Repositório RCAAP

Duas estratégias de ensino-aprendizagem

Após o relativo fracasso de diversos programas de educação compensatória, como o projeto Heas-start, associados a nomes tais como Deutsch, Bereiter, Engelman, ..., é um verdadeiro alívio, para os de espírito liberal, dispor de outro método de ataque às desigualdades da educação com que se defrontam. Apoiado por um amplo conjunto de provas experimentais seguras, o ensino por competência promete reduzir em grande medida a variação nas diferenças individuais de rendimento escolar, ao mesmo tempo em que elevará 90por cento dos estudantes acima do nível de competência em relação a qualquer conjunto específico de objetivos de ensino. Tal proposta é evidentemente atraente para países em desenvolvimento; de fato, a Coréia do Sul já implantou em ampla escala uma versão ligeiramente modificada do ensino por competência.

Por que temos sido e por que talvez continuemos sendo inocentes em educação?

Em seu artigo Inocência em Educação, Benjamin Bloom (1972) lista sete problemas educacionais, a respeito doa quais os educadores têm sido inocentes, na medida em que tem, sistematicamente: a) ou ignorado as evidências acumuladas através de pesquisas preocupadas com a rescoberta de relações causais; b) ou insistido em coletar evidências, através de pesquisas limitadas à descoberta de relações meramente associativas.

Ano

2013

Creators

Goldberg, Maria Amélia Azevêdo

Testes de múltipla escolha e de resposta livre em física geral

São comparados os resultados de questões de múltipla escolha com os de questões de resposta livre de provas aplicadas em um curso de Física Geral. As questões comparadas envolveram diferentes níveis de comportamento e foram elaboradas com base em objetivos previamente definidos. Da análise dos dados obtidos no presente trabalho, concluímos que, essencialmente, não há diferença entre avaliar por múltipla escolha e avaliar por resposta livre.

Ano

2013

Creators

Buchweitz, Bernardo

Comportamento verbal do aluno em sala de aula e fatores sociológicos que o afetam

Este trabalho investigou os possíveis efeitos de fatores sociológicos no comportamento verbal de crianças em sala de aula. A população constituiu-se de crianças que, em 1973, cursavam a quarta série do ensino fundamental, em Salvador, Bahia. O plano de pesquisa consistiu em observação direta (durante todo o período de aula) e entrevista individual com uma amostra aleatória da população (n = 97). De modo geral, os resultados confirmaram as hipóteses levantadas, segundo as quais o nível educacional dos pais, o tipo de escola que freqüentam, o tamanho da família e a exposição aos meios de comunicação de massa afetam significativamente o comportamento verbal das crianças; em outras palavras, evidenciam teórica e empiricamente o efeito do status socioeconômico sobre o comportamento verbal.

Ano

2013

Creators

Guimarães, Beatriz M. A. B. Schneider, Ivo Alberto

A escola, objeto de controvérsia

O prolongamento da carreira escolar, a expansão das matrículas e o aumento das despesas públicas com a educação têm intensificado a preocupação com a escola e sua eficiência. Este artigo indica alguns dos aspectos sob os quais a escola tem sido avaliada identificando, entre autores de formação acadêmica vária, duas correntes de opinião: de um lado, a dos que atribuindo-lhes funções socializadoras, gostariam de vê-la mais eficaz; de outro, a dos que aparentemente convencidos de sua eficácia, a denunciam como instrumento de dominação e de manutenção das iniqüidades sociais.

Ano

2013

Creators

Gouveia, Aparecida Joly

A mulher e a escolha vocacional

O objetivo do estudo foi o de verificar se as escolhas de carreira universitária por parte dos vestibulandos na área do CESCEM refletem concepções discriminativas do papel profissional da mulher, e de que dependem tais concepções. Os dados foram obtidos principalmente através das respostas de uma amostra de 10% dos candidatos de ambos os sexos a um questionário, no ato de inscrição aos exames vestibulares do CESCEM, em 1974. Dados subsidiários foram obtidos solicitando-se de 100 alunos de ambos os sexos, matriculados em "cursinhos" vestibulares, que respondessem a dois questionários construídos para fins deste estudo. Os resultados indicaram que as carreiras do CESCEM podem ser classificadas em masculinas e femininas e que está ocorrendo uma progressiva feminização de algumas delas. O estudo não permite afirmar categoricamente que as carreiras femininas sejam de menor prestígio e remuneração, embora exista uma tendência nesse sentido. Poucas diferenças significativas foram observadas nas expectativas de ingresso e nas motivações de escolha dos candidatos em função das variáveis sexo e nível socioeconômico.

Ano

2013

Creators

Ferretti, Celso João

Redação e medida da expressão escrita: algumas contribuições da pesquisa educacional

O artigo apresenta uma revisão de estudos empíricos realizados sobre a fidedignidade e a validade das provas de dissertação utilizada como instrumento de medida da capacidade de expressão escrita.

Ano

2013

Creators

Vianna, Heraldo Marelim

O vestibular e a auto-estima do jovem

Este estudo investiga as relações entre alguns fatores de natureza social e educacional e o desenvolvimento da auto-estima do jovem e analisa a associação entre auto-estima e desempenho em exames vestibulares.A amostra é constituída de 113 candidatos que prestaram o vestibular do CESCEM. Aescala usada para a medida de auto-estima foi a de Rosemberg. Entre os fatores que, por hipótese, estariam associados à auto-estima, foram poucos os que apresentaram correlações significativas. As autoras discutem várias explicações possíveis e salientam que as associações entre auto-estima e outras variáveis talvez sejam mais intensas em etapas anteriores da vida do sujeito.

Ano

2013

Creators

Barroso, Carmen Lucia de Mello Barretto, Elba Siqueira de Sá

Inocência em educação.

Depois de pelo menos 5.000 anos de educação dos jovens em casa, nas escolas e no trabalho, os educadores freqüentemente se queixam de que quase nada é realmente conhecido sobre o processo educativo. A queixa se torna uma racionalização das falhas da educação e uma desculpa para a rápida adoção (e para a igualmente rápida rejeição) de novas panacéias educacionais. Muitos educadores parecem vangloriar-se de se encontrarem num estado de inocência no tocante a educação. Em grande contrate com os educadores profissionais há o grande número de jornalistas, reformadores e maníacos que estão positivamente seguros de possuir o verdadeiro remédio para nossos males educacionais. A maioria deles é ouvida nos meios de comunicação de massa. Os reformadores mais persistentes tem pouca dificuldade em conseguir recursos para demonstrar sua panacéia, e em reunir uma hoste de educadores que seguem seus rastos durante alguns anos. As bibliotecas e porões de nossas escolas ainda armazenam os esquecidos restos dos modismos e fórmulas que foram adquiridos porque prometiam resolver nosso problemas educacionais

Estímulos à pesquisa educacional

Área de menor tradição em pesquisa, comparativamente a outras áreas do conhecimento, a pesquisa educacional foi, em boa medida ainda é, predominantemente histórica e filosófica, fragmentária e pouco relevante, incapaz de fornecer aos administradores e aos responsáveis pela política educacional os elementos de diagnóstico, de acompanhamento e de avaliação indispensáveis para o bem orientar as intervenções no sistema educativo. Por outro lado, os administradores e os responsáveis pela política educacional usualmente não se preocupavam em fundamentar suas decisões na pesquisa educacional, como se fossem dotados do dom adivinhatório ou recebem, por meio da revelação divina, os conhecimentos de que necessitavam para orientar suas decisões.

Ano

2013

Creators

Ribeiro Netto, Adolpho

Prioridades em pesquisa educacional: prós e contras

Ressaltando a importância do atendimento pré-escolar, o Secretário da Educação, José Bonifácio Coutinho Nogueira, levou a Brasília, para o Encontro Nacional de Secretários de Educação, plano para o atendimento pré-escolar no Estado, baseado em pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas, no qual se enfatiza a inclusão do desenvolvimento dessa área do ensino, como um dos principais objetivos da estratégia educativa, recomendada por experiências feitas em diversos países.

Ano

2013

Creators

Franco, Maria Laura P. Barbosa Goldberg, Maria Amélia Azevêdo

Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR): mais um programa de pós-graduação em educação?

A experiência brasileira no setor de Pós-Graduação é recente. Na área de Educação, a maioria dos cursos não tem cinco anos de duração. Não obstante isso, as iniciativas tomadas já oferecem suficiente ponto de apoio para se perceber mais claramente os rumos desejáveis, os obstáculos a remover e as deficiências a serem sanadas. É nesse contexto, com pleno conhecimento da situação - que foi possível através do estudo do PNPG (Plano Nacional de Pós-Graduação) e análise dos dados disponíveis referentes a cada um dos cursos existentes - que se planejou a criação de mais um Programa de Mestrado em Educação para entrar em funcionamento em março de 1978, na Universidade Federal de São Carlos.

Ano

2013

Creators

Saviani, Dermeval Goldberg, Maria Amélia Azevêdo

Estereótipos em relação a papéis sexuais na Colômbia

Este trabalho relata dois estudos realizados na Colômbia sobre estereótipos de papéis sexuais. No primeiro, uma tradução do questionário usado por Rosenkrantz foi aplicada a alunos e alunas de 2º grau e universidade e a pais e mães de estudantes. O segundo pesquisou o desenvolvimento de estereótipos de papéis sexuais em meninos e meninas de 10 a14 anos, de 3 grupos com situações familiares diversas: um vivendo com os pais naturais, um que havia ingressado recentemente em uma instituição governamental para crianças sem pais e outro vivendo em lares adotivos. Um instrumento foi especialmente construído e validado para esta pesquisa. Os dois estudos demonstraram que em termos gerais os colombianos são semelhantes a outros grupos na percepção de papéis sexuais, apresentando, ao mesmo, algumas diferenças sugestivas.

Trabalho industrial x trabalho doméstico a ideologia do trabalho feminino

Para compreender a atitude das trabalhadoras brasileiras para com o seu papel na sociedade, especialmente sua consciência profissional, é necessário considerar três aspectos mais importantes: o nível econômico do país, a maneira pela qual o mercado de trabalho absorve a força de trabalho feminina e a atitude da família, amigos e parentes relativas às carreiras profissionais femininas. Neste artigo, os dados foram analisados relativamente a este último aspecto, por meio de: a) aceitação - pela própria trabalhadora, pelos membros da família, parentes e amigos, de ambos os sexos - das carreiras profissionais das mulheres; b) divisão de trabalho dentro da família; c) tomada de decisão pelo homem e pela mulher na vida familiar. Revelou-se que a sociedade conserva como femininos os papéis e trabalho doméstico; que as mulheres são ostensivamente, ou não, desencorajadas pela família, especialmente pelos membros masculinos. Pela valorização do papel doméstico da mulher a sociedade utiliza o seu trabalho doméstico sem pagá-la e conserva a mulher ideologicamente fora do mercado de trabalho.

A educação da mulher brasileira e sua participação nas atividades econômicas, em 1970

Este artigo focaliza a participação da mulher brasileira na força de trabalho, como uma manifestação das mudanças no papel da mulher na sociedade atual. O trabalho analisa algumas relações entre a educação, a classe social e outros fatores e a participação da mulher nas atividades econômicas das diversas regiões geo-econômicas brasileiras, utilizando-se de dados do Censo Demográfico Brasileiro de 1970.

Ano

2013

Creators

Miranda, Glaura Vasques de

Relação entre sexo da criança e aspirações educacionais e ocupacionais das mães

Esta pesquisa teve como objetivo verificar se as expectativas que mães de crianças de 4 a 6 anos de idade têm a respeito do futuro de seus filhos são influenciadas pelo sexo da criança. Procurou-se verificar também se isto ocorre de forma diferente conforme a camada social considerada. Para tanto foram analisadas as respostas obtidas através de entrevistas realizadas durante o ano de 1974 com 90 mães de nível socioeconômico médio e 90 de nível baixo em São Paulo e 90 mães de Ceilândia, D.F. A análise dos dados demonstra que as diferenças nas expectativas educacionais se acentuam conforme se passe da população de nível médio para a de nível baixo. Também foram encontradas diferenças entre as expectativas de realidade e o que as mães desejam idealmente para os filhos. Quanto às expectativas ocupacionais, verificou-se que elas também se diferenciam conforme o sexo da criança, sendo que existe uma maior flexibilidade na escolha de profissões para as meninas na amostra de nível médio.

Ano

2013

Creators

Campos, Maria M. Malta Esposito, Yara Lúcia

O acesso da mulher ao ensino superior brasileiro

O presente trabalho analisa a situação da mulher no ensino superior brasileiro e seu desempenho nos exames vestibulares. Tomando como referência a notável expansão desse grau de ensino nos últimos anos, as autoras examinam como evoluiu a participação da mulher nos diferentes cursos universitários, e fazem uma análise das escolhas de carreiras pelas vestibulandas. Realizam ainda estudo do desempenho dos vestibulandos de São Paulo e Rio de Janeiro, com especial atenção à variável sexo, e sugerem linhas de pesquisa que possibilitem aprofundar aspectos relativos à escolha vocacional e ao desempenho acadêmico da mulher.

Ano

2013

Creators

Barroso, Carmen Lúcia de Melo Mello, Guiomar Namo de

A escola e as diferenças sexuais

Como etapa preliminar de pesquisa sobre os modelos de papéis sexuais veiculados pela escola, fez-se uma análise das diferenças de escolaridade entre os sexos. Os dados analisados são referentes ao Brasil e ao Estado de São Paulo para a década de 70, coletados por diversas instituições (IBGE, SEEC-MEC, Departamentos de Estatística, etc.). A população escolar e escolarizada foi estudada através dos seguintes itens: 1) Alfabetização; 2) População escolarizada; 3) Rendimento escolar; 3.1) conclusões de curso; 3.2) aprovação e reprovação; 3.3) atraso de escolaridade. A análise dos dados permitiu chegar-se às seguintes conclusões: 1) A população feminina apresenta índice de escolaridade inferior à população masculina (alfabetização, taxa de escolaridade): 1.1) a diferença entre homens e mulheres tende a diminuir através dos anos (comparação intercensal); 1.2) a diferença entre homens e mulheres tende a diminuir para as coortes mais jovens (comparação intracensal); 2) A população feminina apresenta melhor rendimento escolar; 2.1) menor taxa de reprovação; 2.2) maior taxa de conclusões de curso; 2.3) maior concordância entre a série escolar freqüentada e a idade.

Concepções sobre o papel da mulher no trabalho, na política e na família

A pesquisa se propôs a analisar o conteúdo discriminativo ou não das concepções descritivas e normativas acerca do papel da mulher na família, na política e no trabalho, bem como alguns de seus determinantes. Os sujeitos constituíram uma amostra de 582 vestibulandos de ambos os sexos que,em 1968, se preparavam para ingressar na Universidade. Eles representavam 6% da totalidade dos alunos de 31 "cursinhos vestibulares" em funcionamento na cidade de São Paulo. O instrumento aplicado foi um questionário com 59 itens. As estatísticas empregadas para análise e interpretação dos dados incluíram o teste de qui-quadrado, além de "cluster analysis". Os resultados permitiram afirmar que: a) as concepções descritivas acerca do papel de mulher, mantidas por nossos vestibulandos são predominantemente tradicionais ("aprioristas"); b) as concepções normativas são predominantemente tradicionais no que respeita ao papel profissional da mulher e modernas (não discriminativas) no que respeita ao papel familiar e político; c) há uma relação entre concepções normativas acerca do papel profissional e político da mulher; d) sexo e origem socioeconômica foram as variáveis mais significativamente associadas às concepções do papel social da mulher. As mulheres mostraram-se consistentemente mais "modernas" que os homens. À medida que se passou do nível socioeconômico alto ao baixo, diminuiu a proporção de respostas "modernas", na amostra global. Tais resultados apontam a necessidade de programas educacionais capazes de modificar e impedir a reprodução de concepções discriminativas do papel feminino já que estas podem funcionar como obstáculos ideológicos a uma política de desmarginalização sócio-econômica e cultural da mulher brasileira.

Ano

2013

Creators

Goldberg, Maria Amélia Azevêdo Baptista, Marisa T. D. S. Barretto, Elba Siqueira de Sá Menezes, Sônia Maria Carvalho de Arruda, Neide Carvalho

Subsídios do direito do trabalho para um debate sobre a situação da mulher

Um estudo que se proponha fornecer elementos jurídicos para debates sobre a situação da mulher deve partir, a nosso ver, da exposição do direito positivo. Sabendo-se quais interpretadas e aplicados pelos tribunais e que tipo de contribuição a doutrina oferece para essa interpretação e conseqüente aplicação, ter-se-á uma idéia do que sucede na sociedade a respeito da mulher, quanto à experiência jurídica de um ramo do Direito.