Repositório RCAAP

Industrialização e bonapartismo – o ideário de Getúlio Vargas (1935-45)

Este artigo delineia alguns traços de um momento significativo do processo de industrialização brasileiro pela via colonial, o período 1935-45, por meio do discurso de Getúlio Vargas, destacando a especificidade de seu projeto de industrialização e seu vínculo com a forma bonapartista da autocracia burguesa. Getúlio Vargas DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/220-252

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Cotrim, Lívia

A gênese e a evolução do capitalismo no ideário de Roberto Campos

Este artigo discute a interpretação de Roberto Campos sobre a origem e a evolução do capitalismo. Campos destacou a prática da usura na Idade Média enquanto momento inicial do desenvolvimento capitalista, que teria sido ampliado na fase do Renascimento, na Reforma Protestante e no período da “revolução dos preços”, com a “transferência” de metais preciosos das colônias às metrópoles europeias. Campos professou uma interpretação sobre a gênese e a evolução do capitalismo funcional aos segmentos sociais que surgiram no capitalismo brasileiro entificado pela via colonial. Ele defendeu uma posição conservadora sobre a gênese do capitalismo, na qual o capital estaria na origem do próprio capital. As fontes da reflexão são os textos de Roberto Campos. O recurso metodológico utilizado é a análise imanente. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/253-286

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Melo, Wanderson Fábio de

Contrarrevolução permanente, antiliberalismo e anticomunismo

O artigo destaca, entrelidos como as raízes ideológicas do futuro Ministro da Justiça ditatorial Alfredo Buzaid (1969-1974), dois discursos proferidos pelo jurista ainda enquanto professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). Na polêmica travada em 1965 contra biógrafo de Rui Barbosa, mas principalmente em seu discurso de posse de diretor da FDUSP de 1966, resgatam-se as críticas buzaidianas ao liberalismo e ao comunismo, bem como a propositura de uma espécie de terceira via, de cunho cristão, encontrada na democracia social. Salienta-se aí o entendimento buzaidiano sobre a necessidade de formação dos homens públicos para “o processo de racionalização da democracia”, interditado o sufrágio universal. Exposta tal visão antipopular e autocrática, analisa-se o primeiro discurso ministerial de Buzaid, “Rumos Políticos da Revolução Brasileira” (1970), que o consagra como o jurista do bonapartismo e no qual é reposta a tese sobre a “racionalização” da democracia que estaria, então, sendo feita pelo general-ditador Emílio Garrastazu Médici. Apanhando o bonapartismo brasileiro de 1964 como um domínio exercido de modo indireto pelo conjunto da burguesia, resgata-se Buzaid como o jurista oficial de sua fração medicista, pintada por ele como a mantenedora de um estado de justiça anticomunista que conteria e superaria o estado de direito liberal. Buzaid é circunscrito, então, à facção continuísta do bonapartismo, sendo apontado como ideólogo e homem de ação da contrarrevolução permanente, indicando-se os principais nódulos do ideário buzaidiano no marco da Ideologia 64, como as concepções de estado ético, política “científica” e filosofia espiritualista atribuídas pelo ministro da Justiça à ditadura brasileira. Expostos tais vincos regressivos do bonapartismo buzaidiano, sinaliza-se a filiação de Buzaid ao antigo integralismo de Plínio Salgado – como as raízes ideológicas “ocultas” de seu ideário –, motivo da retomada da tese de J. Chasin sobre o integralismo pliniano. Adverte-se, ainda, a necessidade de compreensão da forma pela qual essa matriz integralista do ideário buzaidiano se fundiu e se readequou tardiamente, em plena Guerra Fria, à doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento da ditadura militar recrudescida. Por último, indica-se o engajamento do ex-ministro Buzaid no “capítulo” brasileiro da Liga Mundial Anticomunista (WACL) e da Confederação Anticomunista Latinoamericana (CAL), que o consagrou como um cold warrior de projeção transnacional. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.1.450/287-330

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Machado, Rodolfo Costa

O pensamento integralista de Miguel Reale

Trata-se da análise imanente de um fato doutrinário particular: o ideário integralista de Miguel Reale. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/331-363

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Pinho, Rodrigo Maiolini Rebello

Os militares no pós-1964

Após o golpe de estado, em 1964, verificaram-se ocorrências de fortes tensões e pressões, oriundas das forças armadas. Restringindo-nos aos primeiros anos da ditadura, resumiremos alguns dos conflitos que surgiram nas duas correntes militares que tiveram destaque na época: a Sorbonne e a Linha-dura. Ambas constituíram nos principais grupos militares, mas aqui faremos uma análise da corrente conhecida como Linha-dura durante a ditadura militar no Brasil, destacando os primeiros anos do regime (1964-1969). DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/364-391

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Guerra, Tiago Cavalcante

Ocidente e história em Golbery do Couto e Silva

Este texto tem por objeto a visão de Ocidente presente no pensamento do general Golbery do Couto e Silva, explicitado em suas obras Geopolítica do Brasil e Planejamento estratégico. Para analisá-la, aborda-se sua visão de homem, de história, de estado e de civilização; traz-se à luz a sua inspiração teórica para o debate sobre civilização ocidental e encerra-se com a relação de dependência mútua que percebe entre Brasil e Ocidente, além das proposições que faz a partir desse diagnóstico, da opção pelo Ocidente e da criação do Brasil-potência. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/392-443

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Assunção, Vânia Noeli Ferreira de

O demiurgo da construção nacional

A construção da moderna sociabilidade capitalista brasileira trilhou um caminho particular, nas primeiras décadas do século XX, em que uma situação de complementaridade e contradição estrutural entre o historicamente velho, representado pelo latifúndio agroexportador, e o historicamente novo, desempenhado na figura da indústria, resultaram no desenvolvimento social tardio e atrófico de nossa realidade. O entendimento dessas contradições histórico-sociais se transformou em fonte de preocupação para o pensamento de natureza autocrático e o pensamento crítico nacional. Entre os representantes burgueses da primeira corrente, merece especial atenção, os assim chamados “construtores da ordem”, cujos representantes, em que pesem algumas diferenças, esquadrinharam soluções modernizantes que tinham em comum o conservadorismo. Nessa esfera, encontra-se Antônio José de Azevedo Amaral, industrialista, defensor do “estado autoritário” intervencionista promotor de uma “renovação conservadora” sob a liderança de Getúlio Vargas. Este artigo pretende analisar as principais características das formas conservadoras do pensamento social no Brasil nas primeiras décadas do século XX e, em especial, os traços distintivos do pensamento industrialista de Azevedo Amaral. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/252-283

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Rago, Maria Aparecida de Paula

Nas trilhas da imanência

Martins, Maurício Vieira. Marx, Espinosa e Darwin: pensadores da imanência. Rio de Janeiro: Editora Consequência, 2017. 301 p.O livro de Maurício Vieira Martins é o resultado da obra de um autor marxista versado no melhor da tradição filosófica ocidental. No entanto, certamente, não é somente um livro “de filosofia” ou de um “filósofo”. A questão é bastante meandrada e precisa ser explicada, mesmo que rapidamente: se o marxismo vulgar, com seu tom praticista, tendeu a considerar o pensamento marxiano como completamente avesso às temáticas “filosóficas”, certamente teve-se muita unilateralidade no “materialismo dialético”, que deu a tônica do debate soviético. DOI - https://www.doi.org/10.36638/1981061X.2019.25.2/482-486

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Sartori, Vitor

Revista Verinotio v. 25 nº 2: Pensamento conservador brasileiro do século XX

Neste número, apresentamos o Dossiê Pensamento conservador brasileiro do século XX, organizado por Vânia Noeli Ferreira de Assunção e Maria Aparecida de Paula Rago, cuja ideia surgiu no Seminário Internacional J. Chasin, ocorrido na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em novembro de 2018. Neste evento, as organizadoras do dossiê, Vânia Noeli Ferreira de Assunção e Maria Aparecida de Paula Rago, participaram da mesa Núcleo de Pesquisas em Torno de Chasin, em que fizeram um balanço das pesquisas que foram inspiradas, direta e indiretamente, em duas ou mais gerações, nas pesquisas do filósofo paulistano Chasin sobre a via colonial de objetivação do capitalismo e o pensamento integralista de Plínio Salgado. Surpresas com a extensão temática – as pesquisas se articulavam em núcleos como as vertentes do pensamento conservador, a formação nacional e a marxologia – e a quantidade de pesquisas que tinham Chasin como norte teórico, decidiram sugerir a publicação dos seus resultados, que não poderiam ser mantidos apenas na memória. O escopo foi ampliado por meio de chamada pública de artigos que trabalhassem com o tema do pensamento conservador.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Verinotio, Revista

Alegoria e símbolo

Este artigo debate a relação entre a alegoria e o símbolo, temática importante para a Grande Estética de Lukács, uma vez que as distinções e as contraposições entre o alegórico e o simbólico possibilitam que o autor húngaro se aproxime do conceito de realismo. O realismo, para o esteta de Budapeste, é o que marca a autenticidade artística. Este trabalho opta por um estudo de caráter teórico-bibliográfico. Por meio de uma análise imanente sobre recorte da Estética do esteta magiar, o artigo considera que a chamada arte de vanguarda, por se inclinar para uma alegoria vazia de conteúdo, abandona as demandas do drama humano. Esse abandono faz com que a arte moderna, de modo geral, caminhe em direção, do conformismo decorativo, por um lado, e, por outro, do inconformismo irracional.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Santos, José Deribaldo Gomes

A crítica da cultura e a educação estética

A crítica da cultura como reflexo do mundo que realmente existe é o ponto de partida para a apreensão do caráter social dos sentidos estéticos, manifestamente sobre a criação artística, o conhecimento estético e a produção material sob o capitalismo. Partindo de tal pressuposto, o presente artigo se debruçará sobre a problemática geral da estética e do seu papel formador na cultura.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Reis, Ronaldo Rosas Rocha, Elisabeth Soares

Crítica marxista do Estado e do direito

O presente artigo propõe-se a analisar criticamente os pressupostos teóricos da teoria política desenvolvida por Nicos Poulantzas na fase intermediária de sua trajetória intelectual. Partindo da problemática da autonomia relativa do político, procura-se contrapor o método de Poulantzas aos resultados obtidos com a derivação sistemática da especificidade do direito e do Estado das categorias econômicas estruturantes da vida social. Busca-se, assim, apontar para um horizonte de construção de uma teoria materialista do político e do jurídico para além de Poulantzas.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Hoshika, Thais

Lukács e a emigração na URSS (1933-1945)

Resumo: Os escritos estéticos de Lukács durante a emigração na URSS constituem uma súmula de seu posicionamento contra o despotismo stalinista e a ortodoxia soviética. A despeito das “autocríticas protocolares”, os textos expressam a crítica interdita pelo dogmatismo e o sectarismo característicos do período e irão repercutir a preocupação do autor de que a Estética e Para uma Ontologia do Ser Social, fossem consideradas como sua contribuição à urgência da construção de um projeto de renovação e renascimento do marxismo.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Duayer, Juarez Torres

Origem do reflexo estético, mundanidade e considerações preliminares sobre a obra de arte na “Estética” (1963) de Georg Lukács

A partir da descrição das noções de reflexo artístico e de mundanidade na estética de maturidade de Georg Lukács, este estudo pretende apresentar algumas questões preliminares acerca do que vem a ser a obra de arte, suas particularidades e seus pressupostos na “Estética” (1963), com o intuito de ressaltar, por fim, o caráter absolutamente humanista dessa obra lukacsiana.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Gallo, Renata Altenfelder Garcia

A particularidade da constituição do capitalismo alemão em Marx

Ao longo de sua obra, Karl Marx sempre manifestou preocupação com a particularidade do capitalismo em cada país. Nosso principal objetivo neste artigo é o de discutir algumas passagens da teorização marxiana acerca da constituição do capitalismo na Alemanha. Pretendemos fazer isso por meio da leitura imanente de alguns textos de Marx.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Silva, Vladmir Luis da

Anatomia de um credo

Resenha feita do livro de Rocha, que mostra a fusão entre capitais industriais e financeiros no Brasil

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Ferreira, John Kennedy

Lukács y la renovación del realismo

El artículo analiza la lectura de György Lukács de la segunda novela de Soljenitsin, Pabellón de cáncer. La consideración de los contextos que enmarcan la crítica del autor húngaro posee implicancias políticas, filosóficas y estéticas patentes: el proceso de desestalinización, la coexistencia pacífica, y el “Renacimiento del marxismo”, que Lukács reconoce como una tarea impostergable. En este marco conceptual, la interpretación de Lukács de obra de Soljenitsin expresa el modo en las nociones de autonomía estética y perspectiva se articulan.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Salinas, Martin

El pensamiento utópico en Christa Wolf

La propuesta se detiene en analizar el eco del pensamiento utópico de Ernst Bloch presente en los ensayos de Christa Wolf “Der Schatten eines Traumes. Karoline von Günderrode -ein Entwurf” (1978) y “Nun ja! Das nächste Leben geht aber heute an. Ein Brief über die Bettine” (1979) . Asimismo, se profundizará la caracterización del romanticismo de Wolf como revolucionario utópico, que implica una crítica a la Modernidad y a la civilización capitalista y que está ligado al feminismo

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Castano, María Belén

La configuración de la realidad en dos momentos de la obra de Paul Zech

Es posible revisar algunos conceptos de la estética marxista, principalmente vinculados con propuestas teóricas de György Lukács y de Theodor Adorno en dos textos históricamente distantes de la obra del autor alemán Paul Zech (1881, Briesen, Prusia – 1946, Buenos Aires): Das schwarze Revier (1913) y “Buenos Aires” (1935). En el transcurso de los veintidós años que separan un texto del otro, se pueden observar variaciones sobre los procedimientos de reflexión de la realidad y de la configuración formal de la obra en este autor vinculado a la ideología marxista.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Sufotinsky, Tomás

Siegfried Kracauer e a teoria do romance policial

A partir de 1922, Siegfried Kracauer escreveu uma série de textos que comporiam o livro O romance policial: um tratado filosófico, mas que só seriam publicados em 1971, no primeiro volume de seus Escritos póstumos. O presente artigo tem como objetivo reconstituir a teoria do romance policial formulada por Kracauer, buscando analisar como essa teoria foi fundamentada e quais eram suas principais definições. Inicialmente, o intuito é localizar essa teoria dentro do pensamento mais geral do autor, relacionando-a a sua produção anterior e, principalmente, posterior. Em um segundo momento, tentaremos dimensionar a interlocução estabelecida entre Kracauer e autores do chamado marxismo ocidental, como György Lukács, Walter Benjamin, Theodor Adorno entre outros.

Ano

2022-12-06T16:09:09Z

Creators

Souza, Leandro Candido de