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Perfuração intestinal por enema aquoso: uma complicação pouco conhecida
A perfuração intestinal é uma ocorrência freqüente nos serviços de emergência, sendo iatrogênica em 6% dos casos. Pode tratar-se de uma complicação do uso de enemas aquosos retrógrados; a qual é rara, não tendo, pois, incidência conhecida. Apresentamos o relato de um paciente de 69 anos que após submeter-se a enema aquoso para preparo intestinal, evoluiu com quadro de dor abdominal súbita, vômitos, sinais de irritação peritoneal e comprometimento do estado geral. Após laparotomia exploradora, constatou-se perfuração no reto. A importância do relato é atentar para uma grave e pouco conhecida complicação de um procedimento rotineiro, que muitas vezes não é diagnosticada pela falta de uma história clínica relevante ou omissão pelas instituições que temem implicações judiciais.
2006
Leal,Vilmar Moura Tavares,Cléciton Braga Almeida,Kelson James Silva de Rego,Laryssa Portela Ramos Magalhães Soares,Morgana Eulálio Barreto
Tumor carcinóide retal polipóide: relato de caso
Os tumores carcinóides são neoplasias derivadas das glândulas de Lieberkühn que acometem o trato gastrointestinal, mais comumente o apêndice cecal. A apresentação retal é pouco freqüente, sobretudo na forma polipóide, e o tratamento depende, fundamentalmente, das suas dimensões, da presença de metástases e da profundidade da invasão parietal. É relatado o caso de um paciente de 43 anos que apresentava prurido anal há 18 meses. O exame proctológico evidenciou pólipo séssil de cerca de 0,5 cm de diâmetro a sete cm da margem anal, que foi excisado endoscopicamente. A imunohistoquímica confirmou o diagnóstico de tumor carcinóide. O paciente foi submetido à ressecção endoanal da área de escara da polipectomia como complementação terapêutica.
2006
Sobral,Hernán Augusto Centurión Taglietti,Enzo Martins Monteiro,Elisângela Plazas Gama,Marília Resende Von Sonnleithner Balsamo,Flávia Formiga,Galdino José Sitônio
Pesquisa em biologia molecular: como fazer?
O estudo da biologia molecular representa hoje uma das áreas de maior potencial para a realização de pesquisas em Medicina e um número cada vez maior de profissionais de saúde tem se interessado em aprofundar seus conhecimentos e produção científica, mediante a realização de projetos de pesquisa nesta área. Entretanto, a elaboração do projeto de pesquisa necessita ser realizada de forma bastante cuidadosa, considerando a grande amplitude dos potenciais objetivos e metodologias a serem utilizadas, dependentes em grande parte da disponibilidade de recursos tecnológicos e experiência prévia da equipe. O objetivo deste trabalho é contribuir para esta elaboração do projeto de pesquisa através da apresentação de alguns modelos estruturais mais freqüentemente utilizados na realização de estudos em biologia molecular, assim como rever seus princípios e métodos empregados.
2006
Pinho,Mauro de Souza Leite
Vacinas contra o Papilomavirus humano
Infecção pelo HPV é mais comum entre indivíduos jovens e sexualmente ativos e é tão prevalente que 75 a 80% da população será infectada durante sua vida. A maioria das lesões cede espontaneamente ao ponto de não ser detectada nem com os métodos mais sensíveis. Preocupam as infecções persistentes com os HPV oncogênicos, que aumentam o risco da neoplasia intraepitelial e do câncer. Duas formas de prevenção foram propostas: o rastreamento das lesões precursoras e a imunização contra o HPV, para evitá-las. Embora a incidência do câncer genital venha diminuindo devido aos métodos de rastreamento, seu custo é elevado e os resultados anormais provocam significantes distúrbios emocionais. Logo, a prevenção das doenças relacionadas ao vírus deveria ser disponível sob a forma de vacinação. Na década passada, iniciaram-se os testes clínicos com várias vacinas que tinham como alvo os tipos comuns do HPV. As vacinas profiláticas evitam a infecção pelo HPV e suas doenças associadas e as terapêuticas induzem a regressão das lesões pré-cancerosas e a remissão do câncer invasivo. As primeiras são compostas pela proteína capsídeo L1 do HPV que se auto-reproduz em partículas virus-like (VLP) quando expressa em sistemas recombinantes, induzindo forte resposta humoral com anticorpos neutralizadores. Determinam 100% de proteção contra a infecção pelos tipos específicos do HPV e impedem o aparecimento de neoplasias intraepiteliais de alto grau até pelo menos 5 anos após a imunização. A eficácia das vacinas feitas com as proteínas E6 e E7 também vem sendo pesquisada em modelos animais. As vacinas vêm mostrando maior efetividade quando administradas antes do início da atividade sexual e as campanhas de vacinação deverão ter como alvo as mulheres adolescentes e as pré-adolescentes. Espera-se, com o uso disseminado da vacina, que 70% dos cânceres cervicais sejam evitados, bem como a proporção das outras doenças anogenitais associadas à infecção pelo HPV.
2006
Nadal,Sidney Roberto Manzione,Carmen Ruth
Acesso vídeo-laparoscópico no tratamento cirúrgico da diverticulite aguda
A revisão de conceitos baseada na literatura recente relacionada ao tratamento da doença diverticular dos cólons pelo acesso vídeolaparoscópico é apresentada ao lado das indicações de formas de tratamento clássicas. A dupla abordagem videolaparoscópica, imediata para tratamento da peritonite seguida da ressecção tornada eletiva é a modalidade nova na literatura, mas ainda não padronizada. Discutem os autores dados relativos a esta tática e de outros estudos que podem ampliar o emprego desta abordagem.
2006
Sousa Jr.,Afonso Henrique da Silva e Scanavini Neto,Arceu Habr-Gama,Angelita
Radioterapia: lesões inflamatórias e funcionais de órgãos pélvicos
A radioterapia pélvica tem sido cada vez mais indicada, em doses crescentes,como coadjuvante no tratamento das neoplasias pélvicas, com resultados cada vez melhores, mas com efeitos colaterais significativos. O advento da radioterapia tridimensional conformal estabelece um método que permite a mais precisa seleção de direção e de intensidade de raios emitidos para alvos pontuais, objetivando quase que exclusivamente o tumor, com a conseqüente preservação dos tecidos vizinhos, portanto com maior efetividade e com o mínimo de efeitos colaterais crônicos e insolúveis. Essas são as possibilidades teóricas que precisam ser comprovadas na prática.Elas envolvem um campo de observação cujos resultados reais tem sido subestimados, principalmente quando referidos a efeitos adversos. Esses não se limitam exclusivamente às mucosites, mas, também, a aspectos funcionais envolvendo incapacidades que vão, quando se trata do reto, além do que sempre foi atribuído à suposta síndrome da ressecção anterior 58, para abranger danos diretos da radiação sobre os complexos esfincterianos e os nervos dos plexos lombo-sacrais 21,22,59-63. Por enquanto, seja para o câncer de reto, para o câncer ginecológico e para o câncer de próstata, somos conclamados a investir no modelo mais preventivo do que curativo, ainda que o preventivo signifique apenas a mais precoce ação, pois para essas doenças de altas incidências e mortalidades "prevenir" no sentido de ação mais precoce é, sem dúvida, bem melhor que remediar, principalmente quando se faz uso das terapias neo-adjuvantes que poderiam ser dispensadas, em casos selecionados, para não somar ao desconforto emocional do portador do câncer todas as impossibilidades das iatrogenias inerentes ao tratamento que objetiva a cura. Assim, precisamos encontrar os fatores preditivos que nos permitam escolher os pacientes com probabilidade de cura apenas com o tratamento cirúrgico, para que eles fiquem livres da radioterapia e, por outro lado, buscar o aperfeiçoamento da técnica de radiação para os casos cujas necessidades excedam a abrangência do tratamento cirúrgico, exclusivo.
2006
Santos Jr.,Júlio César Monteiro dos
Doenças anais concomitantes à doença hemorroidária: revisão de 1.122 pacientes
Em 34.000 pacientes coloproctológicos foi feito o diagnóstico de doença hemorroidária (DH), como doença coloproctológica principal, em 9.289 pacientes (27,3%), dos quais 1.122 (12,1%) eram portadores de doenças anais concomitantes à DH (DAC). Dos 9.289 portadores de DH, 2.417 foram operados de DH (26,0%) e destes, 729 foram operados, ao mesmo tempo, de DAC (30,2%). Assim, dos 1.122 portadores de DAC, 729 foram operados delas (65,0%). Em relação aos 9.289 portadores de DH, a DAC mais comum foi a fissura anal (541 casos, 5,8%), seguida de hipertrofia de papilas anais (312 casos, 3,4%), fístulas anais (117 casos, 1,3%), hipotonia anal com incontinência parcial (112 casos, 1,2%), condilomas anais acuminados (37 casos, 0,4%) e tumores anais (3 casos, 0,03%); e a mesma ordem foi verificada em relação às 1.122 DAC: fissura anal (48,2%), hipertrofia de papilas anais (27,8%), fístulas anais (10,4%), hipotonia anal com incontinência parcial (10,0%), condilomas anais acuminados (3,3%) e tumores anais (0,3%). Em relação à cirurgia, das 1.122 DAC 729 foram operadas (65,0%) nesta ordem: fissura anal (317 casos, 28,3%), hipertrofia de papilas anais (267 casos, 23,8%), fístulas anais (89 casos, 7,9%), hipotonia anal com incontinência parcial (31 casos, 2,8%), condilomas anais acuminados (22 casos, 1,9%) e tumores anais (3 casos 0,3%); e em relação às próprias DAC as incidências de cirurgias foram: tumor anal (100,0%), hipertrofia de papilas anais (85,6%), fístulas anais (76,0%), condilomas anais acuminados (59,6%), fissuras anais (58,6%) e hipotonia com incontinência anal parcial (25,8%). A confirmação dos diagnósticos das DAC pelo exame histopatológico foi de 72,8%, em ordem decrescente: condilomas anais e fístulas anais (100,0%), hipertrofia de papilas anais (79,0%), fissuras anais (68,5%) e tumores anais (66,7%).
2006
Cruz,Geraldo Magela Gomes da Santana,Jorge Luiz Santana,Sandra Kely Alves de Almeida Ferreira,Renata Magali Ribeiro Silluzio Neves,Peterson Martins Faria,Marina Neves Zerbini de
Hemorroidectomia híbrida: uma nova abordagem no tratamento das hemorróidas mistas
Este trabalho tem por objetivo apresentar uma nova abordagem mini-invasiva das Hemorróidas Mistas, a Hemorroidectomia Híbrida, que consiste na associação da Ligadura Elástica (LE) das Hemorróidas Internas com a ressecção complementar dos Plicomas Externos sob anestesia local. Num universo de 326 cirurgias orificiais realizadas na Proctoclínica num período de 4 anos, 300 (92%) foram submetidos a procedimentos mini-invasivos, 223 (68,40%) foram submetidos a LE como tratamento exclusivo e 77 (23,60%) à Hemoirroidectomia Híbrida) e 26 (8%) foram submetidos a outros procedimentos cirúrgicos (Hemorroidectomias a Milligan-Morgan, Fistulectomias etc. A abordagem proposta permite absenteísmo mínimo ao trabalho, mini-invasividade e baixa morbidade pós-operatória, ressaltando-se ainda a realização ambulatorial, excelente tolerabilidade e baixos custos.
2006
Santos,Haroldo Alfredo
Visão do paciente quanto à participação do residente no exame proctológico em ambulatório
OBJETIVOS: O acompanhamento ambulatorial de pacientes e a participação no exame proctológico são essenciais ao aprendizado do residente de coloproctologia. Entretanto pode haver relutância por parte dos pacientes em relação à presença do residente durante sua consulta e exame físico. Este estudo visa avaliar a visão do paciente quanto a este aspecto do aprendizado prático do residente de coloproctologia. MÉTODOS: Cem pacientes consecutivos responderam , de forma voluntária e anônima a um questionário após a realização de exame proctológico com a aprticipação de residentes em coloproctologia em ambulatório de instituição privada. Foram investigados, sexo, idade, cor, estado civil e nível educacional e sócio-econômico, assim como a visão do paciente em relação à presença de residentes durante o exame proctológico, procurando-se identificar razões para a sua aceitação ou recusa durante a consulta. As respostas foram analisadas usando-se teste do qui-quadrado e o teste t de Student. RESULTADOS: Observou-se que 87% dos pacientes aceitaram bem a participação do residente no exame proctológico, enquanto 1% respondeu que recusaria sua presença. Onze por cento se mostraram indiferentes em relação à presença do residente e um paciente não respondeu. Não houve diferença significativa em relação às variáveis estudadas no que diz respeito à presença do residente durante o exame proctológico, exceto para estado civil, uma vez que uma taxa maior de pacientes casados aceitou o residente. A principal razão para a aceitação foi contribuir para a formação médica, enquanto que a recusa esteve relacionado à perda da privacidade. CONCLUSÃO: De um modo geral, os residentes são bem aceitos no ambulatório de coloproctologia em uma instituição privada. O conhecimento das razões para sua aceitação ou recusa podem favorecer posturas que facilitem a aceitação e minimizem a recusa.
2006
Elias,Isabela Pessoa Lacerda Filho,Antonio Mansur,Eliane Sander Câmara,Frederico Gusmão Sena,Kanthya Arreguy de
Exame para ingresso na residência médica de coloproctologia: a experiência do Hospital Sírio Libanês (São Paulo, SP)
INTRODUÇÃO: Um dos problemas principais no acesso aos programas de residência médica de especialidades é definir não apenas quais são os melhores candidatos, mas quais aqueles que, uma vez terminado o treinamento, poderão aproveitar o investimento intelectual e financeiro que lhes foi facultado. O exame de acesso à residência médica de Coloproctologia do Hospital Sírio Libanês, credenciada pela SBCP e pelo MEC, obedeceu às normas definidas pelo MEC. Nossa preocupação foi de criar um mecanismo de seleção que contemplasse mais que o conhecimento do candidato, dando-nos oportunidade de melhor avaliar adestramento cirúrgico, capacidade de resolução de problemas, características de personalidade, interesse na especialidade e planos futuros. Assim, foram desenvolvidas provas que pudessem contemplar mais do que conhecimentos. EXAME DE SELEÇÃO: Constou de: 1) prova escrita (5 pontos), abrangendo temas gerais de medicina; 2) prova prática (4 pontos), com quatro partes: a) caso clínico; b) discussão de cuidados pré, intra e pós-operatório; c) cirurgia em animais; d) simulação de atendimento de paciente crítico em boneco - aplicada pelos membros do programa de Coloproctologia; 4) entrevista (1 ponto) - realizada pelos membros do programa. DISCUSSÃO: O modelo de seleção de residentes oficializado pela Comissão Nacional de Residência Médica é calcado quase que exclusivamente nos conhecimentos dos candidatos, uma vez que o peso da entrevista, ao contrário de outros países, pouco permite mudar a classificação do candidato. Dessa forma, há pouca margem para avaliações subjetivas e cognitivas, dentre as quais se destacam a personalidade do indivíduo, sua capacidade resolutiva, sua competência em atuar em equipe. Para sanar essa limitação, foi conduzida prova prática abrangente e interativa, de modo que a entrevista foi, de certa forma, uma continuação da prova prática. A prova prática, nos moldes que foi elaborada, permitiu ampliar a compreensão sobre as características dos candidatos e proporcionou maior flexibilidade para escolha, o que certamente não ocorreria com o único ponto destinado à entrevista. As opiniões dos diversos examinadores que atuaram nas provas práticas e nas entrevistas foram razoavelmente homogêneas para cada candidato, refletindo a adequação da metodologia utilizada. CONCLUSÃO: A prova prática, nos moldes elaborados, embora mais trabalhosa, permitiu definir aspectos diferenciais entre os candidatos, facilitou a condução das entrevistas e permitiu realizar uma melhor seleção dos candidatos. PROPOSTAS: A partir dessa experiência, os autores propõem à SBCP: 1) que sejam definidos critérios que permitam padronizar, dentro do possível, os exames de acesso às residências por ela aprovados, através de exame abrangente como o aplicado; 2) que se crie um sistema de avaliação dos residentes ao término de seus programas, acoplado à avaliação dos próprios programas.
2006
Cutait,Raul Correa,Paulo Alberto F. P. Silva,Enis Donizetti da Padilha,Roberto
Atividade inflamatória em mucosa de reservatório ileal na polipose adenomatosa familiar e retocolite ulcerativa inespecífica: avaliação da expressão de TNF-alfa e IL-1beta, e da ativação NF- kapaB
A ileíte do reservatório pós retocolectomia total constitui uma das complicações mais comuns nos doentes com RCUI, apresentando pequena freqüência nos doentes com PAF. OBJETIVO: Avaliar a atividade inflamatória em mucosa de reservatórios ileais endoscopicamente normais, através da expressão de TNF-alfa, NF-kapaB e IL-1beta. CASUÍSTICA E MÉTODOS: Selecionaram-se 20 doentes submetidos à retocolectomia total com reservatório ileal em "J" pelo Grupo de Coloproctologia da UNICAMP, sendo 10 doentes com RCUI e 10 com PAF. O grupo controle foi constituído por íleo terminal de intestino normal. Realizadas biópsias da mucosa do reservatório ileal e do íleo terminal normal, e congeladas em nitrogênio líquido. A expressão de TNF-alfa e IL-1beta foi analisada por extrato total e de NF-kB por meio de imunoprecipitado. A separação protéica foi feita por eletroforese em gel de poliacrilamida. RESULTADOS: Expressão de TNF-alfa e IL-1beta apresentaram níveis maiores nos doentes com RCUI, quando comparados àqueles com PAF (p<0.05). Por outro lado, a expressão de NF-kapaB foi maior nos doentes com RCUI, porém sem diferença estatística em relação aos de PAF. O grupo controle apresentou pequena expressão de TNF-alfa (p<0.01) e expressão de NF-kapaB (p>0.1) e IL-1beta (p > 0.05) sem diferença estatística em relação aos demais grupos. CONCLUSÃO: Os doentes com RCUI apresentaram maiores níveis de expressão das citocinas estudadas, mesmo sem evidência clínica e endoscópica de ileíte do reservatório, podendo justificar maior suscetibilidade dos doentes com RCUI a esta complicação.
2006
Leal,Raquel Franco Coy,Cláudio Saddy Rodrigues Velloso,Lício Augusto Ayrizono,Maria de Lourdes Setsuko Fagundes,João José Milanski,Marciane Coope,Andressa Góes,Juvenal Ricardo Navarro
Resultados do exame anátomo-patológico e "Polymerase Chain Reaction (PCR)" na forma clinica e subclinica da infecção anal pelo Papilomavirus Humano (HPV): estudo em quatro grupos de pacientes
O Papilomavírus Humano tem alta incidência na população. O objetivo deste trabalho é o estudo dos resultados encontrados no exame anatomo-patológico e no PCR das formas clínica e subclínica da infecção anal por HPV em quatro grupos de pacientes. MÉTODO: Foram estudados 10 pacientes com prurido anal idiopático, seis com infecção genital pelo HPV, tratada, seis com condiloma anal tratado e oito com condiloma anal. As verrugas foram biopsiadas nos oito pacientes com condiloma e feito exame de anuscopia de alta resolução com biópsia dirigida nos outros 22 pacientes. O material foi encaminhado para exame anátomo-patológico e depois, a partir do mesmo bloco de parafina, foi feito o exame de PCR. Resultados: O anátomo-patológico foi positivo para HPV em todos os pacientes, sendo que nos oito com condiloma confirmou-se a forma clínica e em 22 diagnosticou-se a subclínica com 13 casos de neoplasia intraepitelial associada. O PCR foi positivo em 91,9% dos 22 pacientes da forma subclínica ao anátomo-patológico e em 87,5% dos oito pacientes da forma clínica. O tipo predominante nos casos de HPV anal subclínico foi o 16 e o predominante nas verrugas foi o 11. CONCLUSÕES: O exame anátomo-patológico foi positivo para HPV em todos os pacientes, propiciando também o diagnóstico de 13 casos de neoplasia intraepitelial, sendo dois de carcinoma "in situ". O PCR foi positivo em 91,9% dos pacientes da forma subclínica ao anátomo-patológico e em 87,5% da forma clínica ao anátomo-patológico. O tipo predominante da forma subclinica foi o 16 e das verrugas foi o 11.
2006
Magi,João Carlos Rodrigues,Marcos Ricardo da Silva Guerra,Geanna Mara Lino e Silva de Resende Costa,Maria Cecília Costa,Anderson da Costa Lino Villa,Luisa Lina Formiga,Galdino José Sitonio
Colonoscopia com magnificação de imagem: análise da variação interobservadores para os padrões de criptas e comparação das imagens endoscópicas com os achados histopatológicos
A colonoscopia com magnificação de imagem (CMI) é considerada uma técnica que possibilita o diagnóstico diferencial entre lesões colorretais neoplásicas e não-neoplásicas. Este estudo avaliou a variação da concordância interobservadores para os padrões de criptas através de três endoscopistas experientes com a classificação de Kudo, e correlacionou esses aspectos morfológicos com os achados histopatológicos. Um total de 213 imagens de lesões magnificadas (polipóides e planas) forma coletadas de 161 pacientes consecutivos e apresentadas a três observadores independentes que expressaram opinião sobre o padrão de criptas predominante. Todas as lesões foram completamente excisadas e enviadas para estudo histopatológico. A estatística estimada de Kappa mostrou que o índice de concordância geral para padrões de criptas entre os três observadores foi bom (0,561). Com relação aos resultados histapatológicos, quando comparados aos padrões de criptas, observou-se: acuária de 84%; sensibilidade de 91,4%; especifidade de 67,2%; valor preditivo positivo de 86,6% valor preditivo negativo de 79,3% e índice de Kappa de 0,61. Embora a reprodutilidade interobservadores dos padrões de criptas seja boa, a CMI não deve substituir o estudo histopatológico, pois não diferencia com a necessária segurança lesões neoplásicas de lesões não-neoplásicas.
2006
Zanoni,Esdras Camargo Andrade Cutait,Raul Averbach,Marcelo Oliveira,Lix Alfredo Reis de Teixeira,Cláudio Rolim Corrêa,Paulo Alberto Falco Pires Paccos,José Luiz Rossini,Giulio F. Lopes,Luiz H. Câmara
Tratamento cirúrgico do câncer colorretal: resultados a longo prazo e análise da qualidade
A obtenção de resultados cada vez melhores no tratamento do câncer colorretal apresenta-se hoje como um desafio devido à sua crescente prevalência em todo o mundo. Diversos estudos têm demonstrado que a qualidade do tratamento cirúrgico instituído representa um dos principais fatores prognósticos, podendo ser esta avaliada através de aspectos como mortalidade operatória, preservação esfincteriana, recorrência local e sobrevida. O objetivo do presente trabalho é apresentar os resultados obtidos a longo prazo no tratamento cirúrgico do câncer colorretal pelo Grupo de Coloproctologia do Departamento de Cirurgia do Hospital Municipal São José, em Joinville, e confrontá-los com a literatura a respeito, visando obter uma avaliação crítica da qualidade do tratamento instituído. Foi realizada uma análise prospectiva de uma série consecutiva de 97 pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico do câncer colorretal, com perspectivas curativas e tempo de seguimento médio de 80,8 meses. Foi observada mortalidade operatória em seis pacientes (6,1%), recidiva local para câncer retal e colônico em seis (12,5%) e quatro (9,7%) pacientes, respectivamente, e a necessidade de realização de colostomia definitiva no câncer retal em 14 casos (27%). A sobrevida geral média foi de 48,9 meses. A sobrevida geral de cinco anos para o seguimento oncológico (n=63) foi de 52%, sendo 89% para pacientes estágio 1, 70% para pacientes estágio 2 e 20% para pacientes estágio 3. Concluímos que o tratamento instituído encontra-se dentro dos padrões aceitáveis do ponto de vista da literatura, demonstrando, no entanto, a necessidade de aprimoramento em alguns aspectos específicos.
2006
Pinho,Mauro de Souza Leite Ferreira,Luís Carlos Kleinubing Jr.,Harry
Câncer colorretal: características clínicas e anatomopatológicas em pacientes com idade inferior a 40 anos
O câncer colorretal (CCR) é a quarta neoplasia maligna mais incidente no Brasil. Seu diagnóstico em pacientes jovens é geralmente subestimado pelos médicos por ser frequentemente considerada como condição clínica de pacientes idosos. O presente trabalho tem como objetivo avaliar variáveis clínico-patológicas em pacientes com menos de 40 anos, no que diz respeito a idade, sexo e raça do paciente, história familiar, tabagismo, sinais e sintomas, tempo entre início dos sintomas e o diagnóstico, e localização da lesão primária, através de estudo retrospectivo de 11 casos de CCR atendidos no Hospital Universitário - HUUFMA no período de 1995 a 2005. Os pacientes incluídos representaram 11 (3,27%) dos casos, sendo mais freqüente o sexo feminino (54,5%). A idade média ao diagnóstico foi de 30,5 anos. Os sinais e sintomas mais prevalentes foram dor abdominal, alteração do hábito intestinal, perda ponderal, dor retal e hematoquezia. O tempo médio entre o início da sintomatologia e o aparecimento dos sintomas foi de 9,09 meses. A maioria das lesões encontrava-se no retossigmóide e reto (81,8%). Cerca de 80% dos pacientes apresentaram carcinoma estágios C e D da classificação de Dukes Astler-Coller. Pacientes jovens portadores de CCR apresentam, geralmente, sintomatologia rica, com doença avançada ao diagnóstico, portanto, com menor possibilidade de cura e prognóstico mais reservado.
2006
Carneiro Neto,Joaquim David Barreto,João Batista Pinheiro Freitas,Natália Sousa Queiroz,Marcelo Araújo
O papel do óxido nítrico na pressão anal esfincteriana de ratos submetidos à colite experimental
O óxido nítrico (NO) é um radical livre sintetizado endogenamente por várias células do nosso organismo. Apresenta um amplo espectro de ações fisiológicas, sendo as mais importantes o seu mecanismo de ação parácrino no relaxamento da musculatura lisa, sua atividade neurotransmissora em vários sistemas e seu envolvimento no processo inflamatório. O NO é sintetizado em diferentes tecidos através da conversão da L-arginina em L-citrulina pela ação da enzima óxido nítrico sintase (NOS). OBJETIVOS: Este estudo tem por objetivo demonstrar o envolvimento do óxido nítrico no processo intestinal inflamatório de ratos Wistar submetidos à colite experimental com ácido acético. MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizados 20 ratos machos Wistar, com peso entre 250 e 350 gramas divididos em dois grupos de 10 animais. Os animais do grupo em estudo foram submetidos à administração intracolônica, por enema, de uma solução de ácido acético diluído a 7% e com volume de 3 ml. O grupo controle recebeu apenas enema de solução salina. Foram avaliados os índices histológicos, a expressão da enzima óxido nítrico sintase (iNOS) e a pressão anal esfincteriana. RESULTADOS: Os índices histológicos apresentaram uma significativa elevação no grupo colite quando comparados ao grupo controle, tanto na avaliação macroscópica quanto na microscópica. A expressão da enzima iNOS também foi significativamente maior no grupo colite quando comparada ao grupo controle. A pressão anal esfincteriana foi significativamente mais baixa no grupo colite na comparação ao grupo controle. CONCLUSÃO: Os animais submetidos à colite experimental apresentam um aumento da expressão da enzima óxido nítrico sintase induzível (i-NOS). Este aumento, associado ao conseqüente aumento do nível de óxido nítrico, ocasiona uma diminuição dos níveis de pressão anal esfincteriana.
2006
Fillmann,Henrique Sarubbi Kretzmann Filho,Nélson Llesuy,Suzana Fillmann,Lúcio Sarubbi Marroni,Norma Possa
Câncer em doença de Crohn: relato de caso
Apesar de se reconhecer que existe um maior risco de câncer em portadores de doença de Crohn (DC), até o presente momento foram descritos menos de 150 casos na literatura mundial. Os principais fatores de risco são a instalação precoce, a longa evolução da doença, a ocorrência de doença fistulosa crônica e a presença de alça exclusa comprometida. Relato de caso. Paciente MCAN, de 53 anos de idade, do sexo feminino, de cor branca, havia sido submetida à ileocolectomia direita aos 17 anos, por obstrução intestinal, decorrente de DC em íleo distal. Há um ano, devido a novo quadro obstrutivo, foi submetida a laparotomia exploradora quando se encontrou massa na região da anastomose ileocólica, caracterizada como adenocarcinoma mucossecretor. Discussão: Na maioria dos casos relatados, o câncer instala-se muitos anos após o início dos sintomas, ocorrendo em cerca de 80% dos pacientes após 20 anos do diagnóstico de DC. O tumor é habitualmente de crescimento insidioso e leva à obstrução intestinal. Apenas 10% dos pacientes sobrevivem dois anos livres da doença. O presente caso mostra características identificadas na maioria dos pacientes com DC que desenvolvem neoplasia de intestino delgado: tumor se desenvolvendo muitos anos após a instalação da enfermidade e com comportamento agressivo.
2006
Valério,Fernando Cutait,Raul Sipahi,Aytan Damião,Aderson Leite,Kátia
Intussuscepção intermitente de lipoma de cólon transverso
O lipoma colorretal é incomum. A maior parte das lesões são únicas, localizadas na submucosa, assintomáticas, sendo descoberta em autópsias ou em laparatomia por outras condições. Porém, em alguns casos são sintomáticos, e podem causar sangramento, obstrução intestinal, cólicas intestinais, prolapso e intussuscepção. Apresentamos um caso de lipoma submucoso de cólon transverso, cuja apresentação foi de intussuscepção intermitente. O lipoma foi ressecado através de uma colectomia segmentar e o paciente teve alta em bom estado geral.
2006
Reis,Luciano Dias de Oliveira Mendes,Luiz Henrique Bastos Cardoso Filho,Celso Augusto Milani Reis,Adriano Dias de Oliveira Arruda,Júlio de Assis Moreira
Síndrome de Chilaiditi associada a volvo de cólon sigmóide: relato de caso
INTRODUÇÃO: Este estudo tem como objetivo relatar um caso de Síndrome de Chilaiditi associada a volvo de cólon sigmóide. RELATO DE CASO: Paciente masculino, branco, 51 anos, admitido no Pronto-Socorro de Pelotas queixando parada da eliminação de gases e fezes, dor abdominal difusa com distensão e inapetência, aceitando somente líquido. Tem diagnóstico de retardo mental e constipação intestinal crônica. Foi realizado Rx de abdome agudo, sendo evidenciada distensão difusa de cólon, e sinais sugestivos de volvo de sigmóide com imagem de cólon transverso entre o fígado e o diafragma. O paciente foi submetido a laparotomia exploradora, sendo constatado volvo de sigmóide, megacólon difuso e interposição do cólon transverso entre o fígado e o diafragma. Procedeu-se a colectomia subtotal, com colostomia terminal em cólon ascendente e fechamento do reto remanescente, recebendo alta no 9º dia. DISCUSSÃO: A interposição do cólon entre o fígado e a cúpula diafragmática (síndrome de Chilaiditi), associada a volvo de cólon sigmóide, constitui causa rara de abdome agudo obstrutivo, embora o volvo de sigmóide seja uma das principais causas de obstrução intestinal mecânica no Brasil. Geralmente o tratamento é clínico, porém se associado a complicações o tratamento é cirúrgico.
2006
Almeida,Marcelo Wilson Rocha Hellwig,Bruno Haack,Ricardo Lanzetta Silva,André Rodrigues da
Tumor de células granulares no canal anal: relato de caso e revisão de literatura
Os autores relatam o caso de uma paciente de 28 anos em que foram diagnosticados múltiplos tumores de células granulares em canal anal, não relacionados com a queixa inicial. O tumor de células granulares é incomum, se apresentando geralmente como um tumor benigno que pode se localizar em qualquer segmento corpóreo. A apresentação no trato gastrointestinal é rara. Na literatura mundial são relatados apenas dois casos em canal anal. São discutidos os aspectos clínicos e diagnósticos do tumor de células granulares no trato gastrointestinal, principalmente no reto e ânus, assim como a terapêutica recomendada. É apresentada também uma revisão com base na literatura mundial, enfatizando a ocorrência do Tumor de Células Granulares em canal anal.
2006
Santoni,Bianca Andreucci Lima Moreira Pinto,Fabio Eduardo Souza Machado,Leonardo Ferraz,Edna Delabio Del Cueto,Gisela Gutierrez Quintas,Cristine Maria Salles,Ronaldo Coelho