenologia e da antropologia cultural, notadamente através de uma inter-pretação dos conceitos de “habitar o mundo” de Maurice Merleau-Ponty e do “par organismo/ambiente” de Tim Ingold.
A LITERATURA-TERREIRO NA CENA HIP HOP AFROBAIANA
Este artigo propõe o conceito de literatura-terreiro, através da análise de produções artísticas do movimento hip hop que se vinculam aos valores civilizatórios afro-brasileiros, bem como às noções de encruzilhada e ancestralidade presentes nas religiões afro-brasileiras. Com este objetivo, utilizaremos as considerações teóricas de Eduardo Oliveira sobre a filosofia da ancestralidade; Gunther Kress e Van Leween sobre multimodalidade; Amarino Queiroz e Paul Zumthor, sobre oralidade e performance.
A REPRESENTAÇÃO DA MORTE NOS CONTOS DE CADERNO NEGROS, V. 34
O presente artigo empreende análise dos contos reunidos no vol-ume 34 da Cadernos Negros, publicação cooperativada de escritores negros dos mais diversos pontos do Brasil, reunidos em torno do selo editorial Quilombhoje Literatura. Dos 22 contos do volume 34, a análise se detém naqules que tematizam a morte.