Repositório RCAAP
Association between perceived racial discrimination and hypertension: findings from the ELSA-Brasil study
“Pardos” and blacks in Brazil and blacks in the USA are at greater risk of developing arterial hypertension than whites, and the causes of this inequality are still little understood. Psychosocial and contextual factors, including racial discrimination, are indicated as conditions associated with this inequality. The aim of this study was to identify the association between perceived racial discrimination and hypertension. The study evaluated 14,012 workers from the ELSA-Brazil baseline population. Perceived discrimination was measured by the Lifetime Major Events Scale, adapted to Portuguese. Classification by race/color followed the categories proposed by Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE). Hypertension was defined by standard criteria. The association between the compound variable - race/racial discrimination - and hypertension was estimated by Poisson regression with robust variance and stratified by the categories of body mass index (BMI) and sex. Choosing white women as the reference group, in the BMI < 25kg/m2 stratum, “pardo” women showed adjusted OR for arterial hypertension of 1.98 (95%CI: 1.17-3.36) and 1.3 (95%CI: 1.13-1.65), respectively, whether or not they experienced racial discrimination. For black women, ORs were 1.9 (95%CI: 1.42-2.62) and 1.72 (95%CI: 1.36-2.18), respectively, for the same categories. Among women with BMI > 25kg/m2 and men in any BMI category, no effect of racial discrimination was identified. Despite the differences in point estimates of prevalence of hypertension between “pardo” women who reported and those who did not report discrimination, our results are insufficient to assert that an association exists between racial discrimination and hypertension.
2018
Mendes,Patrícia Miranda Nobre,Aline Araújo Griep,Rosane Härter Guimarães,Joanna Miguez Nery Juvanhol,Leidjaira Lopes Barreto,Sandhi Maria Pereira,Alexandre Chor,Dóra
Síndrome congênita do Zika Vírus: um olhar a partir de atores nordestinos
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2018
Souza,Natália Lira de
Práticas corporais em academias de ginástica: distintos usos sociais dos suplementos alimentares e anabolizantes
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2018
Baptista,Juliana Gonçalves Brandão,Elaine Reis
O conceito de vulnerabilidade e seus sentidos para as políticas públicas de saúde e assistência social
Conceitos de vulnerabilidade são capazes de influenciar práticas sociais e produção de cidadania nos campos da saúde e assistência social? Este artigo de reflexão crítica discute essa questão por meio da abordagem compreensiva-interpretativa da hermenêutica-dialética e pelo método de revisão da literatura produzida nas duas últimas décadas sobre o tema. Não há vasta produção teórica que contemple a temática. Contudo, mesmo conceitualmente impreciso, o termo vulnerabilidade amplia a compreensão dos múltiplos fatores que fragilizam os sujeitos no exercício de sua cidadania. As ações profissionais no âmbito das políticas de saúde e assistência social e o imaginário social são forjados pela incorporação de conceitos que podem tanto reduzir quanto reforçar vulnerabilidades.
2018
Carmo,Michelly Eustáquia do Guizardi,Francini Lube
Modelo não linear de localização de instalações de serviços de saúde com indicador de acessibilidade incorporado
Este trabalho propõe uma abordagem diferenciada para a localização de unidades prestadoras de serviço público. Diferentemente de métodos que se atêm unicamente à eficiência locacional para a distribuição de unidades prestadoras de serviços públicos, apresenta-se um modelo não linear que incorpora um indicador de acessibilidade em seu bojo, que permite rejeitar soluções cuja acessibilidade esteja fora de parâmetros mínimos arbitrados como aceitáveis. O método visa a minimizar o tempo total gasto pela população de uma região para alcançar uma rede de prestação de serviços públicos, todavia, controla a amplitude entre a região com maior e menor acessibilidade à rede de prestação de serviços. A solução que se obtém não é tão eficiente, quando comparada a outros modelos como p-medianas, no tocante ao custo total despendido pela população como um todo para ter acesso ao sistema, entretanto, busca evitar que áreas mais afastadas tenham dificuldades amplificadas em virtude da desproporção de tempos de viagem necessários. O modelo foi testado em uma região da rede hospitalar do Estado de Santa Catarina, Brasil, e os resultados mostram que a incorporação do indicador aponta para uma melhoria em relação à conjuntura atual da distribuição de unidades hospitalares. O uso da metodologia sugerida pode ser útil, como uma ferramenta que contribui com subsídios, para a elaboração de um planejamento que permita uma alocação equilibrada de recursos, quando da instalação de unidades prestadoras de serviços à população.
2018
Cirino,Silviana Gonçalves,Louis Augusto Gonçalves,Mirian Buss Cursi,Eduardo Souza de
Early-life socioeconomic status and malocclusion in adolescents and young adults in Uruguay
This study aims to estimate orthodontic treatment need among 15-24 year-old individuals in Montevideo, Uruguay, and the association of occlusal traits with demographic, clinical and socioeconomic factors, considering a life course approach. A cross-sectional study using data from the First National Oral Health Survey in Uruguay was conducted. A two-stage cluster procedure was used to select a sample of 278 individuals in Montevideo. Household interviews and oral examinations were performed by six dentists. Dental Aesthetic (DAI) and Decayed Missing and Filled Teeth Indices (DMFT) were used to assess orthodontic treatment need and dental caries, respectively. Early life and current socioeconomic factors were obtained from the interview. Ordinal logistic regression was used to model the DAI index. Prevalence of definite malocclusion was 20.6%, followed by severe (8.2%) and very severe (7.6%). In the adjusted analysis, individuals with untreated dental caries (OR = 1.11; 95%CI: 1.03-1.20) and those who reported a lower socioeconomic level at 6 years of age (OR = 5.52; 95%CI: 1.06-28.62) had a higher chance of being a worse case of malocclusion. Current socioeconomic position was not associated with orthodontic treatment need. Individuals aged 22-24 years (OR = 1.59; 95%CI: 1.05-2.41) had a lower chance than those aged 14-17. This study shows that orthodontic treatment need is relatively high in Uruguayan adolescents and young adults. There is a potential relationship between early life socioeconomic status and the occurrence of malocclusion in adolescents and young adults under a life course approach
2018
Goettems,Marília Leão Ourens,Mariana Cosetti,Laura Lorenzo,Susana Álvarez-Vaz,Ramon Celeste,Roger Keller
O cotidiano de adolescentes em um Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas: realidades e desafios
Este estudo objetivou compreender o cotidiano dos adolescentes em relação às drogas, no Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPSad) e nos demais contextos de inserção pelos quais transitam, sob a ótica dos próprios adolescentes. Contou-se com a participação de oito adolescentes com idades entre 12 e 18 anos vinculados ao CAPSad, de um município de médio porte no interior do Estado de São Paulo, Brasil, onde o estudo foi realizado. Para a coleta de dados utilizou-se um formulário de identificação dos adolescentes e rede familiar e um roteiro de entrevista semiestruturada. Para a análise dos dados adotou-se a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os resultados evidenciam que os adolescentes vivenciam um processo de exclusão social e desengajamento em diversas esferas da vida e destaca o CAPSad como um espaço importante no dia a dia, porém ainda limitado nas ações de atenção e cuidado aos adolescentes. Este estudo acrescenta ao dar voz aos adolescentes, população que frequentemente está excluída dos serviços destinados ao acolhimento e tratamento do uso de drogas, como também ao identificar e compreender sobre as drogas e as particularidades de seus cotidianos, segundo suas próprias perspectivas, dentro e fora do serviço.
2018
Galhardi,Carina Curti Matsukura,Thelma Simões
Sistema de salud en Venezuela: ¿un paciente sin remedio?
La coyuntura venezolana está marcada por una profunda crisis socioeconómica que genera interrogantes sobre sus efectos en el sistema de salud. El objetivo de este trabajo fue analizar las tendencias y la situación actual del sistema de salud venezolano, con especial énfasis en la financiación. Teniendo por base el marco de acción de la Organización Mundial de la Salud para el fortalecimiento de los sistemas de salud, fueron estudiados cinco de los seis componentes básicos del sistema, así como los resultados en términos de cobertura y salud de la población. El financiamiento de la salud en Venezuela resultó ser primordialmente privado, con un elevado y creciente componente de gasto de bolsillo que se coloca entre los mayores del mundo. Asimismo, el sector salud mostró una baja prioridad fiscal, con un gasto público reducido y vulnerable ante las oscilaciones de los precios del petróleo. Por otro lado, la prestación y el acceso efectivo a los servicios de salud se ha visto comprometido en años recientes, debido -entre otros factores- a la disminución en la disponibilidad de médicos, particularmente para algunas especialidades; fallas en la dotación y equipos médicos de los centros de salud; escasez de insumos médicos, medicamentos y vacunas, afectando la salud de la población que registra algunos retrocesos. Las características estructurales de la economía y la dinámica coyuntural socioeconómica han impactado en el sistema de salud venezolano, profundizando problemas de vieja data como la fragmentación, segmentación y “privatización” del sistema y provocando el surgimiento de nuevas dificultades como escasez de medicamentos, opacidad en la información, entre otros.
2018
Roa,Alejandra Carrillo
Referral system in rural Iran: improvement proposals
Because of insufficient communication between primary health care providers and specialists, which leads to inefficiencies and ineffectiveness in rural population health outcomes, to implement a well-functioning referral system is one of the most important tasks for some countries. Using purposive and snowballing sampling methods, we included health experts, policy-makers, family physicians, clinical specialists, and experts from health insurance organizations in this study according to pre-determined criteria. We recorded all interviews, transcribed and analyzed their content using qualitative methods. We extracted 1,522 individual codes initially. We also collected supplementary data through document review. From reviews and summarizations, four main themes, ten subthemes, and 24 issues emerged from the data. The solutions developed were: care system reform, education system reform, payment system reform, and improves in culture-building and public education. Given the executive experience, the full familiarity, the occupational and geographical diversity of participants, the solutions proposed in this study could positively affect the implementation and improvement of the referral system in Iran. The suggested solutions are complementary to each other and have less interchangeability.
2018
Naseriasl,Mansour Janati,Ali Amini,Abolgasem Adham,Davoud
Consumption of ultra-processed foods and socioeconomic position: a cross-sectional analysis of the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health
The objective of the study was to estimate the contribution of ultra-processed foods to total caloric intake and investigate whether it differs according to socioeconomic position. We analyzed baseline data from the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil 2008-2010; N = 14.378) and data on dietary intake using a food frequency questionnaire, assigning it into three categories: unprocessed or minimally processed foods and processed culinary ingredients, processed foods, and ultra-processed foods. We measured the associations between socioeconomic position (education, per capita household income, and occupational social class) and the percentage of caloric contribution of ultra-processed foods, using generalized linear regression models adjusted for age and sex. Unprocessed or minimally processed foods and processed culinary ingredients contributed to 65.7% of the total caloric intake, followed by ultra-processed foods (22.7%). After adjustments, the percentage of caloric contribution of ultra-processed foods was 20% lower among participants with incomplete elementary school when compared to postgraduates. Compared to individuals from upper income classes, the caloric contribution of ultra-processed foods was 10%, 15% and 20% lower among the ones from the three lowest income, respectively. The caloric contribution of ultra-processed foods was also 7%, 12%, 12%, and 17% lower among participants in the lowest occupational social class compared to those from high social classes. Results suggest that the caloric contribution of ultra-processed foods is higher among individuals from high socioeconomic positions with a dose-response relationship for the associations.
2018
Simões,Bárbara dos Santos Barreto,Sandhi Maria Molina,Maria del Carmen Bisi Luft,Vivian Cristine Duncan,Bruce Bartholow Schmidt,Maria Inês Benseñor,Isabela Judith Martins Cardoso,Letícia de Oliveira Levy,Renata Bertazzi Giatti,Luana
Influência do grupo de pares e uso de drogas ilícitas entre adolescentes brasileiros: um estudo transversal
O estudo teve como objetivo examinar o uso de drogas ilícitas e as associações com fatores socioeconômicos e influência do grupo de pares entre adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos de idade. Foi adotada uma amostra de clusters em dois estágios, com a seleção aleatória de escolas públicas e privadas entre os nove distritos administrativos de uma capital de estado, e a seleção aleatória de turmas em cada escola. A variável de desfecho foi o uso de drogas ilícitas, medido pela seguinte pergunta: “Você já usou drogas ilícitas (maconha, inalantes, hipnóticos, cocaína/crack, alucinógenos, anfetaminas e/ou opióides) alguma vez na vida?”. Os grupos de pares foram classificados como: escola, família, atividades religiosas e esportes/cultura. O nível socioeconômico foi avaliado com o Índice de Vulnerabilidade em Saúde (IVS) baseado em área. Foram analisados os dados de 91 adolescentes com o teste do qui-quadrado e regressão logística. A proporção global de uso de drogas ilícitas foi 15,2%. A heterogeneidade por gênero dentro de grupos (OR = 3,14; IC95%: 1,63-6,06), amizades baseadas em religião (OR = 0,36; IC95%: 0,17-0,75) e amizades baseadas em esportes/cultura (OR = 0,44; IC95%: 0,22-0,87) permaneceram associadas significativamente com o uso de drogas ilícitas. Os adolescentes que residiam em áreas menos vulneráveis mostraram maior probabilidade de uso de drogas ilícitas, quando comparados aos jovens em áreas mais vulneráveis. As amizades baseadas em religião e esportes/cultura parecem ter um efeito protetor contra o uso de drogas ilícitas. A heterogeneidade de gênero dentro de grupos e a residência em áreas menos vulneráveis aumentaram as chances de uso de drogas ilícitas por adolescentes.
2018
Jorge,Kelly Oliva Ferreira,Raquel Conceição Ferreira,Efigênia Ferreira e Kawachi,Ichiro Zarzar,Patrícia Maria Pordeus,Isabela Almeida
Análise comparativa da base social da Medicina e Enfermagem no Brasil entre os anos de 2000 e 2010
O objetivo deste artigo é analisar as alterações ocorridas durante os anos 2000 na base social das profissões da Medicina e Enfermagem no Brasil, como resultado da expansão do Ensino Superior iniciada na segunda metade dos anos 1990. De um lado, analisa descritivamente a base social de recrutamento valendo-se dos dados do questionário socioeconômico do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de 2004 e 2010, referentes aos ingressantes e concluintes dos cursos de Medicina e Enfermagem. De outro, analisa a base social dos habilitados nas profissões valendo-se dos dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2000 e 2010. Os resultados mostram que ocorreu ampliação da base social de recrutamento das duas profissões, sobretudo pelo crescimento do alunado proveniente de famílias de baixa renda e que se declararam negros/as, pardos/as e mulato/as. Já a base social dos habilitados passou por uma reconfiguração, caracterizada pelo rejuvenescimento da população e pela diminuição das recompensas no mercado de trabalho. Ambos os processos foram vivenciados de forma distinta entre e dentro das profissões, destacando a existência de diferenças na capacidade de cada grupo profissional em mobilizar recursos que são próprios do mundo profissional e que lhes podem garantir posições especiais no mercado de trabalho e na estrutura social.
2018
Maas,Lucas Wan Der
Efeitos da exposição a poluentes do ar na saúde das crianças de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil
Exposição a poluentes do ar, que costumam ser quantificados por agências ambientais que não estão presentes em todos os estados, pode estar associada a internações por doenças respiratórias de crianças. Foi desenvolvido um estudo ecológico de séries temporais com dados referentes às internações por algumas doenças respiratórias de crianças menores de dez anos de idade, em 2012, na cidade de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil. Os níveis médios de material particulado fino (PM2,5) foram estimados por modelo matemático, os dados de temperatura mínima e umidade relativa do ar foram obtidos do Instituto Nacional de Meteorologia, e número de focos de queimadas do Sistema de Informações Ambientais. A abordagem estatística utilizou o modelo aditivo generalizado da regressão de Poisson com defasagens de 0 a 7 dias. Foram estimados os custos financeiros e aumentos do número de internações decorrentes de elevações de PM2,5. Foram 565 internações (média de 1,54/dia; DP = 1,52) e concentração de PM2,5 de 15,7µg/m3 (DP = 3,2). Foram encontradas associações entre exposição e internações no segundo semestre, nos lags 2 e 3, e quando analisado o ano todo, no lag 2. Uma elevação de 5µg/m3 do PM2,5 implicou o aumento de 89 internações e custos acima dos R$ 95 mil para o Sistema Único de Saúde. Dados estimados por modelo matemático podem ser utilizados em locais onde não há monitoramento de poluentes.
2018
Machin,Adrian Blanco Nascimento,Luiz Fernando Costa
Comportamento sedentário e consumo de alimentos ultraprocessados entre adolescentes brasileiros: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2015
Estudo transversal com o objetivo de investigar a associação entre comportamento sedentário e consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) em adolescentes brasileiros. Foram utilizados dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada em 2015. O consumo diário de pelo menos um grupo de AUP representou o desfecho, e a exposição principal foi o tempo diário de comportamento sedentário (horas em atividades sentado, excluído o tempo dispendido na escola). Foram calculadas prevalências, razões de prevalências e intervalos de 95% de confiança (IC95%). As análises foram ajustadas para sexo, idade, cor da pele, escolaridade materna, índice de bens, região geográfica e dependência administrativa da escola. Cerca de 40% dos escolares reportaram consumo diário de pelo menos um grupo de AUP (39,7%; IC95%: 39,2-40,3) e 68,1% (IC95%: 67,7-68,7) referiram > 2 horas/dia de comportamento sedentário. Entre os escolares com comportamento sedentário > 2 horas/dia, a prevalência de consumo diário de AUP foi de 42,8% (IC95%: 42,1-43,6%), maior do que entre os sem comportamento sedentário (29,8%; IC95%: 29,0-30,5%). Quanto maior o tempo de comportamento sedentário, maior a prevalência de consumo de AUP (valor de p para tendência linear < 0,001). Estratégias que promovam a alimentação saudável e a diminuição de comportamentos sedentários, bem como regulamentações da publicidade de AUP, tornam-se necessárias a fim de evitar que estilos de vida não saudáveis perdurem à idade adulta.
2018
Costa,Caroline dos Santos Flores,Thaynã Ramos Wendt,Andrea Neves,Rosália Garcia Assunção,Maria Cecília Formoso Santos,Iná S.
“Taca cachaça que ela libera”: violência de gênero nas letras e festas de forró no Nordeste do Brasil
A violência contra a mulher é, antes de tudo, uma questão de valores culturais hierárquicos de gênero produzidos socialmente. Desse modo, esta pesquisa buscou compreender os sentidos atribuídos à violência sexual contra a mulher expressa nas letras de forró por rapazes adolescentes residentes na periferia de Fortaleza, Ceará, Brasil. Partimos da etnomusicologia, cuja teoria considera que estudos de músicas regionais e suas performances transpõem o espaço geográfico de sua execução, na medida em que descortinam práticas universalmente disseminadas de legitimação de violências. A pesquisa foi realizada em escolas estaduais do bairro Bom Jardim, na periferia de Fortaleza. Esse bairro registra os piores índices de violências contra as mulheres do município. Foram realizados grupos focais com seis a oito participantes, em que foram debatidas três músicas de forró cujas letras remetiam à violência sexual. Os resultados demonstraram como as músicas reproduzem e influenciam ideologias patriarcais entre os jovens nordestinos. Observa-se nas falas o discurso do “estupro reverso”, que busca justificar a violência sexual por meio da inversão de papeis de gênero, ignorando assimetrias socialmente construídas. O forró se demonstra uma arena de gênero, onde gladiadores competem para registrar ideias de masculinidade, sexualidade e relações de gênero, replicando o sexismo dominante na sociedade contemporânea e contribuindo para a perpetuação da violência contra a mulher.
2018
Brilhante,Aline Veras Morais Nations,Marilyn Kay Catrib,Ana Maria Fontenelle
Cadernetas de saúde e trabalho: diários de professores de universidade pública
Este artigo tem como objetivo principal apresentar e analisar o instrumento de pesquisa designado como “cadernetas de saúde e trabalho”, com foco na produção de conhecimento sobre o trabalho de docentes de universidade pública. Trata-se de uma técnica de investigação de caráter qualitativo e participativo, adequada ao aprofundamento do estudo das relações entre a saúde e o trabalho, reavendo os locais de trabalho como lugares privilegiados de observações para o exercício de uma efetiva ação de defesa da saúde e a experiência do trabalho como matéria principal de análise. A qualidade especial das cadernetas como técnica de investigação refere-se ao papel protagonista atribuído ao trabalhador no processo de pesquisa, autor do diário e coparticipante do estudo. Participaram oito docentes pertencentes ao mesmo instituto de uma universidade federal de ensino superior (IFES), localizada no Rio de Janeiro, Brasil. Quanto à análise dos materiais empíricos, procedentes das anotações das cadernetas e de encontro com os trabalhadores, adotou-se a técnica de análise temática, chegando-se a quatro categorias principais de discussão, a saber: o tempo de trabalho e as múltiplas atividades de trabalho do professor; precarização das condições de trabalho em universidades; saúde docente entre limites e cadernetas sob o olhar dos seus autores. No que concerne aos resultados, sobressaiu o tema alusivo à sobrecarga de trabalho e pressão do tempo para cumprimento de metas. Ao fim, considerou-se que as cadernetas de saúde e trabalho mostraram-se como ferramenta de pesquisa com potencial para se gerar conhecimento em perspectiva coletiva.
2018
Souza,Katia Reis de Fernandez,Verônica Silva Teixeira,Liliane Reis Larentis,Ariane Leites Mendonça,André Luis de Oliveira Felix,Eliana Guimarães Santos,Maria Blandina Marques dos Rodrigues,Andrea Maria dos Santos Moura,Marisa Simões-Barbosa,Regina Helena Barros,Walcyr de Oliveira Almeida,Mariza Gomes de
Incompletude vacinal infantil de vacinas novas e antigas e fatores associados: coorte de nascimento BRISA, São Luís, Maranhão, Nordeste do Brasil
Neste estudo, foram estimados percentuais de incompletude vacinal e fatores associados ao esquema vacinal para novas vacinas (EVNV) e esquema vacinal para antigas vacinas (EVAV) em crianças de 13 a 35 meses de idade de uma coorte de nascimento em São Luís, Maranhão, Brasil. A amostra foi probabilística, com 3.076 crianças nascidas em 2010. Informações sobre vacinação foram obtidas da Caderneta de Saúde da Criança. As vacinas consideradas para o EVNV foram meningocócica C e pneumocócica 10 valente, e para EVAV, vacinas BCG, hepatite B, rotavírus humano, poliomielite, tetravalente (vacina difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae b), febre amarela, tríplice viral (vacina sarampo, caxumba, rubéola). Empregou-se modelagem hierarquizada e regressão de Poisson com variância robusta. Estimaram-se razões de prevalência (RP) e intervalos de 95% de confiança (IC95%). Incompletude vacinal foi maior para EVNV (51,1%) em relação ao EVAV (33,2%). Crianças com 25 a 35 meses de idade (RP = 1,27; IC95%: 1,14-1,41) e pertencer às classes D/E (RP = 1,20; IC95%: 1,06-1,35) se associaram somente ao EVNV; enquanto baixa escolaridade materna (RP = 1,58; IC95%: 1,21-2,06), indisponibilidade de atendimento ambulatorial e/ou hospitalar para a criança (RP = 1,20; IC95%: 1,04-1,38) e de vacina nos serviços de saúde (RP = 1,28; IC95%: 1,12-1,46), apenas ao EVAV. Faz-se importante considerar, nas estratégias de vacinação, a vulnerabilidade de crianças com mais idade e pertencentes às classes D e E, especialmente quando novas vacinas são introduzidas, e ainda de filhos de mães que possuem baixa escolaridade. Assim como, quando há menor disponibilidade de serviços de saúde para a criança e de vacina.
2018
Silva,Francelena de Sousa Barbosa,Yonna Costa Batalha,Mônica Araújo Ribeiro,Marizélia Rodrigues Costa Simões,Vanda Maria Ferreira Branco,Maria dos Remédios Freitas Carvalho Thomaz,Érika Bárbara Abreu Fonseca Queiroz,Rejane Christine de Sousa Araújo,Waleska Regina Machado Silva,Antônio Augusto Moura da
Fenótipos corporais na adolescência e a maturação sexual
Nosso objetivo é descrever fenótipos corporais estimados por técnica multivariada para avaliação do estado nutricional na adolescência, durante o processo de maturação sexual. A amostra foi composta por 833 adolescentes escolares de 10 a 15 anos selecionados por amostragem complexa em Piracicaba, São Paulo, Brasil. Os fenótipos corporais foram definidos por análise de componentes principais (ACP) a partir de dados antropométricos (massa corporal, altura, dobras cutâneas e circunferência da cintura), de composição corporal (ângulo de fase medido por impedância bioelétrica), bioquímicos (triglicerídeos, glicose, razão colesterol total/LDL, hemoglobina) e de maturação sexual (autoclassificação dos estágios de pelos pubianos e mamas ou gônadas). Os fenótipos corporais foram: F1adiposidade, caracterizado pela associação positiva com as variáveis dobras cutâneas, massa corporal e circunferência da cintura; F2puberdade, caracterizado pela associação positiva com estágios de pelos pubianos, mama em meninas ou gônada em meninos, altura e idade; F3bioquímico, caracterizado pela associação positiva com colesterol, triglicerídeos e glicose; e F4muscular, caracterizado pela associação positiva com ângulo de fase, hemoglobina e negativa com glicose. Somente F1adiposidade apresenta associação forte com o índice de massa corporal, e há independência entre F1adiposidade e F2puberdade. Nossos resultados ressaltam a independência apresentada entre parâmetros bioquímicos, de antropometria, de composição corporal e de maturação sexual. A proposta de fenótipos corporais poderá embasar cálculo de escores da probabilidade de estar obeso a partir das variáveis antropométricas e superar a ambiguidade na utilização da massa corporal.
2018
Cumpian-Silva,Jéssica Rinaldi,Ana Elisa Madalena Mazzeti,Camila Medeiros da Silva Conde,Wolney Lisboa
Tendência da hanseníase em menores de 15 anos no Brasil, 2001-2016
O objetivo foi analisar a tendência das taxas de detecção de hanseníase em menores de 15 anos no Brasil, no período de 2001 a 2016. Trata-se de um estudo de série temporal, utilizando o procedimento de Prais-Winsten para análise de regressão linear generalizada com nível de significância de 5%. A média da taxa de detecção foi de 5,77 por 100 mil habitantes. Entretanto, observou-se uma tendência decrescente dessa taxa, com annual percent change (APC) de -5% (IC95%: -6,7; -3,3). Verificou-se tendência decrescente em todas as regiões do país. Entre as regiões, a Norte foi a que manteve a média hiperendêmica (≥ 10,00 por 100 mil habitantes) da taxa de detecção. A série temporal em 19 Unidades da Federação (UF) foi decrescente. Todavia, entre elas, muitas mantiveram média hiperendêmica, como: Mato Grosso, Pará, Maranhão, Rondônia, Roraima, Pernambuco, Piauí e Acre. Entre as oito UF que apresentaram tendência estacionária, Tocantins manteve média hiperendêmica no período. Das 24 capitais brasileiras incluídas no estudo, 14 delas foram decrescentes e 10 estacionárias. Embora com tendência decrescente dos casos novos, algumas capitais mantiveram a média hiperendêmica como: Teresina, Recife, Cuiabá, Boa Vista, Rio Branco e Belém. Apesar de apresentarem tendência estacionária, as capitais Palmas e São Luís registraram média hiperendêmica. Conclui-se que, embora a análise da tendência foi decrescente no Brasil, houve presença de tendências estacionárias e hiperendemicidade em algumas UF e capitais brasileiras, o que demonstra a permanência de fontes de transmissibilidade e dificuldade na eliminação da hanseníase no país.
2018
Schneider,Priscila Barros Freitas,Bruna Hinnah Borges Martins de
Saúde mental de adolescentes internados no sistema socioeducativo: relação entre as equipes das unidades e a rede de saúde mental
Este artigo tem como objetivo analisar como os profissionais das equipes de saúde mental do sistema socioeducativo do Rio de Janeiro, Brasil, percebem as relações estabelecidas com a Rede de Atenção Psicossocial para atenção às questões de saúde mental dos adolescentes que cumprem medida de internação. Realizaram-se nove entrevistas com profissionais de saúde mental do sistema e os resultados foram apresentados tendo como referência a análise de discurso crítica de Fairclough. Os resultados foram organizados em três partes: relação entre as equipes de saúde mental e a rede, dificuldades das equipes das unidades e dos serviços da rede, e perspectivas e propostas. Pela lógica de construção dos argumentos identificados percebeu-se que a fragilidade dos pactos entre os gestores do Sistema Único de Saúde e do sistema socioeducativo impacta o cotidiano das ações de saúde mental desenvolvidas pelas equipes das unidades. Esse cenário associa-se a outros problemas estruturais, como a falta de transporte e a indisponibilidade de agentes para acompanharem os adolescentes nos atendimentos externos, e às resistências dos profissionais tanto dentro quanto fora das unidades. Evidencia-se haver um isolamento tanto dos adolescentes quanto dos profissionais em relação às ações e políticas de saúde mental do território.
2018
Ribeiro,Débora Stephanie Ribeiro,Fernanda Mendes Lages Deslandes,Suely Ferreira