Repositório RCAAP
Um olhar possível sobre a violência simbólica
Este artigo discute, a partir de uma posição crítica, o conceito de violência simbólica do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1983; 1989; 2001; 2002; 2015). Perseguimos este objetivo, primeiramente, refletindo sobre a violência lato sensu, nas mais diversas abordagens científicas, em um diálogo com os autores escolhidos, que nos ajudam a pensar este fenômeno e, em seguida, na discussão propriamente dita do conceito bourdieusiano. Nossa perspectiva teórico-metodológica amparou-se no materialismo histórico-dialético como utilizado pela socióloga marxista Heleieth Saffioti (2004). Em suma, pudemos ampliar a definição da violência simbólica com a consideração da ação do estigma devolvido àqueles que resistem à dominação simbólica. DOI - http://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.1.459/284-302
2022-12-06T16:09:09Z
Bezerra, Lorena Karla Costa Barros, Rodrigo José Fernandes de
Lukács e a problemática cultural da era stalinista
Há exatos 40 anos, a revista Temas de ciências humanas, publicava o texto de um já proeminente intelectual brasileiro, que versava sobre o pensador marxista húngaro György Lukács, havia algum tempo presente nos debates da esquerda brasileira. O texto cumpria o papel de defender e explicitar a posição de Lukács frente à vaga stalinista que avassalou grande parte do projeto socialista no período em que vigorou, no assim chamado Leste europeu, a república dos sovietes. DOI - http://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.1.460/303-338
2022-12-06T16:09:09Z
Netto, José Paulo
Os limites da democracia dos Estados Unidos
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018. A obra Como as democracias morrem, dos professores de Harvard Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, publicada no Brasil em 2018, chamou a atenção do público brasileiro, uma vez que, buscando compreender os riscos que a democracia dos Estados Unidos estava correndo com a eleição de Donald Trump, tocava em aspectos caros a corrida eleitoral que estava em curso no país, corrida esta que acabou com a eleição de Jair Bolsonaro, que se não é o “Trump da América do sul”, como o próprio estadunidense colocou em entrevista em janeiro de 2019, buscou emular características discursivas e propositivas que estiveram e estão presentes na campanha presidencial e no governo do atual presidente dos Estados Unidos. DOI - http://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.1.461/339-344
2022-12-06T16:09:09Z
Salgado, Tiago Santos
Sobre la herencia del derecho matriarcal en Derecho natural y dignidad humana de Ernst Bloch y Casandra de Christa Wolf
El objetivo del presente artículo es detenerse en el análisis que realiza Ernst Bloch en Derecho natural y dignidad humana (1961) sobre Bachofen, Gea-Themis y el derecho natural, con el fin de vincular la pertinencia de estas reflexiones en lo que respecta al abordaje del mito y el derecho materno en la novela Casandra de Christa Wolf (1983). Se examinará también cómo las propuestas de ambos autores se inscriben en una denuncia del patriarcado. DOI - http://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.1.462/240-251
2022-12-06T16:09:09Z
Castano, María Belén
Revista Verinotio v.25 nº1: Processo de trabalho, regulacionistas e a crítica marxiana
Revista Verinotio v.25 nº1 - Dossiê: Processo de trabalho, regulacionistas e a crítica marxiana
2022-12-06T16:09:09Z
Verinotio, Revista
Os Manuscritos de 1844 de Karl Marx e a retomada da economia política no pensamento pós-hegeliano
Nosso artigo visa um estudo sobre os cadernos intitulados como “Manuscritos econômico-filosóficos” de Karl Marx, do ano de 1844, tendo em vista a posição privilegiada que o texto ocupa no desenvolvimento do pensamento do autor. Do mesmo modo, os manuscritos guardam os primeiros estudos teóricos da economia política de um jovem Marx e seu pensamento precoce – anterior àquele de “O capital” –, ao mesmo tempo que também representou o aprimoramento das “armas da crítica” pela “crítica das armas” contra os jovens hegelianos do grupo de Berlim (principalmente Bauer e Stirner) e o pensamento e herança deixada por Hegel. Tais estudos possivelmente também foram importantes para a edificação da amizade que ele também começaria poucos meses após os manuscritos serem “concluídos” – conclusão que só seria realizada com a publicação mas que nunca ocorreu durante a vida de Karl Marx, senão, ocorreria apenas em 1932 (integralmente) com a redescoberta dos mesmos alguns anos antes com o impulso da revolução bolchevique na Rússia. Por fim, buscaremos apontar em que medida as concepções e o pensamento do jovem autor se conservam ou se transformam – parcial ou completamente – nos anos imediatamente posteriores.
2022-12-06T16:09:09Z
Martins, Douglas Rafael Dias
Roberto Schwarz e Georg Lukács
O texto visa mostrar, a partir das análises do Roberto Schwarz e Georg Lukács, como a análise de lastro marxista autêntico é divergente da leitura meramente sociológica, procurando superar a dualidade “esteticismo x sociologismo”, dois reducionismos anti-dialéticos. Em outros termos, trata-se de expor, dentro de nossos limites, como o autor brasileiro ao buscar a inflexão realista de algumas obras não deixa de debater problemas da especificidade estética, portanto, sem que a vida social explique absolutamente a arte, mas ao mesmo tempo, seja seu substrato indispensável. Para tanto, faremos uma primeira reflexão sobre o decurso lukacsiano (Georg Lukács) onde o autor, referência importante para Schwarz, deslinda a arte através, primeiramente, de posições Idealistas (arte em-si-mesmada) e, logo após, a partir da emergência e redescoberta gradual da ontologia marxiana.
2022-12-06T16:09:09Z
Coelho, HENRIQUE
La otra teoría de la reflexión de Lenin
Este artigo discute a teoria do reflexo desenvolvida por Lenin em seu confronto com a filosofia hegeliana nos comentários que escreveu a The Science of Logic em 1915. Nesses comentários, Lenin apresenta a reflexão no contexto de uma relação reflexiva adaptativa entre o movimento da o conhecimento e o movimento da realidade; a dinâmica do conhecimento segue o movimento da realidade e a influencia. Para Lenin desses comentários, a reflexão é um momento (mental) do processo de objetificação humana que transforma a realidade e origina o ser humano.
2022-12-06T16:09:09Z
Bonilla, Manuel Alejandro
Os juristas nas Teorias do mais-valor de Karl Marx
Resumo: pretendemos mostrar, a partir daquilo que José Chasin chamou de análise imanente, o modo pelo qual Karl Marx, em seu Teorias do mais-valor, analisou o trabalho produtivo ao ter em conta o desenvolvimento da burguesia e o surgimento de camadas intermediárias entre o proletariado, a burguesia e o processo imediato de produção. Em um primeiro momento, com Smith e a crítica diante da sociabilidade feudal, haveria um elogio do trabalho produtivo e uma crítica à improdutividade do trabalho de comerciantes, juristas, funcionários públicos, entre outros. Depois, porém, a classe burguesa teria adotado a mesma postura que criticara na nobreza. E, assim, desenvolve-se uma concepção apologética no que toca o sentido da categoria trabalho produtivo. Os juristas, antes vistos com desconfiança, vêm a ser vistos de modo acrítico em um processo em que, ao mesmo tempo, tem-se um capitalismo senil e possibilidades abertas à superação deste.
2022-12-06T16:09:09Z
Sartori, Vitor
Necrológio de Nicolas Tertulian
O filósofo Nicolas Tertulian faleceu no último dia 11 de setembro [de 2019], em Suresnes (no Departamento francês de Hauts de Seine), aos 90 anos. Nicolas Tertulian, cujo nome verdadeiro era Nathan Veinstein, nasceu em 1929 em Iasi, capital da Moldávia romena. Em julho de 1941, aos 12 anos, escapou por pouco do pogrom organizado pelas forças alemãs e pelo regime fascista colaboracionista de Ion Antonescu. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/12-14
2022-12-06T16:09:09Z
Rusch, Pierre
Lukács e a sombra de Stálin
Sucessivamente porta-voz e carrasco do stalinismo, Lukács viveu por dentro os abalos do pensamento marxista. O filósofo romeno Nicolas Tertulian analisa essas reviravoltas. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/15-21
2022-12-06T16:09:09Z
Eribon, Didier
¿Regreso a Ítaca? Una lectura blochiana de la embriaguez
El artículo se propone analizar el concepto de embriaguez (Rausch) a partir del sentido que Ernst Bloch (1885-1977) le atribuye a esta noción en el contexto de sus análisis políticos y estéticos durante la República de Weimar. Se retoman aquí los análisis blochianos que explican la convivencia del relativismo junto al arcaicismo en la ideología burguesa y la elaboración de una concepción utópica regresiva durante este período. Como parte de la investigación, se indaga en la construcción de la subjetividad de las narraciones de Gottfried Benn durante la I Guerra Mundial. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/22-39
2022-12-06T16:09:09Z
Belforte, Maria
A inserção subordinada do capitalismo brasileiro na mundialização do capital
O presente artigo aborda a inserção internacional do Brasil a partir dos anos 1990, tendo como eixo analítico a legalidade da mundialização do capital, as ofensivas contra o trabalho a partir da crise estrutural dos anos setenta, o caráter subordinado do capitalismo latino-americano e as opções, historicamente feitas, das frações burguesas no Brasil. Sugere-se que a inserção internacional do país consolidou os pilares nevrálgicos do capitalismo brasileiro – a incompletude, a subsunção externa, a autocracia burguesa e a superexploração da sua força de trabalho. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/40-63
2022-12-06T16:09:09Z
Sobrinho, Maria Goreti Juvencio
Ensino de história e cultura popular numa nação imperial
O artigo busca discutir alguns elementos que indicam as mudanças por que passaram a historiografia e o ensino de história na Inglaterra do século XIX, vinculadas explicitamente à questão imperial e à ideologia advinda desta, como demonstrará a primeira parte deste artigo. Já a segunda parte dedica-se a apontar os reflexos da ideologia do imperialismo em dois entretenimentos profundamente populares e característicos do século XIX, o music hall e o melodrama, ressaltando a forma mutável que essa relação assume de acordo com a interação das classes sociais com o empreendimento imperial. Inglaterra DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/64-88
2022-12-06T16:09:09Z
Alencar, Thiago Romão de
O capital, de Marx: advocacy de política pública?
Em resposta a algumas das críticas contemporâneas à análise “neomarxista” de políticas públicas, o ensaio investiga o tratamento dado pelo próprio Karl Marx para a questão da política pública, no Livro I d’O capital. O ensaio sugere uma chave de leitura “heterodoxa” para a obra-prima de Marx: que ela pode ser lida como uma sofisticada peça de advocacy pela legislação limitando a jornada de trabalho. Além disso, formula hipóteses sobre uma concepção marxista da política pública, e seus sujeitos. DOI - http://dx.doi.org/10.36638/1981061x.2019.25.2/89-110
2022-12-06T16:09:09Z
Oliveira, Hilem Estefânia Cosme de Silva, Vinicius Felix da
[Re] pensar as derrotas no partido político
Este trabalho tem como objetivo fornecer uma discussão a respeito da concepção gramsciana sobre o partido político, entendido como organização de classe, tomando as concepções de Gramsci a respeito das derrotas que poderiam acometer uma organização político-partidária. Tomamos as organizações partidárias comunistas italiana e portuguesa como exemplos histórico-concretos no desenvolvimento deste trabalho. Nos interessa destacar a discussão que Antonio Gramsci realizou a respeito das derrotas: prática, ideológica e política. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/111-130
2022-12-06T16:09:09Z
Maia, Rodrigo Francisco
As vias prussiana e colonial de objetivação do capitalismo e suas expressões teóricas conservadoras
Partindo de autores clássicos como Marx, Engels, Lênin e Lukács, entre outros, faz-se um retrospecto histórico do processo particular de objetivação do capitalismo – a via prussiana – em países como Alemanha e Itália. Em seguida, contrapõe-se-lhes a forma como o Brasil entificou o capitalismo industrial, a via colonial. Pari passu, é feita a análise dos principais caracteres das ideologias conservadoras típicas dos processos tardio e híper-tardio de constituição do capitalismo, o fascismo e o integralismo, salientando-se suas diferenças, determinadas pelo chão histórico distinto que as gestou. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/131-165
2022-12-06T16:09:09Z
Chasin, J.
O pensamento conservador no Amazonas
Considerado um dos maiores historiadores da Amazônia, o amazonense Arthur Cézar Ferreira Reis (1906-93) produziu igualmente obras que analisaram a história brasileira. Nesse sentido, este artigo objetiva estudar a interpretação do autor sobre a formação nacional ao abordar alguns dos seus escritos referentes aos processos de organização do poder da Colônia até a ruptura oligárquica de 1930. As conclusões são de que Arthur Cézar Ferreira Reis possuía uma visão conservadora da história, em que os processos políticos e sociais ocorreriam de maneira lenta e sem rupturas radicais, guiados por uma elite intelectual que defendia a organização institucional e política de um estado planejador e interventor. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/166-190
2022-12-06T16:09:09Z
Gileno, Carlos Henrique Medeiros, Rodrigo Dantas de Silva, Ricardo Lima da
Capitalismo naturalista e modo de produção capitalista
Este artigo examina a produção teórica de Eugênio Gudin, que expressa sua nova postura liberal e destaca sua oposição a Roberto Simonsen, à teoria do desenvolvimento econômico da Cepal, ao marxismo e seus seguidores. Gudin reconheceu Karl Marx como o maior inimigo do capitalismo. Ele atribuiu ao pensador alemão a criação do conceito de capitalismo com conotações históricas. Negando radicalmente esse conteúdo e equilibrando a concepção do caráter natural e eterno desse sistema, apresentou o capitalismo como um sistema de produção que se conecta harmonicamente à democracia. Trabalhou com o par economia de mercado e democracia como uma antítese do planejamento e do totalitarismo, estruturando um discurso que enfatiza o plano geral abstrato, desconsiderando uma análise histórica concreta de cada caso específico. Consequentemente, todo aspecto que não se encaixa nesse par é considerado antidemocrático e intervencionista, como uma negação equivalente do ideal humano, às vezes que deve ser evitado ou mesmo destruído. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/191-214
2022-12-06T16:09:09Z
Borges, Maria Angélica Bocchi, João Ildebrando
Destruidora de ilusões burguesas
Lívia Cotrim faleceu no último dia 14 de agosto, precocemente, aos 60 anos. Sua despedida foi um acontecimento social, pela presença massiva de pessoas que conviviam ou conviveram com ela em algum momento de sua vida, ultrapassando as dezenas. Não se tratou, contudo, de uma presença impessoal, ao contrário: além de amigos, familiares e colegas, ali se reuniram as três gerações de alunos e ex-alunos que ela formou. Vimos pessoas beirando os 60 e outras ainda adolescentes, carregando a mesma emoção pungente pela perda de sua grande mestra. Muitos fizeram questão de vir nos contar episódios, situações, em que a presença dela foi marcante em suas vidas. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/215-219
2022-12-06T16:09:09Z
Cotrim, Ana Aguiar Cotrim, Vera Aguiar